…mas nós sentimos muito a sua falta e tudo parece triste e sombrio…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

27 de julho de 1926
Querido irmãozinho!
Saudações!

Recebemos as seguintes cartas: a minha que você escreveu em 14 de julho e a do Arthur que você escreveu no dia 23 também de julho. Estas vieram muito rápidas e é raro chegar assim imediatamente. Aquela que veio como resposta ao telegrama ficamos tristes por ter que mandar uma mensagem tão triste. A primeira idéia era de não mandar telegrama nenhum, mas depois acertamos que seria melhor informar já de uma vez, porque de qualquer modo mais cedo ou mais tarde irias receber a carta informando do triste fato, então porque adiar. O telegrama foi mandado dia 10 e demorou muito para chegar lá. Nós também ficamos muito tristes e perturbados, mas tudo aconteceu quando ninguém estava esperando, mas a Palavra de Deus que todos devemos estar preparados por que ninguém sabe o dia que a morte vem e bem aventurado aquele que está preparado.
Nós naquela manhã não imaginávamos que noite nos tínhamos que nos separar da Olga, pois ela não sentia dor nenhuma e somente tinha a respiração difícil. Ela ainda pela manhã falou: Tu ainda queres viajar para o Rio, mas eu vou é para casa… Isso por que nós alguma vez planejávamos ir visitar você isto é enquanto você ainda estivesse ai no Brasil. Isto seria se a gente pudesse e tivesse condições, mas na prática sabíamos que nós não tínhamos as condições, pois a nossa vida aqui não permitia, mas conversar e planejar isto nós podíamos. Nesta última semana ela falava muito sobre você, sobre os tempos passados o que fazíamos e como vivíamos. Dizia ela e agora ele vai para tão longe e certamente eu não vou ter oportunidade de encontrá-lo novamente apesar de eu sempre tentar reanimá-la dizendo que logo que voltares da América virás direto para casa então poderemos viver longo tempo juntos e não deixaremos ir embora tão cedo, como no tempo que você tinha que voltar para a escola. Mas Deus não quis assim e levou-a para o Lar Celestial e quando tornarmos a nós encontrar então, aí, nós não separaremos jamais. Por que aqui não é o nosso lar e somos como estranhos e peregrinos a caminho da Canaã Celestial. Ela está muito bem, mas nós sentimos muito a sua falta e tudo parece vazio, triste e sombrio. Nos últimos tempos ela nada podia fazer, mas pelo menos era uma boa companhia e agora não está mais.

O Arthur mandou a carta em 19 de abril, mas ela já estava escrita dias antes, mas naquela semana começou uma grande chuva e um vento gelado. Começou a chover na terça feira dia 14 e choveu até o sábado. O frio era tão violento que a gente parecia que não poderia agüentar. Nas Serras as montanhas ficaram brancas cobertas de neve por mais de uma semana. Os serranos falavam que a camada de neve era tão grossa que chegava até a barriga das mulas. Esperávamos grandes geadas aqui, mas não aconteceram e quando o tempo melhorou aí também esquentou. É por isso que o Arthur demorou em enviar a carta por que para Orleans ninguém podia ir. Eu também não escrevi por que eu fiquei tão perturbada que não podia escrever nem a noite pensar. Desde há duas semanas antes do falecimento da Olga eu estava tão cansada e perturbada devido à tensão e não sentia vontade de comer, a cabeça doía muito e também as costas e eu cheguei a pensar que não conseguiria superar tantas tristezas, mas o Senhor ajudou e agora estou perfeitamente saudável. Estou somente bastante nervosa e qualquer movimento mais brusco me deixa perturbada. Fora isto estamos todos bem de saúde e ninguém ficou de cama por estes dias. Serviço nós temos demais agora nós estamos colhendo o milho, este ano a colheita será menor por que não cresceram bem e também há muitos ratos. Se alguma espiga foi derrubada no chão por qualquer razão sem dúvida, ela estará roída, mas vai dar para passar o ano. Os porcos estão sendo engordados com mandioca, qual nós temos bastante. A farinha de mandioca já terminamos de fabricar. Rendeu mais de 50 sacas. Os preços da farinha é que não estão bons e às vezes os homens das vendas nem querem comprar. Polvilho também vamos ter bastante, pois os cochos e as barricas estão cheios. Não puderam ser secos por que o clima não tem ajudado. Pois o tempo continua chuvoso.
O Carlos Leiman chegou dia 3 e foi embora para Mãe Luzia no dia 12. Ficou aqui em casa e deu para conversar bastante. Prometeu escrever para você. Dirigiu vários cultos e realizou Batismos no dia 11 de manhã na fazenda dos Frischembruder, por que devido à venda da terra dos Osch onde eram normalmente realizados os batismos foi vendida para um italiano onde ninguém gostaria de ir e é provável que não autorizasse. Na noite de sábado dia 10 foi realizada uma Sessão na Igreja quando foram aceitos os seguintes novos membros: Klara Sahlit, Kornelija Balod, Harri Auras e Willis Leepkaln e os batismos foram realizados na manhã do domingo pelo Pastor Carlos. Os Sermões eu não vou transcrever desta vez, talvez em outra.

Há pouco tempo recebemos carta do Fritz e do Arthur [Frederico e Arthur Leiman da Argentina]. O Arthur escreve que virá para o Natal para vender a terra.. O Fritz diz que esqueceu o teu nome senão ele escreveria para convidando para você ir para Argentina trabalhar. Ele garante que tem muito trabalho e pão macio para comer. Diz que você pode ir sem medo, pois ele precisa muito de trabalhadores.
Quanto àquela compra do terreno dos Leiman, não chegamos a nenhuma conclusão definitiva. Se vender aqui e comprar lá ou senão só comprar lá. O que nós estamos de acordo é que você se não custar muito caro mandar a Procuração e depois a gente poderia decidir com mais vagar. Nós conversamos se pela Bukuvina a gente conseguisse o suficiente que desse para comprar a fazenda dos Leiman tudo bem. Mas completar com mais dinheiro ai não. Tem um agravante, pois não existe nenhum comprador para a Bukuvina quando a gente quer vender. O Arthur [Arthur Purim] ainda tem outras preocupações e acha que no final terá que desistir da terra dos Leiman porque não será possível morar em dois lugares no mesmo tempo e nenhuma das casas não poderão ser deixadas vazias. Aqui no Rio Novo a cozinha é nova e logo abaixo do paiol nós temos uma linda horta tudo nela cresce muito bem. Sabemos que a terra dos Leiman também é boa e bem grande. As raízes lá [Mandioca] crescem muito bem. Se não comprar lá não sabemos onde por o nosso gado, pois aqui o pasto é pouco. Vender o gado é difícil, pois quando a gente quer vender ninguém quer comprar. Por ai você pode ver que não temos nada decidido, mas que concordamos que a Procuração você deve mandar e nós não comprarmos também não venderemos e ai ela ficará sem utilização. Se mandares faça em nome do Arthur, pois ele pode falar e se comunicar melhor que o Paps. Também escrevemos para o Fritz e para o Arthur, pois este assunto tem que ser bem avaliados com muita responsabilidade. Na semana que vem vamos mandar outra carta com os novos croquis do seu terreno e esperamos que este chegue lá.

Vamos mandar também para você meias, luvas, camisa e um xale. É para você ir bonito e elegante para a América. Se você não gostar da camisa, então, você pode vendê-la. Mas eu pensei que pelo tamanho ele vai servir bem. Ela está na moda e todos senhores elegantes usam este modelo. Se as mangas forem muito compridas, você pode arregaçar. O colarinho pode ser virado para o lado de fora. Se tivesses vindo para casa terias ganho um lindo terno de tecido feito de lã [Vadmales] feito no nosso tear.

Bem por hoje chega se eu esqueci alguma coisa escrevo na outra vez.

Amáveis lembranças de todos. Nós estamos bem. E o mesmo desejo para você.
Lúcia

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…pois quando eu vinha da outra casa montada, eu cai da Shanny…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

26 de outubro 1925
Querido maninho!!

Ainda que até agora não tenha recebido carta nenhuma sua assim mesmo tenho que escrever. O Arthur, este sim recebeu a tua carta no dia 17 de outubro juntamente com aqueles jornais. Por tudo muito obrigado, pois agora eu tenho muito que ler. Não terminei ainda de ler todos. Sempre quando sobra um tempinho eu estou lendo. Gosto muito das matérias escritas por você à máquina, pois contém bons ensinamentos. Também agradeço pelo “O Crisol” que agora eu estou encadernando e não pode faltar nenhum número. Continue me mandando inclusive aqueles “Zelhmallas Seedus” [Flores da beira do caminho], pois gosto muito deles.

É possível que tenhas recebido a carta que mandei no dia 8 de outubro, quando naquela eu prometi escrever novamente na próxima semana, mas não consegui, pois aconteceu um desastre comigo, pois quando eu vinha a cavalo da outra casa montada eu cai da Schanny [uma égua] machucando o joelho e cotovelo da mão direita inclusive machuquei ambas as mãos, tanto que por 3 dias não podia mexer com o corpo. Mas desastres deste aqui agora é moda, pois há mais de um mês o filhinho do Oswaldo Auras caiu de um esteio [esteio é chamado o pé direito de uma construção] e quebrou a perna, mas já está quase bom. E também umas duas semanas atrás o Hari Stekert viajando de auto e este tombando caiu [Não está claro se o automóvel tombou ou ele caiu do automóvel] e quebrou algumas costelas, mas agora já está quase bom.

Agora o tempo está chuvoso até demais, começou a chover forte no dia 12 de outubro e chove até hoje. Antes disso estava nublado e chovia normalmente, mas agora sábado, domingo e hoje está chovendo torrencialmente que todos rios e riachos que até rugem. Se chover mais um dia então vamos ter enchentes. Hoje mesmo é possível que o Rio Novo lá em baixo não dê passagem [A passagem a que se refere era abaixo da Atafona do Eugenio Elbert (Dª Alida) pela Estrada Velha – Meu pai quando trazia mercadorias com carro de boi da Estação de Estrada de Ferro para a Venda do tio Eduardo Karp teve diversas vezes passar toda mercadoria nas costas pela pinguela e passar com os bois e o carro por dentro d’água e depois recarregar tudo para prosseguir a viagem], pois o Rio Novo aqui em cima perto de nossa casa está como o Rio Novo normal, mas lá em baixo as condições são outras. Os previsores de tempo de plantão tinham antecipado que a primavera e o verão seria muito secos, mas a realidade é bem outra. Em São Paulo sim é que está faltando água pois as pessoas não tem água nem para lavar o rosto e muitas fábricas estão parando.

O Willis e o Augusto Klavim chegaram de São Paulo no dia 12 de Outubro e trouxeram junto o primo deles o Alfredo Neander, de estatura ele não é alto, quem sabe da altura do Karlis Klavin, mas tão hiper ativo com um menino da cidade em um piquenique na região rural.

A Festa de Aniversário da União da Mocidade foi no dia 16 de outubro. Um dia nublado e com as estradas lamacentas. O programa foi pequeno, não foi nem a metade do ano passado. Houve apresentações de hinos, músicas, saudações, preleções e relatórios das atividades da União no Ano passado. Na parte financeira a União movimentou mais de 1:200$00 mil réis. Os pastores também não estavam mais, pois foram embora dia 12 de outubro. O Deter não queria ficar mais. Ele chegou no Rio Novo procedente de Mãe Luzia no dia 9 de outubro. Naquele mesmo dia ocorria o casamento do Carlos Leepkaln com a Anna Sanerip. O tempo estava nublado, mas a estrada estava enxuta. A 1 hora da tarde foi a Cerimônia na Igreja e o Dr. Deter fez o Sermão em brasileiro, inclusive falou que este era o casamento do 2o. Leepkaln, pois na outra vez ele esteve no casamento do Alfredo Leepkaln. O pastor Stroberg fez o sermão em leto, o coro cantou e tudo transcorreu muito bem. Após as bodas foram servidos café com pão, bolos, bolachas e acompanhamentos. A noite foi repetida a dose na casa dos Sanerip, mas desta vez não para todo mundo e sim para os parentes, os amigos mais chegados e os pastores. Entre estes amigos chegados nós fomos incluídos, pois a família Sanerip gosta muito da gente, então somente o Paps não foi. Não podia ser diferente, pois durante os preparativos eu passei dias na casa deles ajudando, isto é fazendo bolos e comendo.

No sábado a noite teve culto na igreja e o Deters falou. No Domingo ele compareceu na Escola Dominical e logo após no Culto ele fez um sermão em brasileiro e logo após o Stroberg fez um resumo em leto. No Domingo a noite novamente culto na igreja. O missionário Deter elogia muito os letos em geral e principalmente os que estão no Rio como o João Klawa e outros que trabalham diligentemente. Tem especial apreço por você principalmente pelos resultados do seu trabalho e as demais coisas não vou escrever.

O Stroberg não te escreve? Ele contou para a Mamma que em Kuritiba ele consegue muitas informações sobre
você, principalmente quando você escreve para o Carlos Vieira então ai ele conta tudo.

Bem agora esta noite tenho que terminar. Desta vez eu matei coelho que o Arthur teria que matar, pois ele faz um mês que está adiando a sua obrigação. Ele promete escrever, mas não tão longa quanto a anterior.

Nós estamos indo como sempre. A Olga está ficando melhor, mas boa ainda ela não está, mas também com uma doença tão séria não ficaria boa tão rápido.
Muitas lembranças de todos de casa
Lúcia
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Agradeço a Gramática Inglesa que você me mandou.| De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1925 –

(Outra carta sem indicação do ano)
Rio Novo 19 de junho

Querido irmãozinho! Saudações!

Eu recebi a tua carta escrita em 16 de maio já há bastante tempo e por ela muito obrigada. Eu já poderia ter escrito a resposta antes, mas agora não mais estamos indo toda semana para Orleans, porquê a manteiga não é bastante para vender e dai a gente também não vai ao correio toda semana, você não vai tomar por mal eu ter feito esperar então agora vem à compensação porquê terei mais notícias para relatar e provavelmente a Olga também escreva e assim você terá bastantes coisas para ler.

Agradeço pela Gramática Inglesa que você me mandou. Recebi no dia que eu mandei a carta escrita no dia 23. Você já a recebeu? Você me pergunta como eu estou indo com os estudos. Eu realmente para estas coisas não tenho tido oportunidade de chegar perto, pois durante o dia inteiro trabalho na roça e a noite ou eu fio a lã ou teço meias. Este ano as meias estão bem valorizadas, pois os negociantes em Orleans estão pagando 4$000 o par e outros lugares estão ainda mais caras.

Recebemos os medicamentos que você enviou através do Vitor [Vitor Stawiarsky] e por elas muito obrigado. Este portador não tivemos chance de encontrá-lo, pois ele foi embora muito rápido. Quando fomos procurar, ele já tinha ido embora. Estes remédios ainda não foram utilizados e por isso pedimos que por agora não mande mais porque a Olga está agora se tratando com remédios indicados pelo Stawiarsky [Etienne Stawiarsky ] e por não poder misturar tudo pedimos que não fique gastando o seu dinheiro com remédios e para as suas próprias despesas poderá ficar sem dinheiro nenhum.
O tempo agora está chuvoso e toda semana ficou nublado e esta noite está chovendo forte. Agora os atafoneiros que moem o milho para fazer fubá não podem reclamar de falta d’água para movimentar as atafonas e também a nossa calha [Uma calha escavada com enxó goiva em troncos de palmito Jussara, sustentado por forquilhas, trazia água de uma nascente para próximo da casa] começou a correr maior quantidade, pois até a pouco mal pingava. Geadas tem havido em algumas manhãs, mas aqui elas não queimaram nada.

A festa do piquenique [Não pudemos inferir a que feriado se refere este piquenique] caiu em um dia chuvoso, tinha pouca gente. A tia Maisin antes da Festa esteve em Mãe Luzia e na volta trouxe consigo o Arthur Abolin sobre o qual já escrevi algo na outra carta. Ele ainda está por aqui. Ele tem a fisionomia semelhante ao Alex Klavin, muito parecido mesmo. Agora ele está hospedado na casa do Willis Slengmamm . Ele tem dirigido diversos cultos na igreja, muitas pessoas estão muito interessadas e acham que ele não deve ir embora antes da volta do Stroberg e outras pessoas já acham que não vale a pena ficar ouvindo. As suas prédicas são longas e se o relógio não bater as 12 horas, ele não saberia a hora de terminar. Os sermões não tem um título ou texto base. Um é igual ao outro. A chamada é sempre a mesma é que nós os escolhidos temos que orar mais em busca da plenitude do Espírito Santo, nós temos que estar vigilantes etc. Somente não prega o arrependimento ou conversão dos pecadores, as mensagens são sempre as mesmas: que o tempo da misericórdia está chegando ao fim e que os escolhidos devem se aprontar para a chegada de Cristo. Você escreve que soube que os pentecostais estão fazendo propaganda, eu pelo menos sobre línguas estranhas não tenho ouvido, pois é possível que eles têm estas manifestações em suas próprias casas porquê na igreja eu nunca vi.

Na 1a. Festa do Verão [Ascensão do Senhor cai no verão no hemisfério norte] dia estava muito chuvoso, mas na 2a. da Festa [Oitavas da Ascensão do Senhor] o tempo estava esplêndido e ouve um longo programa quase toda constituída de hinos e músicas. O dirigente foi o Abolin. O programa começou às 10,30 horas e terminou às 3 horas da tarde. Gente tinha bastante e também tinha vindo bastantes brasileiros de Orleans, mas para estes não foi lido nenhum texto nem cantado nenhum hino, como eles chegaram assim eles foram, viu como é, em outros lugares aqui ninguém vai pregar, e aqui eles vieram, mas nem assim, mesmo as pessoas que poderiam fazer algo nada fizeram e ninguém quer nada com nada.

Na semana passada recebemos uma carta do Andrejs, ele escreve que mandou uns papéis e desenhos para sua construção. Você os recebeu? O Jahnites agora está em Riga trabalhando com um sapateiro e aguardando oportunidade para entrar num Seminário. Eles próprios dinheiro não tem, mas esperam alguma vaga livre ou bolsa de estudos com o Freij [Líder Batista da Letônia] ou com o Fetler [Outro líder batista da Letônia], mas como nós aqui acompanhamos tudo o que acontece lá pelo “Kristiga Draugs” [O Amigo do Cristão – Publicação religiosa da Letônia] percebemos que o Fetler não tem escola nenhuma. Ele anda viajando e coletando dinheiro e planejando abertura de um Seminário ou uma Escola Superior. Os nossos parentes sempre tiveram o Fetler em alta conta e ainda hoje acreditam piamente no que ele diz.

Os remédios para “mal da terra” [Ancilostomíase] ainda não recebemos, mas é possível que estejam no correio em Orleans.

Bem por hoje chega de escrever e é possível que você não tenha tempo de ler e se esta carta chegar enquanto você tiver ido a “Chautaqua” [Acampamento Anual Batista] então ai mesmo que você vai demorar mesmo a ler esta carta devido ao seu muito trabalho.

O genro do Farmacêutico é o Jorge Moures e ele próprio quer te escrever.

As tuas lembranças foram entregues a todos. A senhora Klavim está quase totalmente recuperada. Escreva bastante para mim dizendo como estás passando.

Muitas lembranças de todos de casa e eu disse no começo que os demais iriam escrever também, mas todos ficaram com preguiça e nenhum quer mais escrever.

Assim fico aguardando longa carta de resposta.
Luzija

…as Estações das Estradas de Ferro foram bombardeadas… | De Luzija Purim Para Reynaldo Purim – 1924 –

Rio Novo 31 de julho
Querido irmãozinho! Saudações!!
Recebi a tua carta escrita no dia 27 de junho no dia 17 de julho. Ela demorou a chegar, mas ainda bem que chegou e por ela muito obrigado. Eu já queria responder em seguida, mas àquele amontoado de notícias sobre a grande revolução e o boato que o correio estava parado fez que eu adiasse esta carta. A Olga recebeu a tua carta então agora eu sei que o correio para o Rio está funcionando. Então como não quero ficar devendo vou escrever que talvez ela chegue.
Nós estamos passando bem até agora graças a Deus. O tempo agora está frio. Hoje deu uma forte geada. Na semana passada estava um tempo seco e quente. A água de nossa fonte na calha acabou de vez. Agora nós temos que carregar da grota funda. [Esta grota tem uma fonte que nunca alterava a quantidade d’água tanto em tempos de chuva como os de seca. O primeiro acampamento dos imigrantes letos ficava no plano logo acima deste penhasco. ] No Domingo estava um tempo bom e quente, mas a noite já começou a ficar nublado e daí choveu bastante forte e agora tempo bom outra vez.
Aqui nada de novo tem acontecido porquê aqui não tem nenhuma revolução, mas o povo está bastante preocupado, Alguns estão preocupados com os seus parentes em São Paulo. Outros tem medo que dia mais ou dia menos poderão soldados serem convocados, enquanto isso os negociantes sobem os preços até mais não poder. O querosene há 3 semanas atrás estava a 17$ a lata e agora já está a 23$ e isso vale para todas as mercadorias e ainda dizem que vai ficar mais caro ainda. O toucinho está valendo 23$ a @. O milho está a 16$ a saca. Os preços estão bons para vender, o problema é que ninguém tem as mercadorias.
A Igreja está indo bastante bem. As grandes demandas estão desaquecidas. O Stroberg dirige os cultos. Estes estão bem freqüentados. Vamos ver como vai ficar daqui para frente se ele não vai desanimar. Os sermões dele não são mais como foi o primeiro, naquele dia do Natal. Agora o povo reformou a cozinha da Igreja e é possível que ainda esta semana ele venha morar vizinho nosso. Até agora ele está morando com os Karp. Junto com eles veio uma irmã mais nova dele chamada Lídia [Mais tarde casou com um Books] que é uma excelente cantora dotada de uma bela voz.
Quanto a Escola Dominical também vai bem. O Zeebergs ainda continua no seu posto, mas o Stroberg ajuda bastante. Nas noites das sextas feiras são feitas reuniões de preparação das lições para o próximo Domingo e assim os professores saem-se melhor nas suas aulas. Eu também participo destes estudos. No dia 10 de agosto a Escola Dominical vai organizar uma Festa, melhor uma celebração parecida com aquela do Dia da Estrela, [Dia 6 de janeiro ] então eu aproveito esta para convidar-te para vir alegrar-se junto na nossa festa.
A Festa da Colheita [Dia de Ação de Graças ] deste ano será no dia 13 de agosto. Haverá poesias, cânticos, sermões e outros, mas o ponto principal do programa para este povo daqui é o café com pães e doces. E como diz o velho Leepkaln: Que espécie de Festa é esta que nem tem nem Café e outras iguarias?
Quanto a União da Mocidade vai sempre nos velhos trilhos. São mantidas todas aquelas reuniões de sempre. Para o trabalho no Rio Larangeiras todos os domingos um grupo de jovens para lá se dirige. Eu nas últimas vezes eu não fui porquê estava com a garganta doendo então não podia cantar. Se tudo correr bem no próximo Domingo eu irei e vou aproveitar para entregar aquelas lembranças e eu tenho certeza que ficarão alegres porquê eles têm você em alta conta porquê dizem que você não é orgulhoso e nunca esquece deles, pois sempre está mandando lembranças.
Brevemente vão mudar daqui para São Paulo o Willis Ochs com sua família. E também o Wilis e Anna Slengmann, A Anna, é mãe da mulher [Sogra] Olga,do Willis Ochs. A Anna irá passear na casa de parentes, mas o Willis Ochs vai de mudança mesmo porquê aqui ele a terra já vendeu para um italiano e este quer que desocupe logo a casa. Eles vão viajar logo e como a Lilija disse que de revolução eles não têm medo nenhum porquê eles dizem que não vão entrar na cidade, mas vão passar por fora ao redor, não sei como e por que tanta pressa de sair do Rio Novo e não sei como tem gente que época de conflitos e convulsões se metem a viajar. Nós temos lido em jornais que situação está medonha, as Estações das Estradas de Ferro foram bombardeadas e muitos edifícios também. O povo foge para toda parte e as autoridades do Estado não permitem a entrada de pessoas de outros estados e sim somente tropas do exército que os venha ajudar.
Bem acho que devo terminar. Porque está ficando longa demais e os dedos estão ficando gelados de frio, melhor mesmo é eu ir dormir.
Você tem mandado aqueles jornais. Toda vez que vou ao correio eu pergunto e ele diz que não veio nada. Agora o agente do correio é muito bom e atencioso e entrega direitinho toda a correspondência e cartas.
E o Kraul já foi lá? Ele gostou de lá? O que ele contou dos Rio-novenses?
O Jahnaits ainda está na Escola? Ele também concorda com os renovados como o Jahnites Inkis e Sprogis? Ou deixou inteiramente estes exageros?
Por que você não manda mais “O Crisol” ou ele já terminou a sua vida?
Muitas e amáveis lembranças de todos os de casa. A Olga prometeu escrever, mas ainda não o fez. Que ela mesma responda a sua carta porquê eu também somente respondo a minha.
Com sinceras lembranças e longa carta de resposta aguardando
Luzija.

Escreverei outra vez se receber a resposta desta. | De Lilija Purens para Reynaldo Purim – 1924

Nova Odessa 5/III.24

Saudações para o primo Reinhold!!

Primeiramente aceite as sinceras saudações minhas e de meus familiares.
Muito obrigado pela carta que você mandou através do Felberg. Eu já faz tempo que estava esperando carta sua e não agüentando mais esperar coloquei na minha mente o seguinte pensamento: “Ele não me escreve porquê não tem tempo devido aos seus muitos trabalhos e responsabilidades” e não esperava mais.
Mas Domingo assim inesperadamente o Felberg aproximou-se e entregando a carta disse “é do seu primo” e eu agradeci muito e percebi que ele queria ainda falar alguma coisa, mas estava na hora de entrar, pois ia ser servida a Ceia do Senhor. Então eu o deixei e enquanto ia entrando já abri a carta e pensava que teria muita coisa para ler e que pena mal comecei a ler já estava no fim. Então eu também desta vez vou escrever uma carta bem curtinha, pois é provável que não tenhas tempo de ler? Por que você sempre reclama que falta tempo então é que estás sempre muito ocupado ou não? Então quando é que vais ter tempo?
Graças ao bom Pai dos Céus eu tenho bastante tempo para escrever e para ler mesmo que fosse uma longa carta de 10 páginas. Todos os dias eu vou para a roça, trabalhar. Lá o trabalho é muito e tenho que trabalhar bastante para ganhar alguma coisa. Para a Olga e a Luzija eu também já escrevi cartas. Alegro-me por teres passado bem, as Festas. Eu também passei suficientemente bem. Bem desta vez chega. Escreverei outra vez se receber a resposta desta.
Considere-se mui amavelmente saudado por mim. Sua prima Lilija.

…gastar um bom meio dia para ler e contar os inúmeros erros | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1923 –

Rio Novo 25 de junho [de 1923]

Querido Irmãozinho!!

Saudações! A tua carta escrita no dia 30-4-23 recebi ontem à noite. Muito obrigado. Esta, porém foi daquelas que demoraram quase dois meses para chegar e também foi aberta e ainda bem que tudo estava dentro. Agora não chega nenhuma carta sem que o pessoal do correio de Orleans não a tenha aberto e lido. Se o encarregado dos correios vai com a cara do destinatário até que ele entrega, senão ele vende para os donos das vendas [casas de comércio] como papel de embrulho.  Aqui na colônia existem pessoas que assinam jornais de maior porte e passam semanas, meses sem que chegue nenhum e às vezes calha que eles vêem o pessoal das Vendas embrulhar café com os jornais com o nome deles e quando interpelados, eles dizem que foi o Alfredo Balod quem vendeu para eles.

Por ai você pode avaliar como a ordem reinante tem descambado na cidade. Os jornais da região têm denunciado até com caricaturas, mas nada tem adiantado porquê o Alfredo é genro do Intendente [Prefeito nomeado pelo governador ou eleito???] e por ai você pode ver que governo nós temos por ai, que tem por única preocupação destes homens é ganhar dinheiro a qualquer custo.

Por isso também os impostos foram aumentados, neste ano pela terra teremos que pagar 16$000 quando no ano passado foi 13$000, o imposto do fogo [Imposto do Fogão] era 5$000 e agora é 12$000 e eu não sei direito, mas há uma conversa que teremos pagar 12$000 pela estrada e ainda outras leis e impostos que ainda não foram efetivados quando serão cobrados pelas vacas, cavalos, carros e carroças. Por isso os colonos estão em guerra com o Governo.

Hoje o tempo está nublado e chuvoso, mas até 4 dias atrás estava limpo e muito frio, a estrada está uma lamaceira só e os atoleiros só não são maiores porque assim já não cabem na estrada. Lá também está chovendo agora?

No Domingo passado à noite foi à noite de apresentações da Mocidade. Faz umas duas semanas que o Auras [Osvaldo Auras] chegou em casa voltando de Ijuy e naquela noite aproveitou para contar as peripécias para chegar de volta a Rio Novo. Foi muito interessante ouvir contar tantas dificuldades que ele teve na viagem. Na ida ele pegou o navio e foi direto a Porto Alegre e daí para frente de trem. A chuva não falhou nenhum destes dias. Na volta também veio de trem. O combóio e todas estações estavam repletas de soldados. Até que enfim chegou até Porto Alegre. Mas o navio já tinha partido há tempo. Queria encontrar alguém que pudesse trazer por terra, mas ninguém queria viajar numa época de revolução. Mais tarde encontrou um judeu que trazia passageiros até Campinas [Araranguá], de automóvel pela beira do mar. No princípio até que a viagem era agradável e vinha bem rápido. Mais adiante encontraram grandes rios quais não eram possível passar, então ele atravessou numa balsa e continuou a viagem numa carroça puxada por cavalos e mais adiante ela também quebrou e daí neste próximo trecho ele veio num carro de bois e depois de carroça puxada por cavalos novamente, chegou a Criciúma. Daí de trem a Orleans via Tubarão chegando feliz em casa trazendo a sua sogra e o cunhado juntos.

Corre a conversa por aqui que o Villis Leimann não deverá vir para cá. –

Bem agora já chega. Agora que eu consegui começar escrever você terá que ter paciência e gastar um bom meio dia para ler e contar os inúmeros erros. Mas seria muito bom que você também escrevesse bastante.

A Olga também deve ter “imprimido” a sua carta de muitas léguas de comprimento e assim você vai ter muito o que ler. Escreva uma longa carta sobre tudo que acontece por ai. Perguntar eu não pergunto mais nada porque não vale a pena, você nunca responde as minhas indagações. Assim sendo continuo a aguardar uma longa carta sua, porquê está na hora de ir para cama.

Eu na realidade não estou com sono, mas as minhas mãos estão geladas e é por isso que a minha caligrafia está tão bonita. Muitas lembranças da Lúcia.

 

Escrito nas laterais.

Se tivessem chegado os jornais e os acordoamentos dos violinos então poderíamos ir tocar na sua grande festa. Mas os violinos estão sem as cordas e a guitarra está empoeirada. Vamos esperar pelo verão quando os dias estarão mais longos então teremos mais tempo para acertar e afinar tudo muito bem. Bem não esqueça de junto com o convite mande junto algum automóvel.——

Você nem pode imaginar como hoje rendeu a minha escrita. Não pense que é só para você que eu tenho que escrever, pois nós temos parentes no mundo inteiro. São 2 as cartas que escrevi hoje como atirar eu atirei e matei dois coelhos com um tiro só, apesar de agora já ter passado da meia noite.

 

 

 

 

 

 

 

Lembra que nós escrevemos para você ir até o navio para dizer …….| De Olga Purim para Reynaldo Purim- 1923

Rio Novo 26 de abril de 1923

 

Querido Reini: Saudações!

 

A tua carta escrita no dia 2 de abril já há algumas semanas atrás e como a minha tinha ido muito depressa e a tua resposta também veio rápida, porque tu foste bem malandro e não esperaste o outro coelho para matar os dois com uma cajadada e ainda porque a Luzija logo escreveu uma carta  por isso não me apressei em responder. Outro motivo, que estava esperando cartas dos nossos outros parentes para matar os meus dois coelhos, mas não tive esta sorte e não sei se eu terei.

Nós graças ao bom Deus estamos todos bem. O tempo na maior parte está lindo e quando chove, é pouco e agora nós estamos esperando chuva para aumentar a água do rio para poder começar fazer a farinha de mandioca. Esta semana nós queríamos começar, mas como o arroz estava maduro e os passarinhos estavam atacando muito, tivemos que colher logo e outros serviços, também temos bastante.

No mês que vem são os Klavim que estarão fazendo farinha no nosso engenho. Ai você poderá apreciar toda a nossa tecnologia.  E ainda no dia 21 de maio haverá a Festa da Música que a Luzija já te convidou. Festas, farinha de mandioca recém saída do forno, laranjas começando a madurar. Poderás andar a cavalo, andar de carro de boi.

Quando os teus automóveis chegarão a esta altura?

Aqui no Rio Novo nada de novo tem acontecido. Há pouco tempo o Auras foi a Ijuy buscar a mãe da mulher dele (sogra) para trazer para cá porquê o pai (sogro) morreu e o outro filho que mora lá é um desmiolado e ela já velha, fica sem ninguém para ajudá-la.

O Alfreds Leepkaln viajou para São Paulo já há algum tempo para ver as terras como são por lá. Se achar melhor ele vai mudar para lá. Mas ainda não voltou, mas já tem gente dizendo que ele está gostando, mas também a passeio na casa de parentes, quem não vai gostar, pois ele está com os Burschis que são parentes dos Leepkaln.

Nós recentemente recebemos cartas do Karlos e do Fritz. O Karlis promete este ano visitar-nos. O Fritz escreveu que o Arthurs tinha sido ordenado pastor e que no dia 10 de abril ele está planejando casar com quem ele não disse, mas, nós há muito tempo sabíamos, pois o Karlis já tinha contado que ele o Arthurs estaria noivo da Victorija Ochs e a própria senhora Ochs contava para todos que quisessem saber, que a Victorija iria já junto com o Fritz. Ela já estava contando esta vantagem quando o Arthurs ainda estava aqui.

O velho Leiman lá na Argentina está cada vês mais gordo, só que não tem forças. Passa os dia inteiros tocando violino e cantando.

 

Após longa espera também chegou uma carta do “deserto” esta eu estou mandando anexa, pois seria muito trabalhoso transcrevê-la. Você sempre pergunta por eles e agora poderás ficar sabendo que lá não é nenhum paraíso. Na primeira carta eles quase nada escreveram, somente dizendo que está tudo bem. Mas agora que já estão instalados naquele “deserto” viram que não era bem assim. É muito triste saber que em relação ao sustento e habitação eles estão passando tão mal. E como será depois que a terra estar dividida e cada um terá que fazer o seu próprio rancho e quanto de terra que cada um vai receber? E as construções que agora eles fizeram decerto vão ficar para a Administração.

Eu e a Luzija na semana passada escrevemos longas cartas explicando porquê não mandamos nenhuma carta para a Latvia porquê achávamos que eles não estavam mais lá. Lembra que nós escrevemos para você ir até o navio para dizer que eles viessem para cá para o Rio Novo. Se você tivesse ido e não deixado recado aos dois Sprogis e o Inkis que foram ao navio e não disseram palavra alguma, para eles virem para cá.

Se eles viriam ou não é outra coisa. Se você tivesse ido pelos menos teria os visto e conversado com eles. O Paps determinou que escrevessem que quando arranjassem dinheiro suficiente viessem embora para o Rio Novo. Não tenho muitas esperanças que isso aconteça. Quando tiveres lido bem, aquela carta deles que eu te estou mandando junto então, por favor, nos devolva porque a Luzija tem uma caixinha onde ela guarda todas em ordem, qual está quase cheia.

Bem agora chega. Você quando escreve usa somente um lado do papel. Você nada escreve como vive etc. Ainda lembranças de todos Olga.