Tradução da última carta escrita por Olga Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

[Última carta escrita pela Olga numa data muito próxima ao seu falecimento]

Rio Novo 11 de junho de 1926
Querido Reini:
Saudações!!
A tua carta recebi na última sexta-feira e hoje já estou começando a escrever a resposta e talvez ache que seja rápido demais. Pela carta muito obrigada!
Se bem que esta carta realmente não me deixou satisfeita, mas você pouco vai se importar por que eu não gostei que você fosse embora para a América e a sensação que eu tenho que nunca mais vais voltar e eu nunca mais vou te ver por que lá e realmente muito distante.
Isto aconteceu um dia antes do recebimento das cartas. A Lúcia esteve com o Augusto Klavim pedindo que trouxesse a correspondência, pois nesta semana ninguém de nós foi à cidade. Naquela noite eu sonhei que tu tinhas chegado e trazido muitas coisas [“Mántinhas” Difícil tradução, pois “Mant” quer dizer riqueza, mercadoria, então como está no diminutivo poderia ser traduzido como” Coisinhas ricas”] lindas e disse que tão logo não iria embora. No sonho nós andávamos pelas roças lá perto da mata no alto do morro e eu ainda era forte e podia andar tão rápido como quando você ainda morava aqui e tudo era tão maravilhoso. De manhã quando acordei pensei e tinha certeza que o Augge iria trazer cartas suas e como realmente trouxe, mas com notícias todas ao contrário do que eu estava esperando, pois você quer ir para mais longe ainda. Eu e o Arthur tivemos combinando escrever para que agora que já os estudos estão terminados, você poderia tirar neste inverno umas férias mais prolongadas ou uma licença de 5 ou 6 meses para tornar a viver um pouco entre nós e é possível que os filhos do Leiman venham passar uns tempos entre nós. O Fritz escreveu que quer vender o terreno lá do Rodeio do Assucar. A Lúcia já te escreveu, mas parece que está foi extraviada. Se você tiver bastante dinheiro poderá vir aqui para comprar. Se o Arthur tivesse dinheiro ele compraria, pois ele gosta muito mais de lá do que aqui. Ele não pensa de estudar na América. Eu também gosto mais de lá, pois lá é bem melhor que aqui em Rio Novo, pois a topografia não é tão montanhosa, bastantes terras aráveis, a mandioca se desenvolve muito nos dois anos com raízes duas vezes maiores que aquelas aqui do Rio Novo e quando a farinha tem preço é muito mais fácil de fazer a farinha do que cultivar e colher feijão que é um trabalho muito mais penoso e também a mandioca pode ser usada para engorda de porcos economizando milho e assim não há tanta necessidade de plantar tanto milho. Eu de lá também gosto é do pasto. Nós agora necessitamos muito de pastagens, pois temos 20 animais entre bois e vacas e mais 8 cavalos entre os grandes e pequenos. Também lá não tem aquele maldito “matbaste” [“Matbaste” é a pronúncia e escrita incorreta de “Mata-pasto” a popular guanxuma] que infesta as pastagens aqui do Rio Novo. A renda proporcionada pelas vacas no verão é compensadora. O quilo da manteiga foi a 4 mil e se o Leiman vender o terreno para outros então nós também teremos vender as vacas por que aqui no Rio Novo não teríamos espaço no e qualidade da grama no pasto apesar do “matbaste” ter sido cortado com alfanje, mas a terra aqui é mais seca e então teremos plantar grama em outras áreas e capinar seguidamente senão o mato toma conta de tudo e a grama não sobrevive. O Arthur sugere que você venda o terreno da Bukuvina e compre lá o terreno dos Leimann. Lá não tem as tremendas grotas da Bukuvina que fizeram abalar inteiramente a minha saúde. Os Italianos correm como loucos atrás de terrenos com mata e capoeiras para comprar, mas não sei se algum deles vai levar.

A novidade é que nós logo vamos ter um vizinho novo, pois o Butler vai vender o terreno dele para o Attis [Otto Slengmann]. Ele tem terreno e mora no Rio Larangera, mas está muito deslocado em relação à comunidade leta. Então ele vai vender lá e comprar junto, pertinho da própria Igreja. Eu vou te escrever contando tudo depois dele mudar.

Agora eu vou ter que dar uma bronca. Você mesmo não poderia tirar um tempo, uma semana só para visitar os nossos parentes de São Paulo. O Paps faz tempo que pediu para pressionar você. Se nós tivéssemos condições então já há tempo alguém de nós teríamos ido visitá-los. Nós somos tão poucos e ainda por cima se eu não estivesse tão doente então a Lúcia teria ido. Mas para você é realmente muito mais fácil. Numa semana sem avisar ninguém chegar lá e ver como vivem por lá. Sempre achei que eles não estivessem passando muito bem e terem que trabalhar muito. E também a alimentação deve ser muito difícil. Nós aqui a carne, o leite e os adoçantes (Açúcar e mel) nunca a gente consegue gastar tudo, mas lá tudo é tão caro. O Willis Ochs quando mudou para lá levou banha e carne e quando estes terminaram ele gastou um dia inteiro a procura de banha e não encontrou. Depois conseguiu um quilo de toucinho e por ele teve que pagar 8$000. E como comer então?

Agora alguma coisa sobre a minha enfermidade. Quando escrevi outra vez, eu estava em Orleans tomando injeções. Mas não aquelas que você mandou, pois o farmacêutico disse que aquelas não serviriam e que ficaria pior, mas umas outras que ele receitou. Então comprei uma dúzia e ele aplicou, mas não adiantou nada e ainda fiquei pior. Então depois o Stroberg também precisou aplicar umas injeções e o malandro do farmacêutico também disse que aquelas trazidas por ele de Varpa não serviriam. Mas ele enfrentou com braço forte e sangue nas veias; então ele aceitou aplicar as injeções prescritas pelo pessoal de São Paulo e que serviram em outras ocasiões e agora foram válidas outra vez. O farmacêutico ficou envergonhado, depois da melhora do Stroberg.. Agora não tenho forças para ir, a Orleans e estou me tratando com água [Hidroterapia] e chás. Estive consultando o doutor que vem todas as semanas das Minas [Lauro Müller] para Orleans e ele falou que o meu mal é de água [Não sei o vem ser mal da água – Será Hidropisia?] e o sangue envenenado [Asinis sagifetas] e com a circulação em contrário. Queria que fosse lá para as Minas para retirar a água com uma bomba e morar lá no hospital onde receitaria a medicação e onde ele diariamente poderia acompanhar e senão fosse procurar um hospital em outro lugar, idéias que realmente não me agradaram. A Mama trouxe do Zeeberg um livro em alemão com ilustrações onde existem figuras associando o problema do coração com o mal da água, mas bem certo o meu problema não aparece descrito nos desenhos. Comer, eu gosto de comer, mas não todas coisas que antes eu gostava. Dormir antes eu dormia bem, mas agora quando eu deito começa uma tosse então o sono não vem. O peito e o esôfago [Pakrutis] estão inchados e sensíveis e quando tento andar rapidamente, fico exausta e dá uma grave falta de ar. Forças não tenho nenhuma, somente posso ficar sentada então somente consigo tricotar ou costurar e o mais difícil é que eu sinto um frio terrível. Principalmente nas mãos e nos pés que já estão doentes. Quando está frio os lábios ficam roxos e pelas manhãs os olhos e a face amanhecem inchados e às vezes a cabeça dói um pouco. Também não suo. Nem no pleno verão quando os outros estão completamente suados eu sinto calor, mas não suo. Também no tratamento quando tenho me envolver em um lençol quente e ficar inteiramente coberta o suor não aparece. Estou escrevendo isto tudo, pois poderás ter um conselho e poderias fazer o favor de escrever. Quando às vezes eu penso que antes eu podia andar e trabalhar parece um sonho distante e impossível que nunca aconteceu.
Bem agora chega de escrever. Você sempre escreve cartas curtas. Esta saiu uma longa carta.. A Lúcia já começou e é provável que já tenha terminado. O Arthur na vez passada escreveu, mas agora ele diz que não tem tempo para escrever, pois ele está comprometido com a fabricação da farinha de mandioca. Você escreve que lá está tudo caro e aqui está tudo muito barato. A Farinha a 5$000, o toucinho a 15$ – 16$000 a @, mas aquelas coisas que a gente tem que comprar nunca podem estar baratas.—
Agora vou esperar uma longa carta sua. Escreva quem vai pagar a tua passagem e quando vais viajar e se terás o dinheiro suficiente. Onde você vai guardar as tuas coisas ou vai levar tudo junto?
Aqui o tempo está frio, mas as grandes geadas ainda não chegaram, mas vai esfriar demais, pois, sopra um vento gelado.
No domingo passado houve o funeral do Reinold, criança de 6 meses filho do João Leepkaln..
Ainda muitas e amáveis lembranças da Olga.

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…o relógio já bateu as 12 horas e eu preciso ir dormir. | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

Rio Novo 5 de maio de 1926

Querido maninho!!

Saudações!

Envio para você muitas lembranças. Então hoje à noite eu tenho que escrever esta carta. A carta tua escrita no dia 16 de abril recebi no dia 30 e por ela muito obrigada, pois depois de uma longa espera enfim chegou. Hoje à noite quando fui a Igreja o Augusto Klavim me entregou em também para o Arthur uma pequena carta escrita no dia 24. Então veja você espera cartas nossas e nós, as suas. Então agora está confirmada que a minha carta escrita no dia 26 de fevereiro foi extraviada. Neste envelope seguiu uma fotografia nossa tirada por ocasião do ano Novo se bem que não ficou muito boa. O prejuízo maior foi à longa carta onde eu descrevi muitas coisas daqui e esperava que logo que ela chegasse lá. Então agora eu acho que eu, alguma coisa, vou ter que escrever outra vez. Acho que há um grande relaxamento nos correios e por isto que tantas cartas desaparecem. O nosso Agente dos Correios aqui em Orleans é muito bom para nós e para todos os letos daqui. Ele as nossas cartas ele não dá para os outros não autorizados a trazerem a correspondência para o Rio Novo. Pode ser que não seja perfeito, mas o problema acho que está nos correios de todo Brasil.

Nós aqui estamos mais ou menos bem de saúde. A Olga continua do mesmo jeito. Ela tomou aquelas injeções [“Eepoteeja” indica enxerto, vacina ou inoculação e não injeção, mas por falta melhores informações preferimos injeção] daqueles outros remédios, mas não melhorou nada e depois ela voltou ao médico e ele não mais dar aquelas injeções porque poderia até piorar e por isso deu outros remédios para tomar e disse que fosse para as “Minas” [Era como era chamada Lauro Müller, naquele tempo um distrito de Orleans] porque aquele médico que mora lá poderia acertar. Mas a Olga não quer aquele médico e levar a força não vale a pena. Porque prá ela é assim: se os remédios não fazem efeito logo de pronto estes, remédios não, servem ou não prestam. Agora a Mamma trouxe todos os livros de Medicina do Zeeberg [Karlos Seeberg era um prático na área da Medicina alternativa muito procurado na região que seguia o famoso monge alemão Kneipp, apóstolo da Hidroterapia e também usava Homeopatia e Fitoterapia] e ela vai procurar algo que sirva para ela.

Quando é que você vai para Ijui, pois aqui todas pessoas sabem através do “Kristiga Balss” [Kristiga Balss era um periódico batista leto editado na Letônia.], pois o Ukstin escreveu que já tinham convidado você para pastor e somente estavam aguardo o “sim”. Onde ficou o Kartinh? Será que já foi mandado embora? O teu colega, o Linkis, nada te conta sobre eles? Por que você não escreve nada sobre este assunto? As pessoas que estiveram lá e conhecem o pessoal de lá acham que você seria muito tolo de aceitar porque eles recebem muito bem, mas logo mandam embora e que muitas pessoas são mais difíceis que as daqui. Se por acaso fores para lá, poderás dar uma entrada até aqui no Rio Novo para descansar um bocado. É bem provável que ninguém vai tocar você embora somente avise quando você vai chegar senão a Lede poderá estralhaçar as tuas calças. O Arthur diz que você deveria vir aqui durante o Natal, pois também poderá estar aqui o Arthur Leimann para vender o terreno, pois o Fritzis escreveu que eles querem vender logo aquele terreno e pergunta se você não quer comprar. Assim você poderia ter mais terras.

As roças este ano estão mais ou menos bem. As plantas estão crescendo bem, somente o milho do tarde foi perdido com a seca. Mas conseguiremos sobreviver. Os porcos conseguimos engordar com o milho do ano passado. Agora começamos colher o milho da nova colheita. Cinco dos porcos muito gordos já vendemos conseguimos mais de 700 mil réis e ainda mais cinco prontos para serem vendidos. Também temos muitos outros para serem separados para engorda. Agora o preço do toucinho está baixando, estão pagando só 23$000 a @. A farinha de mandioca está valendo agora 8$ o saco, mas há pouco estava a 5$ e como sempre tudo que a gente tem para vender é barato e o que a gente tem para comprar está sempre caro.

Os nossos parentes têm escrito para você? Para nós faz tempo que não escrevem. Escrevemos duas cartas, mas não obtivemos respostas. Eles devem estar aborrecidos porque eles sempre insistiram para que fôssemos visitá-los e ninguém foi. Eu bem que queria ir, mas não deixaram. Você bem que poderia fazer uma visita, pois durante a semana você poderia ir e voltar em caso que não quiser passar o fim de semana lá.
Aqueles jornais e outros papéis eu recebi e por tudo muito obrigada. Aquele jornal poderia encadernar [“Costurar junto], mas falta o primeiro número. Este ano “O Crisol” não vai sair? Por que você não os tem mandado? Tens recebido o “Selhmallas Seedi” [Flores a beira do caminho]? Mande-os para mim.

Terei que terminar de escrever porque o relógio marca mais de 12 horas da noite e eu preciso ir dormir. Eu quase nunca consigo dormir cedo e ainda 3 noites por semana tenho que ir a Igreja aprender a cantar para as festas.
Se você também escrevesse cartas tão longas seria muito bom. Eu já mandei uma carta em abril. Esta já foi recebida?
O tempo agora está magnífico e bastante frio. Pode-se congelar quanto quiser, mas geadas ainda não tivemos e é possível que tão breve não as tenhamos. Venha no dia 16 de maio, eu vou fazer aniversário e vou fazer uma rosca especial [Kringelis – uma rosca especial feita como fosse com massa de pão, mas com muita manteiga e outros ingredientes. (ver a receita no capítulo “Pratos e comidas letas”] e você pode vir ajudar comê-la.

Ainda muitas e saudosas lembranças de todos de casa e vamos aguardar longa carta. Eu fico feliz quando você diz ir bem em seus trabalhos. Apesar de eu aqui nada possa te ajudar, mas peço a Deus em minhas orações todos os dias e mais do que isso nada posso fazer, mas o Senhor pode ajudar em qualquer lugar.

Desculpe por eu estar escrevendo tão rápido, mas certamente vais entender. – Lucija.

(Escrito a lápis no verso de uma das páginas)
Tinha esquecido de mencionar que na semana passada no dia 27 o Willis Slegmann viajou para ir servir o Exército. Foram juntos para despedida até Laguna o pai, a mãe e a noiva. Os demais letos não foram chamados ainda. Se algum será convocado, eu não sei. Existem informações circulando que mais reservistas serão convocados, mesmo os que estejam doentes ou que pagaram os 100$$. Alguns já foram embora daqui senão. [Sempre nestas convocações ou sorteios existia uma espécie de “terror” gerando boatos e insegurança nas famílias dos possíveis futuros reservistas]
Então agora estás recebendo uma longa carta e se me responderes pelo menos a metade desta será muito bom.
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Aqueles remédios para a Olga já recebemos faz tempo…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

Rio Novo 8 de abril

Querido maninho! Saudações!!

Recebi a tua carta escrita em 15 de março no dia 1o. de Abril pela qual agradeço muito. Bem agora não quero me demorar em responder e nem me desculpar como você tem feito. Eu provavelmente tenha também tenha seguir ao seu exemplo e responder as cartas semanas depois. Você diz que não consegue tempo para escrever imaginemos nós aqui. Você não conhece ou já esqueceu de nossa vida atropelada aqui e tudo parece estranho. Também não tenho tempo de escrever, pois serviço tenho em toda parte e tanto que não consigo dar conta. Tenho ir de uma casa para outra e tão exausta que não tenho nenhuma vontade de ir para cá e para lá, tenho até tonteiras e a minha cabeça fica zonza, mas tenho que enfrentar sempre, pois não tem outra pessoa que os façam. E certo que não tenho estes trabalhos de ir fazer visitas e passeios outros.

O tempo agora está quente e chuvoso, chove todo dia, ronca trovoada e pela manhã um sol causticante. No mês passado teve uma seca tão forte que até começou secar os pastos, mas agora chove todo dia.

A festa do Aniversário da Igreja [Dia 20 de março] faz tempo que passou. O dia estava muito quente. A festa foi dirigida pelo Oskar[Oscar Karp ]. O programa foi bastante longo, foram apresentados belos hinos, poesias e mensagens. Também muitas cartas e telegramas de outras Igrejas e outros lugares. Quando terminou a Festa e o povo, ia embora caiu um grande temporal, mas no outro dia já estava tempo bom.
A Páscoa também já passou, desta vez a chuva começou já na quarta-feira e choveu durante todas as Festas. Vieram visitas de Mãe Luzia os da família Klava e a Selma Anderman. Eles saíram com uma carroça com cavalos de lá de Mãe Luzia. Vinha o Zigsmundo [Andermann] e sua esposa e também a mãe dele. Eles tiveram que voltar de Urussanga porquê a estrada estava molhada e tão lamacenta que os cavalos não agüentaram. Então estes Klavas e a Selma Anderman vieram a pé de Urussanga para cá.

A União da Mocidade vai bastante animada, o Alex [Alexandre Klavin] um dirigente muito operoso e muito bom líder. As noites organiza programas de apresentações, dividiu os membros ativos em 4 grupos e cada um deles tem na sua vez ir à frente e fazer os seus programas. Também existem os Estudos Bíblicos e quem dirige é o Alex. Agora estamos estudando a Terceira, parte do “Manual Normal”. Logo o Coro Jovem deverá começar os ensaios para as Oitavas de Pentecostes, pois este dia está reservado para os Jovens. Você também poderia vir e também trazer a sua contribuição em hinos.

Aqueles remédios para a Olga já recebemos faz bastante tempo, por eles muito obrigado. Agora não podemos pagar, mas quando vieres para, ai sim. É uma pena que não serviram. Também não fizemos nenhuma pesquisa maior se bem eu queria ir falar com o médico ou com o farmacêutico, mas a Mamma não quis e disse que era a mesma doença do velho Stroberg e ele ficou bom. Mas só agora quando fomos ao farmacêutico ele disse que não era o mesmo mal que teve o Stroberg. O dele tinha sido causado por uma mosca que têm muitas em Varpa. Ele receitou para a Olga outros remédios e compramos ali mesmo. Ela agora está morando lá em Orleans com os Grïkis e o farmacêutico fará avaliações diárias. Vamos ver se vai adiantar.

Bem agora vou terminar, seria muito bom que você escrevesse cartas tão longas. Agora vou aguardar uma longa e minuciosa carta sua. Escreva sobre sua vida, onde moras e quanto ganhas. Para nos você sabe que pode contar.

Lembranças de todos. Pode ser que a Olga ainda te escreva
Lúcia

…a saúde de Olga está declinando e ficando cada vez pior.| De Lisete Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

[Sem data, mas ela se encaixa nesta ordem.]
[ Esta carta revela uma mãe desesperada não conseguindo encontrar recursos para os males desconhecidos naquela época ]

Querido filho

Eu quero te comunicar o que os outros não escrevem, isto é que a saúde da Olga está declinando e está ficando cada vez pior. Ela porem não quer que te escreva. Por que tu ajudares mesmo em nada, não pode. Ai vais ficar perturbado, triste e sem poder fazer nada.

Dormir ela não dorme. Fica se mexendo e quando trabalha e faz alguma coisa fica muito cansada. O esôfago está muito empurrado para cima e parece que como lá dentro tivesse água, às vezes desaparece e volta aparecer outra vez. Quanto à respiração, o fôlego se torna curto e o coração bate acelerado e fica muito cansada, esgotada mesmo. Aqueles remédios que você mandou ainda têm 3 vidros. Ela não pode tomar porque fica pior e ficou esgotada depois de tomar 2 vidros e ficou ruim mesmo, então ela deixou de tomar um bom tempo. Então ela tomou mais 1 vidro e ficou ruim outra vez. Está tomando muitos remédios tanto das farmácias bem como remédios caseiros, mas nada disso adianta.
No dia 10 de fevereiro estivemos ambas em Tubarão consultando um médico e ele diagnosticou como doença do fígado e que está com um tumor e queria que imediatamente ficasse internada no hospital para ser operada. Parece que ele só sabe curar com uma faca. A Olga recusou-se ficar de medo desta operação. Então receitou umas cápsulas brancas “Utropina” e quando ela toma serve para abrir o apetite, mas outra finalidade ou ação não apresenta. O Diretor [Ettienne Staviarski] insiste que o mal dela é do coração. Em quem devemos acreditar quem sabe que não seja em nem um e nem outro.

Deve parecer que o coração esteja doente porque bate muito acelerado, mas pode ser todos os problemas juntos e por isso está se acabando.
Pelas manhãs ao levantar todo o rosto está inchado, principalmente os olhos, os lábios estão roxos e também as mãos estão azuis e frias. Nas noites mais frias as mãos não se aquecem. Ela mesma fica nervosa e se assusta por qualquer senão. As pernas estão com feridas enormes abertas. Uma perna está com duas feridas enormes e outra com uma ferida menor. Ambas as pernas estão inchadas até em cima.
Se aqueles problemas internos pudessem ser curados é provável que os das pernas ficassem curadas por si, assim falou o Doutor.
Escrever mais não tenho tempo.

Lembranças L [L de Lisete, a mãe dela]

…Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 5-10-25

Querido irmãozinho!

Estou certa que vou receber uma bronca por não ter escrito antes, mas o que fazer se vem à preguiça para escrever cartas. A tua carta escrita antes da minha já recebi inclusive as duas registradas quais não lembro a data. Planejei responder, mas ai a Olga disse que iria escrever, mas nós duas ficamos com tanta preguiça que terminamos não escrevendo. Mas quem consegue escrever cartas nestes tempos que a gente vive cheios de pompas e circunstâncias.

Nós estamos passando suficientemente bem, graças ao bom Deus que a nós todos supre para que nada nos falte. A Olga também vai melhor e está mais forte que antigamente, pode se alimentar melhor e sente o sabor da comida e ela consegue comer mais do que eu, porquê eu nunca estou com vontade de comer. Ela uma vez esteve em Orleans e o farmacêutico recomendou um remédio para tomar. São pequenas bolinhas que ela tinha que engolir e com essas ela ficou melhor. Ela parece que ainda não conseguiu por em prática os teus conselhos e as tuas recomendações porquê o tempo agora está muito instável, pois quando o tempo está limpo sopra um vento muito frio e também nos dias chuvosos não dá. Vamos esperar os dias esquentarem para estão experimentar as suas recomendações.

O tempo agora está claro e bom. Semana passada inteira soprou o vento seco e tão forte que parece que iria derrubar o mundo inteiro de pernas para o ar. Antes disso tinha sido bastante chuvoso e se nalgum dia o sol brilhava e então no dia seguinte já chovia e houve dias que pela manhã amanhecia claro e fresco e já na hora do almoço já estava chovendo. Na semana passada esta um tempo bom, mas na sexta feira começou uivar um vento tão forte e continuou a fazer estripulias até domingo à noite. Hoje está calmo e um nublado já começou a peneirar uma chuvinha, mas parou e então o povo aproveitou para queimar as coivaras e outras queimadas.

O velho Nettemberg morreu no dia 19 de setembro. Ele fazia tempo que estava doente e ficava somente deitado. Mas ele, a vida inteira, vivia doente. Ele foi colocado no caixão que o senhor Leiman tinha feito para si e a cova foi feita na área reservada para o Wilis Slengmann, justamente as pessoas que durante a vida toda eram seus adversários e que ele o falecido não gostava. Sempre ele achava que eles eram muito amantes de riquezas e de bens.

O Augusto Klavin no dia 12 de setembro viajou para São Paulo e o Wilis viajou no dia 2 de setembro. Eles foram para o casamento do Juris. O Willis viajou antes porque aqui ninguém sabia a data certa das bodas e quando ele chegou lá, ele mandou um telegrama confirmando a data certa. Semana que vem dia 12 o Augusto deverá estar de regresso ao lar. O casamento foi no dia 27 num domingo. Naquele domingo estive na casa dos Klavin convidada pela Marta que organizou uma festa especial convidando todas as suas amigas.

Na semana passada no dia 1o. de outubro deu-se o casamento do João Zeeberg com a Hilda Auras [Esta família deveria ter uma página especial]. Naquele dia o tempo estava bom e fresco porque nos dias anteriores tinha estado nublado. A cerimônia foi na Igreja e começou as 11:30 horas da manhã e tinha bastante gente. O sermão foi proferido pelo Pastor Stroberg e logo após esta parte todos se dirigiram para a casa dos Auras onde já estavam aguardando os representantes da Justiça que vieram de Orleans trazidos pelas famílias para que tudo fique mais caro para se pagar. Depois da parte civil começou o banquete que realmente estava muito bom. Eles tinham preparado tanta comida que os convidados nunca teriam conseguido comer tudo. Nós também fomos, somente o Paps ficou em casa, e como não ir depois de tantos convites inclusive um impresso em uma tipografia de Tubarão com letras douradas e com o texto em leto e em português. Ao Zeeberg ficou tudo muito caro, mas como ele diz “o que é preciso é preciso”, desde que fique melhor do que dos outros.

Esta semana vai ser o casamento do Carlinhos Leepkaln com a Anna Sanerip [ Este casal, entre outros filhos devem ser lembrados a Rosália Alida casada com Zefredo Karkle em Curitiba e o Paulinho Leepkaln casado com a Da. Carmelita em Urubici].
Somente não terão a grandiosidade do outro, pois o casamento tanto a cerimônia como a recepção será na Igreja. Pela manhã eles irão a Orleans para o Casamento Civil e há 1 hora da tarde de volta na Igreja. O casamento deles será no dia 9. Agora todas as semanas tem havido casamentos para aproveitar a estada do Pastor por aqui.

O Stroberg chegou aqui no 24 de Setembro e se tudo der certo vai viajar no dia 12. Não faz mal viajar, pois tudo será pago pelos Zeeberg e pelos Auras. Também a língua brasileira ele aprendeu suficiente para ler fluentemente e também traduzir. Na terça feira será feito um mutirão para limpeza da casa dele aqui. Ele está convidando os jovens para capinar e roçar, pois ele pretende pagar. A Elvira [Stroberg irmã do Pastor] chegou de Nova Odessa e com ela veio também o Otto Slengmann. Ele não gostou de lá porque é muito seco e aqui é muito mais bonito. O senhor Slengmann tinha deixado para ele uma gleba no Rio Larangeiras para o caso que ele voltasse e ele voltou mesmo. O Benis [Benis Slengmann] quando terminar o tempo de Serviço Militar nem vai para Nova Odessa e vem direto de volta morar aqui. Agora para os Rio Novenses, aquela febre de viajar, de mudar daqui parece que acabou. Em Nova Odessa os produtos da lavoura que os colonos tem para vender estão baratos demais. O algodão estava a 10$ a 12$ a @ e ninguém comprava. Aqui também tudo ficou muito barato, o toucinho de 36$ caiu para 13$ e agora voltou a 26$ e assim também os negociantes tiveram um enorme prejuízo com o feijão que estava valendo 80$ e em poucos dias caiu para 20$ quando deixaram de comprar por falta de dinheiro.

Hoje recebemos uma longa carta registrada do Fritz [Fritz Leimann da Argentina], pois dele nós não tínhamos recebido nenhuma notícia direta dele. Ele escreve que tinha mandado 4 cartas quais todas devem ter sido extraviadas. Ele está passado bem, somente a Kristine esteve muito doente, mesmo assistida por 3 médicos nenhum dava mais um mês de vida, então o Senhor fez o milagre pois ela ficou viva. Agora já está fazendo pequenos serviços de casa. Agora eles estão morando em Urdinarrain [Argentina] onde agora tem uma pequena nova Igreja. Construíram um pequeno templo de tijolos. Diz que é muito mais fácil trabalhar numa nova Igreja onde não existem velhos membros teimosos. Ele diz que vai escrever direto para você quando terminares o Curso. Ele espera que o Arthur [Arthur Leimann] e você para trabalhar com ele então se apronte.

Hoje também chegou a Orleans o Missionário Deter. À noite na Igreja de lá vai haver culto e reunião e amanhã vai viajar para Mãe Luzia, mas no domingo já estará de volta aqui no Rio Novo. Vamos ver se o plano vai dar certo.

Bem tenho que terminar, já é tarde da noite e mesmo carta mais longa você não conseguiria terminar de ler e você sempre não tem tempo e está tomado de trabalho. Você pode vir para casa descansar um pouco e capinar um pouco para não esquecer de todo como é que é. No dia 13 de dezembro eu vou descer a cavalo para Orleans para esperar-te. Eu sei que você está acostumado andar de carro e não tem nenhuma chance de andar a cavalo. Aqui você não terá chance de encontrar nenhum auto. O nosso amigo Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$ e quando chegar, ele vem passear aqui no Rio Novo. Se você estiver aqui na ocasião, poderá também aproveitar.
Muitas lembranças de todos de casa, se tudo der certo na semana que vem vou escrever outra. Hoje chega.

Com lembranças – Lucia.
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Agradeço a Gramática Inglesa que você me mandou.| De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1925 –

(Outra carta sem indicação do ano)
Rio Novo 19 de junho

Querido irmãozinho! Saudações!

Eu recebi a tua carta escrita em 16 de maio já há bastante tempo e por ela muito obrigada. Eu já poderia ter escrito a resposta antes, mas agora não mais estamos indo toda semana para Orleans, porquê a manteiga não é bastante para vender e dai a gente também não vai ao correio toda semana, você não vai tomar por mal eu ter feito esperar então agora vem à compensação porquê terei mais notícias para relatar e provavelmente a Olga também escreva e assim você terá bastantes coisas para ler.

Agradeço pela Gramática Inglesa que você me mandou. Recebi no dia que eu mandei a carta escrita no dia 23. Você já a recebeu? Você me pergunta como eu estou indo com os estudos. Eu realmente para estas coisas não tenho tido oportunidade de chegar perto, pois durante o dia inteiro trabalho na roça e a noite ou eu fio a lã ou teço meias. Este ano as meias estão bem valorizadas, pois os negociantes em Orleans estão pagando 4$000 o par e outros lugares estão ainda mais caras.

Recebemos os medicamentos que você enviou através do Vitor [Vitor Stawiarsky] e por elas muito obrigado. Este portador não tivemos chance de encontrá-lo, pois ele foi embora muito rápido. Quando fomos procurar, ele já tinha ido embora. Estes remédios ainda não foram utilizados e por isso pedimos que por agora não mande mais porque a Olga está agora se tratando com remédios indicados pelo Stawiarsky [Etienne Stawiarsky ] e por não poder misturar tudo pedimos que não fique gastando o seu dinheiro com remédios e para as suas próprias despesas poderá ficar sem dinheiro nenhum.
O tempo agora está chuvoso e toda semana ficou nublado e esta noite está chovendo forte. Agora os atafoneiros que moem o milho para fazer fubá não podem reclamar de falta d’água para movimentar as atafonas e também a nossa calha [Uma calha escavada com enxó goiva em troncos de palmito Jussara, sustentado por forquilhas, trazia água de uma nascente para próximo da casa] começou a correr maior quantidade, pois até a pouco mal pingava. Geadas tem havido em algumas manhãs, mas aqui elas não queimaram nada.

A festa do piquenique [Não pudemos inferir a que feriado se refere este piquenique] caiu em um dia chuvoso, tinha pouca gente. A tia Maisin antes da Festa esteve em Mãe Luzia e na volta trouxe consigo o Arthur Abolin sobre o qual já escrevi algo na outra carta. Ele ainda está por aqui. Ele tem a fisionomia semelhante ao Alex Klavin, muito parecido mesmo. Agora ele está hospedado na casa do Willis Slengmamm . Ele tem dirigido diversos cultos na igreja, muitas pessoas estão muito interessadas e acham que ele não deve ir embora antes da volta do Stroberg e outras pessoas já acham que não vale a pena ficar ouvindo. As suas prédicas são longas e se o relógio não bater as 12 horas, ele não saberia a hora de terminar. Os sermões não tem um título ou texto base. Um é igual ao outro. A chamada é sempre a mesma é que nós os escolhidos temos que orar mais em busca da plenitude do Espírito Santo, nós temos que estar vigilantes etc. Somente não prega o arrependimento ou conversão dos pecadores, as mensagens são sempre as mesmas: que o tempo da misericórdia está chegando ao fim e que os escolhidos devem se aprontar para a chegada de Cristo. Você escreve que soube que os pentecostais estão fazendo propaganda, eu pelo menos sobre línguas estranhas não tenho ouvido, pois é possível que eles têm estas manifestações em suas próprias casas porquê na igreja eu nunca vi.

Na 1a. Festa do Verão [Ascensão do Senhor cai no verão no hemisfério norte] dia estava muito chuvoso, mas na 2a. da Festa [Oitavas da Ascensão do Senhor] o tempo estava esplêndido e ouve um longo programa quase toda constituída de hinos e músicas. O dirigente foi o Abolin. O programa começou às 10,30 horas e terminou às 3 horas da tarde. Gente tinha bastante e também tinha vindo bastantes brasileiros de Orleans, mas para estes não foi lido nenhum texto nem cantado nenhum hino, como eles chegaram assim eles foram, viu como é, em outros lugares aqui ninguém vai pregar, e aqui eles vieram, mas nem assim, mesmo as pessoas que poderiam fazer algo nada fizeram e ninguém quer nada com nada.

Na semana passada recebemos uma carta do Andrejs, ele escreve que mandou uns papéis e desenhos para sua construção. Você os recebeu? O Jahnites agora está em Riga trabalhando com um sapateiro e aguardando oportunidade para entrar num Seminário. Eles próprios dinheiro não tem, mas esperam alguma vaga livre ou bolsa de estudos com o Freij [Líder Batista da Letônia] ou com o Fetler [Outro líder batista da Letônia], mas como nós aqui acompanhamos tudo o que acontece lá pelo “Kristiga Draugs” [O Amigo do Cristão – Publicação religiosa da Letônia] percebemos que o Fetler não tem escola nenhuma. Ele anda viajando e coletando dinheiro e planejando abertura de um Seminário ou uma Escola Superior. Os nossos parentes sempre tiveram o Fetler em alta conta e ainda hoje acreditam piamente no que ele diz.

Os remédios para “mal da terra” [Ancilostomíase] ainda não recebemos, mas é possível que estejam no correio em Orleans.

Bem por hoje chega de escrever e é possível que você não tenha tempo de ler e se esta carta chegar enquanto você tiver ido a “Chautaqua” [Acampamento Anual Batista] então ai mesmo que você vai demorar mesmo a ler esta carta devido ao seu muito trabalho.

O genro do Farmacêutico é o Jorge Moures e ele próprio quer te escrever.

As tuas lembranças foram entregues a todos. A senhora Klavim está quase totalmente recuperada. Escreva bastante para mim dizendo como estás passando.

Muitas lembranças de todos de casa e eu disse no começo que os demais iriam escrever também, mas todos ficaram com preguiça e nenhum quer mais escrever.

Assim fico aguardando longa carta de resposta.
Luzija

… não apareceu uma nuvem sequer e não existe o mímimo sinal de chuva, | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1924

Rio Novo 24-09-24
Querido irmãozinho!! Saudações!

Eu estou escrevendo esta noite porque amanhã eu tenho que ir à cidade. A Olga já escreveu na semana passada e como ninguém foi para Orleans, assim esta carta ficou sem ser mandada até agora.. Você já recebeu a minha carta escrita no dia 9 de agosto? Nós até agora nenhuma notícia tua temos recebido. A última foi a qual eu respondi no dia 29 e depois não temos nenhuma notícia e também os Jornais não recebemos e eu acho que estão perdidos nestes tempos de revoluções. Eu te peço para que se possível mande aquele jornal que foi editado em Pilares, porque me interessa continuar lendo. Se outra vez mandares jornais, por favor, mande-os registrados.

Nós estamos passando suficientemente bem, somente o tempo está muito seco, esta semana não apareceu uma nuvem sequer e não existe o mínimo sinal de chuva, Hoje à noite quando eu ia para a Igreja surgiu um forte vento e como nós tínhamos fogo nas roças em troncos queimando, a Mamma, [Lisete Rose Purim] o Ernesto Grüntall e outros ficaram cuidando de plantão até as 9 horas da noite até que o vento cessou.[Por ai percebe-se a responsabilidade quanto às queimadas quais poderiam causar estragos ao meio ambiente]

Junto também segue uma receita que se possível, comprar uns 3 vidros, porquê o Diretor [O Diretor da Cia de Terras Sr. E.E. Staviarski também era médico amador] recomendou com insistência para que a Olga usasse porquê ele diagnosticou como mal do coração, não o verdadeiro mal do coração, mas que existe muito sangue próximo ao coração.

Bem vou ter que terminar porquê já é tarde e também fica difícil escrever, pois não consigo enxergar direito, pois na semana passada eu estava com dor de olhos, agora aqui muitos estão com esta doença. O Arthur agora está com esta doença, mas os meus não doem mais, mas quando mais tempo a gente fita uma superfície branca, então surge como fosse uma névoa branca e a gente não consegue ver mais nada.

Quanto aos outros assuntos quais prometi escrever fica para outra vez e também como o Zeeberg mandou um verdadeiro couro de boi escrito e se você tiveres recebido você deverá estar muito bem informado e é natural que eu não consiga escrever tão bem e tanto quanto o Zeebergs. [Esta carta escrita pelo Karl Zeeberg eu tenho em leto, mas eu desisti de traduzir por vários motivos principalmente pelo assunto principal que era o modo capcioso usado para penetração dos pentecostais em Igrejas normais funcionando onde ele repisa inúmeros fatos e citações bíblicas e deplora este comportamento.]

Ainda muitas lembranças no Maria da Silva e Romão Fernandes [Romão Fernandes veio a ser o meu avô materno], e de todos outros de Larangeiras. O Romão quer te escrever, mas não o fez por falta de tempo. Se você tiver uma folga, poderia escrever uma carta para ele, pois vai trazer para eles muita alegria.

Muitas lembranças de todos de casa, sobre outros assuntos escreverei em outra oportunidade quando tiver mais tempo para escrever.
Agora ficarei aguardando uma longa carta sua.
Lucy