Sociedade de moças, 24 de junho 1895

A Sociedade de Moças da igreja batista de Rio Novo foi fundada em 1893. A descrição da celebração de seu aniversário em 1896 pode ser lida aqui. Abaixo a descrição do aniversário da sociedade em 1895, numa carta publicada no periódico Majas Viesis na Letônia.

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A União das Moças Letas da localidade promoveu sua Festa de Aniversário, a que compareceram quase todos das proximidades, além dos mais distantes e também alemães e brasileiros da nossa mais próxima cidadezinha Orleans. Entre outros, compareceu até o Diretor da Companhia Colonizadora.

As festividades, presididas pelo Sr. Stekert, foram declaradas abertas às 11 horas, na igreja batista ornamentada com flores. Após a abertura a Srta. L. Grauzes apresentou um demonstrativo das atividades da organização. A referida Sociedade teve início de suas atividades no mês de junho de 1893 com aproximadamente vinte componentes. A cada quinzena as sócias se reuniam durante meio dia, sob a liderança da acima referida senhorita, para produzir trabalhos manuais, ou seja, artesanato. Os trabalhos produzidos eram arrematados e o produto do arremate, deduzidas as despesas, era usado para os interesses da sociedade. Nos dois anos passados a sociedade arrecadou 218,00 mil réis, e as despesas somaram aproximadamente 114,00 mil réis.

O número atual de sócias é de apenas doze, e é evidente que a sociedade ficou mais reduzida. Após a leitura do relatório as jovens apresentaram a leitura de diversas poesias. Também houve cânticos por parte de um coral feminino e dois corais mistos, sob a regência dos senhores K. Matsch e E. Frischenbruder. Após o término foram arrematadas diversas peças de artesanato.

Embora nos encontremos em terra desconhecida, longe da pátria, da terra natal, podemos nos alegrar porque aqui também é possível, juntos, passar alguns momentos agradáveis ouvindo os belos sons dos cânticos.

Esta terra, descontando algumas colônias de mais difíceis condições, é razoavelmente boa; o que não agrada é que, por motivo das geadas, aqui não é possível cultivar café e bananas; porém cana de açúcar, mandioca, arroz e milho (grão-turco) são produzidos com abundência. A principal fonte de renda dos colonos é a suinocultura e a venda de toucinho.

Lamentável é a falta de escolas, a nova geração se desenvolve sem cultura. Jornais, quanto sabemos, são lidos os seguintes: dois exemplares de “O Visitador do Lar”, um exemplar de “Pátria”, um exemplar “Voz” e um exemplar de “Oriente”.

Assinado:
Algum participante da festividade

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Publicado no Majas Viesis ( O Visitador do Lar), número 42, de 11 de outubro de 1895, sob o título De Rio Novo (Santa Catarina) nos escreve

Na foto, o aniversário da mesma sociedade em 1900: