…pois quando eu vinha da outra casa montada, eu cai da Shanny…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

26 de outubro 1925
Querido maninho!!

Ainda que até agora não tenha recebido carta nenhuma sua assim mesmo tenho que escrever. O Arthur, este sim recebeu a tua carta no dia 17 de outubro juntamente com aqueles jornais. Por tudo muito obrigado, pois agora eu tenho muito que ler. Não terminei ainda de ler todos. Sempre quando sobra um tempinho eu estou lendo. Gosto muito das matérias escritas por você à máquina, pois contém bons ensinamentos. Também agradeço pelo “O Crisol” que agora eu estou encadernando e não pode faltar nenhum número. Continue me mandando inclusive aqueles “Zelhmallas Seedus” [Flores da beira do caminho], pois gosto muito deles.

É possível que tenhas recebido a carta que mandei no dia 8 de outubro, quando naquela eu prometi escrever novamente na próxima semana, mas não consegui, pois aconteceu um desastre comigo, pois quando eu vinha a cavalo da outra casa montada eu cai da Schanny [uma égua] machucando o joelho e cotovelo da mão direita inclusive machuquei ambas as mãos, tanto que por 3 dias não podia mexer com o corpo. Mas desastres deste aqui agora é moda, pois há mais de um mês o filhinho do Oswaldo Auras caiu de um esteio [esteio é chamado o pé direito de uma construção] e quebrou a perna, mas já está quase bom. E também umas duas semanas atrás o Hari Stekert viajando de auto e este tombando caiu [Não está claro se o automóvel tombou ou ele caiu do automóvel] e quebrou algumas costelas, mas agora já está quase bom.

Agora o tempo está chuvoso até demais, começou a chover forte no dia 12 de outubro e chove até hoje. Antes disso estava nublado e chovia normalmente, mas agora sábado, domingo e hoje está chovendo torrencialmente que todos rios e riachos que até rugem. Se chover mais um dia então vamos ter enchentes. Hoje mesmo é possível que o Rio Novo lá em baixo não dê passagem [A passagem a que se refere era abaixo da Atafona do Eugenio Elbert (Dª Alida) pela Estrada Velha – Meu pai quando trazia mercadorias com carro de boi da Estação de Estrada de Ferro para a Venda do tio Eduardo Karp teve diversas vezes passar toda mercadoria nas costas pela pinguela e passar com os bois e o carro por dentro d’água e depois recarregar tudo para prosseguir a viagem], pois o Rio Novo aqui em cima perto de nossa casa está como o Rio Novo normal, mas lá em baixo as condições são outras. Os previsores de tempo de plantão tinham antecipado que a primavera e o verão seria muito secos, mas a realidade é bem outra. Em São Paulo sim é que está faltando água pois as pessoas não tem água nem para lavar o rosto e muitas fábricas estão parando.

O Willis e o Augusto Klavim chegaram de São Paulo no dia 12 de Outubro e trouxeram junto o primo deles o Alfredo Neander, de estatura ele não é alto, quem sabe da altura do Karlis Klavin, mas tão hiper ativo com um menino da cidade em um piquenique na região rural.

A Festa de Aniversário da União da Mocidade foi no dia 16 de outubro. Um dia nublado e com as estradas lamacentas. O programa foi pequeno, não foi nem a metade do ano passado. Houve apresentações de hinos, músicas, saudações, preleções e relatórios das atividades da União no Ano passado. Na parte financeira a União movimentou mais de 1:200$00 mil réis. Os pastores também não estavam mais, pois foram embora dia 12 de outubro. O Deter não queria ficar mais. Ele chegou no Rio Novo procedente de Mãe Luzia no dia 9 de outubro. Naquele mesmo dia ocorria o casamento do Carlos Leepkaln com a Anna Sanerip. O tempo estava nublado, mas a estrada estava enxuta. A 1 hora da tarde foi a Cerimônia na Igreja e o Dr. Deter fez o Sermão em brasileiro, inclusive falou que este era o casamento do 2o. Leepkaln, pois na outra vez ele esteve no casamento do Alfredo Leepkaln. O pastor Stroberg fez o sermão em leto, o coro cantou e tudo transcorreu muito bem. Após as bodas foram servidos café com pão, bolos, bolachas e acompanhamentos. A noite foi repetida a dose na casa dos Sanerip, mas desta vez não para todo mundo e sim para os parentes, os amigos mais chegados e os pastores. Entre estes amigos chegados nós fomos incluídos, pois a família Sanerip gosta muito da gente, então somente o Paps não foi. Não podia ser diferente, pois durante os preparativos eu passei dias na casa deles ajudando, isto é fazendo bolos e comendo.

No sábado a noite teve culto na igreja e o Deters falou. No Domingo ele compareceu na Escola Dominical e logo após no Culto ele fez um sermão em brasileiro e logo após o Stroberg fez um resumo em leto. No Domingo a noite novamente culto na igreja. O missionário Deter elogia muito os letos em geral e principalmente os que estão no Rio como o João Klawa e outros que trabalham diligentemente. Tem especial apreço por você principalmente pelos resultados do seu trabalho e as demais coisas não vou escrever.

O Stroberg não te escreve? Ele contou para a Mamma que em Kuritiba ele consegue muitas informações sobre
você, principalmente quando você escreve para o Carlos Vieira então ai ele conta tudo.

Bem agora esta noite tenho que terminar. Desta vez eu matei coelho que o Arthur teria que matar, pois ele faz um mês que está adiando a sua obrigação. Ele promete escrever, mas não tão longa quanto a anterior.

Nós estamos indo como sempre. A Olga está ficando melhor, mas boa ainda ela não está, mas também com uma doença tão séria não ficaria boa tão rápido.
Muitas lembranças de todos de casa
Lúcia
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