História da Igreja Batista de Rio Novo e da Família de Juris Frischembruder

R001-1936

HISTÓRIA DA IGREJA BATISTA DE RIO NOVO
E
DA FAMÍLIA DE JURIS FRISCHEMBRUDER

PEQUENA INTRODUÇÃO PARA

História de minha Vida

Por Juris Frischembruder

Texto original gentilmente cedido por Marta Karp Paegle
Traduzido para o Português por Valfredo E. Purim
Digitado por Laurisa Maria Corrêa
Revisado e notas por V.A.Purim

Preâmbulo:
Assim eu, como também minha esposa, sempre nós nos desviamos de glórias ou ufanismos. Alguns dias antes de falecer ela me dizia: Que o Klavin junto à minha sepultura não faça elogios póstumos (Cristo disse: este já tem a sua recompensa). Eu e Lídia dissemos isto ao Klavin; ele respondeu: a verdade permanece verdade, e portanto podemos falar a beira da sepultura. Seus feitos a acompanham. Disse também: uma parte eu relacionei, parte por ela e por você, pelos dias felizes e festivos como também pelos dias de dificuldades e tristezas. Ao ler parece algo como exagerado, porem, de exageros tenho me cuidado. Poderia escrever ainda mais, sobre os dias felizes como também sobre dias amargos e tristes. Em tudo isto o principal é o temor a Deus, na alegria, na felicidade, na tristeza e na enfermidade, não esmorecer nem desanimar, mas constantemente fazer a obra do Senhor. – Um copo com água fria que alguém oferece com sã consciência Deus observa e recompensa!
II Coríntios 1:30 Hebr. 11,10,13,16
Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças… Eclesiastes 9.10
Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no Espírito, servindo ao Senhor. Romanos 12.11
Os dias de nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando. Salmos 90.10
É bastante que cada dia tem suas tristezas.. Mateus 6.34
Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. Salmos 90.12
Regozijai-vos sempre no Senhor, outra vez digo, regozijai-vos. Filipenses 4:4
Senhor, dá-lhe mais forças para aumentar minha fé, na tristeza, nas lágrimas da aflição e poder voltar a sorrir.

Juris Frischenbruder, 29 de maio de 1933

Histórico da nossa infância, juventude e vida em comum, desde o ano de 1884 até 1931, nos dias de minha velhice.

Esta noite completa 5 semanas da ultima noite que minha querida e bondosa esposa permaneceu nesta casa. E em sua memória dou inicio ao histórico de nossa vida.
30 de abril de 1931.
Júris Frischenbruder

Este histórico dedico a minha filha caçula Amilda; que para mim e sua mãe é muito querida; por ela nós nos dedicamos e preocupamos, pelo tempo enquanto podíamos e depois a deixamos nas mãos de Deus.
Nossa querida filha Amilda! Você no nosso difícil histórico de vida, você absorveu bons ensinamentos, como perolas preciosas; que na tua difícil caminhada te servirá. Acharas Deus que te abençoa! Com um amável abraço e beijo! Teu pai.
Rio Novo em 29 de maio de 1933

Dia do falecimento da mamãe, 24 de março de 1931.
O histórico da minha querida e bondosa esposa não é longa. Anna Frischenbruder, nascida Anna Bankowitch, em 16 de janeiro segundo o novo calendário, no ano de 1869, na aldeia chamada Rembata (Vidzemē). Seu pai Júris e mãe Made Bankowitch mudaram-se para Riga (capital da Letônia). Ele trabalhava na serraria Dambravski; aos domingos freqüentava a Igreja Batista na Rua (??????) também a menina Anna os acompanhava e matriculou-se na Escola Dominical, onde do irmão Rolman recebeu sólido ensino da Palavra de Deus, que durante sua vida muitas vezes relembrava.
Os primeiros passos no canto coral foram incentivados pelo velho irmão Janson. Mais tarde do irmãos Pilinsh! Reconheceu nela vocação para o canto, convidou-a para participar do coro da Igreja onde foi aceita de boa vontade. Como conseqüência dos ensinamentos Bíblicos ministrados na Escola Dominical pelo irmão Rolman imprimiu em sua alma. Então em sua juventude dedicou-se a Deus e ingressou no rol de membros da Igreja aos 14 anos de idade. Foi batizada pelo pastor E. Walman em abril. No mesmo ano de 1884 foi fundado um ponto de pregação da palavra de Deus na residência do irmão E. Didrikson, na presidência do irmão E. Walman. Foi fundado também um conjunto coral na regência do irmão J. Frischenbruder (eu mesmo). Ali a irmã Anna Bankowitch era uma das melhores cantoras.
Mais tarde no coral da Igreja ela ocupava o lugar ao lado das principais cantoras. Naquele tempo eu regia o coral, ela também cantava sob a regência do Meoguel. Porem ele adoeceu e o coral voltou para a minha regência ate novembro do ano de 1889, na Capela do Seminário.
Pelo fato de residir distante e trabalho secular não pude atender de forma satisfatória as lides na regência do coral, já estava casado então o coro escolheu e elegeu o W. Krumeir (?) para regente, ele ainda não era membro. – Naquela ocasião eu também não estava bem de saúde grassava forte influenza.
Desde sua mocidade, a irmã Anna com seu brilhante comportamento e vida temente a Deus; seu amor unia meu coração a ela; como minha eleita companheira manifestei a ela minhas intenções, apesar dos apenas 17 anos de idade. Então, quando estava livre das obrigações militares que foram pretextos dela, ela disse: – Eu ainda sou jovem! Mas após um dialogo deu seu amável consentimento e ao despedir selou com um carinhoso beijo. – Em seu 18° ano de vida iniciou seu trabalho em costura junto a uma boa profissional. – Esse tempo foi maravilhoso, – Mas seguiu um ano de tristeza e dor.
Do 18° a 19° ano de vida.
De forma infeliz rompeu nosso amor e amizade. Esse período foi para mim, como para ela um período de dor. No entanto sem aviso divino, sim, sem aviso divino (?) nenhum fio de cabelo não cairá da cabeça. Assim este acontecimento não era sem consentimento de Deus e sem bom resultado. No começo do ano de 1888 no seu 19° ano de vida fui visitá-la, falar sobre nossa separação, terminar nosso relacionamento, mas de forma cristã; foi na primeira noite do Dia de Pentecostes.
Quando expus meus pontos de vista, quando apertava meu coração, pedi a ela que exponha sua opinião e daí de forma cristã o assunto estaria definitivamente terminado. Embora, para mim muito difícil aceitar. – Então recebi uma inesperada resposta! – que até agora bem me lembro. Ela disse: – Porque não podemos voltar como dantes?
Disse eu: – da minha parte pode voltar como era antes, ambos estendemos as mãos, nosso corações pulsavam pela renovação de uma amizade e amor permanentes.
Comunicamos imediatamente aos seus pais e irmãos.
Eles, todos nos desejaram as bênçãos de Deus e felicidades – (anotar que neste intervalo outras me achegaram).
Até uma senhora me recomendou sua filha, mas isto só poderia acontecer o que Deus tinha determinado. Após vários anos de casamento ela me contou que se não pudesse ser minha esposa então poderia ser como uma servente. Tinha lido isto em uma historia.
Como bondosa e querida esposa e como companheira. Desde 1888 ate 22 de abril de 1889, foi um período maravilhoso!
Eu regia o coral da Igreja e ela ocupava o primeiro lugar do coral. Embora outros olhares me eram dirigidos também nossos olhares se confundiam, amor de coração.
Quando nosso noivado foi anunciado na Assembléia da Igreja. Então, então sim, alguns bons corações pulsavam em silencio. Por um amor não correspondido.
Nós pertencíamos um ao outro! No dia 22 de abril de 1889, pelo novo calendário na Páscoa, foi o dia do nosso enlace. Fomos o primeiro casal a usar a capela do Seminário. Fomos declarados casados pelo Pastor I. Erunga (?)
A espaçosa capela do Seminário estava repleta, com pessoas fora, quando chegamos com a carruagem. O texto do sermão foi: I Pedro 3:1-7. O Pastor I. Menguels estava surpreso por novo hino do coral que nos saudou no término da cerimônia.
Nossos convidados não foram muitos, aproximadamente 40. Mas a cerimônia transcorreu bela e alegre, cantando e confraternizando. Naquele tempo não havia o costume das brincadeiras para passar o tempo. Recebemos bastantes presentes valiosos, que quando viemos para o Brasil tivemos que vender, a necessidade obrigou-nos, e outras vendemos no Brasil.
Ate agora temos conservado duas, um está com Lídia e outra com Emilia. Minha nova e querida esposa, diariamente se dirigia ao trabalho de costura, ate dezembro. Eu trabalhava com o fornecimento de Pães aos Senhores de Riga e do mercado.
Às 4 horas e 40 minutos de janeiro do ano de 1890 Deus abençoou nosso casamento com uma filhinha a qual demos o nome de Marta Maria, Através de que minha querida recebeu (?) da mãe.
Após dois meses incompletos ela (esposa) voltou a cantar no coral. Da nossa morada ate a capela do seminário a distancia era uma hora de caminhada.
Decorrência disto não tive condições de continuar a reger o coral conforme as necessidades que o cargo exige e considerando a distancia entre a nossa residência e a capela; então em meu lugar veio o irmão W. Krums, e eu fui para a fila do baixo. Krums, durante anos trabalhou como regente, e ainda agora para mim, ele continua para mim um querido amigo e irmão:
Em janeiro do ano de 1891, Deus abençoou nosso matrimonio com outra menina, a Emilia, agradável, bonita como nascida diante dos céus. …….. um amargo incidente me aconteceu o qual descreverei adiante. Então, em Riga ficaram situações difíceis e amargas. Então se deu o inicio a emigração para o Brasil; com enormes sentimentos e lagrimas nos separamos da Igreja, do Seminário, velha Riga; onde durante 11 anos moramos e dedicamos nossa vigorosa mocidade. Então decidimos deixar a pequena Emilia com a avó. Eles viajarão em outra leva e nos encontraremos no Brasil.
Adeus velha e querida Riga!
Adeus pátria! Nossos olhos nunca mais te verão! Experiências valiosas havia muitas, com bastantes dificuldades. Após uma longa viagem de mais de dois meses, então em 13 de julho felizes desembarcamos em Orleans.
Passaram algumas semanas e já estávamos na mata bruta, 5 famílias no seu barraco onde 4 famílias podiam se manter. O velho Malvess construiu logo seu barraco. Cada um derrubava a mata para plantar a sua roça, quando a área estava derrubada começamos a construir nossas casas. Mas para mim, infelizmente, sofri um acidente, um corte no pé. Fiquei de cama durante 6 semanas, e depois várias semanas trabalhei com muletas.
Isto foi triste para a mamãe, separação da nossa querida filhinha e de outros parentes! Nós planejamos e administramos a igreja e fui nomeado regente. Em novembro chegaram o Neuland e Simpsons; dois bons coristas a mais. Em 20 de dezembro chegaram 25 famílias de Riga, da Igreja de Agenskaln e Dinaminde e também meus sogros, mas a nossa querida filhinha não chegou até aqui, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro ela faleceu de sarampo. Alegrias com tristezas, lágrimas e sorrisos. Nossas tristezas em comum, Isaias 49.15, eterna recordação. Esta criança que descanse em paz, na paz de Deus. Do peito da mãe, do colo do pai separada. Quando chegar o novo e claro dia, quando nós daqui seremos chamados, então nós nos encontraremos, então estaremos junto ao Senhor todos os dias! As tristezas tivemos que esquecer!
A mamãe embora com lágrimas, cantava no coral.
Foi fundado mais um coral com o pessoal oriundo de Dünaminde na regência de K. Match. Trabalhamos com fervor e sinceridade, embora lutando com dificuldades e assim continuamos indo em frente.
Outra vez, inesperados problemas! No ano de 1893 ao derrubar a mata uma arvore atingiu minha perna esquerda que fui carregado para casa. Seis semanas de cama e daí de muletas pude trabalhar na roça. A perna mais tarde ficou boa.
Apesar de tudo sempre Deus foi generoso. Pessoas amáveis nos ajudaram a terminar a derrubada. Em 18 de setembro de 1894 nos visitou outra menina: Lídia Selma . No mesmo ano nós levantamos nossa casa. W. Slengman e minha cunhada Julia (?) contraíram matrimonio em nossa nova casa. Trabalhávamos com denodo. Os ensaios eram feitos aqui em nossa casa. A Lídia pouco nos perturbava, no entanto, nos ajudava. Depressa passava o tempo! Na igreja havia boa convivência e paz. Trabalho em casa e trabalho na igreja. Em 15 de abril do ano de 1896, fomos agraciados com mais uma menina Emilia ; a primeira Emilia havia falecido, II foi sua substituta. A família foi crescendo, no entanto não havia como impedir o interesse da mamãe pelo coral.
Nossa esperança era ter um filho homem! Em junho do ano de 1897 desembarcou João Inkis de Riga. Veio visitar os letos – prendado em música!
Sem a mamãe no coral não era possível, então tivemos que no final do ano de 1897 nos afastar da querida função de regente do coral; e quanto possível colaborei com os baixistas. Durante algum tempo ensaiei e regi o coral masculino. Como reconhecimento pelo meu trabalho a igreja me ofertou em luxuosa encadernação do livro “A terra por onde Jesus andara”.
Gustavo Grikis foi colocado na regência do coral. E, eu trabalhava como supervisor da Igreja e secretario da colônia. No ano de 1900 desembarcou aqui W. Butler ; então deixei a função de secretario.
Em 28 de junho de 1898 com o irmão Inkis a caminho de Mãe Luzia; a serviço da Igreja. Infelizmente caí do cavalo e quebrei a perna direita. Estava morto, ao recuperar os sentidos pensei que não verei mais os meus. Pelas tristezas não descreverei. O irmão Arajum e sua amável esposa pelo seu grande cuidado, a perna recuperou. Sofri muito as dificuldades, dores. A mamãe dificuldades e tristezas. Fazia os trabalhos da Igreja, os compromissos foram saldados. Após 8 semanas voltei para casa conduzido pelos irmãos Arajum e J. Klava.
Deus que os recompense! A irmã Arajum me tratou como seu próprio filho! Paz e repouso a ela!
Quatro meses de muletas, trabalhava na roça e mais tarde apoiado em um bastão.
No mesmo ano, na Vassar Svetki – Festa do Pentecostes! Festa do verão a mamãe ficou muito doente; pensei que não resistiria à enfermidade. Deus ajudou e ela se recuperou! Na madrugada de 15 de junho fomos a uma serenata ao Professor Butler em homenagem ao seu aniversario. Após os cumprimentos voltamos para casa; para nos preparar para a recepção de mais uma menina Amilda. Na mesma época em Riga falecia meu cunhado André. Ele durante muitos anos exerceu a função de secretário no Gabinete do Governador. Foi chocante. Exigiram da mamãe muitas lágrimas.
O engenho de farinha de mandioca já estava pronto e nos exigiu muitas dificuldades e tristezas. A mamãe ao manejar um bezerro dando-lhe uma espiga na boca, ao mastigar feriu um dos dedos que não recuperava. Sem saber aplicou um medicamento inadequado que veio piorar a situação e que exigiu a amputação. Passou longo tempo até a recuperação. Dores, dificuldades, tristezas e lágrimas!
Juntou-se mais uma tristeza! A pequena Julia, menina, no engenho de farinha houve um acidente com a mão e veio a falecer no Hospital de Laguna.
A tristeza não tem fim, ela vem e vai, e novamente raia o sol!
Em 25 de agosto do ano de 1901 nossa família outra vez aumentou com um menino robusto e lindo Guilherme Conrado . Mamãe com sincero amor o cuidava e criava. Cresceu grande, andou cedo e foi tratar da sua vida, a esperada alegria não gozamos como recompensa na velhice. A mamãe permaneceu fiel ao coral, cantando, eu trabalhava em outras atividades na Igreja. Assim os anos passavam apressados e em 13 de fevereiro do ano de 1906 Deus abençoou nosso lar com o terceiro filho – Carlos Rodolfo caçula. Este foi o mais querido de todos! Criança amável e benquista. Tudo o que via e ouvia guardava na memória. Gostava muito da Escola Dominical, cantava e como podia ou entendia orava a Deus. Nos períodos chuvosos ficava em casa. Ele, caçula era o dodói da mamãe. Mas um dia mamãe foi para a roça. Emilia tirou do fogão uma frigideira com gordura fervente e Carlinhos correu ao encontro e a gordura caiu em seu rosto e pescoço, todos os recursos e esforços disponíveis foram usados, e após 3 dias veio a falecer – foi grande tristeza e dores, principalmente para a mamãe. Ele faleceu em 27 de janeiro e o sepultamento dia 28 de 1909. No dia do aniversario da mamãe. Sua trajetória de vida terminou rápido. Ele era alegre, vivaz, obediente, convivendo bem com outras crianças. Sua alegria era freqüentar a Escola Dominical. Sua alma pura, amparo da mamãe, Deus o levou para junto dEle. Paz e doce repouso até o dia da ressurreição. Feliz reencontro na eternidade! Mas o coração da mamãe suportou grandes dores, faltou pouco para ela também não falecer; pois seu coração estava saudoso do seu querido menino, seu desejo era seguir o destino do seu filho.
Assim também aconteceu comigo após o falecimento da mamãe. Para cima, para cima! Na glória do céu, lá a mamãe o encontrou. No entanto, para nós temos que nos submeter na direção de Deus e temos que nos contentar, Deus faz bem o que faz!
Nossa filha mais velha, Marta Maria, estava noiva com Matias Felberg. Seu enlace estava programado para o outono; com o coração repleto de tristezas, tivemos que nos preocupar e as lágrimas aumentavam e ampliavam as tristezas.
A cerimônia do casamento realizou-se em data de 29 de abril de 1909. Belo e agradável dia!
No coração da mamãe despertou uma nova alegria e saúde. Mas o dia do falecimento do Carlinhos ela relembrou por muito tempo. No dia do sepultamento foi também o dia do seu aniversário. Matias e Marta se relacionavam muito bem, mas a madrasta do Matias não se relacionava bem com a Marta e Matias. Então aconteceu; tiveram que vir morar conosco durante alguém tempo; fato que o coração dolorido da mamãe foi novamente fustigado. Que as tristezas e os corações feridos foram atingidos uma coisa era certa, a sincera participação no coral e louvar a Deus. Embora que algumas vezes com lagrimas…
No ano de 1910 nosso pastor K. Andermann começou devagar no movimento pentecostal e abandonou os trabalhos da Igreja. Naquela época fui eleito Diretor da Escola Dominical. A mamãe se preocupava com os hinos e ajudava nos cânticos das crianças e as coisas eram feitas com alegria.
Estes dias de Escola Dominical foram de um trabalho difícil, havia muitas crianças, muitas preocupações e responsabilidades.
No ano de 1911 o Pastor João Inkis visitou novamente Rio Novo, solenes, belas e abençoadas reuniões; as maiores solenidades de batismo em Rio Novo. Entre os quais estava nosso grande filho João . Viajou para casa de Mãe Luzia com 28 companheiros, também lá houve festas e agora em Rio Novo. Verdadeiras festas de louvor no Monte Tabor.
No ano de 1912 chegou da Letônia uma certa família, a senhora cantava bastante bem, mas exigente em reconhecimento e criava dificuldades tanto no coral como na Escola Dominical. No ano de 1913 K. Leiman era o pastor. Na minha responsabilidade repousava todo trabalho da igreja, naquela época tive que suportar estas pessoas com grandes dificuldades e tristezas, me parecia que minha vida estava à beira da morte, mas Deus me deu forças para suportar e vencer. Esta (Bekerene???) (pág. 19) também a Igreja não perturbou, pois havia os que a defendiam. Após alguns anos foi embora para Mãe Luzia e lá ela continuou com suas más influências.
Por causa dos meus sogros também havia tristezas. Meu sogro durante bastante tempo ficou de cama, doente e em 10 de setembro de 1913 veio a falecer, dia 11 foi o sepultamento. Ele foi para nós um bom pai, paz e bom repouso aos seus restos mortais.
Bom período de tempo às coisas andou mais ou menos bem. As crianças estavam crescidas e trabalhavam bem! A mamãe também permaneceu com razoável saúde. Então em julho e agosto de 1917 ela teve difícil enfermidade que acho ser da idade.
Também ao cuidar dela foi difícil nas minhas noites de insônia.
Naquele período Emilia era noiva de Osvaldo Auras. Este noivado trouxe a mamãe bastantes preocupações. Em 13 de setembro do ano de 1917 houve a cerimônia do enlace matrimonial. O pastor Dr. Butler foi o oficiante. A festa do casamento foi boa.
Também Lídia estava noiva de Oscar Karp, em novembro, após o casamento da Emilia também o grande filho João noivou com Laura Zeeberg. Após o casamento da Emilia e o noivado do João, mamãe adoeceu novamente, muito difícil, diversas vezes, a vida dela estava à beira da morte.
Mas graças a Deus, que com as minhas permanentes atenções, dias e noites, atenção dos filhos e a solidariedade dos vizinhos, Deus permitiu a recuperação e a saúde, e me deixou com minha preciosa companheira e ajudadora.
Quando as filhas casam, vão com seus esposos, sobram para a mãe preocupações e tristezas. Ao pai também produzem dores de cabeça.
Em 21 de fevereiro do ano de 1918 foi dia do casamento da Lídia. O pastor Dr. Butler foi o oficiante, as bodas foram as mais belas possíveis. Grande e feliz dia da sua vida!
Quantas lágrimas derramamos em silencio? Só Deus sabe!
Desde novembro de 1917 até 24 de outubro do ano de 1919. Foi um período repleto de dificuldades e preocupações.
Enquanto construímos, ao grande filho João por vontade nossa e do Zeeberg, uma boa e linda casa, sofremos muitas dificuldades e investimento em dinheiro.
Em 24 de outubro de 1919 foi o enlace matrimonial, o oficiante foi o pastor Dr. Butler. Casamento de grande repercussão.
Durante o período de dois anos, através do inicio de vida matrimonial; três filhos saíram de casa, não é assunto fácil!
Antes do casamento do João a mamãe teve como uma previsão de futuras tristezas que virão do lado da família da esposa muito se chorou de dor no coração. Eu não estava em casa, trabalhava com o Zeeberg.
Depois do casamento, não muito depois surgiram amargas desavenças; que ate hoje, nem o tempo nem o poder de Deus apagou. Assim que: a família da esposa se firmou com a família Betcher e a vida de paz e parentesco não mantiveram em boa harmonia (a senhora Betcher foi a promotora das desavenças). Também o filho que perambulava e nos proporcionava tristezas e lagrimas. Também na fundação da sociedade dos músicos no ano de 1917 e sua primorosa regência do João. Promoveu a nós muitas preocupações, despesas em dinheiro, tristezas e também lágrimas, por isso outros músicos se indignaram e também ele se indignou. Então o João foi morar em Mãe Luzia; também a música terminou em agosto do ano de 1924. Em 11 de outubro de 1921 quando os filhos já adultos tinham ido embora, após quase 2 meses de enfermidade e cuidados minha sogra faleceu. Quando a velhice se aproxima temos que partir; muito embora a separação produz dores e lágrimas. Na glória nós nos encontraremos!
Isto é um após outro, também ao filho mais novo Conrado despertou o desejo de encontrar uma companheira. Noivou com Lídia Akeldam de São Paulo. Viajou para lá, foi operado de apendicite. Casou, sendo o oficiante o pastor Dr. Butler. Voltaram para casa, não permaneceram aqui. Não estavam satisfeitos. Voltaram a São Paulo, tristezas, lágrimas, chorei muito. Voltaram em 31 de janeiro de 1923. Em data de 17 de setembro de 1922 foi a data da cerimônia do casamento.
Todos os fortes adultos se foram.

COMEÇO DE NOVAS DIFICULDADES E TRISTEZAS.

Ficamos só nós três, todos os trabalhos pesados ficaram para nós.
No outono Milda adoeceu gravemente, por bastante tempo. Mas ficou recuperada. Em 26 de abril do ano de 1923 ao transportar mantimentos da roça, a roda bateu em uma ponta de madeira, a carreta tombou e feriu meu joelho e as costas e durante 2 meses estive na cama e sofri muitas dores.
A mamãe com Milda, ambas tiveram que desempenhar as mais difíceis tarefas, na roça e em casa. Os trabalhos mais difíceis tiveram a colaboração do filho e genros. Quando fiquei curado, então todos os três voltamos a trabalhar. Milda enquanto não se sentia bem, em dezembro, foi a cidade de Tubarão onde foi internada no hospital e em 21 de dezembro foi submetida a difícil cirurgia.
Exigiu recursos e despesas e somou tristezas e lagrimas , recuperou a saúde mas não plenamente. Em outubro do ano de 1924, voltou ao hospital, onde por mais tempo ficou internada ate recuperar a saúde.

UM PAVOR INESPERADO

Uma noite com Milda ainda acordada percebe que alguém entra na varanda. Naquela ocasião constava que um marginal andava pela região. Ela deduz que de fato é um marginal e nos desperta. No momento estávamos tomados de pavor, pedimos a proteção de Deus e acordamos o João, embora o João lá não estivesse. Convenci as mulheres e saí fora com uma lanterna na mão. Verifiquei por todos os lados e não encontrei nada e voltei; agradeci a Deus e voltamos a dormir. Embora não sentíamos nada seguros. Assim com dificuldades, tristezas e medo achamos por bem convidamos o Osvaldo e a Emilia morar conosco.
A colônia [terreno] transferimos para eles como sua propriedade com a condição de que eles nos acolham na velhice. Estava prevista uma parte para Milda, mas ela não quis assumir 2 contos de réis.
O Osvaldo terá que devolver a parte dela. Os Auras estavam de acordo. Em 7 de julho do ano de 1924 eles vieram morar conosco.
Estava eu aguardando o melhor, diligentemente trabalhávamos juntos naquela época eu ainda tinha dinheiro.
O primeiro ano transcorreu regular. Porém no ano seguinte quando tivemos que transferir a terra ao Osvaldo, a mamãe teve sérias preocupações e choros. Por isso houve diálogos amargos. Mas com boas esperanças, dia seguinte realizamos a transferência.
No terceiro dia, quando levantei e saí; expus a minha filha o que não tinha previsto; ela disse: nada posso fazer. Então pelo feito chorei amargamente.
Em 24 de junho do ano de 1924, desembarcou o pastor Stroberg como pastor que foi recebido com festa noturna.
A vida ia para frente, de diversas maneiras. Assim que: A Milda não podia mais fazer trabalhos rudes, Marta a convidou para ir a São Paulo. Então com tristezas, dificuldades, de coração partido e lágrimas no dia 10 de fevereiro de 1926 ela embarcou para Nova Odessa junto a sua irmã mais velha Marta, mais tarde na cidade esta bem estruturada.
Nós nos separamos chorosos com os nossos votos de que a mão de Deus a conduza e guarde. Logo mais ela mudou-se para morar em São Paulo, onde está até agora e vai bem.
No primeiro emprego não ganhava bem, junto à outra família está ganhando mais, até 250 mil réis mensais.
De 1926 até o ano de 1928, nós sobrevivemos a diversas agruras, amarguras e tristezas, mamãe diversas vezes esteve muito doente e próxima da morte, mas pela misericórdia de Deus permaneceu entre nós.
Por motivo da irmã de Stroberg levantou-se tumulto na Igreja; atingindo nossa família. A paz de nossa casa foi perturbada. Em abril e maio fui a Mãe Luzia trabalhar com meu sobrinho.
Nosso genro Matias soube das nossas dificuldades e tristezas, veio nos buscar para junto da família dele. Gostaríamos de acompanhá-lo. Queiramos também ficar com o Oscar e Lídia. Finalmente Lídia não deixou ir com Matias.
Já trabalhei com o Oscar e fiquei na balança.
Mas em um sábado chuvoso tomamos uma decisão definitiva ficar com o Oscar. Bati com um machado em tronco de madeira, meu coração tremeu! O tronco poderá ser útil para nossa futura casinha.
Esta atitude me colocou em diversas conjecturas e avaliações.
Três coisas difíceis de decidir:
No entanto, com boas esperanças em julho do ano de 1928 saímos de nossa casa para viver com o Oscar. Gravei na minha memória – Adeus casa!
Dói o coração e lágrimas afloram nos olhos….
Com o Oscar e Lídia convivemos muito bem; trabalhamos quanto podíamos! Mas os outros não estavam satisfeitos conosco. Mamãe constantemente chorava em silencio. Também Satanás não se envergonhava, me tentar, recomendando ser melhor morrer antecipado.
Isto ele também fazia quando morávamos em nossa casa. Mas graças a Deus, que me deu forças para vencer. Pela misericórdia de Deus conduzidos e guardados em 9 de julho de 1929 voltamos a nossa casa. A vida de casa havia melhorado. O passado certamente precisava ser esquecido. Também de lá nós nos separamos com lágrimas.
Matias e Marta nos convidavam para visitá-los no inverno. De 11 de agosto até o fim de novembro trabalhamos com denodo na roça, para adiantar os trabalhos da lavoura. Para os quais Deus concedeu as necessárias forças. Deus conduziu da melhor forma e em 4 de dezembro do ano de 1929 quando pela manhã nós sinceramente oramos a Deus e dirigimo-nos a Orleans, para com outros ir a São Paulo.
Em Orleans, Osvaldo abraçou a mim e a mamãe e pediu perdão pelos seus erros. Nós também de coração o perdoamos e chorando nós nos separamos. No trem ainda nos despedimos com lágrimas da Lídia e outras com tristeza e choro.
Até a vista, se não aqui então na glória!
A viagem foi agradável, mas no final achamos longa, assim que a mamãe dizia: não suportarei ate o fim da viagem. Embora muito cansada mas satisfeita desembarcou no Porto de Santos. Naquela mesma noite chegamos em São Paulo. Outro dia, após o almoço já estávamos com o Matias, onde por todos fomos alegremente recebidos. Na primeira noite dormimos na casa do Conrado! Por causa da enfermidade do filho dele, nós também sentimos. Depois de alguns dias voltamos para o Matias e a Marta, assim ficou melhor.
O primeiro domingo foi pleno de bênçãos e alegrias. Aniversário da Igreja onde eu, como mensageiro da Igreja Batista Leta do Rio Novo; fui incumbido de saudá-los. Havia pleno reconhecimento, honra e bênçãos. Após algumas semanas fui atingido por um automóvel. Tive que ficar acamado. Fomos atendidos pelos irmãos e irmãs com uma atenção fraternal, visitamos muitas famílias. A gentileza de Matias e Marta não foi possível aceitar no sentido de lá permanecer definitivamente. Estávamos aguardando a chegada do Osvaldo e Emilia, ele havia manifestado por carta. Com o Matias estava tudo bem. Apenas a mamãe queixava-se do excesso de roupas para lavar, para ela impossível. Em abril, no primeiro domingo, disse: Queridos Odessenses, sincero adeus! Passamos mais de uma semana em São Paulo, com os Neander (???), visitamos velhos amigos e nossa filha mais nova. Sentimo-nos repletos de amor e felicidade. Separamo-nos em lágrimas até a vista; se não aqui, então na glória. Matias nos acompanhou até Santos e nos conduziu até o navio. O primeiro dia não foi bom, no entanto sábado pela manhã, satisfeitos ancoramos em Laguna. E a noite estávamos em casa, onde os filhos, netos e parentes nos aguardavam com muita alegria.
O mesmo também aconteceu na Igreja de Rio Novo quando se comemorou a Páscoa. Mamãe voltou ao seu lugar a cantar no coral.
Na primeira Assembléia da igreja fui eleito novamente como moderador presidente, contra minha vontade, visto que a casa de cultos exigia muitos reparos. Mas assim mesmo aceitei a incumbência.
Na roça, trabalho havia bastante. Enquanto não precisava de materiais, cal, tintas e outras coisas. Íamos, mamãe e eu capinar o mandiocal e preparar a terra para o plantio. No final de junho começamos trabalhar no prédio da Igreja. Para mim um trabalho difícil e de muita responsabilidade. Naqueles dias a mamãe ia só para o trabalho da roça. Certo dia trabalhou além do previsto, neste dia fui a Orleans. Querendo terminar o trabalho, mas ao anoitecer foi tomada por um vento frio, resfriou-se e com isso começou uma enfermidade. O frio e o excesso de trabalho, dores nos rins, no peito e no coração.

Em agosto do ano de 1930 na festa de Ação de Graças, ela foi pela última vez à igreja e também pela última vez cantou no coral.
Em setembro ficou seriamente enferma e acamada, mal com tosse, vômitos e dor no peito. Eram os sintomas. Para mim estava difícil! Tinha que atender os serviços da Igreja. Atender a mamãe, embora a Emilia ajudasse como podia, ela mesma não estava bem. Mal dormia a noite e durante o dia também não. Assim passava com dificuldades, lutando e orando a Deus. À noite quando eu voltava do trabalho, ela com visível interesse perguntava quanto o trabalho havia avançado? Esperava pelo dia do seu retorno, estar no culto e cantar no coral. Dar graças e louvar a Deus.
Em outubro começou a recuperar-se devagar. Em setembro duas vezes estava tão mal que aparentava ser os últimos momentos.
Em novembro, no começo, infelizmente numa noite houve um começo de incêndio no telhado da cozinha. Foi um choque para ela, e a doença retornou.
Em dezembro, estava razoavelmente bem, começou a recuperar as roupas, e fazer serviços leves. Mas assim mesmo qualquer esforço é prejudicial!
Após 6 de janeiro foi piorando sempre, os pés inchando, o inchaço aumentando! Os medicamentos nem a hidroterapia e nem os cuidados permanentes, nem as preces a Deus. Pelo sofrimento Deus queria chamá-la para perto de Si. Ela mesma dizia que pela luta e sofrimento junto a coroa da glória!
Em fevereiro ela ainda podia andar um pouco. Em março, acamada o tempo todo. Período difícil, muito difícil. Ela sofrendo, lutando com a enfermidade e dores, insônia, não podia dormir. Nas noites e manhãs lia a Palavra de Deus e juntos oramos e chorávamos. Em um sábado à noite, quando a tinha ajudado de trocar as roupas, sentamos juntos na beira da cama. Comecei a cantar um hino para ela. Ela disse: não cante! Ela começou de memória a enumerar hinos! “Meu filho tua força é fraca” –“ Rocha eterna” – “A morte me traz frutos” e outros. Depois orou a Deus tanto como possível e terminando com Amém, por tudo ela me agradecia. Disse eu: não me agradeça. Estou cumprindo a minha promessa e meu dever. Mas agora sinto que deveria fazer mais, ainda mais. Mesmo fazendo tudo eu mesmo estava me sentindo esgotado. Suas mãos esquálidas ela levantou e silenciosamente orou a Deus. As últimas duas semanas desde 24 de março as dores aumentaram não podia deitar, somente sentada entre colchões, dia e noite. Alguém tinha que estar junto. Lídia veio me ajudar! Última semana não se alimentava. A irmã Purim (Lisete) também ficou duas noites e mais outras. Certa noite quando a irmã Purim viu que devia ser o último momento, Ela colocou suas mãos e orou a Deus. Por si mesma, por mim, filhos, amigos, coristas e outros que não da igreja. Recitou o hino “Rocha Eterna” e duas estrofes do hino “Felizes são as pessoas.”
Filho tu sentes saudades,
Estar na casa do Senhor?
Em terra estranha andar é difícil
Os pés cansam e as forças desaparecem?
Como a pesada carga da vida
Gostarias deixar em paz
Passar para a outra margem
Para as mãos do Salvador?
Nas mãos de Jesus descansar?

E no hino, quando a luta da vida esta por terminar e o portal de perolas para mim estiver aberto, olharei para Jesus Santo e resplandecente; isto será para mim celeste beleza e honra.
E dizia: Através da luta e sofrimento junto à coroa de glória assim em paz repousou: a irmã Purim chorava….
Pela manhã havia grande canseira! As crianças vieram despedir-se da vovó.
No entanto, Deus permitiu a Emilia chegar com a pequena Martinha (?), pegar nas mãos e dar sua benção.
Ver esta criança ela desejava e por várias vezes disse: Eu tenho que ir embora e ela que fique em meu lugar. Embora ela desejasse viver ainda mas sentindo sua fraqueza repetia. Não ficarei, não ficarei, tenho que ir embora! Tudo ela previu e me deu instruções. Como vesti-la e como acompanhá-la.
De lisonjas e falsos elogios ela sempre se desviou. Por mim também se preocupava, onde ficarei. Ela dizia: No Matias (em Nova Odessa) pode ser mais fácil; respondi: quem vai zelar pela tua sepultura. Ela respondeu com a frase de um hino, “Então se abrirá toda a sepultura esquecida!” Tinha visto a vó, outra vez na casa do Rudzit; como que tivessem chegado para buscá-la. No sábado ainda trouxe os últimos medicamentos, mas sem resultados. Domingo, foi difícil; segunda feira também, neste dia vieram muitas visitas; cantaram alguns hinos para alegrá-la. Então como a enfermidade se prolongava e não esperávamos que o último momento estivesse próximo. À noite cobri com cobertores da melhor maneira possível; pois estava exausto.
À noite eu e a Lídia, cada um durante períodos sentamos a sua cabeceira e atendíamos todos os seus desejos conforme foi possível. Última manhã, triste e nebulosa! Lídia tinha ido a cozinha e de repente ela ouviu forte respiração; eu ouvi a estrofe “Ó Jesus tuas caras mãos” seu hino preferido “A cidade celeste é linda” orou a Deus e disse amém, foi seu último amém. Lídia deu uma colher com bebida, eu disse: mamãe você está indo para casa? E comecei a chorar! Ela disse: não chore! Não chore! Estou indo para casa foram as suas últimas palavras. Lídia ofereceu bebida. Eu segurei sua mão direita. A respiração foi diminuindo e sua mão deslizou da minha. A respiração terminou, a cabeça pendeu, ainda o coração bateu duas vezes, o último, muito devagar. Então, ela, nas minhas mãos. Em 24 de março, às 7 horas da manhã, o bom e amável coração parou de bater, após o sono da morte, a alma acompanhada pelos anjos transpôs o portal de pérolas, junto ao trono da glória. Louvar Àquele que durante a vida toda cantou louvores, e quem a ela deu forças, para permanecer fiel até a morte.
Eu, Lídia e Osvaldo choramos junto a ela.
A separação sempre é ligada a dores. Em seguida conforme sua vontade foi preparada e vestida.
Lídia se apressou para sua casa.
Logo chegou o irmão Purim (Jahnis) e mais um ajudante, para confeccionar o ataúde para ela. Lídia e o Oscar deram o tecido preto para cobrir o ataúde. Oscar foi a cavalo para Orleans avisar o falecimento e o horário do sepultamento.
Às 4 horas tudo estava pronto, o ataúde coberto de tecido preto com rendas brancas ao redor. Eu, Otto e Lídia colocamos devagar em sua última cama e segundo a sua vontade a colocamos na varanda. Após a merenda cada um foi para sua morada. Mas no meu coração ficou um sentimento pesado; estava fraco e exausto de corpo e alma.
A noite silenciosa e dolorida, seus gemidos fracos estavam silenciados. Em sua nova cama repousava em paz. Mas meu coração doía e dói até agora. Tenho muito sentimento, muito sentimento (em 8 de julho às 9.00 horas da noite terminei de escrever estas linhas; 12 de julho, quanto é difícil e doloroso voltar a escrever!)
Ela na varanda, eu deitei na nossa cama; no lugar onde ela faleceu. Medo eu não tive e não tenho agora. Mas no quarto havia cheiro de medicamentos; dormi durante algumas horas quando acordei, se aproximava uma tempestade e as portas estavam abertas; adormeci e acordei novamente. Então fui para o quarto dos meninos e dormi outra vez.
Manhã com névoa, manhã de tristeza e sepultamento. Levantei, orei a Deus, cheguei ao esquife, levantei a toalha; olhei e arrumei o que foi necessário. Suas mãos esquálidas, imóveis, não se levantaram para pedir apoio para levantar-se.
Tudo silêncio! Silêncio, até o dia da ressurreição. Tomei café e pessoas iam chegando de todos os lados. O irmão W. Karklin pronunciou o sermão de despedida, cantamos um hino.
Será que nesta vida vai pulsar
Nunca mais serás um coração de mãe fiel?
Será que na eternidade perguntarás
E fui tão inesperadamente separado
(Tradução livre.nt)
Lídia comentava a palavra de Deus e chorava copiosamente e cantamos o hino 775 – “Adeus casa terrestre … Adeus queridos…”
Recebi amáveis abraços, apertos de mãos, palavras com sentimentos de irmãos e irmãs. O esquife foi conduzido pelo quarto da Emilia para que ela contemplasse pela ultima vez sua mãe.
Em frente à porta da varanda, em um lado estava eu com o Oswaldo e as crianças do outro o Oscar, Lídia e seus filhos. A foto foi tirada por A. Klavin.
O esquife foi fechado e colocado no carro. Adeus morada onde vivemos quase quarenta anos. Grande acompanhamento. O caminho lamacento, os bois são lentos, fui montado num cavalo do Oscar. Estamos no cemitério. A sepultura aberta aguarda minha querida. O irmão J. Klavin dirigiu o culto fúnebre. Primeiro hino: Ceribas Ausekli número 5 “Aurora da esperança”. Felizes pelas pessoas que esperam pela morada. Lê II Timóteo 4:6-8 fala pelas afirmações: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda….
No sermão destaca a fiel cooperadora e freqüentadora; sincera participação no Coral, amável hospitalidade com os pastores e aos demais, respeito à igreja. Usa da palavra o irmão W. Karklin, o coral canta seus hinos prediletos. Ao abrir o ataúde durante o transporte suas mãos caíram para os lados, arrumamos. Lídia cobriu com o lenço quando todos tinham contemplado, eu acariciei seu rosto e recitei a seguinte estrofe:
Vai agora em paz repousar
Em teu quarto escuro
Deus permitiu o repouso
Todas as dores e sofrimentos
Nas mãos do Salvador deixaste
Goze a felicidade do paraíso!
(Tradução livre NT)
Adeus minha querida! Adeus doce repouso! Até o dia da Ressurreição!
Coro:”Adeus, adeus à Aurora desperta – 166”
Eu chorava copiosamente, também a Lídia e outros queridos irmãos e irmãs, O ataúde foi fechado e devagar é baixado ao fundo. Solenemente a terra cai sobre o esquife. A cova se enche e a sepultura se forma e é coberta com coroas e flores em grande quantidade. O som dos hinos se irradia para o alto, junto ao trono do céu, onde os sinos anunciam a sua feliz chegada a gloria. Mais uma oração de gratidão a Deus pela sua misericórdia e direção ate a nossa vez junto à sepultura. Ainda usa da palavra à irmã Olga Klavin: relembra sua infância na Escola Dominical como a mamãe a acolheu quando pequena a aceitou em amor como amiga, fiel amiga, cuja amizade perdurou ate a sepultura.
O irmão A Klavin usou da palavra em público. Toda a cerimônia do sepultamento durou quase duas horas. Uns conversando com os outros, deixavam devagar o cemitério, as minhas pernas dormentes me conduziam para casa. Quem sabe, quanto tempo terei de vida? Onde será que serei sepultado? Será junto à mamãe, no cemitério de Nova Odessa, ou em outro lugar, só Deus sabe!
Cheguei em casa, tudo, tudo mesmo, vazio e em silencio!
Oh coração levante-se e confie em Deus!
Dia seguinte chegou Lídia, Selma Hilbert, Erna Paegle – fizeram uma limpeza geral, lavaram as roupas e arrumaram e deixaram toda a casa em ordem. Mas o meu coração, meu coração! Quanto suportou as dores. Com enormes dificuldades suportei, mais de dois meses de insônia, lia a palavra de Deus e pedia que Deus me tranqüilizasse, que consegui com o passar do tempo.
Todavia, nas terças e quartas-feiras pela manhã eram dias doloridos. Na terça feira ela faleceu e na quarta feira foi o sepultamento.
Nesta noite, estas linhas, essas queridas e doloridas linhas, ao escrevê-las tenho chorado copiosamente. Debaixo do meu olhar ela cresceu, desde a infância eu a amei e ela a mim. Pensava eu que ela me cuidaria na velhice e me conduziria até a sepultura, mas eu que tive que colocá-la na última morada. Pelos 42 anos de matrimonio, há muitas outras experiências. O canto no coral foi sua maior alegria e preciosidade; verdadeiro dom. Em Riga cantamos muito. Festivais de corais, festividades da mocidade e em outros eventos. Assim também no Brasil. Havia grande alegria e contentamento – o tempo da juventude, e dias passados!
Como ligaste minha memória contigo? Tanto a mim quanto a ela havia o lado das sombras e fraquezas! Como o poeta diz:
Às vezes costumamos tropeçar, cair
Costuma acontecer às pessoas;
A consciência insensível
Contra todos os próximos
(Tradução livre NT)
No dia 26 de julho de 1931: no dia de Santa Marta (Varpu Diena). Agora com o coração partido, interrompo a descrição da nossa vida em comum, e passo a descrever, em resumo, a descrever as memórias da minha infância e juventude; bem como algumas descrições sobre períodos vividos com dificuldades, na minha vida e na velhice.

Meu pai, Krists (Kristóvão) Frischenbruder, mãe Ana. Nasci quando já eram idosos; como diz o documento; no ano de 1864, 30 de março (pelo novo calendário 11 de abril). Na casa do Disc Brenzeniek, na vida de Rahpat, região de Pilene, nos arredores de Ventspils, na baixa Curlandia.
Quando criança fui batizado pelo pastor luterano Beker com o nome Júris (Jorge???). Consta que fui uma criança raquítica, após vários meses ainda não mantinha a cabeça ereta.
Minha vida me foi predeterminada, quando muito a dez anos de vida. Minha mãe me amava, e se preocupava comigo.
Quando ia crescendo, as pessoas se alegravam com a minha bela aparência, cabelos amarelados, a senhora do pastor dizia: belo menino! (cresce para o trabalho e uma vida cheia de dificuldades)
Agora com 67-69 anos. Muitas dificuldades sofridas, falta de tudo, e ainda estou vivo.
Minha mãe foi minha professora! Foi difícil aprender pelo sistema daquele tempo. Ao aprender alguns hinos, aprendi a ler decorando. Aprendi ao ponto que meu pai me levou a ler diante do pastor. Li duas linhas sem erro. O pastor pôs a mão no meu ombro e disse: muito bom meu filho! Pelo que meu velho pai ficou alegre. Na escola fui colocado lá no ultimo banco. Na escola havia muitas crianças, 75-80, um só professor, bom homem! Ele gostava de mim e me ensinava. No primeiro inverno fui promovido ao segundo ano à frente dos demais alunos, isto aconteceu também no segundo e terceiro inverno. No terceiro conclui o curso e diploma pelos anos de 1878-1879. Comportamento: muito bom. Recomendado: seis vezes. Religião: ótima e assim por diante. Uma vez me lembro que o professor, por alguma brincadeira me deu um tapa nas costas e disse: até você não sossega. Na Páscoa do ano de 1879 fui crismado pelo pastor Aug. Von Ianow. Naquele ano em fevereiro, meu pai faleceu, ele durante a vida sofreu muitas tristezas e dificuldades. Não esqueço que no meu período escolar, foi bastante difícil, muitas vezes com sal e pão de centeio: na água quente quebrava-se o pão e com o sal era até saboroso. Gostava de estudar! Assim fiquei mais um inverno na escola, com dificuldades e carências a serem vencidas.
Ao terminar o período escolar, meu bom professor propôs para eu ficar com ele como funcionário, sem remuneração; apenas a comida. Ele mais tarde me promoveria a professor auxiliar. Muito bem! Conversei com minha boa e idosa mãe, pouco ela poderia me ajudar. Esta oportunidade não aceitei e reconheço que errei. Queria me apresentar no serviço militar, na infantaria. Quando os irmãos Frey e Fideman se preparavam para ingressar no Spurgeon Seminary em Londres; também despertou em mim interesse embora sempre esbarrou em falta de recursos.
Após o período escolar, junto com o meu primo K. Kulkeewitz, me preparei a ir a Riga em busca de sorte. O passe meu tio me deu por empréstimo, 150 kopeks. O principal fiquei devendo, 150 kopeks. O dinheiro da viagem minha mãe emprestou de uma amiga, um rublo, de Tukum até Riga. Roupa do corpo, outra na sacola. Assim deixei a casa paterna, a querida mamãe e a vila natal. Adeus terra natal! Junto com o primo viajamos para Riga. Esperava conseguir um bom emprego, mas não consegui. Trabalhei em uma serraria, trabalho comum, por uma diária de 75 kopeks. Dessa diária tinha que deduzir, para a mamãe, ajudar o irmão que servia o exercito e economizar para comprar melhores roupas. Pelo meu primo fui convidado a freqüentar os cultos na Igreja Batista onde cantam muito bem, Runberg com Eichman pregavam muito bem! Isso me agradou. Em um domingo invernal no culto da tarde Eichman pregava com grande sinceridade: convertei-vos, convertei-vos vós da casa de Israel, porque querem morrer?
Sua pregação era sincera, e me conquistou, diante de Deus e da Igreja Batista, isto foi no ano de 1881, no mesmo ano, em setembro fui batizado por I.A.Bumbieris na Igreja da rua Puworouri (???). logo em seguida passei a participar da União da Mocidade e comecei a participar de todas as atividades. Assim como a mamãe, Pilinch me convidou a participar do grande coral (mesmo antes) e tornei-me seu amigo! Ele me ajudou a comprar um violino, ajudou no aprendizado, técnicas de regência e outros conhecimentos. Freqüentemente visitava seu pai e família, outras vezes ele me visitava e me chamava de amigo! Ele era generoso e boa pessoa. Verdadeiro regente. Anos mais tarde, quando eu regia o grande coral, ia eu junto com a famosa regente E. Wigner adquirir mais conhecimentos sobre regência.
No ano de 1883 junto com o irmão I. Friedenberg, planejamos fundar um pequeno coral e em 1884 fundamos na data de 21 de setembro foi à primeira apresentação. Nós ainda fazíamos parte do grande coral e continuamos a cooperar. Na maioria éramos jovens, cantávamos com sinceridade e alegria, após um ano realizamos a festa de aniversário. Antes do inicio da festividade, Anna Bankowitch me colocou na lapela com o sinal de amor um botão de rosa.
À noite da festa foi bela e abençoada, louvamos a Deus e nos alegramos nEle. Anna leu uma longa consideração previa em forma de poesia, que segue:

A alegria hoje aqui reina!
Hoje aqui é momento de festa
Por isso a satisfação é doce,
Cada coração sente junto.

A sociedade de coristas
Aqui comemoram seu aniversario
Por isso estão felizes
E decoram sua festa.

Hinos belos, hinos queridos
Preciosos presentes de Deus,
Entoados com sentimentos profundos
Hinos ecoam em beleza.

Hinos tornam mais leves
As cargas pesadas da vida
O som dos hinos tem este poder
Mas perto da divindade

Nossos ancestrais cantavam,
Hinos na pesada escravidão,
Os hinos os acalmavam
Nas difíceis lidas da servidão.

Nos, filhos dos ancestrais
Filhos da liberdade!
Os ancestrais cedo desejaram
Cantamos hinos com dignidade

Fazemos de boa vontade
E nesta festa demonstramos
Ao alto espírito do canto
Aqui festejamos.

Que o coral em harmonia
Desenvolva e floresça!
Sempre em amor
E cante para a glória de Deus!
21 de setembro do ano de 1885 – Anna Bankowitch
(tradução livre – NT)

Querendo ou não, chegaram dias de tristeza; eu com o coração dolorido este querido trabalho e amável convivência ter que declinar com o coração pesaroso. Tenho que ir a Ventspils e provavelmente fazer o serviço militar.
Foi doloroso, muito doloroso, os dois regentes: I. Pilinch, I. Fridenberg e meu irmão carnal me acompanharam ate a estação ferroviária, me comportei alegre e dignamente. Quando a composição ferroviária foi se afastando, e eu fiquei só, as lágrimas corriam dos meus olhos. Em Tukum me aguardava o irmão mais velho. O caminho estava esburacado. Em uma parada, deixamos os cavalos em repouso, enquanto isso, sentei a mesa e adormeci de cansaço. Minha Anna, em sonho me dizia: acaricie meu rosto! Despertei com dor no coração.
Viajando devagar com meu irmão, falávamos só as dificuldades da vida.
Tarde da noite, chegamos à terra natal, na casa do pai, próximo a um fraco ponto de luz minha querida e idosa mãe sentada e tricotando, eu interrompi o seu trabalho! Não sabia o que fazer de tanta alegria, beijei suas queridas mãos sim… aquelas mãos que me cuidaram na minha infância, cuidaram, criaram e me acariciaram duas vezes em grande enfermidade lembro-me bem, ela clamou: os pés estão frios! No entanto não morri, ela foi para mim, boa e querida mãe! Seu amor sente até agora, e lágrimas enchem meus olhos. Paz e doce repouso aos seus restos mortais, até a ressurreição.
Na estada da aldeia visitei parentes meus velhos amigos, e outros conhecidos. Mãe e parentes, todos se preocupavam comigo. Faziam votos pela dispensa do serviço militar. Não contava com a dispensa, estava pronto a ir, contando que não voltaria para casa como soldado raso! Estive doente com problemas pulmonares. Nas inquirições dos médicos militares relatei dos pregressos, males do pulmão, falei que ainda sinto seqüelas, os dois médicos me examinaram meticulosamente e me dispensaram do serviço militar.
Pessoas, mais tarde comentaram maliciosamente que eu subornei os médicos, mas não era verdade! Meu aspecto exterior indicava ser completamente sadio, não era anêmico, mas entendo tudo como providencia de Deus. Em Wentspils visitei meu irmão, permaneci com ele e desfrutei sua amável hospitalidade. Em Piltene, visitei meu bom professor com o qual conversamos longamente. Na casa de minha sobrinha ela chorava de alegria quando disse que fui dispensado, depois sorria e chorava.
De Wentspils mandei um telegrama ao irmão I. Friedenberg relatando minha dispensa. Tínhamos combinado em pregar uma peça, se dispensado, falar ao contrário. Todos estavam tristes, mas minha Anna não suportou, chorou e cantou!
Em Riga cantaram:
Separação, separação quanto é difícil!
A separação dos parentes e da bondosa e querida mãe, também foi difícil. Ela chorava amargamente e dizia: meu filho, eu não te verei mais, e foi o que aconteceu…
Quando retornei a Riga, então fui recebido festivamente e me saudaram, também a minha querida Anna! Na mesma época houve lindas festividades.
Resultados a favor do irmão Piling – em 16 de janeiro do ano de 1886 foram às festividades da mocidade mais lindas e elaboradas. O coral masculino era composto por 40 elementos. O pastor Herman da Igreja Batista Alemã me dizia: nunca vi nem ouvi na Alemanha um coral masculino com este vigor e qualidade. Anna conseguiu boa colocação.
Em agosto de 1886 assumi a regência de um pequeno coral em Jaunvartu. Então o irmão Júris Friedenberg mudou-se para sua terra natal em Talsos. Na minha mocidade ele foi para mim o melhor e destacado amigo e irmão. Ele há muito tempo repousa dos seus trabalhos, paz para seus restos mortais!
Na data de 18 de agosto de 1931, trabalhando na lavoura, muitas recordações e pensamentos sobre os dias da minha mocidade… hoje estou enfermo com minha perna que foi quebrada! Assim mesmo descrevo as minhas memórias. A minha Anna: em alguma carta com linguagem poética:
A lembrança guardamos
De você no coração
Para o espírito sempre voejar
Junto ao meu espírito
(tradução livre – NT)
Mas, agora é o inverso, ela repousa no tumulo, o espírito na glória, meu espírito lembra a sua presença…
No ano de 188? na igreja S.E.Vasmanis não estava em harmonia com a igreja, pelo motivo do seu infeliz matrimonio e funesta vida matrimonial. Os coristas e eu deixamos de participar nos cultos Jaunvartu. Fui atingido por uma falsa denuncia sobre a igreja, havia sido encaminhada uma denuncia falsa sobre a igreja junto a autoridades. O irmão André, escrivão, ele tirou uma cópia da denuncia, o pai encaminhou a comissão da igreja, o pastor soube, pressionou o irmão André assumir o coral, senão perderia o seu cargo no governo, fato impossível de acontecer mas ele não teve outra alternativa. Esse fato foi lamentável para todos nós. Principalmente a minha Anna. A ela, para tranqüilidade escrevi esta poesia:
Riga, março de 1887.

Em Riga, março do ano de 1887

TRANQUILIDADE

Porque lamentações e choros
Porque tantas tristezas?
A que tristes lamentos
E tristes lamurias?

Que oprimem teu coração
Que em teu peito tem morada
No qual raios de amor
Irradiam a todo instante

Deus esta no céu
Ele tudo vê
Como aqui todos se conduzem
Ele sempre nos ajudou

Ele nos vê com amor
A todos com compaixão
E alegra
Aqueles entristecidos

Ele aos chorosos enxuga
Bondoso, suas lágrimas.
Quando explodem tristezas
Então ele ajuda, como Deus!
(Tradução livre – NT)

Onde não há verdadeiro temor a Deus, ali também não há continuidade. Os novos coristas, devagar se dispersaram. O pequeno coral se desfez! André estava livre! Despertou-nos alegria. Não demorou muito, terminaram também os cultos. O regente do coral também se desviou do bom caminho. Fiquei deveras triste! Seu auxiliar era J. Mengels – por motivo de saúde, com tuberculose, não pode continuar o trabalho.
Na primeira tarde do dia de pentecostes; no ano de 1887 fui convidado a assumir a regência do coro. Foi o idoso regente Adams junto com o Mengels, pediram e também pressionavam assumir o trabalho relutei porque como me faltava conhecimento e desembaraço. Trabalhei com as forças que possuo, os idosos mestres então me aconselharam, Mengels disse: faça tudo seguro e firme, se houver alguma pequena falha os coristas nem perceberão. Nova e difícil labuta novamente com o dirigente! Ele sempre escolhia as mais difíceis partituras, hinos de execução primorosa. A. Grünfelt se colocava junto a mim nós empregávamos os melhores esforços para uma impecável apresentação.
Algumas vezes os hinos não foram apresentados sem falhas. Então eu enxugava da testa o suor da vergonha! L.E. Wasmanis também foi meu amigo; mas quando me coloquei ao lado da Igreja, terminou nossa amizade. Em uma assembléia da Iigreja ele empurrou o Presidente da assembléia R. Dimberg da mesa e assumiu intempestivamente a direção dos trabalhos. Ele estava à deriva, deslizando. A maioria dos membros se afastou e não participavam da SantaCeia. Reuniam-se na represa Catarina na residência dos Birgan onde o pastor I. Evangs havia sido nomeado pastor; também ali fui reger várias vezes distante da minha residência.
Difícil situação da Igreja, difícil também para mim… o pastor relacionou-se com um certo judeu, Silbergman, em uma situação desfavorável, o professor luterano Buiwru; um pastor excluído da Alemanha; ele promoveu alguns trabalhos religiosos de forma incorreta e inconveniente.
A diretoria da Igreja lacrou as portas do templo. Esse pastor recorreu à justiça e foi atendido. Até um policial foi designado para garantir a reabertura do templo. Os decanos da igreja Ir. K. Dimberg, K. Rolman vieram até a mim, me pressionar e implorar, para que reassuma meu lugar no coro. Senão a Igreja perderá seus direitos. Embora contrariado, aceitei. Certo domingo, muitas pessoas presentes compareceu o oficial de justiça e abriu as portas. O pastor e também eu, entramos, me seguiram os coristas. Houve aglomeração, no entanto tomamos nossos lugares no coral. Cantamos o hino 57 do Ceribas Ausekli (Aurora da esperança) Estás seguros vós os salvos e no término: Apenas folhas, apenas folhas, número 129. O ultimo hino sem ensaio, não correspondeu às expectativas, estávamos estressados. O que o tal pastor pregou não me lembro mais.
Quanto tempo esses serviços religiosos perduraram, também não lembro mais. A Igreja se reunia na represa Catarina, até o término da construção da Capela do Seminário.
O pastor nos denunciou junto ao juiz de paz como perturbadores da ordem. A mim, A Grinfelt, P. Klavin e Ulandu, quatro irmãos, com as mãos levantadas juraram falar só a verdade, o velho Redins, L.Kupstcha, Bosenis e Jordan faltaram com a verdade. I – perturbadores da paz, II – cantavam canções profanas, III – faltaram com a educação com a esposa do pastor.
Após vários anos Kupstcha e Redins voltaram à igreja, confessaram suas faltas e falsos juramentos. Não conseguimos contestar por não ter testemunhas. Fomos condenados com 7 dias de prisão. Constituímos um advogado defensor senhor Weinberg denunciamos ao juiz de paz no tribunal.
Nós tínhamos 20 testemunhas; os decanos da igreja, coristas, todos participaram ativamente. Vários assuntos foram apresentados. O auxiliar do advogado e juramentado, o Vinberg, foi almoçar….
Os assuntos são rápidos, chega a nossa vez, o advogado está ausente. A primeira sentença foi confirmada; chega o advogado, mas a sentença estava confirmada!
Voltando para casa, eu estava inconformado; P. Klavin diz: observe o que vou dizer: – se você sente-se tão infeliz; então procure as águas mais profundas de Daugava!
Recorremos ao tribunal de Jelgava; com o mesmo resultado; os barões confirmaram a mesma sentença.
Grinfeld e Ulands, foram condenados, e no inverno, período sem trabalho, sofreram e cumpriram sua injusta condenação.
P. Klavin como bancário e também como pessoa de destaque; não aceitava ser preso (embora lá não era tão ruim assim).
Recorremos a S. Petersburgo.
Durante a lide judicial, a igreja manteve seus serviços religiosos na Capela do Seminário.
Eu já estava casado, e trabalhava como regente do coral; mamãe cantava, mais tarde eu também cantava; o irmão Krums assumiu a regência.
A Igreja prosperava. Quanto aos empregos foi um período difícil. Despertou a emigração para o Brasil!
Tudo estava pronto. O passe em ordem; as caixas prontas. Meu irmão sempre me ajudando. Ele como funcionário público entendia de tudo.
Sábado estaremos a bordo! Chega um Oficial de Justiça, policial, e estou preso! Ele é meu conhecido; bom homem; permite conversar. André como funcionário público, confere e verifica; que após 7 dias, posso alcançar meus companheiros; em Brehmen, na Alemanha por via férrea. Nossos pertences, 2 caixas, os companheiros levaram, eu fiquei 7 dias preso. Mamãe, Marta e Emilia esperavam por mim, tristezas e lágrimas.
A prisão não era tão desconfortável, mas era prisão! Na prisão a mamãe me visitou e também Al. Klavin, poderia dizer como Paulo dizia na prisão em Roma.
Após 7 dias, fui solto! Junto com o Ir. Frishman meus amigos me cercaram! Tomei banho, troquei as roupas, me alimentei, troquei algumas palavras; o tempo era curto.
Frishman nos conduziu a estação; nos deu um farnel. O coral tinha organizado uma despedida, e juntaram um pouco de dinheiro para a viagem!
Despedimo-nos dos parentes, irmãos e irmãs.
Eu da minha mãe e de meu irmão, para sempre; com lágrimas mamãe separou-se da pequena Milinha, eu não consegui mais beijá-la, e também não a vimos mais. Adeus velha e querida Riga!
Dois dias e meio e duas noites, viajamos ate Brehmen, na Alemanha; onde estavam nossos companheiros. Para nós, foram difíceis e dolorosas tristezas!
Nossos companheiros, com saudades nos aguardavam.
Após 6 meses, o ir. Klavin recebeu a intimação para cumprir a sentença.
Porque isto aconteceu? Fiz tudo de coração; porque a mim e meus companheiros; tantas dificuldades e desgostos tivemos que experimentar? Só Deus sabe.
A Igreja também caiu em decadência, havia contraído dividas a serem resgatadas. Il. E. Wasmanis: embora mais tarde, renegociou com a diretoria, reconhecer seu comportamento inadequado. Porem as perdas e sofrimentos não puderam ser resgatadas!
Em minha existência aproveitei bastante, por isto em meus cabelos escuros, com a idade de 25 anos, já havia fios prateados. Também na vida diária não tive facilidades. Em Riga na primeira industria madeireira trabalhei apenas uma semana, na outra, um ano todo; na terceira, cinco anos. Como transportador de pranchões, trabalho, trabalho duro. Durante quatro anos trabalhei em uma panificadora, vendia pães no mercado, na cidade e a domicilio aos senhores abastados.
Com o Neuland, trabalho rude, mal conseguimos dormir. No Brasil não conheço trabalho fácil, não conheço, nem amável, nem em trabalho religioso. Então com a idade de 50 anos, já estava com todos os cabelos brancos.
No ano de 1913, no que se refere à vida espiritual, no período do pastor K. Leiman; atravessei uma temporada difícil. Naquela época a principal atividade da igreja era sob minha responsabilidade. Era o Diretor da Escola Dominical, tesoureiro da Igreja, supervisor das atividades religiosas e outras atividades afins.
O novo pastor, não podia e não queria se entender comigo, por causa do seu temperamento apressado e de mando; minha esposa e eu suportamos; suportamos dificuldades materiais e espirituais. Sofria eu de nervosismo e insônia, mas minha saúde retornou. Pelas atitudes do Pastor parte dos membros abandonaram a freqüência! Após 5 anos, ele retornou. Após alguns anos, reconheceu seu grande erro! A Igreja perdoou! No ano de 1916 uma irmã, antes de falecer: com três testemunhas presentes, me entregou duzentos mil réis, para Missões e uma parte para seus parentes; o inspetor de quarteirão com ameaças me tomou. – Mamãe, viu em sonho este dinheiro em um prato, coberto com um lenço e com muitas agulhas espetadas! Enquanto tentava recuperar o dinheiro: experimentei muitas agulhadas; e não consegui recuperar o dinheiro. De policiais e advogados temos que nos cuidar! – Após o falecimento da mamãe, nas eleições na região, fui nomeado feitor na manutenção das rodovias (estradas).
Não tinha a obrigação de trabalhar, mas para que o trabalho fosse bem executado, eu também trabalhava; só assim dissipava meus pensamentos doloridos e tristezas.
Adoeci com forte reumatismo; que me obrigou a procurar o leito! Duas vezes estive a beira da morte!
Em 20 de agosto de 1931, meu estado de saúde havia melhorado um pouco; pretendo ainda que por instantes voltar à terra natal! Meu pai foi bondoso, mas suportou grandes dificuldades! Quebrou as duas pernas e uma das mãos!
Fora isso ainda outras dificuldades. Ele me ensinou tudo de bom, apenas uma vez levei dois tapas, bem que merecia tinha saído com o menino do vizinho sem autorização paterna. Fomos passear e, na neve em processo de degelo e estava molhado e sujo.
Seu hino predileto ele cantava a noite era o hino n° 491 “Cristo nos santifica”. Seu falecimento foi repentino, ficou acamado durante uma semana. Enquanto podia orava a Deus em silencio. Na glória o encontrarei.
Estava eu na escola quando ele faleceu, estive presente no seu sepultamento.
Oh pátria, minha infância!
Pátria amada e bela
Em tudo memorável
Estranha era ??? feroz
Felizes dias vivi
Na casa paterna jardim e sebe
Quando cada lugarzinho
Para sempre me será santa,
Minha adorada meninice.

Mamãe era de natureza calma e delicada, me amava e me incentivava para o bem e me ensinava, orava a Deus e chorava. Esta influência ela transmitiu a mim e a minha filha Amilda! Recebida a noticia do seu falecimento em Riga em julho de 1887 não foi possível comparecer no sepultamento.
Em um domingo à tarde; andava eu pela sala, não sabia onde ficar, pois eu mesmo estava com muitas tristezas que mais tarde passaram, felicidade e alegria.
Tempos da mocidade tempos de alegria
Que tempos inesquecíveis!
Companheiros felizes no divertimento
Como era viçoso seu rosto!
Minha testa altiva
Os cabelos adornavam;
Outono com seu manto branco
Minha cabeça coloriu
(totalmente branca como a neve) (tradução livre)

A infância, mocidade e os anos de vigor já se foram; pai, mãe, esposa e dois filhos repousam nos túmulos, dias felizes e alegres não existem mais, ao lembrar os olhos ficam marejados de lágrimas!
Pai e mãe vossa imagem
Nos meus sonhos revejo
Amaram vosso filho,
Cem vezes me comove
Embora o tempo repouse no tumulo
No regaço da mãe terra estais
Também aqui não é meu lar
Logo também irei ao repouso
O reencontro feliz será na glória!
Ao alto nosso caminho conduz
Junto ao céu nosso caminho vai
A pátria nós nos apressamos
Onde aguarda feliz destino
Alegria imarcescível alcançará
Que no regaço de Jesus teremos
(tradução livre)

Como a qualquer um, assim também em minha existência; vários obstáculos houve. No entanto o poderoso Deus me segurou pela mão, e assim consegui servi-lo e trabalhar na sua causa e fitando a Jesus Cristo que sofreu e morreu por mim!
Teu sangue, tua justiça
E, Senhor minha glória e meu adorno
Quando adentrar no paraíso
(tradução livre)
Ainda algumas queridas lembranças da mamãe: de uns três dias antes do seu falecimento ela me disse: você paizinho não procures outra.
Uma única amei
Com ela convivi
Antes do desenlace ela dizia:
Paizinho, outra não procure!

E o paizinho a ela respondeu:
Veja mamãe, porque pensas assim
Para que preciso de outra!
Minha velhice já não exige!

Quando minha vida terminar,
Então na glória nós nos encontraremos
Onde nunca haverá separação
Mas minha felicidade, alegria e satisfação
(tradução livre)

MINHA SAÚDE E DIAS DA VELHICE

Após o falecimento e sepultamento da mamãe, logo viajei para Mãe Luzia, em visita aos parentes em doze de abril. Vi em sonho nosso salão de cultos o qual eu havia restaurado e recuperado, estava escuro, muito escuro e depredado; chorei e não sabia o que fazer; o irmão Osch, que construiu este templo estava de pé atrás de mim. Pensei, certamente ele saberá o que fazer. Saí, lá fora havia tábuas empilhadas, quis fazer alguma coisa com elas, vi a mamãe, aquelas tábuas empilhadas estavam caindo sobre nós; disse: Corra! Fuja! Ela disse: não chore.
Acordei assustado e orei a Deus.
Aquela queda que já havia acontecido na igreja aumentou e ameaçava aumentar mais ainda. Somente pela graça de Deus e auxilio de um pastor idoso voltou à normalidade, embora com ferimentos_____ fui destituído da função de moderador da igreja. Depois de um ano fui reconduzido.
Meu período de enfermidade, 18 de agosto de 1931 fiquei muito doente ate 25 de agosto. A fadiga me impõe: não escreva, fique sossegado. Em 21 de agosto estou muito doente! Não consigo escrever, muita fadiga! Graças a Deus estou melhor, 1 de setembro a moléstia retornou e fiquei a semana inteira acamado. Em 5 de setembro Deus me foi misericordioso! Todo o mês de setembro fiquei de cama sofrendo dores constantes. Minha filha Lídia me visitava com regularidade e me ajudava. Graças a Deus, diz 16 houve festa da mocidade. Festa maravilhosa! Fui com muletas, só assim de 1 a 16 de janeiro fui a Mãe Luzia, fiz tratamento com sauna e massagens. Um médico em Tubarão (o melhor) me proibiu comer carne, receitou remédios pouco ajudou. Estive durante 4 dias em Laguna, visitei o novo campo missionário. Os irmãos e irmãs me receberam com alegria.
No hospital, o melhor médico sentenciou! Devolver a saúde não posso, posso ajudá-lo. Então houve melhoras. Pedi a Deus, que Ele me livre dos meus incômodos. Tentei uma auto medicação, no entanto, sem resultado satisfatório, minha mão doía. Deduzi que estes males estão me preparando e me avisando que estou mais próximo de Deus, e mamãe em suas aparições em sonhos esta me preparando para este evento. Confio na mão poderosa de Deus e nas palavras do poeta sacro.
Deus, faça de mim o que tu queres,
Nunca estarei contra a tua vontade;
Em ti meu coração pode confiar
Ele nunca me abandona
(tradução livre)

24 de fevereiro de 1932

Em 26 de fevereiro a Igreja me incumbiu de escrever a historia de seus últimos 40 anos de existência: foi um difícil e grande trabalho! Assim mesmo escrevi 3 exemplares.
Tratar ferimentos adquiridos
Tu não deves relatar e cessar
Embora sejas como um navio à deriva,
Que esta prestes a submergir…
Tens ainda trabalhos a terminar
Ainda que com o coração fatigado.
E ao redor ventos impetuosos
E o prenuncio da morte a rondar…
(tradução livre)

Pelos meus pontos de vista, muitas vezes estive a morte, trabalhava e me preparava. No dia 15 de maio de 1932 comecei o trabalho, escrever a historia dos últimos 40 anos da Igreja, espero conseguir terminar, ou a mamãe me levará para junto dela? Só sabe o próprio Deus!
Graças a Deus! Que a historia já escrevi III volumes e 3 da minha autobiografia (??????) onde estão????? VER.
A recuperação e a saúde voltaram lentamente conforme a visão do Dr. Braronano (???) e Kneip (Sebastian) todas as manhãs fazia fricções com água fria e em seguida me enxugava com uma toalha seca. Tomava muitos chás, losna, pelashru (??) e sálvia.
Experimentei um chuveiro improvisado! Percebi que foi ótimo construí uma calha em um córrego, e quando o tempo de calor, banhava-me 3 vezes ao dia; durante 1 a 2 minutos inclusive a cabeça depois a toalha seca e fricções em seguida algum trabalho leve, por uns instantes conseguia uma boa circulação sangüínea, temperatura uniforme, sono profundo e bom apetite.
Ainda por alguns dias, em partes doloridas fricções com azeite de oliva duas partes de terebentina e um pouco de cânfora.
Com estes procedimentos recuperei a saúde e disposição e continuei a trabalhar e a andar sem o amparo do bastão. Louvado seja Deus que colocou na água tal poder de cura.
Em abril do ano de 1933: aceitei novamente a feitoria da recuperação das estradas, trabalhava menos, e pelo meu trabalho consegui reconhecimento.
Pequeno resumo da historia da igreja com 86 páginas Júris Frischenbruder: nada fácil escrever sobre si mesmo, mas a verdade permanece verdade. Raro foi o ano de repouso. O inicio parte já descrita. Servi como membro da administração, mais tarde com administrador, durante 6 anos como regente do coral continuamente como tesoureiro, em em face de denuncias maldosas tive que renunciar o cargo, no entanto, fui reconduzido. Presidente quase vitalício da Escola Bíblica Dominical e o ecônomo da Igreja, de ambos os cargos tive de me afastar. Presidia as cerimônias da distribuição da Santa Ceia e celebrava casamentos.
No ano de 1926 não aceitei o cargo de administrador mas no ano de 1929 fui reconduzido ao mesmo cargo tendo como companheiro o irmão J. Purim. Os trabalhos mais urgentes conseguimos vencer!
No final do ano viajei para S.Paulo…. no ano de 1930 fui eleito novamente como administrador da igreja para restaurar o prédio da igreja. Mais uma vez não quis aceitar o cargo, pois o trabalho e grande e difícil!
A pedido da igreja aceitei. Deu-me auxiliares: R. Klavin e O. Auras. O primeiro ano com grandes dificuldades a maior parte do trabalho foi vencida: no ano seguinte foi razoavelmente concluído. Durante bom tempo estive doente a idade e as fraquezas. Ao companheiro R. Klavin como meu substituto no serviço de administração faço votos de êxito. Despeço-me lentamente das já habituais responsabilidades e trabalhos na igreja. O último com dificuldades ao descrever a historia dos acontecimentos durante 40 anos de existência.

ALGUNS DOS MEUS VERSOS!

O hino de boas vindas ao irmão J. Inkis no ano de 1897 quando da sua primeira visita ao Brasil e entoada pelo coro da igreja de Rio Novo.
Querido irmão, hoje nós,
Alegremente te recebemos
De coração e alma
Amavelmente te saudamos
Após muito tempo Deus
Designou o nosso encontro;
Por isso damos gloria a Deus,
Por nós todos agora manifesto

Separar-se da pátria,
Querida e cara terra natal
Terás tristezas sofrido,
Dores no coração sofrido
No longo caminho também,
Sofrimentos podem ocorrer!
Mas agora deixamos tudo
E alegria nos invade

Por isso o bondoso Deus
Nos mandou o verdadeiro
Na longínqua e estranha terra
Vir a nos ajudar
Sua palavra anunciar
A verdade testemunhar,
Despertar os povos na escuridão
Trazê-los juntos ao pai do céu
(tradução livre)

Este hino de saudação, a mamãe cantou com toda a sinceridade e alegria. Assim como o poeta afirma:
Quem canta livre desprendido
Está no mundo de Deus
E sempre sentem-se felizes
Estes tem paz na alma.

A estes o ocaso da vida não perturba
Quando a morte se aproximar
Então no reino dos hinos,
Deus os convida
(tradução livre)

Alguns dias antes de falecer mamãe se preocupava comigo e dizia: com o Matis, você estará melhor respondi perguntando: e quem vai zelar pela tua sepultura e ela respondeu a mim com um verso do hino:
Então se abrirá todo o túmulo esquecido!
Em 21 de maio de 1931. Até agora o túmulo não foi esquecido, mas bem cuidado. Quando visitei o túmulo sobre ele derramei novas lágrimas ali repousam meu sogro, sogra, o pequeno Karlos e a mamãe. Mas onde será o meu lugar de repouso? Meus filhos estão: o mais velho, em Mãe Luzia e mais três sobrinhos a 70 Km daqui de Rio Novo. O genro e o filho mais novo em Nova Odessa – São Paulo longe daqui, a filha mais nova em São Paulo capital, os dos genros Osvaldo Auras com quem convivi e o Oscar Karp, que pretende mudar seu estabelecimento comercial para outra cidade distante 100 km de Rio Novo. Hoje Lídia me visitou quer que eu me mude para sua casa que na velhice terei melhores dias; meu neto Carlos me convida para Nova Odessa e também afirma que na velhice terei melhores dias.
O momento decisivo é sempre difícil, sabemos lá ate quando viverei? Junto ao Osvaldo não está mal!
Mas onde há abundancia certamente será melhor. Será que terei que abandonar os cuidados das sepulturas ou deitar ao lado das sepulturas.

APÓS TRES MESES TOMAREI A DECISÃO

Senhor a ti me entrego,
Como a um castelo forte
Não permita que fique na vergonha
Mantem-me dê também distancia do mal.

23 de maio do ano de 1933. Hoje entreguei ao sr. Capitão Fernando Guedes Galdino o relatório sobre os serviços prestados na recuperação das estradas e pontes recebi o dinheiro para o pagamento dos trabalhadores. Recebi também reconhecimento pelo trabalho feito; prometeu novos trabalhos. Ele é meu conhecido durante 41 anos. Somos bons amigos…
Enquanto escrevo estas linhas, inesperadamente esta passando um avião sobre a nossa casa, vem do Rio de Janeiro a Porto Alegre. Sobre nossa casa é a sua rota e regularmente alguns cruzam por aqui.
Entre os anos de 1914 ate 1919; esteve conosco meu sobrinho professor Jahnis Frischenbruder. Ele como pessoa culta proporcionou a todos nós muita alegria; ele era um cantor de boa voz cantava baixo com a mamãe e as primas muitas vezes faziam apresentações primorosas em canto sacros, realmente maravilhosos! Ele também fazia parte do coral durante vários anos também era um excelente fotografo. Seu pai meu irmão Krists no ano de 1914 me escreveu: cuide do meu filho; foi sua ultima comunicação, pois a primeira grande guerra mundial não permitiu outras comunicações e em 1 de setembro do ano de 1918 meu irmão veio a falecer, paz aos seus restos mortais…
Meu irmão mais velho Henrique faleceu em 12 de maio do ano de 1931, foi sepultado em 17 de maio. Paz e repouso doce a ti meu irmão ate a aurora do dia da ressurreição; sua idade 81 anos. Na minha família, os outros irmãos já faleceram e repousam em seus túmulos, eu sou o único sobrevivente! Nós nos encontraremos!
Uma pequena nota que tardiamente veio as minhas mãos, irmão Joris saudações, pode ser um adeus! Desejo a todos vocês a benção de Deus, Deus que os proteja!
Urubici, 27 de julho de 1939.

Minhas memórias e minhas experiências! Em agosto de 1927 em Mãe Luzia vim conhecer seus parentes que recentemente chegaram da Letônia: Joris Frischenbruder e sua família. Mais tarde muitas vezes os visitei. Recebi simpática acolhida e sincera amizade. Conheci junto a eles famílias e parentes da Letônia! Entre eles minhas sobrinhas Ana Wask, seus garbosos filhos e a filha Marta! Em especial Willes Wask muito me impressionou… Ele foi aluno da escola de missões de W. Fetler em Riga. Escrevi uma carta a sua mãe, lembrando o seu nome. Ele me respondeu mandei a carta para Riga, minha carta foi para Chicago nos Estados Unidos na Escola de Missões. Entre nós começou uma amável comunicação escrita e também um fraterno relacionamento que se mantem até agora em 1934. Eu o amo como filho e sinto a mesma reciprocidade! Ele é um legitimo filho de Deus, estuda para pastor com ótimos resultados….
Obteve no ano de 1933 alto reconhecimento da diretoria do estabelecimento do ensino; pelo qual conseguiu maior atenção e apoio…
Neste ano, com 30 anos de idade termina seus estudos. Pretende voltar para a Letônia no trabalho religioso. Deus abençoe seu trabalho durante sua vida.

O irmão mais moço Arvido Waskis: em setembro de 1929 matriculou-se no Seminário Batista de Riga. Precisei pedir ao irmão dr. J. A. Frey por carta para que ele admita o jovem, o dr. Frey por carta me comunicou que foi admitido no ano de 1933. Terminou os estudos com bons resultados como pregador da palavra de Deus.
A mão de Deus que o conduza e abençoe o seu trabalho. O irmão do meio, irmão Augusto também deseja ingressar no Seminário. A benção de Deus que repouse sobre ele.
O irmão mais velho, irmão João foi sincero filho de Deus, esforçado e trabalhador cedo foi para a eternidade. Há única irmã Marta com bons resultados na escola de Piltene escrevia para mim amáveis e delicadas cartas manuscritas. Continuará seus estudos na escola Komers (???) em Wentspil.
Tendo conhecimento da minha mudança para Urubici – em julho do ano de 1933, visitei ainda meu filho, demais parentes em Mãe Luzia. Por todos fui amavelmente recebido. Permaneci com meu filho, com meu sobrinho João e muitos dias com o sobrinho Júri e também com o genro Jekabson e mais com o sobrinho Krisch.
Com o filho recebi verdadeiro amor, separamo-nos com sinceridade. No último dia o Júris me conduziu, separamo-nos com um beijo (?). Quem sabe, ainda nos encontraremos?
Satisfeito e feliz cheguei em casa! Graças a Deus! A noite houve pela ultima vez, um culto de apresentações.
Apresentei da historia da Igreja sobre as sociedades femininas e sociedades missionárias, suas atividades e o seu termino… Falei sobre os nossos deveres perante Deus, embora com imperfeições, temos mantido também o último dever dizendo: Nós somos servos inúteis e nossa felicidade vem unicamente pelos méritos no sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Teu sangue, tua justiça
É, Senhor minha honra e adorno,
Com a qual estarei perante Deus
Quando no céu entrarei.
(tradução livre)
O culto foi rico de apresentações e abençoado. Volta ao modorrento cotidiano.

20 De Agosto Domingo Esplendoroso

Festa triforme! Culto de missões, culto de gratidão e culto de despedida.
Despede-se da igreja, meu genro O. Karp foi Presidente da Igreja, tesoureiro, presidente da União de Mocidade. A professora Emilia Zichmann, também professora da Escola Dominical, Júris Frischenbruder (eu) fui administrador e segundo secretario. O evento contém rico programa, pronunciamentos, hinos, café com saborosas guloseimas. No meu pronunciamento citei que vivi 16 anos em Piltene; 11 anos em Riga período da mocidade, minha terra natal, trabalhando e sofrendo.
Mais 42 anos em Rio Novo onde todo o tempo dediquei as lides materiais e espirituais e na velhice ainda tenho que me separar. O. Karp também usa da palavra e diz que no trabalho existem imperfeições muitas vezes; pede desculpas pelas falhas a todos nós e a Igreja; a qual agradece a confiança e reconhecimento.
Separamo-nos com os melhores propósitos e a reunião decorreu em 4 horas e meia.
O sol estava descambando, senti fragilidade, mas assim mesmo fui ate ao campo santo visitar a sepultura dos meus entes queridos, especialmente a sepultura da minha esposa. Ali repousam também meus companheiros de trabalho.
Reina silencio por tudo – fiquei sentado por uns momentos em silenciosa meditação, cantei um hino, derramei lágrimas, silenciosamente proferi uma prece neste panorama de liberdade. Repousem em paz, encontraremos na aurora da ressurreição!
O sol remete seus últimos raios às montanhas e vales de Rio Novo! Com pensamentos pesarosos voltei para casa…
A ultima semana fiquei doente com influenza, pensei que será impossível viajar! Tomei medicamentos e a saúde retornou. A ultima noite, um sentimento tão estranho e pesado.
1° de setembro, envolto em neblina!
Aguardo com ansiedade o sol nascer, seus raios, penetram através da neblina e douram as montanhas e os vales do Rio Novo… Chega o pesado caminhão… com volumosa carga e meus companheiros de viagem.
Sincera separação dos meus parentes, filha Emilia, genro Osvaldo e seus filhos; os olhos escurecem e cai uma chuva de lágrimas; abraços, beijos….
Adeus parentes, crianças e a casa. Se não aqui, mas na glória nós nos veremos! Osvaldo afirmava que não ficarei lá, pode voltar! Em Orleans despedi-lhe dos meus amigos das redondezas e do capitão Galdino Fernando Guedes de quem recebi uma recomendação pelos 42 anos de convivência exemplar e competência na condução da recuperação das estradas.
Amável, abraçou-me e desejou feliz viagem.
Às duas horas da tarde a condução deixa Orleans. De muitos lugares mãos acenando. Tempo agradável. A condução avança com pressa! O caminho está bom, porém montanhoso e repleto de voltas que exige do condutor a maior atenção e responsabilidade. Noite viajamos ao luar. A condução prossegue ate chegar a um vilarejo agradável. Hotel de brasileiros, muita ordem, pessoal distinto. Dormimos bem, tomamos café e às 7 da manhã com muita disposição continuamos a viagem. Em silencio louvei a Deus e pedi sua orientação, a manhã que envolta em neblina e silencio. A condução prossegue em boa velocidade para frente. I Na margem da estrada uma bela igrejinha. II A localidade é agradável! Após uma hora de viagem a condução para. Alguma coisa aconteceu! Quebrou? De forma a mais infeliz entramos num desfiladeiro! O trecho que nos aguarda se apresenta tenebroso! Três dias e duas noites passamos em más condições. Sofremos algumas dificuldades…
A condução foi recuperada em 4 de setembro tarde da noite!
Na nossa frente, ainda o desfiladeiro, esperamos um difícil trecho pela frente. A lua cheia ilumina as montanhas e os profundos vales. A nossa condução percorre para frente em boa velocidade junto ao sopé das montanhas e após uma hora de viagem, chegamos ao fim do desfiladeiro e a uma pousada de alemães, boa gente, repousamos bem e em 5 de setembro com a ajuda de Deus prosseguimos a viagem. As estradas ora boas, ora ruins, os panoramas são variados.
Começa o crepúsculo, estrada em más condições, escurece, a esquerda altas montanhas; a direita profunda e horrível ribanceira. Curvas curtas e perigosas. Todos estão em silencio apenas o condutor e seu auxiliar conversam em surdina! Eu em silencio pedi a Deus: conduza-nos ao destino sem problemas!
Um pequeno cochilo ou pequeno erro, uma morte horrível! O cuidado e proteção de Deus é a mão que guia!
Graças a Deus, estamos na margem do Rio Canoas! O balseiro nos transpôs o rio e mais adiante ficamos em um atoleiro, saímos do veiculo e com o esforço de todos transpusemos o trecho com lama, felizmente! Após as 8 horas da noite chegamos ao nosso destino, ou seja a encruzilhada de Urubici.
O irmão Zalit amavelmente nos recebeu acompanhado com um bom italiano! Na família Zalit degustamos uma boa ceia. Descarregamos nossas coisas na nova morada!
Noite alta! A paz e repouso aos viajeiros! Primeira manhã, um pouco de geada, lugar agradável! Abrimos as caixas e a arrumação das coisas, visitas e novos amigos.
Urubici tão lembrada, louvada terra de maçãs, pêras, ameixas, marmelos, uvas, trigo e pinhões.
5 de setembro do ano de 1933. Será aqui o lugar de feliz morada?

A VIDA EM URUBICI

Os letos aqui existentes a mim demonstram a maior simpatia, alegram-se pelo aumento da colônia de letos e que chega um leto comerciante. Vieram nos visitar e alguns trouxeram pão salgado. No primeiro domingo, meu companheiro de trabalho e lutas irmão G. Grikis dirigia o culto, me convidou para usar a palavra, declinei do convite, estava exausto da viagem e com rouquidão. No domingo seguinte falei poucas palavras e meus sentimentos expressei com o hino 522. meu coração me conduz ao Sião, ali encontro o Senhor. Lá é como o portal do céu. Eu penetro na paz eterna.
Na vida espiritual, havia grandes dificuldades. Aqui havia um irmão e algumas irmãs, que demandavam por visões, profecias, curas e quejandos. No entanto Deus não confiou a eles tão elevados dons. Após algumas lutas e dificuldades; em 25 de agosto o irmão pastor K. Stroberg, E. Klava e O. Auras ajudaram a fundar uma igreja batista. Graças a Deus e aos citados irmãos!
Na vida material, no inicio havia muito trabalho antes de inaugurar a casa comercial. Os principais trabalhos foram feitos pelo Arvido Karp irmão do Oscar um apartamento (?) ficou para mim que consumiu meio ano.
Embora eu soubesse me foi dito pelos médicos é melhor não se dedicar ao trabalho, pode perder a sua fraca saúde.
Desde a nascença tenho por norma: dedicar-me firmemente ao trabalho. Muito trabalho e necessidade me puxaram em suas fortes ondas, trabalhei com denodo, um trabalho não estava terminado e o outro esperava por mim e algumas vezes me fatigava.
Perdi o sono regular, inchavam as pernas e quando respirava profundamente sentia falta de ar, o vento frio que aqui é comum me proporcionou problemas nos pés e no coração.
Ambas as pernas, uma após outra ficaram doloridas, alguém me recriminava, que eu mesmo sou o culpado, que tenho trabalhado além da minha capacidade.
As pernas estavam enfaixadas como duas crianças! Chorava amargamente pois eu mesmo sou o culpado. Os médicos me afirmaram, ser doença do coração, porém curável, poderá viver até 100 anos. É muito. Que fazer? Voltei para a água dada pelo querido Deus, e aos costumeiros chás.
Improvisei um chuveiro para a glória de Deus e para os incrédulos uma incrível maravilha! Após 3 meses os inchaços desapareceram e ambas as pernas estavam boas! E o meu velho coração que com boa alimentação e ar puro estava também restaurado embora trabalhasse mais devagar porém seguro.
Pequei pelo excesso de trabalho, contra Deus e a saúde! Desapareceram também os sintomas do reumatismo. Quando sopra o frio vento do sul ainda sinto seqüelas do reumatismo.
A velhice exige uma vida mais fácil. Em todo trabalho pesado, sinto grande atividade do coração, em repouso a atividade é lenta, e lentamente vai diminuindo.
Oh! Meu velho coração você participou e sobreviveu a vida espiritual e material! Tenho que cuidá-lo para que não pares de bater em hora imprópria, tenho ainda muito trabalho a terminar.
Nosso primeiro ano em Urubici! Toda a redondeza foi maravilhosamente abençoada por Deus com uma safra riquíssima.
Fartura de frutas, maçãs e trigo em abundancia. Também na vida espiritual a pequena igreja há melhores e abençoados tempos. Sinto-me mais disposto e o meu velho coração trabalha ainda bem! Tenho que me resguardar de exageros, louvor e honra a Deus!

EM URUBICI, 23 DE DEZEMBRO DO ANO DE 1934
MINHAS MEMÓRIAS E EXPERIÊNCIAS.

Fui incumbido de dirigir um culto noturno de despedidas, estava a mesa sentado e pensando como organizar o programa e a ordem do culto, entra nossa boa e piedosa empregada e diz a mim, dedo em riste “agora quero ver como o senhor amanhã a noite vai se comportar, e daí verei o quanto o senhor vale.” Ali mesmo, na sala de jantar e com outros familiares ouvira, ela diz boa noite e vai embora. Tal atitude sei que não mereço e amanhã ela virá desculpar-se.
Isto não perturbou meu espírito, pois sou consciente do trabalho que faço bem e corretamente, mas o sono naquela noite demorou mais.
Pela manhã, logo que levantei a senhora humildemente veio pedir desculpas. Ela imaginou que eu iria “elogiar a pessoa que se despedia.”
No entanto, eu conhecia a pessoa! A noite estava agradável e demorou até quase meia noite, a mensagem foi dirigida aos que se despediam e aos demais.
Entre outras cosias disse este verso:
Onde a justiça está
Se a vida cheia de pecados
Sobre as flores puras caem
(tradução livre)
Sim, assim estas boas pessoas, tão depressa decidem e se comportam rudemente. Ainda bem que com longanimidade e paciência podemos alcançá-los e perdoá-los!
Em outra ocasião, em um domingo à noite ela veio a mim e começou um diálogo. Eu afirmei: você pode pensar como quiser, crer e viver como quiser. Eu permaneço na convicção, onde há 53 anos tenho me mantido.
Eu sei em quem tenho crido, quem tem me conduzido, guardado e em difíceis momentos tem me ajudado e sob corretos ensinamentos bíblicos tenho me conduzido. Este me mostrará o caminho do lar, você pode ir pelo caminho que julgar melhor, enquanto conversávamos, ela deixou uma anotação com seu nome e a frase “Deus é amor!” Pela manhã do outro dia acrescentei uns versos com esclarecimentos:
Deus é amor, mais sinceridade.
Deus é amor, Ele nos fortalece.
Digo mais também
Deus é amor, Ele nos abençoa.
(tradução livre)
O homem sem amor divino não pode ser solidário. Mas revestido com o poder divino, ele pode divinamente sentir o sofrimento alheio.
Mas revestido com o poder divino ele pode sentir a dor alheia e com empatia, repousa a benção de Deus, ambas as partes Deus ampara.
Esta anotação ela levou consigo como lembrança.

MEUS PARENTES ESTUDANTES

Recebi do irmão W. Wask uma carta relatando que ele felizmente com a ajuda de Deus concluiu seus estudos da palavra de Deus. Conseguiu notável honraria e reconhecimento e foi ordenado pastor. A escola deu apoio para uma viagem para visitar lugares mais importantes. Na solenidade da ordenação o diretor afirmou que na historia da instituição foi o primeiro ano com alunos tão notáveis como W. Wask.
Ele foi reconhecido e apoiado pela igreja, foi dito que se ele trabalhar em outra igreja vão continuar intercedendo a Deus por ele. O periódico Kristigais Draugs (O Amigo Cristão) fez ampla cobertura jornalística sobre o evento.
A força das intercessões deram a eles, na igreja e no ensino os caminhos mais convenientes, felizes retornam ao lar, na Letônia.
Participaram no Congresso da Aliança Batista Mundial, em Berlim.
Anuncia seu noivado com Selma Klansielin (???) e assume o pastorado em Piltene! Desejo a ele felicidades com as bênçãos de Deus!

Arvido Wask me escreve que trabalha na igreja da foz do rio Daugava como pastor. Descreve as qualidades excepcionais da sua noiva; após 6 meses terminará seus estudos de medicina; na época Se São João (24 de junho) estarão casando. Mandam uma fotografia de ambos, ela simpática e séria, simples e distinto vestuário e em seu peito bom coração e alma!
Para ambos meus votos de felicidades:
I ~Coríntios 13 e outros
Em 28 de fevereiro recebi uma fotografia do Wilis (Wask) com Selma! Wilis com um olhar para o futuro, como será a grande tarefa no campo de trabalho espiritual na igreja de Piltene e redondezas e também na sua futura vida matrimonial?
Em contrapartida, Selma com sorriso sincero olha para o futuro confiando nas bênçãos de Deus que serão ricas, a estas considerações acrescento meus sinceros votos de felicidades. Em 15 de maio recebo um simpático e amável convite ao seu enlace a ser realizar em data de 01 de junho de 1935 às 18 horas na Igreja Batista de Wentspils.
Com os melhores votos embora minha velhice não permite. Desejo uma avalanche de bênçãos e felicidades em sua vida matrimonial é a minha súplica a Deus. Seu retrato está permanente na escrivaninha, na noite da solenidade toquei (violino?) em sua homenagem.
Eles, na alegria e satisfação do momento não deram, certamente atenção a minha música!
A distancia e a velhice nos separam, na glória nós nos veremos.
Fui convidado pelo irmão C. R. Andermann a ser mensageiro e viajar à Letônia como enviado pelos batistas letos do Brasil para representar junto às comemorações do Jubileu, dos 75 anos dos batistas da Letônia, levar a mensagem de saudação de todos os batistas letos do Brasil. A mim como o mais idoso dos batistas, regente de coro bem que seria interessante, porém para a missão foi destinado o Pastor J. Inkis e mandei, por escrito as minhas saudações. Deus guarde a Letônia!

Em 26 de maio do ano de 1935, a Igreja Batista de Urubici me incumbiu para saudar a Igreja Batista de Varpa em 24 de junho, com o que eles também comemoravam os 75 anos de existência dos Batistas letos.

PREZADOS IRMÃOS E IRMÃS, IGREJA BATISTA DE VARPA!

É maravilhoso e louvável, como a maior Igreja Batista Leta no Brasil decidiram comemorar os 75 anos de existência da comunidade batista leta, lembrando as difíceis lutas, objetivos claros, fé inabalável e firmeza! Suportar o desprezo, as humilhações, ridicularizações, pressões, cadeias e prisões, até um crime (?) e assim mesmo permaneceu junto à clara e santa convicção: “Eu amei a Cristo” e nós só podemos exclamar: o espírito de desapontamento dos velhos tempos. Quando as primeiras testemunhas estavam com armaduras; vocês convidaram a nós a participar dessa solenidade.
É difícil, devido à longa jornada a participar desta festividade. A Igreja me incumbiu em saudá-los e desejar uma caminhada cheia de bênçãos, elevar-se em santidade, as alturas do Monte Tabor!
Minha saudação está em Hebreus 11, onde o apóstolo levanta alto os heróis da fé. Assinalei no Verso 27 as últimas palavras onde Moises se firmou naquele que era invisível, como se fosse visível.
Nossos antepassados testemunharam e se firmaram naquele que é invisível como se fosse visível e do qual recebiam forças e vigor para suportar as suas lutas chegamos a Ele e na glória nós os encontraremos.
Nos nossos registros
O espírito dos antepassados
Ao trabalho e lutas
Teríamos novo entusiasmo
No cumprimento do dever da igreja
J.Frischenbruder.

MINHAS VIAGENS E EXPERIÊNCIAS

Desejava conhecer as redondezas de Bom Retiro, meu bom vizinho cedeu seu cavalo e carroça. Meu amigo Leopoldo assumiu a condução. No mês de março o tempo estava bonito, mas meu coração danificado. Às 11 horas saímos. Os familiares temiam que não suportaria a viagem. São 43 kms. Estrada montanhosa, a estrada serpenteando entre as montanhas. Durante duas horas de subida e outras duas na descida, a última etapa, morro e planícies. Em Santa Clara e Bom Retiro, fizemos uma parada. As 7 da noite, felizmente chegamos à casa do meu amigo, onde fui recebido amavelmente como se fosse um pai. Durante a noite dormi bem, sábado pela manhã encontrei um panorama agradável. Na noite passada fomos visitar um vizinho onde reside à noiva do meu companheiro de viagem. Pessoal amável e simpático. Todos adventistas. Assisti a um de seus cultos. Escola sabatina e o culto demorou quase 3 horas, rígida organização. Contribuições em dinheiro e conhecimento bíblico são os principais assuntos. Na hora do almoço, trocamos idéias sobre o assunto do sermão, uma senhora comentou sobre o comportamento inadequado dos jovens. Não devemos constranger os jovens. Após o jantar ainda na casa do vizinho ainda amáveis conversas e música. Durante a noite tive um sono reparador. Domingo pela manhã, em toda a redondeza todos estão em seu trabalho, às 10 horas deixamos a bela paisagem e voltamos para casa. Pelo caminho encontramos bom numero de automóveis, mas nossa condução, o cavalinho, não se assustou. Conversei o tempo todo com o meu companheiro sobre seus predicados e a vida cristã. As 7 da noite felizmente chegamos em casa. Graças a Deus.

OS RESULTADOS DA VIAGEM

Na mesma casa onde nós nos hospedamos, o casamento da Alice para o qual também fui convidado. No dia 19 de março pela manhã às 8 horas catorze pessoas no caminhão deixamos Urubici. Tempo bom todos cantam alegremente, estou sentado junto ao motorista, atrás, manifestação alegre e divertida.
Em um vilarejo a condução para, os jovens desembarcam, uma senhora me pergunta se estou bem, respondi que estou bem. Perguntei o porque de toda a alegria, ela respondeu que todos estavam com ameaça de enjôo. Após uma hora de viagem o veículo adentra o local do evento. Fomos amavelmente recebidos, pequeno repouso e almoço, a mesa estava posta, rica com diversas comidas. Tive a oportunidade de ocupar o assento junto a um dos pastores com quem conversamos sobre os tempos remotos, sobre pessoas que já repousam na eternidade.
Após pequeno repouso, teve inicio a cerimônia do casamento. Foram cantados vários hinos. O acima citado pastor em longo sermão levanta a questão: porque Deus ao criar a mulher tirou uma costela e não a cabeça ou os pés. Explicação: a costela esta perto do coração para amar seu marido e ele a sua mulher, se tivesse tirado dos pés, ela seria submissa, se da cabeça estaria acima do homem e poderia governá-lo. Mas da costela, junto ao coração, para que ambos amem um ao outro.
Cantam vários hinos, ouvimos as promessas, juntam às mãos, ajoelham-se, o pastor põe as mãos sobre as cabeças dos nubentes e com uma longa oração roga pela felicidade na vida matrimonial.
Após um hino muitos usam da palavra para apresentar poesias e votos de felicidades.
Fiquei deveras satisfeito com a ordem do cerimonial, em seguida a mesa do café repleta de guloseimas depois seguiam brincadeiras e muita música, onde meu violino entrou em cena.
Outro dia às 11 horas do dia chegamos felizes de volta em casa, graças a Deus.

VIAGEM AO RIO NOVO

No dia 17 de abril Deus maravilhosamente me proporcionou um dia ensolarado quando eu e meus companheiros de viagem deixamos Urubici e prosseguimos a caminho de Rio Novo. A viagem foi boa; ao anoitecer descemos as montanhas eretas e pedregosas onde é impossível andar a cavalo, o percurso de uma hora e 20 minutos me fatigou, mas felizmente chegamos ao sopé das montanhas. A noite soprou um forte vento e a cama dura. Ao despertar estava com tonteiras, mas na manhã seguinte estava bem. Por diversos caminhos, bons e maus à noite chegamos em casa. Lua cheia com sua luz prateada iluminava toda a natureza, montes e vales, fui recebido amavelmente pelos meus familiares, pois ainda estavam despertos apenas a Martinha e o Samuel dormiam docemente. Após o jantar e algumas trocas de palavras dirigimo-nos as camas macias recuperar nossas forças. Também pudera!
Não está quem meu coração amava…
Manhã de sexta feira santa, bela e dourada manhã. Percebo ainda a fadiga da viagem.
Após o culto doméstico e o café da manhã, vesti-me e mergulhado em velhas recordações fui à igreja.
Sol escaldante, dirigi-me primeiro ao campo santo, o suor escorre pelas faces, ao entrar pelo portão e ao chegar aos túmulos dos meus familiares, as lágrimas misturaram-se com o suor. Lá repousa aquela a quem meu coração amava. Os pensamentos vagavam pelo passado, pelo presente e pelo futuro. A manhã da ressurreição, qual prateada e dourada manhã. Lenta, silenciosa e ondulante sons do hino:
Cidade Celestial que bela
Ruas de ouro que reluzem
Junto a Jesus me reporto
Por Jesus anseia meu coração
(tradução livre)
Detenho-me em silenciosa prece e em seguida deixo o campo santo.
Neste momento tem inicio o culto, com algum ainda me cumprimento. Sou possuído de divinos sentimentos ao lembrar os tempos e os dias quando o Salvador da humanidade morre na cruz pelos pecados de todos. O pequeno coro canta com vigor que é regido pelo meu genro. O sermão: Cristo envergonhado, manhã de Páscoa, o tempo uma beleza. O culto com muita sinceridade é conduzido pelo meu genro, e em seu pronunciamento fala do alto significado da alegria e felicidade que temos porque na ressurreição de Cristo isto é possível.
Transmiti as mais sinceras saudações à igreja e fiz votos e desejei a mais profunda paz e alegria da Páscoa e expressei minha alegria pelo cuidado de Deus. Pois confio na sua palavra quando ….. esta viagem, não temas nem te espantes Crônicas 23.13 ?????
Desejei encontrar-me com irmãos e irmãs, embora esteja residindo a certa distancia, mas assim mesmo, esta é minha Igreja, sou um dos seus fundadores, minhas forças tenho usado para seu progresso, e como seu membro quero morrer.
Mais duas vezes usei da palavra, recebi amáveis cumprimentos e apertos de mão.
A alegria da Páscoa, a amável acolhida de irmãos e irmãs, me alegraram bastante.
No segundo dia da Páscoa (segunda páscoa, costume dos letos NT), houve o culto de missões. À tarde, acompanhado de meu neto, fui a Orleans.
Em Orleans algumas rápidas visitas. À noite fiquei na casa do meu amigo Willis Feldman e família onde fui amavelmente recebido como um pai. Durante a noite conversamos longamente sobre assuntos religiosos, lembramos os nossos primórdios no Brasil.
No terceiro dia da Páscoa, viajei para Mãe Luzia, cheguei tarde da noite. Minha sobrinha estava me esperando, me tomou pela mão e me conduziu para sua casa. Janes está beneficiando arroz. Após uma breve conversa fui dormir. Dia seguinte surpreendi o Oscar e Lisinha???? Com a nora Laura, as crianças reuniram-se ao meu redor querendo doces, o filho não estava em casa. Janes me conduziu até meu sobrinho Júris. Surpreendi a todos como caído do céu.
Após um repouso de duas horas, a noite um banho de sauna, em seguida o jantar. Uma conversa agradável e pernoite agradável. Pela manhã cantamos e oramos a Deus implorando a sua proteção, pois não sabemos se ou quando nós nos veremos outra vez. Júris me acompanha até o irmão Klava, conversamos sobre as dificuldades, as lutas da Igreja e desejos por um tempo melhor. Com o Oscar e Lisinha ???? um saboroso jantar com o irmão Zigismundo (NT – Andermann) tivemos longas conversações sobre a vida religiosa, suas necessidades e falta de santidade!
Depois de tantos problemas é difícil conciliar o sono.
Tomamos o café da manhã na casa da nora (Laura?) e chega o Juris, o filho ainda não chegou de viagem, despeço-me de Janes, Anna, Oscar e Lisinha e do irmão Zigismundo.
Aguardo a condução e continuamos conversando, chega o automóvel, lotado, chega o segundo e arranjei um lugar e ai chega o meu grande filho. O tempo é curto, então falamos apenas o necessário e despedimo-nos com um abraço carinhoso.
O automóvel corre a grande velocidade. À noite na composição ferroviária chegamos a Orleans. Visitei a idosa titia “Grüntal” que já passou dos 80 anos. Em Riga, ela quando jovem cantava no coral sob minha regência, era uma boa corista, lembrava bem aqueles tempos. A velhice, fraqueza, o ocaso da vida se aproxima. Separamo-nos para o reencontro na glória eterna.
Pernoitei outra vez na casa dos Feldman. Amáveis conversações noite adentro até a exaustão. Dia seguinte visitei o sr. Galdino Guedes com quem conversamos sobre as dificuldades da vida como melhorá-las. O almoço foi na casa dos Balod. Despedi-me dos Feldman, com bons propósitos na vida secular e religiosa. Fiquei mais alguns dias na casa do meu neto em Rio Novo.
No domingo fui convidado dirigir o culto em Rio Novo, li o Salmo 103 e a oração sacerdotal de Nosso Senhor. Deus me deu forças para falar bem e o culto foi bom.
Mais algumas visitas com exaustivas conversas, na ultima noite dormi apenas duas horas. Sai a cavalo de madrugada, com o semblante triste, mas com o coração em paz até a vista.
À esquerda esta o campo santo, onde repousam os meus queridos, à direita a igreja onde tanto trabalhei, caem algumas lágrimas, mas sigo a viagem adiante.
No lugar combinado, um número de 14 mais meia dúzia de acompanhantes. Uma família inteira esta de mudança com todas as suas coisas também seus animais. Também um casal de noivos ele com 38 anos, ela 18, pelo que originou muitas brincadeiras. A viagem, dois dias, bastante difíceis e significativos, pelo que renderia uma longa descrição. No entanto, sexta feira às 8 horas bastante fatigados, mas felizes chegamos. Graças a Deus pela misericórdia e direção!
Após algumas palavras fomos ao repouso. Em novembro do ano de 1897 junto com um jovem percorri este mesmo caminho. Em duas horas de descida das montanhas e uma noite negra nos cobriu em plena mata bruta, onde havia animais silvestres, bugres, homens da mata, o caminho uma estreita picada.
Temos que ficar onde estamos, enquanto um cochilava o outro montava guarda as duas vaquinhas que levamos para tirar leite. Eu pedi a Deus a guarda, nós trocamos a vigilância e pedíamos a Deus. Deus nos guardou maravilhosamente dos espantos noturnos, animais selvagens e mãos de malfeitores. Graças a Deus! No mesmo dia tarde da noite chegamos em casa, onde nossos queridos nos aguardavam.
No dia da Ascensão fomos ao piquenique em data de 30 de maio. Por motivo de dolorosa amargura, consegui dormir por poucas horas. No entanto, na volta do piquenique conversei com irmãos sobre a boa estabilidade da Igreja e vida consagrada. Graças a Deus!

UMA TRISTEZA NÃO TERMINOU OUTRA JÁ COMEÇOU

Escrevo com tristeza. Em 20 de junho do ano de 1935. Indesejáveis e dolorosas acusações tomaram meu sono, repouso, me causou um estado de insônia. Na noite de sábado tive um sono perturbado. No domingo estava com dor de cabeça, estava preocupado com algum problema cerebral. No santuário dificuldade em falar em público. Após o almoço, escrevi uma carta. Chega a minha adversária, a nossa boa empregada que me agrediu com extrema violência verbal ao ponto que chorei como uma criança. Ela para dialogar comigo, mas no que expôs não recuou nem concordou eu disse a ela: você tem duas naturezas, uma boa e agradável e outra má, a boa deve melhorar e a má crucificar. Ela retirou-se sem qualquer solução… minha mente sentia-se mal, sono nem pensar. Consegui dormir uma hora e pouco, despertei como do sono da morte.
Sinto-me mal, coração lento e grande desalento, a mão esquerda fria e com dormência, também a perna, respiração fraca. Meu quarto, separado, pensei a morte quer me levar e tenho tanto trabalho por terminar. Deitei e falei com Deus: Tu vês os meus trabalhos inacabados. Estou nas tuas mãos. Se tu desejas que eu os termine, então me dê o restabelecimento. Estou a tua disposição, ao teu chamado. Em silencio recitei o verso do hino:
Eu sei em quem tenho crido,
Que meu redentor vive
E do sono da morte
Me despertará.
Após curta prece entreguei-me nas mãos de Deus. Eu te verei – Jesus meu salvador, na glória celeste junto com os meus que lá estão. Eu não chorava mais grossas lágrimas desciam pelas minhas faces.
Próximo da alvorada dormi mais ou menos 1 hora. Durante o dia não tive sono, um pouco de chá, ao meio dia um pouco de alimento, dormi por 3 horas em sono profundo. Deus ouviu minha prece e me devolveu a saúde, em sua misericórdia me concedeu o restabelecimento e todas as noites dormi bem.
“Tu tens muito o que fazer ainda não podes repousar. Glória a Deus pela sua misericórdia que a mim mostrou: Ó Deus me ajude também daqui para frente…”
Na noite de 28 de julho tive um sonho! No sonho ouvi um grande som, como de trovão. Uma voz desconhecida dizia: o sinal da besta aparece no céu!
Outra voz desconhecida disse: o Senhor vem!
Tudo isto aconteceu atrás de mim. Voltei meu olhar para trás. Vi o céu muito vermelho, e duas aberturas, como duas janelas. Pensei, o Senhor vem! Uma grande multidão onde percebi minha velha casa, no limite vi minha esposa ela empurrada pela multidão, cai, eu a levantei pela mão. Vejo que estou na nossa casa. Minha vontade era receber o Senhor junto a minha casa. Aí ouvi a voz do meu sogro: ainda não, mas em breve virá o Senhor (Jesus). Olhei para o céu, estava com nuvens cinzentas, onde estavam as duas aberturas estavam avermelhados, acordei, não estava assustado e nem surpreso. Meu coração e mente estavam em plena paz. Falei com Deus, refleti e adormeci.
Este sonho para mim foi um incentivo e me alegrou em confiar e esperar a vinda do Senhor.

Após duas semanas
Subi por uma escada em um amplo, branco e iluminado salão. Em um dos lados dormia uma mulher coberta de branco, perguntei se a mulher é a Alvine? Atrás de mim, minha neta respondeu: sim, é ela, e acorde.
Vi, alguém me deu um pedaço de moeda. Perguntei onde conseguiste, ele mostrou uma pequena elevação coberta levantei a coberta e vi um brilhante pedaço de moeda. Cobri a moeda e disse, venha e veja! Quando levantei a coberta outra vez, vi a frente da igreja dourada e brilhante. Jesus Cristo com veste dourada e coroa na cabeça e um longo bastão na mão. Despertei. Pensei, o primeiro pedaço de moeda é minha alma, ainda bastante impura, mas quando Cristo me levar até a presença do Pai, mas brilhante do que ouro, sem culpas e arestas esta é a minha clara esperança.
Por volta do meio dia, voltava da lavoura, entrei no depósito, subi na balança, queria saber o meu peso, a balança se moveu ameaçando tombar, me segurei como podia, sentei, chamei o Alfredo, trouxe água, após a queda fui lentamente ate meu quarto onde fiquei deitado por algumas horas.
Na manhã seguinte na hora do café, sentado a mesa percebo que estou caindo para o lado, aconteceu por três vezes. Estranha sensação, a cabeça sem problemas, tudo claro, mas quando ereto a tendência é cair. Sinto-me fatigado e tenho que repousar.

SETE DE JANEIRO DO ANO DE 1937

No ano passado tive muitas experiências amargas, remeto as ondas do mar do esquecimento… no dia do ano novo, à noite e só pedi a Deus, chorei, quem sabe se este não será meu ultimo ano neste mundo de tristezas. Confio na poderosa mão de Deus.
Hoje 16 de janeiro bela leitura, eu te ajudo diz o Senhor em Isaias 41.14. Anoto que: 16 de janeiro do ano de 1929 convivi com um triste acontecimento. No ano de 1934 fui atingido por um doloroso acidente. Mas neste ano, graças a Deus não tive nenhum mal.
No ano de 1936, só Deus sabe! Se o ano de 1937 ainda estarei neste mundo ou estarei em casa junto a Deus e aos meus. Ensina-me a andar segundo a tua vontade, pois tu és o meu Deus – Salmos 143.10. Seja para mim bondoso e me ajude nas dificuldades guarde minhas forças, console nas tristezas.

16 DE JANEIRO DE 1936 – URUBICI

Comecei o ano de 1935 segundo a descrição da eleição do cônsul da Letônia, a imigração da Letônia e chegada ao Brasil e Rio Novo como primeira colônia leta fundada e sua permanência por 42 anos, seu desenvolvimento e depois seu lento aniquilamento e outros fatos históricos, este trabalho exigiu bastante esforços…
Também os trabalhos na edificação exigiu minhas forças e ao terminar o trabalho mais uma vez meu velho coração e as vertigens se manifestam com maior intensidade do que antes.
Mais uma vez, eu mesmo sou culpado, não poupo os meus velhos esforços. Utilizei novamente úteis recursos e durante meses trabalhei sem muita atividade e não podia ser pior. As vertigens diminuíram, atividade do coração esta melhor, se melhorar ainda mais ou vai declinar? Estou nas mãos de Deus! Deus dará para mim o que Ele desejar.
Em 23 de junho, será ainda longa a minha vida?
Junto a Deus quero me manter!
14 de fevereiro de 19????
Papus

Nota do Revisor:
Existem informações e datas que estão ilegíveis.
Favor ajudar na confirmação das faltantes.

Para onde foram os Letos de Rio Novo ? | Opinião da “Bacia das Almas” por Paulo Brabo

Horizonte perdido • na Bacia das Almas

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Horizonte perdido
Posted: 14 Nov 2015 12:28 AM PST
SONDRA. Ah, como eu queria que o mundo inteiro viesse para este vale!
CONWAY. Se acontecesse ele não permaneceria um jardim tranquilo por muito tempo.
Os protagonistas de Horizonte Perdido (1937), de Frank Capra, falando sobre Shangri-Lá

Uma pessoa singular nos pode revolucionar a vida, mas essa em geral é uma transação que leva tempo. Uma comunidade singular – o encontro com uma cultura e com uma solução de convívio diferentes das que conhecemos – tem potencial para nos derrubar e desarmar imediatamente.
É por isso que a literatura e a experiência recorrem com tanta frequência à metáfora do deslocamento como iluminação, e que o traçado do nosso crescimento interior pode muitas vezes ser desenhado a partir dos nossos relatos de viagem. Em parte saímos de onde estamos porque decidimos finalmente crescer, em parte crescemos porque finalmente saímos de onde estamos.
Grandes viajantes como Joseph Conrad, Jorge Luis Borges e Richard Francis Burton encontraram no trato com diversas culturas as ferramentas de empatia e de lucidez que se refletem em sua produção literária. Os profetas de Israel só foram aprender a compaixão no exílio, longe de casa, e no exílio intuíram que se Deus era para ser realmente grande não podia ser tribal como eles vinham acreditando: um Deus grande tinha de ser universal, e universalmente preocupado com a justiça social.
Viajar coloca em grande risco a rigidez da alma. Não é de admirar que, num mundo em que a experiência de deslocar-se poderia ser muito mais frequente e factível do que jamais foi, continuemos a inventar artifícios técnicos e legais que dificultem a experiência para todos. Não é de admirar que recebam permissão para deslocar-se com maior frequência pelo mundo somente aqueles que foram treinados para não se deixar iluminar pela experiência: militares e capitalistas.
Nada destelha a alma de modo mais radical, nada recalibra mais irreversivelmente o nosso giroscópio interior, do que sermos submetidos a um lugar em que a matéria-prima mais familiar e mais barata de todas, o ingrediente do ser humano, gerou como produto final uma cultura e uma comunidade diferentes daquelas a que estamos habituados.
Encontrar gente que vive de modo diferente tem o potencial de nos revelar, pela dádiva da perspectiva, o que até aquele momento permanecia oculto sobre o nosso mundo e sobre nós mesmos. A perspectiva cultural pode revelar a gente calejada o quanto o ser humano é maleável, e em alguns casos nos dará de volta o sonho de sermos maleáveis nós mesmos.
Quando caminhamos, o horizonte perdido pode em alguns casos ser recuperado.
Urubici: uma vida legítima
Ao longo da vida creio ter tido quatro grandes epifanias antropológicas, encontros equalizadores com sociedades em que o ingrediente familiar do homem encontrou modo de fabricar uma vida fora do comum – uma vida além e acima do que eu tomava não só por usual, mas do que tomava por possível.
A primeira dessas experiências aconteceu quando eu tinha oito ou nove anos, e meu pai levou-nos para passar as férias em Urubici, na serra catarinense. Aparentemente eu, minha mãe e minhas duas irmãs deixamos claro o nosso desagrado diante da ideia de desperdiçar o tesouro das férias num lugar que àquela altura não nos dizia nada, ainda mais que nos cabia a tarefa maçante de visitar (e, como acabou acontecendo, ficar na casa de) gente que só o meu pai conhecia.
Naqueles dias eu ainda era capaz de me enganar, porque ficou provado que eu estava muito errado tentando me manter longe de Urubici e dos amigos do meu pai. Ao longo das décadas fiz na verdade o que pude para corrigir com frequência essa distância.
Santa Catarina é por si só uma província singular, e não só por ter sido (mais do que qualquer outro estado do Brasil) esculpida por levas mais ou menos recentes de imigrantes europeus. Santa Catarina teve sua paisagem rural inteiramente desenhada por pequenas propriedades em vez de grandes – condição que muda a face de tudo mais do que a mão estrangeira dos colonizadores, e é pelo que sei única no Brasil. E essa cultura particular veio emoldurada por uma beleza natural intensa, variada e peculiaríssima.
Essas particularidades vinham todas acentuadas em Urubici, uma cidadezinha definida por uma reta impossivelmente longa ladeada por casas de sítio que subiam muito satisfeitas em direção a morros relvados crivados de macieiras. Essa rua comprida nascia no centro oficial da cidade, ao sul, e encontrava perpendicularmente no norte, quilômetros de sítios depois, a linha do rio Canoas, patrocinador do vale mais bonito e mais fértil que meus olhos já tiveram ocasião de beijar. Essa configuração geral era interrompida aqui e ali por outros vales cavados por rios de menor porte, sendo que o efeito era de tirar o fôlego: vales e esquinas de vales, rios e encontros de rios, matas de araucária e matas subtropicais, pastos reluzentes, várzeas férteis cintilando hortas verdíssimas, molduras de montanhas e molduras de cascatas, promontórios de verde e curvas de água crepitante, pontes pênseis longas e estreitas que vacilavam entre os pés da gente e correntes cristalinas, cercas de madeira que abraçavam pomares e jardins, pés-de-serra meio revelados pelo sol e meio ocultos pela névoa – e, tanto na cidade quanto nos sítios, casas de madeira infundidas da beleza, da legitimidade e da personalidade que os sonhos e os contos de fadas reservam para palácios.
Essa paisagem assombrosa, a meio caminho entre o vale alpino e a vereda tropical, era bela de um modo cru, penetrante e imediato que eu jamais havia experimentado e jamais voltei a encontrar.
Porém a beleza natural do lugar não foi o que me desnorteou em Urubici. Havia as pessoas, meu caro, as pessoas e seus modos de vida, e sobre eles seria necessário escrever volumes.
Chegando a Urubici ficamos no Hotel Andermann, onde dormimos sobre assoalhos de madeira e debaixo de acolchoados de pena enormes, brancos e pesadíssimos, mas no dia seguinte fomos arrebatados dali para a casa de amigos que se tornariam imediatamente e ao longo dos anos família, a nossa família em Urubici: Seu P., Dona C. e seus filhos.
Como resumir os nossos dias nessa casinha atracada entre macieiras? Meu amigo, a abundância de hobbit que experimentamos ali. Os pães, os bolos, os biscoitos, o toucinho do céu, as compotas, as tortas de maçã, o mel e a nata, o suco de ameixa vermelha. As refeições, a conversa, as risadas, o piquenique no alto do morro, a paisagem do Avencal, as maçãs do pomar – maçãs que eram tão abundantes que com elas vi alimentarem-se os porcos. Eu, Paulo Brabo, nesta vida e neste universo, derrubei aos porcos mais de uma baciada daquelas maçãs pequenas e ácidas, aquelas que me agradam mais do que todas as outras e que só voltei a encontrar no vale do Serchio décadas depois, porque simplesmente superabundavam e a Dona C. não permitiria que se estragassem e me deu essa incumbência, e os porcos davam testemunho de apreciá-las tanto quanto eu.
Aquela primeira casa do Seu P. e da Dona C. ficava do lado do pasto da casa do Mano, em cujo paiol a moçada vinha jogar pingue-pongue depois do culto de domingo à noite, depois de atravessar a pé o pasto escuro debaixo de um céu imaculado de estrelas. A meio caminho entre a porteira e a casa do Mano o caminho passava entre duas araucárias enormes, colunas de um templo romano em ruínas ou em construção. Atrás da casa uma muralha de mata e por trás dela uma curva resplandecente do Canoas, precisamente onde pesquei o meu primeiro (e único) lambari.
Com exceção do Seu P., que trabalhava numa oficina de motores na cidade, todos os amigos do meu pai que fomos conhecendo viviam na roça e da roça. Havia o caro Z., sua esposa Dona I. e seus três filhos, custódios da curva mais bela do mais belo dos rios que me atravessam a vida. Na varanda atrás da casa do Z. aguardava uma maravilha da graça e da engenharia: um tanque que se elevava do chão até a altura dos quadris e vivia cheio da água mais pura, sendo alimentado sem pausa – dia e noite aquela embaraçosa dádiva – pela água que descia do morro vizinho por um aqueduto suspenso feito de meias taquaras. Em 2009, quando fui a Urubici pela última vez, o tanque ainda estava lá, e o mesmo Z. lavou naquela água alguns pêssegos antes de estendê-los na minha direção.
Havia o Seu G. e a Dona M., que moravam mais longe da cidade e num lugar mais elevado. Três porteiras depois da estrada principal um retângulo de cerca se elevava da relva, a cerca abraçava um jardim e o jardim abraçava a casa de madeira de G. e M.
Naquela casa comi o melhor almoço da minha vida (temos até uma foto em algum lugar, preciso lembrar de rastreá-la), nós cinco e a família de G. e M. dispostos ao longo de uma mesa inteiramente tomada de ofertas culinárias, as paredes ao nosso redor repletas de prateleiras, as prateleiras repletas de compotas.
Atrás da casa o morro continuava a subir gentilmente e lá do alto, quando a elevação finalmente dava lugar à descida da roça, descortinava-se a mais cinematográfica vista do vale: as oscilações gentis dos contrafortes do morro no lado oposto, e lá embaixo o rio e a guarnição larga e plana de sua várzea fértil, inteiramente pontuada de plantações e pequenas propriedades.
Aquele foi o meu primeiro contato com gente da roça, e minha impressão não poderia ter sido mais vívida e duradoura. Eu não saberia articular isso desse modo naquele tempo e quase não consigo fazê-lo agora, mas naquelas pessoas havia de um lado uma dureza e de outro uma doçura e uma gentileza que eu jamais imaginaria serem capazes de viver juntas em meros mortais. Se me tivessem dito esses são os seres humanos originais, aqueles que você conheceu até agora são cópias funcionais, eu não encontraria como contra-argumentar.
Todas as pessoas que conhecemos em Urubici (essas que mencionei e tantas outras; outros cafés em casas de fazenda e outros jantares na cidade) tinham algumas coisas em comum. Primeiro, eram todos descendentes de imigrantes da Letônia. Muitos deles, como meu pai, tinham subido a serra em busca do clima mais ameno de Urubici (910 metros de altitude e cercada por morros muito mais altos) para escapar do calor da Colônia Leta do Rio Novo, no município de Orleans (130 metros de altitude e tremendamente quente).
Eram ainda todos amigos entre si, tendo a relação intermediada pela religião batista e pela etnia. E, ainda mais extraordinário, eram todos amigos do meu pai, que com dezoito anos de idade tinha se mudado de Rio Novo para Urubici, onde foi aprendiz de mecânico por algum tempo antes de tentar (e de conseguir) a vida em Curitiba. Ver tanta gente singular tratando meu pai como amigo interpretei como um claro e inesperado brasão nobiliárquico. E eu que até aquele momento acreditava que ele era um cara comum: meu pai fazia secretamente parte da nobreza e só fui descobrir entre seus amigos em Urubici.
Da perspectiva dos anos não encontro nada que condenar na minha admiração pelos modos de vida que encontrei no vale do Canoas e seus protagonistas. Ao contrário: eram pessoas vivendo uma solução de convívio extraordinária num lugar extraordinário – e, claro, achavam que tudo aquilo era muito comum.
Não creio ter entendido isso de modo completo naqueles dias, mas os nossos amigos de Urubici me transmitiram uma impressão de selvagem independência. Eram gentis e generosos, mas ao mesmo tempo implacáveis. Seu aperto de mão informava que não podiam ser domados.
Em retrospecto, é muito compreensível que se sentissem independentes. Tanto na cidade quanto no sítio, os urubicienses àquela altura dependiam pouco do mundo exterior. Um ou outro tinha televisão (creio que, naquela primeira viagem, nenhum) e telefone. Em suas casas o que vinha de fora eram coisas como utensílios, ferramentas, lâmpadas, livros, remédios, algumas roupas e em casos extremos uma geladeira. Todo o resto era provido por eles mesmos ou por produtores locais.
O pão que se comia era o que se fazia em casa, e o mesmo valia para doces, geleias, compotas, sucos, biscoitos, tortas e bolos, manteiga e nata. O mel, o leite, a carne e os ovos eram produzidos para consumo doméstico ou traficados entre vizinhos. A mesma regra – consumo local da produção local – valia para verduras, frutas e hortaliças. O pessoal do sítio trabalhava duro na roça não para ter o que comer, mas para com a venda da produção ganhar o dinheiro que comprasse o que não se podia produzir localmente. Viviam no século vinte com a integridade de colonos de um filme de faroeste.
Não tenho como condenar o Brabo de nove anos de idade por concluir que caminhava entre semideuses. Aquele modo de vida vinha imbuído de uma legitimidade vital que não vi replicada no sertão do nordeste, na Itália ou na Austrália, embora tenham esses lugares cada um a seu modo contribuído para arruinar o meu cinismo essencial.
Às vezes suspeito que meu pai levou-nos a Urubici naquela ocasião para que pudéssemos admirar devidamente a façanha que foi ele ter conseguido sair daquele lugar: algo tipo vejam de onde eu saí e olhem onde eu cheguei. Meu pai, a própria imagem do self-made man, é muito capaz de ter pensado nisso.
Se era essa a sua intenção, no que me diz respeito o tiro saiu pela culatra do modo mais formidável, e ao longo dos anos meu pai foi entendendo isso. Incompreensível para mim, desde o primeiro instante, era alguém ter escolhido deixar aquele modo de vida para trás. Eu o queria adiante de mim.
Foto: Ramperto
Este relato foi postado na Forja Universal em 28 de maio de 2014

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