Isso é moda entre os letos | Artur Leiman a Reynaldo Purim

Escuela Teologica Bautista
Dean Funes N° 652
1° Piso
Buenos Ayres
Argentina

25 de agosto de 1919

Querido amigo,

Que o Senhor esteja convosco e que você esteja passando bem.

Já faz bastante tempo que recebi as suas cartas; Não sei se as respondi; se não, – perdon. Como qualquer outro seminarista, quase não tenho tempo para tanto.

Estou muito satisfeito por saber que estás passando muito bem; graças a Deus também estou muito bem, tanto com o aprendizado como com a saúde. Tu afirmas que não se sentes completo em seus conhecimentos, mas entendo que nem todo conhecimento gera um coração sábio e eu no momento eu estou em paz comigo mesmo.

Quanto ao trabalho da Igreja posso dizer que vai “bastante bien”.

O meu pai me escreve de casa que as igrejas [de Rio Novo e de Rodeio do Assucar] foram coladas juntas, mas que não vão muito bem porque ainda há muita discórdia. O que vamos dizer? Isso é moda entre os letos.

Então me escreva alguma coisa interessante. Lembranças para vocês.

Seu amigo,

Arturs Leimans

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Um grande sucesso | Robert Klavin a Reynaldo Purim

[Cartão Postal]

Rio Novo, 16 de agosto de 1919

Querido amigo,

Quando cheguei em casa das Conferências tinham se acumulado muitas cartas para responder; [estive em] pelo menos uns oito lugares e por isso não posso descrever minuciosamente todas as viagens por falta de tempo. Da sua parte recebi uma carta e um cartão postal.

Depois da convenção o [Willis] Butler e eu viajamos para Curityba, onde permanecemos uma semana. Ali também foram realizados cultos à noite; na maioria dos dias o pregador foi o J. J. Soren, e foi um grande sucesso. Depois, na quinta-feira, ele foi embora para o Rio de Janeiro. Neste mesmo dia o Jekabs Klava embarcou para Porto União para visitar uma recém-fundada colônia leta, para ver como eles vivem por lá. Nós, eu e o Butler, descemos até Rio Branco perto de Bananal [hoje Guaramirim] para visitar aquela colônia leta e outras pelas adjacências, e ali nos demoramos uma semana. Por lá tivemos de ver como os pentecostais pulam e falam línguas. Na primeira oportunidade [escrevo] descrevendo melhor sobre diversos episódios interessantes da minha viagem. Em São Francisco [do Sul] tivemos que esperar pelo navio uma semana inteira. Chegando em Florianópolis tivemos a mesma sorte. Chegamos em Orleans no dia 14. Receba lembranças minhas.

Teu amigo,

Robert [Klavin]

O filho do italiano que comprou a terra do Limor | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 14 de agosto de 1919

Querido Reinold!!

Primeiramente receba muitas lembranças de todos de casa. Na semana passada recebemos as cartas do Arthur e da Luzija; se bem que não eram resposta a nenhuma carta, mesmo assim vou escrever para você.

Nós estamos passando suficiente bem. O tempo está fresco e bom, este ano não houve geadas por aqui. Só algumas pequenas nas baixadas. Este ano é bem provável que não haja mais geadas, pois está tudo verde, tudo florescendo, as laranjeiras brotando e todas as plantas cheias de abelhas que vão e vem com o zunido alegre e contínuo de uma primavera que chegou…

Tem muita gente derrubando capoeiras e matas para fazer coivaras onde serão feitas as novas plantações. Nós ainda temos milho para colher, e deverão ser gastos uns dois ou três dias neste serviço. O milho não deu muito bom, devido à seca quando estavam florescendo e depois as ventanias e temporais que derrubaram muito; mesmo as abóboras na Bukovina deram menos que nos outros anos. Todos falam que o milho deste ano não foi muito bom.

O açúcar nós já fizemos, como já escrevi na outra carta, e agora é época de plantar cana outra vez. Então trabalho é que não falta, pois o tempo das plantações chegou.

Você tem os seus trabalhos, mas não são os mesmos que os nossos. Onde vocês guardam a lenha que racham? Quem é o teu companheiro na serra para topiar a lenha? E o Fritz Janausks, tem alguma tarefa ou ele tem dinheiro suficiente para pagar a escola e não ter que trabalhar?

Os mensageiros que foram à Convenção, há 1 mês e ½, ainda não voltaram. Acho que eles estão aproveitando bem a oportunidade; uma vez que saíram, então por que não? Mas faz duas semanas que são esperados por aqui. Os navios não têm nenhuma regularidade, mas as vezes chegam e partem antes do dia marcado. Hoje está sendo esperada a mala postal e quem sabe também cheguem os viajantes. Eles foram, além de Kuritiba, também para Blumenau, então o Robert [Klavin] vai ter o que contar o ano inteiro. Pois esteve em lugares em que nunca tinha estado nem conhecido.

Desta vez não tenho quase nada de novo para escrever. É possível que eu logo receba resposta às minhas duas cartas, uma que mandei no dia 14 de junho e outra no dia 1 de agosto. Acho que você já as tenha lido.

Esta semana o filho do italiano que comprou a terra do Limor foi morar na choupana do Anton Netemberg, nos fundos da colônia deles. O Diretor da Empresa [de Colonização] começou dar uns apertos no Nepis [Netemberg], então toda aquele papo e grandeza foram água abaixo.

O Nepis tinha ido ao Diretor pedindo que ele desse uma autorização para que ele pudesse vender a propriedade, pois ele quer mudar para a serra, onde o trigo cresce maravilhoso e as vacas tem úberes nas costas e para tirar leite não se faz necessário se abaixar. Mas já tinha avisado que não ia dar leite para beber para todos. Somente para quem ele quisesse.

O Diretor não foi na conversa dele e avisou que uma vez quitada ele terá a liberação para vender para quem ele quiser. Mas como ele já tinha vendido a metade dos fundos, ele tem que se virar em 150$000, se não o italiano vai tomar tudo.

O Antônio e a Helena já estão morando junto dos velhos. O Jepis, um menino ladino, foi a cavalo até Mãe Luzia para se candidatar a genro do Akledames, pois ele queria a Lina, que tinha muita terra e muitas vacas, mas nada deu certo. Aí ele voltou para casa e recebeu novos conselhos do velho Gedus, para voltar a Mãe Luzia e fazer a mesma manobra com os Andermann, pois além da Pauline o velho tem muito dinheiro, e ele ficaria sensibilizado por um jovem de fora — mas lá recebeu também um “balaio” e todos os planos foram para o espaço.

Bem, por hoje chega. Noutra vez mais.

Com muitas e amáveis lembranças,

Olga

Practica na língua portugueza | A. B. Deter a Reynaldo Purim

[carta em português, apresentada na grafia original]

A. B. DETER
Caixa T
CURITYBA
ESTADO DO PARANÁ

Curityba, 14 de agosto de 1919

Presado irmão Renaldo:

A sua estimada carta veio hontem e vou lhe responder logo. Estou desejoso também que o irmão venha trabalhar aqui durante as ferias. O irmão tem pratica na pregação do Evangelho em Portuguez? Temos um bom numero de egrejas onde o irmão poderá trabalhar, se é possível fallar Portuguez. Não temos dinheiro para mais obreiros agora porem, se as egrejas como devem trabalhar, em dois mezes teremos algum dinheiro em caixa para auxiliar o irmão quando acabar o ano escolar em Novembro.

Em caso que o irmão não tenha muita practica na língua portugueza acho que será de grande proveito espalhar bíblias e tractados em nosso campo e poderei fazer uma combinação com a Casa Publicadora neste sentido. É um trabalho ativissimo e dá boa experiência para o Ministerio. Vou mandar-lhe o “O Baptista” como o Irmão pediu porem não lhe custará nada. Espero estar no Rio antes do fim deste mez e poderemos fallar do trabalho em nosso campo.

Do irmão na fé,

A. B. Deter
[Arthur Beriah Deter, pastor batista, missionário norte-americano no Brasil. Mais sobre ele neste link]

N. B. – Mandei vir o motor para a nossa lancha e vou mandar fazer o casco logo. Do mesmo A.B.D.

O irmão faço favor fallar com o irmão Portella em respeito das caricaturas no “O Malho”. Não tenho noticias dellas.

Sete chupetas | Artur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 14 de agosto de 1919

Querido irmãozinho!!

Eu recebi a tua carta escrita no dia 22 de julho no domingo passado. Muito obrigado. Eu realmente não estava querendo resposta, pois agora preciso responder. Se não tivesse recebido não teria que escrever!

Eu estou bem. Desta vez a Luzija não vai poder escrever. Ela está acidentada pois na noite de segunda-feira cortou o braço e agora carrega o braço numa tipóia pendurada no pescoço. Ela não pode fazer nada, então dirige os cavalos com as cargas das roças para casa. Agora ela está trazendo milho da Bukovina com três animais: o Traginim na frente e os demais atrás.

Agora, é muito ruim você não ter bastante laranjas para chupar! As laranjeiras estão cheias de laranjas e flores. Hoje eu já chupei sete chupetas.

[NOTA: “Chupetas” eram feitas com laranjas descascadas deixando-se a parte branca; abria-se um orifício em forma de cone invertido na extremidade inferior, por onde era chupado todo o suco.]

Agora não está havendo aulas porque o Butlers e o Robert ainda não chegaram. Quando as aulas vão recomeçar eu não sei.

Daqui há pouco vamos derrubar capoeiras. O Augge [Augusto Felberg] começou derrubar o capoeirão atrás de nossa casa. Vai ser bom, pois o sol pela manhã vai aparecer mais cedo. Chega desta vez, senão o que vou escrever na próxima vez?

Fico aguardando uma longa carta, sua. Com lembranças,

Arturs