Será porque eu também não escrevo | Artur Leimann a Reynaldo Purim

Buenos Aires
Argentina
Ecuador 952

Júlio, 24 de 1920

Querido Reini no Brasil,

Eu já faz um bom tempo que não tenho escrito nada para você. O último livro que você enviou já recebi faz bastante tempo, mas fazer o quê. Enquanto estou dependurado por uma forte gripe estou me aprontando para os exames, e atravessando este fogo de provação o tempo passou despercebido.

Teria muito o que escrever contando as novidades e os planos para o futuro, mas é uma pena que o tempo não permite. No que se refere aos exames, eu passei muito bem até agora. Agora estou aprontando material para outro.

Você está também amargando este forte e desagradável inverno? Tem dias que não tem outro jeito a não ser ficar embaixo das cobertas e enfrentar os livros.

Por exemplo, no dia 13 deste mês teve uma razoável tempestade de neve e o dia inteiro soprava um forte vento de mais de 50 klm por hora (desculpe el borrón) [havia um borrão de tinta na palavra “klm”] e com isso empurrou todas correntes do Plata para dentro do oceano. Toda a cidade ficou sem iluminação e os bondes ficaram todos parados, enfileirados e aos montes. No porto os navios ficaram no raso e tombavam e é uma pena que por causa da gripe e dos exames eu não pude ir ver. Preferi ficar com as minhas lições e meus exames do que sair e deixar o dever pela metade. Não faz mal.

Não sei o que tem acontecido no Rio Novo porque ninguém me escreve. Será porque eu também não escrevo?

Bem, no começo eu queria voltar para o Brasil mas aqui também há necessidades e muito trabalho. Acho que não vou voltar não. Aqui também há grande necessidade de obreiros.

Não me lembro o que você tinha me perguntado na sua última carta e sobre o que querias que eu escrevesse, mas espero de qualquer modo satisfazer a sua grande curiosidade com que escrevo, se realmente tens tanto interesse por nós aqui.

Receba lembranças do teu companheiro e camarada nas lutas,

Arturo Leimann

Argentina

Buenos are, tani Bohblé

Nota: Cuando escribes mi dirección, ponga simplesmente
SÑR i no Illmº. – pues todos me tomam en farra. Please?

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Capinar é uma vida de ouro | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 22 de julho de 1920

Querido Reinold!

Primeiramente mui amáveis lembranças de todos de casa. A tua carta escrita no 22-6-20 recebi no dia 20 de julho — se bem que o navio veio para Laguna logo depois da carta ser despachada, assim mesmo ela demorou demais. Fazia tempo que estávamos esperando aquela carta que recebemos dia 23 de junho e para a qual mandei resposta no dia 4 de julho. Recebemos um pacote, mas neles não havia nada escrito.

Fico muito aborrecida que as minhas cartas não tenham chegado. Então parece que são duas as minhas cartas que estão perdidas: aquela que escrevi pela ocasião da Festa de Pentecostes [em leto “Festa do verão”] com muitas notícias sobre a Convenção e as conferências e muitas outras coisas, e mais a carta da Luzija.

Nós estamos passando bem. O tempo está muito instável: uma hora está bom e logo em seguida pode estar chovendo. Duas semanas atrás deu uma geada bastante grande até aqui em casa. A roça da mandioca perto da ponte a geada matou, mas em outros lugares permanecem verdes. Noutra manhã já choveu. Semana passada estava realmente tudo encharcado e ainda por cima muito frio.

As estradas tinham sido consertadas pela comunidade, mas logo em seguida, com esta aguaceira toda, começaram a chamar nossa linda estrada de Kuilhu kalna/o morro dos porcos, diante de tanta lama que tinha aqui na nossa frente.

Agora esta semana já enxugou bastante. O milho ainda não está todo colhido. Logo vamos começar a fazer o açúcar. A geada não afetou a cana mas os bichos [graxains, cachorros do mato e outros] estão estragando muito e por isso vamos cortar.

Sobre o Rio Novo não tenho nada alegre para contar-te. Domingo passado foi o último domingo em que o Butler dirigiu os trabalhos. À noite foi a despedida oficial, e apesar da chuva e de estar tudo molhado, a igreja estava literalmente tomada de gente.

O Butler deu bons conselhos e orientações sobre como proceder e apresentou vários planos como alternativas que são plenamente viáveis; é só ter vontade de executá-los. Disse ainda que tem aprendido não olhar nem se influenciar por pessoas negativas que acham que nada vai dar certo e que tudo que é apresentado é ruim. Ainda bem que são poucas estas pessoas e que é para olhar para frente e trabalhar.

Também bem disse que em Rio Novo existem pessoas que se preocupam mais com o crescimento e bem estar de seus cavalos, com seus porcos do que com os seus filhos. O que eles vão ser quando crescerem? Pessoas irresponsáveis que serão a desgraça para a comunidade.

O Butler disse que voltaria [para o Rio Novo] no momento em que não pudesse mais falar. O médico que o está tratando tem dito que capinar ervas daninhas numa colônia como Rio Novo é uma vida de ouro. O Butler vai verificar como a saúde dele vai se comportar em Kuritiba, e se por acaso piorar dentro de um ano é possível que esteja de volta.

Para cuidar do velho ele deixou a Anlise, porque a Kate não vem mais. O milho deixou colhido, as cercas em ordem e o gado ficou todo.

Na quarta-feira, dia 21 de junho, o Butler foi a Orleans e na quinta-feira embarcou para Imbituba, onde se o navio demorar vai realizar diversos cultos. Quando os mensageiros da convenção ficaram retidos lá depois de partirem daqui, todas as noites realizaram cultos.

Os trabalhos da igreja aqui serão dirigidos pelo comitê. As sessões regulares serão dirigidas pelo W. Slengmann. Domingos à noite, pelos jovens. Os grandes e bons planos feitos por ocasião da Convenção foram esquecidos pelos que eram contra, mas não por todos.

Domingo que vem vai haver sessão de negócios e vamos ver o que será resolvido o assunto da Grande Campanha. O Comitê é inteiramente favorável ao pagamento das cotas de contribuição combinadas, mas não sei se vai agradar a todos.

Sobre a Convenção já escrevi bastante e agora já não tenho o que escrever. Tive a oportunidade de ver estas pessoas realmente importantes que se mostraram tão simples quanto nós. Tínhamos a imagem de pessoas orgulhosas e inacessíveis, mas estávamos errados.

O Watson gosta de contar experiências e fatos. Falando sobre os doze espias de Israel que foram avaliar a terra de Canaã, disse que foram interrompidos no momento que atravessavam o Rio Novo lá na barra. O Butler mandou eles lavarem os pés, pois estavam entrando em Terra Santa.

Na Convenção todos falavam em brasileiro. O Butler traduzia o que era mais importante. Pode ser que tenhas lido “O Baptista”, lá está impresso tudo que foi resolvido aqui. O Antonio Cordeiro não veio.

Por hoje chega. Aguardo longas cartas tuas sobre o que você fez nas férias. O que você conversou com Karlos?

Os jornais falavam de grandes eventos programados para estas férias. Gostaria que você escrevesse se deu tudo como estava previsto. O Arthurs não levou em conta a pressa em responder àquelas muitas perguntas e questões que você passou para ele.

Fico aguardando uma longa carta sua.

Olga

Sciente | Onofre Regis a Reynaldo Purim

[Original em português, apresentado na grafia original]

Estação de Braço do Norte, 13 de julho de 1920

Ilhno Sr Reynaldo Purim
Rio de Janeiro

Prezado irmão em Crhisto.

Saudações

Com muito prazer acuzo o recebimento de sua prezada carta de 11 de Maio p.p. de cujo conteúdo estou sciente.

Como deve saber, em Maio p.p., tivemos a nossa 2ª Convenção na nosso Egreja em Rio Novo, onde passamos ali uns dias bem espiritual reunidos aos convencionistas e irmãos etc.

Depois disto, já fui alli para tratar de assumptos de alta importância com relação ao Missionario para essa zona, que, ao meu ver Deus está chamando sem perca de tempo.

Nosso Pastor o Dr. Butler, vai nos deichar retirando-se para Curytiba em vistas disto estamos insistindo com o Irmão Deter, mandar-nos o Irmão Manoel Virginio.

Domigo p.p. esteve aqui o Irmão Butler, que veio despedir-se e também pregar os seus esclarecimentos da Palavra de Deus, tereiá muita gente se o tempo não fosse tão chuvoso como foi, acompanhado de uma grande friagem, enfim Deus nos dará melhor opportunidade.

Em vista da sua informação com relação a sola, já mandamos por intermédio da casa Hoepcke de Florianopolis, um rolo com 20 metros como amostra para ver se convem mandar mais ou continuar a mandar. No entanto ficamo-lhe agradecido pela sua boa vontade.

Terminando desejamo-lhe muitas bençam de Deus para que lhe dê boa saúde e muita sabedoria nas cousas boas para que as anuncie, e aceite lembranças de todos desta casa e receba um saudoso abraço do

Seu irmão em Jesus

Onofre de Paula Regis