O PASTOR KARLIS ANDERMANIS – IGREJA BATISTA DE RIO NOVO -1905 –

O PASTOR KARLOS ANDERMAN

1ª PARTE

DEPOIMENTO APRESENTADO POR JULIO ANDERMAN UM DOS SEUS FILHOS
Autor: Julio Andermann
Datilografado por Laurisa Maria Corrêa
Revisado por Viganth Arvido Purim
Material cedido pelo Autor: Sr. Julio Anderman

O meu pai Carlos Andermann e minha mãe Emilia Kanzberg Andermann, junto com um casal de filhos, em 1905, emigraram da Letônia para o Brasil, com destino a uma Colônia que se estabeleceu em Rio Novo, nos arredores de Orleans e Lauro Muller em Santa Catarina. Sua missão era pastorear a Igreja Batista e de professor da escola primária.

Antes disto, o meu pai ainda solteiro, fora mandado pela Sociedade Missionária Batista Leta para Palestina a fim de cercar, naqueles lugares santos, os peregrinos russos em território neutro e pregar o Evangelho para eles que lá iam buscar graças e pagar penitencias, por que no Império Russo, ao qual pertenciam os paises Bálticos, não se permitia proselitismo religioso fora do recinto das igrejas.
Então o meu pai criou um estilo pessoal de abordar aqueles turistas individualmente ou em pequenos grupos, cativar o seu interesse e transmitir a mensagem da salvação. Esta maneira missionária de evangelizar depois ele empregou durante toda a vida.

Era um homem culto. Podia se comunicar em inglês, alemão, russo e por fim no idioma português. Sabia grego e lia fluentemente em hebraico, que havia aprendido o seminário para interpretar melhor as escrituras.
Naquele tempo os Batistas estavam começando a evangelização na Letônia, como também no Brasil, apoiados pelos recursos das Sociedades Missionárias americanas.

Letônia era eminentemente Luterana e aquela denominação tradicionalista nos seus cultos usava mais ou menos os mesmos ritos da igreja Católica. Cantavam os velhos corais de Bach; a maioria dos seus membros visitava a Igreja quando eram batizados, quando casavam, batizavam os filhos e por fim, no próprio funeral.
A preferência pela religião Luterana foi à conseqüência da colonização da Letônia pelos Junkers alemães que a ocuparam depois da Reforma e independentemente de qualquer opção pessoal do povo que passaram a dominar, mandaram batizar todos e depois os pastores doutrinavam insistindo naquelas idéias que facilitavam a servidão – a vinculação do homem a terra e obediência aos seus senhores. Não foram convertidos e por isto continuavam na vida mundana com todos aqueles excessos de vícios e maus costumes, que transmitiam as novas gerações.

Então vieram os Batistas com aquela teoria da Salvação, entoavam aqueles hinos brilhantes do Ira D. Sankey magistralmente traduzidos para o idioma Leto e aquela gente que cantando nasce, cantando cresce e cantando leva à vida – foi sensibilizada e não há outro meio mais eficaz de chegar-se à alma humana do que através dos cânticos harmoniosos, rítmicos e bem entoados.

Mas o entusiasmo dos evangelizadores Batistas tinha ainda outro motivo de insistir nesta conversão, por que a religião Ortodoxa, a oficial da Rússia naquele tempo tinha uma conotação de obscurantismo, do qual a maior expressão foi o monge Rasputin, infiltrado na família imperial. Então os crentes acompanhavam o seguinte raciocínio:
“Se nos grandes países tais como Inglaterra e América do Norte, onde”.
predominavam os Evangélicos com a sua moral havia prosperidade
e abundância, então também o mujique, através da luz do evangelho,
poderia fazer surgir na Rússia aquele progresso espiritual e “material”.

Durante a sua estadia na Palestina o meu pai tinha estudado Teologia num Seminário Teológico Luterano alemão situado numa Missão na Palestina, por que ainda não havia este curso na Letônia.

Era músico, poeta, escritor. Escreveu um livro sobre a Palestina intitulado “Terra de onde emana Leite e Mel” do qual não sobrou nenhum exemplar.

Escolhido pelas características da sua personalidade para aquele trabalho permaneceu na Palestina por 4 anos, de onde mandou também reportagens para a imprensa e teve de deixar aquele posto por que contraiu uma febre maligna, razão pela qual retornou para a terra natal.

Minha mãe Emilia Kanzberg Andermann era filha de madeireiro, homem grande, forte, querido das mulheres, dado a bebida e a dança do sabre e outras extravagâncias.
Ela possuía uma bela voz que me fez lembrar a da Janete MC Donald. Apaixonou-se por aqueles lindos cânticos, converteu-se ao evangelho, foi batizada, mas, por que contrariou a opinião doutrinária Luterana de seu pai, foi expulsa de casa e deserdada. Mudou-se para Riga, foi acolhida pela Comunidade Batista, trabalhou e fez um curso noturno de Administração do Lar – com noções de medicina, primeiros socorros e parto. Sabia identificar pelos sintomas, as doenças endêmicas tais como: crupe, sarampo, coqueluche. Gerou 6 filhos, sendo 3 homens e 3 mulheres, que todos cresceram e alcançaram a velhice, com exceção do Teófilo, que faleceu nos Estados Unidos.

Os meus pais casaram na Letônia onde tiveram dois filhos, os outros quatro nasceram no Brasil. Enquanto ainda na Letônia o meu pai cooperava com a Junta Batista como missionário itinerante a minha mãe o acompanhava implantando escolas dominicais.
Quando ele contraiu pneumonia provocada pelos rigores do clima nórdico, para facilitar a sua convalescença num clima tropical, a Junta Missionária Batista o mandou, junto com a família para o local que já foi mencionado.

Vale dizer que na mesma época, somente um pouco antes também veio para o Brasil como Missionário o Pastor Klavin designado para Ijuí no Rio Grande do Sul, o pai do eminente professor e médico Dr. Alexandre Klavin, diácono recentemente falecido, da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, que era nosso parente afastado.

Muito bem! Então a família do meu pai cruzou o Oceano numa viagem de vapor até Laguna, de lá pegou o trem da Estrada de Ferro D. Teresa Cristina até Orleans e depois num carro de bois foram levados para o novo lar em Rio Novo.
Vizinha, distando cerca de 12 horas a cavalo, havia uma outra colônia Leta de Mãe Luzia onde também havia uma dezena de famílias, que às vezes se visitavam. As terras destas colônias eram pouco férteis e ficavam longe da civilização.
A aventura desta imigração consistia em duas motivações:
1ª a espiritual: ٠formar um grupo de Batistas coeso onde uns eram vizinhos dos outros sem a interferência de doutrinas estranhas para abalar a fé;
٠evangelizar os habitantes da terra para convertê-los a doutrina Batista com mesma finalidade que tiveram na Rússia, evangelizar as mentes no intuito do progresso material.
2ª a material: ٠posse e ocupação de uma gleba de terra em seu nome que pudesse ser transmitida por herança aos filhos, aspiração impossível na Rússia.
O meu pai veio com a dupla missão: – ser o professor da escola primária para alfabetizar os filhos dos imigrantes; ser o Pastor da comunidade Batista. A minha mãe cooperaria na organização da escola dominical e ajudaria na prestação de primeiros socorros em virtude dos seus conhecimentos de medicina; fazendo partos, na ausência de uma outra alternativa melhor.
A Igreja Batista Leta do Rio Novo estava edificada na encosta de uma elevação [Ao pé da encosta e não na encosta] onde em cima havia o cemitério da comunidade.
Descendo do Templo uns 20 metros adiante para uma ravina havia uma fonte de água cristalina que jorra até hoje [Eram bem menos de 20 metros, talvez uns dez metros. Era chamado de “Avotin” isto é a pequena fonte. No meu tempo tinha sido feito um muro de pedras onde tinha sido introduzido um tubo de ferro de aproximadamente 1. ½” por onde a água escorria de uma altura de 50 centimetros. Também eram de pedras o leito e as calçadas de ambos os lados onde a água caia. A parte superior era fechada com uma grande pedra chata. Aos domingos era trazido um copo para uso comunitário e que se destinava a mitigar a sede dos seus membros] e também para lavarem os pés, calçarem as meias e os sapatos que traziam pendurados no pescoço enquanto vinham descalços pela estrada enlameada que destruía o calçado [Era sim pela economia, mas também pela dificuldade de andar no pântano, a pronúncia era sem o acento. Pois se alguém arriscasse a enfrentar lamaçais de palmo ou mais o calçado ficaria preso no fundo. Naquela época não existiam as botas “Sete Léguas”.]. Faziam isto para assistir ao culto dominical descentemente trajados e com os pés calçados. Terminado o culto e depois o ensaio do coro que duravam até as 14 horas, descalçavam os sapatos, davam nó de laçada nos seus cadarços, penduravam-nos novamente no pescoço e voltavam para as suas casas.
Era uma medida de economia que acabava saindo caro por que a anquilostomose, verme que penetrava pela planta dos pés e depois se localizava no intestino, trazia uma doença que se chamava “amarelão” deixando as vítimas exangues e até matava; isto antes do Monteiro Lobato ter escrito o “Jeca Tatu” e Rockfeller destinar uma verba para a erradicação desta moléstia no Brasil.

O meu pai como Professor deve ter sido muito eficaz. Lembro-me que um ex-aluno me contou que havia aprendido com ele a calcular na cabeça a grande tabuada que se destinava à multiplicação de fatores de dois dígitos.

Não tenho nenhuma notícia sobre o pastoreio do meu pai exercida naquela Igreja por mais de cinco anos. Creio que com o passar do tempo ele foi esmagado pela frivolidade daquela congregação e não era para menos, pois todas as horas do dia eram poucas para cultivar aquelas terras magras que se esgotaram com as primeiras colheitas. Com a chuva o solo ficava lamacento por que por baixo havia uma camada de carvão de pedra, conforme foi descoberto mais tarde e então era necessário duplicar o esforço para arrancar dela os meios de subsistência para uma existência digna, posto que aquele solo era impróprio para ser arado e assim tudo era plantando a custa de ferramentas manuseadas pelo braço humano.
Desta época na minha memória ficou guardado um sonho que o meu pai contou várias vezes. Neste sonho ele viu um homem pálido pregando no púlpito daquela Congregação Da Igreja Batista de Rio Novo, mas todos aqueles membros cujos nomes ele mencionou, mas que o tempo apagou da minha memória, estavam distraídos conversando entre si não lhe dando a mínima atenção.
Então o homem pálido que pregava naquele sonho lhe dissera: “Este mundo se acaba e a eternidade se aproxima e esta gente não quer ouvir falar de Jesus Cristo e tu Carlos, vai e diga isto para eles”.

Foi naquela época que começou a expandir-se pelo mundo a doutrina de Pentecostes, vindo até o meu pai da Alemanha e dos Estados Unidos e ele se deixou se empolgar por aquela doutrina que vinha divulgada em revistas artisticamente ilustradas em cores e impressas em papel da melhor qualidade. Em tese eles insistiam que na Trindade Divina o maior peso devia ser dado ao Batismo pelo Espírito Santo; Pentecostalismo do qual o meu pai passou a ser maior divulgador pela tradução daqueles textos.
Destacou-se principalmente a doutrinação de uma tal de Emmy Mc Pherson, uma senhora muito bonita nos retratos, que muito especialmente empolgou o meu pai. Ela era uma grande líder da seita nos Estados Unidos onde possuía um gigantesco templo. Anos depois li nos jornais a noticia de que ela havia sumido. Surgiu a hipótese de seqüestro para extorsão de um resgate por que a seita tinha muito dinheiro, mas em noticiário posterior ficou esclarecido que na realidade ela fora encontrada num Balneário em companhia de um playboy, viciada no uso da morfina.

Certamente o meu pai contou aquele sonho na Congregação e foi mal interpretado, insistiu, não foi atendido desligou-se da Congregação Batista e mudou-se com a família para a Colônia Leta do Rio Mãe Luzia, não mais como Pastor Batista e Professor, mas como inflamado divulgador do Pentecostalismo [É uma pena que os historiadores que escreveram a história da igreja Assembléia de Deus não mencionem este fato].
Continua…

Agradeço a Gramática Inglesa que você me mandou.| De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1925 –

(Outra carta sem indicação do ano)
Rio Novo 19 de junho

Querido irmãozinho! Saudações!

Eu recebi a tua carta escrita em 16 de maio já há bastante tempo e por ela muito obrigada. Eu já poderia ter escrito a resposta antes, mas agora não mais estamos indo toda semana para Orleans, porquê a manteiga não é bastante para vender e dai a gente também não vai ao correio toda semana, você não vai tomar por mal eu ter feito esperar então agora vem à compensação porquê terei mais notícias para relatar e provavelmente a Olga também escreva e assim você terá bastantes coisas para ler.

Agradeço pela Gramática Inglesa que você me mandou. Recebi no dia que eu mandei a carta escrita no dia 23. Você já a recebeu? Você me pergunta como eu estou indo com os estudos. Eu realmente para estas coisas não tenho tido oportunidade de chegar perto, pois durante o dia inteiro trabalho na roça e a noite ou eu fio a lã ou teço meias. Este ano as meias estão bem valorizadas, pois os negociantes em Orleans estão pagando 4$000 o par e outros lugares estão ainda mais caras.

Recebemos os medicamentos que você enviou através do Vitor [Vitor Stawiarsky] e por elas muito obrigado. Este portador não tivemos chance de encontrá-lo, pois ele foi embora muito rápido. Quando fomos procurar, ele já tinha ido embora. Estes remédios ainda não foram utilizados e por isso pedimos que por agora não mande mais porque a Olga está agora se tratando com remédios indicados pelo Stawiarsky [Etienne Stawiarsky ] e por não poder misturar tudo pedimos que não fique gastando o seu dinheiro com remédios e para as suas próprias despesas poderá ficar sem dinheiro nenhum.
O tempo agora está chuvoso e toda semana ficou nublado e esta noite está chovendo forte. Agora os atafoneiros que moem o milho para fazer fubá não podem reclamar de falta d’água para movimentar as atafonas e também a nossa calha [Uma calha escavada com enxó goiva em troncos de palmito Jussara, sustentado por forquilhas, trazia água de uma nascente para próximo da casa] começou a correr maior quantidade, pois até a pouco mal pingava. Geadas tem havido em algumas manhãs, mas aqui elas não queimaram nada.

A festa do piquenique [Não pudemos inferir a que feriado se refere este piquenique] caiu em um dia chuvoso, tinha pouca gente. A tia Maisin antes da Festa esteve em Mãe Luzia e na volta trouxe consigo o Arthur Abolin sobre o qual já escrevi algo na outra carta. Ele ainda está por aqui. Ele tem a fisionomia semelhante ao Alex Klavin, muito parecido mesmo. Agora ele está hospedado na casa do Willis Slengmamm . Ele tem dirigido diversos cultos na igreja, muitas pessoas estão muito interessadas e acham que ele não deve ir embora antes da volta do Stroberg e outras pessoas já acham que não vale a pena ficar ouvindo. As suas prédicas são longas e se o relógio não bater as 12 horas, ele não saberia a hora de terminar. Os sermões não tem um título ou texto base. Um é igual ao outro. A chamada é sempre a mesma é que nós os escolhidos temos que orar mais em busca da plenitude do Espírito Santo, nós temos que estar vigilantes etc. Somente não prega o arrependimento ou conversão dos pecadores, as mensagens são sempre as mesmas: que o tempo da misericórdia está chegando ao fim e que os escolhidos devem se aprontar para a chegada de Cristo. Você escreve que soube que os pentecostais estão fazendo propaganda, eu pelo menos sobre línguas estranhas não tenho ouvido, pois é possível que eles têm estas manifestações em suas próprias casas porquê na igreja eu nunca vi.

Na 1a. Festa do Verão [Ascensão do Senhor cai no verão no hemisfério norte] dia estava muito chuvoso, mas na 2a. da Festa [Oitavas da Ascensão do Senhor] o tempo estava esplêndido e ouve um longo programa quase toda constituída de hinos e músicas. O dirigente foi o Abolin. O programa começou às 10,30 horas e terminou às 3 horas da tarde. Gente tinha bastante e também tinha vindo bastantes brasileiros de Orleans, mas para estes não foi lido nenhum texto nem cantado nenhum hino, como eles chegaram assim eles foram, viu como é, em outros lugares aqui ninguém vai pregar, e aqui eles vieram, mas nem assim, mesmo as pessoas que poderiam fazer algo nada fizeram e ninguém quer nada com nada.

Na semana passada recebemos uma carta do Andrejs, ele escreve que mandou uns papéis e desenhos para sua construção. Você os recebeu? O Jahnites agora está em Riga trabalhando com um sapateiro e aguardando oportunidade para entrar num Seminário. Eles próprios dinheiro não tem, mas esperam alguma vaga livre ou bolsa de estudos com o Freij [Líder Batista da Letônia] ou com o Fetler [Outro líder batista da Letônia], mas como nós aqui acompanhamos tudo o que acontece lá pelo “Kristiga Draugs” [O Amigo do Cristão – Publicação religiosa da Letônia] percebemos que o Fetler não tem escola nenhuma. Ele anda viajando e coletando dinheiro e planejando abertura de um Seminário ou uma Escola Superior. Os nossos parentes sempre tiveram o Fetler em alta conta e ainda hoje acreditam piamente no que ele diz.

Os remédios para “mal da terra” [Ancilostomíase] ainda não recebemos, mas é possível que estejam no correio em Orleans.

Bem por hoje chega de escrever e é possível que você não tenha tempo de ler e se esta carta chegar enquanto você tiver ido a “Chautaqua” [Acampamento Anual Batista] então ai mesmo que você vai demorar mesmo a ler esta carta devido ao seu muito trabalho.

O genro do Farmacêutico é o Jorge Moures e ele próprio quer te escrever.

As tuas lembranças foram entregues a todos. A senhora Klavim está quase totalmente recuperada. Escreva bastante para mim dizendo como estás passando.

Muitas lembranças de todos de casa e eu disse no começo que os demais iriam escrever também, mas todos ficaram com preguiça e nenhum quer mais escrever.

Assim fico aguardando longa carta de resposta.
Luzija

…que nossos parentes não vão gostar, |De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 30 de abril de 1922

Querido Reini: Saudações!!

A tua carta escrita na Sexta feira Santa eu recebi no dia 21 de abril. Este veio rápida, pois levou somente uma semana. Obrigada! Foi também na Sexta feira Santa que recebemos a tua carta escrita no dia 31 de março. Os demais escrevedores mandaram cartas no dia 21 de abril e eu não mandei nada porquê já tinha mandado uma no dia 12 de abril.

Na Sexta-feira Santa aqui o tempo esteve bom igual lá no Rio de Janeiro. No Domingo da Páscoa já estava nublado e choveu um pouco. O tempo aqui está este ano mais chuvoso e na semana passada estava desagradávelmente encharcado e aborrecido. Então hoje está um tempo bom e quente e pode ser que daqui em diante comece a melhorar e não chover tanto. Este ano choveu sem conta e já há muitas espigas de milho apodrecidas e se continuar vão, apodrecer muito mais.

Pelo Rio Novo não há quase nada de novo. No próximo mês estão sendo esperados o Deter e o Karlos Leimann. Pode ser que cheguem já na semana que vem, mas isso a gente não consegue saber o certo, pois o meio de transporte para as viagens não são estas coisas Quando eles chegarem vai ter festa aqui no Rio Novo para eles, pois coincide que é no mês de maio que o Deter vem para o Rio Novo, pois já vai fazer dois anos, pois no ano passado ele esteve nos na América do Norte, então não veio, mas agora ele vem.[Ele tinha estado em Rio Novo há dois anos atrás]

Na carta passada eu escrevi sobre os nossos parentes que querem vir para o Brasil. Algumas pessoas aqui recebem de lá de Riga o “Kristiga Balss” [A Voz do Cristão, jornal publicado em Riga] e lá está escrito que vem muita gente de lá isto é mais de mil pessoas.

O Matis Feldbergs de Nova Odessa tem escrito para o Frischembruder que o governo de São Paulo vai trazer estes letos com as despesas por conta do Estado. E que Inkis e o Malvess já estiveram vendo estas terras. Onde eles querem levar os letos é bem no interior de São Paulo, logo acima da divisa com o Estado do Paraná, bem dentro da floresta virgem e muito longe mesmo pois a passagem de trem de São Paulo até lá custa mas de 50$000. Então por ai você pode perceber que nossos parentes não vão gostar, pois eles tanto falam no grande encontro da família e se forem para lá não vai dar.

O próprio Inkis tem dito que os letos não vão gostar, pois é uma área completamente desabitada e como sobreviver num local tão sem qualquer ajuda do Governo Brasileiro. Se os nossos parentes pudessem vir para cá, seria muito melhor.

Desta vez chega, pois não tenho mais tempo, pois tenho que ir ao ensaio do Coro da Juventude e amanhã ir para a cidade. Com muitas lembranças de todos. Desculpe a pressa, mas ler você vai conseguir. Olga.

[Obs. O resultado deste movimento de Imigração foi A implantação em pleno sertão da Colônia Varpa e da Comunidade Evangélica Palma no Município de Tupã]

Família de Fritz Malvess, 1891

Família de Fritz Malvess: Fritz e Anna (esposa) e os filhos Olga, [?], Fritz e Julius.

Esta foto foi tirada em 1891 na cidade de Riga, na Letônia, pouco antes da viagem da imigração da família para o Brasil.

Olga Malves casou-se com Simpson; depois que ele morreu casou-se com o Jahnis Klavin, da qual foi gerada esta grande família Klavin. Julio foi alto funcionário do Governo de São Paulo e foi ele quem cuidou das Colônias de Nova Odessa, Varpa e outras.

Clique na imagem abaixo para ampliar.



Cortesia de Brigita Tamuza, de Riga, na Letônia.

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