Viagem de Porto Alegre até Rio Novo -Orleans em 1906

VIAGEM MISSIONÁRIA AO SUL DO BRASIL

POR FREDERICO LEIMAN
Avots (A Fonte) 1906/17, pág. 202

Neste ano (de 1906) em 16 de outubro a escola de Missões de Porto Alegre terminou seu longo curso. Após o término do ano letivo, estávamos destinados a campos já pré determinados, decidimos tirar alguns meses junto aos nossos pais para repouso e preparo para as próximas atividades. Em 17 de outubro o irmão J. Netenberg e eu encetamos uma viagem cujo percurso por terra é de 60 milhas (132 km) a pé, pesadas malas nas costas. Logo no primeiro dia o trovão, que chorava todos os dias lágrimas geladas, todas as estradas encontravam-se alagadas e que umedecia nossas roupas, pele e também o coração.
De vez em quando tínhamos que prosseguir com lama acima dos joelhos e até mais fundo em planícies alagadas, passamos 3 noites na chuva e vento, até que enfim nos alimentamos, 2 ½ dias andamos pela beira mar sem qualquer alimentação; pés inchados e carga pesada aumentou e por duas vezes caí em condições de desmaio.
Com os últimos esforços, após 9 dias de viagem chegamos a “Araranguá”, onde ficamos por alguns dias. Dirigimos alguns cultos. Que alegria – uma alma aceitou a salvação!
No ano de 1898 o irmão Kronberg e sua família veio morar aqui. No ano de 1901 chegaram mais algumas famílias de letos, com 7 crentes, os quais todos os domingos se reuniam para o culto.
Em 7 de maio de 1905 os crentes se reuniram para um trabalho conjunto e fundaram uma igreja que agora se compõe de 10 membros.
No que concerne à vida material o povo daqui é bem servido, mas na vida religiosa sofrem grandes dificuldades. Faltam pastores ou dirigentes de igreja e faltam escolas para os jovens.
Irmãos e irmãs devemos interceder por esse pequeno grupo, que no seu primórdio é suscetível de perseguições, devemos lembrar as palavras de Nosso Senhor Jesus “não temais ó pequeno rebanho, porque vosso pai agradou dar-vos o reino” Lucas 12.32
Dia 31 de outubro deixamos os letos de Araranguá e a noite alcançamos Mãe Luzia. Aqui ficamos a semana inteira, cada dia 2 celebramos 2 cultos e o Senhor no recompensou com ricas bênçãos.
A igreja foi fortalecida, alguns caídos levantaram e 3 almas herdaram a salvação. A pequena igreja leta se compõe de 20 membros e com alegria podem dizer: aqui reina o amor fraternal, e um vivo e verdadeiro cristianismo.
Com quem pesar este pequeno grupo sente a falta da liderança de um pastor e professor, mas lembremos a eles “Não temais, crê somente!”
Mais 2 ½ dias de andança estaremos em casa, mas o nosso coração ouviu algum chamado da Macedônia, e adentramos algumas milhas em um desvio de nosso caminho, a uma grande colônia composta de alemães, ( deve ser Crisciuma) onde o puro evangelho nunca havia sido pregado.
Conseguimos licença para utilizar um grande salão para realizar as reuniões, o povo compareceu em grande numero de perto e de longe, o espaço foi pequeno para a multidão. Quando tivemos trabalhado durante uma semana, junto a algum ouvinte começou a uma séria atividade do Espírito Santo.
Os recursos não permitiram permanecer por mais tempo: ao separarmos caíram muitas lágrimas dos ouvintes; eles imploraram para que os visitem novamente.
Agora diretamente de Mãe Luzia a Rio Novo – para casa. No último dia nos encontrou o trovão, ou por alegria ou inveja, porque estávamos próximos ao fim da viagem, chorava com suas grossas lágrimas. Os rios alagaram e ficaram intransponíveis e nos ficamos embebidos tão profundamente que só os letos sabem suportar. Passando a cavalo pela escola do Rio Novo encontramos o irmão Anderman, que havia dispensado os alunos para o recreio no jardim para exercícios físicos, com a ferramenta agrícola brasileira, ou seja, a “enxada.”
Quando finalmente após longa permanência distante, tantas dificuldades no caminho, cansado a morrer, sem ser notado, estava eu parado diante da casa paterna, o coração em pranto, os olhos marejados com lágrimas de alegria e gratidão ao Pai do Céu, que tão misericordiosamente nos conduziu.
No domingo teve um sincero reencontro com a nossa “mamãe” – a igreja. O irmão Anderman em nome da igreja discorreu sincero pronunciamento com base em II Timóteo 2.
À noite a mocidade programou um ágape, onde contamos uns aos outros nossas vivencias que o Senhor nos proporcionou de bom.
No que se refere à vida material em Rio Novo tem andado a passos gigantescos para frente, cada um possui sua propriedade, ninguém se queixa por necessidades.
Na parte religiosa com a vinda do irmão Anderman que exerce a função de professor e serve a igreja com dedicação as responsabilidades da igreja estão em dia; se os Rionovenses entendessem, que quanto a sua paz e verdadeira felicidade servem e permitissem que o Espírito Santo introduza seu amor e boa convivência, então Rio Novo seria para si e a redondeza como Betania ou Tabor, onde qualquer um visitaria com satisfação.
23 de março de 1906
Frederico Leiman
Missionário

Pelas montanhas e vales do sul do Brasil, conclusão

continuação da parte 6

7

Bendito seja o Senhor! Segunda-feira. Ao alvorecer do dia estamos despertos e com saúde. Preparamo-nos para a caminhada. Degustamos o café da manhã. Dirigimos nossas preces a Deus e com sinceros “adeus” nos apressamos pelo mesmo caminho de volta. Na noite do dia seguinte estávamos no meio dos nossos parentes.

Verifiquei que a Igreja Batista Leta trabalha com eficiência. Aos domingos pela manhã a mocidade, com os demais, inclusive as crianças, estão alegremente no culto. Cantam, aprendem, oram a Deus e, terminado o seu horário, ficam com toda a igreja para juntos ouvir do evangelho.

Alguns irmãos desenvolvem trabalho missionário junto ao povo brasileiro. Promovem cultos na cidade de Orleans e cantam em português. Aqui podemos dizer, como o Senhor disse: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho… sofreste e tens paciência e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.” Pelo estatuto interno da Igreja que julgue o Senhor, que observa, o reconhecimento a quem de direito.

Preparamo-nos para ir a Mãe Luzia. Lá serão celebradas as festividades de inauguração, dia 6 de setembro. A Igreja de Rio Novo recebeu um convite para comparecer e participar com mensageiros, octetos e solistas. O convite finaliza: venham como puderem.

Nestas condições tive vontade de visitar Mãe Luzia. A igreja me concedeu poderes de mensageiro, outros irão conforme suas condições. O octeto estava em condições de viajar para o evento.

Os meios de transportes eram diversificados: [alguns iam] com caminhões, a cavalo, outros de trem. Foi-me recomendado que fosse de trem: se chovesse poderia ficar no caminho. Acompanhei então o irmão Zeeberg, que viajou com sua esposa. Estes também foram amáveis companheiros, que tudo conheciam e sabiam mostrar e contar.

Viajamos até a cidade de Tubarão, onde desembarcamos e aguardamos seis horas enquanto chegava à outra composição, que nos levará ate Mãe Luzia. Agora nos sobra tempo para visitar o irmão Osch, ver a cidade e seus arredores. A cidade é bonita, plana e com terra fértil, junto à barranca do rio, com ruas calçadas e rico comércio.

Estamos novamente na estação ferroviária. A composição chega: encontramos o pastor Stroberg, vindo de Rio Branco, junto com uma jovem. É uma professora, convidada pela Igreja de Rio Novo para lecionar para as crianças [NOTA: Emília Zickmann].

Neste encontro nos alegramos uns pelos outros. Viajamos conversando até a cidade de Criciúma. Ao desembarcar encontramos os irmãos de Mãe Luzia que vieram ao nosso encontro. Eles levaram as nossas malas e nos conduziram até um caminhão: tínhamos pela frente mais 12 quilômetros de estrada de terra.

Chovia, estrada lisa, o caminhão derrapava de um lado para outro como que embriagado. Receio que haja algum acidente. O caminhão estaciona.

Graças a Deus chegamos. Desembarcamos alegremente. Os irmãos acomodam nossas malas e nos convidam a acompanhá-los. Andamos uns cem passos e chegamos à residência dos Andermann.

O casal de proprietários veio nos receber e cumprimentou a mim e ao Stroberg, depois indicou-nos um quarto com 2 camas. Lugar de repouso ja temos. É tarde da noite e a dona da casa põe a mesa do jantar. Servimo-nos e em seguida fizemos um culto noturno, colocando aos pés do Salvador a nossa gratidão pela sua misericórdia.

Novo dia chegou, o alvorecer penetra pelas janelas, o sono nos abandonou. Levanto e dou graças ao Pai Celeste pelo cuidado. Apresso-me a observar os arredores, ontem à noite a escuridão reinava e não podia se ver nada.

Sim, um céu límpido! Ontem à noite o céu estava coberto de densas nuvens negras e chorava lágrimas de bênção sobre a terra seca; agora trocou de roupagem e o sol, com seus raios luminosos, alegra a natureza. Observando a bela planície, o rio, os córregos, fiquei alegre e em silêncio louvei a Deus: Oh, Senhor, quão maravilhosas são tuas obras e tuas bênçãos! A terra cultivada durante trinta anos sem qualquer adubação e as colheitas, como sempre, fartas.

Tomamos café e fomos com Stroberg visitar o novo templo e depois a casa dos Klava, presidente da Igreja local. Encontramo-nos, cumprimentamos e passamos a falar sobre as festividades.

Mas uma circunstância infeliz: ambos, Stroberg e eu, fomos assaltados por uma febre inesperada. Ele começou a tremer como uma vara verde e não sobrou alternativa senão ir para a cama. Eu além da febre tinha vômitos, e não sabíamos a causa desta enfermidade súbita. Também eu fui obrigado a procurar a cama e buscar cobertores, todos insuficientes [NOTA: Possivelmente tratava-se de malária].

Pensei: e agora, que acontecerá? Quando deveríamos nos alegrar com as festividades, estamos a gemer! Imploro a Deus e digo a Ele da nossa situação. “Oh, Senhor, não estás satisfeito que nos alegremos com estes irmãos? Estenda a tua mão salvadora e nos toque, teus servos; que retorne a saúde, para que possamos ser portadores de alegria e testemunhas das tuas palavras de vida!”

Nosso anfitrião preparou uma sauna; conduziu primeiro meu companheiro e tratou-o da melhor maneira. Em seguida foi a minha vez. Fiquei pior ainda: perdi totalmente as forças, não podia sentar nem ficar de pé. Pensei: é o meu último dia.

Meu anfitrião me recomendou um banho quente e, no final, uma ducha fria. Veio uma pequena melhora. Voltei para a cama. Dormi a tarde toda e senti-me recuperado. Ouvi o convite à merenda, comi um pouco e as energias e a saúde estavam se renovando.

Na manhã seguinte estava recuperado, e meu companheiro também se recuperou totalmente. Louvamos e agradecemos ao Senhor.

Pela manhã dirigimo-nos ao culto. O companheiro diz que não tem condições de conduzir as festividades, a febre não permite. Sentou-se a parte e não participou do culto.

O irmão Klava deu início à festividade com o cântico do hino “Bendiga ao Senhor, o Rei da Glória”, leu o salmo 84, sobre “Quão amáveis são os teus tabernáculos”, e orou a Deus. Depois houve a apresentação de inúmeros corais e saudações dos visitantes e outras apresentações.

Uma saudação especial veio do pastor Abrão de Oliveira, homem de cor, que falou em português. O autor destas linhas falou sobre Colossenses 3.1-4.

O evento festivo teve inicio no domingo, continuou na segunda-feira e terminou na terça-feira. Nos dois últimos dias Stroberg conduziu as festividades; o Senhor lhe devolveu as forças e a saúde. Na segunda-feira falou sobre o amor, conduzindo seus ouvintes aos belos caminhos do amor.

Na terça-feira pela manhã despedimo-nos dos irmãos de Mãe Luzia com o hino “Até que nos encontremos na margem do Rio de Cristal”.

Rumamos a caminho da cidade de Tubarão. Passaremos a noite nessa cidade: a composição ferroviária que nos levará a Orleans passa pela manhã. Sobrou-nos bastante tempo para visitar o irmão Osch e nos ocuparmos com assuntos do Pai do Céu.

Chegamos a Orleans. Meu irmão nos mandou cavalos de montaria, muito úteis.

Na Igreja de Rio Novo estão programadas preleções sobre assuntos doutrinários. Domingo, 13 de setembro, houve culto. Segunda-feira, estudos sobre a Igreja, ministrados pelo Pastor Stroberg. Primeiro, no que consiste a igreja? Em que bases se sustenta? Quem é seu mantenedor? Quais as condições exigidas para ser membro? Quais atribuições dos membros da igreja? Quais atividades os membros devem exercer dentro e fora dela? Finalmente, qual o resultado quando uma igreja permanece no caminho prescrito nos evangelhos? Conclusão: guarde o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Cada membro podia dar sua resposta às interrogações, que foram amplamente debatidas.

No dia seguinte houve a conclusão do curso, ocasião em que foram feitos esclarecimentos sobre temas controversos que haviam se estabelecido entre os membros da Igreja.

Com calorosos abraços e cumprimentos nós nos despedimos.
Stroberg voltou para Curitiba, ao seu local de trabalho e a seus familiares. Meu caminho me conduz a São Paulo e a meus familiares em Areias.

Bendito seja nosso querido Pai através de Jesus Cristo! Grande número de rostos de irmãos e amigos ficarão na minha memória.

FIM

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Pelas montanhas e vales do sul do Brasil
Por Jekabs Purens [Jacó Purim]

Publicado em série na revista “Jaunais Lidumnieks” (O Novo Desbravador), entre 1932 e 1933
Cedido por Brigitta Tamuza do “Brasiljas Latviesu Draugu Fonds”
Traduzido por Valfredo Eduardo Purim
Digitado por Lauriza Maria Corrêa
Revisão e notas por Viganth Arvido Purim

Pelas montanhas e vales do sul do Brasil, 5

continuação da parte 4

5

Estando exausto, adormeci logo. Durante a noite acordei e pensei, onde estou? Lembrei. Vieram-me à mente as necessidades do dia seguinte. Como poderei ser útil ao meu Senhor Jesus Cristo? De joelhos, implorei bênçãos e ajuda. Belo e santo momento aos Seus pés; sinto profunda paz em meu coração, como se uma amável voz estivesse dizendo: “Meu Filho, eu estarei contigo, durma em paz”.

Voltei a repousar até o alvorecer. Ouço o anfitrião na cozinha auxiliando a esposa; ambos conversam em surdina. Levanto-me e agradecendo a Deus cumprimentei os anfitriões.

Observei os arredores, que clima agradável! Próximo à sala de visitas vejo um pomar, onde vicejam macieiras, pereiras, ameixeiras, cerejeiras, pessegueiros, parreiras. Não há laranjeiras; para as laranjeiras é demasiado frio. Ao lado do pomar, um belo riacho, com boa queda d’água, que pode ser aproveitada para movimentar engenhos agrícolas.

No dia seguinte me mostraram onde reside o velho irmão Bruver. Fui visitá-lo. Chegando ao portão, bati palmas. Os velhinhos não ouvira: com a idade, os ouvidos ficaram acometidos de surdez. O irmão ainda ouve um pouco, vem ao meu encontro. Com voz forte, digo:

— Saúdo o irmão em nome de Jesus Cristo; a Paz de Deus esteja com vocês!

Responde:

— Obrigado!

Convida-me a entrar. A irmã idosa está na cozinha. Cheguei perto dela e falei em alta voz, no ouvido:

— Deus ajude, irmã! A paz de Jesus Cristo esteja contigo! Sou missionário, venho de Rio Novo; a Igreja saúda vocês e deseja a misericórdia de Deus!

Vejo lágrimas em seus olhos, sentimentos arrebatados pelas saudações dos irmãos distantes. Segura minhas mãos e diz:

— Obrigado, irmãozinho, obrigado! Alegro-me por estar ainda na memória dos irmãos. — e acrescenta: – Estou velha e os ouvidos ficaram surdos!

Respondo:

— Vim visitar e alegrá-los no nome do Senhor Jesus, e com vocês adorar a Deus e vos anunciar que o Reino de Deus está próximo. A volta de Jesus não tardará!

Seu rosto resplandece, o espírito renovado despertou do sono da solidão. Ela diz:

— Ninguém nos visitou, durante longos anos vivemos na solidão e sem participar da Ceia do Senhor.

Convidei os velhinhos para sentar junto a mim, tirei do bolso o Novo Testamento e em alta voz li um trecho significativo, depois ajoelhados adoramos a Deus. Ficamos renovados, com novas energias. Enquanto eu e o idoso irmão trocávamos idéias, a irmã preparava o almoço.

Servidos, saímos para o depósito. Perguntei ao irmão:

— Como vai? Não tem necessidades? Ainda tem forças para trabalhar? E como estão de saúde?

Ele me conduziu para o armazém e mostrou:

— Veja irmão, lá estão dois enormes sacos de trigo em grão, aqui temos um estoque de carne e tenho um porco de 10 arrobas para abate, e mais outros alimentos. Agradeço a Deus que não nos permite sentir falta de nada e não permite a fome rondar a minha casa. Aqui vamos bem, este terreno o governo deu considerando e reconhecendo minha invalidez.

Andamos ao redor da propriedade, mais de meio alqueire de terra. Terra de primeira qualidade. Podemos ver tudo o que é produzido é produzido em um jardim.

— Minha dificuldade é a fraqueza — o idoso irmão comenta. — Não consigo trabalhar, arar e plantar; tenho que pagar e o quintal deveria ser capinado, porém não tenho mais forças.

Relata também outro problema:

— Queria trazer madeira para a casa: contratei um ajudante com uma carreta e cavalo. Em uma encosta estavam algumas toras de pinheiro, e tentamos colocá-las sobre a carreta. Estava eu no lado de baixo, tínhamos colocado sobre o eixo, algo se mexeu e a tora com a carreta rolaram em cima de mim. Não consegui impedir o desastre: me derrubou, rolou sobre mim, desmaiei. Expeli sangue pelos ouvidos, boca e nariz. Ele me levou para casa, me tratou. No dia seguinte voltei do desmaio. Depois desse acidente estou quase inválido. Não temos filhos nem parentes. Agradeço a Deus pelo que temos.

Pensei: como poderia ajudá-lo? Dinheiro não tenho para dar, tempo também não; talvez alguns dias de trabalho.

Volto ao meu Salvador: “Mostre, Senhor, como poderei ajudá-los.” Sinto um apelo ao meu coração que diz: “Vá recuperar o quintal dos teus irmãos velhinhos.”

Fiquei com eles até o dia seguinte e pela manhã, com a ferramenta adequada, comecei o trabalho. Até o meio dia o trabalho estava tudo pronto. Eu mesmo me senti feliz juntamente com o casal de velhinhos.

Ficamos amigos de fato. Mantivemos cultos domésticos, nas manhãs, ao meio dia e a noite; fiquei umas duas noites com os queridos velhinhos.

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Pelas montanhas e vales do sul do Brasil
Por Jekabs Purens [Jacó Purim]

Publicado em série na revista “Jaunais Lidumnieks” (O Novo Desbravador), entre 1932 e 1933
Cedido por Brigitta Tamuza do “Brasiljas Latviesu Draugu Fonds”
Traduzido por Valfredo Eduardo Purim
Digitado por Lauriza Maria Corrêa
Revisão e notas por Viganth Arvido Purim

A cidade do pão | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 7 de junho de 1920

Querido Reinold!

Já são passadas várias semanas que não temos recebido cartas suas. A última foi aquela escrita no dia 6 de maio, que chegou aqui dia 22 de maio, e logo mandei a resposta àquela no dia 25 de maio. Agora ao todo você está devendo respostas a três cartas.

Bem, hoje devo imaginar uma maneira e tentar descrever com mais detalhes os grandes acontecimentos do Rio Novo. Nas minhas últimas duas cartas tenho contado alguma coisa, mas isso deve ser uma insignificância para a sua imensa curiosidade.

Bem, agora que todos os mensageiros que vieram a Convenção já devem estar tranquilamente em suas casas, pois já fazem três semanas desde este grande movimento — que até mais parecia um esforço de guerra, considerando-se as múltiplas providências que tiveram que ser tomadas, — «Está tudo nítido na minha memória.»mas não se preocupe: está tudo nítido na minha memória como se fosse hoje que tivesse tudo acontecido.

Preciso começar bem do princípio, para ver até onde consigo chegar agora. Que os mensageiros da convenção não chegaram na data prevista, isso você já sabe; chegaram só no dia 17 de maio. Havia um esquema organizado, que quando chegava algum dos convidados esperados na estação da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina era imediatamente levado à casa dos Stekert para um lauto lanche; em seguida era determinado um guia para acompanhar o recém-cavaleiro para a viagem ao Rio Novo.

O S. L. Watson estava pesaroso porque não iria se sair bem lá em Rio Novo: ele achava que não haveria ninguém tão alto quanto ele e que teria de ir montado numa “girafa” — mas quando viu o Conrado e o João Frischembruder, disse que não era ele só que estava nas alturas, quase alcançando as nuvens. O Butlers afirmou que no Rio Novo ele iria ver pessoas ainda mais altas. Na realidade nenhum dos nossos era tão alto quanto ele, pois ele podia olhar todos por cima.

[NOTA: Stephen Lawton Watson (1880-1966) era missionário norte-americano da Junta de Richmond. Foi diretor Geral da Casa Publicadora Batista e Secretário-Tesoureiro da Junta Patrimonial do Sul do Brasil]

Lá na saída [de Orleans para Rio Novo], quando o Butlers já tinha designado e dividido os grupos, e ao começar a viagem, o Butler disse que quem quisesse uma viagem de verdade, mais longa, poderia optar por se hospedar nos Leiman ou nos Klavin, que moravam bem mais longe, e neste momento os jovens senhores alemães de Curitiba a uma só voz se candidataram para essas vagas, pois queriam ter este prazer. Porém eles logo perceberam que não era tão agradável andar a cavalo para pessoas como eles, que não estavam habituados. E levantou-se ainda o problema de ter de ir e depois voltar em tempo para a igreja, onde iriam começar as conferências.

O Roberto [Klavin], diante deste contratempo, e vendo que já eram três horas da tarde, deixou os hóspedes dos Leiman na casa dos Osch e os dele na nossa casa. Os demais tinham ficado longe para trás desses heroicos cavaleiros. O Roberto sim, foi a cavalo até em casa na Invernada para trocar de roupa, pois não tinha vindo com traje apropriado. Pela manhã, quando ele saiu de casa, estava nublado e parecia que iria chover de novo o dia inteiro, como tinha acontecido na véspera, em que deu um grande temporal. Mas nesse dia não demorou para que as nuvens se dispersassem, e lá pelo meio-dia já estava um sol muito bonito.

Assim continuou com tempo bom todo o período dos trabalhos, apesar de alguns dias ameaçar a ficar nublado — mas em seguida limpava tudo outra vez.

O Watson foi o hóspede de honra do Oscar Karp, pois [o Oscar] tinha sido aluno dele. Os Karp estavam propensos a não hospedar ninguém, mas quando souberam que o Watson viria candidataram-se imediatamente, pois se o Watson chegasse em alguma outra casa e perguntasse por que o Oscar não havia voltado para a escola, poderia ouvir algumas explicações que talvez não ficassem bem. Pelo sim ou pelo não, «Alguns letos pensam que são os mais inteligentes do mundo.»acharam melhor que o Watson ficasse na casa deles, assim poderiam dourar a versão sob o prisma que mais convinha, e ainda acompanhá-la de todas as explicações necessárias.

Andar a cavalo não era o forte do Watson, pois na volta dos trabalhos da noite ele veio a pé; quando passou por frente de nossa casa ele teria perguntado “como se chamava esse lugar”, pois “não eram nem prassas nem avenidas” [NOTA: em português no original].

Na primeira noite o templo estava repleto de gente. O primeiro hino a ser entoado foi o 96 do Cantor Cristão. O Onofre nesta primeira noite não estava presente, portanto a parte devocional foi dirigida pelo pastor Manuel Verginio de Souza, que é um eloquente orador e nem por isso orgulhoso; pelo contrário, é muito humilde.

Nesta primeira noite foi eleita a diretoria: o Presidente foi o Butler e o Secretário o Manoel. Na mensagem de boas vindas o Butlers falou que o Rio Novo era como Belém da Judéia, “a cidade do pão”, e que aqui o pão também é muito abundante. No final o Deter recomendou que nem por isso deveriam tentar comer tudo. Ele já tinha estado outras vezes aqui e sempre fora muito bem tratado, e assim gostaria que acontecesse quando viesse em outra ocasião.

Os trabalhos da noite não foram longos, pois todos visitantes estavam exaustos da viagem e sonolentos, e para muita gente chegar em casa à meia-noite não estaria perto.

Foi quando o Leiman levou os seus hóspedes até o Rodeio do Assucar e o Roberto os dele até a Invernada. Foi uma longa viagem a cavalo, mas só tiveram de fazê-la uma vez, pois para lá não mais voltaram. Na segunda noite eles dormiram na casa dos Osch e passaram a tarde na casa do Butler, e nas noites seguintes nas casas dos Frischembruder e dos Slengman.

Sobrava muito tempo para passear pelas casas, pois os trabalhos na parte da manhã começavam as dez horas e terminavam à uma da tarde, e a noite novamente na igreja. Aqui não deram certo as três reuniões por dia, como estava previsto no programa, devido às consideráveis distâncias.

No segundo dia, dia 18, quem abriu o programa foi o Edmundo Assenheimer de Curitiba, contando que os pais dele eram de Criciúma e tinham mais tarde morado em Tubarão. Tinham conhecido o Fritz Leiman, que pregava e dirigia cultos em Laguna. Logo em seguida falou o Watson, sobre a Grande Campanha e sobre o texto que aparece sempre no Jornal [Batista] (aliás ultimamente o Jornal quase só fala nessa Campanha).

Bem, os rionovenses ouviram em alto e bom som que a nenhum crente será permitido ficar cochilando enquanto tudo mundo trabalha. [O Watson] de fato tem uma voz tão forte que partia os ouvidos das pessoas; ninguém conseguia falar tão alto que nem ele.

Sobre a Grande Campanha também falou o Fritz Jankowski, e disse que a Convenção das igrejas de Santa Catarina e Paraná estava desafiada a, com esforço vitorioso, conseguir os 45 mil, sendo nove mil por ano. Disse ainda que seria desejável que fosse na média 11 mil por ano, o que daria para cada membro 22$ por ano (e o que são 2$000 por mês?) — assim haveria dinheiro para os obreiros em Laguna, Desterro e ainda em outros lugares mais.

O pastor Manuel disse que deve ser adotado o “dízimo”, que foi aceito como regra nesta convenção, mas vamos ver se aqui no Rio Novo isso vai funcionar. Como disse o Butler, uma pequena corrente, como que de água, não queria que houvesse a convenção aqui, dizendo “o que querem essas pessoas importantes de fora, só querem é dinheiro para viver e se vestir bem” — mas agora esses têm a oportunidade de saber que essas pessoas que diziam ser orgulhosas e prepotentes são obreiros honestos e ativos que não medem sacrifícios em prol da Causa. Por isso ninguém deve falar sobre o que não tem certeza; ele sabe como cada um aqui vive e se veste, e quando se fala em Missões são muito poucos que contribuem.

Nesta corrente não são muitos: os Seeberg, os Karklim, os Bruver, o Guilherme Balod e os Match foram os abertamente contra a realização da convenção aqui. Chegaram a dizer que quisesse as conferências aqui no Rio Novo que se preocupasse com hospedagem e alimentação. Ainda bem que muitos dos que não tinham hóspedes fixos com muita boa vontade procuravam convidar os visitantes para as suas respectivas casas para servir refeições. Mesmo se tivesse vindo outro tanto mais gente não teria faltado alimento para ninguém. Isto apesar do bloqueio dos acima mencionados.

Alguns letos pensam que são os mais inteligentes do mundo, e por isso não querem ouvir nada, demonstrando por este comportamento que são na verdade uns grandes bobos.

A reunião da noite foi iniciada pelo Fritz Jankowski; em seguida o Watson discorreu sobre a importância da Escola Dominical, dizendo que os professores devem se preparar bem para poder ensinar os outros.

Não passou uma reunião onde ele deixasse de falar. Mesmo onde no programa estava determinado para o Butler falar era o Watson que falava. Naquela noite o Abraão de Oliveira apresentou o sermão que preparara durante o ano inteiro.

No dia 19 pela manhã foi dada a abertura dos trabalhos com um culto devocional dirigido pelo Klava e em seguida o Frischembruder e o Leimanis conseguiram convencer o plenário da necessidade da participação também das igrejas brasileiras na campanha em prol dos Refugiados da Guerra da Região do Báltico; será determinada uma data para uma oferta especial neste sentido.

Em seguida falou o Onofre sobre a premente necessidade de obreiros brasileiros em Sta. Catarina. Disse que pelas características do povo é muito mais eficiente o trabalho de um pastor ou pregador brasileiro do que um de origem estrangeira. Falou também que a igreja de Rio Novo estava deixando o pastor Butler ir embora devido ao baixo salário que ele vinha percebendo. Que queria, quando viesse um obreiro para Laguna ou Tubarão, que a igreja de Rio Novo desse apoio com a música e cantos.

Naquela noite quem deu início aos trabalhos foi o Roberto [Klavin]. A esposa do Deter tocava harmônio e os visitantes de Curitiba cantaram. Ela é uma excelente musicista e grande cantora.

Na quarta-feira quem deu início aos trabalhos foi o pastor João Henke de Curitiba. Também nesse dia o Watson falou que as igrejas devem se preocupar com os seus templos, e que agora no Rio de Janeiro existe um banco que paga juros para as igrejas que tem algum dinheiro sobrando e depois empresta às igrejas que precisam de dinheiro para construir, para que possam o mais breve possível sair do aluguel — pois esse, por mais que se pague, [a propriedade] nunca passa a ser da igreja, e é melhor um pequeno cantinho que é seu do que um grande palácio que pertence a outrem. É claro que essas pessoas têm uma visão mais ampla do que certos “sábios” daqui do Rio Novo.

Nesta noite também teve a ceia do Senhor. A esposa do Dr. Deter falou sobre o trabalho da Sociedade de Senhoras das igrejas, e o que elas podem fazer para arranjar dinheiro para as missões. E novamente falou o Watson, agora sobre o Seminário.

Na sexta-feira só houve trabalho pela manhã, pois foi a última da convenção. A esposa do Deter tocou novamente o harmônio e o Abraão cantou um solo o N. 41 do Cantor. Ele é um excepcional cantor com uma potente voz e também é um grande músico; ele disse que não imaginava que os letos soubessem cantar em brasileiro. Ainda bem que o Butler ensinou uma grande quantidade de hinos novos em brasileiro, então por aí você vê que agora neste ponto está muito melhor que antigamente. A esposa do Dr. Deter também cantou um solo. O coro da Igreja de Rio Novo também cantou os seus longos hinos. e os músicos com suas cordas e sopro tocavam todo dia.

Os outros detalhes pela ordem eu não conseguiria escrever e nem valeria a pena, pois você vai ficar sabendo de um jeito ou outro. O último hino que todos cantaram juntos foi o 75 do Cantor.

Você imagina uma festa desse tamanho no Rio Novo? Não. No Rio Novo com tanta gente nunca houve. E com tantos pastores de uma só vez e ainda um negro que fez um dos mais importantes sermões!

Ano que vem a Convenção será em Curitiba a começar do dia 8 de maio, e o orador oficial será o Butler, que agora tem quase um ano para se aprontar. O Butler fica somente este mês como professor e pastor, porque ele em breve embarca para Curitiba para ficar no lugar do Deter, que vai embarcar em setembro para América. Vamos ver quem será que vai ser o novo professor, porque agora a escola é do governo. Sem ninguém ela não vai ficar. A terra o Butler não vai vender porque a Kate vem morar aqui e vai cuidar do velho; tudo vai ficar como está até o ano que vem, quando ele vai embora mesmo.

Bem, devo terminar porque você não vai ter tempo para ler esta carta, e a tua curiosidade estará sobrecarregada de tanta novidade. Se quiser mais escreva mencionando o que queres saber que eu tento responder, pois não sei mais o que possa te interessar.

Quero que você escreva bastante. Que sempre esteja passando bem. Com uma sincera saudação,

Olga

Estas pequenas cousas | A. B. Deter a Reynaldo Purim

[carta datilografada em português, apresentada na grafia original]

Curityba, 26 de novembro de 1919

Presado irmão Reinaldo:

Seu bilhete postal veio hontem, e sinto muito dizer que o dinheiro que pedi para os irmãos seminaristas para pagar as despesas de férias não veio. Não recusaram, porem somente não chegou. Acho que não devem esperar mais. Queria que chegassem até aqui para fazer os planos para os mezes de ferias, porem o dinheiro que temos não dá para nada este anno.

É possível que alguma cousa venha até o fim do mez porem duvido. Dr. Ray estava tão occupado que não podia atender estas pequenas cousas; a Grande Campanha está tomando o tempo de todos, e não tenho recebido respostas ás cartas como de costume.

Creio que os irmãos não devem esperar agora a minha resposta mais tarde porque não há tempo; devem acceitar qualquer serviço. No anno que vem teremos o trabalho organizado em melhor pé e poderemos dizer desde o principio o que é possível fazer.

Se nossa lancha estivesse prompto emprestaria dinheiro para os irmãos porem não ficará prompto até Fev.

Dá lembranças aos irmãos todos e especialmente ao irmão Frederico, e Penna.

Cordialmente,

A. B. Deter
[Arthur Beriah Deter, pastor batista, missionário norte-americano no Brasil. Mais sobre ele neste link]

A música vale mais que a língua Hebraica | A. B. Deter a Reynaldo Purim

[carta datilografada em português, apresentada na grafia original]

Curityba, 29 de Set. de 1919

Presado irmão Reynaldo:

A sua boa carta veio há dias e fiquei contente com as noticias do irmão e outros jovens pregadores de que me fallou.

Estamos ainda tratando o negocio da lancha e não sei se estará prompto para o irmão e os outros nas feirais ou não. Se a lancha for prompta poderemos fazer uma campanha na beira mar na lancha andando de lugar em lugar abrindo novos campos para o anno que vem porem acho que a lancha não fica prompta. O motor não veio e o casco não pode estar muito tempo.

Estou estudando a questão dos irmão seminaristas do nosso campo. O irmão sabe que estamos com o mesmo dinheiro que que tivemos desde o principio e não dá para nada mas as egrejas estão contribuído bem e pode ser que a junta estadoal tenha dinheiro para ajudar aos irmãos estudantes durante dois meses. Tenho pedido dinheiro e se vier posso dar um auxilio financeiro nestes mezes. Sinto não poder dizer alguma coisa mais definida agora porem é impossível.

Como vai irmão Frederico Janoski? Dá lhe muitas lembranças minhas e diga que estou estudando a questão das ferias dos irmãos seminaristas do nosso Campo e em mais duas ou três semanas poderei dizer alguma cousa certa.

O Irmão e Frederico sabem bem cantar, e cantam bem juntos? Quero saber se qualquer dos dois sabe dirigir um coro. Não se esqueça de que eu disse na ultima visita ao Rio que a música vale mais que a língua Hebraica. Não que não deve estudar línguas mas não deve deixar qualquer coisa tomar o lugar da música.

Dá muitas lembranças ao irmão Portella e diga que estou muito obrigado pelo serviço esplêndido que fez nas caracturas do Malho. Elle é um verdadeiro artista e deve educar bem o seu dom.

Dá lembranças ao irmão Totó e ao irmão Penna.

Do seu amigo e irmão na fé:

A. B. Deter
[Arthur Beriah Deter, pastor batista, missionário norte-americano no Brasil. Mais sobre ele neste link]

Practica na língua portugueza | A. B. Deter a Reynaldo Purim

[carta em português, apresentada na grafia original]

A. B. DETER
Caixa T
CURITYBA
ESTADO DO PARANÁ

Curityba, 14 de agosto de 1919

Presado irmão Renaldo:

A sua estimada carta veio hontem e vou lhe responder logo. Estou desejoso também que o irmão venha trabalhar aqui durante as ferias. O irmão tem pratica na pregação do Evangelho em Portuguez? Temos um bom numero de egrejas onde o irmão poderá trabalhar, se é possível fallar Portuguez. Não temos dinheiro para mais obreiros agora porem, se as egrejas como devem trabalhar, em dois mezes teremos algum dinheiro em caixa para auxiliar o irmão quando acabar o ano escolar em Novembro.

Em caso que o irmão não tenha muita practica na língua portugueza acho que será de grande proveito espalhar bíblias e tractados em nosso campo e poderei fazer uma combinação com a Casa Publicadora neste sentido. É um trabalho ativissimo e dá boa experiência para o Ministerio. Vou mandar-lhe o “O Baptista” como o Irmão pediu porem não lhe custará nada. Espero estar no Rio antes do fim deste mez e poderemos fallar do trabalho em nosso campo.

Do irmão na fé,

A. B. Deter
[Arthur Beriah Deter, pastor batista, missionário norte-americano no Brasil. Mais sobre ele neste link]

N. B. – Mandei vir o motor para a nossa lancha e vou mandar fazer o casco logo. Do mesmo A.B.D.

O irmão faço favor fallar com o irmão Portella em respeito das caricaturas no “O Malho”. Não tenho noticias dellas.