Foto do Pastor Villis Leiman oriundo de Rio Novo -Orleans, mas passou maior parte de sua vida trabalhando no R.G.S.



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Meu Pai Karlis Andermann | por Júlio Andermann

O MEU PAI CARLOS ANDERMANN
Por Emilio Andermann
Traduzido do leto por Júlio Andermann
Comentários e revisão por Viganth Arvido Purim
Digitado por Lauriza Maria Corrêa
Material gentilmente cedido por Alice Gulbis Anderman

A atividade missionária de Carlos Andermann no Brasil está intimamente ligada ao trabalho na Igreja Batista Leta em Rio Novo – SC – onde a sua peregrinação, neste país, teve início.
Esta Igreja foi fundada por diligentes Letões oriundos da cidade de Riga, que curtiram a falta de sorte por se estabelecerem num terreno bastante montanhoso e pedregoso. Este fato explica o motivo por que, hoje em dia, esta Colônia, está quase abandonada, embora esta região goze de um clima excelente.
Qual foi o motivo que animou os habitantes de Riga a viajarem para o Brasil? Os operários daquela cidade originários de todas as regiões da Letônia e de algumas “gubernhas” da Rússia – que conseguiram ganham algum dinheiro aproveitando os tempos floridos da industrialização moderna – foram dolorosamente atingidos pela crise mundial de 1889 – 1890.
O historiador da Comunidade Batista Leta de Rio Novo, Júris Frischenbruder, assim descreve este período:
“As fábricas pararam de funcionar, havia muito pouca produção e a maioria dos empregados estava sem trabalho. Também a construção civil diminuiu o ritmo e o povo perambulava pelas ruas procurando emprego.
P. Salit e B. Balodis, que já haviam pesquisado as possibilidades da emigração, faziam conferências elogiosas sobre o Brasil e também foi editado um livro sobre este tema. Aruns e outros patrícios, aqui já estabelecidos, escreviam cartas dando notícias animadoras sobre a nova Terra, que eram lidas com muito agrado. As dificuldades da Terra Natal nos esgotavam e as benesses os convidavam, isto posto, a caminho, embora com tristeza e lágrimas de despedida dos entes queridos.
Não se pode negar a grande significação do pioneirismo da emigração letã para a Colônia de Rio Novo. Estes homens que vieram fortes, decididos e de muita coragem; quando lentamente se dispersaram fundaram novos pontos de imigração“.

Sobre o ensino escolar, as palavras do historiador são as seguintes:
“Desde o início a Congregação Batista se preocupou com o ensino e para a construção da escola foi adquirido um terreno. O primeiro professor a estabelecer uma pequena escola – alguns dias por semana – foi Ansis Elbert, que durou algum tempo.
Mas o principal entusiasmado divulgador do ensino foi o pregador João Inke (que permaneceu um ano em Rio Novo).
Embora a primeira escola tenha sido fundada por iniciativa particular e que convidou o professor Wiliam Butler, pagando-lhe as despesas de passagem; depois de um ano de funcionamento, o empreendimento ficou sob a responsabilidade da Congregação Batista.
Este mestre iniciou a escola em junho do ano de 1900. Ele empregou todo o seu esforço para que esta iniciativa desse bons frutos, pois até fundou uma classe noturna da qual participavam até os irmãos mais idosos.
Wiliam Butler também elaborou um pequeno compêndio de ensino da língua portuguesa acompanhado de vocabulário.
Os alunos diligentes tiveram muito êxito, mas ele mesmo, sentindo a necessidade de ampliar os próprios conhecimentos, em julho de 1903, despediu-se e viajou para a América do Norte. Outra vez, durante dois anos, a escola ficou sem professor.
Mas a Congregação não desanimava e, novamente, juntou dinheiro para pagar a passagem de imigração para um novo professor, dando assim prioridade absoluta para a instrução dos filhos.
O professor Carlos Andermann chegou em 1905 e no mês de agosto teve início à atividade escolar. Naquela ocasião o número de crianças era maior e a sua esposa Emilia foi solicitada para ajudar a dar aulas. Tudo isto foi muito agradável e trouxe um bom resultado. Habitualmente ele dizia: “quando se afaga a cabeça de uma criança a língua se solta e o cérebro assimila melhor”.
Ele exerceu aquela função durante quase 5 anos, até que resolveram mudar-se para Mãe Luzia”.

“Ans Elbert deu continuidade a este trabalho de junho de 1910 até junho de 1913. Pegou os alunos já mais crescidos e por isto desobedientes, e o número deles aumentou, mas a sua atividade deu bastante resultado”.
“Carlos Leiman foi professor desta escola no ano seguinte, mas teve que deixar o cargo por que assumiu o trabalho de missionário itinerante. Ansis Albert foi o continuador desta obra, mas não conseguiu lecionar por muito tempo por causa da debilidade da sua saúde. Outra vez passou um período sem escola por falta de professor, até que os pais que tinham filhos na idade escolar, convidaram João Frischenbruder, que para reiniciar o trabalho, que recebeu uma pequena ajuda financeira da Congregação, e trabalhou no período de janeiro de 1917 até 1918, com bons resultados. Nova interrupção de meio ano até junho de 1918 quando a Congregação convidou Wiliam Butler, junto com a sua esposa Marta (nascida Anderman) para ser professor e ela sua substituta eventual. Ele também conseguiu uma verba do Governo para apoiar esta Escola. A Congregação estava satisfeita, mas esta felicidade não durou por muito tempo por que foi convidado para ocupar o cargo de professor do idioma Inglês em Curitiba para onde viajou em julho de 1920 causando grande desilusão. Emilio Anderman exerceu o cargo durante um ano com bons resultados, mas com uma despedida festiva ele viajou para estudar nos Estados Unidos. Em continuação F. Freiman trabalhou durante um ano e fez o que pode.
A Congregação continuou procurando um bom mestre, até que em junho de 1924 chegou Carlos Stroberg e durante meio ano ocupou o cargo de pastor. Depois teve licença de dois anos para completar os próprios estudos, em Curitiba, para exercer legalmente a profissão e novamente reiniciou a escola em 1927 lecionando com muito êxito. Ele trouxe a esperança de que a colônia italiana também mandaria os seus filhos para estudar; mas em vão… depois de festejar o término do ano letivo em 1928, esgotaram-se as esperanças – o mestre deixou Rio Novo”.
“A cada ano que passava a Congregação ficava menor em número de membros e possibilidades financeiras, mas não ficou totalmente sem a escola; em 1931,

através do empenho de Oscar Karp, sob a direção da professora Zichman as crianças foram bem assistidas”.
O desempenho do trabalho de Carlos Andermann em Rio Novo, o historiador Júris Frischenbruder ainda apresenta com mais detalhes e é interessante anotar as suas observações; embora o escritor, ele mesmo, na infância tenha chegado como imigrante junto com os seus pais; tenha dado mais ênfase as considerações sobre a vida da Congregação Batista, mas que também abrangem a vida da Escola. A principal preocupação de Carlos Andermann foi à vida espiritual. Frischenbruder assim descreve este período de sua existência:
“Na reunião extraordinária da Congregação no dia 24 de abril de 1904, o irmão Janson foi encarregado de escrever uma carta ao professor e pastor Carlos Andermann, para a Letônia, a fim de convidá-lo a ocupar os cargos, Na Congregação Batista e Escola Primária, em Rio Novo. Este convite ele aceitou com entusiasmo. Então foram enviados 505 mil reis para pagar as despesas de mudança, ao que ele respondeu que esta oferta foi para ele uma surpresa agradável.
A família Andermann foi recebida numa reunião cordial e festiva, em agosto de 1905. Aos domingos ele dirigia os Cultos e nas quartas-feiras à noite – reuniões de oração; que foram as suas principais preocupações e que trouxeram muitas bênçãos.
Nos dias da semana ele lecionava como professor da escola primária. Sendo um homem de uma índole mansa e introspectiva, em outros trabalhos da Igreja ele teve um desempenho modesto. A sua principal preocupação foi o trabalho missionário nos logradouros vizinhos, ação na qual foi estimulado por vários irmãos e apoiado pelo coral da Igreja, que muitas vezes se deslocava junto com o pastor para abrilhantar os cultos. Neste trabalho os principais cooperadores foram W. Lieknin, W. Leiman, G. Auras e principalmente Artur Leiman.
Eles saíram para pregar a palavra de Deus em Pedras Grandes, Brusque do Sul e nos povoados do alto da Serra. Vários brasileiros se converteram, foram batizados e se tornaram membros estáveis da Congregação.

No alto da Serra foi realizada uma festa de batismo, a qual compareceram 20 irmãos e irmãs, ocasião na qual foi batizado Emanuel Bessa e senhora. Este trabalho missionário corria pleno de bênçãos; os ouvintes se comportavam com educação e respeito. Foi pena que com a saída do Pastor este trabalho não tivesse continuidade. Na Congregação de Rio Novo também eram realizadas festas de batismo.
A irmã Emilia Andermann (nascida Kantzberg), tomava participação ativa na direção da Escola Dominical. De acordo com a opinião de W. Karklin, ela foi uma líder e sob a sua orientação a escola muito se desenvolveu. Tinha uma boa voz e gostava de cantar e com este dom servia no coro da Igreja, na parte musical da Escola Dominical e nos cultos de oração. Lentamente a Congregação foi se desenvolvendo satisfatoriamente.
Em um domingo por mês, com a participação da Junta das Missões, a Congregação realizava um culto onde se divulgavam noticias missionárias da China, Índia e outras partes do Mundo, quando no jornal doutrinário mensal “A Fonte” apareceram as primeiras notícias sobre o movimento pentecostalista de Los Angeles, dos Estados Unidos; movimento sobre o qual J. A Frey líder dos Batistas tradicionais da Letônia assinalou; “Se isto é verdade então esse movimento espiritual suplanta aquele dos Atos dos Apóstolos”. Nesta doutrina o pregador Andermann acreditou e aderiu, esperando obter estes dons espirituais de falar línguas estranhas, profetizar e curar os enfermos.
Assim pouco a pouco surgiu o desentendimento na interpretação doutrinária entre a Congregação e o Pastor. Por várias vezes os membros da direção da Igreja dialogaram com Carlos Andermann, solicitando para que ele continuasse a dirigir os trabalhos da Igreja como já vinha fazendo, mas em 29 de novembro de 1908 ele propôs a Igreja para convidar o Pastor Wiliam Butler para substituí-lo. Depois de uma despedida na qual foram apresentados cânticos e pequenas falas… nossos corações estão tristes por causa desta separação… o Pastor deixou o cargo, em boa situação econômica”.
Ainda transcrevendo as observações do historiador:

“Carlos Andermann tinha o diploma de ginásio do regime escolar do Tzar Russo. Antes de vir para o Brasil havia trabalhado na livraria de J. A Frey e também como Colportor (vendedor ambulante de livros). Enquanto viajou pela Rússia como missionário ele havia observado o extremo estado de miséria dos lavradores; mas o que mais nos impressionou como crianças era uma fotografia na qual ele aparece montando num cavalo árabe branco, vestido de “xeique”, com uma espingarda de cano longo nos ombros, que era uma lembrança da sua estadia na Palestina. A Junta Missionária Leta o havia mandado para lá, durante vários anos, a fim de converter os peregrinos russos que visitavam a Palestina por que era proibido fazê-lo na Rússia, mas ali na Terra Santa esta determinação era inútil. Lá ele adoeceu com uma febre tropical e a sua vida foi salva da morte graças aos cuidados de um centro missionário alemão. Esta enfermidade interrompeu o seu empreendimento na Palestina”.
“Emilia Andermann (nascida Kantzberg) na sua juventude trabalhou numa Fábrica de Tecidos. Uma senhora da nobreza alemã, Firsten Liven, deu-lhe a oportunidade de estudar numa escola de economia doméstica, para depois empregá-la na sua mansão da fazenda como administradora feminina. Ao mesmo tempo exercia a função de professora primária, mas sem receber salário, proibido pelas Leis do Tzar, por isto sendo recompensada em forma de presentes. Quando já no Brasil, recebeu a notícia de que um dos seus ex-alunos fora fuzilado pelos Kossakos, pelo crime de ter sido surpreendido hasteando uma bandeira vermelha na passagem do ano para 1905”.
Carlos Andermann quando emigrou para o Brasil, trouxe em sua bagagem uma vasta biblioteca sobre vários assuntos, nos idiomas letão, russo, alemão e inglês, incluindo enciclopédias, dicionários, tratados de teologia e pedagógicos.
Dominando vários idiomas foi fácil para ele assimilar a língua portuguesa que ele aprendeu através de um método de ensino moderno alemão. Então ele usou estes livros de ensino em alemão, incluindo o dicionário, para aprender o português, por que não os havia em letão.

Este sistema de ensino ele também usou na sua escola primária, ensinar primeiro o idioma alemão aos descendentes de letões e a partir daí, a língua portuguesa simultaneamente. Os alunos mais diligentes acabaram dominando os dois idiomas, mas os menos dotados e aqueles que ajudaram os pais, na parte da tarde, nos trabalhos da lavoura, ficaram no meio do caminho, também por que, naquela época, a língua alemã era mundialmente muito considerada, devido à expansão do Imperialismo germânico; mas não me consta que aqui a sua literatura tenha resolvido algum problema técnico ou estabelecido intercambio cultural com aqueles alemães que imigraram para Santa Catarina e que tinha pouca escolaridade.
Aqueles alunos que dominaram os idiomas podiam conversar com os alemães e os brasileiros e usá-las na prática como: comerciantes, construtores e artesãos de outras profissões.
A forte corrente de nacionalismo letão, no meio dos Batistas, se apresentou como um avivamento religioso. Nas aulas de Carlos Andermann também se aprendia o idioma letão, mas não com tanta insistência que conseguisse, a nacionalidade dos antepassados, imprimir no seu caráter.
A não ser a religiosa, não havia literatura accessível para praticar a leitura da linguagem escrita. O que se fazia e que na ocasião era o suficiente é que toda a mocidade conseguia se comunicar no idioma letão falado. Agora, as novas gerações evitam falar o idioma, por que não tiveram a oportunidade de aprende-la.
A influência da escola da Congregação Batista do Rio Novo deixou uma impressão forte em toda da redondeza. As famílias alemãs que habitavam o local, mandavam os seus filhos estudar naquela escola – embora por pouco tempo – por que eles não eram persistentes e muitas vezes mudavam de lugar. Entre os alunos havia um tal M. Cruz, de nacionalidade brasileira que adotou os costumes, o modo de vida dos letões e a religião Batista, aprendeu o idioma e os seus filhos, hoje encanecidos, ainda não esqueceram esta língua.
Uma menina de cor preta, oriunda de uma antiga família de escravos, por muito tempo trabalhou para uma família leta. Aprendeu a falar o idioma, adotou os

costumes. Depois casou e foi morar em outra localidade, mas apesar o isolamento ensinou aos 6 filhos a falar o letão.
Continuando a avaliação do trabalho do professor Carlos Andermann, devemos adotar como exemplo de que falou Cristo: “a árvore se avalia pelos seus frutos”. A juventude daquele tempo teve poucas oportunidades de estudar. O seu trabalho era derrubar florestas e arrancar raízes e tocos; mas apesar disto, muitos alunos do meu Pai progrediram como profissionais artesãos, comerciantes, professores, pastores entre os quais destaco o W. Leiman.
Mas o expoente máximo foi Charles Salit que exerceu o professorado em Nova York e alcançou o grau de professor de Filosofia e ficou amplamente conhecido como pensador e conferencista. Descrevendo a própria biografia, em várias páginas, ele lembra o “profundo caráter” de Carlos Andermann.
Então surge a pergunta – por que ele não se contentou em Rio Novo? A sua principal preocupação sempre foi à espiritualidade que lá não foi correspondida, mas apesar disto ele conseguiu realizar muita coisa, talvez mais do que os seus sucessores; mas certamente também lhe interessavam as várzeas marginais do Rio Mãe Luzia – aquelas planícies que prometiam poder ser cultivadas com técnica agrícola mais avançada. No entanto quando ele chegou, as melhores terras já estavam ocupadas e o que sobrou para ele, era plana, sim, mas também tinha charcos. Num país como Brasil onde a agricultura se caracteriza como seminômades (os lavradores cultivam a terra em sua superfície, mas esquecem as camadas mais profundas, por isto ela se esgota, eles se mudam e reiniciam o ciclo), o agricultor letão é uma exceção, por que se firma, constroem casas confortáveis cercadas de pomares e horta. Comentando o último período de sua vida no Estado do Rio Grande do Sul, pode-se dizer que ele alcançou o seu objetivo perseguido durante toda a sua vida – incluindo a idade bastante avançada.
Até o fim permanece o fiel cooperador dos Pentecostalistas (Assembléia de Deus), contribuindo na tradução de sua literatura dos idiomas inglês e alemão para o português.

Estes trabalhos que incluem hinos podem ser contados em milhares. Eles nunca foram colecionados e a maioria não traz o nome do tradutor.
Jaz no cemitério protestante da cidade do Rio Grande, numa sepultura perpetuada pelos filhos na intenção da colocação de uma lápide.

Traduzido do Letão em agosto de 1991 por Julio Anderman

Despedida do Pastor Karlis Anderman | Autor desconecido

A034-1910

DE RIO NOVO NO BRASIL

Traduzido do “AVOTS” ( A Fonte) n° 36 – 1910 – pág. 42.8 por V.A.Purim
Autor desconhecido

Em paciência nós Rionovenses temos conseguido deles grande lição, e cremos ter aprendido bastante. Especialmente, quando eles tinham se desligado da igreja e ainda assim durante meio ano se serviram dos espaços do templo e usaram também da área de terra, não dando satisfação aos reclamos da igreja.
Como já informado, no momento mais critico o grande Deus nos mandou o missionário e pastor Ir. Fr. Leiman, que trabalhou com os melhores resultados. Aqueles foram tempos de novo alentos vindos do Senhor.
Aconteceu que a igreja voltou a saúde, deduzindo um, que poder ser que por amizade juntou-se ao Anderman. O Anderman se preparou devagar e finalmente em 17 de julho mudou-se com toda a família para Mãe Luzia, como ouvimos dos colonos que foi a melhor opção.
A sociedade de senhoras organizou um ágape fraternal para as despedidas, no templo, da família do E. Anderman, com hinos, pronunciamentos. Estavam juntos batistas, adventistas e pentecostais. Ouvindo os pronunciamentos lembrei da lenda de Krilou sobre o caranguejo, o peixe e o cisne. Assim aqui também todos tem o mesmo objetivo – o céu. Mas cada um quer chegar lá pelo seu caminho particular. Então o idoso irmão adventista M. Indrikson convidou o caminho para a nova terra, que Deus prometeu ao seu povo. Por último, com convicção assegurou, que os mentirosos lá não entrarão (por si mesmo pois quem não guarda o “sabat”, isto é transgressor dos mandamentos e mentiroso). No pronunciamento seguinte convidou para ir com ele conversar sobre as Escrituras Sagradas e procurar os seguintes temas: os batistas pensam que a vida eterna será no céu e o milênio aqui na terra; ele porem pensa exatamente o contrario e por isso é necessário tirar o assunto a limpo.
Um participante da reunião protestou contra tal proposta. Para quem sabe, que Jesus é o único caminho! Em seguida falou o irmão Anderman, incentivou os irmãos e irmãs, se temos a verdadeira convicção da vinda de Cristo, para ele, especialmente “nos últimos tempos” possui grande convicção, e finalmente apontou: “a vocês batistas tem uma falsa convicção.”
Finalmente E. Anderman falou outra vez (a primeira foi para as crianças) falou a sociedade das senhoras e aos demais.
No inicio só lisonjas, antigamente todas unânimes oravam por alguns, que fora da igreja, mais tarde a sociedade esfriou. Assim mesmo Deus ouviu, pois aqueles se uniram à igreja. Daí passou para o seu tema verdadeiro. Que já passaram uns vinte anos de crença, mas nunca se dedicaram plenamente ao Senhor Jesus. Sempre tiveram que lutar com o pecado e não tiveram segurança.
Cada dia uma voz lembrava: “não esta bem, não está bem” até que enfim (no movimento pentecostal) se entregou totalmente a Jesus e tem paz, segurança, que se revestiu no seu sangue. Não está pecando mais e aquela voz esta a dizer: “tudo bem, tudo bem”. Então convidou a nós (batistas) a fazer como ela (?) pois nós não sabemos quanto é bom, quando nós no entregamos plenamente a Jesus, etc, etc.
Convenhamos, deste longo pronunciamento estamos apenas escrevendo o esboço.
Quem ler a oração do fariseu, quando ambos estavam no templo com o publicano então teremos o mais claro retrato a nossa frente.
Entre os presentes alguns protestaram, com as palavras e também com os trabalhos, cujos estão tão longe uns dos outros como a manhã do anoitecer.
Os batistas falavam, que esta noite de despedida é costumeiro uns incentivando a outros. Assim mesmo seria desejável um linguajar mais elegante.
Enquanto termino, peço aos amáveis leitores para mais um quadro dos resultados deste movimento. Após o desligamento da igreja K. Anderman se associou com alguns ex-batistas e adventistas e nas proximidades pregavam suas idéias. Eles conquistaram alguns adeptos brasileiros, que queriam ser batizados.
Após uma averiguação eles foram aceitos foi designado o dia para os batismos. No dia aprazado reuniu-se um bom numero de pessoas, esperaram até ao anoitecer, mas – sem batismos! A desculpa foi, que “o Espírito” naquele dia não permitiu a Anderman a fazê-lo, embora que ele como um pastor a tantos anos tinha preferência.
Daí, uns interrogavam a outros, que fazer, mas ninguém fez nada. Até que enfim chegaram a conclusão, que seria melhor não demonstrar aos presentes a sua falta de coordenação, e pedir a Deus que mostre uma nova ocasião para o evento.
Passou um longo tempo, mas de batismos não ouvimos nada. Também da igreja “aliança” ninguém mais falou sobre sua fundação com o lava-pés não foi adiante.
Mais adiante a estes adeptos do movimento pentecostal conseguiram arrebanhar um jovem brasileiro, ate que em uma assembléia desligou-se voluntariamente da igreja com atitudes de grande triunfo. Estavam presentes também os dirigentes do movimento pentecostal para testemunharem tão importante acontecimento.
O jovem ainda afirmou que em nossa igreja ele se portou como hipócrita e que agora ele é um verdadeiro crente. Pobre jovem, poucas semanas depois, na citada “aliança” sentiu-se logrado, que decidiu voltar aos católicos. Sim, pelos frutos conhecemos a arvore.
Autor??????

Memórias de Lidia Anderman

08

Famílias

Por D. Lidia Andermann

Breves informações sobre as famílias que vieram para o Rio Novo. Baseadas em informações fornecidas sob forma de depoimento pela Dª Lídia Andermann

Andermann
Karlis Andermannis era nome de seu pai. Veio para o Brasil em 1.905 no mês de agosto para ser Pastor e professor da Escola e ensinar o Leto e o Português. Moravam na própria igreja. A menina nesta época da tinha 5 anos. Achava a natureza muito bonita. Lembra também dos piqueniques especiais para as crianças.

O seu pai foi professor no Rio Novo por 5 anos e depois por razões de Doutrina (se tornou pentecostal) teve que sair. Mas ela ficou mais anos morando junto com família do outro Professor que veio depois. O seu pai mudou-se para Mãe Luzia.
, perto do Eduardo e o Ziguismundo. A esposa do Sr. Karlis era da família Kansbergs. O nome da menina, hoje senhora é ela a própria Lídia.

Balod
Dos Balod ela lembra que moravam perto do lugar chamado “Kanels” que na realidade era uma encruzilhada deserta sem qualquer significado se não fosse o lugar das pessoas que vinham juntas da Igreja e, às vezes, namorando ao luar ou sem ele, tinham que separar. À direita iam as que moravam no Rio Carlota, Rodeio das Antas, Rodeio do Açúcar e Invernada. Para a esquerda iam os habitantes do Rio Laranjeiras, Coxilia Sêca e Brusque. Lembra que os Balod tinham duas filhas, a Cornelia e a Alda.

Karklis
O chefe do clã era o Sr. Jekabs. Os filhos pela ordem: Jekabs, Karlis, Vilips, Janis, Ernests e Fricis. O velho era muito comilão, existem diversas histórias. Também era muito cômico e por vezes mal interpretado devido o ambiente por demais puritano. Era casado com uma das irmãs Kanzbergs.

Frischembrudder
O Sr. Juris Frischembruder tinha sido padeiro em Riga. Por isso nas festas da Igreja quem fazia o pão e os doces era ele.

Grikis
Este tocava violino e ensinava o coro.

Grunski
Este tinha uma atafona e uma menina doente.

Indricksonn
Este não era crente. Negociava. Comprava manteiga e outros produtos. Reclamava da estrada que ia para Orleans, cheia de raízes, pedras e muita lama.

Karp
Karp Onkulis [Tio Karps- Modo carinhoso de tratar as pessoas mais velhas] era como a pequena Lídia o chamava. Os filhos Oscar, Arvido [o surdo mudo], Eduardo e a Matilde que mais tarde casou com o João Zalit. Eles por muito tempo não admitiam estar namorando. Estavam sempre a cavalo e sempre passavam na frente da Igreja a galope total e o pastor [pai da Lídia, a nossa narradora] ficava irritado e na primeira oportunidade chamava atenção deles com o pretexto nobre de não maltratar os animais.

Klavins
“Meza Klavins”. Assim era chamado o chefe do Clã dos Klavin. [Significa que estes Klavin eram da selva ou do mato e longe da civilização]

Lövenschtein
Este brigava muito com a esposa. Das três filhas, duas eram Amalia e a Ida. Também tinha um filho que com toda certeza era autista.

Match
Estes tinham duas filhas solteironas muito orgulhosas, não davam bola para nenhum rapaz e muito principalmente se fosse um Karklis.

Neiland
“Neiland Tant” • era desamparada e morava um mês em cada casa.

Netemberg
Eram muito pobres, tinha uma filha que morava em São Paulo ganhando a vida ensinando ginástica e fazendo massagens.

Ochs
Uma filha do Ochs casou com Leimann de Ijuí [A Lúcia]. O João foi morto por uma bala perdida em Tubarão.

Paegle
Ela se lembra da Marta. Uma filha dela furou o joelho com uma agulha.
Eram duas famílias dos Paegles e moravam perto de Orleans. Eles tinham uma ferraria. Eles tinham vários filhos.

Plieder
O Plieder não era crente.

Steckertt
Moravam inicialmente perto do “Kanels” ele era marceneiro e ela costureira. Ela mudou para Orleans e deixou o marido sozinho. Tinha duas filhas a Valeria e outra Frida que casou com o filho do Karp quer era surdo mudo [Arvido] e o rapaz se chamava Hari. O senhor Stekert morreu sem ninguém saber por que [sozinho]. Ele não mudou da roça para Orleans. Talvez fosse problema do coração. Com as meninas eu me dava bastante.

Vanags
Levou um tiro na testa e ficou cego de um olho. Estava limpando a espingarda.

Zanerips
Tinham muitas filhas. Morou em Azambuja [Araranguá] perto do mar. Eram muito amigos dos Andermann.

Lieknim
Mudou para Nova Odessa. Tinham 2 filhas e 1 filho. Moravam junto à tia Laura (?).

Purim
Moravam muito perto deles logo na subida do morro para o lado do “Kanels”. A tia Olga a convidou para ir a sua casa para tomar um café.

Zalit
O João Zalit casou com a Matilde Karp uma das moças mais bonitas da época. ???

Slengmann
Os Slengmann morava perto do Och.

Zeeberg
Os Zebeerg de Mãe Luzia eram Adventistas. Um Zeberg que tinham duas filhas e foram para Nova Odessa. Eles moravam perto da tia Lina -Será que não eram os Lieknin?

Eu voltei morar em Rio Novo para estudar com o Professor Elbert.

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Ficamos muito gratos pela atenção e gentileza de nos fornecer estas informações. Sabemos serem poucas, mas demonstram o que do tempo de criança uma pessoa adulta consegue lembrar-se do passado dos fatos que marcaram a sua mente naquela época.

…Nos profetas de plantão que falavam… | de Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1928

Rio Novo 21 de agosto de 1928

Querido irmão Reinaldo!!

Há pouco tempo atrás recebi a tua carta escrita em 19 de junho e por ela muito obrigado. E também já foi recebida aquela carta para o Arthur com as fotografias. Muito obrigado também.

O que eu não pensava que nesta boa América ficasse tão velho e tão magro realmente parece um “padre” e se tivesse óculos poderia ser um “doctor”, mas deixa pra lá.

Nós graças a Deus estamos todo bem de saúde e trabalhamos tanto quanto podemos. Teríamos mais o que fazer, mas o tempo está chuvoso demais. Este ano foi um ano de temporais fora da conta. Diversas vezes houve grandes enchentes e agora semanas atrás começou a chover no dia 10 de manha e parou somente no dia 15. Isso mesmo que foi chuva. Foi um temporal qual eu nunca havia visto na minha vida chover os 6 dias sem parar. O sol não conseguia aparecer e a chuva era bastante fria e este tempo foi muito prejudicial para os animais que não tinham onde de abrigar. Muitos cavalos de propriedade dos italianos morreram congelados e os nossos animais todos tinham abrigo eram alimentados ficaram um tanto enrijecidos imagine aqueles que não tinham nenhum telhado para se abrigar.

Quando o tempo começou a melhorar tudo ficou mais alegre, pois quase nós estávamos começando a acreditar nos profetas de plantão que falavam que este ano a América do Sul iria afundar no mar e também havia profetas que diziam que uma guerra iria começar no dia 28 de maio. E o mês de maio passou e guerra nenhuma começou e assim todas estas previsões são de pessoas que falam e é só Deus que faz.
Este inverno não foi forte, várias vez deu geadas maiores, mas estas não prejudicaram tanto quanto em outros anos. Agora que a primavera está chegando temos que começar a plantar. Agora nos estamos derrubando o capoeirão perto do “Kanels” [a encruzilhada no alto Rio Novo era assim chamada devido a um colossal tronco desta madeira] onde está bastante crescido, pois desde que você foi embora nós não plantamos mais nada ai e por isso ele está infestado de cipoal e espinheiros que torna a derrubada muito difícil, eu estou com as mãos doendo. Fazia tempo que eu não trabalhava em derrubadas e agora tive que voltar. Nós também estamos contratando camaradas para trabalhar, mas está muito difícil conseguir boas pessoas, pois todo mundo está ocupado. A melhor opção seria contratar uma mocinha para ajudar em casa para todo mês, pois uma garota tanto em casa com na roça faz tanto quanto um empregado homem. Alguns anos atrás tínhamos a Maria do Maneco, mas no ano passado ele voltou a morar com a sua família e agora eu falei para ela voltar e ela disse que iria pensar. Ela era muito operosa e sabia fazer todos os serviços. Não bebia nem fumava como outras manecas (manekenes) costumam fazer.

O milho já faz tempo que terminamos de colher. Deu 37 carradas inda porque tínhamos plantado menos que noutros anos, mas este ano as espigas foram realmente maiores e bem regulares. Está até difícil achar as espigas pequenas (restolhos) destinados à alimentação dos animais que até agora no inverno era necessário. [não é possível dar espigas grandes para as vacas por que elas têm o hábito de engolir sem mastigar e ai ficam engasgadas ou afogadas]
Agora nós não estamos plantando tanto com antigamente, pois agora plantamos somente 5 quartas [4 Quartas dá um alqueire e 2 Alqueires dão 1 saco de 60 quilos] e nós antigamente plantávamos 15 quartas e hoje plantamos menos e colhemos a mesma quantidade e é claro que a capinação e os cuidados são sempre maiores, mas agora realmente as colheitas são bem melhores.

Agora está morando conosco a Lídia Klavim Que está indo à aula aqui na Igreja de Rio Novo, porque eles moram muito longe quase na Invernada e para ela vir para a aula fica difícil e por isso eles estão pagando pensão pra ela aqui. Ela gosta muito de conversar e fica falando o dia inteiro. Ela pediu para escrever que o irmão dela não escreve pra você porque é muito preguiçoso. Ele só pensa em sair e construir atafonas e engenhos. Ai ele ganha 10 mil réis por dia e mais a comida e lugar para dormir. Mas quando não tem serviço ele fica em casa. Aquela fotografia do Coro que eu mandei ele não aparece porque ele estava fora. A Senhora Klavim esteve muito doente e saia sangue pela boca e muita gente achou que ela iria morrer, agora sarou de tudo e está bem mais gorda [Ser gordo naquela época era sinal de saúde]. Agora ela vai à Igreja e faz visitas pelas vizinhanças. Ela manda muitas lembranças para você.

No próximo primeiro domingo de mês que vem haverá batismos Aqui na Igreja incluindo os filhos da Maria Thomaz do Rio Larangeiras e as noras dela. Também haverá batismos em Laguna onde 8 candidatos estão à espera. O trabalho lá é pequeno, mas está indo pra frente graças também ao trabalho do Pastor Stroberg que periodicamente viaja pra lá e também para Mãe Luzia. Aqui na Igreja apareceram algumas desavenças e existem pessoas que não podem passar sem elas. Não entendem que a proclamação do Evangelho e a salvação de almas deve ser a missão principal da Igreja. Acham que o Pastor viaja muito.

O Rio Novo está ficando cada dia mais vazio. O povo não quer mais morar aqui. Agora são os Match que estão indo embora para a Argentina, A Milda casou com um senhor argentino muito rico e que tem uma casa muito grande e outras casas e terrenos sem fim. Aqui os velhos sozinhos e cada vez mais velhos seria muito difícil sobreviver. Vão pra Argentina cuidar do Elias o filhinho da Milda e exercer a função de Vovô e de Vovó. Quem garante que quando crescer também não vire um profeta…

Os Matchis venderam a sua propriedade com casa [Na sala desta casa em 1940 eu tive o primeiro encontro com letras e números, pois ali foi a minha primeira sala de aula com a professora a Dª Matilde Tezza, mas isto já é outra história], moveis tudo de porteira fechada para o Eduardo Karp por 10 contos de réis. Agora ele tem onde ir morar. E é provável que ainda este ano eu também possa ir morar lá. O lugar é muito bonito . Um dos lugares mais lindos por ai. É provável que Deus tenha providenciado este lugar para mim.

Bem por hoje chega, já escrevi esta longa carta. E agora está batendo meia noite. Hoje à noite eu fui ao trabalho da Igreja e ai comecei a escrever. Quem começa tem que terminar. Os demais estão há muito dormindo. Eu também estou com sono. Como faz tempo que não recebemos noticias suas espero receber amanha quando for à cidade. Lembranças do Onofre Regis e família.

Muitas lembranças de Mamãe, Papae e minhas.
Lucija

…um temporal que igual eu não tinha visto, chover 6 dias sem parar…| De Lucija Purim para Reynaldo Purim

Rio Novo 21 de agosto de 1928

Querido irmão Reinaldo!!

Há pouco tempo atrás recebi a tua carta escrita em 19 de junho e por ela muito obrigado. E também já foi recebida aquela carta para o Arthur com as fotografias. Muito obrigado também.

O que eu não pensava que nesta boa América ficasse tão velho e tão magro realmente parece um “padre” e se tivesse óculos poderia ser um “doctor”, mas deixa pra lá.

Nós graças a Deus estamos todo bem de saúde e trabalhamos tanto quanto podemos. Teríamos mais o que fazer, mas o tempo está chuvoso demais. Este ano foi um ano de temporais fora da conta. Diversas vezes houve grandes enchentes e agora semanas atrás começou a chover no dia 10 de manha e parou somente no 15. Isso mesmo que foi chuva. Foi um temporal qual eu nunca havia visto na minha vida chover os 6 dias sem parar. O sol não conseguia aparecer e a chuva era bastante fria e este tempo foi muito prejudicial para os animais que não tinham onde de abrigar. Muitos cavalos de propriedade dos italianos morreram congelados e os nossos animais todos tinham abrigo eram alimentados ficaram um tanto enrijecidos imagine aqueles que não tinham nenhum telhado para se abrigar.

Quando o tempo começou a melhorar tudo ficou mais alegre, pois quase nós estávamos começando a acreditar nos profetas de plantão que falavam que este ano a América do Sul iria afundar no mar e também havia profetas que diziam que uma guerra iria começar no dia 28 de maio. E o mês de maio passou e guerra nenhuma começou e assim todas estas previsões são de pessoas que falam e é só Deus que faz.

Este inverno não foi forte, várias vez deu geadas maiores, mas estas não prejudicaram tanto quanto em outros anos. Agora que a primavera está chegando temos que começar a plantar. Agora nos estamos derrubando o capoeirão perto do “Kanels” onde está bastante crescido, pois desde que você foi embora nós não plantamos mais nada ai e por isso ele está infestado de cipoal e espinheiros maricá que torna a derrubada muito difícil, eu estou com as mãos doendo. Fazia tempo que eu não trabalhava em derrubadas e agora tive que voltar. Nós também estamos contratando camaradas para trabalhar, mas está muito difícil conseguir boas pessoas, pois todo mundo está ocupado. A melhor opção seria contratar uma mocinha para ajudar em casa para todo mês, pois uma garota tanto em casa com na roça faz tanto quanto um empregado homem. Alguns anos atrás tínhamos a Maria do Maneco, mas no ano passado ele voltou a morar com a sua família e agora eu falei para ela voltar e ela disse que iria pensar. Ela era muito operosa e sabia fazer todos os serviços. Não bebia nem fumava como outras manecas (manekenes) costumam fazer.

O milho já faz tempo que terminamos de colher. Deu 37 carradas inda porque tínhamos plantado menos que noutros anos, mas este ano as espigas foram realmente maiores e bem regulares. Está até difícil achar as espigas pequenas (restolhos) destinados à alimentação dos animais que até agora no inverno era necessário.

Agora nós não estamos plantando tanto com antigamente, pois agora plantamos somente 5 quartas [4 Quartas dão um alqueire e 2 Alqueires dão 1 saco de 60 quilos] e nós antigamente plantávamos 15 quartas e hoje plantamos menos e colhemos a mesma quantidade e é claro que a capinação e os cuidados são sempre maiores, mas agora realmente as colheitas são bem melhores.
Agora está morando conosco a Lídia Klavim Que está indo à aula aqui na Igreja de Rio Novo, porque eles moram muito longe para ela vir para a aula e por isso eles estão pagando pensão pra ela aqui. Ela gosta muito de conversar e fica falando o dia inteiro. Ela pediu para escrever que o irmão dela o Roberto não escreve pra você porque é muito preguiçoso. Ele só pensa em sair e construir atafonas e engenhos. Ai ele ganha 10 mil réis por dia e mais a comida e lugar para dormir. Mas quando não tem serviço ele fica em casa. Aquela fotografia do Coro que eu mandei ele não aparece porque ele estava fora. A Senhora Klavim esteve muito doente e saia sangue pela boca e muita gente achou que ela iria morrer, agora sarou de tudo e está bem mais gorda [Ser gordo sempre foi sinal de saúde por lá.] Agora ela vai à Igreja e faz visitas pelas vizinhanças. Ela manda muitas lembranças para você.

No próximo primeiro domingo de mês que vem haverá batismos Aqui na Igreja incluindo os filhos da Maria Thomaz do Rio Larangeiras e as noras dela. Também haverá batismos em Laguna onde 8 candidatos estão à espera. O trabalho lá é pequeno, mas está indo pra frente graças também ao trabalho do Pastor Stroberg que periodicamente viaja pra lá e também para Mãe Luzia.

Aqui na Igreja apareceram algumas desavenças e existem pessoas que não podem passar sem elas. Não entendem que a proclamação do Evangelho e a salvação de almas deve ser a missão principal da Igreja. Acham que o Pastor viaja muito.
O Rio Novo está ficando cada dia mais vazio. O povo não quer mais morar aqui. Agora são os Match que estão indo embora para a Argentina, A Milda casou com um senhor argentino muito rico e que tem uma casa muito grande e outras casas e terrenos sem fim. Aqui os velhos sozinhos e cada vez mais velhos seria muito difícil sobreviver. Vão pra Argentina cuidar do Elias o filhinho da Milda e exercer a função de Vovô e de Vovó. Quem garante que quando crescer também não vire um profeta…

Os Matchis venderam a sua propriedade com casa [Na sala desta casa em 1940 eu tive o primeiro encontro com letras e números, pois ali foi a minha primeira sala de aula com a professora a Dª Matilde Tezza, mas isto já é outra história,], moveis tudo de porteira fechada para o Eduardo Karp por 10 contos de réis. Agora ele tem onde ir morar. E é provável que ainda este ano eu também possa ir morar lá. O lugar é muito bonito . Um dos lugares mais lindos por ai. É provável que Deus tenha providenciado este lugar para mim.

Bem por hoje chega, já escrevi esta longa carta. E agora está batendo meia noite. Hoje à noite eu fui ao trabalho da Igreja e ai comecei a escrever. Quem começa tem que terminar. Os demais estão a muito dormindo. Eu também estou com sono. Como faz tempo que não recebemos noticias suas espero receber amanha quando for à cidade. Lembranças do Onofre Regis e família.

Muitas lembranças de Mamãe, Papae e minhas.
Lucija