…também tenho gostosas lembranças de todos e eventos agradáveis de minha juventude..De Reynaldo Purim para Fritz Leimann . – 1926 –

[Parte de uma cópia de uma carta escrita a tinta pelo Reynaldo Purim para o primo Fritz Leimann e nesta época ele o Reynaldo já estava morando nos Estados Unidos]

04 de outubro de 1926
Caro irmão F. Leimann

Saudações. Que a Paz de Deus esteja com você e sobre os seus familiares. Escrevo esta carta para você sobre um assunto específico:
Meus pais e familiares têm escrito de Rio Novo que em breve você vai viajar para lá para vender o terreno que era dos seus pais. A vontade deles é que eu venda a “colônia” que eu tenho no Rio Larangeiras e com o dinheiro compre a propriedade sua que está à venda e onde eles passariam a viver, pois eles gostam mais desta localidade do que do Rio Novo. Eu estou de acordo em fazer a vontade dos meus velhos. Da propriedade de seus pais eu também tenho gostosas lembranças de todos e tantos eventos agradáveis de minha juventude que lá partilhei com os amigos e parentes. Ficaria muito triste se este cantinho tão agradável caísse nas mãos de pessoas de outras etnias. Portanto estou me candidatando a condição de comprador. Não sei se já existe outro comprador. Se não podes saber que não haverá nenhuma dificuldade em fechar este negócio. Peço a fineza de me escrever mencionando o preço etc. Se possível escrever também para os meus pais sobre este assunto, pois eu sei que haverá pouco tempo para nós nos comunicar. Eu mandei uma “procuração” com plenos poderes para o meu pai para que ele possa efetuar os negócios com vender o meu terreno e comprar o do seu pai. Mas se houver tempo, por favor, escreva-me, pois ficarei muito satisfeito e agradecido.

Na continuação vou também escrever sobre outros assuntos.

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Arthur, hoje escrevo uma carta de caráter comercial… | De Reynaldo Purim para Arthur Purim – 1926 –

[Carta escrita à máquina]

Rio de Janeiro, 25 de Junho de 1926

Querido Arthur:

Saudações. Hoje recebi as cartas da Olga e da Lucija escritas no dia 13 de junho pelas quais agradeço. Fale para elas que amanhã ou depois vou responder a elas por que hoje não vou ter tanto tempo para escrever. Eu estou bem de saúde e tenho estado de modo geral muito bem. Sobre as suas condições de vida eu tenho me preocupado bastante e achei por bem escrever ainda hoje, pois domingo sai o navio para Laguna. Gostaria de saber se já recebestes a carta que eu mandei dia 16 de junho? Também no dia 22 mandei um grande pacote com jornais diversos para ler e também moldes para Mamma poder costurar. Todos foram recebidos?

Arthur, hoje escrevo uma carta de caráter comercial que sobre ela todos conversassem e chegassem a um acordo e escrevam relatando o resultado e conclusões. A Olga escreveu que vocês querem comprar a propriedade dos Leiman [no Rodeio do Assucar] que possivelmente esteja à venda e que está propriedade, é melhor que a do Rio Novo. E que na sua opinião deveria ser vendida a minha gleba (Bukuvina) que fica no Rio Larangeiras no fundo da sua para comprar a do Leiman. Sobre isto tenho pensado e parece que é também a opinião dos demais lá de casa. Pois nenhum de vocês gostaria de ter que deixar a terra dos Leiman. Eu não sei quanto dinheiro em caixa você tem e nem por quanto à terra dos Leiman será vendida. Se eu não fosse viajar para a América do Norte eu poderia ajudar com mais ou menos 2:500$000, e quem sabe até conseguir mais, mas como eu vou viajar eu vou precisar deste dinheiro para a passagem e outras despesas e que para isso eu tenho poupado. Neste caso se os outros familiares estiverem de acordo é possível que eu faça o seguinte negócio: Vender a Bukuvina no Rio Larangeiras e comprar a terra dos Leiman. A colônia [Gleba] do Rio Novo não precisa ser vendida, se não haver ninguém para ficar trabalhando que fique crescendo capoeiras e as matas, mas vender não. Conversai muito entre vocês, mas não publiquem estes planos para ninguém se meta no meio deles. Se todos estiverem de acordo escrevam-me e eu vou cuidar de providenciar uma “procuração” de plenos poderes no Tabelião para você ou para o Papai, pois esta terra está no meu nome então sem a minha presença não seria possível fazer qualquer negócio. E se isso que nós queremos nós temos que agir rápido, pois depois de eu sair do Brasil seria muito mais difícil e mesmo por que no fim de Agosto ou no início de Setembro devo viajar e por isso devemos nos apressar.
Ainda gostaria de acrescentar depois de muito avaliar as necessidades que talvez não seja necessária a venda de toda Bukuvina. Junto estou enviando um rascunho do terreno de lá baseado quando possível da memória. Eu penso que aquela parte que já foi alguma vez aberta e trabalhada não precisaria ser vendida, pois a terra lá é muito boa e as estradas já foram abertas e de qualquer maneira é um pedaço de boa terra e acessível. O principal da área seria difícil acesso para quem estivesse baseado no Rio Novo e claro muito mais fácil para quem quisesse morar no lado do Rio Laranjeiras. Também não deve ser vendido muito barato, pois lá é uma terra virgem e boa e inteiramente repleta de madeiras e livre de geadas. Pela minha avaliação aquela área que eu sublinhei no desenho deverá ser assegurada para que fique no meu nome, pois a transferência também custa. No caso da compra do terreno dos Leiman primeiramente deverá ser verificada a quem realmente ela pertence, pois os velhos já são falecidos então é preciso saber a qual dos filhos ela pertence e é possível que pertençam a todos e cada um deva vender a sua parte. É possível que a divisão seja mais fácil se for feita baseado no valor e não no imóvel. Estas coisas devem ser muito claras e transparentes para evitar casos de discórdia e dai caiam na Justiça e ai não tem mais fim. Para tanto vocês deverão escrever urgente para o Fritz Leiman e deixar reservado para que no caso de algum italiano ou outro qualquer se apresse e chegue à frente e termine comprando. Por quanto realmente à terra do Leiman está sendo vendida? Qual na realidade é a sua área total? No caso de essa negociação vá em frente e que a Bukuvina seja vendida, o terreno do Leiman seja comprado eu faço questão que ela seja escriturada no meu nome, senão eu não concordo que a Bukuvina seja vendida. Esta condição eu coloco não somente que a terra seja minha, mas mais importante que não seja possível ser vendida sem a minha aquiescência. Quanto ao uso e morada no novo terreno você pode usar como quiser e não precisa se preocupar quanto a isso. Apesar de que no momento não ter a mínima possibilidade de morar na colônia não vejo nenhuma possibilidade, se bem que dos trabalhos da lavoura eu não tenho medo nenhum, mas quem sabe no futuro, quem sabe na velhice, um pedaço de terra talvez seja muito útil e é por isso que não quer largar de um antes de ter assegurado o outro. Se por acaso por uma razão ou outra a gleba dos Leimam não seja possível de ser comprada então que a Bukuvina que fique lá com garantia para o futuro. É certo que a terra dos Leiman é de mais fácil acesso do que a Bukuvina que ainda quase toda é mata virgem e ainda a propriedade dos Leimann tem todas as instalações como à residência e demais construções todas prontas, mas ainda não sei se será possível o negócio, pois ainda não sabemos nem o preço. Se considerar este plano realizável o mais breve possível e mandem a carta registrada. Escrevam para o Fritz Leimam e contem a ele o meu plano de comprar para vocês irem morar lá, pois vocês acham que é melhor que o Rio Novo. No caso do plano ir em frente mandem-me um desenho do terreno da Bukuvina assinalando o comprimento de cada divisa. Não é necessário um desenho ser complicado. Avaliem o valor por quanto poderá ser vendido e é claro que eu não quero que vendam muito barato ou dar de presente para alguém. Também quero a opinião de vocês sobre aquela área assinalada se vale a pena rete-la ou não. O terreno do Rio Novo não é tão grande e será muito útil esta área adicional para quem ficar morando no Rio Novo. Se de todas alternativas nenhuma é do seu agrado, escrevam sem medo. Não vou obrigar ninguém a fazer isso ou aquilo. Mas como nos apresentamos eu estou de acordo a fazer este negócio. Certamente eu não vou poder acompanhar pessoalmente o negócio porque vai chegar o tempo de eu viajar para a Escola, mas vou preparar uma “Procuração” para o Paps ou para outro qualquer de vocês que vai assinar os documentos de Venda e de compra destes terrenos. Vou ainda me informar dos detalhes com o Tabelião daqui, mas de qualquer modo se faz urgente por que eu tenho preparar tudo antes de viajar para a América e assim quando tudo estiver acertado vou mandar o documento que vai dar os direitos para assinar em meu lugar. Escreva dizendo o que o Paps e a Mamma acham deste negócio. E a Lúcia e a Olga também estão de acordo?
Aqui em Pilares eu tenho feito vários negócios para a Igreja e aqui as coisas são muito mais difíceis. A gente tem que ficar atendo senão pode acontecer com o caso de um pinto que corre por cima de cinza quente. Uma aqui a Igreja vendeu um lote enquanto eu estava em casa e quando cheguei era aquela encrenca por causa de 15 cm na largura que o meu procurador não tinha percebido. A situação estava favorável para a nossa causa e o comprador perdeu. Mesmo assim ter que se tomar cuidado. Ontem eu fui acertar uma doação de um lote que um irmão faz a Igreja para um futuro ponto de pregação. Mesmo doação tem deixar tudo certinho senão esta pessoa pode morrer e dai os herdeiros poderão nos tirar. Eu sei que no Rio Novo as coisas não são tão difíceis, mas de qualquer modo é necessária muita atenção. Vou esperar resposta breve.
Desta vez sobre outras coisas não vou escrever, pois está na hora de ir para a Igreja. Logo vou escrever sobre outros assuntos. Eu estou passando bem. E vocês? Como estão as coisas de modo geral. Aqui na semana que vem vai começar a Chautaqua. Lembranças para todos de casa e ninguém deve se assustar por que eu iria muito longe de casa. Eu voltarei e nem vou levar todas as minhas coisas. Vou levar somente as indispensáveis. Desta carta eu estou guardando uma cópia [É desta cópia que estamos traduzindo] para lembrar o que eu escrevi. E ainda lembranças a todos daí. Que Deus estejam com todos.
[Reinaldo Purim]
[Abaixo rascunho da Procuração]

Já faz bastante tempo que não tenho recebido nenhuma carta…| De Reynaldo Purim para Lucia Purim – 1926 –

[ Trecho de um rascunho de carta datilografada do Tio Reynaldo para a tia Lúcia]

Rio de Janeiro, 16 de abril de 1926
Saudações.
Já faz bastante tempo que não tenho recebido nenhuma carta de casa. Espero todos os dias e não posso entender porque isso está acontecendo. A última carta sua foi escrita no dia 3 de fevereiro e eu recebi no dia 25 do mesmo mês e dai em diante está sendo uma espera sem fim. De boa vontade gostaria de saber o motivo desta longa interrupção. Não sei se as cartas que eu mando ou as que vocês mandam também não chegam.

Hoje está chovendo, portanto não posso sair, então por isso estou escrevendo esta mesmo sem ter recebido nada. Vocês receberam os remédios que eu enviei no dia 5 de março? Se não me escrevam para que eu possa procurar no Correio, pois, eu estou com o recibo em mãos. No dia 15 de março escrevi e mandei uma carta e no dia 25 um grande pacote de jornais. Vocês receberam? Os jornais foram registrados e se não receberam, vou perguntar o motivo no Correio.

Como estão todos em casa? Todos estão com saúde? Como vão os trabalhos na lavoura? O que este ano estão plantando? Como está o tempo por lá? Aqui tem sido quente e seco e nem parece o mês de abril. Ontem a noite começou a chover e ainda hoje está chovendo o dia inteiro. De modo geral não há nada de novo para ser escrito. A escola está novamente cheia de alunos grandes e pequenos. A grande maioria eu não os conheço. Também não tenho tempo para isso. Cada um vai para o seu lado e ninguém tem tempo para se interessar por outras pessoas.

A minha Igreja aqui vai relativamente bem. Recentemente tivemos reuniões evangelísticas, as quais foram dirigidas pelo ex padre Hyppolito de Olliveira Campos. Tinha muita gente. O Hippolito é uma pessoa de certa idade, mais de 70 anos ou talvez beirando os 80, mas ainda é um grande orador. Ele não poupa os católicos e suas atividades e para ele é muito fácil, pois durante 26 anos ele foi sacerdote católico. O povo gostou muito em ouvi-lo. Uma grande parte deste prometeu deixar o catolicismo e se converter. Agora estes são visitados e muitos assistem os trabalhos regularmente os trabalhos da Igreja. O trabalho é muito em visitar todos estes. Quase todos os dias eu tenho ido fazer estas visitas. Este é o meu trabalho e minha vida. Ainda dirigir os cultos aos domingo e as noites nos dias de semana, então o tempo passa sem a gente perceber.

Quanto a mim tudo está suficientemente bem. Estou com saúde ainda que às vezes muito cansado. Isto até é natural enfrentado tanto trabalho. Por isso eu não reclamo, pois tudo isso eu faço com alegria. Tenho oportunidade de encontrar as mais diversas pessoas, católicos, espíritas e até sabatistas. Ainda os chamados Estudantes da Bíblia ou Russelitas, cada um com os seus erros e um mais vil [No sentido de distorcer os ensinamentos da Bíblia ] que o outro, então você deve entender como é difícil, com cada qual se relacionar. [falta o final]

…sobre o assunto tenho meditado muito. | De Reynaldo Purim para a Igreja Batista de Ijui – 1926 –

[Nesta carta o Reynaldo Purim está declinando do convite para assumir o pastorado da Igreja Batista Leta de Ijui no Rio Grande do Sul]

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Rio de janeiro, 18 de fevereiro de 1926

À Igreja Batista
Linha 11 – Ijuhy
Rio Grande do Sul

Caros irmãos e irmãs em Cristo:
Que a Paz do Senhor seja com vocês!

Recebi a sua amada carta datada a 18 de janeiro, neste ano, sobre o assunto mencionado nela tenho meditado muito.

De coração eu vos agradeço pelo honroso convite para dirigir os trabalhos de sua Igreja e que nas circunstâncias atuais respondo o seguinte:

Ao que refere as minhas atividades futuras, eu tenho diversos planos anteriores com os quais já tenho trocado correspondências e não tenho podido chegar às conclusões devido a respostas que estou aguardando de outros lugares. Não sei para que lado Deus vai abrir o meu caminho. Por este motivo hoje não tenho condições de dar qualquer palavra final e então peço a fineza de se possível esperar até o final de março, quando vou escrever e dar a minha palavra definitiva.

Quero solicitar ainda que não interpretem das minhas explicações qualquer promessa de minha parte e se a necessidade e a oportunidade de conseguir outro pastor antes deste prazo estejam à vontade não esperando e assim convidando outro sem demora.
Com uma amável saudação, seu Irmão em Jesus Cristo.

Reynaldo Purim

Fortalezas de puro aço | Reynaldo Purim a Lisete e Jahnis

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1917

Queridos pais em Rio Novo,

Neste momento recebi as suas cartas e junto o dinheiro. De coração agradeço. Eu pensava que fosse difícil e quem sabe se este dinheiro chegaria antes do fim do mês, mas chegou.

Alegro-me que vocês estejam passando relativamente bem; como ainda não sei se aquela praga de gafanhotos destruiu todas lavouras, espero que Deus os proteja desses perigos e males.

Agora vou escrever algo sobre mim. Nos exames passei suficientemente bem; a nota mais baixa foi 85 e a mais alta 100. Este mês não terei o Boletim Mensal, mas amanhã irei receber o Diploma da Conclusão do Primeiro Ano. No Diploma estarão todas matérias e a média total de todo ano. Muitos não conseguiram passar.

Agora o assunto sobre as minhas férias. Sobre isso já escrevi alguma coisa.

Vocês sabem que do Ludi [Ludvig Rose] antes a gente nada recebia; não recebíamos nenhuma notícia. Isso certamente acontecia porque ele escrevia em leto; como todas cartas são censuradas pelo governo, eles não conseguindo ler não permitiam que seguissem. Mas tempos depois recebi dele um cartão postal escrito em brasileiro onde ele escrevia que posso ir a São Paulo [nas férias]. Respondi também em brasileiro, e também com cartão postal, e é assim que nós nos comunicamos nestes dias.

Então, vou mesmo para São Paulo. Vocês podem pensar que possa me dar mal, mas isso certamente não vai acontecer, pois está tudo muito quieto. Por favor não se preocupem comigo: confiem em Deus e assim estaremos protegidos. Espero sair de viagem na segunda-feira de manhã.

Fui à Polícia Central pedir um passe para viajar e mostrei o atestado da justiça que trouxe de lá; ali me informaram que eu não preciso de passe nenhum, porque não sou alemão e sou nascido no Brasil. Os alemães sim, se quiserem viajar para qualquer lugar precisam ir à “justiça” tirar um “salvo conduto”. Esse pode ser conseguido com a pessoa apresentando uma série de provas de quem é, onde mora, de onde veio e para onde quer ir. Eles tendo este documento ninguém perturba mais.

Antes de ser convidado pelo Ludi passei um tempo procurando trabalho para o período de férias, mas nessa época é muito difícil. Se não tivesse outro lugar para ir, iria trabalhar como colportor. Salomão [NOTA: Salomão Ginsburg era um judeu convertido, pastor e grande líder, naquela época diretor da “Casa Publicadora Batista”, hoje JUERP.] me ofereceu esse trabalho. Não seria um trabalho fácil e agradável, principalmente nestes tempos de guerra, sendo ainda que não havia um salário definido e compensador. Tudo dependeria das vendas.

Mas este plano eu pus de lado, pois as pessoas poderiam pensar que eu fosse um espião alemão, etc. Sobre este assunto não vou escrever mais pois acho que ficou bem claro.

Aquela minha caixa não vou levar junto, pois isso poderia me custar muito caro. Vou levar comigo algumas roupas, alguns livros e o violino — o resto vou ajuntar tudo, fechar dentro da caixa e deixar aqui mesmo. Todo mundo faz assim e viaja só com uma maleta.

Agora o tempo apresenta-se muito quente, principalmente na cidade nos “poços de pedra” e “valetas de pedra” onde circulam pessoas, automóveis etc.

Sobre a situação geral não sei o que escrever. Só sei que na Europa a situação está dia a dia pior. O exército russo não mais guerreia contra os alemães, mas entre si pelo controle do governo. A situação final na Rússia ainda não está delineada. A Polônia russa agora é um país livre. A Finlândia (Somija) está sacudindo e empurrando embora o governo russo. O que mais vai acontecer só Deus sabe.

Os franceses e ingleses inventaram umas fortalezas de puro aço que avançam (rodam) contra o inimigo equipadas com canhões e metralhadoras que as balas de outros canhões nenhum dano conseguem fazer, e assim causam imensa destruição na frente inimiga.

Bem, por hoje chega. Sobre as coisas menores não vou escrever agora, nas férias penso escrever longas cartas para vocês. Quando chegar a S.P. vou escrever outra vez dando o meu endereço de lá.

O Inkis com sua esposa foram para nova Odessa. Não posso imaginar porque todos me esperam no Rio Novo.

Como vocês estão passando, agora? – E os gafanhotos ainda estão por lá? – Como vão todos de um modo geral? – E a igreja? – E as pessoas da igreja de Orleans vivem em paz?

Na outra vez vou contar sobre as igrejas daqui. Aqui eles não são tão rixentos quanto os letos.

Envio muitas e sinceras saudações. Vivam felizes e que Deus vos proteja.

Reinholds

Festa de gente da cidade | Reynaldo Purim a Olga e Lúcia Purim

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1917

Queridas Olga e Lúcia, – Saúde

Recebi as suas cartas — Thank you very much. Alegro-me que vocês estejam passando suficientemente bem. Quanto a mim, graças a Deus estou passando bem. Agora estou me aprontando para na próxima segunda-feira embarcar para a casa do tio [Ludvig Rose em São Paulo]. Tenho que deixar tudo em ordem. Tenho que lavar e passar toda roupa e lustrar tudo. Agora vocês sabem o que eu estou fazendo nestes dias.

Anteontem foi a festa de encerramento do ano letivo do jardim da infância e dos anos primários. Ontem à noite foi a festa de encerramento das meninas na rua do Bispo. Hoje será a festa no Seminário e amanhã no Colégio Batista. Estas festas são festas de gente de cidade, e cada formando recebe o seu diploma.

Na semana que vem vai ser organizada a Igreja em Pilares. Esta era até agora um ponto de pregação da Igreja de Engenho de Dentro, igreja esta em que ultimamente eu tomava parte. Eu colaborava nesta congregação lecionando numa classe da Escola Dominical e agora no ano que vem vou trabalhar como membro fundador e colaborador. Em outra oportunidade vou contar como aqui são tratadas as crianças. É um lugar de gente muito simples e pobre, muito mais pobre que o pessoal de Rio Laranjeiras.

Bem, por hoje chega. Peço que comecem logo escrevê-la e, quando eu mandar o endereço, quero receber uma longa carta. — Ou não?

Muitas lembranças para vocês e também para o Artur.

Seu irmão,

Reynholds

Com exceção de Português | Reynaldo Purim a Lizete Purim

[Rascunho de carta, em bloco de papel, que parece não ter sido enviada.]

Rio, 15 setembro 1917

Querida Mamma!

Envio a você e a todos os familiares as mais sinceras lembranças. Na segunda-feira desta semana recebi a carta que a Olga escreveu no dia 13 de agosto e mais três dos Klavin; hoje recebi a carta da Olga escrita no dia 28 de agosto, na qual também vieram os 100$000 que a senhora mandou e a navalha que a senhora e Pappa me mandaram de presente. Por tudo isso agradeço de todo coração. Por essa demonstração de amor e carinho e pela grande preocupação, peço que aceitem o meu maior e mais profundo agradecimento.

Pretendo honestamente, com todas as forças, ser digno e diligente a minha vida toda, não aceitando [essas coisas] como dádivas para mim, e sim que [nelas] meus queridos pais estejam, através de mim, glorificando a Deus.

Estou passando bem e com saúde. Doente mesmo aqui nunca fiquei. Alguma vez aparece alguma tosse, mas em poucos dias desaparece. Quanto aos estudos, vou mais ou menos bem. No mês de agosto eu me saí melhor, e junto desta estou enviando o “boletim cor-de-rosa”. Nos exames me sai razoavelmente bem, com exceção do de português, no qual só tirei 78. Com as outras matérias me saí muito melhor.

Vocês já receberam aquela carta que mandei dia 20 de julho em nome dos Klavin? Naquele envelope tinha uma longa carta para a senhora, e também para os demais. Vou ficar muito aborrecido se souber que minhas cartas se extraviaram ou caíram nas mãos dos rionovenses. Eu ainda mandei registrada!

Vocês pedem que eu relate o que havia escrito naquelas cartas. Eu de bom grado o faria se lembrasse, mas devido ao muito trabalho não é possível, e cópias das mesmas não tenho. É muito difícil lembrar [de coisas assim] depois de um dia árduo de trabalho. Foi algo sobre as minhas férias, mas não havia nada de central ou importante, e sendo assim o assunto predominante não lembro.

Na sua carta você insiste que eu vá passear em casa. Bem que eu gostaria de passar as férias em casa, mas uma viagem longa sairia muito cara. O Ludis [Ludvig Rose] também me escreve convidando para passar as férias na casa dele em São Paulo. Já naquela vez em que estive lá ele insistiu para eu que eu passasse uns tempos na casa dele, e prometi passar uma semana com eles.

O que quero realmente é me exercitar na pregação do evangelho, dirigir cultos, etc. Reservar também algum tempo para estudar, porque o ano que vem promete ser bastante difícil, e assim não consigo o boletim cor-de-rosa. Quanto à minha permanência com o Ludis, vocês não precisam se preocupar com despesas etc., pois ele promete cuidar de tudo isso.

Bem, ainda não dei a palavra final, e aguardo o seu conselho. Em Orleans eu poderia ainda ter algum problema com as obrigações militares, não sei se vale a pena arriscar. Se for convocado aqui, terei que me apresentar algumas vezes por semana para alguns exercícios e aulas específicas. Além disso aqui há professores que tem muita força no Governo Federal; se necessário mudar alguma coisa, será mais fácil aqui do que lá. Outros já falaram sobre esse assunto e a conclusão é que é realmente possível. Dependeria mais do convocado do que deles. Talvez eu nem seja convocado, quem sabe.

Como vocês estão passando? Muitas lembranças para o Pappa e para você do seu querido

Reynhold