Estou assorberbado de trabalho durante o dia e parte da noite.| De Artur Purim para Reynaldo Purim – 1927 –

Rodeio do Assucar 15-4-1927

Querido Irmão

Primeiramente envio muitas lembranças de nós todos e desejo uma Festa de Páscoa muito alegre celebrada em companhia dos crentes que se alegram por que Cristo ressuscitou.

A tua carta escrita no dia 20-2 recebi no sábado passado e pela qual muito obrigado. Já são duas as cartas que recebi sem que tenha respondido. Sobre aquela primeira pouco sei o que posso responder. Dizer que a recebi etc.. Faz bastante tempo que a recebi. Hoje como é Sexta-feira Santa [Leelaja peekdeena igual à Sexta-feira grande] e para o culto eu não fui, mas fiquei em casa para poder te escrever alguma coisa, pois em outros dias a gente não tem tempo. Estou muito assoberbado de trabalho durante o dia e parte da noite. Como você sabe este ano nós vamos fazer mudança desta casa para o Rio Novo com todos os pertences e animais, portanto já estamos levando aos poucos uma coisa e outra para que depois não sobre tanta coisa para levar e por isso estou com serviço demais para levar esta imensidão de coisas e nem sabemos onde nós vamos amontoar tudo isso e deixar nós não queremos e vender não dá, porque ninguém quer comprar. E todas estas viagens eu faço a noite por que durante o dia a temperatura está muito alta e também não teria tempo durante o dia por que o carreteiro sou eu sozinho e em alguma noite quero ir para Igreja e nos sábados à noite vou aprender violino com o Puijchel do Augge [Deve algum filho do Augusto Felberg] e ainda sou sócio da Sociedade de Música e assim você pode imaginar como se desenrola a minha vida por aqui. Assim não sobra muito tempo para escrever cartas nem coisas similares. Se houvesse alguma noite vaga iria aprender brasileiro, inglês etc. nas aulas uma vez por semana dadas pelo Stroberg. Cada Aula custa 500 réis por noite.

Agora vou escrever sobre um assunto do artigo que quero comprar isto é uma bicicleta para facilitar as locomoções. O pessoal de casa protesta dizendo que este tipo de máquina é desnecessária etc. Eu tenho avaliado bem este assunto e acho que será muito útil. Tenho pensado muito se ele tem direito de fazer esta campanha contra ou eu não tenho direto de usufruir nada. Será que eu sou diferente de qualquer outra pessoa de casa. Será que eu não tenha trabalhado diligentemente. Ou será que não vale a pena se esforçar e trabalhar dia e noite para depois não poder usufruir nenhum benefício. E se houvesse um motivo e este motivo fosse explicado. Se eles não gostam deste equipamento, mas eu gosto e assim não deveriam proibir. O Paps diz se eu tenho tanta “fome” de andar de bicicleta, será que eu vou continuar com vontade de derrubar as matas e capinar as roças? Aqui faltam mais esclarecimentos. Por que somos cristãos se nós não queremos levar esta luz para os outros ou o Evangelho é somente para nós? Como eu já escrevi sobre o trabalho missionário em Grão Pará no qual eu fui no mês passado. Os cultos são bem concorridos apesar de ser um lugar onde os católicos são os mais ferrenhos nestas redondezas. Neste dia eles os padres também tinham as suas missas, mas a humilde casa do Avelino esta totalmente tomada inclusive gente do lado de fora. Também há os que nem chegam nem perto. Na próxima vez vamos eu e o Stroberg e as reuniões serão em outro ambiente bem maior e mais no centro. É um trabalho muito interessante se bem que longe e a cavalo são 4 horas de viagem bem andadas. Por isso eu quero comprar uma bicicleta e com ela fazer o trabalho lá, pois a topografia da estrada é relativamente plana.
[Carta do Artur, da qual falta o final].

Anúncios

A Festa do Aniversário da Igreja foi um sucesso. | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1927 –

Rodeio do Assucar 23-3-27

Querido maninho! Saudações!!

A tua carta escrita em 31 de janeiro eu recebi no dia 19 de março pela qual o meu muito obrigada. Esta carta realmente demorou muito para chegar. Ela foi postada em Louisville e não sei se não ficou parada muito tempo no correio de lá.

Agora nós estamos bem e todos com saúde. O tempo está assim quente e chuvoso. Semana passada sim choveu demais e todos os riachos estão urrando de tanta água. Esta semana apareceu algum sol pela manhã e chove também à tarde. Agora estamos cortando arroz que este ano não está estas coisas. Durante duas semanas justo na floração fez uma seca e calor que prejudicou muito. Os italianos estão dizendo que não vale a pena colher, mas o nosso não está tão ruim assim. Vamos ter suficiente para fazer belas sopas. Este ano as demais culturas estão vindo muito bem. O milho está com espigas bonitas e as ventanias pouco derrubaram. Somente no Rio Novo um pouco. Este ano houve diversas tormentas que destruíram muitas roças pelas vizinhanças, mas as nossas roças ficaram intactas.

Agora o Stroberg [Pastor Karlos Stroberg] está de volta, chegou dia 24 de fevereiro agora acompanhado de sua esposa. Na outra noite teve a festa de Recepção que apresentou um programa muito bonito. Teve hinos, poesias, sermões, etc. Quem dirigiu foi o Zeeberg. Após esta parte teve café pão e bolos. O Stroberg não vai voltar mais a Escola, pois já acabou o Curso e agora é tempo de trabalhar. Ele foi a Mãe Luzia e na volta parou em Tubarão onde foi organizado um culto em brasileiro, aliás, muito concorrido. Todos homens do Governo e da Justiça estiveram presentes e ouviram com muito respeito e ainda pediram que voltassem breve.

O Oscar de Oliveira deixou as suas transações com a Igreja Católica e trabalha firmemente contra ela e ainda quer participar de nossa Igreja aqui. E só o Stroberg querer ir trabalhar que oportunidades não vão faltar, pois existe um grande campo em toda redondeza onde deve ser pregado o Evangelho.

A Festa de Aniversário da Igreja no domingo passado também foi um sucesso. O tempo estava bom pela manhã e logo depois da Escola Dominical começou o programa. O templo da Igreja estava cheio, Brasileiros, italianos, grandes personalidades de Orleans. Vieram três automóveis de Orleans que antes nunca tínhamos visto. O programa foi longo e foi dirigido pelo Stroberg que falou em leto e em brasileiro. O café com pães e bolos também foi delicioso, pois foi feito pelo Zeeberg e pelo Jekabs Karkle.

Para mim pareceu que você ficou assustado com as notícias da minha última carta. Bem eu faço questão que você escreva e dê a sua opinião sobre este assunto, pois fico satisfeita e alegre que uma pessoa mais experiente que eu, pois eu não quero tomar nenhuma atitude sem consultas e consenso. Não concordo com a premissa que o Eduardo [ Eduardo Karp o pretendente] seja ruim, quanto eu conheço e que os outros dizem ele é uma pessoa muito inteligente. Você afirma que ele não pertence à Igreja e sobre isso eu também tenho pensado, mas quando você tivesse a oportunidade de conhecer os outros jovens que são da Igreja então você diria que eles nem sabem o que é uma Igreja. Falam mal, e ainda comportam-se pior que muitos de fora. É claro que não são todos como, por exemplo, alguns filhos do Karklim se eu tivesse que procurar alguém deles melhor nenhum.
Obrigada pela promessa de ajudar-me, agora estou com o pensamento de esquecer tudo isso e ir para a Escola, pois até agora nunca tivera oportunidade e não sabia que poderias me ajudar. Ainda não tenho nada definitivamente decidido, mas na próxima carta eu escrevo mais e assim poderemos definir as alternativas por isso não quero que fique preocupado, pois tudo vai dar certo, pois eu não sou uma sonhadora deslumbrada que não pensa no futuro.

Ainda muitas lembranças de todos nós aqui. Luzija.

[ Parece que o Reynaldo para tirar a irmã da jogada acenou com a possibilidade dela ir estudar]
_____________________________________