Fotografia da Maquete da Escola Anexa a Igreja Batista Leta de Ijui fundada em 1895



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Organização da Igreja Batista Leta de Ijui | Autor desconhecido

A008-1995

O Trabalho
Batista Leto no Sul do Brasil.

Autor Desconhecido
Publicado “Kristiga Draugs” Nº 04/95.
Traduzido por V.A. Purim

Este ano assinalou a passagem do Centenário, de uma das primeiras e agora mais antiga Igreja Batista Leta do Brasil. – A Igreja Batista Leta de Ijuí situada na chamada Linha 11 no Município de Ijuí é sem dúvida a mais meridional de outros centros letos ficando a 120 km da Argentina e a 500 km do Uruguay.

As primeiras famílias que chegaram em Ijuí foram as Akeldans, Kudis, Krombergs, Ulrikis, Mikelson e Priedes quais vieram da Argentina e se instalaram entre as Linhas 4, 5 e 6 do lado oeste do centro da pequena vila de Ijuí, mas o “Lielais “Zakis’ (Grande Coelho) e o Janis Zakis e o Indrikis Paise se instalaram entre as Linha 7 e 8 no lado leste do centro da cidade. Isso aconteceu no ano de 1892. E eles eram todos luteranos.

Um ano depois, no final de 1893 vieram mais, as seguintes famílias: Zjanis Alecsandrs e Lina Keidam, pais do Pastor Rudolf Keidans e avós do William, Benjamim e Karlis Keidan; André Keidans e os filhos Janis, Frizis e Albert; Toms Ukstins com a esposa Emilija e a mãe dela, estes eram os pais do Pastor Karlis Ukstins; estes todos vindos da recém fundada colônia Leta de Rio Oratório. Esta ficava aproximadamente 10 km da primeira colônia leta do Brasil a de Rio Novo no Município de Orleans. Quase nesta mesma época chegaram ( De onde?) as famílias de Ans Vitins, Janis Grims, Jekabs Udrs, Janis Daniels, Indrika Folks, ”Maza”Hartmann (Pequena Hartmann), “Vetza”Samiesha, (Velha). Jekabs e Juris Nazaroffs, Jukum Makevics, Jekabs Gebaurs, Janis Arrais e Mikej Soluns. Do Município de Dom Feliciano vieram as famílias de Juris Links, André Krievins e Lorenc Stekers. – Ainda de Rio Oratório vieram as famílias de Ans Gailis e Fricis Garozs com os filhos. Todas estas famílias se instalaram entre as Linhas 10, 11,12 e 13 do lado Leste. A maioria destas famílias era Batista.

No começo os cultos eram realizados nas casas de Zjanis Keidam, André Keidans e Jukum Makevics e no dia 23 de março de 1895 com 30 membros era fundada a Igreja Batista Leta de Ijuí e durante os primeiros 4 anos foi dirigida pelo Irmão Jukum Makevics (? -1930). Esta era a terceira Igreja Batista Leta no Brasil e a primeira e única no Estado do Rio Grande do Sul. (Depois de Rio Novo e Rio Oratório). Quando em 1898 na inauguração do seu primeiro templo o número de membros era 70. Construíram um prédio para a escola de seus filhos mas o problema, nestas circunstâncias era conseguir um professor.

Um dos grandes acontecimentos na vida das Igrejas Letas no Brasil foi a visita do Pastor Janis Inkis. De 1897 até 1899 visitou todas Igrejas Letas existentes no Brasil em resumo nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em Ijuí ele chegou em janeiro de 1899. Como a maioria dos membros tinham vindo das mais diversas Igrejas e com variados costumes tinham aparecido desavenças e alguns grupos prestavam os seus cultos em separado. Então o primeiro trabalho do Pastor Inkis foi eliminar as aparas e unificar a Igreja. Ele chegou ao extremo de sugerir a inutilização dos Livros de Atas anteriores para que nenhuma desavença fosse levantada baseada em casos antigos que alguém tenha dito ou feito. Demonstrou um grande interesse pela solução do problema da escola e do Professor. Em conjunto com os letos luteranos e vizinhos alemães foi organizado um comitê. Para o problema do professor surgiu uma solução inesperada, pois chegou da Argentina o Sr. André Gailis para visitar o seu pai do qual ele tinha se separado em Rio Oratório. Lá na Argentina ele tinha trabalhado de professor. O Pastor J. Inkis incentivou para que ele ficasse em Ijuí. O pastor Inkis também resolveu o problema do cemitério e estabeleceu um sistema de Correio(?). – Durante o período que ele ficou, foram batizados 12 novos membros.

Ele escreveu para os seus parentes em Lubini, perto de Nowgorods na Russia onde moravam em uma colônia leta sobre as possibilidades da terra brasileira e 1899 antes mesmo de voltar para a Europa recepcionou seus pais irmãos e irmãs que se instalaram na recém fundada colônia de Jacu assu próxima da atual Massaranduba em Santa Catarina.

No ano de 1900 a Associação Missionária Batista Alemã da América enviou para o Brasil o Missionário Heirich Svendener que também visitou a Igreja Leta de Ijuí. Vendo três Igrejas Batistas no Estado de Rio Grande do Sul: duas Alemãs uma em Porto Alegre e uma em Formoza e uma Leta em Ijuí e ainda mais 4 Igrejas Letas no vizinho Estado de Santa Catarina ele reconheceu que seria um bom início para um trabalho da Missão Alemã no Sul do Brasil. Voltando para a América, ele conseguiu que já no próximo ano o Missionário Karlis Roth já estava no Brasil. Visitou Ijuí onde encontrou muita reciprocidade por parte desta Igreja. Em 1902 mais uma vez esteve nesta Igreja onde realizou um trabalho missionário, batizou diversos novos convertidos e fez muitos planos. No ano de 1903 ele abriu um Seminário em Porto Alegre e os primeiros 4 alunos eram letos: Alexandre Klavin, Fricis Leimanis e Janis Netembergs da Igreja Batista Leta de Rio Novo e Richards Jekabs Inkis da Colônia de Jacuassú.

No ano de 1904 Karlis Roots recomendou para pastor da Igreja de Ijuí o recém formado Alexandre Klavin (1865-1905) e prometendo ajuda da Associação Alemã da América. Depois do pastorado de J. Maskevits passaram pela função nesta Igreja os irmãos M. Ansons, Janis Arais(1853-1932) e Toms Ukstins (1872-1929). E também outro aluno de Karlis Roth: Fricis Leimanns de Rio Novo (1861- 1961), durante os anos que ele estudava 1904 e 1905 ele passava as férias ele visitava Ijuí e desenvolvia um grande trabalho de Evangelização entre os letos, alemães e brasileiros. Ele também visitava a Congregação de Neu-Württenberg – agora Panambi onde em 1902 K. Roots já tinha batizado 2 pessoas e em janeiro de 1905 F. Leimanis batizou 8 pessoas. Quando em 1906 organizou-se em Igreja dos 11 membros, 8 tinham sido batizados por F. Leiman.

Na Igreja de Ijuí surgiram desavenças chegando haver grupos que faziam os seus cultos em separado, a maior crise foi a morte do pastor A.. Klavin em 18 de julho de 1905 depois de 16 meses de pastorado. No princípio de 1907 assumiu outro da Igreja de Rio Novo o Janis Netembergs, outro aluno do Karlis Roots, mas ficou somente até o fim do ano mas fazendo um intensivo trabalho entre os brasileiros. Depois da saída do J. Netembergs assumiu o trabalho Fricis Leimanis e foi naquela época que se juntaram os irmãos de Ramadas. Em agosto de 1908 antes de voltar para os Estados Unidos o Mis. Karlis Rots visitou mais uma vez Ijuí e nesta mesma ocasião foi ordenado como pastor Villis Leimanis, (1888-1962) outro irmão do Fricis Leiman também de Rio Novo, qual assumiu a direção do pastorado mais longo desta Igreja. Ele assumiu a Igreja em 1º de setembro de 1908 e ficaram até 1923, 15 longos e abençoados anos. Naquela mesma época os irmãos Fricis e Villis visitavam Ramada ou Linha 1, onde moravam 4 batistas e recomeçaram a obra de evangelismo. Teve bons resultados e 1917 foi organizada em Igreja e assumiu o pastorado V. Leiman até 1919, quando passou para a responsabilidade dos irmãos suecos.

Em 27 de setembro de 1909 a igreja de Ijuí organizou a Congregação de Santo Angelo frutos do trabalho de F. Leiman. Ele fazia viagens mais longas a cavalo e as vezes mais de 500 km e encontrou 3 famílias batistas alemãs na Colônia Guarani que tinha imigrado da Rússia. Como ele não tinha condições de dar assistência regular a esses irmãos recomendou que procurassem o seu irmão Villis. Quando ele começou dar assistência a esta Congregação e ela se associou a Igreja de Ijuí. Deste trabalho no dia 11 de abril de 1911 foi organizada a Igreja com 48 membros que por longos anos continuou sendo visitada por V. Leimanis e deste trabalho surgiram 4 outras Igrejas. –

Continua no próximo número.

…o relógio já bateu as 12 horas e eu preciso ir dormir. | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

Rio Novo 5 de maio de 1926

Querido maninho!!

Saudações!

Envio para você muitas lembranças. Então hoje à noite eu tenho que escrever esta carta. A carta tua escrita no dia 16 de abril recebi no dia 30 e por ela muito obrigada, pois depois de uma longa espera enfim chegou. Hoje à noite quando fui a Igreja o Augusto Klavim me entregou em também para o Arthur uma pequena carta escrita no dia 24. Então veja você espera cartas nossas e nós, as suas. Então agora está confirmada que a minha carta escrita no dia 26 de fevereiro foi extraviada. Neste envelope seguiu uma fotografia nossa tirada por ocasião do ano Novo se bem que não ficou muito boa. O prejuízo maior foi à longa carta onde eu descrevi muitas coisas daqui e esperava que logo que ela chegasse lá. Então agora eu acho que eu, alguma coisa, vou ter que escrever outra vez. Acho que há um grande relaxamento nos correios e por isto que tantas cartas desaparecem. O nosso Agente dos Correios aqui em Orleans é muito bom para nós e para todos os letos daqui. Ele as nossas cartas ele não dá para os outros não autorizados a trazerem a correspondência para o Rio Novo. Pode ser que não seja perfeito, mas o problema acho que está nos correios de todo Brasil.

Nós aqui estamos mais ou menos bem de saúde. A Olga continua do mesmo jeito. Ela tomou aquelas injeções [“Eepoteeja” indica enxerto, vacina ou inoculação e não injeção, mas por falta melhores informações preferimos injeção] daqueles outros remédios, mas não melhorou nada e depois ela voltou ao médico e ele não mais dar aquelas injeções porque poderia até piorar e por isso deu outros remédios para tomar e disse que fosse para as “Minas” [Era como era chamada Lauro Müller, naquele tempo um distrito de Orleans] porque aquele médico que mora lá poderia acertar. Mas a Olga não quer aquele médico e levar a força não vale a pena. Porque prá ela é assim: se os remédios não fazem efeito logo de pronto estes, remédios não, servem ou não prestam. Agora a Mamma trouxe todos os livros de Medicina do Zeeberg [Karlos Seeberg era um prático na área da Medicina alternativa muito procurado na região que seguia o famoso monge alemão Kneipp, apóstolo da Hidroterapia e também usava Homeopatia e Fitoterapia] e ela vai procurar algo que sirva para ela.

Quando é que você vai para Ijui, pois aqui todas pessoas sabem através do “Kristiga Balss” [Kristiga Balss era um periódico batista leto editado na Letônia.], pois o Ukstin escreveu que já tinham convidado você para pastor e somente estavam aguardo o “sim”. Onde ficou o Kartinh? Será que já foi mandado embora? O teu colega, o Linkis, nada te conta sobre eles? Por que você não escreve nada sobre este assunto? As pessoas que estiveram lá e conhecem o pessoal de lá acham que você seria muito tolo de aceitar porque eles recebem muito bem, mas logo mandam embora e que muitas pessoas são mais difíceis que as daqui. Se por acaso fores para lá, poderás dar uma entrada até aqui no Rio Novo para descansar um bocado. É bem provável que ninguém vai tocar você embora somente avise quando você vai chegar senão a Lede poderá estralhaçar as tuas calças. O Arthur diz que você deveria vir aqui durante o Natal, pois também poderá estar aqui o Arthur Leimann para vender o terreno, pois o Fritzis escreveu que eles querem vender logo aquele terreno e pergunta se você não quer comprar. Assim você poderia ter mais terras.

As roças este ano estão mais ou menos bem. As plantas estão crescendo bem, somente o milho do tarde foi perdido com a seca. Mas conseguiremos sobreviver. Os porcos conseguimos engordar com o milho do ano passado. Agora começamos colher o milho da nova colheita. Cinco dos porcos muito gordos já vendemos conseguimos mais de 700 mil réis e ainda mais cinco prontos para serem vendidos. Também temos muitos outros para serem separados para engorda. Agora o preço do toucinho está baixando, estão pagando só 23$000 a @. A farinha de mandioca está valendo agora 8$ o saco, mas há pouco estava a 5$ e como sempre tudo que a gente tem para vender é barato e o que a gente tem para comprar está sempre caro.

Os nossos parentes têm escrito para você? Para nós faz tempo que não escrevem. Escrevemos duas cartas, mas não obtivemos respostas. Eles devem estar aborrecidos porque eles sempre insistiram para que fôssemos visitá-los e ninguém foi. Eu bem que queria ir, mas não deixaram. Você bem que poderia fazer uma visita, pois durante a semana você poderia ir e voltar em caso que não quiser passar o fim de semana lá.
Aqueles jornais e outros papéis eu recebi e por tudo muito obrigada. Aquele jornal poderia encadernar [“Costurar junto], mas falta o primeiro número. Este ano “O Crisol” não vai sair? Por que você não os tem mandado? Tens recebido o “Selhmallas Seedi” [Flores a beira do caminho]? Mande-os para mim.

Terei que terminar de escrever porque o relógio marca mais de 12 horas da noite e eu preciso ir dormir. Eu quase nunca consigo dormir cedo e ainda 3 noites por semana tenho que ir a Igreja aprender a cantar para as festas.
Se você também escrevesse cartas tão longas seria muito bom. Eu já mandei uma carta em abril. Esta já foi recebida?
O tempo agora está magnífico e bastante frio. Pode-se congelar quanto quiser, mas geadas ainda não tivemos e é possível que tão breve não as tenhamos. Venha no dia 16 de maio, eu vou fazer aniversário e vou fazer uma rosca especial [Kringelis – uma rosca especial feita como fosse com massa de pão, mas com muita manteiga e outros ingredientes. (ver a receita no capítulo “Pratos e comidas letas”] e você pode vir ajudar comê-la.

Ainda muitas e saudosas lembranças de todos de casa e vamos aguardar longa carta. Eu fico feliz quando você diz ir bem em seus trabalhos. Apesar de eu aqui nada possa te ajudar, mas peço a Deus em minhas orações todos os dias e mais do que isso nada posso fazer, mas o Senhor pode ajudar em qualquer lugar.

Desculpe por eu estar escrevendo tão rápido, mas certamente vais entender. – Lucija.

(Escrito a lápis no verso de uma das páginas)
Tinha esquecido de mencionar que na semana passada no dia 27 o Willis Slegmann viajou para ir servir o Exército. Foram juntos para despedida até Laguna o pai, a mãe e a noiva. Os demais letos não foram chamados ainda. Se algum será convocado, eu não sei. Existem informações circulando que mais reservistas serão convocados, mesmo os que estejam doentes ou que pagaram os 100$$. Alguns já foram embora daqui senão. [Sempre nestas convocações ou sorteios existia uma espécie de “terror” gerando boatos e insegurança nas famílias dos possíveis futuros reservistas]
Então agora estás recebendo uma longa carta e se me responderes pelo menos a metade desta será muito bom.
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O PASTOR KARLOS ANDERMAN. | POR JULIO ANDERMAN, UM DE SEUS FILHOS. 4ª PARTE


O PASTOR KARLOS ANDERMAN
4ª PARTE
DEPOIMENTO APRESENTADO POR JULIO ANDERMAN, UM DOS SEUS FILHOS

[Revisado por Viganth Arvido Purim
Material cedido pelo Autor: Sr. Julio Anderman
]
[Digitado por Laurisa Maria Corrêa]

A tia Salit então sugeriu que aqueles que tivessem economias guardadas em casa deviam trazê-las e juntar em um só cofre numa repetição do exemplo de Atos 3:42-47 e aos mais hesitantes citava o exemplo de Barnabé. Foram trazidas latas cheias de moedas de prata de 2 mil reis que todos guardavam pensando serem imunes à inflação devido ao valor do nobre metal. Nesta aventura então entrou um fato novo que era o interesse pecuniário.

Novamente veio uma ordem transmitida por via espiritual para que todos aqueles crentes vendessem as suas propriedades e com as suas famílias se mudassem para a Colônia Varpa em São Paulo. Mas chegando lá se verificou que as condições do clima e do solo não eram apropriadas a uma existência saudável. A terra era muito arenosa dando a impressão que lá já existira o mar. Havia muitos bichos de pé. Faltava água e os lençóis freáticos, quando encontrados, localizavam-se a mais de 20 metros de profundidade tornando a escavação do poço manualmente arriscada pela ameaça do desmoronamento de suas paredes.

Mas nós éramos considerados como peregrinos em busca da terra prometida e que desta vez ainda não a tínhamos encontrado. Novas orações, novas consultas, novas
Outra peregrinação pela Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande para aquele destino.
Em Varpa sofri a maior perda da minha vida, faleceu a minha mãe Emilia. Habituada em Mãe Luzia a uma dieta de leite, legumes e cereais, em Varpa teve de se alimentar de arroz, feijão e carne, ao que não resistiu a sua delicada constituição orgânica, mas antes de fechar os olhos, escrevera cartas para aquelas lideranças espirituais dotadas de dons e que comandavam então os nossos destinos, denunciando aqueles desvios doutrinários designando com uma única palavra “pústulas”. Em conseqüência destas cartas depois dela morta ainda tive de ouvir insinuações de que, por não ter resistido às provações e se desviado daquela doutrina, pairava duvida sobre a salvação da sua alma.

No Rio Grande o nosso destino final foi uma localidade chamada Cascata de Burica que se localizava numa mata virgem próximo do Rio Uruguai. Outra vez fazia-se à derrubada da floresta para a construção das casas e as plantações agrícolas, mas terminados os trabalhos diários, as famílias se reuniam em reuniões de oração na mesma rotina costumeira.

A líder espiritual do grupo continuava a mesma tia Salit. Mas acontece que para o nosso acampamento veio outro par recém-casado e o nome da moça era Zelma Zvagere, uma das imigrantes da Colônia Varpa que se casara com um rapaz de Rio Branco chamado Alexandre. Por ocasião de uma destas reuniões de orações vespertinas, enquanto todos estavam ajoelhados a profetiza teve uma visão e então disse a Zelma: “Eu vi uma parelha de cavalos atrelada ao balancim que o teu marido Alexandre estava segurando e sendo arrastado para longe de ti”.
Sucedia que Alexandre tinha se afastado do grupo por que, embora fosse crente, o seu juízo não aceitava estes exageros, mas ele era meu amigo, pois trocávamos idéias. Assim que terminou esta reunião por acaso encontro o Alexandre e pedindo sigilo contei a visão profética. Logo a seguir chega em casa Zelma toda chorosa e se dirige ao marido: “Então você pretende deixar-me” ao que o outro respondeu: “Quando vierem os cavalos com o balancim”.
Na próxima reunião do dia seguinte ao formarmos o circulo de orações a profetiza aparentando inspiração espiritual disse assim: “Quem foi que contou ao Alexandre aquela revelação de ontem?” “Se o culpado não se manifestar o Espírito vai denunciar”. Ora, só poderia ter sido eu que já tinha fama de tagarela; então pensei, isto já passa da conta, vou me confessar e fingir arrependimento vamos ver se o Espírito vai denunciar a minha falsidade. Confessei-me culpado e choramingando pedi perdão e qual não foi a minha surpresa – fui perdoado.
Depois da reunião falei com o meu pai e lhe contei o acontecido e afirmei que tudo aquilo era mentira e sugeri que ele se afastasse deste grupo, mas ele ficou hesitante por que era o doutrinador Teológico. Estava escrito no Novo Testamento repetidas vezes a respeito da manifestação do Espírito Santo e aquela gente, se depois desta penitencia, desta obediência cega não fosse contemplada então ele não sabia encontrar o erro.

Abandonei aquele lugar pelas picadas através da floresta caminhei 15 quilômetros até Santa Rosa onde encontrei trabalho na chácara do Dr. Frederico Krebser e estava agnóstico.
Mas o que me salvou do desvio do comportamento foram os ensinamentos e a doutrinação que a minha mãe, ela acompanhou o meu pai sem discutir toda esta confusão, mas não se descuidou da minha educação, dando uma interpretação própria de várias citações evangélicas. Uma delas foi a de que “todos pecados seriam perdoados, menos os contra o Espírito Santo”. Ela explicava que a voz do Espírito Santo se manifestava através da consciência, mas tantas vezes o homem insistia no pecado que acabava não sentindo remorso e neste grau a perdição seria irreversível. Para exemplo citava a história de um assassino nos Estados Unidos que fora condenado a execução na cadeira elétrica e quando perguntado por que havia matado um cidadão que viajava na boleia de uma carroça dirigindo uma parelha de cavalos a resposta tinha sido: “Por que eu estava curioso em ver como iria cair o cigarro que estava fumando”.
Também naquele interstício do episódio da Linha Telegráfica e o outro da tia Salit que durou vários anos, freqüentei a Escola Dominical clássica onde aprendi aqueles hinos “Vinde Meninos” e outros, decorei versículos, assimilei as lições das aulas que freqüentava. Até que eu poderia ter me segurado naquela comunidade Batista liderada por Jacob Klava, mas ele feria os meus sentimentos filiais quando na minha frente dizia que meu pai, Carlos Andermann era podre e eu não pude admitir isto por simples respeito a minha origem e por que sabia que ele era um ingênuo pesquisador de uma literal verdade evangélica sem qualquer interpretação Teológica.
Então surge a pergunta; como foi possível que um adolescente de 13 anos ficou fiel a um grupo e excêntricos como aquele? Primeiro fui obediente aos meus pais. Depois quem entra num redemoinho de águas turvas ou idéias não consegue sair sozinho por que sempre é arrastado para o centro. O empenho principal da liderança era doutrinar os fieis para mantê-los unidos como minoria escolhida de Deus e evitar qualquer contágio de idéias de fora denominado “o mundo”. Também o que facilitou este Pentecostalismo obscuro foi o fato de eu ser semi-analfabeto, mas o principal foi o sentimento de obediência aos meus pais.

Certamente todos os meus irmãos o foram até os 13 anos, mas quando caíram na realidade tiveram um choque tão grande motivado por causa do batismo pelo Espírito que levou a este descalabro, que resolveram renunciar toda a doutrina da Salvação. Esqueceram que os Batistas explicavam a trilogia – Deus Pai – Jesus Cristo – Espírito Santo – dando o mesmo peso para cada um completando o outro; Deus determinava, Jesus mediava e o Espírito estabelecia o contato entre a mente humana e a inspiração Divina. Se tivessem pesquisado melhor a Escritura teriam descoberto que os primeiros crentes falaram línguas estranhas, mas que cada um daqueles forasteiros entendiam como sendo o próprio idioma. Então havia relação de causa e efeito, pregar o Evangelho numa língua que os outros entendiam como a sua própria.
Isto já foi dito há mais de 50 anos passados pelo Pastor Inke em Nova Odessa quando ele falou que Seminaristas inspirados pelo Espírito Santo estudavam línguas estrangeiras para trabalho missionário – então foi muito criticado pelos Pentecostalistas.
Mas neste caso também a relação de causa e efeito é a mesma dos primórdios do Cristianismo – falar uma língua estrangeira na qual um povo de fora entendesse a mensagem de Deus.
Já havia participado como voluntário na Revolução Constitucionalista de 1932 defendendo a legalidade, mas este é um capítulo à parte.
A minha irmã Lídia que morava em Nova Odessa pediu ao João Jankovitz que viajou para Ijuí, que me fosse apanhar em Santa Rosa onde eu então era aprendiz de oleiro, favor que ele cumpriu devotamente e por isto eu estou-lhe eternamente agradecido.
Eis-me agora na Fazenda Velha perto da Estação de Nova Odessa em São Paulo, onde estava localizada uma Colônia Leta, muito progressista material e espiritualmente.
Todas as propriedades eram produtivas e respondiam a diligencia dos Letões que eram agricultores natos e ajudavam incansavelmente a natureza que retribuía este esforço com messes generosas.
Estava com 16 anos. Combinei com o meu patrão Arajs para trabalhar a metade do dia durante período de entre safra como empregado na lavoura mediante a retribuição da pensão completa, mas no período de cultivo me comprometi a trabalhar o dia todo mediante remuneração.
No sótão da Igrejinha Batista da Fazenda Velha havia uma sala que foi adaptada para a escola. De Nova Odessa a bicicleta pedalando 8 quilômetros vinha o Prof. Carlos Liepim, que foi bacharel formado pelo Ginásio Batista do Rio de janeiro, para ministrar as aulas. Com a sua ajuda recuperei todo aquele tempo perdido na penumbra do semi-analfabetismo e ele me ensinou tudo que sei, naturalmente aprimorado depois. Não fez por menos, preparou a mim e outros alunos diretamente para o admissão.
Depois ele foi convidado para ser professor de física e química num ginásio de Campinas, indo diariamente de trem para dar aulas, mas embora estivesse com seu tempo tomado, conseguiu uma vaguinha para orientar os meus estudos na sua residência à noite duas vezes por semana, quando eu pedalava a minha bicicleta para ir e voltar, por um caminho de terra iluminado por uma lanterna de carbureto.
Minha base religiosa Evangélica estava abalada. Mantinha uma rigorosa conduta de crente por que agir de outra forma seria burrice, mas intimamente duvidando daquilo que não fosse palpável, no entanto nunca deixei de ver a presença de Deus em todas aquelas maravilhas que ia descobrindo pelo estudo nos rudimentos da ciência, por que em tudo aquilo eu via a presença de Deus e sentia que ao aprender aquelas teorias de Lavoisier, de Pasteur, aquelas definições Newton a respeito da gravidade ele estava sendo lisonjeado.
Fui aceito como membro da Mocidade Batista que era constituída de jovens sadios, decididos, estudiosos e que me tratavam como se eu fosse igual a eles – embora fossem filhos de famílias abastadas.

CONTINUA

Você não terá tempo para ler tão longa carta. | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1924 –

Querido irmãozinho! Saudações!
A tua carta escrita no dia 4 de abril eu recebi no dia 20 e por ela muito obrigado. Eu queria e realmente comecei a responder esta carta na semana passada, mas como o Paps esta se aprontando para ir a cidade e ele disse que não queria levá-la a Estação da Estrada de Ferro, então eu parei de escrever, mesmo que novas notícias não havia. Também os jornais e “O Crisol” chegaram junto com a carta escrita no dia 18 de Abril com a carta dentro.

Nós estamos passando bem, se bem que somente o tempo está muito seco e muito frio. Na semana passada vieram grossas nuvens e na Terça feira choveu um pouquinho e nos outros dias ficou nublado, mas no Sábado de manhã começou a limpar e no Domingo pela manhã nas partes baixas já houve geada.

Nesta semana o tempo está tão limpo que nenhuma nuvenzinha pode ser vista no céu. Admiro que você diz que lá chove até demais e aqui para muita gente está faltando água e aqui para nós na calha corre pouquinho quase pingando e se para frente não chover ai na fonte nós realmente não teremos mais água. Todas as lavouras estão estorricadas e as laranjeiras estão perdendo as folhas. Aqui ainda choveu alguma coisinha então você precisa imaginar em Braço do Norte onde não choveu nada.

Na semana passada chegou o Karlis [Leiman] que veio de Mãe Luzia. Na Quinta feira teve culto em Orleans e na Sexta feira ele subiu para o Rio Novo. Foi para a casa do Zebergs [Os Zebergs moravam noutro vale a leste do Rio Novo] e ainda visitar outros e daí para o Rio Larangeiras e daí veio aqui em casa somente no Domingo pela manhã então devido ao pouco tempo não foi possível completar todos os assuntos em pauta.

O Stroberg também ainda não veio. Ele deverá vir junto com o Salit. É provável que amanhã chegue em Imbituba e aqui os Rio-novenses estão aprontando-se para fazer uma noite de festa de Recepção. Tem muita gente que ele chegue o mais breve possível, será que depois eles mesmos não farão todo possível para que ele vá embora?
No dia 29 de maio, dia da Ascensão do Senhor haverá uma festa da Escola Dominical e no dia 8 de junho nas Oitavas da Festa de Verão [Pentecostes] haverá nova festa de Músicas e Cantos da Mocidade então por esta você já está convidado e traga junto as Uniões de Mocidade e Coros de Jovens de lá.
O que eu esqueci de contar já antes que no dia 26 de março recebemos um telegrama do Augusto Adam contanto que no dia 3 de março o nosso “Grossfaters” [deve ser o Jehkabs Rose] faleceu e o telegrama foi expedito neste mesmo dia. Pela rapidez que veio esta mensagem você pode avaliar a eficiência das comunicações por aqui.

O Link está na Escola este ano? Aqui o Karlis contou que o Missionário Dunstan teria mandado uma carta queixa para o Seminário contra ele e para que não mais o aceite lá porque, ele teria feito uma campanha contra a Associação em Ijuí.
Bem desta vez chega de escrever. Você não terá tempo para ler tão longa carta. Também muitas lembranças do genro do farmacêutico, ele prometeu te escrever.

Mui amáveis lembranças de todos de casa. Pode ser que na próxima vez eles também escrevam. Escreva bastante para mim que ai eu escrevo bastante para você.
Luzija

[ATENÇÃO AMIGOS LEITORES DESTE BLOG : DEVIDO A NOSSA VIAGEM PARA O CONGRESSO DA ASSOCIAÇÂO BATISTA LETA NO BRASIL QUE ESTE ANO SERÁ NA CIDADE DE IJUÍ NO RIO GRANDE DO SUL HAVERÁ UMA BREVE PARADA NA APRESENTAÇÃO DE NOVAS MATÉRIAS. ATÉ IJUÍ PESSOAL]

Batistas de Rio Novo, Orleans SC e seus frutos. | Por Benjamim Wiliam Keidan – Maio 2012

BATISTAS DE RIO NOVO, ORLEANS SC E SEUS FRUTOS

Os imigrantes, vindos da Letônia, chegaram em Santa Catarina em busca de uma nova terra para suas famílias. Do porto de Laguna seguiram até Orleans e daí para o Rio Novo cheios de sonhos e expectativas quanto ao futuro, construção das casas, trabalho, lavouras e boas colheitas.

Em 1892 surge o primeiro grande resultado, a organização da Primeira Igreja Batista Leta no Brasil. Logo as famílias se unem para a construção de um templo provisório. Era simples, primeiramente com telhado e paredes de folhas de palmeiras, e em seguida outro com paredes e telhado de toscas lascas de madeira, mas o início de uma plantação que resultou em muitos frutos.

Passados 120 anos temos aqui uma rica história, que demonstra os caminhos e os planos de Deus “Porque os meus pensamentos não os vossos pensamentos; nem os vossos caminhos são os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus se levantam sobre a terra assim se acham levantados os meus caminhos sobre os vossos caminhos e os meus pensamentos sobre os vossos pensamentos” (Isaías 55:08, 09) para aquele povo dedicado.

Muitos imaginam que todo o esforço dos pioneiros foi em vão, que os sonhos e as expectativas foram frustrados, pois muito pouco sobrou em Rio Novo.

Entretanto, temos uma visão diferente.

Aconteceu aos cristãos primitivos, (conforme o livro dos Atos dos Apóstolos cap, 08) uma grande dispersão. Por motivo de perseguições eles foram espalhados por muitos lugares, o que motivou o surgimento de muitas igrejas e o início de uma grande obra missionária em vários países.

Aconteceu o mesmo com os Batistas Letos no Brasil. Muitas famílias não se adaptaram às condições das terras na região de Rio Novo e saíram em busca de novas terras mais apropriadas para suas lavouras.

Já em 1895 um grande grupo que se fixou no Rio Grande do Sul organizava a Igreja Batista Leta em Ijuí, na Linha 11.

Outro grupo foi para São Paulo e em 1906 fez parte da organização da Igreja Batista Leta em Nova Odessa, na Fazenda Velha.

Um grupo considerável subiu a Serra e foi instalar-se em Urubici onde o clima mais ameno era mais semelhante ao que tinham deixado na Letônia.

Mais tarde um grande número de famílias foi para o Sudoeste de Paraná: Pato Branco, Francisco Beltrão, Renascença etc.

Sobrou muito pouco em Rio Novo, um antigo templo, apenas alguns descendentes residem na região, mas quantas sementes espalhadas em tantos lugares estão produzindo seus frutos!

As primeiras Igrejas Batistas fundadas em diversas cidades de Santa Catarina, muitas das Igrejas Batistas no Rio Grande do Sul, os integrantes dos Grupos Letos da grande Florianópolis e do Grupo Leto de Curitiba, tem suas raízes ligadas à história de Rio Novo.

Os cristãos primitivos do livro dos Atos dos Apóstolos foram espalhados por motivo das perseguições.

Os pioneiros dos Batistas Letos no Brasil foram se espalhando em busca de novas terras, oportunidades de trabalho e estudos para os filhos.

Ambos produziram frutos, com sementes que ainda se espalham.

Pr. Benjamim William Keidann ( Presidente da Associação Batista Leta do Brasil) – Florionópolis, SC, maio de 2012.

Lembra que nós escrevemos para você ir até o navio para dizer …….| De Olga Purim para Reynaldo Purim- 1923

Rio Novo 26 de abril de 1923

 

Querido Reini: Saudações!

 

A tua carta escrita no dia 2 de abril já há algumas semanas atrás e como a minha tinha ido muito depressa e a tua resposta também veio rápida, porque tu foste bem malandro e não esperaste o outro coelho para matar os dois com uma cajadada e ainda porque a Luzija logo escreveu uma carta  por isso não me apressei em responder. Outro motivo, que estava esperando cartas dos nossos outros parentes para matar os meus dois coelhos, mas não tive esta sorte e não sei se eu terei.

Nós graças ao bom Deus estamos todos bem. O tempo na maior parte está lindo e quando chove, é pouco e agora nós estamos esperando chuva para aumentar a água do rio para poder começar fazer a farinha de mandioca. Esta semana nós queríamos começar, mas como o arroz estava maduro e os passarinhos estavam atacando muito, tivemos que colher logo e outros serviços, também temos bastante.

No mês que vem são os Klavim que estarão fazendo farinha no nosso engenho. Ai você poderá apreciar toda a nossa tecnologia.  E ainda no dia 21 de maio haverá a Festa da Música que a Luzija já te convidou. Festas, farinha de mandioca recém saída do forno, laranjas começando a madurar. Poderás andar a cavalo, andar de carro de boi.

Quando os teus automóveis chegarão a esta altura?

Aqui no Rio Novo nada de novo tem acontecido. Há pouco tempo o Auras foi a Ijuy buscar a mãe da mulher dele (sogra) para trazer para cá porquê o pai (sogro) morreu e o outro filho que mora lá é um desmiolado e ela já velha, fica sem ninguém para ajudá-la.

O Alfreds Leepkaln viajou para São Paulo já há algum tempo para ver as terras como são por lá. Se achar melhor ele vai mudar para lá. Mas ainda não voltou, mas já tem gente dizendo que ele está gostando, mas também a passeio na casa de parentes, quem não vai gostar, pois ele está com os Burschis que são parentes dos Leepkaln.

Nós recentemente recebemos cartas do Karlos e do Fritz. O Karlis promete este ano visitar-nos. O Fritz escreveu que o Arthurs tinha sido ordenado pastor e que no dia 10 de abril ele está planejando casar com quem ele não disse, mas, nós há muito tempo sabíamos, pois o Karlis já tinha contado que ele o Arthurs estaria noivo da Victorija Ochs e a própria senhora Ochs contava para todos que quisessem saber, que a Victorija iria já junto com o Fritz. Ela já estava contando esta vantagem quando o Arthurs ainda estava aqui.

O velho Leiman lá na Argentina está cada vês mais gordo, só que não tem forças. Passa os dia inteiros tocando violino e cantando.

 

Após longa espera também chegou uma carta do “deserto” esta eu estou mandando anexa, pois seria muito trabalhoso transcrevê-la. Você sempre pergunta por eles e agora poderás ficar sabendo que lá não é nenhum paraíso. Na primeira carta eles quase nada escreveram, somente dizendo que está tudo bem. Mas agora que já estão instalados naquele “deserto” viram que não era bem assim. É muito triste saber que em relação ao sustento e habitação eles estão passando tão mal. E como será depois que a terra estar dividida e cada um terá que fazer o seu próprio rancho e quanto de terra que cada um vai receber? E as construções que agora eles fizeram decerto vão ficar para a Administração.

Eu e a Luzija na semana passada escrevemos longas cartas explicando porquê não mandamos nenhuma carta para a Latvia porquê achávamos que eles não estavam mais lá. Lembra que nós escrevemos para você ir até o navio para dizer que eles viessem para cá para o Rio Novo. Se você tivesse ido e não deixado recado aos dois Sprogis e o Inkis que foram ao navio e não disseram palavra alguma, para eles virem para cá.

Se eles viriam ou não é outra coisa. Se você tivesse ido pelos menos teria os visto e conversado com eles. O Paps determinou que escrevessem que quando arranjassem dinheiro suficiente viessem embora para o Rio Novo. Não tenho muitas esperanças que isso aconteça. Quando tiveres lido bem, aquela carta deles que eu te estou mandando junto então, por favor, nos devolva porque a Luzija tem uma caixinha onde ela guarda todas em ordem, qual está quase cheia.

Bem agora chega. Você quando escreve usa somente um lado do papel. Você nada escreve como vive etc. Ainda lembranças de todos Olga.