Aquele Reinis de Leningrado escreveu uma carta e também um cartão postal…De Luzija para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 24-3 25

Querido Irmãozinho!
A tua carta escrita em 20 de fevereiro recebi já há bastante tempo, por ela muito obrigada. E eu estou fazendo do mesmo modo que você, quando não responde imediatamente depois as coisas se acumulam e se gasta muito tempo com tanta coisa para escrever. Realmente não tinha tempo de responder, pois possivelmente você saiba que agora no dia 20 foi o aniversário aqui da Igreja e por isso quase toda noite tínhamos que participar dos ensaios do Coro da Mocidade e também do Coral da Igreja e devido que este ano os ensaios começaram muito tarde foi necessário também alguns durante o dia e assim realmente não sobrou tempo para escrever nada.

Sobre a Festa de Aniversário da Igreja devo informar que naquele dia o tempo estava bom, mas, gente não tinha tanta quanto nos outros anos. Foi servidos o tradicional café com pão doce, etc.. Visitante ilustre foi o representante da Igreja de Varpa, ou melhor, o Pastor Pintcher do “Acampamento” [Início da Colônia Varpa Tupã SP] o qual chegou aqui já no dia 25 de fevereiro junto com o Pastor Stroberg de São Paulo. Sobre o Programa da festa nada excepcional não houve, tudo transcorreu igual as outras festas. O Pastor Pintcher foi o dirigente. O Pastor Stroberg já no dia 11 de março teve que embarcar para reiniciar os seus estudos. Junto com ele tinha vindo um outro moço do “Acampamento” chamado Schmit e esse também foi junto com o Stroberg para a escola em Kuritiba. Interessante quando este moço falava em público ficava com os olhos fechados. Este moço tem a mesma altura do Stroberg. Bem sobre as atividades do Pastor Pintcher e do Schimit escrevo em outra ocasião.

Recentemente recebi uma carta do Tio Ludvig e ele escreve que de boa vontade viria dar um passeio em Rio Novo, mas ele não tem ninguém para deixar em seu lugar. Ele exerce o cargo de Redator do “Deutscher Zeitung”. Ele tem dois auxiliares, mas se forem deixados sós, eles amassariam todos os livros com os pés e assim mesmo o jornal ficaria com as páginas vazias [em branco]. Ele me convida e acha que seria muito melhor eu ir passear em sua casa e que pusesse a mamãe [Lisete Rose Purim – irmã dele] num cesto (balaio) e trouxesse junto, pois de outra maneira ela nunca viria fazer uma visita para ele. Sobre você, ele não pergunta nada, somente ele menciona sobre o filho mais velho dele o Gerds [mais conhecido por Vitor] já está na escola e diz que ele e parecido com você [7 anos de idade] e o outro se chama Rolf e tem um pouco mais de três anos de idade e não tem mais nenhum filho, o endereço dele ainda é o mesmo, Rua Libero Badaró N. 99.

Aquele Reinis [Reinis – Reinolds Purens irmão de Jahnis Purim meu avô – Faltam detalhes deste parente] de Leningrado escreveu uma carta e também um cartão postal, ele conta que no mês de abril ele deverá viajar de volta para a Letônia e depois para o Brasil ou para a África. A mãe dele já faz 10 anos que faleceu e ele está sozinho e ele não mais consegue viver na Rússia. Ele possuía um terreno, mas hoje já não é mais dele. Então vai liquidar todos os bens e vir embora. Também o tio Jekabs [Jekabs Purens outro irmão de Jahnis Purim que foi morar com a família em Varpa Tupã SP.] escreveu que escreveu para o tio Andrejs [Andrejs Purens] outro irmão de Jahnis Purim que nunca veio para o Brasil.Tinha mandado cartas dizendo que tem vontade de algum dia vir para cá também. Nós escrevemos para que ele [Reinis] na medida do possível auxilie o Andrejs e venham todos para cá. Portanto não se assuste se na eventualidade eles apareçam por lá, pois nós também fornecemos o seu endereço para eles.

Nós estamos razoavelmente bem, somente à tosse comprida está nós judiando. Também o Paps [Paps – Jahnis Purins meu avô] ficou acamado com tifo, mas nós outros ainda não tivemos.

O tempo está com a temperatura mais amena e também não chove mais tanto, já parece que o outono está chegando. O milho está amadurando e este ano as espigas estão bem desenvolvidas (grandes).

O Arthurs plantou um trecho de arroz no banhado junto à divisa do terreno com a Nona e este arroz quanto ele, você poderá vir ajudar a cortar. Logo teremos que fazer a farinha de mandioca, pois as mesmas estão com as raízes realmente grandes e água para mover o engenho também há bastante. Nesta semana o Roberts está fazendo novas roscas [Deve ser para os fusos das prensas]. Este ano a farinha está cara 22 a 24 o saco, o toucinho a 40$ a arroba, a banha a 5$500 o quilo, realmente não consigo compreender como os pobres conseguem comer quando tudo está tão caro.

Você sabe se o João Klava já chegou ou chegou a tempo? Nós calculamos que a chegada dele deveria coincidir com aquela catástrofe. [??] Aqueles majestosos prédios da Escola não desmoronaram e o que você estava fazendo nesta ocasião? Aqui o povo está muito assustado com as notícias destas tragédias e os jornais estão cheios delas.

Tens encontrado o Fredi Stekert? Poderias ir procurá-lo, pois a senhora mãe dele está muito preocupada devido que há mais de um ano que não manda nenhuma carta para casa. Jornais ele manda, mas nenhuma linha sobre ele próprio e ela também não sabe onde ele vive nem o seu endereço.

Bem hoje chega, a cabeça está doendo e o sono está chegando, tenho que ir dormir.

Lembranças de todos, os outros também vão escrever. Eu antecipei, pois quero receber a sua resposta também antes sem ter que esperar demais.
Luzija
(Escrito na lateral)
Ainda muitas lembranças do pessoal do Rio Larangeiras. Eles nunca podem te esquecer, você bem que poderia escrever uma carta para eles. O Romão [Romão Fernades meu avô materno] prometeu te escrever, mas não sei se já o fez.

…as Estações das Estradas de Ferro foram bombardeadas… | De Luzija Purim Para Reynaldo Purim – 1924 –

Rio Novo 31 de julho
Querido irmãozinho! Saudações!!
Recebi a tua carta escrita no dia 27 de junho no dia 17 de julho. Ela demorou a chegar, mas ainda bem que chegou e por ela muito obrigado. Eu já queria responder em seguida, mas àquele amontoado de notícias sobre a grande revolução e o boato que o correio estava parado fez que eu adiasse esta carta. A Olga recebeu a tua carta então agora eu sei que o correio para o Rio está funcionando. Então como não quero ficar devendo vou escrever que talvez ela chegue.
Nós estamos passando bem até agora graças a Deus. O tempo agora está frio. Hoje deu uma forte geada. Na semana passada estava um tempo seco e quente. A água de nossa fonte na calha acabou de vez. Agora nós temos que carregar da grota funda. [Esta grota tem uma fonte que nunca alterava a quantidade d’água tanto em tempos de chuva como os de seca. O primeiro acampamento dos imigrantes letos ficava no plano logo acima deste penhasco. ] No Domingo estava um tempo bom e quente, mas a noite já começou a ficar nublado e daí choveu bastante forte e agora tempo bom outra vez.
Aqui nada de novo tem acontecido porquê aqui não tem nenhuma revolução, mas o povo está bastante preocupado, Alguns estão preocupados com os seus parentes em São Paulo. Outros tem medo que dia mais ou dia menos poderão soldados serem convocados, enquanto isso os negociantes sobem os preços até mais não poder. O querosene há 3 semanas atrás estava a 17$ a lata e agora já está a 23$ e isso vale para todas as mercadorias e ainda dizem que vai ficar mais caro ainda. O toucinho está valendo 23$ a @. O milho está a 16$ a saca. Os preços estão bons para vender, o problema é que ninguém tem as mercadorias.
A Igreja está indo bastante bem. As grandes demandas estão desaquecidas. O Stroberg dirige os cultos. Estes estão bem freqüentados. Vamos ver como vai ficar daqui para frente se ele não vai desanimar. Os sermões dele não são mais como foi o primeiro, naquele dia do Natal. Agora o povo reformou a cozinha da Igreja e é possível que ainda esta semana ele venha morar vizinho nosso. Até agora ele está morando com os Karp. Junto com eles veio uma irmã mais nova dele chamada Lídia [Mais tarde casou com um Books] que é uma excelente cantora dotada de uma bela voz.
Quanto a Escola Dominical também vai bem. O Zeebergs ainda continua no seu posto, mas o Stroberg ajuda bastante. Nas noites das sextas feiras são feitas reuniões de preparação das lições para o próximo Domingo e assim os professores saem-se melhor nas suas aulas. Eu também participo destes estudos. No dia 10 de agosto a Escola Dominical vai organizar uma Festa, melhor uma celebração parecida com aquela do Dia da Estrela, [Dia 6 de janeiro ] então eu aproveito esta para convidar-te para vir alegrar-se junto na nossa festa.
A Festa da Colheita [Dia de Ação de Graças ] deste ano será no dia 13 de agosto. Haverá poesias, cânticos, sermões e outros, mas o ponto principal do programa para este povo daqui é o café com pães e doces. E como diz o velho Leepkaln: Que espécie de Festa é esta que nem tem nem Café e outras iguarias?
Quanto a União da Mocidade vai sempre nos velhos trilhos. São mantidas todas aquelas reuniões de sempre. Para o trabalho no Rio Larangeiras todos os domingos um grupo de jovens para lá se dirige. Eu nas últimas vezes eu não fui porquê estava com a garganta doendo então não podia cantar. Se tudo correr bem no próximo Domingo eu irei e vou aproveitar para entregar aquelas lembranças e eu tenho certeza que ficarão alegres porquê eles têm você em alta conta porquê dizem que você não é orgulhoso e nunca esquece deles, pois sempre está mandando lembranças.
Brevemente vão mudar daqui para São Paulo o Willis Ochs com sua família. E também o Wilis e Anna Slengmann, A Anna, é mãe da mulher [Sogra] Olga,do Willis Ochs. A Anna irá passear na casa de parentes, mas o Willis Ochs vai de mudança mesmo porquê aqui ele a terra já vendeu para um italiano e este quer que desocupe logo a casa. Eles vão viajar logo e como a Lilija disse que de revolução eles não têm medo nenhum porquê eles dizem que não vão entrar na cidade, mas vão passar por fora ao redor, não sei como e por que tanta pressa de sair do Rio Novo e não sei como tem gente que época de conflitos e convulsões se metem a viajar. Nós temos lido em jornais que situação está medonha, as Estações das Estradas de Ferro foram bombardeadas e muitos edifícios também. O povo foge para toda parte e as autoridades do Estado não permitem a entrada de pessoas de outros estados e sim somente tropas do exército que os venha ajudar.
Bem acho que devo terminar. Porque está ficando longa demais e os dedos estão ficando gelados de frio, melhor mesmo é eu ir dormir.
Você tem mandado aqueles jornais. Toda vez que vou ao correio eu pergunto e ele diz que não veio nada. Agora o agente do correio é muito bom e atencioso e entrega direitinho toda a correspondência e cartas.
E o Kraul já foi lá? Ele gostou de lá? O que ele contou dos Rio-novenses?
O Jahnaits ainda está na Escola? Ele também concorda com os renovados como o Jahnites Inkis e Sprogis? Ou deixou inteiramente estes exageros?
Por que você não manda mais “O Crisol” ou ele já terminou a sua vida?
Muitas e amáveis lembranças de todos os de casa. A Olga prometeu escrever, mas ainda não o fez. Que ela mesma responda a sua carta porquê eu também somente respondo a minha.
Com sinceras lembranças e longa carta de resposta aguardando
Luzija.