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DR. REYNALDO PURIM – DADOS BIOGRÁFICOS | POR JOÃO REINALDO PURIN – 4ª PARTE

DR. REYNALDO PURIM
Memórias de seu sobrinho João Reinaldo Purin
4ª Parte

Sua rotina semanal:
Aos sábados: Bangu, onde, tomava as providências, fazer visitas, reuniões, programa especial à noite. Domingo o dia inteiro, Escola Bíblica Dominical, culto, almoço em casa de alguma família escalada, mais visitas, trabalho evangelístico ao ar-livre, culto a seguir. Tudo terminado tomava o trem e vinha para a cidade para as suas lides da semana. Quarta-feira à tarde, novamente Bangu e assim sucessivamente. Só quem conheceu os trens e os bondes daquela época pode calcular o sacrifício que era.

Um ano ele enviou para nós, pelo correio, um pacote com livros, em sua maioria de Monteiro Lobato: História das Invenções, Aritmética da Emília, Emília no País da Gramática, Serões de Dona Benta e outros. Foi uma alegria e também oportunidade, uma vez que gostávamos muito de ler, pois lá no sítio poucos recursos tínhamos para obter livros.

Certa vez, no dia seguinte à sua chegada em Rio Novo, após o café da manhã, ele foi logo dizendo: “calça velha, calça velha e um chapéu de palha”. Seria uma calça remendada de meu pai que era mais baixo que ele. Ficou uma “figura”. Queria logo ir com a gente para a roça capinar ajudando na lavoura. Como o sol era muito quente ele ficava com os braços queimados. Lembro-me de que ele próprio tirava a pele dos braços em longas tiras secas. Tudo isso era contra a nossa vontade, pois viera para descansar. Mas ele não era de ficar parado. Isto também era, para ele, uma boa higiene mental. Aos domingos ele pregava e também em algumas noites, à luz dos lampiões, no templo da Igreja Batista local em Rio Novo.

Lembro-me de que ele, com a mania de professor, sempre andava com lápis vermelho no bolso para corrigir as provas. Assim é que pediu logo os nossos cadernos da escola primária. Foi logo achando o que corrigir e reclamar da professora que não corrigia direito os seus alunos.

Houve um ano em que ao chegar em casa e abrir a mala nós, os meninos, vimos que ele trouxera um exemplar cinza-azulado de “Admissão ao Ginásio”. Supúnhamos que ele tinha intenções de levar algum dos sobrinhos para internar em um colégio no Rio ou em algum outro lugar. Passados alguns dias ele começou a nos dar aulas das matérias ali contidas: Português, Matemática, História, Geografia. Mas como ninguém cobrou nada dele, ficou por isso mesmo. Assim como veio, deixou o livro e voltou para as suas lides no Rio de Janeiro.

Nas suas férias gostava muito de apreciar a natureza. Ficava impressionado com o verde exuberante do sítio.
Mas reclamava de que meu pai e a família precisavam se organizar e viver dentro de um orçamento fixo. Não adiantava argumentar que as colheitas eram muito incertas e que os imprevistos eram constantes. Como solteirão e não tendo filhos, ele podia viver desta forma; mas para uma família na roça, dependendo da lavoura, isto era impossível. Mas quem para convencê-lo?

Também não queria que derrubássemos as matas virgens, pois, havia uma área muito boa, um chapadão com mata nativa e que poderíamos cultivar uma excelente área para boas plantações e colheitas. Entretanto, tínhamos que fazê-las em encostas e já muito gastas pelos anos anteriores e erosões. Às vezes as chuvas eram muito fortes e lá ia tudo água abaixo.

De longe, ele exercia forte influência sobre a nossa família que o respeitava e considerava. Entretanto, o tempo passou e tudo lá ficou.

No Rio de Janeiro

A minha primeira experiência com o tio Reynaldo no Rio de Janeiro foi já no ano 1958, quando já estava estudando em Curitiba. Eu era o coordenador da Organização Embaixadores do Rei no Paraná. Então fui convidado, com tudo pago, para participar de um Congresso Nacional no Sítio do Sossego em Rio Dourado, Estado do Rio. Como o trem da Leopoldina iria partir numa segunda-feira, viajei de avião pela primeira vez, chegando ao Rio no sábado, já bem de noite e fui logo procurar o Colégio Batista na Tijuca onde a meninada estaria se encontrando. Assim foi. No dia seguinte, procurei ir a Bangu. Tomei todas as informações e depois de muitas voltas cheguei à estação de Bangu. Procurei pela Rua Silva Cardoso e me informaram que era a próxima abaixo. Queria o número 279. Fui caminhando e encontrei uma casa velha e adaptada bem simples. As classes da Escola Dominical já estavam voltando para o culto. Era gente que não acabava mais. Assentei-me bem atrás e uma senhora logo veio falar comigo, perguntando se era crente. Respondi que era sobrinho do pastor, mas que era surpresa e não queria que ele soubesse. Assim foi. Logo pude ver o Tio lá na frente. Terno azul-marinho. Ao se por de pé, no púlpito, lançou seu olhar de quase 180º, e o silêncio total. Como que abraçando o púlpito que era próprio para a altura dele, colocou o seu dedo indicador da mão direita em riste, todos ficaram em pé. Anunciou o primeiro hino, e assim o culto transcorreu. Mensagem simples, de ótimo conteúdo bíblico. Era impressionante como ele prendia a atenção de todos até o fim da mesma. Todos prestavam atenção. Não queriam perder o pensamento até o fim. Quando o culto acabou, fui me encontrar com ele que foi dizendo “mas você por aqui?” Logo falou com a família que iria dar o almoço para ele e pediu que “colocasse mais água no feijão…” Pude notar o quanto era querido e considerado por todos.

Naqueles tempos ele já morava no bairro do Rio Comprido, à Rua Sampaio Viana, 46, propriedade do Maestro Arthur Lakschevitz. Ele morava em cima de uma garagem onde funcionava a gráfica desse irmão. Nela eram confeccionados os Coros Sacros, a Revista Teológica do Seminário do Sul e impressos para as igrejas. Lá em cima eram dois cômodos. O da frente, o maior, era a biblioteca, cadeira, escrivaninha e de tudo o mais. Na parte de trás era a cama e outras coisas do seu dia a dia. Como ele sabia que iria chegar, estava me esperando na calçada. Assim me fez entrar. Subimos pela escada que ficava nos fundos. Foi logo me mostrando a sua famosa tese de doutorado em filosofia. Estava embrulhada em vários papéis, inclusive um contra incêndio e outro contra umidade. Lembro-me que, talvez pela emoção, acabou quebrando o vidro ao fechar o armário.

Depois, em junho/julho do ano 1960, foi quando aconteceu o X Congresso da Aliança Batista Mundial. Fui o responsável pelo grupo que foi de ônibus de Curitiba. Ficamos alojados no Edifício Love no Colégio Batista. Logo nos encontramos e gostava muito de que estivéssemos juntos. Como ele sempre gostou de aproveitar bem de tudo, não participou como dirigente de nenhum grupo ou como intérprete que bem poderia ter sido. Gostava sempre de procurar um lugar próximo a uma caixa de som para não perder nada do que acontecia no Maracanãzinho. A gente ia almoçar no bandejão do SAPS da Praça da Bandeira que hoje já não existe mais.

O Congresso foi indescritível. Tive muitas oportunidades maravilhosas, especialmente no encerramento na tarde do dia 03 de julho, com o Maracanã cheio, o grande coral, Billy Graham pregando e milhares de pessoas manifestando-se ao lado de Cristo.

Continua…

…Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 5-10-25

Querido irmãozinho!

Estou certa que vou receber uma bronca por não ter escrito antes, mas o que fazer se vem à preguiça para escrever cartas. A tua carta escrita antes da minha já recebi inclusive as duas registradas quais não lembro a data. Planejei responder, mas ai a Olga disse que iria escrever, mas nós duas ficamos com tanta preguiça que terminamos não escrevendo. Mas quem consegue escrever cartas nestes tempos que a gente vive cheios de pompas e circunstâncias.

Nós estamos passando suficientemente bem, graças ao bom Deus que a nós todos supre para que nada nos falte. A Olga também vai melhor e está mais forte que antigamente, pode se alimentar melhor e sente o sabor da comida e ela consegue comer mais do que eu, porquê eu nunca estou com vontade de comer. Ela uma vez esteve em Orleans e o farmacêutico recomendou um remédio para tomar. São pequenas bolinhas que ela tinha que engolir e com essas ela ficou melhor. Ela parece que ainda não conseguiu por em prática os teus conselhos e as tuas recomendações porquê o tempo agora está muito instável, pois quando o tempo está limpo sopra um vento muito frio e também nos dias chuvosos não dá. Vamos esperar os dias esquentarem para estão experimentar as suas recomendações.

O tempo agora está claro e bom. Semana passada inteira soprou o vento seco e tão forte que parece que iria derrubar o mundo inteiro de pernas para o ar. Antes disso tinha sido bastante chuvoso e se nalgum dia o sol brilhava e então no dia seguinte já chovia e houve dias que pela manhã amanhecia claro e fresco e já na hora do almoço já estava chovendo. Na semana passada esta um tempo bom, mas na sexta feira começou uivar um vento tão forte e continuou a fazer estripulias até domingo à noite. Hoje está calmo e um nublado já começou a peneirar uma chuvinha, mas parou e então o povo aproveitou para queimar as coivaras e outras queimadas.

O velho Nettemberg morreu no dia 19 de setembro. Ele fazia tempo que estava doente e ficava somente deitado. Mas ele, a vida inteira, vivia doente. Ele foi colocado no caixão que o senhor Leiman tinha feito para si e a cova foi feita na área reservada para o Wilis Slengmann, justamente as pessoas que durante a vida toda eram seus adversários e que ele o falecido não gostava. Sempre ele achava que eles eram muito amantes de riquezas e de bens.

O Augusto Klavin no dia 12 de setembro viajou para São Paulo e o Wilis viajou no dia 2 de setembro. Eles foram para o casamento do Juris. O Willis viajou antes porque aqui ninguém sabia a data certa das bodas e quando ele chegou lá, ele mandou um telegrama confirmando a data certa. Semana que vem dia 12 o Augusto deverá estar de regresso ao lar. O casamento foi no dia 27 num domingo. Naquele domingo estive na casa dos Klavin convidada pela Marta que organizou uma festa especial convidando todas as suas amigas.

Na semana passada no dia 1o. de outubro deu-se o casamento do João Zeeberg com a Hilda Auras [Esta família deveria ter uma página especial]. Naquele dia o tempo estava bom e fresco porque nos dias anteriores tinha estado nublado. A cerimônia foi na Igreja e começou as 11:30 horas da manhã e tinha bastante gente. O sermão foi proferido pelo Pastor Stroberg e logo após esta parte todos se dirigiram para a casa dos Auras onde já estavam aguardando os representantes da Justiça que vieram de Orleans trazidos pelas famílias para que tudo fique mais caro para se pagar. Depois da parte civil começou o banquete que realmente estava muito bom. Eles tinham preparado tanta comida que os convidados nunca teriam conseguido comer tudo. Nós também fomos, somente o Paps ficou em casa, e como não ir depois de tantos convites inclusive um impresso em uma tipografia de Tubarão com letras douradas e com o texto em leto e em português. Ao Zeeberg ficou tudo muito caro, mas como ele diz “o que é preciso é preciso”, desde que fique melhor do que dos outros.

Esta semana vai ser o casamento do Carlinhos Leepkaln com a Anna Sanerip [ Este casal, entre outros filhos devem ser lembrados a Rosália Alida casada com Zefredo Karkle em Curitiba e o Paulinho Leepkaln casado com a Da. Carmelita em Urubici].
Somente não terão a grandiosidade do outro, pois o casamento tanto a cerimônia como a recepção será na Igreja. Pela manhã eles irão a Orleans para o Casamento Civil e há 1 hora da tarde de volta na Igreja. O casamento deles será no dia 9. Agora todas as semanas tem havido casamentos para aproveitar a estada do Pastor por aqui.

O Stroberg chegou aqui no 24 de Setembro e se tudo der certo vai viajar no dia 12. Não faz mal viajar, pois tudo será pago pelos Zeeberg e pelos Auras. Também a língua brasileira ele aprendeu suficiente para ler fluentemente e também traduzir. Na terça feira será feito um mutirão para limpeza da casa dele aqui. Ele está convidando os jovens para capinar e roçar, pois ele pretende pagar. A Elvira [Stroberg irmã do Pastor] chegou de Nova Odessa e com ela veio também o Otto Slengmann. Ele não gostou de lá porque é muito seco e aqui é muito mais bonito. O senhor Slengmann tinha deixado para ele uma gleba no Rio Larangeiras para o caso que ele voltasse e ele voltou mesmo. O Benis [Benis Slengmann] quando terminar o tempo de Serviço Militar nem vai para Nova Odessa e vem direto de volta morar aqui. Agora para os Rio Novenses, aquela febre de viajar, de mudar daqui parece que acabou. Em Nova Odessa os produtos da lavoura que os colonos tem para vender estão baratos demais. O algodão estava a 10$ a 12$ a @ e ninguém comprava. Aqui também tudo ficou muito barato, o toucinho de 36$ caiu para 13$ e agora voltou a 26$ e assim também os negociantes tiveram um enorme prejuízo com o feijão que estava valendo 80$ e em poucos dias caiu para 20$ quando deixaram de comprar por falta de dinheiro.

Hoje recebemos uma longa carta registrada do Fritz [Fritz Leimann da Argentina], pois dele nós não tínhamos recebido nenhuma notícia direta dele. Ele escreve que tinha mandado 4 cartas quais todas devem ter sido extraviadas. Ele está passado bem, somente a Kristine esteve muito doente, mesmo assistida por 3 médicos nenhum dava mais um mês de vida, então o Senhor fez o milagre pois ela ficou viva. Agora já está fazendo pequenos serviços de casa. Agora eles estão morando em Urdinarrain [Argentina] onde agora tem uma pequena nova Igreja. Construíram um pequeno templo de tijolos. Diz que é muito mais fácil trabalhar numa nova Igreja onde não existem velhos membros teimosos. Ele diz que vai escrever direto para você quando terminares o Curso. Ele espera que o Arthur [Arthur Leimann] e você para trabalhar com ele então se apronte.

Hoje também chegou a Orleans o Missionário Deter. À noite na Igreja de lá vai haver culto e reunião e amanhã vai viajar para Mãe Luzia, mas no domingo já estará de volta aqui no Rio Novo. Vamos ver se o plano vai dar certo.

Bem tenho que terminar, já é tarde da noite e mesmo carta mais longa você não conseguiria terminar de ler e você sempre não tem tempo e está tomado de trabalho. Você pode vir para casa descansar um pouco e capinar um pouco para não esquecer de todo como é que é. No dia 13 de dezembro eu vou descer a cavalo para Orleans para esperar-te. Eu sei que você está acostumado andar de carro e não tem nenhuma chance de andar a cavalo. Aqui você não terá chance de encontrar nenhum auto. O nosso amigo Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$ e quando chegar, ele vem passear aqui no Rio Novo. Se você estiver aqui na ocasião, poderá também aproveitar.
Muitas lembranças de todos de casa, se tudo der certo na semana que vem vou escrever outra. Hoje chega.

Com lembranças – Lucia.
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Tudo que foi plantado na roça vem bonito. | De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

[Carta escrita em várias etapas por Otto Roberto Purim mais conhecido por “Arthur” agora com quase 20 anos de idade].
Também uma parte escrita por outra irmã, a Lucia para aproveitar bem o papel.]

Rodeio do Assucar 12-8-25

Querido Irmão! Saudações.

Já recebi as tuas cartas escritas em 2-6 e 2-7, já há bom tempo. Por elas muito obrigado. Agora chegou a hora de eu pegar a caneta e a pena e começar a escrever. Na semana passada a Luzija também recebeu a tua carta escrita no dia 23/8. Naquelas cartas que eu recebi você faz tantas perguntas e apresenta tantas questões que realmente não sei como atender todas os casos ao teu gosto. Você solicita que eu escreva minuciosamente e detalhadamente [Sihki un smalki – Não considero a minha tradução adequada] Você sabe que eu não tenho as condições para uma apresentação elaborada pelos motivos que você bem sabe.

Você diz que não tem muito tempo para gastar com a resposta de cartas. Se você não tem tempo, então calcule eu que não tenho tempo para escrever muito, pois eu tenho serviço demais que nem sei o que fazer primeiro e quando me ponho a escrever tenho que pegar a pena, mergulhar no tinteiro e tenta acertar os pensamentos para então começar a desenhar as letras e palavras. Para você é tudo diferente, você se senta à frente da máquina e momentos depois a carta está pronta e só colocar no envelope e enviar. Aqui não sei que hora posso escrever, de dia tenho trabalho demais, à noite também tenho serviços e às vezes tento ainda ler alguma coisa.

Continua depois.

30 de agosto de 1925

Continuação da parte anterior.

Hoje é domingo, tive que ficar em casa de plantão e cuidar os animais porquê todos foram para a Igreja festejar a Festa da Colheita e como esta Festa se desenrolou ainda não sei.
Agora eu tenho me agarrar a esta carrada de perguntas e tentar responder e para algumas perguntas a resposta pode ser em poucas palavras, pois não vale a pena fazer um sermão para cada uma. Você reclama que eu não convidei a tempo para ajudar a farinha de mandioca. Não concordo, pois até semana passada estávamos fazendo farinha. Se você quisesse daria tempo para vir, pois não pudemos fazer antes porque não tinha água suficiente para mover o engenho. Ainda temos mais mandioca para fazer farinha. Pode vir que tem bastante. Sobre a relação de variedades das mudas de mandioca já mandei faz mais de duas semanas e já estou aguardando as sementes e mudas para em tempo próprio possa plantar.. Você pergunta o que nós fazemos em casa, Agora nós estamos capinando e roçando com foice, mas encurtado a conversa fazemos tudo o que aparece na frente. Sobre a boa colheita de milho e outras já sei que a Luzija já escreve para você. Onde nós iremos fazer a coivara no terreno do Rio Novo ainda não foi suficiente discutido. Aqui no terreno do Leimann começamos a roçar e derrubar um pequeno pedaço que deverá dar um pouco mais de uma quarta de semente. A casa onde moravam os Leiman não mudou nada, está igual à antes. Que a Senhora Leiman morreu nós já há muito tempo estamos sabendo. O Fritz não nós escreveu nada, mas a Mama Osch nos conta tudo. Que ela descanse, pois o descanso é necessário para a sua vida foi trabalhosa e difícil e assim ela foi. A sua vida ela viveu, o seu caminho ela palmilhou, sua peregrinação ela findou, Que suas boas obras a acompanhem.

Sobre o Arthur Leiman eu pelo menos não sei de nada, não o que ele faz nem onde ele mora.

Na segunda feira passada o Roberto Klavin em companhia do Rabino judeu Indriks foi para Mãe Luzia construir uma atafona. O Rubis [Mesmo que Roberto] desde o começo de abril trabalhava para os italianos e construía um engenho de farinha. Agora depois de uma semana em casa já foi embora outra vez. Dos italianos ele ganhava 6$500 mil réis por dia e estava muito insatisfeito com este baixo salário porquê acha muito pouco, mas agüentou com paciência 5 longos meses, mas nem assim conseguiu suficiente para comprar um relógio.

Como vai o Zeeberg não teria nada de especial para mencionar. Ele é o dirigente da Escola Dominical e as vezes dirige a Escola Dominical. Também ele traduz [Traduz do alemão] as notícias de Missões de outras partes do mundo e quando chega o dia dele dirigir o Culto ele as lê.

Quanto de modo geral o Pessoal de Rio Novo está um tanto inquieto, pois muitas pessoas querem ir embora daqui. Faz duas semanas que o W.Slegmann com toda família foram morar em Nova Odessa. Naquela mesma semana o Grikis mudou para Urubicy. Para a mudança foram necessárias 20 mulas com as bruacas carregadas. O velho Grikis juntamente com a esposa Senhora Late foram levados para Mãe Luzia porque para as Serras eles não quiseram ir e também porque ela esta muito fraca.

O João Oschs vai mudar para perto de Tubarão e os terrenos aqui ele já vendeu. A esposa dele ainda mora aqui no Rio Novo, mas ele já foi para Tubarão fazer as roças. O Ernesto Slegmann já vendeu todos terrenos por 10 ½ mil e vai morar junto da Atafona lá em baixo que é do W. Slegman.

Ontem foi o casamento da Ema Slengmann
com Dolphi Buris [Adolfo Burmeister]. Eu fui à cerimônia que foi na Igreja e onde também foi a recepção. O próximo casamento será do João Zeeberg com a Hilda Auras. A data se não estiver errada será no dia 1o. de outubro. O Pastor Stroberg virá de Kuritiba para fazer o casamento para depois dar tudo certo. O Zeebergs em companhia do Auras vão pagar todas as despesas de viagem. Agora depois destas você mais ou menos está sabendo como estão as coisas por aqui e as demais miudezas você pode mesmo deduzir.

Quando o Stroberg vai terminar o curso na realidade não sei. Há pessoas que dizem que isso deverá ocorrer somente no ano que vem, porque ele foi um mês atrasado e tem viajado muito. Agora ele vai gastar mais um mês para fazer o casamento do João Zeeberg e por ai os estudos vão ficando para frente. Eu penso que ele quando vier para fazer o casamento, então este ano ele não voltaria mais. Ainda é possível que apareça mais algum casamento e o resto do ano se foi.

Este ano o dirigente [Vice Moderador] da Igreja é o Oscar Karp. Quanto a Escola Dominical cada vez ficando menor devido a saída de muitas famílias e dos homens que vão para a Escola Dominical é somente o velho Karkle. Ele se assenta junto, na classe dos rapazes, duro como um vaso.

Na semana passada recebemos uma carta de nossos parentes de São Paulo. Fazia bastante tempo que não tínhamos recebido nada deles. Mas quando o Alfredo Leepkaln foi de mudança para São Paulo, nós enviamos cartas e uma lata de mel para eles. Lá ele entregou a carta dizendo que o nosso mel tinha se extraviado na viagem. Nós não acreditamos nesta história, pois como todas caixas e mercadorias da mudança chegaram e logo foi extraviar uma lata de mel. Achamos que ele deixou ficar para ele mesmo, pois o mel está muito caro agora.. Estes nossos parentes de São Paulo não te escrevem? Nunca fostes passear lá na casa deles? Você poderia viajar até Nova Odessa em Setembro quando o Jurka Klavin vai casar e aproveitar conhecer os nossos parentes e ver como eles vivem por lá.

A não ser que você já tenha ido e conhecido esta “Leijputrija” [El Dorado ou Shangrillá – Lugar lendário](Escrit. Ontem eu ouvi dizer que o Willis Klavin que já na próxima segunda feira vai viajar para São Paulo para o casamento do Jurka.

Então como é, este ano você vem ou não para casa? Eu gostaria muito que você viesse para casa, pois assim nós poderíamos conversar bastante. Muita coisa poderia contar destas que não vale a pena escrever. Mas eu gostaria que você antes visitasse os nossos parente em Nova Odessa e ai sim você teria bastantes coisas para contar.

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Agora uma semana é passada e nunca mais vai voltar e também há algo de novo. Na segunda feira passada a Luzija foi a Orleans trazendo a resposta para a minha encomenda de sementes, mas não trouxe as sementes devido aqueles obstáculos como : a) Por não ser V.S. inscripto no Registro de Lavradores do Ministério de Agricultura
b) Por não estar o Pedido feito de acordo com o nosso Regulamento
Também as mudas eles não mandam em qualquer época do ano. Somente de 1o. de janeiro até 25 de abril. Quando as sementes eles mandar quando se faz necessário, mas somente uma vez no ano. Eles oferecem muitas variedades de árvores frutíferas, sementes de capins, arados e cultivadores, todos com excelente preço, mas somente para os sócios. Eles mandam formulários para serem preenchidos para entrar na sociedade. Também enviaram formulários de pedidos. Mas para tudo eles querem uma espécie de cadastro. Se for agricultor querem saber qual a área de terra, quanto de mata e quanto cultivada. Se existe estrada de acesso. Se for pecuarista ai saber quantas cabeças de cada animal. Quantos animais são vendidos por ano. Que raças são os animais. Se você é fabricante de algum artigo ou produto, quando foi inaugurada a sua fábrica e qual é o lucro anual etc. O que você pensa disso tudo?
Eu penso que desta vez chega. Se a resposta viesse tão longa como esta até que valeria escrever mais,

Com lembranças de todos
Arthurs.

[Escrito no mesmo papel]

7 de Setembro
Querido irmãozinho! Saudações.
A tua carta escrita no dia 29 de julho faz tempo que já a recebi. Por ela muito obrigada. Eu faz tempo que eu queria responder mas tinha que ficar esperando o Arthur terminar de imprimir a carta dele. Ele ia adiante muito devagar e por isso você teve que esperar tanto, mas em compensação saiu bem longa. A minha carta enviada em 23 de julho você recebeu? Nós estamos passando como sempre. O tempo está bem quente e chove bastante em grandes aguaceiros que fazia tempo que nesta época não ocorriam. Os pastos estão verdes com a grama crescendo bem.

Tudo que é plantado na roça vem bonito. A nossa horta está tomada de couve-flores, nabos, rabanetes, os pepinos estão com os baraços bem crescidos e ainda vamos plantar muitas outras coisas. Pode vir para comer que estou certa que nós não vamos dar conta sozinhos de comer tudo isso. Bem tenho que terminar ,pois este papel está no fim. Noutra vez eu escrevo mais. De modo geral como estás passado? Porque não mandas mais jornais para mim? Como é o seu novo jornal e se possível mandar os números atrasados do (Zelhmallas Ziedi”[ As flores da beira do caminho]
.
Muitas lembranças de todos
Luzija