Impressões de uma jovem leta sobre o Brasil | Por Liene Muceniece de Riga – Letônia

Um depoimento feito por uma jovem universitária sobre a vida no Brasil. Leia até o fim.

Quando uma parte do coração de uma letã fica no Brasil.

Sim, o inacreditável aconteceu – eu, uma “menina normal” cheguei em Curitiba para, em duas semanas, desfrutar o máximo possível de uma das grandes cidades do Brasil. Maravilhas e bênçãos me acompanharam naquelas duas semanas e só posso estar agradecida por tudo ter sido tão maravilhoso como foi.
A minha família brasileira… Sim, eu tenho uma família em Curitiba e ela será para sempre. Estas maravilhosas pessoas já começaram a fazer falta naquele momento que eu embarquei no avião para vir embora quando lágrimas tristes de despedida não paravam de rolar. Até agora as vezes fico triste sabendo que eles estão longe, longe, tão distantes. Mas estou muito, muito agradecida e eu os amo muito.
Bem, a minha chegada foi tarde da noite, senão eu teria me desapontado que o sol não mata ninguém e que as pessoas não estavam vestidas com roupas brilhantes e coloridas como eu tinha imaginado. Mas ao amanhecer fui a primeira a levantar… os pássaros cantavam tão alto! Sai na varanda para ver se por acaso não estivesse havendo alguma briga entre eles, mas nas manhãs seguintes acostumei com o linguajar dos pássaros e a sensação de verão.
As minhas papilas gustativas recordam destas duas semanas com grande alegria. A mesa sempre estava repleta de comida. Do meu ponto de vista, perspectiva leta, ficava preocupada e até triste pela quantidade de comida que sobrava na mesa. Somente nos últimos dias da última semana eu terminava de jantar não ligando para a consciência que me acusava de não esvaziar totalmente o prato. Tem uma questão que me incomoda – onde fica a grande quantidade de comida que sobra nos restaurantes? Qual a fruta do Brasil? São muitas variedades de frutas e muitas variedades de pratos. Muitos mesmo, e de verdade muitos! A preocupação que tinha com o meu peso aconteceu inteiramente ao contrário. Eu acredito ser devido ao sol forte. O que sempre me faltava era a “limonada suíça” da qual aprendi a receita e eu mesmo preparava. E como diz um meu bom amigo, isto é água com açúcar… e felicidade. Para ele pode ser, mas nas minhas lembranças surgem os dias de sol, o Brasil, as praias e a felicidade.
Depois dos três primeiros dias senti falta de andar a pé. As pessoas em Curitiba movem-se motorizadas, mas para mim aqui onde moro em Riga é muito mais fácil e rápido tomar os atalhos onde se caminha a pé. Estes caminhos alternativos parecem não existir ai! Pode ser que a gente deva entender a razão: fora de casa é muito calor, e para uma letã, insuportável. O tempo todo você está no sol.
Quando tinha que atravessar uma rua eu corria com a esperança de não ser atropelada. Em Curitiba como entendi em todo Brasil existe uma lei que quando o sinal abre para o pedestre, vá! Voltando a Letônia vi que aqui haveria grande dificuldade de visualizar os semáforos que estão pendurados em locais possíveis e impossíveis de serem visualizados.
Também não cheguei a compreender quais as pessoas devo beijar a face e quais não. Parece que gostam e ainda outras depois disso vem um abraço apertado. A minha lógica era cumprimentar as pessoas conforme o costume local, mas o que fazer com a vendedora na loja. Beijar? E um paciente no hospital, beijar ou não? Mas parece que o verdadeiro sentimento destes cumprimentos possam ser sentidos só pelos próprios brasileiros e era bom que eles percebiam que eu era estrangeira. Mas assim mesmo havia ocasiões que eu ficava numa sensação confusa, não sabendo se devia beijar ou não. Então nestas duas semanas aprendi beijar pessoas estranhas e não tão estranhas.
Mas ir um baile ao estilo brasileiro eu não esperava. E foi uma imensa alegria que pude ir a dois bailes. Meus olhos brilhavam admirando as centelhas e luzes variadas. Como eram os vestidos de baile. E parece que ninguém se envergonhava por ter vestes amplas e outras pelo contrário muito simples e pequenas. Outra coisa que não interessa é a sua altura. As pessoas se encontram no baile para se alegrar, sorrir e dançar. Se o jovem diz “eu não sei dançar, mas vou tentar” significa que ele não mexe os quadris como Enrique Iglesias, mas conhece o ritmo muito bem e conduz a sua garota com perfeição. Quase o tempo todo a música toca com ritmos brasileiros e as pessoas instintivamente começam a dançar. Não sei qual o compasso da dança, mas dois passos à direita e dois passos à esquerda. Aqui na Latvija aprendemos modos e passos especiais para encaixar com o ritmo, etc, mas no baile no Brasil o rapaz convida a menina para dançar e tudo acontece maravilhosamente.
Parece que foi no primeiro dia que cada palmeira sorria e cada casa latino-americana sorria. Aquilo parecia irreal, e de vez em quando eu tinha que me convencer que eu estava no Brasil – sim, eu estava no Brasil! Houve momentos que tinha medo que fosse um sonho e eu acordasse.
Dois meses já se passaram desde que deixei o Brasil. É inacreditável, mas as lembranças estão tão profundamente gravadas que cada vez que o sol brilha forte aqui na Letônia eu fecho os olhos e imagino que estou de volta no Brasil brilhante. Como deixei parte do meu coração no Brasil, a minha alegria que todo tempo me aquece é o sol do Brasil e o sorriso das pessoas.
Fevereiro de 2015.

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COMPLEMENTO:
Como Liene veio parar no Brasil?
por Carlos Ademar Purim
Ao final de 2013, Andreis nosso filho mais novo passou no exame de seleção do curso técnico da UTFPR, um exame muito concorrido com cerca de 20 candidatos por vaga. Quando no início de 2014 ele foi fazer a matrícula todo entusiasmado para começar o ano letivo, pensando que as aulas começariam em Fevereiro ou, no máximo, em Março, ficou sabendo que, em decorrência de uma greve no ano anterior, as aulas só começariam no dia 9 de Abril.
Para não ficar todo este período em casa (jogando no computador), e como prêmio pela dedicação na vitória nos exames, me veio a ideia de enviá-lo para um mini-intercâmbio na Letônia – terra dos meus avós paternos. Nossas duas filhas já tinham feito programas de intercâmbio fora do país – Laila nos EUA e a Mirela na Inglaterra.
O problema era fazer os preparativos num curto espaço de tempo, especialmente arranjar uma família que o recebesse, uma vez que nossa família não tem mais parentes por lá.
O primeiro nome que me veio à mente para pedir ajuda foi o do Pr. Hans Berzins, que trabalha como missionário brasileiro na Letônia. Na ocasião ele estava no Brasil e, obviamente não poderia hospedá-lo. Também não via nas famílias da sua igreja nenhuma com perfil de recebê-lo. Mas lembrou que sua filha Raissa, estudante de Medicina na Universidade de Riga, tinha uma colega, cuja família era habituada a receber intercambistas. Conversando com esta colega, Raissa obteve o sinal positivo que seria possível, sim. Essa amiga chamava-se Liene Muceniece. Seus pais, Andris e Bênita e mais sua irmã Zane, além de receber intercambistas, fazem um trabalho extraordinário de cuidar temporariamente de crianças em risco, até que as autoridades encontrem famílias que os adotem definitivamente.
Feitos os primeiros contatos com a Liene, a única da família que falava inglês, conseguimos marcar a data da viagem e fazer os preparativos necessários.
Aquelas seis semanas que o Andreis ficou na Letônia foram marcantes em sua vida e que daria um relato a parte. Mas o que importa neste texto, é destacar a gentileza desta família em acolhê-lo e proporcionar esta experiência ímpar. Depois do seu retorno, ainda mantemos contatos frequentes através dos meios eletrônicos, e em uma das conversas surgiu a possibilidade de ela vir ao Brasil participar de um mini-estágio no Hospital de Olhos – especialidade que ela tem como objetivo. Minha esposa, Kátia Sheylla, como médica do Hospital de Clínicas e professora do Curso de Medicina da Universidade Positivo viabilizou este estágio pela amizade com uma das sócias daquele hospital. Para Liene foram meses de muita economia para a aquisição das passagens aéreas.
Finalizando este complemento, como família damos graças a Deus pela oportunidade deste intercâmbio. À família de Liene Muceniece nossa gratidão pelo coração hospitaleiro e amoroso.

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Das distantes Colônias de além mar- História de Rio Novo e Rio Carlota- Por Ludwig R. Rose

Das duas longínquas Colônias das Terras Além-Mar

Escrito por Ludwig Reinaldo Rose

Publicado no Jornal “Austrums “ do segundo Semestre de 1897
Nº 8 – páginas 644 a 646
Sobre as Colônias de Rio Novo e Rio Carlota da Cia. De Colonização Grão Pará.

Traduzido para o Português por
Viganth Arvido Purim

Material gentilmente cedido pela Senhora Brigita Tamuza
de Riga na Letônia

Os primeiros Letos que aqui chegaram em 1889, foram 6 famílias.
Naquela ocasião algumas famílias brasileiras tinham se mudado de localidade e ai chegaram estas famílias letas e ficaram com os terrenos com parte da mata virgem já derrubada e pastos para animais prontos e melhor com casas de pau a pique prontas para entrarem e morarem nelas.

Ai eles viveram dois longos anos sem nenhuma esperança, longe da pátria e dos conhecidos.
Depois destes dois anos chegaram de Riga mais cinco famílias. Mata desbravada já não tinha mais e então por isso tiveram enfrentar a mata virgem e começar a luta para derrubar os imensos troncos da floresta. Destes recém-chegados a maioria eram crentes da Igreja Batista. Estes aos domingos se reuniam para ler a Palavra de Deus. Mas nem assim a sensação de estarem retirados da civilização deixava de persistir. A densa floresta impedia uma visão mais larga. Cada colono estava com a visão impedida pela densa mata e assim nem as outras habitações não conseguiam enxergar.

No mês de Dezembro de 1891 chegaram do Báltico mais trinta famílias. Para estes no Rio Novo faltou espaço e então tiveram que enfrentar mais fundo na mata e ai fundaram uma colônia que chamaram de Rio Carlota.
O primeiro mal para os novos colonizadores nesta nova Colônia foi deixado pela própria natureza. O pequeno rio em que todos os terrenos tinham que abastecer e atender os seus rebanhos era muito cheio de curvas. O agrimensor que fizera as medições diante da dificuldade de usar a bússola. Ele o agrimensor parece que invés de usar o instrumento deixou-se basear os seus cálculos pela corrente do riacho. Por isso alguns terrenos junto ao riacho ficaram muito estreitos. E ninguém se conformava de ter um espaço pequeno para chegar à água. Ai começaram as demandas sobre este assunto. Nenhum outro problema surgiu, pois a Cia Colonizadora que deu as passagens para a longa viagem dava também os suprimentos e as ferramentas de trabalho.

Os Batistas, eles que tão logo cada um construiu a sua cabana, logo se ajuntaram para levantar o primeiro templo para louvar a Deus. Este era com a armação de madeira e a cobertura e as paredes feitas com as folhas de palmeira uricana. Levaram dois dias para fazer a estrutura, telhado, paredes, bancos e o púlpito enfim tudo que se fazia necessário para que fosse para uma igreja. Isso foi a 20 de março de 1892. De toda irmãos e irmãs que tinham vindo de diversas partes da Letônia fundaram uma Igreja liderada por um só dirigente e quatro auxiliares representando as Igrejas de onde eles tinham vindo. As reuniões, melhor os cultos eram dirigidos por eles alternadamente. Também organizaram dois coros, um do Rio Novo e outro do pessoal de Rio Carlota.
Estes também se apresentavam alternadamente após a Leitura da Palavra de Deus. As pessoas antigas sempre diziam que dois gatos ou dois patrões em um só ambiente ou em uma casa terminariam não dando certo, mas isso não pode ser dito de nossos regentes dos corais, pois eles se dão e muito bem. Organizaram também uma Escola Bíblica Dominical que no começo teve um rápido desenvolvimento. Mas aos poucos começou a diminuir chegando quase a desaparecer. Mas a direção e os professores reagiram e agora depois de dias nebulosos está crescendo novamente apresentando flores multicoloridas. Frutos ainda não surgiram, mas estamos certos que no tempo certo vão aparecer. Nas Oitavas de Natal as crianças ficaram felizes com um pinheirinho iluminado para a Festa delas que foi cortado nas redondezas do templo onde existe grande número deles.

A Sociedade das Jovens da Igreja se reuniram em uma associação cujo objetivo era trabalhar para apoiar os trabalhos de Missões. Elas costuram e bordam diversas peças de roupas que depois são vendidas em rifas e leilões e cujo valor é revertido para missões. O número de sócias da sociedade tem se alterado algumas vezes diminuído e logo depois aumentado. Por ocasião da Festa de São João as sócias organizam uma grande festa com poesias, discursos por parte da Sociedade, Os coros da Igreja apoiam com hinos e outros mesmo não sendo da Sociedade conforme a vontade em seu coração podem apresentar e usar da palavra. Assim sendo estas festas tem se apresentado grandiosas.

Ai vem a Sociedade dos Jovens. Apesar de o objetivo ser o mesmo da Sociedade das Jovens e algum esforço não conseguiram grandes resultados. Agora parecem que estão pendurados pelos fios dos cabelos.

A maior delas é a Sociedade Missionária que tem por objetivo doar o dinheiro de sua carteira como ajuda para missões e também com a esperança que quando vier um pastor para igreja local ter dinheiro guardado para as despesas e o seu sustento. Esta Sociedade também trabalha com distribuição de folhetos evangelísticos em línguas alemã, português e italiano. Os italianos estão proibidos pelos lideres religiosos ter qualquer contacto com os protestantes e por isso não aceitam qualquer tratado desta espécie. Mas os participantes da Sociedade espalham estes folhetos pelas estradas onde os italianos passam. Esta Sociedade por ocasião do Ano Novo organiza grande festa.

Igual as acima descritas existe uma organização que ninguém de fora sabe quando foi organizada, que é o seu dirigente, pois ela funciona secretamente. Ela publica exemplares de noticiário com folhas que no seu conteúdo pode haver desde cumprimentos a qualquer outra sociedade como também pode haver criticas severas. Dentre a maioria de partes humorísticas aparecem exemplares com linguagem séria onde é admoestada a necessidade de avaliar a sua vida e seu comportamento lembrando o Dia do Juízo Final quando cada um terá que prestar contas de suas obras. Esta sociedade trabalha secretamente, mas as suas obras ela apresenta publicamente.

Todas estas organizações, menos a última são ligadas ao tronco principal que é a Igreja Batista Leta de Rio Novo.
No princípio o número de membros crescia por mais batismos e por pessoas que chegavam da Letônia e muito poucas pessoas saiam pelo mundo. Mas em 1896 tudo mudou. A imigração parou por falta de terras disponíveis e os batismos cessaram. Em lugar vieram as declinações: “Eu declino de ser membro da Igreja porque vós não estais vivendo como deve um crente em Jesus” e com estas palavras mais pessoas saíram para fundar uma pequena igrejinha especial onde são poucos os membros, mas entre eles pelo menos até agora impera boa vontade que na Igreja grande faltava.
Assim foi o crescimento espiritual que brotou e o tempo das flores já passou e o amarelo outono se aproxima.

Agora vamos avaliar o crescimento da vida física e econômica.
No mês de maio de 1892 os colonos começaram a dura luta para a derrubada de árvores imensas e centenárias ou com milhares de anos que enfeitavam o relevo acidentado do Brasil.

É bem provável que na mente de algum atencioso leitor a seguinte pergunta: Estes que emigraram conseguiram o que queriam ou esperavam?
Depende do que cada um esperava. Quem esperava o Paraíso ou o Shangrilla não poderia esperar nada pior. Mas aqueles que esperavam trabalho e dificuldades estes não erraram em nada, é preciso dizer por que trabalho existe e suficiente. Alguns não gostaram do relevo acidentado e foram tentar a vida na Província do Rio Grande do Sul. Mas nada. É totalmente inútil procurar as planícies do Báltico no relevo acidentado do Brasil, pois para cada ponto positivo logo se apresenta junto uma situação negativa. As pessoas que não aprenderam ter paciência nunca vão achar um lugar ideal para morar. Aqueles que esperavam encontrar laranjais na mata virgem sem necessidade de plantar e encontrar mercadorias baratas podem se sentir logrados, porque nada cresce sem plantar. Na Rússia o que eles queriam era trabalho. Se tivessem trabalho teriam pão, mas aqui que tem trabalho, eles querem viver como grandes senhores sem trabalhar.

A nossa principal mercadoria para venda vem da criação de porcos. Mas tem outras pessoas que tem outras atividades. Os Italianos que moram nas colônias vizinhas fabricam açúcar e farinha de mandioca. O maior inimigo da comercialização de mercadorias no Brasil é a ausência de estradas que a nós não afetam. Os ingleses na sua vontade de ganhar mercados construíram uma estrada de ferro com uma Estação onde tudo pode ser comprado e vendido para ser exportado para o porto.

Sobre os produtos da lavoura e pecuária não quero escrever nada porque dentro das possibilidades no menor tempo possível vou publicar um livro da nossa viagem pelo mar e nossa vida aqui. Muitos de vocês talvez tenham lido que aqui tudo é caro excetuando o que o colono produz. Mas não é realmente a realidade. Nesta cidadezinha próxima você pode vender de tudo e comprar de tudo também. Caro pode parecer se os mil réis do Brasil for comparado com o rublo russo. No volume maior ele o mil réis ele é considerado igual o rublo, mas na realidade ele perde uns 25 a 30 kopeikos. (..Preços, quanto o que custa)
Aqui no final vou colocar uma relação de preços de diversos produtos comercializados aqui.
Para nós custam:
1 potro 100, 150-500 milréis
1 Cavalo 40-200 mil réis
1 Vaca leiteira 70-120 mil réis
Toucinho (1 Arroba) 37.5libras 6-12 mil réis
Trigo turco (saco = 8 quartas* 5 mil réis
Feijão preto (saco) 13-23 mil réis
Farinha de Mandioca (saco) 5,00 mil réis
Farinha de trigo moída (saco) 17-23,00 mil reís
Manteiga (quilo) 1.100 réis
Ovos (dúzia) 300-400 réis
As roupas custam dependendo do tecido e qualidade
Desde 800 réis a 15 mil reis o metro.
Assim são os preços médios para nós aqui. De outros recantos do Brasil não saberia dizer.
F I M

• Quando menciona a capacidade do saco ele explica que o saco na Letônia chamado “puhra” tinha 6 quartas.

Breve histórico dos Batistas da Letônia | Por Ilgonis Janait

A003-1992

Breve Histórico dos Batistas
Da Letônia

Coligido e apresentado pelo Pastor Ilgonis Janait no dia 11 de julho de 1992 em Varpa por ocasião dos festejos do Jubileu do Cente¬nário da organização do Trabalho Batista Leto no Brasil.

Publicado na Revista “Kristiga Draugs”( O Amigo Cristão) número 03 de 1992.

Traduzido por V.A.Purim.

(Fontes históricas do autor: Janis Riss, Adolfs Klaupics, Osvald Ronis, Andrejs Ceruks, Janis Inkis, Arvids Eichmanis, Janis Eisans, Karlis Grubers, Yolanda Krievin e outros)

A Letônia, os Letos e suas Crenças.

A Letônia é um pequeno país situado entre a Estônia e a Lituânia e com uma área aproximada de 66 mil metros quadrados. O clima é temperado frio e a temperatura média anual fica entre os 6 a 11 graus centígrados positivos. A população atual situa-se aproximadamente aos três milhões de habitantes. As raízes históricas são encontradas na Idade da Pedra, isto é, mais ou menos 2 mil anos antes de Cristo e pertencem ao tronco Indo-Europeu. O termo Leto ou Letoniano vem do “lett” que significa cavar a terra ou arar, deduzindo-se assim ser agricultor. A língua leta é mais antiga que o Latim ou o Grego e suas bases não são encontradas nas línguas germânicas ou eslavas, mas, sim no Sânscrito. Até o nome da moeda no passado era, e agora novamente se chama, “latt”.

Durante sua História o povo Leto foi dominado pelos alemães, poloneses e russos.

A religião dos antigos Letos era o panteísmo naturalista. Era mais crença e tradição do que propriamente adoração. Não tinham nenhum ídolo fabricado pela mão humana nem sacrifício de sangue. Viam nas forças da natureza algum mais forte poder. A mais alta divindade era o “Velho” Pai dos Céus e todo poderoso sobre todas as coisas, doador da vida. O qual sempre tinha um bom conselho, que ajudava o agricultor nas suas dificuldades e não esquecia das viúvas e dos órfãos. Esta entidade era cantada em verso e prosa como dum homem curtido pela vida e estava em toda parte e em derredor, ora a pé, ora montado em seu cavalo branco ou ainda arando a terra…

Criam também estes na “Laima” que pode ser traduzida por felicidade ou sorte, a qual trazia alegria e felicidade. Os seus deuses os antigos Letos veneravam em plena natureza, e, para estas havia algumas árvores que tinham um caráter sagrado (carvalho e Liepa (tília cordata) e, segundo o historiador Janis Riss, a última destas teria sido derrubada em 1.875. Os antigos Letos criam na vida além túmulo, refletindo o mito do sol dos antigos Indo Europeus, que no fim do dia se põe, mas ressurge esplendoroso no dia seguinte. (Berzis=bétula -Svetberzis verif. tradução)

As primeiras tentativas de levar o Cristianismo ao povo Leto foram feitas sob a ameaça da espada. Quando o Monge católico alemão Meihard chegou à Letônia, ele obrigou os primeiros Letos ao batismo pela força. Depois dele veio o Bispo Bertholds, com a bênção do Papa e um exército de legionários cruzados pagos pelos príncipes e pelo Papa, para obrigar os Letos se tornarem cristãos à força. Na batalha contra os lívios, perto de Riga o Bispo Bertholds foi morto, o que ainda mais acentuou a ira dos cruzados obrigando mais ainda o povo a aceitar o batismo. Mas uma vez que os cruzados foram embora, os Letos foram “lavar “o batismo nas águas do Rio Daugava. O período do Catolicismo dura aproximadamente 300 anos e os Letos aos poucos vão perdendo as suas crenças e sua terra…

Com a chegada da Reforma de Lutero, pouca coisa muda. As mudanças são mais evidentes na área política e econômica. Na área religiosa pouca coisa mudou. O que estava escrito nos livros de uma igreja foi copiado pela outra.

Do ano de 1.562 até 1.795 a igreja é luterana, mas sob domínio da católica Polônia. Em 1.689 os Letos ganham a Bíblia Sagrada em sua própria língua, traduzida por Ernesto Glück.

Durante o século 18, ainda que pudessem ser encontrados Letos que nunca iam a Igreja, e zombavam do Cristianismo e ainda cultivavam as crenças de seus antepassados, já se podia ser considerada completa a “cristianização” da Letônia.

Sob o domínio da Rússia, os grandes proprietários de terras são os barões alemães. Os Letos tornam-se uma categoria de “servos”, mais para escravos, pois os barões tem poder sobre o seu corpo e alma. Podiam carregar de taxas e obrigações e muito mais Na parte pessoal chegava ao cúmulo da primeira noite da noiva leta pertencer ao barão alemão ou, também, poder obrigar ao rapaz leto a casar com a empregada leta que o barão tinha engravidado.

O barão e o pastor sempre estão de mãos dadas. Do púlpito o pastor ensina obedecer o barão. Pouca era a influência do pastor leto. A principal recomendação dos opressores é: “Esqueça que em suas veias corre sangue leto. Esqueça seu povo, seus irmãos, comporte-se como estivesse entre estranhos e não como entre os seus amigos e em sua pátria”. E a recomendação em relação à Igreja: “Esqueça que este é teu conterrâneo, não pense que ele veio à igreja para cultivar algum sentimento nacionalista, mas con-sidere-o um estranho que tem uma alma pela qual deves zelar. Teme-o e honre-o como a cada um de nós”. (A. Klaupics-“Dzivibas Cels”) (O Caminho da Vida).

As principais conquistas da época foram a Bíblia Sagrada em língua leta e a música coral, ainda até hoje muito em evidência.

No ano de 1.729 vieram da Alemanha um grupo denominado “Congregação dos Irmãos ou Irmãos Morávios” movimento pietista que pregava o arrependimento, mudança de vida e abandono das crendices familiares tão ao gosto do povo.
Seus lugares de encontros também chamadas “Despensas de encontros”, chegam a ser mais de 140 e alcançam mais de 30 mil seguidores, mas, já no ano de 1.743, todo este trabalho foi terminantemente proibido. Desta época ficaram de muito importante o conjunto de Hinos sacros (Garigas Dziesmas) ou “Hinos Espirituais”, sobressaindo os de autoria de Loskiel que são cantados até o dia de hoje.

Os Começos dos Batistas na Letônia

Para muitos é completamente desconhecido como se deu o início do trabalho batista na Letônia, se bem que nós somos os seus descendentes. Por isso vou dar a conhecer.

Durante o século 19 foi dada muita importância para a abertura e desenvolvimento das escolas nas propriedades dos barões.
No ano de 1.841 o Barão de Drächenfell fundou uma escola em sua propriedade e para dirigi-la, convidou um professor chamado Hamburgers, que era pessoa muito culta e religiosa. Devido as distâncias da sede da escola e do local onde os alunos moravam, os mesmos compareciam a escola às segundas feiras com o farnel, isto é, com a comida para a semana inteira, e retornavam para as suas casas somente ao fim da semana. O professor Hamburgers tinha por hábito, antes de dispensar as crianças nos finais dos períodos, ler textos das Sagradas Escrituras e orar de joelhos pelos alunos, pela escola. Nas segundas feiras ele conversava com os pais das crianças. Assim, um e outro deixava da bebida e deixava de trabalhar aos domingos.
Mais tarde o Barão dispensou este professor.

O movimento espiritual iniciado pelo professor Hamburgers é continuado pelo seu ex- aluno, chamado Ernests Eglites. Os interessados pela melhora de sua vida espiritual reuniam-se aos domingos. Liam a Bíblia, oravam e conversavam entre si sobre o melhor modo de livrarem-se de seus erros e pecados. Nestes encontros comparecia Adams Gertners, o qual mais tarde seria o primeiro pastor batista leto.
Adams Gertners foi visitar o pastor luterano Grött e pedir esclarecimentos porque a Igreja nem sempre seguia as Escrituras Sagradas, principalmente em relação ao pecado (Mateus 18:5). Então, o Pastor Grött, que até aí tinha elogiado a Adams Gertners, no domingo seguinte advertiu a igreja contra o “falso profeta”chegando a dizer que o mesmo tinha perdido o juízo.

No ano de 1.855 na cidade de Liepaja moravam 9 batistas, todos alemães, membros da Igreja Batista de Memel, que naquela época pertencia a Prússia Oriental. O Pastor Nímecs desta Igreja visitava regularmente estes irmãos, até que o número deles chegou a 14. Entre eles havia um chamado Brandmanis, que na vida profissional era fabricante de cordas.

Durante este período ainda não conformado, o Adams Gertners com a resposta do Pastor Grött, foi a procura de outros pastores, os quais nada puderam ajudar na sua busca de respostas para a sua vida espiritual. Então Adams resolve passar os domingos lendo a Bíblia e orando. Aos poucos foram se chegando curiosos para conhecer o “falso profeta ” Estes encontros foram se transformando em conversas sobre assuntos espirituais e terminando em cultos.
Um dia Adams vai ao culto dos Batistas alemães e é recebido pelo Brandmanis e por Grobins. Após o trabalho da noite, uma conversa que durou até o amanhecer. Depois desta ficou claro o que ele devia fazer. Retornou para partilhar do culto com os irmãos alemães, agora acompanhado com Dravnieks e com Jankovskis. Este foi o primeiro culto batista na Letônia onde os irmãos letos participaram mesmo ainda não sendo Batistas.
Um dia, Brandmanis, do grupo dos alemães, foi convidado a visitar a localidade de Uzav onde moravam aqueles letos interessados e ficou várias semanas. Durante o dia trabalhava na sua profissão, confeccionando cordas, e a noite realizando estudos e cultos. Convencidos na fé, demonstraram vivo desejo de serem biblicamente batizados por imersão e para tanto solicitaram que Brandmanis assim o fizesse. Brandmanis esclareceu que para tanto a pessoa teria que ter a plena autorização da Igreja em Memel-Klapeida, pois não havia nenhuma outra no Báltico. Começaram as correspondências e, em seguida o convite para viajar à Prússia Oriental.

No outono de 1.860 mais ou menos 10 homens de Uzav e Zirah saem em viagem. Primeiramente imaginam conseguir autorização para a viagem em Ventspils já que as localidades onde moram fazem parte de sua jurisdição. Lá são grosseiramente atendidos e a permissão para viagem negada por não haver um motivo convincente para ir para o estrangeiro. Chegaram a ameaçá-los com açoites. Assim mesmo, em agosto deste mesmo ano, saíram de Uzav com destino a Memel: Janis Dravnieks, Andrejs Jankovskis, Krists Berzins, Jekabs Jeka, Andreis Kezis e Kaspars Zirnieks. Em Labrag juntaram-se a eles Adams Gertners e Anna Gertner. Em Liepaja aguardam os viajantes o amigo Brandmanis e outros membros da Igreja de Memel residentes nesta cidade. Ao grupo juntam-se batistas alemães entre os quais 3 candidatos ao batismo: Johanns Jansons e duas irmãs: Marija e Karoline Kronberg. Brandmanis era o guia.

Na fronteira os alemães não têm nenhum problema. Os letos sim. Quem resolve é o escrivão da Fazenda Perkons: cada leto pagou a importância de 50 kapeiks, 15 para a Fazenda e 35 para o bolso dele. As licenças foram expedidas em nome de pessoas da localidade… Os viajantes chegaram a Memmel num sábado à tarde. Naquela mesma noite foi convocada uma sessão da igreja.
Os letos, através de intérprete, foram aceitos como membros da igreja.

Em 02 de setembro do ano de 1860, domingo, foram realizados os primeiros batismos de letos batistas e quem realizou foi o co-pastor Albretchs. Após duas semanas, na volta as suas casas, começaram os interrogatórios e a firme proibição de não voltarem a Memel. Os primeiros a serem presos devido à realização de cultos e nova fé foram Adams Gertners e Marija Krombergs. Assim mesmo as viagens para Memel continuaram às escondidas, agora via marítima. Para aqueles viajantes: julgamentos, prisões, castigos corporais e expulsão de casa. Diante de tantas dificuldades para viajar, a Igreja em Memel resolveu ordenar a Adams Gertners ao santo ministério da Palavra e pastor para a Província leta de Kurzeme.

Os primeiros batismos realizados na Letônia foram à noite, isto é, à uma hora da manhã da noite de 9 para 10 de setembro, no rio que corta Zirah. Adams Gertners, postado à margem, pregou um curto, mas eloqüente sermão, após qual foi cantado um hino do hinário luterano e depois de uma oração pelo próprio Adams desceu a água e batizou 72 pessoas. Logo em seguida, ainda na beira do rio, foi celebrado o memorial da Ceia do Senhor.
Naquele mesmo ano, em 14 de outubro, são realizados novos batismos, agora no Lago Klapar.

Adams Gertners- Nascido nos arredores de Kuldiga, no dia 24 de junho de 1.829. Após a sua conversão e ordenação ao santo ministério da Palavra passou muito tempo preso. Falecido em 23 de agosto de 1.876 na localidade de Velda. Desde que foi proibida a vinda do Pastor Nímecs de Memel para visitar os crentes residentes na Letônia o Pastor Adams foi designado como líder e planejador do trabalho.
O historiador Janis Riss diretor do Seminário da Associação das Igrejas Batistas Letas no seu livro “Latviesu Baptistu Drauzu Ieselsanas un vinu talaku atistiba” (O início das Igrejas Batistas Letas e seu desenvolvimento) transcreve trechos de duas Atas de sessões das Igrejas em Kurseme, a primeira de 24 de maio de 1.870: “Iniciando o Bispo Adams Gertners da Igreja Batista de Kur¬zeme…” e o segundo em novembro de 1.870 “Resoluções da Igreja Batista no dia 15 de novembro de 1.870: “Nesta sessão o Bispo A. Gertners das igrejas batistas de Kurseme e Venstpilis e arredores cumpre as suas funções no dia determinado, orientando esta grande conferência, na qual participaram muitos dirigentes, auxiliares, bispos e escrivães… ”
(Do Livro de Atas e Resoluções da Igreja de Zirah ). Outro historia¬dor que descreve e comprova as atividades do Bispo Adams é Adolfs Klaupiks, obreiro da Aliança Batista Mundial, em seu livro “Dzivibas Cels” “Nas Igrejas era muito respeitado e em todas atas das sessões das Igrejas da época é mencionado com Bispo da Igreja de Kurzeme”.

Estes foram os começos. Veio a Primeira Guerra Mundial. Depois da Guerra nos anos 20, deu-se a grande imigração para o Brasil quando os Batistas da Letônia perderam para o Brasil muitos membros de Igreja, dirigentes e os melhores pastores. O trabalho na Letônia ressentiu. Veio a Segunda Guerra Mundial e, em seguida, o regime comunista sob forte pressão, durante 50 anos tentando por todos meios e forças suprimir toda e qualquer demonstração de fé ou as Igrejas…

No final do ano de 1991 havia na Letônia 63 Igrejas Batistas com 4.669 membros ativos, 37 coros onde cantam 868 coristas, 37 Escolas Bíblicas Dominicais onde estavam matriculados 2.026 alunos e orientados por 159 professores. Grupos de jovens eram 22 com 373 participantes.

A Deus toda glória pelos começos na Letônia!

O PASTOR KARLIS ANDERMANIS – IGREJA BATISTA DE RIO NOVO -1905 –

O PASTOR KARLOS ANDERMAN

1ª PARTE

DEPOIMENTO APRESENTADO POR JULIO ANDERMAN UM DOS SEUS FILHOS
Autor: Julio Andermann
Datilografado por Laurisa Maria Corrêa
Revisado por Viganth Arvido Purim
Material cedido pelo Autor: Sr. Julio Anderman

O meu pai Carlos Andermann e minha mãe Emilia Kanzberg Andermann, junto com um casal de filhos, em 1905, emigraram da Letônia para o Brasil, com destino a uma Colônia que se estabeleceu em Rio Novo, nos arredores de Orleans e Lauro Muller em Santa Catarina. Sua missão era pastorear a Igreja Batista e de professor da escola primária.

Antes disto, o meu pai ainda solteiro, fora mandado pela Sociedade Missionária Batista Leta para Palestina a fim de cercar, naqueles lugares santos, os peregrinos russos em território neutro e pregar o Evangelho para eles que lá iam buscar graças e pagar penitencias, por que no Império Russo, ao qual pertenciam os paises Bálticos, não se permitia proselitismo religioso fora do recinto das igrejas.
Então o meu pai criou um estilo pessoal de abordar aqueles turistas individualmente ou em pequenos grupos, cativar o seu interesse e transmitir a mensagem da salvação. Esta maneira missionária de evangelizar depois ele empregou durante toda a vida.

Era um homem culto. Podia se comunicar em inglês, alemão, russo e por fim no idioma português. Sabia grego e lia fluentemente em hebraico, que havia aprendido o seminário para interpretar melhor as escrituras.
Naquele tempo os Batistas estavam começando a evangelização na Letônia, como também no Brasil, apoiados pelos recursos das Sociedades Missionárias americanas.

Letônia era eminentemente Luterana e aquela denominação tradicionalista nos seus cultos usava mais ou menos os mesmos ritos da igreja Católica. Cantavam os velhos corais de Bach; a maioria dos seus membros visitava a Igreja quando eram batizados, quando casavam, batizavam os filhos e por fim, no próprio funeral.
A preferência pela religião Luterana foi à conseqüência da colonização da Letônia pelos Junkers alemães que a ocuparam depois da Reforma e independentemente de qualquer opção pessoal do povo que passaram a dominar, mandaram batizar todos e depois os pastores doutrinavam insistindo naquelas idéias que facilitavam a servidão – a vinculação do homem a terra e obediência aos seus senhores. Não foram convertidos e por isto continuavam na vida mundana com todos aqueles excessos de vícios e maus costumes, que transmitiam as novas gerações.

Então vieram os Batistas com aquela teoria da Salvação, entoavam aqueles hinos brilhantes do Ira D. Sankey magistralmente traduzidos para o idioma Leto e aquela gente que cantando nasce, cantando cresce e cantando leva à vida – foi sensibilizada e não há outro meio mais eficaz de chegar-se à alma humana do que através dos cânticos harmoniosos, rítmicos e bem entoados.

Mas o entusiasmo dos evangelizadores Batistas tinha ainda outro motivo de insistir nesta conversão, por que a religião Ortodoxa, a oficial da Rússia naquele tempo tinha uma conotação de obscurantismo, do qual a maior expressão foi o monge Rasputin, infiltrado na família imperial. Então os crentes acompanhavam o seguinte raciocínio:
“Se nos grandes países tais como Inglaterra e América do Norte, onde”.
predominavam os Evangélicos com a sua moral havia prosperidade
e abundância, então também o mujique, através da luz do evangelho,
poderia fazer surgir na Rússia aquele progresso espiritual e “material”.

Durante a sua estadia na Palestina o meu pai tinha estudado Teologia num Seminário Teológico Luterano alemão situado numa Missão na Palestina, por que ainda não havia este curso na Letônia.

Era músico, poeta, escritor. Escreveu um livro sobre a Palestina intitulado “Terra de onde emana Leite e Mel” do qual não sobrou nenhum exemplar.

Escolhido pelas características da sua personalidade para aquele trabalho permaneceu na Palestina por 4 anos, de onde mandou também reportagens para a imprensa e teve de deixar aquele posto por que contraiu uma febre maligna, razão pela qual retornou para a terra natal.

Minha mãe Emilia Kanzberg Andermann era filha de madeireiro, homem grande, forte, querido das mulheres, dado a bebida e a dança do sabre e outras extravagâncias.
Ela possuía uma bela voz que me fez lembrar a da Janete MC Donald. Apaixonou-se por aqueles lindos cânticos, converteu-se ao evangelho, foi batizada, mas, por que contrariou a opinião doutrinária Luterana de seu pai, foi expulsa de casa e deserdada. Mudou-se para Riga, foi acolhida pela Comunidade Batista, trabalhou e fez um curso noturno de Administração do Lar – com noções de medicina, primeiros socorros e parto. Sabia identificar pelos sintomas, as doenças endêmicas tais como: crupe, sarampo, coqueluche. Gerou 6 filhos, sendo 3 homens e 3 mulheres, que todos cresceram e alcançaram a velhice, com exceção do Teófilo, que faleceu nos Estados Unidos.

Os meus pais casaram na Letônia onde tiveram dois filhos, os outros quatro nasceram no Brasil. Enquanto ainda na Letônia o meu pai cooperava com a Junta Batista como missionário itinerante a minha mãe o acompanhava implantando escolas dominicais.
Quando ele contraiu pneumonia provocada pelos rigores do clima nórdico, para facilitar a sua convalescença num clima tropical, a Junta Missionária Batista o mandou, junto com a família para o local que já foi mencionado.

Vale dizer que na mesma época, somente um pouco antes também veio para o Brasil como Missionário o Pastor Klavin designado para Ijuí no Rio Grande do Sul, o pai do eminente professor e médico Dr. Alexandre Klavin, diácono recentemente falecido, da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, que era nosso parente afastado.

Muito bem! Então a família do meu pai cruzou o Oceano numa viagem de vapor até Laguna, de lá pegou o trem da Estrada de Ferro D. Teresa Cristina até Orleans e depois num carro de bois foram levados para o novo lar em Rio Novo.
Vizinha, distando cerca de 12 horas a cavalo, havia uma outra colônia Leta de Mãe Luzia onde também havia uma dezena de famílias, que às vezes se visitavam. As terras destas colônias eram pouco férteis e ficavam longe da civilização.
A aventura desta imigração consistia em duas motivações:
1ª a espiritual: ٠formar um grupo de Batistas coeso onde uns eram vizinhos dos outros sem a interferência de doutrinas estranhas para abalar a fé;
٠evangelizar os habitantes da terra para convertê-los a doutrina Batista com mesma finalidade que tiveram na Rússia, evangelizar as mentes no intuito do progresso material.
2ª a material: ٠posse e ocupação de uma gleba de terra em seu nome que pudesse ser transmitida por herança aos filhos, aspiração impossível na Rússia.
O meu pai veio com a dupla missão: – ser o professor da escola primária para alfabetizar os filhos dos imigrantes; ser o Pastor da comunidade Batista. A minha mãe cooperaria na organização da escola dominical e ajudaria na prestação de primeiros socorros em virtude dos seus conhecimentos de medicina; fazendo partos, na ausência de uma outra alternativa melhor.
A Igreja Batista Leta do Rio Novo estava edificada na encosta de uma elevação [Ao pé da encosta e não na encosta] onde em cima havia o cemitério da comunidade.
Descendo do Templo uns 20 metros adiante para uma ravina havia uma fonte de água cristalina que jorra até hoje [Eram bem menos de 20 metros, talvez uns dez metros. Era chamado de “Avotin” isto é a pequena fonte. No meu tempo tinha sido feito um muro de pedras onde tinha sido introduzido um tubo de ferro de aproximadamente 1. ½” por onde a água escorria de uma altura de 50 centimetros. Também eram de pedras o leito e as calçadas de ambos os lados onde a água caia. A parte superior era fechada com uma grande pedra chata. Aos domingos era trazido um copo para uso comunitário e que se destinava a mitigar a sede dos seus membros] e também para lavarem os pés, calçarem as meias e os sapatos que traziam pendurados no pescoço enquanto vinham descalços pela estrada enlameada que destruía o calçado [Era sim pela economia, mas também pela dificuldade de andar no pântano, a pronúncia era sem o acento. Pois se alguém arriscasse a enfrentar lamaçais de palmo ou mais o calçado ficaria preso no fundo. Naquela época não existiam as botas “Sete Léguas”.]. Faziam isto para assistir ao culto dominical descentemente trajados e com os pés calçados. Terminado o culto e depois o ensaio do coro que duravam até as 14 horas, descalçavam os sapatos, davam nó de laçada nos seus cadarços, penduravam-nos novamente no pescoço e voltavam para as suas casas.
Era uma medida de economia que acabava saindo caro por que a anquilostomose, verme que penetrava pela planta dos pés e depois se localizava no intestino, trazia uma doença que se chamava “amarelão” deixando as vítimas exangues e até matava; isto antes do Monteiro Lobato ter escrito o “Jeca Tatu” e Rockfeller destinar uma verba para a erradicação desta moléstia no Brasil.

O meu pai como Professor deve ter sido muito eficaz. Lembro-me que um ex-aluno me contou que havia aprendido com ele a calcular na cabeça a grande tabuada que se destinava à multiplicação de fatores de dois dígitos.

Não tenho nenhuma notícia sobre o pastoreio do meu pai exercida naquela Igreja por mais de cinco anos. Creio que com o passar do tempo ele foi esmagado pela frivolidade daquela congregação e não era para menos, pois todas as horas do dia eram poucas para cultivar aquelas terras magras que se esgotaram com as primeiras colheitas. Com a chuva o solo ficava lamacento por que por baixo havia uma camada de carvão de pedra, conforme foi descoberto mais tarde e então era necessário duplicar o esforço para arrancar dela os meios de subsistência para uma existência digna, posto que aquele solo era impróprio para ser arado e assim tudo era plantando a custa de ferramentas manuseadas pelo braço humano.
Desta época na minha memória ficou guardado um sonho que o meu pai contou várias vezes. Neste sonho ele viu um homem pálido pregando no púlpito daquela Congregação Da Igreja Batista de Rio Novo, mas todos aqueles membros cujos nomes ele mencionou, mas que o tempo apagou da minha memória, estavam distraídos conversando entre si não lhe dando a mínima atenção.
Então o homem pálido que pregava naquele sonho lhe dissera: “Este mundo se acaba e a eternidade se aproxima e esta gente não quer ouvir falar de Jesus Cristo e tu Carlos, vai e diga isto para eles”.

Foi naquela época que começou a expandir-se pelo mundo a doutrina de Pentecostes, vindo até o meu pai da Alemanha e dos Estados Unidos e ele se deixou se empolgar por aquela doutrina que vinha divulgada em revistas artisticamente ilustradas em cores e impressas em papel da melhor qualidade. Em tese eles insistiam que na Trindade Divina o maior peso devia ser dado ao Batismo pelo Espírito Santo; Pentecostalismo do qual o meu pai passou a ser maior divulgador pela tradução daqueles textos.
Destacou-se principalmente a doutrinação de uma tal de Emmy Mc Pherson, uma senhora muito bonita nos retratos, que muito especialmente empolgou o meu pai. Ela era uma grande líder da seita nos Estados Unidos onde possuía um gigantesco templo. Anos depois li nos jornais a noticia de que ela havia sumido. Surgiu a hipótese de seqüestro para extorsão de um resgate por que a seita tinha muito dinheiro, mas em noticiário posterior ficou esclarecido que na realidade ela fora encontrada num Balneário em companhia de um playboy, viciada no uso da morfina.

Certamente o meu pai contou aquele sonho na Congregação e foi mal interpretado, insistiu, não foi atendido desligou-se da Congregação Batista e mudou-se com a família para a Colônia Leta do Rio Mãe Luzia, não mais como Pastor Batista e Professor, mas como inflamado divulgador do Pentecostalismo [É uma pena que os historiadores que escreveram a história da igreja Assembléia de Deus não mencionem este fato].
Continua…

Nós te saudamos em Nome do Nosso Senhor Jesús Cristo…….| De Jehkabs Purens para Reynaldo Purim -1925 –

[Carta do Tio Jekabs Purens para Reynaldo Purim sem indicação do ano, mas pelo contexto parece ser de 1925].

Nova Odessa, 20ºdia de junho

Querido Reinhold. Nós sinceramente te saudamos em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo e que a Paz esteja convosco e abençoe a quem te abençoa e se alegre aquele que te faz alegre e feliz se torne àquele que te faz feliz. E aquele que te entristece que o mesmo seja entristecido.

A tua carta que você escreveu no dia 20 de maio não tive oportunidade de responder imediatamente porquê naquela semana chegaram uma enchente de cartas. Algumas da Letônia na Europa, também do Rio Grande do Sul e ainda da Colônia Varpa. Então depois de acumuladas comecei a responder por ordem de chegada e agora esta noite chegou à vez de responder a sua carta.

Você quer saber sobre aquela medida agrária usada aqui que é o Alqueire. Essa medida aqui é calculada assim: um terreno com 100 metros de largura e 200 metros de comprimento (fundos). E se o terreno for quadrangular então cada face deverá ter 150 metros. Este é o alqueire usado aqui.

Você quer saber qual é o custo do arrendamento, então é assim: por cada alqueire custa 118 mil réis e como nós temos 9 alqueires custa no total uma quantia de 1.062 mil réis por ano. Você ainda pergunta se neste terreno existem casa ou alguma habitação. Não, não existe nenhuma, queremos nós mesmos trazer os tijolos e construir porquê isto nós sabemos bem.

Então ainda você pergunta se nós gostamos da vida aqui no Brasil. Sim. Até agora estou muito satisfeito e para mim como pessoa de idade o calor daqui é realmente agradável e agora estamos muitos bem, todos com boa saúde, podemos trabalhar e neste verão passado temos ganho dinheiro, mais de um conto de réis e ainda no pagamento muitas peças (pedaços) de tecidos, também os patrões, donos das lavouras onde os meus familiares trabalharam deram 1/2 alqueire para que nós plantássemos para o consumo próprio, então plantamos arroz e milho e agora no outono colhemos o suficiente para passar até o próximo ano. Então eu levantei os meus olhos e minhas mãos para o céu agradecendo ao Pai do Nosso Senhor Jesus Cristo pela sua infinita misericórdia que aos tristes ele alegra e aos pobres estende a sua mão poderosa dando o seu sustento e assim sinto premiado e que seja Louvado o Cordeiro de Deus eternamente porquê ele dá aos que oram pedindo em nome Dele e assim tem feito.

Agora uma palavrinha sobre a vida espiritual de nossa igreja aqui em Nova Odessa. A Igreja é bem grande e o Pastor é um recém chegado da Letônia o Irmão Kraul, porta voz da renovação espiritual e de um reavivamento bíblico sincero, confiável servo do Senhor Jesus Cristo, esforça-se para cumprir de todo coração a tarefa que lhe foi confiada e trabalha diligentemente para trazer almas para o aprisco do Senhor, este ano foram poucos os batismos se não me engano foram somente 8 pessoas e para uma Igreja tão grande realmente os frutos foram muito poucos, mas nós temos que dar graças a Deus por estes também. A Escola Dominical tem bastantes crianças e um grande contingente de professores que gastam o seu tempo ensinando dominicalmente. Uma grande União de Mocidade com suas reuniões e durante a semana os Estudos Bíblicos, as Reuniões de apresentações diversas e ainda as Reuniões de Perguntas e Respostas. As reuniões de Oração da Igreja são realizadas nas quartas-feiras à noite, enquanto as noites dos sábados são reservadas para a meditação sobre o nosso convite e a nossa eleição fique cada vez mais forte e evidente como está escrito que nas lutas determinadas no decorrer de nossa vida possamos chegar-se a Jesus autor e consumidor de nossa Fé. Aquele que poderia permanecer na alegria em vez disso carregou a Cruz e pela vergonha não sucumbiu, marcou como exemplo e deixou as pegadas para que possamos o seguir. Então com temor e tremor lancemo-nos na luta para aperfeiçoar a nossa natureza para mais próxima da Natureza de Deus e possamos crescer na estatura semelhante à de Cristo para estarmos prontos quando no dia da Chegada Dele, porquê o fim de todas as coisas está próximo. Então não devemos dormir como aqueles outros, mas sim, acordados e vigilantes com caráter firme e determinado aguardando o grande dia da volta do Senhor, quando os céus e os elementos se queimarão, a terra derreterá levando os ímpios para o castigo eterno. Então nós que conhecemos e entendemos sejamos operosos, diligentes, sensatos, tementes a Deus, amorosos e humildes e prontos para o encontro com Ele.

Teu tio Jekabs Purens

[Escrito nas margens]
Se mais alguma coisa quiseres saber escreva e pergunte, pois de boa vontade quero escrever e responder. Se quiseres compartilhar ou contar então não mantenha no silêncio e sim abra o seu coração tanto dos problemas temporais como os espirituais. Através da Salvação do Nosso Senhor Jesus Cristo todas as coisas nos se tornam comuns.

Aquele Reinis de Leningrado escreveu uma carta e também um cartão postal…De Luzija para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 24-3 25

Querido Irmãozinho!
A tua carta escrita em 20 de fevereiro recebi já há bastante tempo, por ela muito obrigada. E eu estou fazendo do mesmo modo que você, quando não responde imediatamente depois as coisas se acumulam e se gasta muito tempo com tanta coisa para escrever. Realmente não tinha tempo de responder, pois possivelmente você saiba que agora no dia 20 foi o aniversário aqui da Igreja e por isso quase toda noite tínhamos que participar dos ensaios do Coro da Mocidade e também do Coral da Igreja e devido que este ano os ensaios começaram muito tarde foi necessário também alguns durante o dia e assim realmente não sobrou tempo para escrever nada.

Sobre a Festa de Aniversário da Igreja devo informar que naquele dia o tempo estava bom, mas, gente não tinha tanta quanto nos outros anos. Foi servidos o tradicional café com pão doce, etc.. Visitante ilustre foi o representante da Igreja de Varpa, ou melhor, o Pastor Pintcher do “Acampamento” [Início da Colônia Varpa Tupã SP] o qual chegou aqui já no dia 25 de fevereiro junto com o Pastor Stroberg de São Paulo. Sobre o Programa da festa nada excepcional não houve, tudo transcorreu igual as outras festas. O Pastor Pintcher foi o dirigente. O Pastor Stroberg já no dia 11 de março teve que embarcar para reiniciar os seus estudos. Junto com ele tinha vindo um outro moço do “Acampamento” chamado Schmit e esse também foi junto com o Stroberg para a escola em Kuritiba. Interessante quando este moço falava em público ficava com os olhos fechados. Este moço tem a mesma altura do Stroberg. Bem sobre as atividades do Pastor Pintcher e do Schimit escrevo em outra ocasião.

Recentemente recebi uma carta do Tio Ludvig e ele escreve que de boa vontade viria dar um passeio em Rio Novo, mas ele não tem ninguém para deixar em seu lugar. Ele exerce o cargo de Redator do “Deutscher Zeitung”. Ele tem dois auxiliares, mas se forem deixados sós, eles amassariam todos os livros com os pés e assim mesmo o jornal ficaria com as páginas vazias [em branco]. Ele me convida e acha que seria muito melhor eu ir passear em sua casa e que pusesse a mamãe [Lisete Rose Purim – irmã dele] num cesto (balaio) e trouxesse junto, pois de outra maneira ela nunca viria fazer uma visita para ele. Sobre você, ele não pergunta nada, somente ele menciona sobre o filho mais velho dele o Gerds [mais conhecido por Vitor] já está na escola e diz que ele e parecido com você [7 anos de idade] e o outro se chama Rolf e tem um pouco mais de três anos de idade e não tem mais nenhum filho, o endereço dele ainda é o mesmo, Rua Libero Badaró N. 99.

Aquele Reinis [Reinis – Reinolds Purens irmão de Jahnis Purim meu avô – Faltam detalhes deste parente] de Leningrado escreveu uma carta e também um cartão postal, ele conta que no mês de abril ele deverá viajar de volta para a Letônia e depois para o Brasil ou para a África. A mãe dele já faz 10 anos que faleceu e ele está sozinho e ele não mais consegue viver na Rússia. Ele possuía um terreno, mas hoje já não é mais dele. Então vai liquidar todos os bens e vir embora. Também o tio Jekabs [Jekabs Purens outro irmão de Jahnis Purim que foi morar com a família em Varpa Tupã SP.] escreveu que escreveu para o tio Andrejs [Andrejs Purens] outro irmão de Jahnis Purim que nunca veio para o Brasil.Tinha mandado cartas dizendo que tem vontade de algum dia vir para cá também. Nós escrevemos para que ele [Reinis] na medida do possível auxilie o Andrejs e venham todos para cá. Portanto não se assuste se na eventualidade eles apareçam por lá, pois nós também fornecemos o seu endereço para eles.

Nós estamos razoavelmente bem, somente à tosse comprida está nós judiando. Também o Paps [Paps – Jahnis Purins meu avô] ficou acamado com tifo, mas nós outros ainda não tivemos.

O tempo está com a temperatura mais amena e também não chove mais tanto, já parece que o outono está chegando. O milho está amadurando e este ano as espigas estão bem desenvolvidas (grandes).

O Arthurs plantou um trecho de arroz no banhado junto à divisa do terreno com a Nona e este arroz quanto ele, você poderá vir ajudar a cortar. Logo teremos que fazer a farinha de mandioca, pois as mesmas estão com as raízes realmente grandes e água para mover o engenho também há bastante. Nesta semana o Roberts está fazendo novas roscas [Deve ser para os fusos das prensas]. Este ano a farinha está cara 22 a 24 o saco, o toucinho a 40$ a arroba, a banha a 5$500 o quilo, realmente não consigo compreender como os pobres conseguem comer quando tudo está tão caro.

Você sabe se o João Klava já chegou ou chegou a tempo? Nós calculamos que a chegada dele deveria coincidir com aquela catástrofe. [??] Aqueles majestosos prédios da Escola não desmoronaram e o que você estava fazendo nesta ocasião? Aqui o povo está muito assustado com as notícias destas tragédias e os jornais estão cheios delas.

Tens encontrado o Fredi Stekert? Poderias ir procurá-lo, pois a senhora mãe dele está muito preocupada devido que há mais de um ano que não manda nenhuma carta para casa. Jornais ele manda, mas nenhuma linha sobre ele próprio e ela também não sabe onde ele vive nem o seu endereço.

Bem hoje chega, a cabeça está doendo e o sono está chegando, tenho que ir dormir.

Lembranças de todos, os outros também vão escrever. Eu antecipei, pois quero receber a sua resposta também antes sem ter que esperar demais.
Luzija
(Escrito na lateral)
Ainda muitas lembranças do pessoal do Rio Larangeiras. Eles nunca podem te esquecer, você bem que poderia escrever uma carta para eles. O Romão [Romão Fernades meu avô materno] prometeu te escrever, mas não sei se já o fez.