…pois durante o dia temos que trabalhar e durante a noite também…| De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

[carta de de Otto Purim (Arthur) sem data, mas pelo contexto deduz-se ter sido escrita neste período]

Querido maninho! Saudações.

A tua pequena cartinha recebi há mais de duas semanas, mas não tinha tempo para responder, pois durante o dia temos que trabalhar e durante a noite também estive ocupado, pois todas semanas várias noites tinha que ir a Igreja para várias atividades e nas outras noites o sono vem forte: Mas tenho que escrever porque devedor eu não quero ficar.

Agora nós estamos passando bem, mas o tempo está muito frio. Hoje deu a primeira geada do ano, não foi das fortes, mas foi uma geada. Há umas duas semanas atrás choveu forte vários dias sem parar, mas agora está limpo, mas bastante frio, mas temos trabalhar todos os dias apesar do grande frio.. Nós esta semana vamos começar a fazer a farinha de mandioca por que já é tempo e se deixar para mais depois é pior e por isso temos que nos apressar. Você não quer vir ajudar? Este ano temos muita mandioca para fazer farinha e calculamos umas 50 sacas e então pode vir sem medo que haverá muito que fazer.

De modo geral vai tudo na mesma coisa e nada interessante tem acontecido e aquela miudeza não vale à pena escrever. No domingo passado foi comemorada a “Festa do Verão” [Festa do Verão (Pentecostes) é uma herança dos costumes da Letônia que fica no Hemisfério Setentrional e lá nesta época é verão] e nas Oitavas desta foi comemorada a Festa da Música da Mocidade. Foi muito bonita. Foram apresentados 30 números entre hinos, músicas e diversas mensagens interessantes. Apresentou-se o Coro da Mocidade, o Coro da Igreja e também solos, duetos, quartetos, quintetos e sextetos e no final da Festa todo grupo de participantes foi fotografado. Hoje chega. Se você tivesse mandado uma carta mais longa,, então, eu escreveria mais. Devemos viver de conformidade com as Escrituras que diz se você quer que eu escreva uma carta longa, escreva você primeiro.

Bem hoje chega mesmo.

Com muitas lembranças.
A. Purim

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Colônia Leta de Rio Novo | Carta de Lúcia Purim para Reynaldo Purim – 1921

(sem data)
Querido irmão!
Primeiramente envio muitas lembranças. A tua carta faz tempo que já a recebi. Naqueles dias que os “escrivinhadores imprimiam os seus manuscriptos” eu não tinha tempo.

Agora o tempo se apresenta bom e frio. Ontem e hoje ocorreram grandes geadas. O Rio Novo ficou lindo todo branco. Aqui em casa também tinha, mas não tão forte por causa de ser alto, mas lá para baixo estava lindo. Os inhames e os baraços das batatas doces estão pretos e ressequidos.

Não admires como estou indo com a escrita. Os dedos estão duros de frio, a garganta fechada e doendo nem podendo falar, o nariz escorrendo e todo momento tem que estar assoando e ainda por cima eu machuquei o pé e este está doendo que nem posso mexer. Assim você pode calcular como estou passando. Ainda se eu tivesse uma D. Delphina [Era a administradora do Seminário] como você tem lá, poderia pedir uns remédios.

Você não pode imaginar, que aqui nós temos um novo imigrante e ele nada mais nem menos que o Limors [Lowennstein] que depois de ter ido conhecer 11 cidades, está de volta em busca do resto do dinheiro.

O feijão ainda não está todo “batido”, vai levar mais um dia de serviço para terminar de “bater”. Já colhemos 65 quartas [ para fazer um saco de 60 quilos era preciso 8 quartas ou dois alqueires] com alguma “moinha” [ Impurezas como folhas trituradas pelo manguais e ainda não bem peneirado para separá-las dos grãos].

O arroz também cresceu bonito, mas não tão quanto o dos Klavim que plantaram 2 quartas e colheram quase 30 sacos. Mas essa é uma variedade japonesa nova por aqui e tem a vantagem de crescer bem em qualquer qualidade de terreno.

Você não tem que ficar tão congelado como nós aqui, porque lá é bem mais quente e não tem que andar com os pés descalços e a grande vantagem de ter tantas festas e reuniões para ir. Aqui ninguém faz tanta festa, porque não é moda. Onde você pôs aquelas flores que ganhou naquela festa, quando levou para casa?

Este ano também estás aprendendo violino?

O teu professor também surra os alunos com uma corda como faz o Treimans? Ele sempre diz que a corda que ele usa para usar é forte e por aí você pode imaginar que professor.

Aqueles cantores [hinários] você já comprou? Você poderia mandar uns seis exemplares e não mais porque o povo daqui não canta como o de lá no Rio.

Bem por hoje chega. Pode ser que ao receber esta esteja novamente em período de festas e não tenha tempo nem para ler.

Escreverei novamente quando estiver melhor de saúde. Ainda lembranças de nós todos aqui. Luzija.
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…nesta pequena “Letônia além do Atlântico” | Fatos da América do Sul II

DA AMÉRICA DO SUL II
Segunda Parte

Matéria gentilmente enviada por Brigita Tamuza de Riga
Publicado no jornal da Letônia
Majas Viesis Nº 25 (O Visitador) de 17 de junho de 1898 (cont.)
Traduzido para o português por Valfredo Eduardo Purim

De Rio Carlota (Colônia Grã-Pará) – Estado De Santa Catarina, Sul do Brasil) nos escreve:

“Neste ano, 20 de março os letos de Rio Novo e Rio Carlota [aqui instalados em sua quase totalidade são batistas] programaram uma grande festa para comemorar o aniversário de fundação da Igreja… meu desejo seria apresentar aos prezados compatriotas na distante terra natal como os letos daqui trabalham.

Nossos dois corais desde o começo do ano estavam se preparando para a festividade: foram ensaiados novos hinos e convidaram também o coral dos letos de Mãe Luzia. Foi composta uma Comissão especial dos Festejos. Foi anunciado amplamente e, assim como os letos daqui são vistos pelos brasileiros com grande respeito e consideração, são vistos como povo exemplar, então, certamente muitos esperavam com entusiasmo a data da festa.
Até de aproximadamente 100km (80 léguas) da distante Imbituba era esperado o comparecimento do Presidente da Rede Ferroviária. (Estrada de Ferro D. Tereza Cristina)”.

Sexta-feira, 18 de março começamos o aguardo da chegada dos visitantes e coristas de Mãe Luzia.
Diversos Rio-novenses se organizaram para a recepção indo ao encontro dos visitantes aproximadamente 20 km distante estação ferroviária em “Palmeiras” [Deve ter algum problema de logística porque os trens não conseguiam chegar até Orleans – O nome atual de Palmeiras é Pindotiba]
Após a chegada, todos os convidados foram distribuídos pelas casas ou com os parentes, conhecidos e amigos.

Sábado, 19 de março: todos, como podiam reuniram-se junto ao local da festa para ornamentação.

Nossa casa de oração, destinado para o local da festividade, ornamentada com palmeiras, flores e diversas guirlandas de flores… como os convidados de Orleans haviam solicitado montarias, então durante a noite foram pegos os cavalos e mandados para os convidados, para que a ninguém faltasse animal de montaria e conseqüentemente teria que deixar de comparecer.

Domingo, 20 de março: às 11 horas da manhã começaram as festividades.

Participaram, 1 coral masculino, 1 coral masculino duplo, 1 coral composto a cada voz de 1 voz masculina e diversas vozes femininas, 3 coros mistos, de Orleans 1 recém fundado coral alemão.
Diversos discursos foram proferidos e leitura de textos em leto e alemão… Ao evento compareceram muitos de Orleans, também das colônias da redondeza: alemães, letos, brasileiros, italianos e até alguns estonianos. Eram aguardados alguns ingleses, mas conforme mencionados em virtude de falhas técnicas na ferrovia, eles não puderam comparecer.

Segunda-feira, 21 de março: à noite nossos jovens organizaram uma procissão de tochas ou archotes ou ainda, melhor dizendo, procissão de tabocas que são feixes de taquaras secas acesas. Ao escurecer, conforme previamente combinado, reuniram-se os carlotenses na casa de G. e os rio-novenses na casa de D. Para o evento foi confeccionado em um carro de duas juntas de animais foram trazidas taquaras secas, para esse fim, previamente cortadas e secas, as taquaras são de 1 e 2 polegadas de diâmetro e 10 palmos de comprimento. Elas crescem em qualquer terreno e depois de secas oferecem uma maravilhosa combustão. As taquaras são usadas em lugar de lascas de madeira…

Os cortejos dirigiram-se ao ponto de encontro e depois para o local da festa, onde a Sociedade de Jovens organizou uma noite de café e também apresentações de cânticos e respostas a interrogações. [ Esta parte da reunião era mais informal e possibilitava aos participantes desta a liberdade de apresentar questões e perguntas sobre assuntos bíblicos e a vida cristã e assim eram respondidos pelos líderes ou mesmo por outros que pudessem contribuir.]
Ass.

Um Carlotense [Morador do Rio Carlota, localidade adjacente ao Rio Novo]

O feijão este ano, cresce estupendo… | de Lúcia Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 14 de abril
Querido irmãozinho!!
Primeiramente muitas lembranças. A tua carta recebi no dia 8 de abril. Muito obrigada. Agora nós estamos passando bem.
Agora o clima em relação, a temperatura, é muito instável. Alguns dias são muito quente e outros já muito frios. Outro dia teve uma forte ventania que derrubou casas por aí e ainda por cima muito frio. Este vento vinha do lado de baixo [Vento minuano].
Agora nós estamos plantando grama. No outro lado nós plantamos 11 feixes grandes. As mudas nós estamos indo buscar na casa do Limor, porque o italiano nós dá de graça.
Estendemos uma cerca de arame farpado desde a cerca de estaquetes [ripas de madeira com a ponta aguçada] até a porteira do mato e estamos enchendo de grama até lá em cima.
O feijão este ano, cresce estupendo, está subindo embaraçado cobrindo todo milho até no alto. Tomara que continue ainda quente por mais tempo para que termine de se desenvolver e assim vai dar bastante.
O milho também está com espigas bonitas e grandes. Abóboras é que não deram tantas como nos outros anos. Ontem colhemos amendoim e trouxemos para casa, mas ainda não sei quanto rendeu.
Aqueles jogos de cordas do meu violino ainda não chegaram. Se você mandou junto com os jornais é provável que amanhã, já estejam no Correio. O violino já estou tocando razoavelmente bem e naquelas músicas fáceis, eu me sinto segura. Já conheço todas notas e quando tiverem chegado as cordas então e voltarei lá nos Leiman para eles me ensinar melhor.
Gostaria muito de ter mais tempo às noites, mas quase toda noite nós temos desfiar e cardar lã e assim as noites se vão.
Na realidade gostaria de ir para uma escola de verdade, para aprender muito. Mas quem vai permitir, ou pagar?
Quais são as tuas Matérias?
A tua roupa és tu mesmo que lavas ou não?
De onde são aqueles novos seminaristas alemães?
Tem alguém de Curitiba?
No Ano passado na Convenção disseram que iam mandar, porque dinheiro, já tinham arranjado.
O Fritzis Janowski não resolveu voltar para escola? Ele continua te escrevendo ou não?
Bem por hoje chega. Quando vier a resposta, escreverei novamente. Escreva bastante porque você tem muito mais facilidade e desenvoltura para escrever do que eu..
Ainda muitas e queridas lembranças de todos nós.
Lucija.

..estão brancas de flores e as abelhas zunem de tanto trabalhar.| De Olga para Reynaldo Purim

Rio Novo 3 de outubro de 1920
Querido Reini! Saúde!

As tuas carta recebi; aquela registrada no dia 23 de setembro e naquele mesmo dia mandei um cartão postal e enquanto em casa ficava admirando as maravilhosas belezas então no domingo recebemos os Jornais, então havia muita coisa para ler e resposta para a carta não valia a pena escrever, pois ninguém iria nestes dias para a cidade. Na noite de quarta feira recebi outra carta datada do dia 14-9-20 e neste mundo, não havia ordem nunca mais haverá, pois passa tempo que não aparece carta nenhuma e quando vem não para mais de vir e todas numa vez só. Muito Obrigado!

Você pede que escreva longas cartas, mas nas cidades grandes tudo é suficiente e as novas notícias custam caro e estas aqui do Rio Novo são baratas, mas, aqui as pessoas são mais egoístas que as de lá. — Você deve ter muito tempo para ler e então muito mais difícil ainda ter que responder e para isso você fizer em um só fôlego, poderá entrar num ritmo tão acelerado e que para isso não aconteça tem que se cuidar para não ficar doente. Que parece que é moda por lá.

Para aquele rapaz é bem provável que não seja possível escrever em leto, pois ele deve ter esquecido totalmente esta língua, porquê ele mandou também para você aquela publicação “Ver Berahter” qual também nós aqui, já tínhamos lido. Os amigos de Rio Novo para que ele os esqueceu completamente, porquê das Grandes Conferências e outros eventos significativos o Karlos, uma coisa ou outra sabia, mas muito pouco, parece que ele sabe mais através do que você escreve do que o pai dele escreve que é muito pouco.

Desta vez, não tenho nada que possa chamar de importante que possa te escrever, pois tudo continua como de sempre.

O tempo está muito instável. Na semana retrasada choveu muito. Mas no sábado, começou soprar um vento muito frio e no Domingo dia 26 de Setembro deu uma grande geada, tão grande que nem no mês de agosto, igual não tinha dado, pois naquele mês quase sempre foi bastante quente. Agora o pessoal fica reclamando que a geada matou isso e aquilo, mas na semana passada voltou ser tão seco e quente e então o pessoal aproveitou para queimar (fumegar) as coivaras e já neste Domingo foi tão quente como fosse em pleno Natal.

– Bem agora estamos em plena primavera e tudo está ficando verde. Os pessegueiros já tem frutos bem grandes e as laranjeiras apesar de ainda estarem repletas de frutas, estão brancas de flores e as abelhas zunem de tanto trabalhar. Também soltaram os primeiros enxames.

A nossa coivara este ano nós já derrubamos o capoeirão, já há bastante tempo e qualquer dia destes vamos queimar. Você perdeu a alegria de ter participado da derrubada, mas é claro, de qualquer modo, não vai perder a oportunidade de vir capinar. Agora que por 4$ pode-se comprar um boa enxada. Nós já plantamos o arroz e mandioca nós plantamos 7000 e teremos que plantar mais, pois nós já temos terra limpa e preparada. O milho faltou um litro para termos plantado uma quarta. Acho que capinar, você deverá ter esquecido, porque agora somente trabalhas com serra e esquadro.

Também chegando aqui poderias visitar o Grünfeldt e ensinar ou aprender algo. Agora ele vai emproado e faceiro, pois este ano, 4 ou 5 rapazes de Rio Novo foram mandados pelos seus pais para estudar com ele. Semanas atrás fizeram exames. O professor sempre pronto. É só ir na casa dele. Também quando o Swichurbis [arco de pua] está de mau humor mais parece um leão rugindo e ai é melhor vir embora pois não se consegue aprender nada. Talvez ele seja duro para os “mujiques” [classe social baixa no antigo império russo] aqui do interior e seja mais diplomata com você que é um citadino.

Na Quarta feira passada houve a festa de casamento do Augusto Felberg com a Elvira Auras e agora moram na nova casa, bem ali no morro, onde era a velha, mas esta casa nova é uma grande casa de tijolos.

Neste Domingo será a festa de Bodas de Prata do Seeberg. Logo estará chegando o dia da Festa de Aniversário da União de Mocidade e o Osvaldo Auras como regente está ensinando hinos novos. Vamos ver como vai sair esta festa e se vai ser igual a de Nova Odessa que foi estupenda. Mas lá a festa foi prestigiada pelos grandes heróis de Mãe Luzia; o Janelis Klava o grande e instruído músico, cantou um solo e dedilhou a sua guitarra. Ele se amarrou tanto tempo em sua cantoria que não saia direito, tanto que muitos rapazes começaram a assobiar e então ele terminou e desceu todo lampeiro pensando que tinha agradado demais.

Agora também o Arnolds Klavim debandou para Nova Odessa. No mês de julho do ano passado ele passou um período em Porto União, parece que bebeu toda boa água e respirou todo bom ar, pois já faz tempo que saiu a notícia que ele foi para o Paraná, porquê as serrarias de Porto União faliram e os Letos de lá debandaram.

O Revmo. Mc Cabes ainda não chegou. O Butlers escreveu que ele viria com a esposa, primeiro para Rio Branco e depois ele viria para cá e se o clima for saudável ele vai ficar algum tempo por ai. O Butler o conheceu na Festa de aniversário da Igreja de Paranaguá, ele não é pregador Batista, mas sim da Igreja dos Irmãos muito conhecidos na Letônia com grandes expoentes em todo mundo como o Dr. Bedekrs e Juris Müller. Este senhor mora e trabalha há muitos anos no Brasil.[ Menonitas]

Bem desta vez chega. Esta carta foi bem conforme o modelo, mas como você não liga muito para modelos e se você não responder com uma do mesmo tamanho eu também não vou escrever tanto. O que você pensa fazer nas Férias?

Como é depois de tanto estudar você não poderá apanhar o seu violino e dar aulas de música? É fácil de conseguir acordoamentos de violino e são muito caros?

Escreva bastante e daqui tudo que estará acontecendo eu vou relatando. Lembranças do Romão [ Romão Fernandes foi meu avô materno] e de outros de Larangeiras. Hoje eles tiveram todos aqui no culto da Igreja e insistiram que eu não esquecesse de menciona-los. O Romão planeja, ele mesmo escrever uma carta para você. O Roberto é encarregado destas lembranças mas a gente não sabe se ele te escreve.
Lembranças de todos os de casa, aqui ficamos aguardando novas notícias. Desejamos tudo bom para você. Olga.

( Escrito á lápis) Junto com essa através do Pinho estamos mandando 200$000, pois assim vai mais seguro.