…o nosso tio Ludis faleceu vitimado por um derrame cerebral. De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

(Sem Indicação do ano, mas é 1925)
Rio Novo 11 de novembro
Querido irmãozinho! Saudações!!
Recebi a tua carta escrita no dia 27 eu recebi no dia 6 de novembro e por ela muito obrigada. Estou muito alegre porque estás respondendo todas as minhas cartas e não ficas esperando a segunda para responderes as duas numa vez só. O Arthur também recebeu aqueles jornais e agradece por eles. Você já recebeu a carta que eu mandei no dia 27 de outubro e o Arthur mandou a sua carta na semana passada no dia 6 de novembro. Se você recebeu estas cartas, você já estará sabendo como nós estamos passando por aqui pelo menos pelo que eu sei. Também não tenho nenhuma notícia alegre e o que eu tenho que te escrever não é nada agradável e como a gente vive neste mundo está sujeito a muitas tristezas.

Na quinta feira passada o Arthur foi a Orleans e trouxe a dolorosa notícia que o nosso tio Ludis faleceu no dia 23 de outubro vitimado por um derrame cerebral [Segundo a informação do Gerd Vitor, filho do Sr. Ludis a causa da morte foi meningite.] Dizem que esteve doente poucos dias. Esta notícia saiu no “Der Compass” que a Matilde Balod recebeu da irmã dela Amalija com outras anotações. Pode ser que até tenha algum telegrama em Orleans, mas como ninguém foi lá procurar e para aqui no Rio Novo ninguém manda e pode ter acontecido como no ano passado quando o Fater [Pai do Ludis] morreu o telegrama ficou retido em Orleans por 3 meses.

O Ludis agora em 23 de outubro tinha 45 anos e 4 meses e como rapidamente a vida dele terminou. O Fater viveu mais de 80 anos e ele somente 45 anos. Esta doença ele adquiriu devido aos longos períodos escrevendo e forçando demais a cabeça e a imaginação, não sei como a titia está passando agora, mas a tristeza deve ser muito grande para ela. Ela ficou com dois meninos o Gert Vitor tem oito anos e o Rudolf com 4. Você poderia escrever uma carta para a tia, pois ela te conhece. O endereço dela eu não tenho, mas você pode escrever neste: “Diário Allemão ou “Deutsches Zeitung” Rua Libero Badaró No. 99. A última carta que o tio escreveu ele prometia alguma vez voltar a passear aqui e nos visitar e também convidava para que eu fosse passear lá e conhecer cidades grandes e outras novidades como conhecer os parentes. Eu realmente tinha vontade alguma vez ir até lá, mas até agora ninguém me deixou sair e agora é tarde demais. —-
O tempo já há dias está claro e bom. Está bastante quente. As pessoas estão queimando as roçadas. Hoje estava tão enfumaçado que quase a gente não conseguia respirar, mas ao anoitecer deu um forte vento e choveu um pouco e é provável que chova mais.
Bem tenho que terminar de escrever, pois não vou escrever mais por que não há o que escrever que seja importante e nada relevante aconteceu e sobre pequenos detalhes não valeria a pena escrever e para você não interessa mesmo.
Você promete estenografar as cartas porque se torna mais rápido. Você devia vir e ensinar a ler estenografia e ai poderemos usar esta escrita quanto quiser.
Eu entreguei todas as tuas lembranças e através do August Klavim mandei para o pessoal de Rio Larangeiras e eles carinhosamente retribuíram.
Muitas lembranças de todos de casa. Lúcia.

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…Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 5-10-25

Querido irmãozinho!

Estou certa que vou receber uma bronca por não ter escrito antes, mas o que fazer se vem à preguiça para escrever cartas. A tua carta escrita antes da minha já recebi inclusive as duas registradas quais não lembro a data. Planejei responder, mas ai a Olga disse que iria escrever, mas nós duas ficamos com tanta preguiça que terminamos não escrevendo. Mas quem consegue escrever cartas nestes tempos que a gente vive cheios de pompas e circunstâncias.

Nós estamos passando suficientemente bem, graças ao bom Deus que a nós todos supre para que nada nos falte. A Olga também vai melhor e está mais forte que antigamente, pode se alimentar melhor e sente o sabor da comida e ela consegue comer mais do que eu, porquê eu nunca estou com vontade de comer. Ela uma vez esteve em Orleans e o farmacêutico recomendou um remédio para tomar. São pequenas bolinhas que ela tinha que engolir e com essas ela ficou melhor. Ela parece que ainda não conseguiu por em prática os teus conselhos e as tuas recomendações porquê o tempo agora está muito instável, pois quando o tempo está limpo sopra um vento muito frio e também nos dias chuvosos não dá. Vamos esperar os dias esquentarem para estão experimentar as suas recomendações.

O tempo agora está claro e bom. Semana passada inteira soprou o vento seco e tão forte que parece que iria derrubar o mundo inteiro de pernas para o ar. Antes disso tinha sido bastante chuvoso e se nalgum dia o sol brilhava e então no dia seguinte já chovia e houve dias que pela manhã amanhecia claro e fresco e já na hora do almoço já estava chovendo. Na semana passada esta um tempo bom, mas na sexta feira começou uivar um vento tão forte e continuou a fazer estripulias até domingo à noite. Hoje está calmo e um nublado já começou a peneirar uma chuvinha, mas parou e então o povo aproveitou para queimar as coivaras e outras queimadas.

O velho Nettemberg morreu no dia 19 de setembro. Ele fazia tempo que estava doente e ficava somente deitado. Mas ele, a vida inteira, vivia doente. Ele foi colocado no caixão que o senhor Leiman tinha feito para si e a cova foi feita na área reservada para o Wilis Slengmann, justamente as pessoas que durante a vida toda eram seus adversários e que ele o falecido não gostava. Sempre ele achava que eles eram muito amantes de riquezas e de bens.

O Augusto Klavin no dia 12 de setembro viajou para São Paulo e o Wilis viajou no dia 2 de setembro. Eles foram para o casamento do Juris. O Willis viajou antes porque aqui ninguém sabia a data certa das bodas e quando ele chegou lá, ele mandou um telegrama confirmando a data certa. Semana que vem dia 12 o Augusto deverá estar de regresso ao lar. O casamento foi no dia 27 num domingo. Naquele domingo estive na casa dos Klavin convidada pela Marta que organizou uma festa especial convidando todas as suas amigas.

Na semana passada no dia 1o. de outubro deu-se o casamento do João Zeeberg com a Hilda Auras [Esta família deveria ter uma página especial]. Naquele dia o tempo estava bom e fresco porque nos dias anteriores tinha estado nublado. A cerimônia foi na Igreja e começou as 11:30 horas da manhã e tinha bastante gente. O sermão foi proferido pelo Pastor Stroberg e logo após esta parte todos se dirigiram para a casa dos Auras onde já estavam aguardando os representantes da Justiça que vieram de Orleans trazidos pelas famílias para que tudo fique mais caro para se pagar. Depois da parte civil começou o banquete que realmente estava muito bom. Eles tinham preparado tanta comida que os convidados nunca teriam conseguido comer tudo. Nós também fomos, somente o Paps ficou em casa, e como não ir depois de tantos convites inclusive um impresso em uma tipografia de Tubarão com letras douradas e com o texto em leto e em português. Ao Zeeberg ficou tudo muito caro, mas como ele diz “o que é preciso é preciso”, desde que fique melhor do que dos outros.

Esta semana vai ser o casamento do Carlinhos Leepkaln com a Anna Sanerip [ Este casal, entre outros filhos devem ser lembrados a Rosália Alida casada com Zefredo Karkle em Curitiba e o Paulinho Leepkaln casado com a Da. Carmelita em Urubici].
Somente não terão a grandiosidade do outro, pois o casamento tanto a cerimônia como a recepção será na Igreja. Pela manhã eles irão a Orleans para o Casamento Civil e há 1 hora da tarde de volta na Igreja. O casamento deles será no dia 9. Agora todas as semanas tem havido casamentos para aproveitar a estada do Pastor por aqui.

O Stroberg chegou aqui no 24 de Setembro e se tudo der certo vai viajar no dia 12. Não faz mal viajar, pois tudo será pago pelos Zeeberg e pelos Auras. Também a língua brasileira ele aprendeu suficiente para ler fluentemente e também traduzir. Na terça feira será feito um mutirão para limpeza da casa dele aqui. Ele está convidando os jovens para capinar e roçar, pois ele pretende pagar. A Elvira [Stroberg irmã do Pastor] chegou de Nova Odessa e com ela veio também o Otto Slengmann. Ele não gostou de lá porque é muito seco e aqui é muito mais bonito. O senhor Slengmann tinha deixado para ele uma gleba no Rio Larangeiras para o caso que ele voltasse e ele voltou mesmo. O Benis [Benis Slengmann] quando terminar o tempo de Serviço Militar nem vai para Nova Odessa e vem direto de volta morar aqui. Agora para os Rio Novenses, aquela febre de viajar, de mudar daqui parece que acabou. Em Nova Odessa os produtos da lavoura que os colonos tem para vender estão baratos demais. O algodão estava a 10$ a 12$ a @ e ninguém comprava. Aqui também tudo ficou muito barato, o toucinho de 36$ caiu para 13$ e agora voltou a 26$ e assim também os negociantes tiveram um enorme prejuízo com o feijão que estava valendo 80$ e em poucos dias caiu para 20$ quando deixaram de comprar por falta de dinheiro.

Hoje recebemos uma longa carta registrada do Fritz [Fritz Leimann da Argentina], pois dele nós não tínhamos recebido nenhuma notícia direta dele. Ele escreve que tinha mandado 4 cartas quais todas devem ter sido extraviadas. Ele está passado bem, somente a Kristine esteve muito doente, mesmo assistida por 3 médicos nenhum dava mais um mês de vida, então o Senhor fez o milagre pois ela ficou viva. Agora já está fazendo pequenos serviços de casa. Agora eles estão morando em Urdinarrain [Argentina] onde agora tem uma pequena nova Igreja. Construíram um pequeno templo de tijolos. Diz que é muito mais fácil trabalhar numa nova Igreja onde não existem velhos membros teimosos. Ele diz que vai escrever direto para você quando terminares o Curso. Ele espera que o Arthur [Arthur Leimann] e você para trabalhar com ele então se apronte.

Hoje também chegou a Orleans o Missionário Deter. À noite na Igreja de lá vai haver culto e reunião e amanhã vai viajar para Mãe Luzia, mas no domingo já estará de volta aqui no Rio Novo. Vamos ver se o plano vai dar certo.

Bem tenho que terminar, já é tarde da noite e mesmo carta mais longa você não conseguiria terminar de ler e você sempre não tem tempo e está tomado de trabalho. Você pode vir para casa descansar um pouco e capinar um pouco para não esquecer de todo como é que é. No dia 13 de dezembro eu vou descer a cavalo para Orleans para esperar-te. Eu sei que você está acostumado andar de carro e não tem nenhuma chance de andar a cavalo. Aqui você não terá chance de encontrar nenhum auto. O nosso amigo Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$ e quando chegar, ele vem passear aqui no Rio Novo. Se você estiver aqui na ocasião, poderá também aproveitar.
Muitas lembranças de todos de casa, se tudo der certo na semana que vem vou escrever outra. Hoje chega.

Com lembranças – Lucia.
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… não apareceu uma nuvem sequer e não existe o mímimo sinal de chuva, | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1924

Rio Novo 24-09-24
Querido irmãozinho!! Saudações!

Eu estou escrevendo esta noite porque amanhã eu tenho que ir à cidade. A Olga já escreveu na semana passada e como ninguém foi para Orleans, assim esta carta ficou sem ser mandada até agora.. Você já recebeu a minha carta escrita no dia 9 de agosto? Nós até agora nenhuma notícia tua temos recebido. A última foi a qual eu respondi no dia 29 e depois não temos nenhuma notícia e também os Jornais não recebemos e eu acho que estão perdidos nestes tempos de revoluções. Eu te peço para que se possível mande aquele jornal que foi editado em Pilares, porque me interessa continuar lendo. Se outra vez mandares jornais, por favor, mande-os registrados.

Nós estamos passando suficientemente bem, somente o tempo está muito seco, esta semana não apareceu uma nuvem sequer e não existe o mínimo sinal de chuva, Hoje à noite quando eu ia para a Igreja surgiu um forte vento e como nós tínhamos fogo nas roças em troncos queimando, a Mamma, [Lisete Rose Purim] o Ernesto Grüntall e outros ficaram cuidando de plantão até as 9 horas da noite até que o vento cessou.[Por ai percebe-se a responsabilidade quanto às queimadas quais poderiam causar estragos ao meio ambiente]

Junto também segue uma receita que se possível, comprar uns 3 vidros, porquê o Diretor [O Diretor da Cia de Terras Sr. E.E. Staviarski também era médico amador] recomendou com insistência para que a Olga usasse porquê ele diagnosticou como mal do coração, não o verdadeiro mal do coração, mas que existe muito sangue próximo ao coração.

Bem vou ter que terminar porquê já é tarde e também fica difícil escrever, pois não consigo enxergar direito, pois na semana passada eu estava com dor de olhos, agora aqui muitos estão com esta doença. O Arthur agora está com esta doença, mas os meus não doem mais, mas quando mais tempo a gente fita uma superfície branca, então surge como fosse uma névoa branca e a gente não consegue ver mais nada.

Quanto aos outros assuntos quais prometi escrever fica para outra vez e também como o Zeeberg mandou um verdadeiro couro de boi escrito e se você tiveres recebido você deverá estar muito bem informado e é natural que eu não consiga escrever tão bem e tanto quanto o Zeebergs. [Esta carta escrita pelo Karl Zeeberg eu tenho em leto, mas eu desisti de traduzir por vários motivos principalmente pelo assunto principal que era o modo capcioso usado para penetração dos pentecostais em Igrejas normais funcionando onde ele repisa inúmeros fatos e citações bíblicas e deplora este comportamento.]

Ainda muitas lembranças no Maria da Silva e Romão Fernandes [Romão Fernandes veio a ser o meu avô materno], e de todos outros de Larangeiras. O Romão quer te escrever, mas não o fez por falta de tempo. Se você tiver uma folga, poderia escrever uma carta para ele, pois vai trazer para eles muita alegria.

Muitas lembranças de todos de casa, sobre outros assuntos escreverei em outra oportunidade quando tiver mais tempo para escrever.
Agora ficarei aguardando uma longa carta sua.
Lucy

…e se a seca continuar assim será muito triste. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924 –

Rodeio do Assucar 17 de setembro de 1924

Querido Reini: Saudações!

A tua carta recebi já há bastante tempo atrás. E hoje não estou com ela e eu não me lembro nem metade do que você pergunta nesta carta. Acho que não tenha nada muito importante e se tinha a Luzija já deve ter te escrito. Porquê ela diz que manda cartas quase todas as semanas e o que ela escreve ela não diz e não deixa ninguém ler as cartas que ela escreve.

Aqui nós graças a Deus estamos passando suficientemente bem e nada tem de novo tem acontecido. As chuvas sim que são muito poucas e se continuar assim será muito triste. A seca no ano passado começou em novembro e deste então não houve nenhuma chuva que fizesse o nível dos rios subirem ao normal. Aqui no Rodeio do Assucar o riozinho ainda corre, mas lá no Rio Novo faz tempo que a calha não corre nenhuma gota d’água. A água para o consumo da casa tem que ser trazida da grota funda. As atafonas passam mais tempo paradas [A grande maioria destas atafonas, engenhos e serrarias em tempo de seca, tinham represas ou açudes para acumular água, para serem usadas por um certo período] e nem grãos para serem moídos.[Está se referindo aos danos da seca na colheita anterior].O tempo sempre está bom frio e com muito vento. A semana passada foi um pouco diferente porquê esquentou um pouco, mas ficou tão enfumaçado que não dava para ver o sol. As vezes a gente podia ver o sol como um disco através da fumaça. Sábado ficou nublado e no Domingo choveu um pouquinho e na Segunda e na Terça feira amanhecer nublado e escuro então pensamos que agora iria chover bastante e então ontem a noite choveu até bastante, mas hoje está tudo limpo outra vez e não aparece nenhuma nuvem para qualquer lado do horizonte. Melhorou um pouco porquê a poeira apagou e o pasto está se mostrando um pouco mais verde. Para o gado este ano não foi fácil pois durante o verão o pasto já tinha secado e depois agora no Agosto vieram as grandes geadas. Tudo agravado, pois este ano o restolho [As espigas de milho pequenas eram destinadas para a alimentação do gado e eram chamadas de “restolho”] não temos suficiente.

Na semana passada terminamos de plantar a mandioca. Plantamos de mandioca 18.600 mudas, De aipim plantamos 2.700 mudas. As derrubadas dos capoeirões também já terminamos. [Era hábito entre os agricultores deixar as áreas de terra cultivada “descansando” por um período de até 5 anos e quando já havia crescido uma capoeira ou mais tempo um capoeirão era novamente roçado e queimado e tornado a cultivar.] Já plantamos pepinos e batata inglesa para que até as Festas do Natal quando vieres para casa passear para você se deliciar de tudo isso e mais das grandes melancias que também nós já plantamos.—-

Junto a esta carta estou enviando uma “receita” que o Diretor prescreveu e as quais aqui na farmácia tinha que esperar por um longo tempo e ainda ele cobra 15$000 por vidro e assim eles põem 5$000 de lucro por unidade. Naquela vez eu comprei um vidro e tomei e não observei nenhuma melhora significativa porquê aqueles são aqueles remédios que são necessários tomar aos baldes. Então comecei a tomar aqueles dois vidrinhos de remédios que o Wictor trouxe que agora já estão no fim, mas a perna não melhorou nada. Se você puder comprar maior quantidade, quem sabe uma meia dúzia, então poderia usar mais tempo, aqui o farmacêutico quer encomendar, mas ele quer ter um lucro exorbitante, no Rio custa 6$000 e aqui ele quer 15$000. Melhor seria se alguém que viesse de lá pudesse trazer.

Bem desta vez chega de tanto escrever, pois também eu não tenho a máquina de escrever que facilita escrever mais rápido como você ai. Sobre outras coisas eu pouco sei porquê às noites poucas vezes a Igreja eu vou. Pode ser que a Luzija que vai para todas reuniões de preparação dos professores da Escola Dominical e Estudos Bíblicos possa te contar porquê para mim ela não diz nada. Então escreva diretamente e pergunte a ela.. Vou esperar carta sua. Com lembranças. Olga.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar….. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rodeio do Assucar 14 de novembro de 1923

Querido Reini.

Saudações!

Então hoje à noite estou escrevendo outra vez, porquê só cabe a mim mandar cartas, mas receber nenhuma. Eu não consigo entender porquê este ano está assim. Será que você este ano realmente não quer escrever? Ou existe algum outro motivo? A última carta que recebemos em junho tinha sido escrita em maio e para variar não, soubemos nada pelos jornais que este ano também não vieram.

Algumas semanas atrás como por milagre chegou um jornalsinho, qual o outro número você mandou para o Roberto. Então tivemos uma certeza que vivo ainda estás e por cima ainda redator deste jornal.

Você está indo pelo mesmo caminho do Ludis que quando passou a redator de jornal, as cartas acabaram e a correspondência ficou de lado. Nós temos mandado bastantes cartas, eu, a Luzija, o Arturs e até o Karlis quando esteve aqui ele também te escreveu. Não sei o que tudo isso significa, este silêncio todo.

Quando recebemos o jornal procuramos alguma anotação, mas nada, a única certeza é que ainda está vivo. A primeira coisa que eu te escrevo que vás passar as férias aonde realmente quiseres se esta é a tua vontade.

Mas por acaso venhas para casa e por isso estou escrevendo esta “última” carta e ela deve chegar lá antes do fim do mês. Alguns diziam que você não vem porque tens que trazer muita coisa, mas acho que ninguém escreveu pedindo um montão de coisas. O que a Luzija escreveu esta semana eu não sei. Para o Artur os acordoamentos do violino e a ocarina.

Tempos atrás, não sei se foi terremoto ou alguma outra coisa. Uma noite, o armário de louça da Luzija, tombou e quebraram-se as lindas xícaras de porcelana dela. Então ela lembrou de escrever para você para ver se pode comprar lá para ela. Quando você esteve aqui, contou que existem lá muitos estabelecimentos que vendem estas coisas bonitas. Aqui em Orleans já não tem mais como antigamente aquelas louças finas e coloridas. Somente louça branca e pesada e muito cara 3$000 ou 4$000 a peça.

A mamãe precisa de bons óculos, mas estes não podem ser comprados, sem antes de prová-los. O que eu preciso você com dinheiro não pode comprar. Por isso não adianta escrever porquê estas belezas [Smukums] eu não preciso.

Se puderes conseguir um remédio da marca Raziteem chamado [espaço em branco] que é fabricado em Cleveland na América do Norte. Este remédio também é fabricado em outros lugares mas não adianta nada. No ano passado o Wilis Elbert encomendou um vidro para a senhora Grüntall e veio e ela pagou 30$000 pelo vidrinho. Muito caro e dizem que em Riga existe também tem do bom e é mais barato. Parece quer o Willis quer ganhar muito sobre as encomendas que ele faz. Aqui em Orleans ninguém sabe que este remédio existe.

Aqueles remédios à base de alho também podes comprar porquê aqui eles são muito mais caros.

Bem agora chega porque tanto escrever eu nem pensava. Quando tu vieres, toda esta necessidade de escrever vai acabar.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar…….

De novo aqui realmente importante não tem nada.

O tempo hoje aqui está coberto de neblina e de vez em quando chove um pouco. Na semana passada estava bastante quente e o pessoal daqui e das colônias vizinhas aproveitaram para queimar as roçadas e as coivaras. Eram queimadas por todos os lados. Mandiocas nós plantamos 12.000 pés.

Já tiramos o mel, rendeu mais ou menos 18 latas. Vamos vender por 20$000 a lata. Tem gente que não vende e quer esperar chegar a 25$000 a lata porquê o açúcar está a 18$000 a arroba.

O que faz o J. Klava? Existem pessoas que dizem que ele ocupa um alto cargo.

Tens notícias dos nossos parentes? Faz tempo que não temos tido notícias.

Lembranças de todos de casa e da Olga.

O dia do enterro dele, lembrou o dia do casamento dele… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 5-9-21
Querido Reynold!

Saúde! Recebi a tua carta escrita no dia 14-8-21 no 26 de agosto. Muito obrigada. Você sempre pede que eu escreva bastante e hoje até que teria, mas tem um grilo que está me atrapalhando a escrita com o seu irritante e insistente canto e se escutar melhor também as rãs estão com o coaxar prevendo chuva.

Semana passada choveu muito, quase demais e fez muito frio. Mas agora está quente outra vez.. Este ano excepcionalmente a primavera chegou bem mais cedo, pois todo mês de agosto já estava quente e mesmo abafado e a última geada foi em 20 de julho. O pessoal está capinando e queimando as roças e está tudo coberto de tanta fumaça como em outros anos acontecia bem mais tarde no mês seguinte. Aqui nas roças estamos terminando de colher o milho e já em seguida estamos a plantar novamente.

Aqui no Rio Novo no mês de agosto foi época de Festas. No dia 17 de agosto uma quarta feira, à noite, foi a Festa da Colheita [Festa de Ação de Graças pela safra colhida]. O tempo estava bom e somente nublado, mas um pouco antes deu uma forte chuva que como foi rápida não chegou a fazer lama nas estradas pois a terra absorveu. Não podia chover mesmo, pois dias antes tinham chegado as grandes e esperadas visitas da grande cidade, o Dr. Luppers e outros não menos importantes como o José Casscão [Cascão] de Paranaguá e o Antônio Ernesto da Silva de São Paulo. Estes tinham estado em Curitiba nas Conferências e o Luppers tinha conseguido que eles viessem junto. Eles fazem tempo que queriam conhecer o Rio Novo. O Onofre que sabia de tudo, também viajou e veio para acompanhar, pois ele sabia quando eles viriam, mas o Antônio Ernesto não ficou muitos dias aqui, isto é somente nas Festas e logo desceu de volta para Orleans e lá organizou diversos cultos e reuniões, todas as noites e no sábado foi embora no sábado, porque não tinha planejado ficar tanto tempo fora de casa e vir tão longe.. O Dr. Lupper e seu companheiro ficaram até o domingo pela manhã, mas a noite já estava em Orleans e ai nós também fomos. Nas noites anteriores nós não fomos, mas os músicos e o coro foram quase todas as noites. Estas reuniões foram muito concorridas tanto é que o sacerdote católico determinou missas extraordinárias e tocava o sino alertando ao povo que não fosse, mas pouco adiantou pois na última reunião tinha mais de 400 pessoas. As reuniões eram feitas no prédio onde era o antigo cinema. O prédio está vazio e parece que faz tempo que não tinha sido usado. Dentro somente as poltronas pois faz tempo que não são feitas apresentações de filmes.

Também tivemos a oportunidade de ouvir o tão afamado solista acompanhado do harmônio, mas não agradou tanto quanto era esperado e é provável que nossos ouvidos não sejam acostumados com apresentações tão artísticas. Na primeira noite o Onofre trouxe ele [o Lupers] aqui em casa e ai ele contou para o Pappa que te conhece da cabeça aos pés e que sabes falar francês, alemão, inglês tanto quanto ele e ainda outras coisas como álgebra etc.

Bem os tempos passaram e depois de uma semana ele viajou até a casa do Onofre e dai para Imbituba.[O Onofre morava na localidade de Braço do Norte também chamada de Barra do Norte, uma Estação da Estrada de Ferro que ia pra Tubarão- Não confundir com a cidade de Braço do Norte hoje que naquele tempo chamava-se Quadro do Norte]

Há pessoas que dizem que depois de muita alegria e festas também vem a tristeza e funerais e agora isso aqui no Rio Novo aconteceu. Eu não gosto nada de escrever sobre funerais, porque as minhas cartas trazendo notícias tristes podem deixar você perturbado.

Bem agora isto aconteceu depois de festas, o funeral. O Oscar Karp voltando da cidade montado em seu cavalo chamou-nos da porteira e informou que noutro dia depois do almoço seria o enterro do Willis Paegle. Que ele tinha morrido às 3 horas da tarde… Parecia incrível, pois ninguém sabia que ele estava doente ou se foi um acidente.

Somente outro dia no cemitério ficamos sabendo que dias antes que ao levantar um peso excessivo de ter havido rompimento nalgum órgão interno. Chamaram o médico, mas este disse que não havia mais esperança e ele não viveria mais. Agora os Auras e os Paegles estão numa tristeza profunda, pois o que a Erna vai fazer com um filho com 2 anos somente, já sozinha.

Nos derradeiros momentos estavam juntos todos os parentes e ele pediu que ninguém chorasse, mas sim que levassem uma vida tal, que permitisse que no céu voltassem a se encontrar.

O dia do enterro dele lembrou o dia do casamento dele que também foi numa tarde de sábado que foi um lindo dia, também após uma semana de chuva. Agora chega, pois o papel acabou. Com saudações Olga
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Está um luar maravilhoso…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

25 de novembro de 1920
Querido Reini! Saudações!
Eu não pensei que tão rápido teria que te escrever, porquê cada ano que ia e ano que vinha, as tuas férias, nunca sabia onde ias passar e como não podia ser diferente este ano também você nada escreveu onde estás e para onde irias. Recebemos no Domingo passado os papéis azuis com os jornais, mas lá também não veio nada escrito. Já estava conformando-me em ficar aguardando o seu endereço temporário, não sei quando. Mas ontem a noite recebi a carta escrita no dia 11-11-20, a qual chegou muito rápido. Por tudo muito obrigado. E hoje a noite já estou escrevendo a resposta, pois é provável que alguém de nós vai para a cidade e logo esta chegará ao seu destino. Também não te admires se não tenho novidades, pois não faz muito tempo uma dia 4 de novembro acompanhada de uma fotografia e a outra dia 9 de novembro. As tuas cartas foram todas recebidas e extravios não houveram nenhum. – Dos nossos parentes da Rússia você mandou alguma carta para nós?
Tempos atrás pensávamos que você viria para casa, mas há pouco tempo atrás, recebemos “O Baptista”, onde está escrito que estão te convidando para trabalhar no Paraná. Então deduzi que se fostes convidado então irás para lá, mas veja infelizmente não deu.
Se tivesses vindo para casa poderias ainda chupar muitas laranjas e também os pêssegos estão muito bonitos. O Rubis (Roberto Klavin) como grande cientista previu que este ano será um ano bom, também para as uvas e tudo vai se desenvolver-se muito bem. E ainda tem o mel, enfrentar as abelhas para colher o mel, você não vai mais precisar, porque a colheita já terminou e todo o mel já foi tirado. O que você poderia fazer era negociar, comprando barato e vendendo com lucro em outros lugares. Nós das 55 colméias antigas tiramos 17 latas. Todos produtores de mel fizeram boa colheita. O tempo hoje à noite está muito bom, está um luar maravilhoso, tão claro que é possível ler um livro ao luar e também a temperatura está amena e nada quente. Nós agora estamos capinando a mandioca e o milho e ainda tem tantos outros serviços. Na semana passada choveu e tudo esta crescendo bonito inclusive o mato. A coivara da Bukuvina, nós queimamos no dia 9 de novembro. Foi uma queimada formidável. Naquele dia o vento também estava forte e fez uma fumaceira sem fim. O fogo pulou o aceiro para dentro das samambaias em diversos lugares, mas foram imediatamente controlados (apagados) e a grande vantagem é que os troncos e outros tocos de árvores, não estavam muito secos. O Enoz como vizinho veio ajudar e foi muito bom queimar naquele dia porquê não estava tão seca ainda e se tivesse esperado ai o perigo seria muito maior. Por mais de uma semana depois da nossa grande queimada o povo por todos os lados continuou fazendo as grandes fumaceiras. A roça da Bukuvina nós plantamos em 3 dias 4 ½ quartas de semente de milho. No total nós já plantamos mais de 10 quartas.(Quartas de alqueire – Um alqueire tem 4 quartas)
Bem por hoje chega. Nada de novo tem ocorrido e tudo continua velho. Pode ser que receba alguma carta, então ai eu escrevo de novo. Ai também é possível que você tenha também mais tempo, porque já estará de férias. Lembranças de todos. Viva com saúde. Olga.

NT A espressão ” recebemos os papéis azuis ….” deve ser papel carbono usado para copiar modelos de vestuário de Revistas e Jornais