Não posso continuar, pois a febre voltou. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim. – 1925 –

Portão [Agora bairro de Curitiba] 27 de Outubro de 1925

Querido Reynold
Faz tempo que estou me aprontando para escrever-te. Mas sempre aparece alguma coisa mais urgente.
Hoje saí de viagem, mas tive que voltar atrás. Vou amanhã.

Escrever tudo o que aconteceu nos últimos meses será demais. Vou escrever só o que eu lembrar. Agora estamos morando quase em Curitiba – O endereço é Caixa Postal T.

Nos dias de férias trabalhei na lavoura. Plantamos 4 quartas de milho, 2 quartas de feijão, 4 de batata etc.. Passei maior tempo doente com febre; então ainda caí da carroça e quebrei um osso. Até hoje a febre me atormenta.

Numa das últimas viagens me roubaram a minha maleta com todas roupas, Bíblias novas, um Cantor Cristão com música etc.
Trabalho tenho muito, mais do que consigo fazer. O Deter e o Stroberg estão este mês no Rio Novo. Casamentos.

Mas não posso continuar, pois a febre [Maleita ou Sezões] voltou.

Amanhã estarei viajando para Iguape S.P..
Sinceras saudações.
Carlos Leimann

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Aquele Reinis de Leningrado escreveu uma carta e também um cartão postal…De Luzija para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 24-3 25

Querido Irmãozinho!
A tua carta escrita em 20 de fevereiro recebi já há bastante tempo, por ela muito obrigada. E eu estou fazendo do mesmo modo que você, quando não responde imediatamente depois as coisas se acumulam e se gasta muito tempo com tanta coisa para escrever. Realmente não tinha tempo de responder, pois possivelmente você saiba que agora no dia 20 foi o aniversário aqui da Igreja e por isso quase toda noite tínhamos que participar dos ensaios do Coro da Mocidade e também do Coral da Igreja e devido que este ano os ensaios começaram muito tarde foi necessário também alguns durante o dia e assim realmente não sobrou tempo para escrever nada.

Sobre a Festa de Aniversário da Igreja devo informar que naquele dia o tempo estava bom, mas, gente não tinha tanta quanto nos outros anos. Foi servidos o tradicional café com pão doce, etc.. Visitante ilustre foi o representante da Igreja de Varpa, ou melhor, o Pastor Pintcher do “Acampamento” [Início da Colônia Varpa Tupã SP] o qual chegou aqui já no dia 25 de fevereiro junto com o Pastor Stroberg de São Paulo. Sobre o Programa da festa nada excepcional não houve, tudo transcorreu igual as outras festas. O Pastor Pintcher foi o dirigente. O Pastor Stroberg já no dia 11 de março teve que embarcar para reiniciar os seus estudos. Junto com ele tinha vindo um outro moço do “Acampamento” chamado Schmit e esse também foi junto com o Stroberg para a escola em Kuritiba. Interessante quando este moço falava em público ficava com os olhos fechados. Este moço tem a mesma altura do Stroberg. Bem sobre as atividades do Pastor Pintcher e do Schimit escrevo em outra ocasião.

Recentemente recebi uma carta do Tio Ludvig e ele escreve que de boa vontade viria dar um passeio em Rio Novo, mas ele não tem ninguém para deixar em seu lugar. Ele exerce o cargo de Redator do “Deutscher Zeitung”. Ele tem dois auxiliares, mas se forem deixados sós, eles amassariam todos os livros com os pés e assim mesmo o jornal ficaria com as páginas vazias [em branco]. Ele me convida e acha que seria muito melhor eu ir passear em sua casa e que pusesse a mamãe [Lisete Rose Purim – irmã dele] num cesto (balaio) e trouxesse junto, pois de outra maneira ela nunca viria fazer uma visita para ele. Sobre você, ele não pergunta nada, somente ele menciona sobre o filho mais velho dele o Gerds [mais conhecido por Vitor] já está na escola e diz que ele e parecido com você [7 anos de idade] e o outro se chama Rolf e tem um pouco mais de três anos de idade e não tem mais nenhum filho, o endereço dele ainda é o mesmo, Rua Libero Badaró N. 99.

Aquele Reinis [Reinis – Reinolds Purens irmão de Jahnis Purim meu avô – Faltam detalhes deste parente] de Leningrado escreveu uma carta e também um cartão postal, ele conta que no mês de abril ele deverá viajar de volta para a Letônia e depois para o Brasil ou para a África. A mãe dele já faz 10 anos que faleceu e ele está sozinho e ele não mais consegue viver na Rússia. Ele possuía um terreno, mas hoje já não é mais dele. Então vai liquidar todos os bens e vir embora. Também o tio Jekabs [Jekabs Purens outro irmão de Jahnis Purim que foi morar com a família em Varpa Tupã SP.] escreveu que escreveu para o tio Andrejs [Andrejs Purens] outro irmão de Jahnis Purim que nunca veio para o Brasil.Tinha mandado cartas dizendo que tem vontade de algum dia vir para cá também. Nós escrevemos para que ele [Reinis] na medida do possível auxilie o Andrejs e venham todos para cá. Portanto não se assuste se na eventualidade eles apareçam por lá, pois nós também fornecemos o seu endereço para eles.

Nós estamos razoavelmente bem, somente à tosse comprida está nós judiando. Também o Paps [Paps – Jahnis Purins meu avô] ficou acamado com tifo, mas nós outros ainda não tivemos.

O tempo está com a temperatura mais amena e também não chove mais tanto, já parece que o outono está chegando. O milho está amadurando e este ano as espigas estão bem desenvolvidas (grandes).

O Arthurs plantou um trecho de arroz no banhado junto à divisa do terreno com a Nona e este arroz quanto ele, você poderá vir ajudar a cortar. Logo teremos que fazer a farinha de mandioca, pois as mesmas estão com as raízes realmente grandes e água para mover o engenho também há bastante. Nesta semana o Roberts está fazendo novas roscas [Deve ser para os fusos das prensas]. Este ano a farinha está cara 22 a 24 o saco, o toucinho a 40$ a arroba, a banha a 5$500 o quilo, realmente não consigo compreender como os pobres conseguem comer quando tudo está tão caro.

Você sabe se o João Klava já chegou ou chegou a tempo? Nós calculamos que a chegada dele deveria coincidir com aquela catástrofe. [??] Aqueles majestosos prédios da Escola não desmoronaram e o que você estava fazendo nesta ocasião? Aqui o povo está muito assustado com as notícias destas tragédias e os jornais estão cheios delas.

Tens encontrado o Fredi Stekert? Poderias ir procurá-lo, pois a senhora mãe dele está muito preocupada devido que há mais de um ano que não manda nenhuma carta para casa. Jornais ele manda, mas nenhuma linha sobre ele próprio e ela também não sabe onde ele vive nem o seu endereço.

Bem hoje chega, a cabeça está doendo e o sono está chegando, tenho que ir dormir.

Lembranças de todos, os outros também vão escrever. Eu antecipei, pois quero receber a sua resposta também antes sem ter que esperar demais.
Luzija
(Escrito na lateral)
Ainda muitas lembranças do pessoal do Rio Larangeiras. Eles nunca podem te esquecer, você bem que poderia escrever uma carta para eles. O Romão [Romão Fernades meu avô materno] prometeu te escrever, mas não sei se já o fez.

O povo desceu amassando o grande lamaçal em que as estradas…| De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924

Rodeio do Assucar 2 de julho 1924
Querido Reini: Saudações!
Recebi a tua primeira carta escrita para mim este ano nas Oitavas da Festa de Verão. Obrigado! Até que enfim você lembrou de escrever. Eu sempre esperava que você escrevesse primeiro, pois agora você tem uma máquina de escrever. E escrever a máquina vai muito mais rápido. Poderia escrever e mandar uma carta todo dia. Parece que esta máquina não é tão útil porquê tão poucas cartas escreve.
Você pede que eu escreva bastante, mas sobre o que eu vou escrever, Sobre porcos e vacas você não tem nenhum interesse e o que acontece fora de casa a Luzija diz que tem contado tudo e que eu nem preciso escrever que ela já contou tudo. Se eu escrever tudo de novo você vai ter que ler notícias velhas. No dia 24 dia de São João teve piquenique da Escola Dominical na casa da Kate, mas não posso contar muito porquê eu não fui, mas o tempo estava muito bom. E na Quarta feira passada a noite teve a festa de recepção do Stroberg que até que enfim chegou.
O povo desceu amassando um grande lamaçal em que as estradas tinham se transformado. Cantaram e saudaram. Seria interessante ele saber que no meio destas pessoas logo poderão estar algumas reclamando do tanto que fizeram por ele na recepção e…
O tempo está novamente bom, mas esteve mais de uma semana continuamente chovendo e nublado e então as estradas ficaram um lamaçal só. Mas como a chuva era contínua, mas não forte, as águas dos rios e riachos não aumentaram e agora com o tempo melhor já voltaram ao normal de tempo de seca então a fabricação de farinha nem pensar.
As geadas foram grandes, mas com o tempo esquentando um pouco já começou a crescer grama outra vez para o gado.
O milho estará logo todo colhido, quase não temos lugar para guardar as espigas pequenas destinadas para alimento das vacas.
Naquela coivara onde fostes ajudar a capinar perto da divisa do Vitor onde plantamos 2 quartas e 3 litros deu somente 4 carradas, já aquela roça perto dos Klavim, ai sim as espigas eram bem maiores, mas não o tamanho de espigas como deram no ano passado. Como o milho deu ruim em toda a parte o preço já está a 16$000 o saco e o feijão a 30$000 o saco.
Para nós graças a Deus o milho vai ser suficiente para fazer o pão até a outra colheita. Agora para os animais não será possível dar tanto quanto nos outros anos, mas em compensação está sobrando mandioca para dar para eles.
Então de um jeito ou de outro vamos sobreviver. Vai ser difícil para aqueles que nem isso tem. E dinheiro os brasileiros e os italianos não têm para comprar.—
Aqueles remédios que você mandou pelo Victor Staviarski ainda não foram usados. E não sei quanto bons eles serão. Agora há pouco tempo chegou na farmácia um medicamento que foi prescrito pelo Diretor. [Etyiene] Cada vidro custa 15$000 e eu já estou tomando, não senti nenhuma melhora, mas não quero misturar esta com aquelas que você mandou. A perna já não dói e nem queima, mas não posso levantar nada pesado nem carregar, pois canso logo e o peito [Pakrutes= Pit of the stomach. Pakrutes sapes= Epigastric pain . Acho que seja dor do esôfago ou hérnia do hiato] incha e dói.
Bem hoje já chega, eu não tenho máquina de escrever e nem mais tempo, também não tenho mais nada para escrever.
Oh. Ainda a senhora Klavim mandou muitas lembranças e agradecer aqueles remédios que você trouxe na primeira vez para ela. Com eles, ela está ficando sã. Outros remédios ela deixou de tomar. Fora daquele que você trouxe ela toma chá de Anzerina.
Estas, o Roberts, trouxe da Serra, pois lá diz que crescem muito. Agora ela pode vir a cavalo para a Igreja tranqüilamente, pois ela se sente saudável e esperta e em morrer não pensa mais.
Escrito na lateral:
Também a pequena Lida [Lídia Klavin] ouviu a mãe dela mandar lembranças para você então ela também disse que queria mandar muitas lembranças para o Reinhold para que ele venha logo e vá passear uns dias na casa deles. [Dos Klavin]
Lembranças da Olga.

…é o celeiro de trigo da Argentina e quem sabe do mundo | De Olga Purim para Reynaldo Purim 1922

Rio Novo 9 de agosto de 1922

Querido Reini – Amáveis recordações!

Recebi semanas atrás a tua carta escrita no dia 10 de julho. Obrigada. Justamente naquele dia e escrevi uma carta que por certo deves ter recebido. Faz tempo que estou aguardando a resposta. Possivelmente hoje ela chegue, pois lá em Orleans falaram que o Maxchelis [Depreciativo do vapor da Karl Hoepke, o Max] chegue hoje, ele sempre traz as malas do correio.

Quantas novidades poderei te contar hoje ainda não sei. Por aqui os ventos das notícias estão bastante devagar. Nós graças a Deus estamos passando até que muito bem.

A grande maravilha que este ano ainda não fez frio quase inteiramente sem geadas. Na verdade nós vimos algumas bem fracas lá em baixo no pasto ao redor do templo da Igreja. Houve sim um período de chuvas frias. Nenhuma planta foi morta pela geada e todo mês de julho foi muito quente. Agora os pessegueiros e as laranjeiras estão todas em flor que nos outros anos ocorria bem mais tarde no final de agosto.

Chuvas sim tiveram demais, pois nem terminamos colher o milho. Este ano o milho está sendo prejudicado pelo excesso de chuvas. O milho até que deu espigas grandes, mas agora ao colher aparecem muitas espigas apodrecidas. Alguns trechos as hastes são grandes e as espigas pequenas.

Logo vamos fazer açúcar e se quiseres tomar uma gostosa garapa e chupar cana, venha logo. A cana está crescida que dá gosto cortar. Não pense que vais conseguir todas estas delícias sem qualquer esforço. Você terá que ajudar a cortar, transportar para a fábrica, pois ferver a garapa para fazer o açúcar e o melado nós mesmos vamos fazer porquê este serviço de ficar na fornalha e cuidar do tacho será demais para um cara da cidade. Para você vai ficar reservado o serviço “leve” como cortar a cana, desfolhar e enfiar nos feixes [ver nota no final] e outros serviços similares.

Agora a escola de Rio Novo está com novo professor, o Emílio Anderman e logo vamos ver Rockfelleres sobrando por aqui. O Treiman não “formou” nenhum de seus alunos, pois foi logo embora.

No Domingo passado foi anunciado do púlpito o noivado da Lucija Sanerip com o Jahnis Ochs então breve vamos ter festa de casamento. Em Nova Odessa já casou o Conrado Frischembruder com a jovem Lídia Akeldam.
Há pouco tempo atrás chegou de Porto Alegre para morar em Orleans o Willis Gruntz. Ele comprou a casa do
Grünfeld.

Você já sabe que os Leiman foram embora e só para isso que o Fritz veio e foi suficiente convincente para fazer que os velhos deixassem tudo para traz e fossem embora para outro país. A maior pressão tinha sido exercida pela Kristina esposa dele que não se conformava de que eles ficassem sozinhos e com a saúde precária e tão distantes. Ela praticamente intimou o marido trazer os sogros de um jeito ou outro, pois lá ela teria todas as condições de cuidar e proporcionar a eles uma velhice bem cuidada depois de uma vida inteira de tantas lutas e trabalhos.

Certamente eles realmente estarão bem ali, pois o Fritz tem em imóveis o equivalente de 20.000 pesos, morando na cidade de Ramirez, província de Entre Rios como um bem instalado fazendeiro. Tem uma grande casa na cidade com todo conforto com grande jardim e na parte posterior uma grande horta. Fora da cidade uma grande gleba onde ele planta trigo que dá para comer o ano inteiro e ainda muito para vender, tem sempre 4 ou 5 vacas dando leite. A Kristina vende todos dias, leite e derivados e mais verduras em geral. Também eles têm um automóvel com o qual se pode viajar entre 60 a 80 quilômetros por hora. Antes ele mantinha cavalos, mas agora com as boas estradas não tem mais sentido. Toda Província de Entre Rios e entre cortada de boas estradas e a topografia é muito plana. Esta parte do país é o celeiro de trigo da Argentina onde estão situadas as melhores terras para o cultivo deste cereal da Argentina e quem sabe do mundo. – Agora esperamos que a viagem para lá tenha sido bem sucedida e por isso estamos aguardando longas cartas.

Daqui eles desceram a cavalo para Orleans no dia 11 de julho e no dia 12 embarcaram de trem para Imbituba para aguardar o navio. Lá naquela noite, o Fritz que até ali tudo tinha corrido muito bem. O trem não tinha prejudicado a saúde dos velhos, a mãe estava com muito apetite e a tosse tinha diminuído bastante. O navio deverá entrar no porto nesta mesma noite e no outro dia já iria sair para o porto com destino da cidade de Rio Grande. Eles queriam antes visitar o Karlis [ Leiman em Joinville] e então de trem para Ijuí, mas depois parece que apareceram obstáculos e eles iriam direto para Ijuí encontrar o Willis. Como realmente foi a viagem ainda não sabemos. Aquela semana aqui foi de clima ameno e calmo.

Bem desta vez chega, estarei esperando muitas novidades daí. Se você quiser saber alguma coisa mais especifica, escreva.

Agora que nós compramos a propriedade dos Leiman estamos com a família dividida alternadamente ficam alguns lá e outros cá. Eu na minha humilde opinião acho possível que você não esteja interessado nos detalhes de nossa vida aqui, mas se perguntares algo eu responderei pela ordem.

Então finalizando lembranças de todos e fico aguardando muitas novidades. Muitas lembranças de todos e especialmente as minhas. Olga
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[Para transportar a cana em carros de bois se tornava muito difícil pois as mesmas são escorregadias, ocupam muito espaço e são muito difíceis de amarrar, então para facilitar eram feitos feixes da seguinte maneira: Eram feitas argolas pré-amarradas de cipó São João ou outro qualquer bem forte com um diâmetro de palmo ou pouco mais e onde as canas depois de desfolhadas e despontadas eram enfiadas até não caber mais mesmo, isto é até ficar um feixe compacto e firme e fácil para transportar]

…está bem, o que ninguém esperava que voltasse a sarar… | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

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Rio Novo 15 de março de 1922

Querido Reini – Saudações

Faz já bastante tempo que não temos recebido nenhuma carta. A última eu recebi no dia 6 de fevereiro e depois daquela nenhuma mais. Assim não tenho respostas de 2 cartas. Uma mandei no dia 10 de fevereiro e a outra foi dentro do pacote que a Selma Klavim levou no dia 19 de fevereiro.

Você conseguirá encontrá-la e receber esta encomenda. Também não sei se a Selma já chegou lá no destino.

Bem desta vez não tenho muito que escrever. O tempo continua chuvoso e agora as estradas estão tão destruídas como nunca e os rios tão cheios que como o Rio Novo lá no que a gente passa quando vai a Orleans a água cobre a barriga dos cavalos.

As ervas daninhas nas lavouras também crescem bem. Tormentas nas nossas roças não tivemos, mas tem muita gente que reclama delas. Difícil está para as pessoas que tem que secar o milho para moer e fazer a farinha para comer. O milho está demorando a madurar e sol tem brilhado muito pouco. Todos falam que estas chuvas estão em toda parte este ano.

Então este ano você vai ter muitos colegas letos no Colégio. Pois até aqui do Rio Novo vai o Schanis Sprogis tem escrito contando vantagem que já tinha chegado ao Colégio e assim pode ser que tenham vindo letos de outras partes. Assim me escreva contando como você está passando bem. Se tem muitos colegas novos. Se o João Klava e o Linkites ainda estão lá. Qual é o relacionamento entre os outros descendentes dos letos. Eles ainda sabem falar o leto?

Sobre o Rio Novo nada de novo. Os pastores todos foram embora.

O Willis [Leiman] faz tempo já foi embora e sobre isso eu já escrevi.

O Arthur [Leiman], a Lucija com os meninos e mais a Vitorija Ochs viajaram dia 21 de fevereiro. A Vitorija foi junto com a irmã Lucija. O Arthurs também foi para o Rio Grande visitar o Willis [Leiman] e daí de trem até o Fritz [Leiman] em Corrientes de daí para Buenos Airi e agora todos devem estar no seu devido lugar.

O Karlos [Leiman] e o Fritz não vieram para cá. O Fritz não vem mais e sobre o Karlos a gente não sabe, se ele vem ou não. E como à senhora Leiman está bem, o que ninguém esperava que ela viesse a sarar, mas a quem não está designado a morrer nada acontece. Podem as pessoas pensar o que quiser.

Hoje teve novamente um funeral no Rio Novo. Desta vez foi o velho Butlers. Fazia dois anos que ele tinha dificuldade em caminhar e agora o Butler fica mais sem a preocupação do pai aqui sozinho.

Na próxima segunda feira será a Festa de Aniversário da Igreja, mas o Inkis não vira. Bem por hoje chega.

O Viktors [Victor Stavirski , filho de Etienne Staviarski diretor da Empresa de Colonização Grão Pará, estudava no mesmo Colégio Batista] trouxe os Prospectos e por eles obrigado. O Victors disse que mandasse lembranças, mas arranjamos algumas coisas para mandar por ele. Ele diz que você e ele são grandes amigos.

E que você está muito bem. Aqueles colarinhos acho que deverão servir. Nós, os rematamos num Bazar da Igreja, as cinco peças.

Agora tu sabes deves escrever bastante. Daqui uns tempos teremos que pedir para você compre cordas para os violinos que estão quase no fim.

Não tenho mais tempo para escrever mais nada.

Com lembranças de todos – Olga
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