Das distantes Colônias de além mar- História de Rio Novo e Rio Carlota- Por Ludwig R. Rose

Das duas longínquas Colônias das Terras Além-Mar

Escrito por Ludwig Reinaldo Rose

Publicado no Jornal “Austrums “ do segundo Semestre de 1897
Nº 8 – páginas 644 a 646
Sobre as Colônias de Rio Novo e Rio Carlota da Cia. De Colonização Grão Pará.

Traduzido para o Português por
Viganth Arvido Purim

Material gentilmente cedido pela Senhora Brigita Tamuza
de Riga na Letônia

Os primeiros Letos que aqui chegaram em 1889, foram 6 famílias.
Naquela ocasião algumas famílias brasileiras tinham se mudado de localidade e ai chegaram estas famílias letas e ficaram com os terrenos com parte da mata virgem já derrubada e pastos para animais prontos e melhor com casas de pau a pique prontas para entrarem e morarem nelas.

Ai eles viveram dois longos anos sem nenhuma esperança, longe da pátria e dos conhecidos.
Depois destes dois anos chegaram de Riga mais cinco famílias. Mata desbravada já não tinha mais e então por isso tiveram enfrentar a mata virgem e começar a luta para derrubar os imensos troncos da floresta. Destes recém-chegados a maioria eram crentes da Igreja Batista. Estes aos domingos se reuniam para ler a Palavra de Deus. Mas nem assim a sensação de estarem retirados da civilização deixava de persistir. A densa floresta impedia uma visão mais larga. Cada colono estava com a visão impedida pela densa mata e assim nem as outras habitações não conseguiam enxergar.

No mês de Dezembro de 1891 chegaram do Báltico mais trinta famílias. Para estes no Rio Novo faltou espaço e então tiveram que enfrentar mais fundo na mata e ai fundaram uma colônia que chamaram de Rio Carlota.
O primeiro mal para os novos colonizadores nesta nova Colônia foi deixado pela própria natureza. O pequeno rio em que todos os terrenos tinham que abastecer e atender os seus rebanhos era muito cheio de curvas. O agrimensor que fizera as medições diante da dificuldade de usar a bússola. Ele o agrimensor parece que invés de usar o instrumento deixou-se basear os seus cálculos pela corrente do riacho. Por isso alguns terrenos junto ao riacho ficaram muito estreitos. E ninguém se conformava de ter um espaço pequeno para chegar à água. Ai começaram as demandas sobre este assunto. Nenhum outro problema surgiu, pois a Cia Colonizadora que deu as passagens para a longa viagem dava também os suprimentos e as ferramentas de trabalho.

Os Batistas, eles que tão logo cada um construiu a sua cabana, logo se ajuntaram para levantar o primeiro templo para louvar a Deus. Este era com a armação de madeira e a cobertura e as paredes feitas com as folhas de palmeira uricana. Levaram dois dias para fazer a estrutura, telhado, paredes, bancos e o púlpito enfim tudo que se fazia necessário para que fosse para uma igreja. Isso foi a 20 de março de 1892. De toda irmãos e irmãs que tinham vindo de diversas partes da Letônia fundaram uma Igreja liderada por um só dirigente e quatro auxiliares representando as Igrejas de onde eles tinham vindo. As reuniões, melhor os cultos eram dirigidos por eles alternadamente. Também organizaram dois coros, um do Rio Novo e outro do pessoal de Rio Carlota.
Estes também se apresentavam alternadamente após a Leitura da Palavra de Deus. As pessoas antigas sempre diziam que dois gatos ou dois patrões em um só ambiente ou em uma casa terminariam não dando certo, mas isso não pode ser dito de nossos regentes dos corais, pois eles se dão e muito bem. Organizaram também uma Escola Bíblica Dominical que no começo teve um rápido desenvolvimento. Mas aos poucos começou a diminuir chegando quase a desaparecer. Mas a direção e os professores reagiram e agora depois de dias nebulosos está crescendo novamente apresentando flores multicoloridas. Frutos ainda não surgiram, mas estamos certos que no tempo certo vão aparecer. Nas Oitavas de Natal as crianças ficaram felizes com um pinheirinho iluminado para a Festa delas que foi cortado nas redondezas do templo onde existe grande número deles.

A Sociedade das Jovens da Igreja se reuniram em uma associação cujo objetivo era trabalhar para apoiar os trabalhos de Missões. Elas costuram e bordam diversas peças de roupas que depois são vendidas em rifas e leilões e cujo valor é revertido para missões. O número de sócias da sociedade tem se alterado algumas vezes diminuído e logo depois aumentado. Por ocasião da Festa de São João as sócias organizam uma grande festa com poesias, discursos por parte da Sociedade, Os coros da Igreja apoiam com hinos e outros mesmo não sendo da Sociedade conforme a vontade em seu coração podem apresentar e usar da palavra. Assim sendo estas festas tem se apresentado grandiosas.

Ai vem a Sociedade dos Jovens. Apesar de o objetivo ser o mesmo da Sociedade das Jovens e algum esforço não conseguiram grandes resultados. Agora parecem que estão pendurados pelos fios dos cabelos.

A maior delas é a Sociedade Missionária que tem por objetivo doar o dinheiro de sua carteira como ajuda para missões e também com a esperança que quando vier um pastor para igreja local ter dinheiro guardado para as despesas e o seu sustento. Esta Sociedade também trabalha com distribuição de folhetos evangelísticos em línguas alemã, português e italiano. Os italianos estão proibidos pelos lideres religiosos ter qualquer contacto com os protestantes e por isso não aceitam qualquer tratado desta espécie. Mas os participantes da Sociedade espalham estes folhetos pelas estradas onde os italianos passam. Esta Sociedade por ocasião do Ano Novo organiza grande festa.

Igual as acima descritas existe uma organização que ninguém de fora sabe quando foi organizada, que é o seu dirigente, pois ela funciona secretamente. Ela publica exemplares de noticiário com folhas que no seu conteúdo pode haver desde cumprimentos a qualquer outra sociedade como também pode haver criticas severas. Dentre a maioria de partes humorísticas aparecem exemplares com linguagem séria onde é admoestada a necessidade de avaliar a sua vida e seu comportamento lembrando o Dia do Juízo Final quando cada um terá que prestar contas de suas obras. Esta sociedade trabalha secretamente, mas as suas obras ela apresenta publicamente.

Todas estas organizações, menos a última são ligadas ao tronco principal que é a Igreja Batista Leta de Rio Novo.
No princípio o número de membros crescia por mais batismos e por pessoas que chegavam da Letônia e muito poucas pessoas saiam pelo mundo. Mas em 1896 tudo mudou. A imigração parou por falta de terras disponíveis e os batismos cessaram. Em lugar vieram as declinações: “Eu declino de ser membro da Igreja porque vós não estais vivendo como deve um crente em Jesus” e com estas palavras mais pessoas saíram para fundar uma pequena igrejinha especial onde são poucos os membros, mas entre eles pelo menos até agora impera boa vontade que na Igreja grande faltava.
Assim foi o crescimento espiritual que brotou e o tempo das flores já passou e o amarelo outono se aproxima.

Agora vamos avaliar o crescimento da vida física e econômica.
No mês de maio de 1892 os colonos começaram a dura luta para a derrubada de árvores imensas e centenárias ou com milhares de anos que enfeitavam o relevo acidentado do Brasil.

É bem provável que na mente de algum atencioso leitor a seguinte pergunta: Estes que emigraram conseguiram o que queriam ou esperavam?
Depende do que cada um esperava. Quem esperava o Paraíso ou o Shangrilla não poderia esperar nada pior. Mas aqueles que esperavam trabalho e dificuldades estes não erraram em nada, é preciso dizer por que trabalho existe e suficiente. Alguns não gostaram do relevo acidentado e foram tentar a vida na Província do Rio Grande do Sul. Mas nada. É totalmente inútil procurar as planícies do Báltico no relevo acidentado do Brasil, pois para cada ponto positivo logo se apresenta junto uma situação negativa. As pessoas que não aprenderam ter paciência nunca vão achar um lugar ideal para morar. Aqueles que esperavam encontrar laranjais na mata virgem sem necessidade de plantar e encontrar mercadorias baratas podem se sentir logrados, porque nada cresce sem plantar. Na Rússia o que eles queriam era trabalho. Se tivessem trabalho teriam pão, mas aqui que tem trabalho, eles querem viver como grandes senhores sem trabalhar.

A nossa principal mercadoria para venda vem da criação de porcos. Mas tem outras pessoas que tem outras atividades. Os Italianos que moram nas colônias vizinhas fabricam açúcar e farinha de mandioca. O maior inimigo da comercialização de mercadorias no Brasil é a ausência de estradas que a nós não afetam. Os ingleses na sua vontade de ganhar mercados construíram uma estrada de ferro com uma Estação onde tudo pode ser comprado e vendido para ser exportado para o porto.

Sobre os produtos da lavoura e pecuária não quero escrever nada porque dentro das possibilidades no menor tempo possível vou publicar um livro da nossa viagem pelo mar e nossa vida aqui. Muitos de vocês talvez tenham lido que aqui tudo é caro excetuando o que o colono produz. Mas não é realmente a realidade. Nesta cidadezinha próxima você pode vender de tudo e comprar de tudo também. Caro pode parecer se os mil réis do Brasil for comparado com o rublo russo. No volume maior ele o mil réis ele é considerado igual o rublo, mas na realidade ele perde uns 25 a 30 kopeikos. (..Preços, quanto o que custa)
Aqui no final vou colocar uma relação de preços de diversos produtos comercializados aqui.
Para nós custam:
1 potro 100, 150-500 milréis
1 Cavalo 40-200 mil réis
1 Vaca leiteira 70-120 mil réis
Toucinho (1 Arroba) 37.5libras 6-12 mil réis
Trigo turco (saco = 8 quartas* 5 mil réis
Feijão preto (saco) 13-23 mil réis
Farinha de Mandioca (saco) 5,00 mil réis
Farinha de trigo moída (saco) 17-23,00 mil reís
Manteiga (quilo) 1.100 réis
Ovos (dúzia) 300-400 réis
As roupas custam dependendo do tecido e qualidade
Desde 800 réis a 15 mil reis o metro.
Assim são os preços médios para nós aqui. De outros recantos do Brasil não saberia dizer.
F I M

• Quando menciona a capacidade do saco ele explica que o saco na Letônia chamado “puhra” tinha 6 quartas.

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Agora nos estamos passando suficientemente bem. | De Lucija Purim para Reinaldo Purim – 1927 –

Rodeio do Assucar 27 de julho

(Não esta grafado o ano, mas pelo contexto infere-se ser de 1927).

Querido irmãozinho!

A tua carta escrita em 19 de maio recebi. Muito obrigado. Agora o envio e recebimento de cartas não são como antigamente como quando você morava no Rio de Janeiro, pois naquele tempo as cartas iam e voltavam rápido, mas agora demoram até 3 meses ou mais e quando elas se desencontram ai a gente cansa de esperar por elas e às vezes passa o mês sem que a gente receba carta alguma.

Nós agora estamos passando suficientemente bem. Todos mais ou menos sãos, agora eu peguei uma tosse muito forte, mas não fui para a cama. Na semana passada sim o Paps foi para a cama, mas agora já está bom. No final do mês passado o Arturs ficou doente com a febre [Deve ser malária, pois esta doença era comum ainda quando eu era pequeno e morava lá.]. Ficou de cama algumas semanas e tanto que eu tive que ir a Orleans em busca de remédios para ele, então depois ele sarou, mas a febre está atacando a muitos por ai.

Agora o tempo está bom e está frio, já faz quase um mês que o tempo se mantém bom e muito frio e toda manhã amanhecia tudo branco. Agora tudo está morto queimado pelas geadas. O gado não tem nada verde para comer. Agora na semana passada ficou um pouco mais quente e no sábado a tarde veio uma chuva, mas no outro dia que o tempo amanheceu limpo e está geando outra vez. Estou um tanto cansada de tanto frio e gostaria que fosse um pouco mais quente, mas nem tudo que uma pessoa quer nem sempre acontece. Um inverno frio como este fazia muito tempo que não acontecia como está sendo este ano. Deverá haver a partir de agora um bom verão. Não deverá haver tantas lagartas e besouros que comem as plantações e assim podem se desenvolver melhor. Aqui os italianos dizem que se não há um inverno rigoroso, então no verão nada se desenvolve bem. Agora eu não concordo inteiramente porque no ano passado não tivemos um inverno frio e as plantações para nós foram ótimas.
O milho já está todo colhido e guardado nos paióis, portanto poderemos tranquilamente comemorar a Festa da Colheita. Este ano o milho desenvolveu-se muito bem e muito melhor que no ano passado, pois colhemos 35 carradas [Em um carro de boi cabiam x jacás ou balaios de milho tanto se fosse usada a seve que era uma cobertura lateral e também frontal fixa aos fueiros feita de taquara e cipó de um metro de altura fazendo com que o aproveitamento da mesa do carro de boi fosse totalmente otimizada para o transporte do mesmo ou se fosse usada a armação gradeada de madeira que tinha a mesma finalidade, mas em vez de ser uma peça flexível era composta de duas laterais com encaixes apropriados para duas tampas uma dianteira e outra traseira, mas também fixada nos mesmos fueiros.] e em todas as roças as espigas eram grandes quase não sobrando restolhos [Restolho era uma segunda espiga do colmo ou uma não bem desenvolvida usada naquele tempo para alimentação das vacas e isso era feito enquanto eram ordenhadas. Não eram dadas espigas grandes porque elas podiam engasgar e se afogar. Naquele tempo lá não existiam os desintegradores e quando não havia espigas pequenas as normais eram cortadas com facão ou machadinha. Como o milho era armazenado do modo que chegava da roça era feita catação na hora da necessidade e muitas vezes quando a noite no escuro devido a falta de luz a avaliação era feita baseada no tato] para alimentar as vacas.

No mês passado no dia 26 morreu o velho Auras, ele ficou doente vários meses. A doença dele começou com um resfriado e apesar dos familiares acharem que ele iria sobreviver e ficar bom, pois ele não era tão velho, pois tinha somente 56 anos de idade, mas agradou ao Senhor leva-lo para a sua nova habitação e a sua glória. Resta o desconsolo dos familiares e amigos.

O pastor Stroberg na semana passada esteve em Mãe Luzia acompanhado de músicos e cantores que foram dar apoio ao seu trabalho. Depois foram também à Laguna também fazer trabalho de evangelização. Voltaram para casa muito felizes porque o trabalho foi um sucesso. Em Laguna eles foram agraciados com a cessão do Teatro inteiramente grátis então houve um grande auditório de gente atenciosa e ainda solicitando para que fossem outras vezes. Também tiveram um grande apoio de uma distinta família presbiteriana que ajudou a providenciar o auditório e divulgar as atividades. Para o pastor Stroberg as portas estão abertas em toda parte e só ir trabalhar, mas como pode uma pessoa sozinha fazer tudo e ainda mais complicado devido as grandes distâncias e assim dificulta o acesso.

Na semana que vem é esperado o Missionário Deter aqui. Vamos ver se vem mesmo, pois algumas vezes têm prometido e não tem conseguido vir.
No dia 22 de junho viajou para o Rio de Janeiro o Alexandre Klavin acompanhado o Wiktor Staviarsky. O Alexandre vai para o Colégio aprender ser Professor.
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Então depois de passado um bom tempo que eu comecei escrever esta carta, já há mais de um mês então tenho que continuar. Na semana passada recebi a tua carta escrita no dia 24 de julho e por ela muito obrigado e fiquei feliz por que você respondeu rápido. Eu nunca tinha sido tão preguiçosa como agora, mas também não vou ficar me desculpando como faz a Lilija [Lilija Purens a prima de Nova Odessa] Tenho ouvido falar ai por outras pessoas que a Lilija ficou noiva de um Fulano de tal, mas para nós ninguém escreveu nada. Vou ter que escrever e perguntar se é assim mesmo.

A festa de aniversário da Igreja [O aniversário da Igreja era dia 20 de Março]foi muito boa, o programa bastante extenso. Chovia torrencialmente, mas o templo ficou repleto e quando tem café grátis com acompanhamentos então ainda mais fácil vir muita gente. Tinha 3 visitantes de Mãe Luzia e um de Kuritiba que é o pastor de lá o Djalma Cunha, Ele trabalhou muito no Norte do Brasil e estudou no Seminário Teológico de Recife e agora está em Kuritiba. Ele é bastante jovem e ativo tem 33 anos e a cor morena queimada pelo forte sol do Nordeste. Ele veio uma semana antes da Festa, sem ninguém estar esperando e foi embora uma semana depois. As lições que o Pastor Djalma Cunha ofereceu no Instituto Bíblico foram ótimas e valeu a pena mesmo, lamentável foi que coincidiu com a época das grandes enchentes, pois chovia sem parar e assim muitas pessoas não puderam vir. Também havia planos para fazer cultos de evangelização em Orleans e pelo mesmo motivo deu em nada. O Pastor Djalma prometeu voltar no mês de outubro por ocasião da Festa de Aniversário da União da Mocidade e também quer apresentar um Curso baseado no livro “Manual da Mocidade”.

Depois do Instituto no dia 22 de março houve o Casamento do Willis Slengmann com a Elvira Salmin Stroberg que era viúva. Então você pode imaginar todo povo marchando num imenso lamaçal para a casa dos Slengmann. Agora eles não moram lá dentro onde eles moravam antes e sim desceram para lá um pouco acima do passo do Rio Novo [Neste lugar onde os animais, carros de boi, arranhas e galeotas passavam por dentro d’água. Somente os pedestres e os cachorros passavam por uma pinguela. O meu pai que trazia mercadorias da Estação da Estrada de Ferro para a venda do Tio Eduardo Karp neste lugar muitas vezes teve que passar toda mercadoria nas costas devido o rio estar cheio demais].
Já no meu tempo quem morava ali era o Eugenio Elbert casado com a Alida Slengmann e continuavam com a atafona moendo milho, sal, etc. e também tinham uma trilhadeira onde nós levávamos trigo cortado para ser debulhado. [Ao redor da casa havia muitas árvores europeias como bétulas, plátanos etc.]. Ele mora agora onde o outro Slengmann tinha uma atafona junto ao Rio Novo onde que a gente sempre tem que atravessar.

Durante a Páscoa o tempo esteve bom e muito quente como fosse pleno verão, raramente houve calor assim, mas depois começou a chover outra vez. As Festas da Páscoa transcorreram calmas por que o Pastor tinha ido a Mãe Luzia e nós aqui ficamos sem o Pastor. Ele ainda foi a Laguna. Em Laguna o trabalho vai em frente apesar de com tanta rapidez não é possível fazer obras grandiosas. Se lá tivesse um obreiro fixo então teria muito mais oportunidades de que o trabalho fosse para frente rápido e não como hoje quando as viagens são quase esporádicas. O Pastor Stroberg tem muito trabalho então ele convide e convoca outras pessoas para o auxiliarem, mas as dificuldades são que muitos lugares são distantes e de difícil acesso. Na semana que vem o Pastor planeja ir, a Urubici, no outro lado das Serras. Ele quer visitar os Grikis e os velhos Bruvers. O mano Artur está planejando ir junto e vamos ver se vai mesmo.

Não me lembro se já escrevi sobre o casamento do Werner Grikis com a Elza Sanerip no dia 30 de setembro do ano passado.

A senhora Klavin da “mata [Mejza Klavene – Distingue a Senhora Klavin que morava no Rio Novo (Katy) da outra que morava lá no interior da Invernada –nas matas. Esta senhora era da família Malvess e antes fora casada com o Simpson que depois de viúva casou com o Klavin.] está muito doente e não sei se vai sobreviver, ela sempre foi um pouco doente, mas não tão gravemente com agora, pois agora sempre está de cama.

Junto com esta estou mandando uma fotografia de um piquenique no pasto do Augusto Felberg e a outra é do coro da Igreja do Rio Novo. Agora não está mais tão grande. Você ainda pode reconhecer alguém? Quem está sentada ao lado do Osvaldo Auras é a Lídia Stoberg irmã do pastor.
A terceira fotografia a pessoa [Deve ser do Eduardo Karp, naquela época, namorado dela.] que aparece se você não a conhece não tem importância ele também quer conhecer você melhor e manda muitas lembranças e votos de bem estar.

Se na América onde você está tem pêssegos e melancias deliciosas então mande as sementes para nós plantarmos aqui. Tudo o que for bom e barato pode mandar. Também cartões e outras publicações onde aparecem os lugares onde você está também pode mandar. Quando você vem para casa? Pelo que eu deduzi das suas últimas cartas você está pensando vir para este lado.
Bem desta vez chega de “imprimir”, pois já está uma longa carta e eu também não tenho mais papel. Aquela carta escrita para o Arthur foi recebida há muito tempo. Ainda lembranças de todos aqui. Agora fico aguardando longa carta sua. Lucia.

(Escrito na lateral)
O endereço do tio André é o seguinte:
Ratujza Iela N.17 – Jaunjelgava – Latvija.
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…aqui a vida flui monótona e quase nada maior acontece… | De Olga Purim para Reynaldo Purim 1923

Rodeio do Assucar 31/1/23 [ Assim era escrito na época]
Querido Reini. Saudações!

Então esta noite vou ter que começar a escrever, pois a tua carta escrita no dia 26-12-22 já recebi semanas atrás com todos aqueles cartões de Boas Festas. Muito obrigada porquê, esta carta, foi mais longa que as demais talvez porque nestes dias de férias você está mais folgado. Naquele mesmo dia que recebi a sua mandei também uma longa carta contando todas novidades daqui por isso tive que dar um tempo para começar a resposta.

Lá mais coisas acontecem e aqui a vida flui monótona e quase nada maior acontece e as coisas vão como sempre.

Este ano chove muito, mas o sol também brilha muito; os rios estão transbordando e troveja como antigamente.

Trabalho, nós temos muito porquê as ervas daninhas crescem como nunca e ainda bem que o milho também está crescendo bonito e para nossa sorte aqui não tem havido grandes tempestades com ventanias para derrubar o milho, mas em outras partes da colônia sim.

Semana passada os Grunski mudaram-se e foram morar junto com o Willis Grunski na casa que eles compraram do Grünfelldt. Eles estão ajeitando para fazer uma grande marcenaria.[ Galdeneka darbnizu – Literalmente local para fabricar mesas.]
O Emílio [ ? ]vendeu a colônia [Chamavam de colônia a gleba de terra de um colono que poderia variar de tamanho e de formato. A forma básica era a chamada “Frente” começar no fundo do vale para facilitar o acesso à água. Muito inteligente também a idéia da Cia. Colonizadora fazer esta frente em perpendicular ao o fundo do vale e não obrigatoriamente no rio, pois facilitava de certo modo as cercas que eram retas e com as curvas o rio entrava e saia diversas vezes na mesma propriedade. A do meu pai deveria ter uns 80 hectares (200 braças de frente X 700 braças de fundo) e se a frente ficava no fundo do vale onde também seguia o caminho principal é claro que o fundo ficava na parte mais alta que era o Kazbuck. A do tio Reynaldo a qual os fundos se encontravam ia fazer a “Frente” no Rio Larangeiras que era o outro vale mais para o lado do poente. Resumindo os “Fundos” se encontravam adiante do “Kazbuck”.] para um italiano que pagou 8:500$000 a vista.

O Limors está novamente por ai, mora em Orleans com a filha.

Antes das Festas do Natal chegou de São Paulo a Olga Grunski com a filhinha para ficar passeando uns dois meses e agora que passaram poucas semanas já foi embora. Diz que faz tempo que não mora mais junto com o seu Vanag, que nada faz, não trabalha e ela não consegue ganhar o suficiente para cobrir o que ele consegue gastar. Agora ela trabalha em um hospital como mensalista e a administração permite que ela more junto com a criança lá mesmo e o salário é 150$000 por mês. –

O Grünfeldt agora aluga algum casebre e mora com a mulher, mas não tem aparecido por aqui ou a vida de colono talvez seja muito simples e humilhante para ele.

O Konrads Frischimbruder com sua companheira na semana passada foram embora novamente para São Paulo procurar uma vida mais leve e menos trabalhosa.

Ele o Condis, não pode trabalhar nada no pesado, pois quando ele ainda estava em São Paulo ele teve apendicite e foi operado que teria custado 800$000 e que nada adiantou, pois não pode levantar nada e nem trabalhar. Mas a esposa não gostou daqui. Aqui ele ficando na casa dos pais pelo menos teria comida a vontade e lá o que ele vai fazer? Tolo sim, o que ele é.

Você escreve bastante sobre este movimento de renovação espiritual e eu também escrevi bastante sobre isso. No dia que recebi a tua carta, eu também recebi um cartão postal do Jehkabs. Um outro cartão já tinha recebido de São Paulo. Então diz que mandou uma carta, mas nada chegou e agora ele diz que mandou outra. No cartão ele escreve que quer saber notícias nossas e convida o Pappa e a Mamma para acertar os compromissos de trabalho e ir passar uns dias com eles talvez uma semana para poder conversar bastante. E sobre estas conversações ele já escrevia da Latvia, mas nunca mencionou nada sobre visões e profecias. Quem poderia imaginar que ele estivesse tão junto dentro do partido do Inkis, pois agora todos estão juntos ou perto do Inkis como abelhas perto da rainha. Lá na colônia deles [ Palma em Varpa, Município de Tupã S.P.] agora é como na Rússia Bolschevique a pessoa vai morar lá por bem ou por mal e a censura da correspondência é rígida qualquer coisa que seja contrária não sai.

O Pappa passou o Domingo passado escrevendo uma longa carta para ele descrevendo como nós estamos passando e informando que aquela viagem de visita lá não poderá ser feita por falta de tempo e também de dinheiro e esta história de passar dois dias não vai funcionar pelas grandes distâncias que ele ainda não conhece. Também diz que nós estávamos esperando eles todos aqui. Por outra parte foi bom que eles não vieram, pois agora não seria nenhuma alegria em recebê-los sabendo que eles são daquele “movimento”. O que eles viriam fazer pois aqui não temos mais tantas matas, nem temos um Inkis e ainda temos que morar neste mundo de pecados e assim nada poderia ser pior.

Agora seria outra coisa se eles admitissem que estas coisas estão na mão do verdadeiro Deus e não cabe a nenhum de nós, cabe saber dos tempos do fim com profecias e visões etc. Segundo temos outras informações, eles não pretendem fazer nada definitivo, pois estão esperando para logo o fim do mundo.

O Andreys não veio e nem sabemos se ele virá depois. Eles te mandam muitas lembranças. Voltando a nova colônia você escreve que poderia conhecer melhor se fosse até lá. Mas você sabe se você vai conseguir entrar e se entrar você poderá sair. Você nem sabe que largura tem o Portal do Reino. E se alguém te perguntar se você veio para ficar então entregue todo dinheiro para senão não poderás entrar. Que vivam todos felizes por lá.

Em Nova Odessa já tem bastante gente que já saiu de lá. Aqui o pessoal de Rio Novo fala que lá deve haver um mau espírito, senão por que as pessoas correm tanto para lá.[ Não dá para saber se ela estava se referindo a nova Colônia ou a Nova Odessa]

No Domingo passado o Zeeberg leu aquelas notícias missionárias contando como vai o trabalho na Latvia e na Alemanha e que este movimento pentecostal já é bastante antigo por lá.

O Roberto Klavim tinha traduzido para o leto aquele artigo do “O Jornal Batista” escrito pelo Alschekbirse que se referia ao artigo escrito pelo Freyvalds sobre este mesmo assunto. Pode ser que você já tenha lido, mas nós aqui não recebemos jornais novos.

Bem por hoje chega. Você deve saber sobre estes assuntos mais do que nós aqui. Escreva bastante. Nós estamos todos bem aqui e parece que você também está por lá. Lembranças de todos. Olga.

Escrito na lateral: Pelo que parece você não fez por merecer esta carta porquê, toda vez que eu começava a escrever, vinha um sono tão forte. Tinha que ir dormir e assim precisei de diversas noites para terminar de escrever. Amanhã eu vou despachar. Se não chover 8-2-23.