Impressões de uma jovem leta sobre o Brasil | Por Liene Muceniece de Riga – Letônia

Um depoimento feito por uma jovem universitária sobre a vida no Brasil. Leia até o fim.

Quando uma parte do coração de uma letã fica no Brasil.

Sim, o inacreditável aconteceu – eu, uma “menina normal” cheguei em Curitiba para, em duas semanas, desfrutar o máximo possível de uma das grandes cidades do Brasil. Maravilhas e bênçãos me acompanharam naquelas duas semanas e só posso estar agradecida por tudo ter sido tão maravilhoso como foi.
A minha família brasileira… Sim, eu tenho uma família em Curitiba e ela será para sempre. Estas maravilhosas pessoas já começaram a fazer falta naquele momento que eu embarquei no avião para vir embora quando lágrimas tristes de despedida não paravam de rolar. Até agora as vezes fico triste sabendo que eles estão longe, longe, tão distantes. Mas estou muito, muito agradecida e eu os amo muito.
Bem, a minha chegada foi tarde da noite, senão eu teria me desapontado que o sol não mata ninguém e que as pessoas não estavam vestidas com roupas brilhantes e coloridas como eu tinha imaginado. Mas ao amanhecer fui a primeira a levantar… os pássaros cantavam tão alto! Sai na varanda para ver se por acaso não estivesse havendo alguma briga entre eles, mas nas manhãs seguintes acostumei com o linguajar dos pássaros e a sensação de verão.
As minhas papilas gustativas recordam destas duas semanas com grande alegria. A mesa sempre estava repleta de comida. Do meu ponto de vista, perspectiva leta, ficava preocupada e até triste pela quantidade de comida que sobrava na mesa. Somente nos últimos dias da última semana eu terminava de jantar não ligando para a consciência que me acusava de não esvaziar totalmente o prato. Tem uma questão que me incomoda – onde fica a grande quantidade de comida que sobra nos restaurantes? Qual a fruta do Brasil? São muitas variedades de frutas e muitas variedades de pratos. Muitos mesmo, e de verdade muitos! A preocupação que tinha com o meu peso aconteceu inteiramente ao contrário. Eu acredito ser devido ao sol forte. O que sempre me faltava era a “limonada suíça” da qual aprendi a receita e eu mesmo preparava. E como diz um meu bom amigo, isto é água com açúcar… e felicidade. Para ele pode ser, mas nas minhas lembranças surgem os dias de sol, o Brasil, as praias e a felicidade.
Depois dos três primeiros dias senti falta de andar a pé. As pessoas em Curitiba movem-se motorizadas, mas para mim aqui onde moro em Riga é muito mais fácil e rápido tomar os atalhos onde se caminha a pé. Estes caminhos alternativos parecem não existir ai! Pode ser que a gente deva entender a razão: fora de casa é muito calor, e para uma letã, insuportável. O tempo todo você está no sol.
Quando tinha que atravessar uma rua eu corria com a esperança de não ser atropelada. Em Curitiba como entendi em todo Brasil existe uma lei que quando o sinal abre para o pedestre, vá! Voltando a Letônia vi que aqui haveria grande dificuldade de visualizar os semáforos que estão pendurados em locais possíveis e impossíveis de serem visualizados.
Também não cheguei a compreender quais as pessoas devo beijar a face e quais não. Parece que gostam e ainda outras depois disso vem um abraço apertado. A minha lógica era cumprimentar as pessoas conforme o costume local, mas o que fazer com a vendedora na loja. Beijar? E um paciente no hospital, beijar ou não? Mas parece que o verdadeiro sentimento destes cumprimentos possam ser sentidos só pelos próprios brasileiros e era bom que eles percebiam que eu era estrangeira. Mas assim mesmo havia ocasiões que eu ficava numa sensação confusa, não sabendo se devia beijar ou não. Então nestas duas semanas aprendi beijar pessoas estranhas e não tão estranhas.
Mas ir um baile ao estilo brasileiro eu não esperava. E foi uma imensa alegria que pude ir a dois bailes. Meus olhos brilhavam admirando as centelhas e luzes variadas. Como eram os vestidos de baile. E parece que ninguém se envergonhava por ter vestes amplas e outras pelo contrário muito simples e pequenas. Outra coisa que não interessa é a sua altura. As pessoas se encontram no baile para se alegrar, sorrir e dançar. Se o jovem diz “eu não sei dançar, mas vou tentar” significa que ele não mexe os quadris como Enrique Iglesias, mas conhece o ritmo muito bem e conduz a sua garota com perfeição. Quase o tempo todo a música toca com ritmos brasileiros e as pessoas instintivamente começam a dançar. Não sei qual o compasso da dança, mas dois passos à direita e dois passos à esquerda. Aqui na Latvija aprendemos modos e passos especiais para encaixar com o ritmo, etc, mas no baile no Brasil o rapaz convida a menina para dançar e tudo acontece maravilhosamente.
Parece que foi no primeiro dia que cada palmeira sorria e cada casa latino-americana sorria. Aquilo parecia irreal, e de vez em quando eu tinha que me convencer que eu estava no Brasil – sim, eu estava no Brasil! Houve momentos que tinha medo que fosse um sonho e eu acordasse.
Dois meses já se passaram desde que deixei o Brasil. É inacreditável, mas as lembranças estão tão profundamente gravadas que cada vez que o sol brilha forte aqui na Letônia eu fecho os olhos e imagino que estou de volta no Brasil brilhante. Como deixei parte do meu coração no Brasil, a minha alegria que todo tempo me aquece é o sol do Brasil e o sorriso das pessoas.
Fevereiro de 2015.

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COMPLEMENTO:
Como Liene veio parar no Brasil?
por Carlos Ademar Purim
Ao final de 2013, Andreis nosso filho mais novo passou no exame de seleção do curso técnico da UTFPR, um exame muito concorrido com cerca de 20 candidatos por vaga. Quando no início de 2014 ele foi fazer a matrícula todo entusiasmado para começar o ano letivo, pensando que as aulas começariam em Fevereiro ou, no máximo, em Março, ficou sabendo que, em decorrência de uma greve no ano anterior, as aulas só começariam no dia 9 de Abril.
Para não ficar todo este período em casa (jogando no computador), e como prêmio pela dedicação na vitória nos exames, me veio a ideia de enviá-lo para um mini-intercâmbio na Letônia – terra dos meus avós paternos. Nossas duas filhas já tinham feito programas de intercâmbio fora do país – Laila nos EUA e a Mirela na Inglaterra.
O problema era fazer os preparativos num curto espaço de tempo, especialmente arranjar uma família que o recebesse, uma vez que nossa família não tem mais parentes por lá.
O primeiro nome que me veio à mente para pedir ajuda foi o do Pr. Hans Berzins, que trabalha como missionário brasileiro na Letônia. Na ocasião ele estava no Brasil e, obviamente não poderia hospedá-lo. Também não via nas famílias da sua igreja nenhuma com perfil de recebê-lo. Mas lembrou que sua filha Raissa, estudante de Medicina na Universidade de Riga, tinha uma colega, cuja família era habituada a receber intercambistas. Conversando com esta colega, Raissa obteve o sinal positivo que seria possível, sim. Essa amiga chamava-se Liene Muceniece. Seus pais, Andris e Bênita e mais sua irmã Zane, além de receber intercambistas, fazem um trabalho extraordinário de cuidar temporariamente de crianças em risco, até que as autoridades encontrem famílias que os adotem definitivamente.
Feitos os primeiros contatos com a Liene, a única da família que falava inglês, conseguimos marcar a data da viagem e fazer os preparativos necessários.
Aquelas seis semanas que o Andreis ficou na Letônia foram marcantes em sua vida e que daria um relato a parte. Mas o que importa neste texto, é destacar a gentileza desta família em acolhê-lo e proporcionar esta experiência ímpar. Depois do seu retorno, ainda mantemos contatos frequentes através dos meios eletrônicos, e em uma das conversas surgiu a possibilidade de ela vir ao Brasil participar de um mini-estágio no Hospital de Olhos – especialidade que ela tem como objetivo. Minha esposa, Kátia Sheylla, como médica do Hospital de Clínicas e professora do Curso de Medicina da Universidade Positivo viabilizou este estágio pela amizade com uma das sócias daquele hospital. Para Liene foram meses de muita economia para a aquisição das passagens aéreas.
Finalizando este complemento, como família damos graças a Deus pela oportunidade deste intercâmbio. À família de Liene Muceniece nossa gratidão pelo coração hospitaleiro e amoroso.

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Aqui no Rio Novo a estrada todos anos fica melhor…. | De Arthur Purim Para Reynaldo Purim- 1926 –

[Página de uma carta do Artur sem data, sem o começo e sem o final onde ele desabafa e mostra a injustiça que o irmão faz do comportamento dele].

…Aqui em Rio Novo a estrada todos os anos está ficando melhor e o governo está prometendo logo fazer a estrada para automóveis até aqui no Rio Novo então uma bicicleta seria ótima para ser usada e por que estás proibindo a compra, eu não sei. Se fosse para não comprar por que não houvesse dinheiro então “paciência”, mas, temos dinheiro para comprar meia dúzia destas bicicletas…
Lendo as tuas cartas entre outras coisas assim “O Artur parece que não gosta de ir para a escola nem estudar, parece ser melhor ficar na roça para trabalhar na terra”. Estás fazendo uma avaliação incorreta por que se eu tivesse a mesma oportunidade que tu tivesses então em casa não teria ficado, se eu tivesse um “mocurongo” e um forte pai que ficassem em casa como foi na hora que tu foste embora então há muito tempo estaria longe.
Então eu sou obrigado a ficar em casa e é possível que seja à vontade do Senhor que eu tenha que viver aqui, e se é à vontade do Senhor então eu quero trabalhar para o Senhor conforme as minhas forças. Quando leres esta carta não fique imaginando que estou me esforçando para ter uma bicicleta para que em qualquer dia de ócio saia por aqui para quebrar a cabeça nalguma grota ou barranco por ai. A minha intenção poderia ser resumida na frase assim: “eu e a minha bicicleta serviremos ao Senhor”. O Paps fala que é para esperar quando as coisas ficarão mais baratas então sim comprar. Mas aqui no Brasil esperar por tempos de coisas baratas quando todos os dias todos os produtos industriais sobem todo dia. Para ficar esperando por preços razoáveis logo estarei com os cabelos grisalhos e os ossos rígidos então nestas circunstâncias não vale a pena esperar. Esperar por bicicletas fabricadas no Brasil seria uma possibilidade de ser mais baratas, mas hoje todas as coisas ainda são fabricadas no exterior…..
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O PASTOR KARLIS ANDERMANIS – IGREJA BATISTA DE RIO NOVO -1905 –

O PASTOR KARLOS ANDERMAN

1ª PARTE

DEPOIMENTO APRESENTADO POR JULIO ANDERMAN UM DOS SEUS FILHOS
Autor: Julio Andermann
Datilografado por Laurisa Maria Corrêa
Revisado por Viganth Arvido Purim
Material cedido pelo Autor: Sr. Julio Anderman

O meu pai Carlos Andermann e minha mãe Emilia Kanzberg Andermann, junto com um casal de filhos, em 1905, emigraram da Letônia para o Brasil, com destino a uma Colônia que se estabeleceu em Rio Novo, nos arredores de Orleans e Lauro Muller em Santa Catarina. Sua missão era pastorear a Igreja Batista e de professor da escola primária.

Antes disto, o meu pai ainda solteiro, fora mandado pela Sociedade Missionária Batista Leta para Palestina a fim de cercar, naqueles lugares santos, os peregrinos russos em território neutro e pregar o Evangelho para eles que lá iam buscar graças e pagar penitencias, por que no Império Russo, ao qual pertenciam os paises Bálticos, não se permitia proselitismo religioso fora do recinto das igrejas.
Então o meu pai criou um estilo pessoal de abordar aqueles turistas individualmente ou em pequenos grupos, cativar o seu interesse e transmitir a mensagem da salvação. Esta maneira missionária de evangelizar depois ele empregou durante toda a vida.

Era um homem culto. Podia se comunicar em inglês, alemão, russo e por fim no idioma português. Sabia grego e lia fluentemente em hebraico, que havia aprendido o seminário para interpretar melhor as escrituras.
Naquele tempo os Batistas estavam começando a evangelização na Letônia, como também no Brasil, apoiados pelos recursos das Sociedades Missionárias americanas.

Letônia era eminentemente Luterana e aquela denominação tradicionalista nos seus cultos usava mais ou menos os mesmos ritos da igreja Católica. Cantavam os velhos corais de Bach; a maioria dos seus membros visitava a Igreja quando eram batizados, quando casavam, batizavam os filhos e por fim, no próprio funeral.
A preferência pela religião Luterana foi à conseqüência da colonização da Letônia pelos Junkers alemães que a ocuparam depois da Reforma e independentemente de qualquer opção pessoal do povo que passaram a dominar, mandaram batizar todos e depois os pastores doutrinavam insistindo naquelas idéias que facilitavam a servidão – a vinculação do homem a terra e obediência aos seus senhores. Não foram convertidos e por isto continuavam na vida mundana com todos aqueles excessos de vícios e maus costumes, que transmitiam as novas gerações.

Então vieram os Batistas com aquela teoria da Salvação, entoavam aqueles hinos brilhantes do Ira D. Sankey magistralmente traduzidos para o idioma Leto e aquela gente que cantando nasce, cantando cresce e cantando leva à vida – foi sensibilizada e não há outro meio mais eficaz de chegar-se à alma humana do que através dos cânticos harmoniosos, rítmicos e bem entoados.

Mas o entusiasmo dos evangelizadores Batistas tinha ainda outro motivo de insistir nesta conversão, por que a religião Ortodoxa, a oficial da Rússia naquele tempo tinha uma conotação de obscurantismo, do qual a maior expressão foi o monge Rasputin, infiltrado na família imperial. Então os crentes acompanhavam o seguinte raciocínio:
“Se nos grandes países tais como Inglaterra e América do Norte, onde”.
predominavam os Evangélicos com a sua moral havia prosperidade
e abundância, então também o mujique, através da luz do evangelho,
poderia fazer surgir na Rússia aquele progresso espiritual e “material”.

Durante a sua estadia na Palestina o meu pai tinha estudado Teologia num Seminário Teológico Luterano alemão situado numa Missão na Palestina, por que ainda não havia este curso na Letônia.

Era músico, poeta, escritor. Escreveu um livro sobre a Palestina intitulado “Terra de onde emana Leite e Mel” do qual não sobrou nenhum exemplar.

Escolhido pelas características da sua personalidade para aquele trabalho permaneceu na Palestina por 4 anos, de onde mandou também reportagens para a imprensa e teve de deixar aquele posto por que contraiu uma febre maligna, razão pela qual retornou para a terra natal.

Minha mãe Emilia Kanzberg Andermann era filha de madeireiro, homem grande, forte, querido das mulheres, dado a bebida e a dança do sabre e outras extravagâncias.
Ela possuía uma bela voz que me fez lembrar a da Janete MC Donald. Apaixonou-se por aqueles lindos cânticos, converteu-se ao evangelho, foi batizada, mas, por que contrariou a opinião doutrinária Luterana de seu pai, foi expulsa de casa e deserdada. Mudou-se para Riga, foi acolhida pela Comunidade Batista, trabalhou e fez um curso noturno de Administração do Lar – com noções de medicina, primeiros socorros e parto. Sabia identificar pelos sintomas, as doenças endêmicas tais como: crupe, sarampo, coqueluche. Gerou 6 filhos, sendo 3 homens e 3 mulheres, que todos cresceram e alcançaram a velhice, com exceção do Teófilo, que faleceu nos Estados Unidos.

Os meus pais casaram na Letônia onde tiveram dois filhos, os outros quatro nasceram no Brasil. Enquanto ainda na Letônia o meu pai cooperava com a Junta Batista como missionário itinerante a minha mãe o acompanhava implantando escolas dominicais.
Quando ele contraiu pneumonia provocada pelos rigores do clima nórdico, para facilitar a sua convalescença num clima tropical, a Junta Missionária Batista o mandou, junto com a família para o local que já foi mencionado.

Vale dizer que na mesma época, somente um pouco antes também veio para o Brasil como Missionário o Pastor Klavin designado para Ijuí no Rio Grande do Sul, o pai do eminente professor e médico Dr. Alexandre Klavin, diácono recentemente falecido, da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, que era nosso parente afastado.

Muito bem! Então a família do meu pai cruzou o Oceano numa viagem de vapor até Laguna, de lá pegou o trem da Estrada de Ferro D. Teresa Cristina até Orleans e depois num carro de bois foram levados para o novo lar em Rio Novo.
Vizinha, distando cerca de 12 horas a cavalo, havia uma outra colônia Leta de Mãe Luzia onde também havia uma dezena de famílias, que às vezes se visitavam. As terras destas colônias eram pouco férteis e ficavam longe da civilização.
A aventura desta imigração consistia em duas motivações:
1ª a espiritual: ٠formar um grupo de Batistas coeso onde uns eram vizinhos dos outros sem a interferência de doutrinas estranhas para abalar a fé;
٠evangelizar os habitantes da terra para convertê-los a doutrina Batista com mesma finalidade que tiveram na Rússia, evangelizar as mentes no intuito do progresso material.
2ª a material: ٠posse e ocupação de uma gleba de terra em seu nome que pudesse ser transmitida por herança aos filhos, aspiração impossível na Rússia.
O meu pai veio com a dupla missão: – ser o professor da escola primária para alfabetizar os filhos dos imigrantes; ser o Pastor da comunidade Batista. A minha mãe cooperaria na organização da escola dominical e ajudaria na prestação de primeiros socorros em virtude dos seus conhecimentos de medicina; fazendo partos, na ausência de uma outra alternativa melhor.
A Igreja Batista Leta do Rio Novo estava edificada na encosta de uma elevação [Ao pé da encosta e não na encosta] onde em cima havia o cemitério da comunidade.
Descendo do Templo uns 20 metros adiante para uma ravina havia uma fonte de água cristalina que jorra até hoje [Eram bem menos de 20 metros, talvez uns dez metros. Era chamado de “Avotin” isto é a pequena fonte. No meu tempo tinha sido feito um muro de pedras onde tinha sido introduzido um tubo de ferro de aproximadamente 1. ½” por onde a água escorria de uma altura de 50 centimetros. Também eram de pedras o leito e as calçadas de ambos os lados onde a água caia. A parte superior era fechada com uma grande pedra chata. Aos domingos era trazido um copo para uso comunitário e que se destinava a mitigar a sede dos seus membros] e também para lavarem os pés, calçarem as meias e os sapatos que traziam pendurados no pescoço enquanto vinham descalços pela estrada enlameada que destruía o calçado [Era sim pela economia, mas também pela dificuldade de andar no pântano, a pronúncia era sem o acento. Pois se alguém arriscasse a enfrentar lamaçais de palmo ou mais o calçado ficaria preso no fundo. Naquela época não existiam as botas “Sete Léguas”.]. Faziam isto para assistir ao culto dominical descentemente trajados e com os pés calçados. Terminado o culto e depois o ensaio do coro que duravam até as 14 horas, descalçavam os sapatos, davam nó de laçada nos seus cadarços, penduravam-nos novamente no pescoço e voltavam para as suas casas.
Era uma medida de economia que acabava saindo caro por que a anquilostomose, verme que penetrava pela planta dos pés e depois se localizava no intestino, trazia uma doença que se chamava “amarelão” deixando as vítimas exangues e até matava; isto antes do Monteiro Lobato ter escrito o “Jeca Tatu” e Rockfeller destinar uma verba para a erradicação desta moléstia no Brasil.

O meu pai como Professor deve ter sido muito eficaz. Lembro-me que um ex-aluno me contou que havia aprendido com ele a calcular na cabeça a grande tabuada que se destinava à multiplicação de fatores de dois dígitos.

Não tenho nenhuma notícia sobre o pastoreio do meu pai exercida naquela Igreja por mais de cinco anos. Creio que com o passar do tempo ele foi esmagado pela frivolidade daquela congregação e não era para menos, pois todas as horas do dia eram poucas para cultivar aquelas terras magras que se esgotaram com as primeiras colheitas. Com a chuva o solo ficava lamacento por que por baixo havia uma camada de carvão de pedra, conforme foi descoberto mais tarde e então era necessário duplicar o esforço para arrancar dela os meios de subsistência para uma existência digna, posto que aquele solo era impróprio para ser arado e assim tudo era plantando a custa de ferramentas manuseadas pelo braço humano.
Desta época na minha memória ficou guardado um sonho que o meu pai contou várias vezes. Neste sonho ele viu um homem pálido pregando no púlpito daquela Congregação Da Igreja Batista de Rio Novo, mas todos aqueles membros cujos nomes ele mencionou, mas que o tempo apagou da minha memória, estavam distraídos conversando entre si não lhe dando a mínima atenção.
Então o homem pálido que pregava naquele sonho lhe dissera: “Este mundo se acaba e a eternidade se aproxima e esta gente não quer ouvir falar de Jesus Cristo e tu Carlos, vai e diga isto para eles”.

Foi naquela época que começou a expandir-se pelo mundo a doutrina de Pentecostes, vindo até o meu pai da Alemanha e dos Estados Unidos e ele se deixou se empolgar por aquela doutrina que vinha divulgada em revistas artisticamente ilustradas em cores e impressas em papel da melhor qualidade. Em tese eles insistiam que na Trindade Divina o maior peso devia ser dado ao Batismo pelo Espírito Santo; Pentecostalismo do qual o meu pai passou a ser maior divulgador pela tradução daqueles textos.
Destacou-se principalmente a doutrinação de uma tal de Emmy Mc Pherson, uma senhora muito bonita nos retratos, que muito especialmente empolgou o meu pai. Ela era uma grande líder da seita nos Estados Unidos onde possuía um gigantesco templo. Anos depois li nos jornais a noticia de que ela havia sumido. Surgiu a hipótese de seqüestro para extorsão de um resgate por que a seita tinha muito dinheiro, mas em noticiário posterior ficou esclarecido que na realidade ela fora encontrada num Balneário em companhia de um playboy, viciada no uso da morfina.

Certamente o meu pai contou aquele sonho na Congregação e foi mal interpretado, insistiu, não foi atendido desligou-se da Congregação Batista e mudou-se com a família para a Colônia Leta do Rio Mãe Luzia, não mais como Pastor Batista e Professor, mas como inflamado divulgador do Pentecostalismo [É uma pena que os historiadores que escreveram a história da igreja Assembléia de Deus não mencionem este fato].
Continua…

Nós te saudamos em Nome do Nosso Senhor Jesús Cristo…….| De Jehkabs Purens para Reynaldo Purim -1925 –

[Carta do Tio Jekabs Purens para Reynaldo Purim sem indicação do ano, mas pelo contexto parece ser de 1925].

Nova Odessa, 20ºdia de junho

Querido Reinhold. Nós sinceramente te saudamos em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo e que a Paz esteja convosco e abençoe a quem te abençoa e se alegre aquele que te faz alegre e feliz se torne àquele que te faz feliz. E aquele que te entristece que o mesmo seja entristecido.

A tua carta que você escreveu no dia 20 de maio não tive oportunidade de responder imediatamente porquê naquela semana chegaram uma enchente de cartas. Algumas da Letônia na Europa, também do Rio Grande do Sul e ainda da Colônia Varpa. Então depois de acumuladas comecei a responder por ordem de chegada e agora esta noite chegou à vez de responder a sua carta.

Você quer saber sobre aquela medida agrária usada aqui que é o Alqueire. Essa medida aqui é calculada assim: um terreno com 100 metros de largura e 200 metros de comprimento (fundos). E se o terreno for quadrangular então cada face deverá ter 150 metros. Este é o alqueire usado aqui.

Você quer saber qual é o custo do arrendamento, então é assim: por cada alqueire custa 118 mil réis e como nós temos 9 alqueires custa no total uma quantia de 1.062 mil réis por ano. Você ainda pergunta se neste terreno existem casa ou alguma habitação. Não, não existe nenhuma, queremos nós mesmos trazer os tijolos e construir porquê isto nós sabemos bem.

Então ainda você pergunta se nós gostamos da vida aqui no Brasil. Sim. Até agora estou muito satisfeito e para mim como pessoa de idade o calor daqui é realmente agradável e agora estamos muitos bem, todos com boa saúde, podemos trabalhar e neste verão passado temos ganho dinheiro, mais de um conto de réis e ainda no pagamento muitas peças (pedaços) de tecidos, também os patrões, donos das lavouras onde os meus familiares trabalharam deram 1/2 alqueire para que nós plantássemos para o consumo próprio, então plantamos arroz e milho e agora no outono colhemos o suficiente para passar até o próximo ano. Então eu levantei os meus olhos e minhas mãos para o céu agradecendo ao Pai do Nosso Senhor Jesus Cristo pela sua infinita misericórdia que aos tristes ele alegra e aos pobres estende a sua mão poderosa dando o seu sustento e assim sinto premiado e que seja Louvado o Cordeiro de Deus eternamente porquê ele dá aos que oram pedindo em nome Dele e assim tem feito.

Agora uma palavrinha sobre a vida espiritual de nossa igreja aqui em Nova Odessa. A Igreja é bem grande e o Pastor é um recém chegado da Letônia o Irmão Kraul, porta voz da renovação espiritual e de um reavivamento bíblico sincero, confiável servo do Senhor Jesus Cristo, esforça-se para cumprir de todo coração a tarefa que lhe foi confiada e trabalha diligentemente para trazer almas para o aprisco do Senhor, este ano foram poucos os batismos se não me engano foram somente 8 pessoas e para uma Igreja tão grande realmente os frutos foram muito poucos, mas nós temos que dar graças a Deus por estes também. A Escola Dominical tem bastantes crianças e um grande contingente de professores que gastam o seu tempo ensinando dominicalmente. Uma grande União de Mocidade com suas reuniões e durante a semana os Estudos Bíblicos, as Reuniões de apresentações diversas e ainda as Reuniões de Perguntas e Respostas. As reuniões de Oração da Igreja são realizadas nas quartas-feiras à noite, enquanto as noites dos sábados são reservadas para a meditação sobre o nosso convite e a nossa eleição fique cada vez mais forte e evidente como está escrito que nas lutas determinadas no decorrer de nossa vida possamos chegar-se a Jesus autor e consumidor de nossa Fé. Aquele que poderia permanecer na alegria em vez disso carregou a Cruz e pela vergonha não sucumbiu, marcou como exemplo e deixou as pegadas para que possamos o seguir. Então com temor e tremor lancemo-nos na luta para aperfeiçoar a nossa natureza para mais próxima da Natureza de Deus e possamos crescer na estatura semelhante à de Cristo para estarmos prontos quando no dia da Chegada Dele, porquê o fim de todas as coisas está próximo. Então não devemos dormir como aqueles outros, mas sim, acordados e vigilantes com caráter firme e determinado aguardando o grande dia da volta do Senhor, quando os céus e os elementos se queimarão, a terra derreterá levando os ímpios para o castigo eterno. Então nós que conhecemos e entendemos sejamos operosos, diligentes, sensatos, tementes a Deus, amorosos e humildes e prontos para o encontro com Ele.

Teu tio Jekabs Purens

[Escrito nas margens]
Se mais alguma coisa quiseres saber escreva e pergunte, pois de boa vontade quero escrever e responder. Se quiseres compartilhar ou contar então não mantenha no silêncio e sim abra o seu coração tanto dos problemas temporais como os espirituais. Através da Salvação do Nosso Senhor Jesus Cristo todas as coisas nos se tornam comuns.

Fiquei todo tempo olhando para baixo tentando ver você… | De Lilija Purens para Reynaldo Purim – 1923 –

Nova Odessa [Sem data]

Boa Noite!

Que o Bondoso Deus do Céu te abençoe!! De coração meu querido primo sinceramente eu te saúdo e com estas poucas linhas e desejo-te muitas bênçãos de Deus para todas as tuas atividades. Com esta carta quero anunciar que já estou no Brasil, não bem no lugar que eu esperava estar, mas de qualquer modo estou aqui. Ainda que fisicamente ainda não o conheça, mas pelo que o meu papai contava que eu tinha parentes no Brasil. Considerando, como primo encorajei-me e estou escrevendo.

Agora quero contar como eu me sinto na minha nova pátria. Se alguém tivesse me contado enquanto estava morando na Letônia que eu iria conhecer o Brasil eu nunca iria acreditar. Como tudo aconteceu eu não consigo compreender. Vivíamos na mais completa paz e felicidade, lá na Letônia e nunca tínhamos pensado em mudar de vida até que papai começou a falar sobre um irmão e a família dele que morava no Brasil, e tinha vontade de vê-lo e os filhos dele. Assim começamos a nós aprontarmos para viajar para cá. Nós estávamos curiosos para conhecê-los. No princípio os nossos parentes e conhecidos não nós queriam deixar partir daqui da Letônia e tinham pena de nós, mas, quando viram que nada iria adiantar, pois nós não ouvíamos conselhos de ninguém, então deixaram de falar, então deixaram-nos em paz, sem antes de exigir uma promessa que escreveríamos contando tudo daqui e desejando uma boa viagem. Se nós gostássemos da nova terra, eles viriam também. Quando vendemos tudo e tiramos os documentos para a viagem, então em outubro começou a nossa viagem que foi muito difícil. Viajando e seguindo o longo caminho tive oportunidade de conhecer o que nunca imaginara poder conhecer. Quase metade do globo terrestre.

A viagem se tornou tão longa e monótona que nós ficamos aflitos que chegasse ao destino. No dia 13 de outubro sai de minha casa, onde tinha vivido e crescido, aquele momento quando ia saindo foi tão difícil que não consigo descrever a ninguém. Deixar a casa com o seu pequeno jardim, a horta tão familiar. Aqueles caminhos tão queridos, que eu corria desde menina, aqueles animais que eu alimentava. Aquele pianinho que eu passava o dia tocando. Nuvens negras de preocupação enchiam a minha cabeça. Era para mim difícil imaginar, como entrou na nossa mente mudar para um país distante e desconhecido como o Brasil. Mas nada adiantava, tínhamos que deixar aquelas paisagens tão caras e familiares e se mandar para um mundo desconhecido.

A grande viagem começou de trem. Até chegar na beira mar [porto] para embarcar no navio. Atravessamos a Alemanha, Bélgica até chegarmos na França. Ali embarcamos no navio para o difícil caminho no mar. Ficamos 19 dias no mar, mas durante 8 dias passamos sem ver senão céu e água. Quando o nosso imenso navio parou no Rio de Janeiro. Fiquei o tempo todo olhando para baixo tentado ver você vindo encontrar-nos, pois sabia que você estava estudando aí. Mas debalde, não apareceu ninguém e com os corações realmente entristecidos tivemos que continuar até o porto de Santos.

Lá desembarcamos todos juntos e fomos levados para a Hospedaria dos Imigrantes, onde ficamos dois dias e daí tínhamos que seguir em frente para a mata virgem…. O que eu tinha no coração naquele momento eu nunca poderei descrever. Os pensamentos mais macabros perambulavam pela minha mente. Não queria falar com ninguém, apesar dos irmãos tentarem me acalmar dizendo que eu deveria ficar alegre, mas era totalmente impossível para mim. O que nós esperava na mata, mais ou menos você já sabe. No acampamento morei 7 meses e então fiquei muito doente e já estava me aprontando para ir para o lar eterno, os meus arranjaram para que ficasse com outros irmãos da Igreja que já moravam em Nova Odessa para me tratar.

Agora estou morando com a família do irmão Fritz Puke como empregada doméstica.[ Deenas meitu – Literalmente, moça para trabalho de dia, diarista] Os trabalhos são os mesmos como em qualquer família, mas eu já estava desacostumada.

Na realidade eu queria ir para o Rio Novo, para ficar com os teus familiares, mas dinheiro para a viagem, eu não tenho e ganhar tão rápido não é possível, portanto terei que viver por aqui. Se Deus determinou para que nós nos encontrássemos, então, isso vai acontecer.

Estarei esperando uma longa carta sua. De coração te amando tua desconhecida prima Lilija com 18 anos de idade __________________________________________________________

Agora nos temos 6 cavalos para montar…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 12 de setembro de 1922

Querido Irmãozinho.

Saudações

Recebi a tua carta de 3-8-22 já há bastante tempo. Muito obrigada! Esta carta já estava aguardando há bastante tempo e chegamos a pensar que aquela nossa teria sido extraviada. Parece que ela foi muito devagar porque estava muito pesada porque parte de nós foi junto com ela. Você escreve que nós aqui ficamos mais distantes e desconhecidos. Não sei se é ou não e se você acha que é assim então você deve vir até aqui para ver senão realmente ficaremos inteiramente desconhecidos. Você escreve que tem muito trabalho e que está muito cansado.

Então é mais um motivo de você vir para casa passar uns tempos aqui. Será mesmo depois de ter se formado Mestre não pode planejar uns 6 meses de férias ou mais. Chegando aqui todo este cansaço tenho certeza que desapareceria, não teria pensar tanto etc.. Eu te convidei para a época da fabricação do açúcar, mas não sei se o convite não chegou atrasado e esta alegria você perdeu, mas agora você poderá vir para a festa da farinha de mandioca que vai começar breve pois agora nós temos 2 fábricas uma de açúcar e outra de farinha de mandioca e nesta tudo é diferente do que você conhece ou tenhas visto.

Agora nós temos muito açúcar, muito polvilho e então poderemos fazer muito” thissel” [Geleia doce feita com sucos naturais de frutas mais açúcar e a consistência apropriada era conseguida com adição de polvilho de mandioca ou de araruta] também muitas roscas de polvilho [Ainda encontradas em Sta. Catarina. Também chamadas de “corujas] e também “ Bijús ” [Bolos feitos de massa de mandioca com açúcar]

Laranjas há ainda em grande quantidade. Estas delícias você não encontra por lá. Quando ficares entediado em uma casa, você poderá ir a cavalo para a outra. Agora nós temos 6 cavalos para montar e se tiveres esquecido como andar a cavalo o Artur pode leva-lo no automóvel puxado por dois bois brancos, se bem que não tão rápido como os da cidade, mas assim mesmo eles chegam no destino. Será que ainda assim você continuaria cansado?

Você escreve que nós colhemos muito milho este ano. Na realidade este ano o milho não cresceu como devia e os Leiman não tinham muito milho. Nos compramos 60 sacos de espigas. Você parece pensar que a casa dos Leiman esteja vazia, mas não está não. Como poderá estar vazia se nós estamos morando nela. Agora estamos morando em duas casas. Nós dos Leiman compramos: 3 cavalos, 2 vacas leiteiras, 1 touro, 1 junta de bois junto o carro e pertences, 2 novilhos, 2 bezerros pequenos, 17 porcos.

As galinhas em grande quantidade a senhora Leiman deixou para nossa Lucija que morava lá cuidando dela. Deu ainda para ela 4 leitões e dois perus. Ainda você acha que a casa esteja vazia e abandonada? Ainda os arados, 3 selas, os pertences da sala e todos trens da cozinha.

Nas roças 20 mil pés de mandioca de 2 anos passando da hora de colher, com raízes grandes e bem crescidas pois elas foram plantadas em terreno preparado com arado e assim com a terra mais solta fica mais fácil também o trabalho de arrancar. Também ainda bastante aipim e batata doce. Então tudo bem.

O Fritz não queria e nem podia levar tudo então nada melhor que deixar para os parentes. Agora o Fritz é um grande parente ou pelo menos muito importante.

Tudo estaria certo se depois de longa espera, na semana passada recebemos 5 cartas todas de uma vez, 2 escritas pelo velho e 3 pelo Fritz e todas ainda do Brasil. A viagem por mar até o porto da cidade de Rio Grande foi maravilhosa e todos bem de saúde. E daí eles foram de trem para passear na casa do Willis [em Ijuí RGS] e o Fritz aproveitar para visitar as Igrejas alemãs onde ele tinha trabalhado. Daqui do Rio Novo eles saíram no dia 12 de julho e então somente no dia 20 de agosto eles saíram de viagem de Ijuí para irem para casa. Lá em Ijuí o velho Leiman foi acometido por uma tosse muito forte e a Senhora Leiman começou a apresentar os sintomas da antiga doença voltando….

De Ijuí eles saíram no dia 20 e chegaram em Uruguayana na fronteira dia 22 a noite. Então o velho escreve no dia 23 que a senhora Leiman está tão doente que nem conseguia andar. E ainda muito pior que o Fritz não consegue autorização para eles entrarem na Argentina, pois lá eles não deixam pessoas de idade entrarem no país para morar. Chegou a oferecer 20 pesos para eles acharam muito pouco. Então o Fritz seguiu na frente e foi direto tratar com as autoridades argentinas e trouxe a autorização.

Mas assim mesmo foi uma grande dificuldade ter que deixar os pais doentes e sós. Então dia 24 o Fritz escreve que a tarde eles vão embarcar para atravessar para a Argentina e daí mais dois dias de viagem para chegar em casa. O Fritz não escreve quase nada sobre o estado da mãe, mas o velho este sim explica tudo direito. Agora estamos aguardando novas notícias e possivelmente não sejam as melhores, pois nem sabemos se ela chegou lá viva.

Imaginem a decepção da Cristina e do pequeno com a chegada da vovó se ela não puder pelo menos falar.- – – Você bem que poderia escrever uma carta para o Sr. Leiman e eu tenho certeza que ele vai responder porquê ele agora tem uma quantidade imensa de novas experiências da viagem ele sabe descrever muito bem.

Também recebi uma carta do Carlos Leiman e esta demorou quase dois meses para chegar. Acho que escrevi o suficiente se não demais. Com muitas lembranças de todos. Olga.

Escrito na lateral: O endereço dos Leiman é: Ramirez Entre Rios Argentina.

Ainda é noticia que no dia 1 de setembro o Jahnis Ochs casou.

No dia 16 de outubro vai ser festejado o Jubileu de Prata da União de Jovens da Igreja pois estará completando 25 anos. Você vindo pode trazer um sermão ou uma palestra que será muito bem vindo.

Escreva bastante. Junto com os jornais podes mandar papéis azuis [Deve ser papel carbono muito usado para tirar moldes de roupas de jornais e revistas, ] que estão muito velhos e estão acabando.