…a saúde de Olga está declinando e ficando cada vez pior.| De Lisete Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

[Sem data, mas ela se encaixa nesta ordem.]
[ Esta carta revela uma mãe desesperada não conseguindo encontrar recursos para os males desconhecidos naquela época ]

Querido filho

Eu quero te comunicar o que os outros não escrevem, isto é que a saúde da Olga está declinando e está ficando cada vez pior. Ela porem não quer que te escreva. Por que tu ajudares mesmo em nada, não pode. Ai vais ficar perturbado, triste e sem poder fazer nada.

Dormir ela não dorme. Fica se mexendo e quando trabalha e faz alguma coisa fica muito cansada. O esôfago está muito empurrado para cima e parece que como lá dentro tivesse água, às vezes desaparece e volta aparecer outra vez. Quanto à respiração, o fôlego se torna curto e o coração bate acelerado e fica muito cansada, esgotada mesmo. Aqueles remédios que você mandou ainda têm 3 vidros. Ela não pode tomar porque fica pior e ficou esgotada depois de tomar 2 vidros e ficou ruim mesmo, então ela deixou de tomar um bom tempo. Então ela tomou mais 1 vidro e ficou ruim outra vez. Está tomando muitos remédios tanto das farmácias bem como remédios caseiros, mas nada disso adianta.
No dia 10 de fevereiro estivemos ambas em Tubarão consultando um médico e ele diagnosticou como doença do fígado e que está com um tumor e queria que imediatamente ficasse internada no hospital para ser operada. Parece que ele só sabe curar com uma faca. A Olga recusou-se ficar de medo desta operação. Então receitou umas cápsulas brancas “Utropina” e quando ela toma serve para abrir o apetite, mas outra finalidade ou ação não apresenta. O Diretor [Ettienne Staviarski] insiste que o mal dela é do coração. Em quem devemos acreditar quem sabe que não seja em nem um e nem outro.

Deve parecer que o coração esteja doente porque bate muito acelerado, mas pode ser todos os problemas juntos e por isso está se acabando.
Pelas manhãs ao levantar todo o rosto está inchado, principalmente os olhos, os lábios estão roxos e também as mãos estão azuis e frias. Nas noites mais frias as mãos não se aquecem. Ela mesma fica nervosa e se assusta por qualquer senão. As pernas estão com feridas enormes abertas. Uma perna está com duas feridas enormes e outra com uma ferida menor. Ambas as pernas estão inchadas até em cima.
Se aqueles problemas internos pudessem ser curados é provável que os das pernas ficassem curadas por si, assim falou o Doutor.
Escrever mais não tenho tempo.

Lembranças L [L de Lisete, a mãe dela]

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