O Pastor Stroberg trabalha diligentemente, mas não dá conta de ir a toda parte… De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1928 –

Rio Novo 26 de Janeiro de 1928

Querido irmãozinho – Saudações
Recebi a tua carta escrita no dia 30 de Novembro passado e bem como os cartões e por isso muito obrigado
Não sei o que teria acontecido com as minhas cartas ou não recebestes ou não queres responder. Nós também não recebemos cartas suas, pois a anterior a esta recebemos no mês de Outubro qual eu prontamente respondi. Depois escrevi mais uma carta e como nada acontecia parei de escrever. Fiquei esperando respostas suas e como até agora não tinha resposta às minhas cartas foi motivo suficiente para parar de escrever.
Também pode alguém ter ido ao Correio e apanhado as cartas e devido ao grande interesse e não ter entregado prá nós.
Agora graças a Deus estamos mais ou menos saudáveis, Somente a minha mão direita está inchada e dói, então fica difícil para escrever. Semana passada o Arthur teve febre que o atormentou até que comprei medicamentos e pudemos mandá-la embora.

Agora o tempo está muito quente e chuvoso, pois chove toda à tarde se bem que logo após o Ano Novo esta muito quente e seco e a gente temia que todas as lavouras secassem. Felizmente semana passada começou a chover roncando trovoadas e dando temporais com ventanias derrubando milho nas roças. Nas nossas felizmente o prejuízo foi muito pouco, mas ai pela vizinhança tem muito milho no chão. Este ano parece que o milho vai dar espigas muito grandes e bem formadas. Este ano tudo se desenvolveu muito bem e se você estivesse em casa poderia com bastante frutas. Os pêssegos estavam super carregados mesmo aquelas arvores nas capoeiras tomadas de frutos e este ano sem bichos nenhum. Agora as uvas estão maduras e assim visitas é que não faltam. Também temos muitos pepinos e muitas outras coisas para comer. É uma pena que a gente não dá conta de comer. Eu tenho comido até mais não poder e assim mesmo não consegui engordar. Na próxima carta eu mesmo vou levar até a América e ai você vai poder avaliar se eu engordei ou se estou na mesma.

Na Igreja vão mais ou menos bem, às vezes os velhos ranzinzas gostam de uma polêmica principalmente o Velho Karklin, mas quando não há oponentes a discussão se esvai.
O Pastor Stroberg trabalha diligentemente e com muita boa vontade, mas não dá conta de ir a toda parte aonde o chamam. Em Laguna o trabalho vai muito bem e ainda no mês passado pagamos os 40,00 mil réis do aluguel do Salão. O Deter tinha prometido que deste ano em diante ele mandaria pagar e agora chega à notícia que ele não tem o dinheiro, mas nós aqui decidimos que o trabalho da pregação do Evangelho é muito importante e que tem que continuar principalmente neste local que o povo é muito receptivo e sempre pede que a gente volte. No dia 6 de Janeiro dia da Estrela ou dia dos Magos foi daqui uma caravana de cantores e outras pessoas e somente o Pastor não pode ir, pois nestes dias nasceu o Valfredo o primeiro filho da Dª Griselde e pastor Stroberg. Quem dirigiu os trabalhos lá em Laguna foi o Aléxis e o Siguismundo Anderman de Mãe Luzia. Se o Pastor tivesse ido teriam sido realizados os batismos e daí o Francisco da Cruz e sua esposa teriam sido batizados como os primeiros deste trabalho. Estes já são ativos professores da Escola Dominical onde estão matriculadas mais de 20 crianças. Agora Deus providenciou para que não seja mais necessário pagar os 40 mil réis, pois conseguiram salão mais confortável por apenas 20 mil réis e o povo de lá tem muita boa vontade e tenta fazer o mais barato possível para a continuação do trabalho. Em Grão Pará também o trabalho é bem acolhido e no mês passado eu fui a cavalo junto com 8 cantores e naquele dia tinha uma assistência de mais de 100 pessoas. Em toda parte há bastante trabalho, mas o Pastor não dá conta de atender a todas as necessidades o que o deixa um tanto frustrado.

Acho que devo terminar de escrever, pois estou com muito sono e o braço dói muito. Se você escrevesse uma carta tão longa pra nós traria muita alegria e satisfação. Mas parece que você não gosta mais de escrever para nós aqui, a Mamma já disse que quando você precisava alguma coisa de casa então lembrava facilmente de escrever e como agora não precisa então rapidamente esquece-se da gente.

Ainda amáveis lembranças de todos nós aqui e que te vá muito bem.
Fico aguardando resposta tua
Lúcia
PS
[Ainda os que faleceram no ano passado foi o velho Paeglis e no último dia do ano foi a velha senhora Tesmann. Ainda recebemos a triste notícia da Argentina onde no dia 17 de Dezembro a Senhora Kristina Leimann separou-se desta vida indo para o lar celestial de encontro com os seus que foram antes.,]

Desta vez quase nada de novo tenho prá te escrever….| De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

Rodeio do Assucar 2 de agosto 1926

Querido irmão – Saudações.
Recebi a tua carta escrita no dia 14 de julho e bem com a Lúcia também recebeu a tua carta escrita no dia 12 na sexta feira passada as quais eram como resposta ao telegrama que pelo que parece deixou bastante assustado com uma notícia tão triste qual chegou por ele. O Paps não queria que fosse enviado o telegrama, mas depois nos juntos resolvemos que devíamos mandar, pois assustar e deixar triste com telegrama ou com carta no fim seria a mesma coisa. Com a carta a notícia poderia ser mais demorada e até com a possibilidade de extravio. Como naquele dia eu tinha comunicar o falecimento da Olga as autoridades do Governo e a nenhum de nós sobrou tempo algum para escrever e também por que estávamos muito tristes e infelizes. Então deixar para há outra semana a notícia não queríamos. Então redigimos um telegrama sucinto e enviei pagando 2$600 e apesar de ter demorado tanto, terminou chegando. Eu mandei naquele sábado ao meio dia.

Desta vez quase nada de novo tenho o que escrever, tudo está como de velho. O tempo está muito quente e durante o dia dá para suar bastante e parece que dentro de poucos dias deverá chover outra vez.

Depois de amanhã se der tudo certo vou com o carro de bois até Orleans e vou levar 3 porcos gordos quais já estão tratados [Tratados quer dizer vendidos com preço por arroba já determinado faltando somente serem pesados na entrega dos mesmos]. Na semana retrasada já tinha levado outros 3 este ano já vendemos no total 8 e cuja soma rendeu 44 @ e pouco. Os primeiros 3 nos vendemos a 27$000 a @. E os que eu vou levar depois de amanhã eu calculo que devam render uma 18 @. Ai ainda vão ficar no chiqueiro 8 porcos que foram confinados há pouco tempo. Se você tivesse vindo ajudar a fazer a farinha de mandioca ai teria a oportunidade de comer carne de porco até não poder mais.
Hoje chega. Escreva uma longa carta.
Com saudações do APurim [Arthur Purim- Era uma assinatura que o braço o P também cortava o A maiúsculo].

[Escrito no verso a lápis]
Esta fotografia é da União da Mocidade atual. Fotografia tirada na Festa das Oitavas da Festa de Verão.

…o nosso tio Ludis faleceu vitimado por um derrame cerebral. De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

(Sem Indicação do ano, mas é 1925)
Rio Novo 11 de novembro
Querido irmãozinho! Saudações!!
Recebi a tua carta escrita no dia 27 eu recebi no dia 6 de novembro e por ela muito obrigada. Estou muito alegre porque estás respondendo todas as minhas cartas e não ficas esperando a segunda para responderes as duas numa vez só. O Arthur também recebeu aqueles jornais e agradece por eles. Você já recebeu a carta que eu mandei no dia 27 de outubro e o Arthur mandou a sua carta na semana passada no dia 6 de novembro. Se você recebeu estas cartas, você já estará sabendo como nós estamos passando por aqui pelo menos pelo que eu sei. Também não tenho nenhuma notícia alegre e o que eu tenho que te escrever não é nada agradável e como a gente vive neste mundo está sujeito a muitas tristezas.

Na quinta feira passada o Arthur foi a Orleans e trouxe a dolorosa notícia que o nosso tio Ludis faleceu no dia 23 de outubro vitimado por um derrame cerebral [Segundo a informação do Gerd Vitor, filho do Sr. Ludis a causa da morte foi meningite.] Dizem que esteve doente poucos dias. Esta notícia saiu no “Der Compass” que a Matilde Balod recebeu da irmã dela Amalija com outras anotações. Pode ser que até tenha algum telegrama em Orleans, mas como ninguém foi lá procurar e para aqui no Rio Novo ninguém manda e pode ter acontecido como no ano passado quando o Fater [Pai do Ludis] morreu o telegrama ficou retido em Orleans por 3 meses.

O Ludis agora em 23 de outubro tinha 45 anos e 4 meses e como rapidamente a vida dele terminou. O Fater viveu mais de 80 anos e ele somente 45 anos. Esta doença ele adquiriu devido aos longos períodos escrevendo e forçando demais a cabeça e a imaginação, não sei como a titia está passando agora, mas a tristeza deve ser muito grande para ela. Ela ficou com dois meninos o Gert Vitor tem oito anos e o Rudolf com 4. Você poderia escrever uma carta para a tia, pois ela te conhece. O endereço dela eu não tenho, mas você pode escrever neste: “Diário Allemão ou “Deutsches Zeitung” Rua Libero Badaró No. 99. A última carta que o tio escreveu ele prometia alguma vez voltar a passear aqui e nos visitar e também convidava para que eu fosse passear lá e conhecer cidades grandes e outras novidades como conhecer os parentes. Eu realmente tinha vontade alguma vez ir até lá, mas até agora ninguém me deixou sair e agora é tarde demais. —-
O tempo já há dias está claro e bom. Está bastante quente. As pessoas estão queimando as roçadas. Hoje estava tão enfumaçado que quase a gente não conseguia respirar, mas ao anoitecer deu um forte vento e choveu um pouco e é provável que chova mais.
Bem tenho que terminar de escrever, pois não vou escrever mais por que não há o que escrever que seja importante e nada relevante aconteceu e sobre pequenos detalhes não valeria a pena escrever e para você não interessa mesmo.
Você promete estenografar as cartas porque se torna mais rápido. Você devia vir e ensinar a ler estenografia e ai poderemos usar esta escrita quanto quiser.
Eu entreguei todas as tuas lembranças e através do August Klavim mandei para o pessoal de Rio Larangeiras e eles carinhosamente retribuíram.
Muitas lembranças de todos de casa. Lúcia.

…Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$…| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 5-10-25

Querido irmãozinho!

Estou certa que vou receber uma bronca por não ter escrito antes, mas o que fazer se vem à preguiça para escrever cartas. A tua carta escrita antes da minha já recebi inclusive as duas registradas quais não lembro a data. Planejei responder, mas ai a Olga disse que iria escrever, mas nós duas ficamos com tanta preguiça que terminamos não escrevendo. Mas quem consegue escrever cartas nestes tempos que a gente vive cheios de pompas e circunstâncias.

Nós estamos passando suficientemente bem, graças ao bom Deus que a nós todos supre para que nada nos falte. A Olga também vai melhor e está mais forte que antigamente, pode se alimentar melhor e sente o sabor da comida e ela consegue comer mais do que eu, porquê eu nunca estou com vontade de comer. Ela uma vez esteve em Orleans e o farmacêutico recomendou um remédio para tomar. São pequenas bolinhas que ela tinha que engolir e com essas ela ficou melhor. Ela parece que ainda não conseguiu por em prática os teus conselhos e as tuas recomendações porquê o tempo agora está muito instável, pois quando o tempo está limpo sopra um vento muito frio e também nos dias chuvosos não dá. Vamos esperar os dias esquentarem para estão experimentar as suas recomendações.

O tempo agora está claro e bom. Semana passada inteira soprou o vento seco e tão forte que parece que iria derrubar o mundo inteiro de pernas para o ar. Antes disso tinha sido bastante chuvoso e se nalgum dia o sol brilhava e então no dia seguinte já chovia e houve dias que pela manhã amanhecia claro e fresco e já na hora do almoço já estava chovendo. Na semana passada esta um tempo bom, mas na sexta feira começou uivar um vento tão forte e continuou a fazer estripulias até domingo à noite. Hoje está calmo e um nublado já começou a peneirar uma chuvinha, mas parou e então o povo aproveitou para queimar as coivaras e outras queimadas.

O velho Nettemberg morreu no dia 19 de setembro. Ele fazia tempo que estava doente e ficava somente deitado. Mas ele, a vida inteira, vivia doente. Ele foi colocado no caixão que o senhor Leiman tinha feito para si e a cova foi feita na área reservada para o Wilis Slengmann, justamente as pessoas que durante a vida toda eram seus adversários e que ele o falecido não gostava. Sempre ele achava que eles eram muito amantes de riquezas e de bens.

O Augusto Klavin no dia 12 de setembro viajou para São Paulo e o Wilis viajou no dia 2 de setembro. Eles foram para o casamento do Juris. O Willis viajou antes porque aqui ninguém sabia a data certa das bodas e quando ele chegou lá, ele mandou um telegrama confirmando a data certa. Semana que vem dia 12 o Augusto deverá estar de regresso ao lar. O casamento foi no dia 27 num domingo. Naquele domingo estive na casa dos Klavin convidada pela Marta que organizou uma festa especial convidando todas as suas amigas.

Na semana passada no dia 1o. de outubro deu-se o casamento do João Zeeberg com a Hilda Auras [Esta família deveria ter uma página especial]. Naquele dia o tempo estava bom e fresco porque nos dias anteriores tinha estado nublado. A cerimônia foi na Igreja e começou as 11:30 horas da manhã e tinha bastante gente. O sermão foi proferido pelo Pastor Stroberg e logo após esta parte todos se dirigiram para a casa dos Auras onde já estavam aguardando os representantes da Justiça que vieram de Orleans trazidos pelas famílias para que tudo fique mais caro para se pagar. Depois da parte civil começou o banquete que realmente estava muito bom. Eles tinham preparado tanta comida que os convidados nunca teriam conseguido comer tudo. Nós também fomos, somente o Paps ficou em casa, e como não ir depois de tantos convites inclusive um impresso em uma tipografia de Tubarão com letras douradas e com o texto em leto e em português. Ao Zeeberg ficou tudo muito caro, mas como ele diz “o que é preciso é preciso”, desde que fique melhor do que dos outros.

Esta semana vai ser o casamento do Carlinhos Leepkaln com a Anna Sanerip [ Este casal, entre outros filhos devem ser lembrados a Rosália Alida casada com Zefredo Karkle em Curitiba e o Paulinho Leepkaln casado com a Da. Carmelita em Urubici].
Somente não terão a grandiosidade do outro, pois o casamento tanto a cerimônia como a recepção será na Igreja. Pela manhã eles irão a Orleans para o Casamento Civil e há 1 hora da tarde de volta na Igreja. O casamento deles será no dia 9. Agora todas as semanas tem havido casamentos para aproveitar a estada do Pastor por aqui.

O Stroberg chegou aqui no 24 de Setembro e se tudo der certo vai viajar no dia 12. Não faz mal viajar, pois tudo será pago pelos Zeeberg e pelos Auras. Também a língua brasileira ele aprendeu suficiente para ler fluentemente e também traduzir. Na terça feira será feito um mutirão para limpeza da casa dele aqui. Ele está convidando os jovens para capinar e roçar, pois ele pretende pagar. A Elvira [Stroberg irmã do Pastor] chegou de Nova Odessa e com ela veio também o Otto Slengmann. Ele não gostou de lá porque é muito seco e aqui é muito mais bonito. O senhor Slengmann tinha deixado para ele uma gleba no Rio Larangeiras para o caso que ele voltasse e ele voltou mesmo. O Benis [Benis Slengmann] quando terminar o tempo de Serviço Militar nem vai para Nova Odessa e vem direto de volta morar aqui. Agora para os Rio Novenses, aquela febre de viajar, de mudar daqui parece que acabou. Em Nova Odessa os produtos da lavoura que os colonos tem para vender estão baratos demais. O algodão estava a 10$ a 12$ a @ e ninguém comprava. Aqui também tudo ficou muito barato, o toucinho de 36$ caiu para 13$ e agora voltou a 26$ e assim também os negociantes tiveram um enorme prejuízo com o feijão que estava valendo 80$ e em poucos dias caiu para 20$ quando deixaram de comprar por falta de dinheiro.

Hoje recebemos uma longa carta registrada do Fritz [Fritz Leimann da Argentina], pois dele nós não tínhamos recebido nenhuma notícia direta dele. Ele escreve que tinha mandado 4 cartas quais todas devem ter sido extraviadas. Ele está passado bem, somente a Kristine esteve muito doente, mesmo assistida por 3 médicos nenhum dava mais um mês de vida, então o Senhor fez o milagre pois ela ficou viva. Agora já está fazendo pequenos serviços de casa. Agora eles estão morando em Urdinarrain [Argentina] onde agora tem uma pequena nova Igreja. Construíram um pequeno templo de tijolos. Diz que é muito mais fácil trabalhar numa nova Igreja onde não existem velhos membros teimosos. Ele diz que vai escrever direto para você quando terminares o Curso. Ele espera que o Arthur [Arthur Leimann] e você para trabalhar com ele então se apronte.

Hoje também chegou a Orleans o Missionário Deter. À noite na Igreja de lá vai haver culto e reunião e amanhã vai viajar para Mãe Luzia, mas no domingo já estará de volta aqui no Rio Novo. Vamos ver se o plano vai dar certo.

Bem tenho que terminar, já é tarde da noite e mesmo carta mais longa você não conseguiria terminar de ler e você sempre não tem tempo e está tomado de trabalho. Você pode vir para casa descansar um pouco e capinar um pouco para não esquecer de todo como é que é. No dia 13 de dezembro eu vou descer a cavalo para Orleans para esperar-te. Eu sei que você está acostumado andar de carro e não tem nenhuma chance de andar a cavalo. Aqui você não terá chance de encontrar nenhum auto. O nosso amigo Luiz Verani Cascais encomendou um automóvel novo por 6.000$ e quando chegar, ele vem passear aqui no Rio Novo. Se você estiver aqui na ocasião, poderá também aproveitar.
Muitas lembranças de todos de casa, se tudo der certo na semana que vem vou escrever outra. Hoje chega.

Com lembranças – Lucia.
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…toda natureza estava lúgubre chorando…. | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de julho de 1921

Querido Reini! Saudações!

Eu desta vez não teria direito de escrever. A tua carta logo que recebi em seguida já respondi. Naquela vez os outros não escreveram, então como a Luzija esta noite está escrevendo então você não vai levar a mal, pois eu já estou escrevendo, mesmo que você não as possa ler no momento pode deixar para quando os dias forem mais longos. Desta vez não tenho notícias alegres e sim bem tristes.

– Nestes dias passados, aconteceu um desastre que há tempo não tinha acontecido…. Agora a nossa mais querida amiga Marija Sommer,[os pais desta moça tinham falecido e os parentes moravam distante] já não caminha pelas estradas do Rio Novo e está onde não há preocupações nem dor e seu corpo repousa no cemitério, no alto da colina.
Era uma fria manhã de domingo, dia 17 de julho. Ambos, os velhos Leiman, devido a este frio, resolveram ficar em casa. Mas a Marija montada no Prinze veio para o culto na Igreja. A senhora Leimann não imaginava que aquela foi à última vez que abriu a porteira, para esta pessoa tão querida que nos últimos dois anos morava com eles e eles a consideravam como fosse própria filha e que não voltaria mais para casa.
Nós neste domingo a convidamos para almoçar aqui em casa e que passasse a tarde conosco, mas ela muito responsável só queria ir para casa. Logo após a casa dos Karklim o cavalo se assustou e desembestou numa corrida maluca [a distância que o cavalo correu devia ser um pouco mais de um quilometro]. Quem viu foi o Limors, depois os Salit que estavam também voltando da Igreja e logo que atravessou a ponte do Rio Carlota já perto da casa dos Karp, ela parece que não conseguiu mais se segurar e caiu. Correram os vizinhos como os Match e os Salit que vinham da Igreja por perto, mas a jovem parecia desmaiada e depois de muitos esforços ela voltou a respirar. Então levaram para a casa dos Karp que era bem próxima. Logo que soubemos desta trágica notícia, a Mamma (Lisete Rose Purim minha avó) foi voando até para ver o que poderia ser feito. Aquele acontecimento agitou a tranqüilidade dominical da comunidade. A Maria não retornou os sentidos. Nos Karps, ela ficou até quarta feira, mas porque na casa dos Karp tinha pouca gente para cuidar a Mamma ficou lá duas noites direto [distante 3 quilômetros]. Os Leimann e os Grikis queriam levá-la cada um para a sua casa, mas ficou decidido trouxeram para a casa dos Grikis. Ficou todo este tempo respirando, mas sem comer ou falar nada. Ela resistiu desacordada 8 dias e assim no dia 25 ela morreu e no dia seguinte foi o enterro. Neste dia do enterro estava um dia nublado, cinza e soturno como eu não me lembro ter visto igual….. Parecia que toda natureza estava lúgubre chorando por ela… Agora o casal Leiman, ambos velhinhos sós, outra vez. Agora uma de nós duas vai ter que ir morar com eles. Quem será ainda não foi decidido. — Tempos atrás também morreu a senhora Elbert.

Hoje não vou escrever mais nada, porque logo que receber sua carta, eu terei que escrever outra vez e sobre os assuntos diversos a Luzija está escrevendo.

Quanto a nós graças a Deus estamos todos bem e esperamos que também estejas também.
Com sinceras lembranças. Olga.

[Este acidente foi causado pela corrida desenfreada do cavalo e agravado pelo uso da sela de banda usada pelas senhoras e moças que somente o pé esquerdo apoiava-se no estribo.].