…o relógio já bateu as 12 horas e eu preciso ir dormir. | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

Rio Novo 5 de maio de 1926

Querido maninho!!

Saudações!

Envio para você muitas lembranças. Então hoje à noite eu tenho que escrever esta carta. A carta tua escrita no dia 16 de abril recebi no dia 30 e por ela muito obrigada, pois depois de uma longa espera enfim chegou. Hoje à noite quando fui a Igreja o Augusto Klavim me entregou em também para o Arthur uma pequena carta escrita no dia 24. Então veja você espera cartas nossas e nós, as suas. Então agora está confirmada que a minha carta escrita no dia 26 de fevereiro foi extraviada. Neste envelope seguiu uma fotografia nossa tirada por ocasião do ano Novo se bem que não ficou muito boa. O prejuízo maior foi à longa carta onde eu descrevi muitas coisas daqui e esperava que logo que ela chegasse lá. Então agora eu acho que eu, alguma coisa, vou ter que escrever outra vez. Acho que há um grande relaxamento nos correios e por isto que tantas cartas desaparecem. O nosso Agente dos Correios aqui em Orleans é muito bom para nós e para todos os letos daqui. Ele as nossas cartas ele não dá para os outros não autorizados a trazerem a correspondência para o Rio Novo. Pode ser que não seja perfeito, mas o problema acho que está nos correios de todo Brasil.

Nós aqui estamos mais ou menos bem de saúde. A Olga continua do mesmo jeito. Ela tomou aquelas injeções [“Eepoteeja” indica enxerto, vacina ou inoculação e não injeção, mas por falta melhores informações preferimos injeção] daqueles outros remédios, mas não melhorou nada e depois ela voltou ao médico e ele não mais dar aquelas injeções porque poderia até piorar e por isso deu outros remédios para tomar e disse que fosse para as “Minas” [Era como era chamada Lauro Müller, naquele tempo um distrito de Orleans] porque aquele médico que mora lá poderia acertar. Mas a Olga não quer aquele médico e levar a força não vale a pena. Porque prá ela é assim: se os remédios não fazem efeito logo de pronto estes, remédios não, servem ou não prestam. Agora a Mamma trouxe todos os livros de Medicina do Zeeberg [Karlos Seeberg era um prático na área da Medicina alternativa muito procurado na região que seguia o famoso monge alemão Kneipp, apóstolo da Hidroterapia e também usava Homeopatia e Fitoterapia] e ela vai procurar algo que sirva para ela.

Quando é que você vai para Ijui, pois aqui todas pessoas sabem através do “Kristiga Balss” [Kristiga Balss era um periódico batista leto editado na Letônia.], pois o Ukstin escreveu que já tinham convidado você para pastor e somente estavam aguardo o “sim”. Onde ficou o Kartinh? Será que já foi mandado embora? O teu colega, o Linkis, nada te conta sobre eles? Por que você não escreve nada sobre este assunto? As pessoas que estiveram lá e conhecem o pessoal de lá acham que você seria muito tolo de aceitar porque eles recebem muito bem, mas logo mandam embora e que muitas pessoas são mais difíceis que as daqui. Se por acaso fores para lá, poderás dar uma entrada até aqui no Rio Novo para descansar um bocado. É bem provável que ninguém vai tocar você embora somente avise quando você vai chegar senão a Lede poderá estralhaçar as tuas calças. O Arthur diz que você deveria vir aqui durante o Natal, pois também poderá estar aqui o Arthur Leimann para vender o terreno, pois o Fritzis escreveu que eles querem vender logo aquele terreno e pergunta se você não quer comprar. Assim você poderia ter mais terras.

As roças este ano estão mais ou menos bem. As plantas estão crescendo bem, somente o milho do tarde foi perdido com a seca. Mas conseguiremos sobreviver. Os porcos conseguimos engordar com o milho do ano passado. Agora começamos colher o milho da nova colheita. Cinco dos porcos muito gordos já vendemos conseguimos mais de 700 mil réis e ainda mais cinco prontos para serem vendidos. Também temos muitos outros para serem separados para engorda. Agora o preço do toucinho está baixando, estão pagando só 23$000 a @. A farinha de mandioca está valendo agora 8$ o saco, mas há pouco estava a 5$ e como sempre tudo que a gente tem para vender é barato e o que a gente tem para comprar está sempre caro.

Os nossos parentes têm escrito para você? Para nós faz tempo que não escrevem. Escrevemos duas cartas, mas não obtivemos respostas. Eles devem estar aborrecidos porque eles sempre insistiram para que fôssemos visitá-los e ninguém foi. Eu bem que queria ir, mas não deixaram. Você bem que poderia fazer uma visita, pois durante a semana você poderia ir e voltar em caso que não quiser passar o fim de semana lá.
Aqueles jornais e outros papéis eu recebi e por tudo muito obrigada. Aquele jornal poderia encadernar [“Costurar junto], mas falta o primeiro número. Este ano “O Crisol” não vai sair? Por que você não os tem mandado? Tens recebido o “Selhmallas Seedi” [Flores a beira do caminho]? Mande-os para mim.

Terei que terminar de escrever porque o relógio marca mais de 12 horas da noite e eu preciso ir dormir. Eu quase nunca consigo dormir cedo e ainda 3 noites por semana tenho que ir a Igreja aprender a cantar para as festas.
Se você também escrevesse cartas tão longas seria muito bom. Eu já mandei uma carta em abril. Esta já foi recebida?
O tempo agora está magnífico e bastante frio. Pode-se congelar quanto quiser, mas geadas ainda não tivemos e é possível que tão breve não as tenhamos. Venha no dia 16 de maio, eu vou fazer aniversário e vou fazer uma rosca especial [Kringelis – uma rosca especial feita como fosse com massa de pão, mas com muita manteiga e outros ingredientes. (ver a receita no capítulo “Pratos e comidas letas”] e você pode vir ajudar comê-la.

Ainda muitas e saudosas lembranças de todos de casa e vamos aguardar longa carta. Eu fico feliz quando você diz ir bem em seus trabalhos. Apesar de eu aqui nada possa te ajudar, mas peço a Deus em minhas orações todos os dias e mais do que isso nada posso fazer, mas o Senhor pode ajudar em qualquer lugar.

Desculpe por eu estar escrevendo tão rápido, mas certamente vais entender. – Lucija.

(Escrito a lápis no verso de uma das páginas)
Tinha esquecido de mencionar que na semana passada no dia 27 o Willis Slegmann viajou para ir servir o Exército. Foram juntos para despedida até Laguna o pai, a mãe e a noiva. Os demais letos não foram chamados ainda. Se algum será convocado, eu não sei. Existem informações circulando que mais reservistas serão convocados, mesmo os que estejam doentes ou que pagaram os 100$$. Alguns já foram embora daqui senão. [Sempre nestas convocações ou sorteios existia uma espécie de “terror” gerando boatos e insegurança nas famílias dos possíveis futuros reservistas]
Então agora estás recebendo uma longa carta e se me responderes pelo menos a metade desta será muito bom.
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