…sobre o assunto tenho meditado muito. | De Reynaldo Purim para a Igreja Batista de Ijui – 1926 –

[Nesta carta o Reynaldo Purim está declinando do convite para assumir o pastorado da Igreja Batista Leta de Ijui no Rio Grande do Sul]

——————————

Rio de janeiro, 18 de fevereiro de 1926

À Igreja Batista
Linha 11 – Ijuhy
Rio Grande do Sul

Caros irmãos e irmãs em Cristo:
Que a Paz do Senhor seja com vocês!

Recebi a sua amada carta datada a 18 de janeiro, neste ano, sobre o assunto mencionado nela tenho meditado muito.

De coração eu vos agradeço pelo honroso convite para dirigir os trabalhos de sua Igreja e que nas circunstâncias atuais respondo o seguinte:

Ao que refere as minhas atividades futuras, eu tenho diversos planos anteriores com os quais já tenho trocado correspondências e não tenho podido chegar às conclusões devido a respostas que estou aguardando de outros lugares. Não sei para que lado Deus vai abrir o meu caminho. Por este motivo hoje não tenho condições de dar qualquer palavra final e então peço a fineza de se possível esperar até o final de março, quando vou escrever e dar a minha palavra definitiva.

Quero solicitar ainda que não interpretem das minhas explicações qualquer promessa de minha parte e se a necessidade e a oportunidade de conseguir outro pastor antes deste prazo estejam à vontade não esperando e assim convidando outro sem demora.
Com uma amável saudação, seu Irmão em Jesus Cristo.

Reynaldo Purim

…quando estiver passando pelas antigas paragens por favor não passe de largo.| De F. Janowoski para Reynaldo Purim

Rio Branco 19 de novembro 1925
[Rio Branco ficava perto de Jacuassu, entre Massaranduba e Bananal]

Caro irmão Purin:
Que a Paz do Senhor seja contigo!
Já passou longo tempo que nada tenho escrito para você. Também nada mais de perto sei sobre a tua vida. Se continuas a estudar, se você ainda continuas ai no Rio para estabelecer ai a tua vida, ou vais escolher outras paragens para o seu campo de trabalho. “Se ainda nada tiver definido, então na qualidade de uma pessoa que o considera como inesquecível amigo gostaria de pedir: “Venha para Santa Catharina e ajude-nos” porque nós aqui em Santa Catarina não temos nenhum obreiro residente, mas” Os Campos estão Brancos para a ceifa”. Esta afirmação posso assegurar com experiências pessoais.
Agora eu sou membro da Igreja Batista Brasileira de Joinville. Ela é uma pequena e nova Igreja com os membros espalhados por todos os quatro ventos da terra. Mas ela é fogo e onde um membro é espalhado, lá surge um novo foco incendiando toda a sua área de influência. Nós já temos 6 Pontos de Pregação e onde na medida de nossas possibilidades nós nos esforçamos em visitar e apoiar. As pessoas estão abertas a freqüentar e ouvir com toda atenção e reverência a Boa Nova e em muitos corações tem sido abertos e a Palavra tem operado maravilhosamente. De todos os lados e cantos somos convidados com a maior insistência e esperados como os mensageiros de Boas Novas. Mas não há ninguém para ir. Não há ninguém para ser mandado. Esta situação oprime por demais o meu coração.
O Irmão Leimann na medida de suas possibilidades nos visita, mas ele esta por demais sobrecarregado de trabalho e com toda certeza podemos afirmar que ele é um lutador que trabalha por três. Diante destas circunstâncias nem sempre ele consegue nos visitar. Eu também de um modo ou de outro tento fazer alguma coisa, bem , mas você sabe , sou um machado não afiado. O que alguma coisa grande com isso poderá ser cortada?
Finalmente ao terminar quero pedir encarecidamente que quando o teu caminho estiver passando pelas antigas pegadas dirijam-se a estas paragens então, por favor, não passe de largo.
Por favor, mande o seu endereço atualizado.
Com fraternas saudações. Teu amigo
F Janowoski

…para o maior casamento leto de Sta. Catarina… | De Roberto Klavin para Reynaldo Purim

Invernada 13-9-1921
Querido amigo.
A tua carta de 9-8-21 recebi na semana passada pela qual agradeço.
No dia 17 do mês passado houve a Festa da Colheita e naquela oportunidade também apareceram: o A.W. Luper de Corytiba, José Cascão de Paranaguá que é o responsável pela lancha missionária da beira mar e o Coronel A. da Silva que é pastor da Primeira Igreja Batista de São Paulo. Este último dirigiu diversas reuniões evangelísticas em Orleans. A primeira foi no dia 15 e as outras duas foram nos dias 18 e 19. Ele queria ficar mais duas noites, mas foi anunciado que o navio chegaria a Imbituba então ele interrompeu o programa planejado e caiu na estrada.
É pena que ele tenha ido tão rápido embora. Ele é um grande e entusiasmado orador e pega forte contra os católicos e alguns andaram ressentidos, mas a maioria achou que ele falava a pura verdade e muitos ficaram realmente abalados com a força da palavra.
As duas últimas noites em Orleans quem dirigiu foi o pastor Lupers. No domingo durante o dia ele ficou no Rio Novo, mas a noite foi para Orleans, pois era a ultima reunião também quando acompanharam o Coro e os Músicos da Igreja de Rio Novo.
Todas reuniões foram bastante concorridas, mas esta no último dia o auditório do cinema estava super lotado com gente de pé e pessoas até na rua. Todas estas reuniões se desenrolaram tranqüilas.
O Lupers também é um vigoroso orador e já fala o português correto apesar não ter a desenvoltura e ainda requerer mais traquejo que virá com bastante exercício quando passará a falar como qualquer brasileiro. Na segunda feira embarcou para Braço do Norte para visitar o Onofre e dai para Laguna. Despedindo-se, prometeu se for a vontade de Deus logo que possível voltaria para visitar-nos.
No principio do mês passado estiveram passeando aqui pelo Rio Novo duas jovens, filhas dos Akeldams, quais tinham vindo de Nova Odessa para o maior casamento leto de Sta. Catarina, ou melhor, do maior leto de Sta. Catarina que é o Jahnis Sudmalis de Mãe Luzia com 1.94 de altura que na semana passada casou com a Line Akeldams.
Esta semana vai ser o casamento do Karlis Karklis com uma das filhas do Oigan (?).
Na semana retrasada acompanhamos para o cemitério o corpo de Willis Paegle o qual depois de uns dias doente veio a falecer sendo que a causa alegada foi que teria feito algum esforço demasiado ocasionando alguma lesão interna.
Neste momento estou em casa e nada bem desta vez, já vai fazer duas semanas que tive um acidente, fiz um corte na palma da mão esquerda até os ossos e tive que ficar com o braço na tipóia por uma semana e agora já estou fazendo algum trabalho que posso com uma mão só e não sei se em duas semanas eu já esteja recuperado.
Receba muitas lembranças minhas e dos meus Roberto Klavin
_______________________________________________