…um temporal que igual eu não tinha visto, chover 6 dias sem parar…| De Lucija Purim para Reynaldo Purim

Rio Novo 21 de agosto de 1928

Querido irmão Reinaldo!!

Há pouco tempo atrás recebi a tua carta escrita em 19 de junho e por ela muito obrigado. E também já foi recebida aquela carta para o Arthur com as fotografias. Muito obrigado também.

O que eu não pensava que nesta boa América ficasse tão velho e tão magro realmente parece um “padre” e se tivesse óculos poderia ser um “doctor”, mas deixa pra lá.

Nós graças a Deus estamos todo bem de saúde e trabalhamos tanto quanto podemos. Teríamos mais o que fazer, mas o tempo está chuvoso demais. Este ano foi um ano de temporais fora da conta. Diversas vezes houve grandes enchentes e agora semanas atrás começou a chover no dia 10 de manha e parou somente no 15. Isso mesmo que foi chuva. Foi um temporal qual eu nunca havia visto na minha vida chover os 6 dias sem parar. O sol não conseguia aparecer e a chuva era bastante fria e este tempo foi muito prejudicial para os animais que não tinham onde de abrigar. Muitos cavalos de propriedade dos italianos morreram congelados e os nossos animais todos tinham abrigo eram alimentados ficaram um tanto enrijecidos imagine aqueles que não tinham nenhum telhado para se abrigar.

Quando o tempo começou a melhorar tudo ficou mais alegre, pois quase nós estávamos começando a acreditar nos profetas de plantão que falavam que este ano a América do Sul iria afundar no mar e também havia profetas que diziam que uma guerra iria começar no dia 28 de maio. E o mês de maio passou e guerra nenhuma começou e assim todas estas previsões são de pessoas que falam e é só Deus que faz.

Este inverno não foi forte, várias vez deu geadas maiores, mas estas não prejudicaram tanto quanto em outros anos. Agora que a primavera está chegando temos que começar a plantar. Agora nos estamos derrubando o capoeirão perto do “Kanels” onde está bastante crescido, pois desde que você foi embora nós não plantamos mais nada ai e por isso ele está infestado de cipoal e espinheiros maricá que torna a derrubada muito difícil, eu estou com as mãos doendo. Fazia tempo que eu não trabalhava em derrubadas e agora tive que voltar. Nós também estamos contratando camaradas para trabalhar, mas está muito difícil conseguir boas pessoas, pois todo mundo está ocupado. A melhor opção seria contratar uma mocinha para ajudar em casa para todo mês, pois uma garota tanto em casa com na roça faz tanto quanto um empregado homem. Alguns anos atrás tínhamos a Maria do Maneco, mas no ano passado ele voltou a morar com a sua família e agora eu falei para ela voltar e ela disse que iria pensar. Ela era muito operosa e sabia fazer todos os serviços. Não bebia nem fumava como outras manecas (manekenes) costumam fazer.

O milho já faz tempo que terminamos de colher. Deu 37 carradas inda porque tínhamos plantado menos que noutros anos, mas este ano as espigas foram realmente maiores e bem regulares. Está até difícil achar as espigas pequenas (restolhos) destinados à alimentação dos animais que até agora no inverno era necessário.

Agora nós não estamos plantando tanto com antigamente, pois agora plantamos somente 5 quartas [4 Quartas dão um alqueire e 2 Alqueires dão 1 saco de 60 quilos] e nós antigamente plantávamos 15 quartas e hoje plantamos menos e colhemos a mesma quantidade e é claro que a capinação e os cuidados são sempre maiores, mas agora realmente as colheitas são bem melhores.
Agora está morando conosco a Lídia Klavim Que está indo à aula aqui na Igreja de Rio Novo, porque eles moram muito longe para ela vir para a aula e por isso eles estão pagando pensão pra ela aqui. Ela gosta muito de conversar e fica falando o dia inteiro. Ela pediu para escrever que o irmão dela o Roberto não escreve pra você porque é muito preguiçoso. Ele só pensa em sair e construir atafonas e engenhos. Ai ele ganha 10 mil réis por dia e mais a comida e lugar para dormir. Mas quando não tem serviço ele fica em casa. Aquela fotografia do Coro que eu mandei ele não aparece porque ele estava fora. A Senhora Klavim esteve muito doente e saia sangue pela boca e muita gente achou que ela iria morrer, agora sarou de tudo e está bem mais gorda [Ser gordo sempre foi sinal de saúde por lá.] Agora ela vai à Igreja e faz visitas pelas vizinhanças. Ela manda muitas lembranças para você.

No próximo primeiro domingo de mês que vem haverá batismos Aqui na Igreja incluindo os filhos da Maria Thomaz do Rio Larangeiras e as noras dela. Também haverá batismos em Laguna onde 8 candidatos estão à espera. O trabalho lá é pequeno, mas está indo pra frente graças também ao trabalho do Pastor Stroberg que periodicamente viaja pra lá e também para Mãe Luzia.

Aqui na Igreja apareceram algumas desavenças e existem pessoas que não podem passar sem elas. Não entendem que a proclamação do Evangelho e a salvação de almas deve ser a missão principal da Igreja. Acham que o Pastor viaja muito.
O Rio Novo está ficando cada dia mais vazio. O povo não quer mais morar aqui. Agora são os Match que estão indo embora para a Argentina, A Milda casou com um senhor argentino muito rico e que tem uma casa muito grande e outras casas e terrenos sem fim. Aqui os velhos sozinhos e cada vez mais velhos seria muito difícil sobreviver. Vão pra Argentina cuidar do Elias o filhinho da Milda e exercer a função de Vovô e de Vovó. Quem garante que quando crescer também não vire um profeta…

Os Matchis venderam a sua propriedade com casa [Na sala desta casa em 1940 eu tive o primeiro encontro com letras e números, pois ali foi a minha primeira sala de aula com a professora a Dª Matilde Tezza, mas isto já é outra história,], moveis tudo de porteira fechada para o Eduardo Karp por 10 contos de réis. Agora ele tem onde ir morar. E é provável que ainda este ano eu também possa ir morar lá. O lugar é muito bonito . Um dos lugares mais lindos por ai. É provável que Deus tenha providenciado este lugar para mim.

Bem por hoje chega, já escrevi esta longa carta. E agora está batendo meia noite. Hoje à noite eu fui ao trabalho da Igreja e ai comecei a escrever. Quem começa tem que terminar. Os demais estão a muito dormindo. Eu também estou com sono. Como faz tempo que não recebemos noticias suas espero receber amanha quando for à cidade. Lembranças do Onofre Regis e família.

Muitas lembranças de Mamãe, Papae e minhas.
Lucija

…Durante o dia tenho que correr junto com os demais para as roças e….De Lucija Purim para Reynaldo Purim 1926

Rodeio do Assucar 18-11-26

Querido maninho! Saudações.

Enfim vou-te que escrever, pois o Arturs terminou de escrever a dele, se bem que eu não tenha nenhuma vontade de escrever ou mesmo pensar, pois durante o dia tenho que correr junto com os demais para as roças e na hora do almoço tenho que cozinhar a comida. Tenho que tirar o leite das vacas e ainda alimentar os porcos que estão no chiqueiro para engorda diante de toda esta luta quando chega à noite vem um sono tão forte que escrever cartas nem pensar. E ainda você foi para tão longe [Nesta época o Reinaldo já estava estudando em Louisville Estado de Kentucky nos Estados Unidos] e muito pouco interesse deve ter por nós aqui em casa e mesmo nem tempo para pensar em nós aqui não tem.

Nós aqui estamos passando suficientemente bem. A perna do Paps está ficando melhor. Durante 3 semanas ele não pode trabalhar, mas agora o furúnculo [Furúnculos ou abscessos eram bastante frequentes para as pessoas que moravam naquela região. Geralmente na maioria das vezes ocorriam nos pés, mas também podiam aparecer em qualquer parte do corpo. Por naquela época não haver nenhum tratamento específico eram tratados com emplastros mais variados. Quando terminava o ciclo rompia-se a pele saindo grande quantidade de pus amarelado culminando com a saída do “carnegão” que devia se o núcleo da infecção. Era vulgarmente chamado de “mijacão” e dizia-se que a infecção era transmitida através da urina de bovinos] rompeu-se e está ficando cada dia melhor e pelo menos agora nas noites ele consegue dormir.

A Festa do aniversário da União da Mocidade ocorreu com tempo muito bom apesar de um tanto frio [Esta Festa era no dia 16 de outubro]. Gente tinha bastante, vieram muitos visitantes de Mãe Luzia e Orleans. A direção do programa foi do Alex [Alexandre Klavin]

. Entre outros houve diversas saudações de outras Uniões e pessoalmente saudou esta o Artur [Arthur Leiman] em nome da congênere qual ele dirigia na Argentina. Ele tinha chegado na véspera em Orleans. A Festa continuou na noite de domingo, pois o programa era realmente muito extenso. Agora estão aprontando as partes para o Programa de Natal. Os pequenos estão decorando as poesias e assim que uma Festa se vai é hora de começar os preparativos para a próxima.

O Arthurs [Arthur Leiman] não vai mais voltar a morar na Argentina e sim vai continuar a morar no Brasil. Ele diz que lá ele não se saiu bem. Aqui ele não sabe onde vai estabelecer-se, mas para lá ele não vai voltar porquê a Associação de lá já autorizou ele voltar e também o salário era somente 150 pesos por mês e com isso era impossível sobreviver, se insistisse em continuar lá teria que morrer de fome. Num lugar onde tudo tem que ser comprado, pão, lenha, água em dinheiro a vista. O pão mais ordinário custa 50 centavos o kilo então eles compravam só deste e comiam e algumas vezes ficaram até deste sem comer por falta de dinheiro e por isso emagreceram tanto e também adoeceu. Agora logo que arranjar algum dinheiro vai terminar de aprender a profissão de dentista, pois ele já tinha praticado junto com o Fritz [Frederico Leiman] e agora só falta um documento emitido por um profissional atestando a capacidade técnica e os conhecimentos para exercer esta atividade.

O Arthurs quanto à oratória está muito mais fluente do que antigamente. Domingo ele falou na Igreja sobre Efésios 4 20 a 25. Deteve-se no versículo 20 e irritou algumas pessoas que já não gostavam dele. A maioria gostou bastante. Agora os Rio-novenses na maioria são como é descrito no versículo 25 que só é correto falar de uma pessoa na sua presença isso é na sua frente e não ficar malhando pelas costas com fazem alguns Slegmans e Matchs. Estes até os parentes como os Karp e os Stroberg eles conseguiram implantar inimizades porque queriam o Stroberg para a Mildinha [Amilda Karp], agora ele os causadores da polêmica também ficaram de mal com o Stroberg. Quando não foi possível, conseguir fazer o Karlites [Karlos Stroberg] namorar quem eles queriam porque manter então qualquer amizade se esta era a meta principal.

Desta vez chega, agora vou aguardar uma longa carta sua. Escreva sobre a sua escola, o que você come e quanto tempo vai ficar lá. A minha escrita está como a sua: pois nunca aprendi bem e o pouco que sabia já esqueci então nós somos iguais.

Muitas e amáveis lembranças da Lucija.
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…mande toda correspodência em nome da família Steckert, | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1923 –

Rio Novo 11 de outubro de 1923
Querido Reini!!
Saudações. Então eu estou de novo tentando escrever algo.
Porquê o Arturs começou a “imprimir” a sua carta e mandar uma só folha no envelope é um desperdício então eu também vou escrever algumas poucas linhas. Para escrever até que teria bastante notícia e acontecimentos, mas eu não sou tão desembaraçada na escrita como você e ainda por cima esta noite me veio um sono muito forte, porquê já são nove horas da noite e lá fora está chovendo forte e amanhã cedo eu tenho que ir a cidade levar toucinho, banha, ovos e manteiga.
Agora estamos passando suficientemente bem.
Estamos todos quase sãos, porquê na semana passada eu estive de cama e agora já estou melhor e já posso trabalhar.
Aqui as pessoas estão ficando sempre muito doentes e duas em pouco tempo vieram a falecer. No dia 22 de julho acompanhamos o funeral do Alberto Grikis e ele ficou doente somente uma semana. No dia 2 de setembro foi a vez do menino Eugênio Sahlit com um ano e meio de idade. Este ficou doente somente por dois dias. Os novos vão rápido enquanto os velhos ficam doentes sobrevivem.
Como você está passando? Você recebeu as cartas junto com as meias?
Agora você mande toda a correspondência em nome da Família Steckert, pois o Agente do correio, as dele ele não abre e entrega tudo direitinho. Melhor é solicitar, digo, você solicitar a outra pessoa escrever o endereço com outra caligrafia e se possível mandar registrado.
Outra alternativa é mandar em nome do Diretor da Cia. Colonizadora. De outras pessoas nós recebemos as cartas normalmente, mas as suas nunca chegam.
Ontem recebemos uma carta do “deserto” e eles escrevem que estão passando bem. O Tio [Jekabs Purens]
está trabalhando na derrubada das matas na fazenda de um brasileiro e ganha 6 mil réis por dia, mas com sua própria alimentação.
A Alma e a Melania estão trabalhando em plantações de café e a Lilija é diarista na casa do Sr. Fritz Puke em Nova Odessa. Ela recentemente me escreveu uma carta contando que escreveu para você com muito medo e para tanto teve acumular muita coragem para escrever para um tão culto e escolarizado primo e ela teve somente os 5 anos do primário este tempo todo ainda em russo. O que ela te escreveu? Os demais daquela família não te escrevem?
Bem desta vez chega de imprimir [Drukat = imprimir] senão não vou ter nada para escrever na outra na próxima. Mesmo assim não sei se você vai ter tempo para ler esta. Escreva sobre todas as coisas que por lá acontecem. Quem é o novo seminarista que o Inkis levou de Nova Odessa para o Rio?
Onde este ano vais passar as férias?
Você vira para casa ou vais para a América do Norte junto com o Emils? [Emils Anderman]
No dia 30 de setembro foi feita uma grande noite de despedida dele. Terminou o período escolar aqui e foi para a Mãe Luzia, pois depois das Festas deverá embarcar para a América para lá estudar. O Tio Bahlkites deverá mandar uma passagem de navio. Ele foi embora e os rio-novenses novamente sem professor.
No dia 6 de setembro chegou o Karlis [Karlis Leiman] e ficou até o dia 16. Neste domingo ele passou o dia aqui em casa e foi uma festa. Já tinha usado nossos cavalos e ele gosta muito de inticar [Inticar = irritar, perturbar, mexer, enfim não deixar em paz]
os nossos cachorros pode ser que ele mesmo tenha escrito contando tudo, porquê eu soube que ele estava escrevendo para você..
Se você vier para casa traga mais acordoamentos para os violinos, pois aqui nós não temos encontrado para comprar.
Apesar de nós termos 3 ovelhas, temos lã, mas da lã não dá de fazer cordas de violino. [Não foi possível encontrar a correlação entre os carneiros, a lã e as cordas do violino.] Se você vier para casa, vai poder tomar muito leite, porque agora nós temos 4 vacas dando leite. Também pêssegos e laranjas deliciosas.
Venha para casa ai você vai poder contar melhor do que escrevendo. Vem.
Muitas lembranças de todos e da Luzija

Você sempre fala que com um tiro você mata dois coelhos. | De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 7 de novembro

Querido irmão!

Eu de você faz tempo que não tenho recebido nada. Você há muito tempo me escreveu, mas eu não respondi porquê eu estava brabo, zangado mesmo, por que eu mandei dois pares de meias de Blumenau através do Karlis Leiman que ia te entregar quando chegasse no Rio. Das duas uma ou você já usou e jogou fora ou o Karlis não entregou a encomenda. Eu mandei para que você, para que não fosse as grandes festas com as meias furadas. Se recebestes devia escrever agradecendo, pois elas custaram 4 mil.

Este ano nas férias você terá que vir para casa e trazer muita coisa para nós. A primeira coisa que você deverá por na caixa é um coelho. Você sempre fala que com um tiro você mata dois coelhos. Para começar você nem espingarda tem. E eu tenho duas. Somando, eu tenho três canos com que eu posso atirar muito bem. Agora nós em cada casa temos uma espingarda. Outra vez eu contei que emprestei a velha espingarda dos Leimann e depois o velho Leiman me presenteou e disse que poderia fazer com ela o que bem entendesse então assim nós temos duas espingardas e você nenhuma.

Também você deverá trazer sementes de mamão. Uma vez eu ganhei do Enoz [Ernesto Grüntal] e eu semeei, mas não nasceu nenhuma, pois todas sementes apodreceram. Também deverá trazer jacas e mangas pelo menos para provar o sabor.

E também deverá trazer a tão esperada ocarina [pilite em leto] para tocar sons e músicas. Aqui nós temos patos e marrecos machos, mas eles não sabem fazer som nenhum que me agrade.

Também deverás trazer àquele grande e velho dicionário em brasileiro se por acaso não vendestes ou destes de presente para alguém. Faça uma caixa bem grande para caber tudo dentro.
Uma das cartas que você escreveu para a Olga você tinha mandado lembranças para o Roberto. Quando fui entregar ele, contou que tinha escrito uma carta para você, mas não tinha recebido a resposta. Pode ser que tenhas ficado orgulhoso. –

Bem por esta noite chega. Esta noite, o sono está muito forte. Com sinceras lembranças e votos de uma boa viagem para o Rio Novo. Arthurs Purim.

NT [ Nesta altura o Arthurs já está com 17 anos de idade]

Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
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