Despedida do Pastor Karlis Anderman | Autor desconecido

A034-1910

DE RIO NOVO NO BRASIL

Traduzido do “AVOTS” ( A Fonte) n° 36 – 1910 – pág. 42.8 por V.A.Purim
Autor desconhecido

Em paciência nós Rionovenses temos conseguido deles grande lição, e cremos ter aprendido bastante. Especialmente, quando eles tinham se desligado da igreja e ainda assim durante meio ano se serviram dos espaços do templo e usaram também da área de terra, não dando satisfação aos reclamos da igreja.
Como já informado, no momento mais critico o grande Deus nos mandou o missionário e pastor Ir. Fr. Leiman, que trabalhou com os melhores resultados. Aqueles foram tempos de novo alentos vindos do Senhor.
Aconteceu que a igreja voltou a saúde, deduzindo um, que poder ser que por amizade juntou-se ao Anderman. O Anderman se preparou devagar e finalmente em 17 de julho mudou-se com toda a família para Mãe Luzia, como ouvimos dos colonos que foi a melhor opção.
A sociedade de senhoras organizou um ágape fraternal para as despedidas, no templo, da família do E. Anderman, com hinos, pronunciamentos. Estavam juntos batistas, adventistas e pentecostais. Ouvindo os pronunciamentos lembrei da lenda de Krilou sobre o caranguejo, o peixe e o cisne. Assim aqui também todos tem o mesmo objetivo – o céu. Mas cada um quer chegar lá pelo seu caminho particular. Então o idoso irmão adventista M. Indrikson convidou o caminho para a nova terra, que Deus prometeu ao seu povo. Por último, com convicção assegurou, que os mentirosos lá não entrarão (por si mesmo pois quem não guarda o “sabat”, isto é transgressor dos mandamentos e mentiroso). No pronunciamento seguinte convidou para ir com ele conversar sobre as Escrituras Sagradas e procurar os seguintes temas: os batistas pensam que a vida eterna será no céu e o milênio aqui na terra; ele porem pensa exatamente o contrario e por isso é necessário tirar o assunto a limpo.
Um participante da reunião protestou contra tal proposta. Para quem sabe, que Jesus é o único caminho! Em seguida falou o irmão Anderman, incentivou os irmãos e irmãs, se temos a verdadeira convicção da vinda de Cristo, para ele, especialmente “nos últimos tempos” possui grande convicção, e finalmente apontou: “a vocês batistas tem uma falsa convicção.”
Finalmente E. Anderman falou outra vez (a primeira foi para as crianças) falou a sociedade das senhoras e aos demais.
No inicio só lisonjas, antigamente todas unânimes oravam por alguns, que fora da igreja, mais tarde a sociedade esfriou. Assim mesmo Deus ouviu, pois aqueles se uniram à igreja. Daí passou para o seu tema verdadeiro. Que já passaram uns vinte anos de crença, mas nunca se dedicaram plenamente ao Senhor Jesus. Sempre tiveram que lutar com o pecado e não tiveram segurança.
Cada dia uma voz lembrava: “não esta bem, não está bem” até que enfim (no movimento pentecostal) se entregou totalmente a Jesus e tem paz, segurança, que se revestiu no seu sangue. Não está pecando mais e aquela voz esta a dizer: “tudo bem, tudo bem”. Então convidou a nós (batistas) a fazer como ela (?) pois nós não sabemos quanto é bom, quando nós no entregamos plenamente a Jesus, etc, etc.
Convenhamos, deste longo pronunciamento estamos apenas escrevendo o esboço.
Quem ler a oração do fariseu, quando ambos estavam no templo com o publicano então teremos o mais claro retrato a nossa frente.
Entre os presentes alguns protestaram, com as palavras e também com os trabalhos, cujos estão tão longe uns dos outros como a manhã do anoitecer.
Os batistas falavam, que esta noite de despedida é costumeiro uns incentivando a outros. Assim mesmo seria desejável um linguajar mais elegante.
Enquanto termino, peço aos amáveis leitores para mais um quadro dos resultados deste movimento. Após o desligamento da igreja K. Anderman se associou com alguns ex-batistas e adventistas e nas proximidades pregavam suas idéias. Eles conquistaram alguns adeptos brasileiros, que queriam ser batizados.
Após uma averiguação eles foram aceitos foi designado o dia para os batismos. No dia aprazado reuniu-se um bom numero de pessoas, esperaram até ao anoitecer, mas – sem batismos! A desculpa foi, que “o Espírito” naquele dia não permitiu a Anderman a fazê-lo, embora que ele como um pastor a tantos anos tinha preferência.
Daí, uns interrogavam a outros, que fazer, mas ninguém fez nada. Até que enfim chegaram a conclusão, que seria melhor não demonstrar aos presentes a sua falta de coordenação, e pedir a Deus que mostre uma nova ocasião para o evento.
Passou um longo tempo, mas de batismos não ouvimos nada. Também da igreja “aliança” ninguém mais falou sobre sua fundação com o lava-pés não foi adiante.
Mais adiante a estes adeptos do movimento pentecostal conseguiram arrebanhar um jovem brasileiro, ate que em uma assembléia desligou-se voluntariamente da igreja com atitudes de grande triunfo. Estavam presentes também os dirigentes do movimento pentecostal para testemunharem tão importante acontecimento.
O jovem ainda afirmou que em nossa igreja ele se portou como hipócrita e que agora ele é um verdadeiro crente. Pobre jovem, poucas semanas depois, na citada “aliança” sentiu-se logrado, que decidiu voltar aos católicos. Sim, pelos frutos conhecemos a arvore.
Autor??????

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…aqui a vida flui monótona e quase nada maior acontece… | De Olga Purim para Reynaldo Purim 1923

Rodeio do Assucar 31/1/23 [ Assim era escrito na época]
Querido Reini. Saudações!

Então esta noite vou ter que começar a escrever, pois a tua carta escrita no dia 26-12-22 já recebi semanas atrás com todos aqueles cartões de Boas Festas. Muito obrigada porquê, esta carta, foi mais longa que as demais talvez porque nestes dias de férias você está mais folgado. Naquele mesmo dia que recebi a sua mandei também uma longa carta contando todas novidades daqui por isso tive que dar um tempo para começar a resposta.

Lá mais coisas acontecem e aqui a vida flui monótona e quase nada maior acontece e as coisas vão como sempre.

Este ano chove muito, mas o sol também brilha muito; os rios estão transbordando e troveja como antigamente.

Trabalho, nós temos muito porquê as ervas daninhas crescem como nunca e ainda bem que o milho também está crescendo bonito e para nossa sorte aqui não tem havido grandes tempestades com ventanias para derrubar o milho, mas em outras partes da colônia sim.

Semana passada os Grunski mudaram-se e foram morar junto com o Willis Grunski na casa que eles compraram do Grünfelldt. Eles estão ajeitando para fazer uma grande marcenaria.[ Galdeneka darbnizu – Literalmente local para fabricar mesas.]
O Emílio [ ? ]vendeu a colônia [Chamavam de colônia a gleba de terra de um colono que poderia variar de tamanho e de formato. A forma básica era a chamada “Frente” começar no fundo do vale para facilitar o acesso à água. Muito inteligente também a idéia da Cia. Colonizadora fazer esta frente em perpendicular ao o fundo do vale e não obrigatoriamente no rio, pois facilitava de certo modo as cercas que eram retas e com as curvas o rio entrava e saia diversas vezes na mesma propriedade. A do meu pai deveria ter uns 80 hectares (200 braças de frente X 700 braças de fundo) e se a frente ficava no fundo do vale onde também seguia o caminho principal é claro que o fundo ficava na parte mais alta que era o Kazbuck. A do tio Reynaldo a qual os fundos se encontravam ia fazer a “Frente” no Rio Larangeiras que era o outro vale mais para o lado do poente. Resumindo os “Fundos” se encontravam adiante do “Kazbuck”.] para um italiano que pagou 8:500$000 a vista.

O Limors está novamente por ai, mora em Orleans com a filha.

Antes das Festas do Natal chegou de São Paulo a Olga Grunski com a filhinha para ficar passeando uns dois meses e agora que passaram poucas semanas já foi embora. Diz que faz tempo que não mora mais junto com o seu Vanag, que nada faz, não trabalha e ela não consegue ganhar o suficiente para cobrir o que ele consegue gastar. Agora ela trabalha em um hospital como mensalista e a administração permite que ela more junto com a criança lá mesmo e o salário é 150$000 por mês. –

O Grünfeldt agora aluga algum casebre e mora com a mulher, mas não tem aparecido por aqui ou a vida de colono talvez seja muito simples e humilhante para ele.

O Konrads Frischimbruder com sua companheira na semana passada foram embora novamente para São Paulo procurar uma vida mais leve e menos trabalhosa.

Ele o Condis, não pode trabalhar nada no pesado, pois quando ele ainda estava em São Paulo ele teve apendicite e foi operado que teria custado 800$000 e que nada adiantou, pois não pode levantar nada e nem trabalhar. Mas a esposa não gostou daqui. Aqui ele ficando na casa dos pais pelo menos teria comida a vontade e lá o que ele vai fazer? Tolo sim, o que ele é.

Você escreve bastante sobre este movimento de renovação espiritual e eu também escrevi bastante sobre isso. No dia que recebi a tua carta, eu também recebi um cartão postal do Jehkabs. Um outro cartão já tinha recebido de São Paulo. Então diz que mandou uma carta, mas nada chegou e agora ele diz que mandou outra. No cartão ele escreve que quer saber notícias nossas e convida o Pappa e a Mamma para acertar os compromissos de trabalho e ir passar uns dias com eles talvez uma semana para poder conversar bastante. E sobre estas conversações ele já escrevia da Latvia, mas nunca mencionou nada sobre visões e profecias. Quem poderia imaginar que ele estivesse tão junto dentro do partido do Inkis, pois agora todos estão juntos ou perto do Inkis como abelhas perto da rainha. Lá na colônia deles [ Palma em Varpa, Município de Tupã S.P.] agora é como na Rússia Bolschevique a pessoa vai morar lá por bem ou por mal e a censura da correspondência é rígida qualquer coisa que seja contrária não sai.

O Pappa passou o Domingo passado escrevendo uma longa carta para ele descrevendo como nós estamos passando e informando que aquela viagem de visita lá não poderá ser feita por falta de tempo e também de dinheiro e esta história de passar dois dias não vai funcionar pelas grandes distâncias que ele ainda não conhece. Também diz que nós estávamos esperando eles todos aqui. Por outra parte foi bom que eles não vieram, pois agora não seria nenhuma alegria em recebê-los sabendo que eles são daquele “movimento”. O que eles viriam fazer pois aqui não temos mais tantas matas, nem temos um Inkis e ainda temos que morar neste mundo de pecados e assim nada poderia ser pior.

Agora seria outra coisa se eles admitissem que estas coisas estão na mão do verdadeiro Deus e não cabe a nenhum de nós, cabe saber dos tempos do fim com profecias e visões etc. Segundo temos outras informações, eles não pretendem fazer nada definitivo, pois estão esperando para logo o fim do mundo.

O Andreys não veio e nem sabemos se ele virá depois. Eles te mandam muitas lembranças. Voltando a nova colônia você escreve que poderia conhecer melhor se fosse até lá. Mas você sabe se você vai conseguir entrar e se entrar você poderá sair. Você nem sabe que largura tem o Portal do Reino. E se alguém te perguntar se você veio para ficar então entregue todo dinheiro para senão não poderás entrar. Que vivam todos felizes por lá.

Em Nova Odessa já tem bastante gente que já saiu de lá. Aqui o pessoal de Rio Novo fala que lá deve haver um mau espírito, senão por que as pessoas correm tanto para lá.[ Não dá para saber se ela estava se referindo a nova Colônia ou a Nova Odessa]

No Domingo passado o Zeeberg leu aquelas notícias missionárias contando como vai o trabalho na Latvia e na Alemanha e que este movimento pentecostal já é bastante antigo por lá.

O Roberto Klavim tinha traduzido para o leto aquele artigo do “O Jornal Batista” escrito pelo Alschekbirse que se referia ao artigo escrito pelo Freyvalds sobre este mesmo assunto. Pode ser que você já tenha lido, mas nós aqui não recebemos jornais novos.

Bem por hoje chega. Você deve saber sobre estes assuntos mais do que nós aqui. Escreva bastante. Nós estamos todos bem aqui e parece que você também está por lá. Lembranças de todos. Olga.

Escrito na lateral: Pelo que parece você não fez por merecer esta carta porquê, toda vez que eu começava a escrever, vinha um sono tão forte. Tinha que ir dormir e assim precisei de diversas noites para terminar de escrever. Amanhã eu vou despachar. Se não chover 8-2-23.