História da Igreja Batista de Rio Novo – Por Jahnis Inkis e Juris Frischembruder

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História

Da Igreja Batista Leta de Rio Novo

Autor: Jahnis Inkis Senior/Juris Frischembruders
Publicada na Revista “Kristigs Draugs”(O Amigo Cristão) Números 09,10 e 11 nos meses setembro, outubro e novembro de 1.940.
Traduzido para o Português por V.A. Purim.

Prefácio

Li no Jornal Batista, publicação periódica da Convenção, que a Igreja Batista de Rio Novo, a mais velha das irmãs entre as Igrejas Batistas Letas estava se aprontando para comemorar os seus 50 anos, isto é, o seu jubileu de Ouro, e naquele momento me veio a mente que durante muitos anos tenho em mãos material referente a história desta igreja. Este material, desde há sete anos atrás, foi coligido e cuidado com carinho pelo irmão Juris Frischenbruders.

O irmão Juris mandou este material esperando que publicasse nas páginas da Revista “Kristiga Draugs” para que todos tivessem pleno conhecimento destes fatos.

De boa vontade teria feito mas, lendo este trabalho sobre o início da Igreja, encontrei por diversas vezes o meu nome e elogios sobre a minha atuação e meu trabalho naqueles tempos. Achei melhor que uma publicação desta não devia ser por minha redação. Portanto, este importante trabalho ficou um bom tempo engavetado. Bem, agora que águas dos tempos já correram, que as enchentes já baixaram, os seixos rolados da memória pelo tempo estão brancos, a primeira geração de imigrantes já se foi para o descanso eterno e a terceira da geração do início da colônia e da fundação da igreja pouco sabe, então me sinto constrangido em lidar com tão personalíssimas recordações como as do irmão Frischimbruders , o qual tirou a maior parte das informações de sua própria memória, então neste momento, não vejo mais como alguém poderia antepor obstáculos, ou criar dúvidas quanto a nossa honesta participação na história. Eu entendo que nós ambos, ele como o escritor da narrativa e eu como o guardador somos para a querida e inesquecível igreja de Rio Novo eternos devedores e, para tanto, neste Jubileu de Ouro, oferecemos a sua história. Com isso esperamos que em nenhum momento seja entendido algum elogio a nós próprios, mas sim a toda família leta no Brasil.

J. Inkis Sen.

A este prefácio ainda prestaremos mais alguns esclarecimentos que o autor acha interessante e que pode ser considerado o preâmbulo desta história:

“Vários anos atrás, a igreja determinou ao professor Ans Elbert escrever a história da vida da igreja, mas a vida dele era cheia de sofrimento e dificuldades (após anos de doença ele veio a falecer) e devido a isso seu trabalho não teve solução de continuidade. A minha grande preocupação era para que a História da igreja fosse escrita. Antes da comemoração do jubileu dos 40 anos de estabelecimento da igreja em 28 de fevereiro de 1.932, foi a mim designada esta importante responsabilidade. Para as minhas debilitadas forças pareceu realmente difícil! Mas assim mesmo admitiram que escrevesse do modo que fosse possível. Tentei ficar bem no centro do caminho da verdade. As notícias e datas tirava do livro de atas da igreja. Grande parte tirava diretamente da memória. Esforcei-me para anotar todos quantos labutaram na igreja: pastores, professores, pregadores itinerantes – até os guardas das portas (introdutores). Pensei assim se foi importante atribuir estas tarefas a eles, então também é importante menciona-los na minha narrativa. Cristo disse: Aquele que oferecer um copo de água fresca não ficará sem o seu galardão. Assim também aqueles que, mesmo numa função humilde, desempenharam com boa vontade e com coração dedicado ao bem estar dos irmãos e da igreja certamente terão também o seu reconhecimento. Imaginava que a igreja tinha autorizado escrever a história de modo geral e abrangente. Assim mesmo, em assuntos polêmicos, tenho tomado cuidado, sendo prudente e deixado tudo nas mãos de Deus. Nestes casos, escrever só o necessário. Sempre com espírito pacificador.

Como moto para o seu trabalho o autor escolheu um verso do poeta Bilnisch:

“Tu não podes parar e sonhar
Tu tens que amarrar os feixes colhidos
Ou és um navio a fazer água,
Que está prestes a afundar…
Tu tens que terminar alguns trabalhos
Mesmo com o seu coração cansado,
Mesmo que ao derredor uive o vento cortante,
E o temor da morte se faça presente.

E ainda um verso do Poeta Ciruls

Se surgisse dos nossos
Antepassados pais, o espírito
Então para o trabalho e saber
Ganhariam novo alento…

A Igreja Batista de Rio Novo no período de 40 anos
1.892-1.932

Os colonizadores letos do Rio Novo foram realmente os primeiros desta nacionalidade que imigraram para viver no Brasil. Com as providências dos cultos e ilustrados conterrâneos como o Balod, o Salit e o Lübek e sob a sua liderança, em plena primavera (deles) de 1890 saíram de Riga os primeiros colonizadores em busca da distante da sua e desconhecida Terra das Palmeiras. Tinham escolhido para a próxima etapa da vida um local no Estado de Santa Catarina onde uma empresa Colonizadora tinha sido aberta e estava vendendo terrenos com facilidades para os imigrantes em plena mata virgem, não longe da estação de Estrada de Ferro de bitola estreita, num local chamado Orleans do Sul.

Os primeiros imigrantes eram luteranos, mas no meio deles haviam três membros das igrejas Batistas de Riga: Janis Arums com sua esposa e Katrine Bitait.

Um ano depois em 1.891, seguiram mais umas 5 famílias de batistas letos de Riga pelas trilhas recém abertas para a recém inaugurada Colônia de Rio Novo, (Trad. Jaunupe). Este nome tinha sido dado a um pequeno rio onde de ambos os lados os letos estavam se instalando. Entre eles estava o que escreve (Frischenbruder) e sua família, Janis Ochs, Aletsandis Grinfelds, Janis Baschulis e Fritz Malves com suas respectivas famílias.

Após dois longos meses de viagem, no dia 13 de julho, chegamos à estação da estrada de Ferro em Orleans do Sul. A direção da Colonizadora providenciou para que as nossas coisas fossem arranjadas no lombo de mulas e levadas para a nova colônia, onde fomos alojados num alojamento comum, construído para abrigo inicial dos imigrantes que chegassem. O nosso irmão Janis Arums e outros letos nos ajudaram a chegar a este acampamento em plena mata virgem. Estes oito quilômetros de caminhada por dentro da mata, através de trilhas escorregadias, lamacentas, subindo e descendo morros, eram alcançados com grandes e desconhecidas dificuldades.

Quando cada qual dos recém chegados tinham recebido a sua terra e se instalado nela,e assim começado a sua vida como legítimos pioneiros, a nossa preocupação voltou-se para nós batistas, em nos organizarmos a fim possibilitar realizar os Cultos a Deus.

Os cultos de oração eram dirigidos alternadamente por nós e a Ceia do Senhor era servida pelo irmão Janis Baschulis, enquanto o coro dirigia eu, Juris Frischimbruders. Éramos muito alegres e cantávamos com tanto entusiasmo que a própria selva ecoava (respondia com eco).

Neste mesmo ano de 1891, no mês de novembro, quando lá na Latvia era outono e aqui primavera, numa manhã de domingo, surpreendeu-nos a presença de mais letos que nos seguiram de Riga. Eram Jahnis Neilands e Jahnis Simsons. Foi um feliz encontro e grande a confraternização. Agora o nosso pequeno coro foi reforçado realmente com duas potentes vozes masculinas.

Um mês depois, em dezembro, chegou realmente uma grande leva de imigrantes, Aproximadamente umas 25 famílias de Riga, membros das Igreja de Angelskalna e Dinamindes (Daugavgrivas) (Foz do Daugava).

Como naquela época quem tinha a maior sala em sua casa entre os colonos era o J. Ochs, os cultos eram realizados lá na casa dele. Os primeiros desta leva entraram na colônia durante os festejos de Natal de Cristo e participaram ativamente no nosso culto a Deus os irmãos Fritz Karps e J. Klavins da Igreja de Dinaminde e o irmão Bankovitz de Riga.

Demorou um bom tempo até que todos companheiros de viagem de viagem ocupassem os seus lotes na colônia. Alguns estavam muito satisfeitos mas outros se sentiam enganados. Com amargo ressentimento inquiriam principalmente ao escritor das cartas (Arums) que teria pintado a paisagem da vida mais viva e colorida do que a dura realidade da vida de pioneiros e uma visão do futuro promissor que eles não conseguiam antever.

Os recém chegados não tinham escolhido uma época propícia para emigrar. A melhor época seria quando aqui é outono – nos meses de abril e maio, pois durante o inverno poderiam ser derrubadas as matas, aprontar as coivaras para as plantações da primavera, de agosto em diante. Nesta época do ano o clima pareceu aos recém chegados por demasiado quente. Diante das primeiras impressões o meu sogro disse: ” Seria melhor ou teria preferido ser trabalhador em pedreiras e carregar pedra sobre pedra na Letônia do que ter vindo ao Brasil”. Mais tarde realmente acomodado estava feliz por ter optado por vir morar no Brasil.

Quando todos tinham entrado para a colônia e já estavam alojados no acampamento comum mais pessoas procuravam o lugar de nossos cultos. Mais tarde, quando cada um tinha construído para si o seu teto, a sua casa em sua própria terra e tinham se restabelecido das dificuldades da mudança, pareceu mesmo que o local de cultos realmente tinha ficado muito pequeno. E para alguns muito longe do local em que moravam. Então surgiu uma idéia e uns falavam com os outros: A necessidade de organizar uma Igreja e construir um templo para ela. (Uma tenda).

Era uma bela tarde de domingo dia 20 de março de 1892 quando se reuniram os irmãos e irmãs na casa de Jahnis Ochs para uma deliberação. O Culto foi aberto pelo Irmão Fritz Karps. Por unanimidade e aclamação foi ele eleito para dirigir esta e as próximas sessões e o irmão J. Simsons como secretário.

Após a inscrição de todos membros da novel igreja era este

Jahnis Balodis
Katrina Grausis
Katrina Bitait
Gederts Feldmanis
Lavise Feldman
Made Bankovitz
Ans Grinfelds
Auguste Grinfeld
Auguste Grinfeld
Júris Frischembruder
Anna Frischembruder
Anna Feldmann
Jahnis Arums
Karlote Arums
Jahnis Ochs
Katrina Ochs
Júris Bankovitz
Sofija Vanag
Ilse Dobit
Jahnis Baschulis
Marija Baschul
Elizabete Grinfeld
Katrina Grinfeld
Katrina Grinfeld
Jahnis Neilands
Johana Neiland
J.Simsons
Martinch Leepkaln
Darta Leepkaln
Jekabs Rose
Jekabs Karklis
Lavise Karklis
Lavise Rose
Lisete Rose
Evalds Martinsons
Lihsa Balod
Krischjahnis Akmenhgrauzis
Anna Akmenhgrauzis
Karlis Match
Katrina Match
Getrude Grintal
Ieva Indrikson
Anna Engel
Fritz Karps
Fritz Malwes
Anna Malwes
Olga Malwes
Julija Balod
Auguste Balod
Jahnis Fridembergs
Ieva Fridenbergs
Amalija Fridemberg
Wilis Grintals
Gederts Netembergs
Nitenbergs
Ans Witinchs
Ilse Witinh
Matilde Witinh
Emília Witinh
Woldemars Stekerts
Hedwigs Stekert
Jahnis Stekert
Karlote Stekert
Jahnis Binemans
Dore Bineman
Lihse Bineman
Anna Bineman
Lavise Bineman
Lihsa Akmenhgrauzis
Martins Indrikson
Davids Grunskis
Jahnis Klavins totalizando 74 membros da igreja.

A idéia central dos participantes convergia para a urgente necessidade de se conseguir um templo, mesmo que provisório, mais amplo para as reuniões. Para escolher o local, foram escolhidos os nomes dos seguintes irmãos: J. Ochs, J. Neiland, J. Simpson, K. Match e J. Stekert.

O lugar foi encontrado, bem no meio da colônia, numa encosta do terreno pertencente ao irmão J. Simson. Todos pegaram firme no trabalho. Até as irmãs mais novas, adolescentes mesmo, ajudavam a amarrar os feixes de resistentes folhas de palmeiras para a cobertura, isto é, a confecção do telhado. Também as paredes foram confeccionadas com este mesmo material.

Para a confecção dos bancos (assentos) foram assentadas estacas no chão até uma altura conveniente e sobrepostas travessas para sustentação de ripas retiradas dos troncos de palmitos. O resultado foi satisfatório e os bancos até que ficaram confortáveis. Todos juntos trabalhando, em três dias a obra ficou pronta.

No fundo da construção estavam os assentos para os coristas. Organizaram-se dois Coros. Ao lado direito ficava o coro do Rio Novo e no lado esquerdo ficava o coro do Rio Carlota.

Aqui convém um esclarecimento, pois nesta imigração do pessoal da igreja de Dinaminde veio o Coral quase completo inclusive o seu dirigente, e como as terras do vale do Rio Novo já tivessem sido todas tomadas pelos outros que tinham chegado antes, estes se instalaram ao longo do outro vale que os agrimensores tinham denominado de Rio Carlota. Durante algum tempo os colonos eram denominados por ambos pequenos rios onde moravam, mas com tempo a denominação de toda Colônia passou para Rio Novo, talvez por ser onde ela realmente começou.

Durante os cultos os corais se revezavam. O Coral de Rio Carlota composto pelos de Dinaminde eram dirigidos pelo irmão K. Match enquanto o do Rio Novo composto por integrantes de Riga, era dirigido pelo Irmão Frischenbruder. O último hino do culto de cada domingo era cantado por ambos coros unidos e dirigido alternadamente por um ou outro dirigente.

Como líderes da igreja foram eleitos os seguintes irmãos: J. Bachul, J. Neiland, J. Stekert e M. Indrikson. Para servir a Ceia do Senhor o irmão J. Bachul. A direção dos estudos bíblicos foi confiada ao irmão J. Simsom e mais tarde ao irmão J. Stekert. Para a direção da Escola Dominical apresentaram-se voluntariamente J. Neilands, K. Matchs e Julia Balod.

O progresso da igreja era lento mas firme sempre em frente. A vida do irmão Simson foi curta pois neste mesmo ano de 1.892 veio a falecer. No lugar dele foi eleito o irmão K. Zeberg como secretário geral. Como tesoureiro foi eleito o M. Leepkaln e o irmão J. Klavin como responsável pelo livro da tesouraria.

Ainda chegavam novos colonos seguindo os que vieram de Riga e uma nova leva oriunda das colônias Letas de Nowgorod (Rússia) dos quais muitos tinham se inte-ressado pela vida nas terras quentes. Os recém chegados, tanto de Riga quanto da região de Nowgorod eram Batistas e com isso a Igreja crescia ainda mais.

O salão tinha se tornado pequeno demais. Também os dentes do tempo tinham feito o seu estrago no improvisado templo; estando situado em local alto e descampado os fortes ventos tinham desfiado as folhas de palmeira. Por diversas vezes havia sido discutida a necessidade de se adquirir um terreno para a sede definitiva do Templo da Igreja e da Escola, mas este assunto ia sendo adiado por que os pioneiros tinham tarefas inadiáveis como a construção de seu próprio abrigo, cercas e as plantações e isso tomavam todas as suas forças.

A igreja também começou a aspirar a visita dalgum líder espiritual da Letônia. Começaram as trocas de cartas. Surgiu a possibilidade da visita do notável líder e editor de literatura batista de Riga. Mas a prioridade dele era visitar a “Terra onde Jesus andou”, qual mais tarde descreveu em forma de um livro ficando Rio Novo para depois. . Então aguardaram Karlis Ruschevitz, mas como ele foi convidado para ser pastor da igreja de Riga, também a viagem não pode ser feita.

Foi decidida a construção de uma nova casa de cultos maior e melhor. O local foi escolhido na colina perto da casa dos Leepkaln, junto ao túmulo do irmão Simson em terreno pertencente ao irmão Jahnis Klavin. Na sessão da Igreja do dia 01 de julho de 1.894 foi eleita um comitê de construção composto de 7 irmãos. Mas na sessão seguinte dois destes irmãos solicitaram a sua retirada deste comitê por não concordarem com as responsabilidades a eles atribuídas.

Os trabalhos de construção são dirigidos pelo profissional construtor Karlis Matchs. Todos trabalhos são executados por voluntários sem qualquer que seja a remuneração e assim mesmo todos trabalhavam com muita vontade. Os trabalhadores eram muitos e o trabalho ia rápido em frente. Tanto o telhado como as paredes eram de tabuinhas lascadas em plaina. Este templo foi construído no mês de agosto de 1.894 em 14 dias corridos, perfazendo a soma de 437 dias – homem de trabalho.

O primeiro tempo era chamado de ” Lapas Baznitza ” e o segundo passou a ser chamado de “Skaidas Basnitza”, e com a firme esperança de que num futuro muito próximo pudesse ser construído um templo definitivo.

Também no novo templo nos cultos de adoração ambos os coros cantavam em união e os líderes tudo faziam para que o trabalho fosse executado o melhor possível. Mas, com o tempo, na vida da igreja surgiram dificuldades de harmonização de opiniões e mesmo divergências sérias.

As preocupações por parte dos irmãos eram evidentes e, principalmente, dos que conheceram pessoalmente o irmão Frejs. Estes começaram a se corresponder com ele com vistas a possibilidade de que com conselho ou mediação dele se pudesse conseguir um obreiro para o trabalho espiritual da igreja de Rio Novo, nem que fosse por um período de tempo.

Neste mesmo tempo tinham sido fundadas outras colônias Letas no Brasil, como Ijuí, no Estado de Rio Grande do Sul e, aqui mesmo em Santa Catarina, as de Mãe Luzia e Guarani, lugares cujos nomes não eram desconhecidos para o irmão Frejs, pois estas pessoas mantinham contatos com a sua editora de literatura cristã em Riga. Principalmente junto ao seu coração estavam os da igreja de Rio Novo, os quais tinham sido membros das igrejas de Riga e Dinaminde. Quando das últimas imigrações era Irmão Frejs o Pastor da Igreja de Dinaminde. Agora ainda eles se dirigiam a ele como ainda fosse o seu pastor. Ele realmente se preocupava com a situação da igreja em Rio Novo. Então, no princípio do ano de 1.897, ele nos informou que saíra de viagem para o Brasil um seu colaborador da sua editora e agora zeloso evangelista, Jahnis Inkis.

A tão esperada visita chegou em Rio Novo em plena festa de São João, isto é, no dia 24 de junho de 1.897, após dois meses de viagem. Com muita sinceridade e entusiasmo a igreja o aguardava e, como antecipadamente tinha sido deliberado em sessão, foi festejada a chegada com dois dias de festas na igreja.

No domingo seguinte, dia 27 de junho, nova da sessão da igreja, agora sob a liderança do irmão Jahnis Inkis, o qual propõe à igreja uma reunião de perdão e reconciliação entre os irmãos da igreja e que no domingo seguinte se possa comemorar o memorial da ceia do Senhor. Nova Sessão da igreja no dia 4 de julho. Irmãos se perdoam entre si. Alguns excluídos pedem a sua reconciliação. Outros irmãos e irmãs, esquecendo, o que houve no passado, perdoando uns aos outros, acertavam-se entre si.

O Irmão Fritz Karp foi eleito para continuar dirigindo as sessões da Igreja. Os batismos foram marcados para o próximo domingo. Naquele dia, pregação da palavra pela manhã e em seguida uma solene caminhada até o lugar dos batismos, a poucos quilômetros dali, no próprio Rio Novo, entre as casas dos Irmãos Ochs e Frischembruder. Após os Batismos nova caminhada, agora para a igreja, para a celebração do memorial da Ceia do Senhor.

Assim começou o trabalho do pastor evangelista Jahnis Inkis na igreja de Rio Novo. Ele cuidava da vida da igreja tanto na parte interna como na externa, principalmente cuidando da parte do trabalho de missões especialmente entre os vizinhos alemães e outros das colônias adjacentes.

Cada domingo repartia uma porção da Palavra de Deus, mas foram estabelecidas também outras atividades tais como cultos de oração, cultos de missões e reuniões de treinamento, onde eram lidos trabalhos diversos, proporcionando a todos a possibilidade de falar e se apresentar em público, pois sempre após ter lido algum trecho de alguma publicação religiosa era dada oportunidade para acrescentar um breve comentário fazendo assim que a pessoa ficasse cada vez mais segura.

Estas reuniões de treinamento aconteciam duas vezes por semana, nas noites das terças feiras, na casa do irmão Ochs, numa das extremidades da colônia e eram dirigidas pelo irmão Inkis, e nas noites das quintas feiras eram na outra em casa do irmão Grauze. Eram também lidos e feitos breves comentários dos livros da Bíblia tais como os livros de Samuel e os livros de Reis, do livro de John Bunyan “Luta Santa” e de Adolf Sasir “Cristo e as Sagradas Escrituras” e nos intervalos cantava-se muito louvando a Deus e elevando a Deus fervorosas orações.

Os cultos missionários eram celebrados aos domingos. Os estudos bíblicos eram durante os dias da semana. O povo todo diligentemente colaborava em todos trabalhos. Ele (o pastor Inkis) amava a Escola Dominical e dela participava. Organizou também o trabalho com os jovens com a formação de uma união de moços e uma união de moças. Neste trabalho com os jovens ele se dedicou com todo o seu coração com novas atividades, inclusive culturais. Fundou um Coral jovem sob a regência do irmão Gustavo Grikis, orientava na escolha das músicas e dos textos e foi naquela época que sugiram as famosas festas da Mocidade.

Com a preocupação também pelo bem estar geral em relação a vida diária foi organizada uma comunidade sob a orientação do Pastor Inkis. Na realidade foram organizadas duas: para a do Rio Novo foi eleito líder o J. Ochs, e para a do Rio Carlota foi eleito o K. Seebergs. Para líder e dirigente das reuniões o F. Karps e para secretário J. Frischembruder. Tudo foi feito com conhecimento e aquiescência do senhor Delegado de Policia de Orleans Sr. Galdino Guedes.

A administração da comunidade tinha poderes para dirimir dúvidas, acertar pequenas desavenças entre os vizinhos principalmente o que se relacionasse a cercas, porteiras, prejuízos causados pelo gado dos vizinhos em roças de outros etc. inclusive multando o culpado em Mlrs5$000 (cinco mil réis) o que em moeda atual seria mais ou menos 20$000 réis. Precisamos anotar que esta multa nunca foi cobrada de ninguém.

A organização da comunidade aliviou o trabalho da igreja pois toda e qualquer dúvida, queixa ou reclamação era tratada pelos responsáveis pela comunidade, pessoas vividas com espírito cristão e desta maneira tratavam todo e qualquer assunto. Nestas reuniões também eram discutidas novas idéias e o planejamento para as melhorias da colônia.

A primeira e maior preocupação era no sentido de se conseguir uma escola para a nova geração. Dirigiram-se então com uma petição à Empresa Colonizadora Grão Pará, diretamente ao diretor Sr. Stawiarsk,i a fim conseguir um pedaço de terras para a comunidade onde pudesse ser edificados a escola, o templo para a igreja e também o cemitério. Terminaram conseguindo o terreno.

Em seguida a Comunidade elegeu um comitê para a organização da Escola: Fritz Karps, o dirigente, Juris Frischembruder, o secretário e tesoureiro. Os demais membros foram o compatriota e agrimensor J. Sarins, J. Ochs, M. Leepkalns, K. Matchs e K. Seebergs. Entusiasmados os componentes da comunidade juntaram 411$000 réis para a viagem do futuro professor qual deveria vir da Letônia. Mas ainda demorou para vir.

Diante da situação de que a colônia de Rio Novo não poderia crescer muito mais com a vinda de mais emigrantes da Letônia devido que todas as glebas das vizinhanças já estarem tomadas, fazendo com que os letos que desejavam imigrar procurassem outras colônias, (apesar que nos vales vizinhos da colônia de Rio Novo ainda houvesse terras não desbravadas cobertas de matas virgens), o Pastor Inkis organizou e também participou de expedições para busca e avaliação de novas áreas onde os letos pudessem serem assentados. Atravessaram o Rio Laranjeiras e o Rio Oratório onde não houve consenso quanto a viabilidade de aproveitamento destas áreas. Na outra expedição realizada nos fundos do Rio Carlota nas proximidades da colônia italiana foi encontrado local bom onde várias famílias letas se instalaram para morar e mantendo contato com Rio Novo.

Desenvolvendo o trabalho missionário, ele nos ensinava hinos em língua alemã. Foram feitos vários cultos evangelisticos tanto em Rio Novo como em Orleans nesta língua, resultando em conversões e filiação a igreja.

Foi também feita uma viagem festiva para a Colônia Leta de Mãe Luzia, a qual tinha sido fundada na maioria por rio novenses. Nesta viagem participaram mais ou menos 20 irmãos e irmãs participantes dos coros, todos a cavalo pois naquela época não havia outros recursos. A viagem durou dois dias. A noite foi passada ao relento, a luz das estrelas. Somente noutro dia foi alcançado o objetivo da viagem. Também lá o trabalho missionário entre os alemães alcançou sucesso.

Quando a Igreja de Rio Novo tinha espiritualmente se revigorado e o pequeno grupo que tinha saído voltara e pela igreja tinha sido amorosamente recebido, pareceu ter chegado a hora de eleger biblicamente os seus servidores. Aos eleitos para o cargo de diáconos o pastor apresentou uma santa exortação. “Agora vocês”,, disse ele “terão mais vezes de se aproximar a porta dos céus em oração não só por vós mesmos mas pela igreja e pelas missões” e com a imposição das mãos e com oração, num ambiente de reverência marcante, nos encaminhou para o trabalho da igreja, fato este que me lembro como fosse agora.

Os sete servidores eleitos e ordenados pela igreja foram os irmãos: Fritz Karps, Wilis Slengmanis, Jahnis Klawins, Evalds Feldbergs, Karlis Sebergs, Juris Frischembruders e Karlis Macths.

Os trabalhos da Igreja se desenvolviam muito bem, pois cada domingo que passava a igreja se revigorava e havia sinceros cultos de louvor e adoração. No aniversário de fundação da igreja (20/03/) haviam festas que duravam vários dias seguidos com ricos e variados programas. Cantavam diversos coros, de senhoras, de visitantes, chegando a ter seis coros participantes. A igreja, como reconhecimento e gratidão a seus obreiros presenteou a todos eles com o desejado livro “Terra onde Jesus andava”. O Pastos Inkis disse: “Hoje não comemoramos o Natal, mas assim mesmo vamos distribuir presentes. Os que receberam as lembranças foram o Moderador da Igreja”, irmão Fritz Karps, o dirigente do coro do Rio Novo,irmão Juris Frischembruder, o qual recentemente tinha aposentado sua batuta, Karlis Matchs que também tinha trabalhado como dirigente do coro do Rio Carlota. , Este era o mais idoso e por isso ganhou um Novo Testamento impresso em letras de tamanho grande. Também foram lembrados os novos dirigentes dos coros, Wilis Leeknins e Gustavs Grikis, como estímulo para um diligente trabalho. A organização desta distribuição de lembranças com o intuito de reconhecimento, foi organizada sigilosamente e desenrolou-se maravilhosamente, causando uma impressão inesquecível.

Na nossa memória estão guardadas muitas outras maravilhosas recordações mas quando estamos a escrever, devemos nos guardar nos limites.

Chegava o mês de abril de 1.898, na Europa, início da primavera, e aqui, outono, época das colheitas. Faz quase um ano que o evangelista de Riga trabalha em nosso meio. Os nossos corações curtem os frutos de reconhecimento.

Em segredo absoluto a igreja organiza a festas dos Balanços no 14 de abril que ainda está em vigor segundo o antigo calendário ainda em vigor na velha pátria (Quarta feira da semana santa). Ao derredor de sua morada junto na casa da família Grauzis onde ele se hospedava na escuridão noturna foram se chegando em passos silenciosos grande parte dos habitantes da colônia. Uma profunda paz noturna cobre toda paisagem. Então de repente luzes são acesas e um potente coral masculino irrompe com o hino: “Jeovah, Jeovah ” vibrando frente a porta da casa e ecoando pelo vale afora. No mesmo tempo mãos ágeis prendem e penduram arranjos florais e palmeiras, nas portas e ao redor da residência do homenageado. Após este cântico ainda canta um coro misto. Então sai da sala aquele que foi acordado. Cumprimentos. Os cantores e os dirigentes da igreja entram na sala, mas enquanto os outros participantes silenciosamente se retiram para as suas casa para continuar o repouso. Na sala persiste um silêncio e expectativa como que um estivesse esperando pelo outro ou que viria depois. O pastor Inkis tenta quebrar o silêncio contando um fato que acontecera em um culto “Quaker” onde também reinava um silêncio como era esse momento. Chegados e assentados e aguardavam que surgisse uma palavra. Mas ninguém parecia inspirado. Longo e interminável silêncio. Ai uma menina levantara-se e na sua voz infantil teria dito: “Pois eu pensei que nos todos devíamos mais e mais amar o Senhor Jesus” Então foi como se tivesse sido abertas as comportas. Para muitas pessoas surgiram motivos para testemunhar do amor de Jesus. – Também agora começou desenrolar o nosso novelo com conversas e hinos. É aniversário – então também presentes. F. Karps entrega ao obreiro como presente uma quantia em dinheiro. Após ter examinado disse “Realmente é um presente pesado”. Em seguida recebeu presentes de outras pessoas. Em seguida mais hinos e palavras amáveis. Entre outras coisas disse o pastor Inkis “Pois ao ir dormir ontem (era madrugada) estava sem sono notei como os cães da colônia latiam mais que em outras ocasiões. Agora compreendo porque. Completei os 26 anos de idade e estou entrando para os 27. O ano qual tenho passado em Rio Novo posso contar entre os mais felizes da minha vida… ”

Já estava clareando o dia quando nos retiramos com os corações cheios de alegria.

Um belo dia o Sr. Staviarski, Diretor da Empresa Colonizadora atravessando a colônia de Rio Novo, parou em casa dos colonos letos para descansar e tomar um café, quando foi surpreendido por um grupo de crianças da colônia orientadas pelo pastor Inkis quais o saúdam com um pequeno hino “De todo nosso coração, nós saudamos tão caro hóspede, nossos olhos brilham. nossa alegria é real “… e continuando… ” Ajuda-nos a cuidar dos pequenos… ” Em seguida uma menina entregou um livro em encadernação dourada “A Terra em que Jesus andou “em língua alemã qual ele conhecia perfeitamente. Ai seguiu-se a petição das crianças: Que o senhor diretor tomasse as providências para doação de uma gleba de terra no meio da Colônia a fim que fosse possível ser construída uma escola para elas…

Durante este período houve diversos batismos, quais foram festas de muita alegria tanto aqui na terra como no céu. O período de trabalho do pastor Inkis foi um santo tempo, pleno de alegria e crescimento espiritual. Não faltaram momentos de alegria e de descontração, mas também os de firmeza e determinação. Sempre ao lado da verdade e da justiça. Ajudava aos doentes com conselhos médicos e medicamentos e sempre compartilhava com os sentimentos tantos os alegres como os de tristeza. Provocava um clima de boa vontade geral, por exemplo, a família Ochs veio ao encontro da necessidade da igreja hospedando o pastor por 6 meses e, em seguida, mais outros 6 meses na casa dos Grauzis nas mesmas condições.

Após ter passado um ano em Rio Novo o Pastor Inkis tomou o rumo do Rio Grande do Sul a fim de visitar a colônia leta de Ijuí. No dia da despedida houve uma grande festa na casa dos Ochs, um banquete mesmo. O desenvolvimento espiritual, cultural e mesmo financeiro da colônia estava em seus e nossos futuros planos. Debalde ainda tentamos alcançar, mas foi inútil. Não haverá mais. …

Após a viagem de regresso a Riga nos visitaram em Rio Novo os irmãos missionários americanos do Rio de Janeiro W.B. Bagby e o Dr. Donan, ambos pioneiros do trabalho batista ali. *Nota de rodapé: De minha parte devo informar que as noticias sobre os batistas letos de Rio Novo -Santa Catarina e os endereços foram cedidos por mim quando na minha volta para a Europa fiquei retido uma semana no Rio de Janeiro -Capital da República onde consegui encontrar uma igreja batista que em 1899 ainda era a única em toda cidade e onde também encontrei o missionário que desta pequena igreja era o fundador e pastor. Como vimos este não esperado atraso proporcionou um encontro qual foi fundamental no desejo do missionário conhecer a igreja do Rio Novo. J. Inkis.

O Missionário Bagby sinceramente e poderosamente pregava e cantava. Donan falava mais devagar, mas, como de profissão era médico, ajudava os doentes e necessitados. Ambos gostaram muito da colônia e adjacências e disseram que o Pastor Inkis precisa voltar para este lugar e trabalhar no evangelismo *Nota de rodapé – Esta palavra amiga dos missionários, como profecia se cumpre 20 anos depois em outra localidade e em outras circunstâncias. Não foi muita vantagem para a igreja de Rio Novo a não ser o desenvolvimento da literatura evangélica em língua leta agora mais abundante e de fácil aquisição por ser produzida aqui mesmo no país (Varpa) J. Inkis ”

Como inesperado hóspede numa manhã de domingo visitou a igreja de Rio Novo o pastor luterano e nos apresentou em língua alemã um sermão sobre o homem rico e o pobre Lázaro. ..

F I M

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