Memórias de um menino da roça| Por Reynaldo Purim

MEMÓRIAS DE UM MENINO DA ROÇA
E
DE SUA VIDA INTELECTUAL

(NOTAS AUTOBIOGRÁFICAS DE REYNALDO PURIM)

(Já no Seminário Teológico Batista de Louysville Kentuky o aluno é convidado a fazer uma auto apresentação o que ele fez na terceira pessoa do singular.)

Tradução por J. R. Purin

Se Reynaldo Purim tivesse que empreender a tarefa de escrever uma autobiografia, ele teria que contar a história de sua vida a partir de suas aspirações intelectuais, que na história de sua mente houvesse alguma importante que valesse a pena para ser escrita. Mas ele faria assim pela razão de serem as aspirações de sua mente o centro e a força motora das atividades de sua vida.
Os pais de Reynaldo Purim vieram da Letônia para o Brasil há muitos anos atrás. A Letônia naquele tempo estava sob o controle da Rússia; agora é um país independente. Naquele tempo muitos letos imigraram, foram para o sul do Brasil e se instalaram em várias regiões do Estado de Santa Catarina. Os pais de Reynaldo Purim e muitos outros letos foram morar num lugar chamado Rio Novo. Eram florestas virgens sem nenhuma civilização. A mais próxima estação da estrada de ferro distava cerca de 12 milhas (12 km) de onde moravam, onde não havia nenhuma cidade nem vila. Os imigrantes compraram sítios e começaram a nova vida com muitas dificuldades. Eles foram os iniciadores de uma próspera colônia leta que tinha sido florescente até o presente. Os letos conservavam a sua língua e costumes na medida do possível sob as condições de um novo meio ambiente. Eles fundaram uma igreja e uma escola conforme os seus próprios ideais que tinham trazido da Letônia. Suas vidas estavam baseadas em mais elevados padrões que aqueles que havia em outras partes dos Estados do Brasil.
Reynaldo Purim nasceu nesta colônia leta, chamada Rio Novo, em 1897. Seus pais não tinham vida fácil e rica, mas conduziam-na em boas condições. O menino não sabia o que significava sofrer a necessidade de coisas materiais. Junto com seu pai e sua mãe trabalhava no pesado como os outros trabalhadores faziam e eles educavam seus filhos com o trabalho e como honrar o trabalho. Reinaldo muito cedo aprendeu a fazer os trabalhos como todos os meninos da comunidade faziam.

Reynaldo Purim herdou alguma inclinação intelectual do seu pai e de sua mãe. Entre seus parentes havia alguns indivíduos que tinham manifestado tendências e características intelectuais que Reynaldo Purim encontrou nele mesmo. Ele podia dizer que suas aspirações mentais eram herdadas por extensão. Seu pai não tinha muita escolaridade. Ele era um homem que pensava profunda e cuidadosamente antes de tomar alguma decisão. Era muito vagaroso em chegar às conclusões mais acuradas. A mãe de Reynaldo Purim tinha uma grande clareza e acurada compreensão das coisas como são e não como elas parecem ser. Sua mente era mais indutiva que dedutiva; ela geralmente pesquisava conclusões gerais baseadas sobre fatos por ela observados. A herança característica de Reynaldo Purim constitui uma complexa combinação de muitas características, encontradas em seus ancestrais, os quais manifestavam-se distintamente em certas circunstâncias.

Quando Reinaldo Purim estava com nove (9) anos de idade, sua mãe o matriculou na escola da comunidade e então ele começou sua vida escolar. Naquele tempo ele já estava apto para ler, escrever e fazer algumas operações aritméticas. Os colonos letos se preocupavam em ensinar estas coisas para seus filhos antes de serem mandados para a escola.

A escola onde Reynaldo Purim começou sua aprendizagem fora de casa, era dirigida por um professor autodidata e sem uma formação sistemática. Ele não conhecia nada acerca de princípios modernos de pedagogia. Ele tinha aprendido as coisas sem método e assim ele ensinava a seus alunos. Purim começou sua vida escolar aprendendo os princípios da gramática leta, aritmética, alemão e português. O método para o estudo da língua, se assim podemos chamar, era a memorização de vocabulário e fazer traduções do alemão e português para o leto e vice-versa. Na escola não havia método de ensino, mas havia um forte espírito de competição entre os alunos. Cada um queria avançar mais que os outros para alcançar a melhor nota e, em razão deste fato, havia um bom progresso. Muitas vezes Purim pedia para sua mãe em casa testá-lo na tarefa para o dia seguinte, assim ele poderia ter certeza de que realmente o sabia. Purim naquele tempo tinha muito boa memória e por esta razão podia memorizar vocabulários alemães ou portugueses sem dificuldades. Ele avançou no estudo do alemão mais do que o português, porque em casa o português era muito pouco conhecido e ninguém podia ajudá-lo na preparação das tarefas. Na solução de problemas de aritmética, Purim trabalhava lentamente e com concentração. Ele resolveu conhecer mais pelo treinamento que pelo uso de regras de memória sem muito raciocínio. O professor não tinha idéia acerca deste processo de aprendizado dos deveres de casa, e por esta razão ele manifestava insatisfação quando Purim não podia finalizar os problemas de aritmética tão rapidamente quanto os outros meninos. Purim encontrou estas dificuldades, mas não sabia a razão disto.

Purim estudou debaixo da direção deste professor cerca de três anos. Depois o professor mudou-se para outra colônia de letos no mesmo Estado e a escola foi fechada. Após alguns meses haviam chamado outro professor para assumir a direção da escola. Purim prosseguiu seus estudos durante um ano sob a direção de um novo professor. Este era um autodidata como o primeiro, mas tinha melhor experiência no ensino. Sua vantagem sobre o primeiro era o seu dom natural para escrever poesia e prosa. Além de ensinar, ele escrevia poemas e artigos para alguns jornais e revistas letãs publicadas na Letônia e nos Estados Unidos. Na escola ele dava muita atenção à escrita e composições. Purim encontrou muita atração nas tarefas de temas assim como descrições de coisas ou eventos sociais. Infelizmente Purim não pode estudar com este segundo professor mais do que um ano. Seu pai tinha que mandar outros filhos para a escola e Reinaldo tinha que deixar a escola uma vez que seus irmãos deveriam ir.

Enquanto Purim estava frequentando a escola, ele não estava consciente do seu interesse intelectual, porque sempre estava engajado nas tarefas da escola. Mas quando ele deixou a escola, começou a sentir necessidade de mais estudos. Ele tentou tomar lições pessoais à noite, duas ou três vezes por semana, mas este plano ele não pode levar por muito tempo.

Quando Purim estava com aproximadamente treze anos de idade, começou a ler livros de diversos assuntos. Os lares dos letos em geral são suficientemente supridos com bons livros e jornais e assim era também o lar de Purim. Ele tinha à disposição muitos livros nas línguas leta, alemã e alguns poucos em português. Purim gastava em leitura o máximo tempo que podia. Ele lia durante o período de recesso, à noite e no inverno levantava-se cedo para ler. Seu pai dizia às vezes que Reynaldo tinha gasto muita querosene com a lâmpada, porém ele não dizia isto seriamente, porque entendia que era a aspiração mental de seu filho.

Por aquele tempo Reynaldo Purim foi recebido como membro na União de Mocidade da igreja local. Esta organização possuía dois ou três mil livros que os membros podiam ler gratuitamente. Isto foi uma oportunidade para o rapaz obter novo material para ler. Naquele tempo Purim não tinha especial interesse em definido assunto; ele lia qualquer livro que podia obter. Biografias o impressionavam mais que outras leituras. Num período de cerca de um ano ele tinha lido livros de geografia e descrição sociais da Letônia, Palestina, Egito, Rússia, Suíça, Noruega e outros países. Ele estava um pouco familiarizado com as experiências dos imigrantes que foram da Europa para a América do Norte e encontraram uma nova vida no novo mundo. Purim leu com um especial interesse as biografias de Pieter Maritz e Dolf, dois heróis bôeres na guerra contra o Sulus e a Transilvânia e a república de Orange, na África do Sul. As biografias de James Garfield, Presidente dos Estados Unidos, e de Benjamim Franklin, o inventor de para-raios, inspirando coragem em Purim para realizar em sua vida algum grande ideal apesar de ser um simples sitiante. Além dos livros da Letônia, Purim lia algumas poesias de Goethe, Schiller e Heine. A influência germânica sobre o sitiante leto de Rio Novo era forte e construtiva. Os letos tiveram sempre boas relações com os colonos alemães que viviam perto de Rio Novo. Alguns letos assinavam jornais da Alemanha ou de cidades brasileiras como Porto Alegre e São Paulo. Além de literatura, os letos encomendavam da Alemanha instrumentos de música e outros artigos por causa de sua boa qualidade e baixos preços. Purim era constantemente influenciado pelo pensamento germânico. Ele tinha também grande simpatia pela posição de pregadores ingleses como Maclaren, Talmage e Spurgeon, cujos sermões e outros escritos tinham sido traduzidos para a língua leta. Purim não conhecia muito acerca dos Estados Unidos enquanto era menino. A única fonte de informação que ele tinha acerca dos Estados Unidos era de alguns jornais publicados em Chicago e Nova York, mas eles traziam especialmente notícias de movimentos religiosos entre os letos que viviam nos Estados Unidos e não davam uma idéia da vida nos Estados Unidos como um todo. O mais efetivo fator que desenvolveu a imaginação de Purim quando era um menino da roça, foi a leitura de um livro de astronomia. Era escrito num estilo descritivo e para a mente de pessoa comum. A idéia de infinito, o qual Purim não pode alcançar, o impressionou mais que alguma outra leitura. Até revelou-se a ele que tinha aplicada sua imaginação somente nas limitadas coisas e nunca tinha tido idéias que eram grandes demais para sua mente. Daquele tempo em diante, Purim passou a ter um interesse especial por coisas que apelam para a mais alta imaginação e pensamento, assim como as causas primárias e os últimos fins ou propósitos das coisas. Enquanto Purim era um rapaz vivendo na roça, ele era afetado por muitas influências intelectuais complexas e de muitos pontos de vista. Ele não tinha específico interesse; ele lia todos os assuntos com mais ou menos igual interesse.

Quando Purim alcançou a idade de aproximadamente quinze (15) anos, aconteceu a mudança na sua vida intelectual. Ele perdeu interesse por leitura de livros sem propósito definido. Ele começou a pensar a respeito do que devia ser ou que fazer durante a vida. O problema de sua carreira era prioritária. Sua mente estava aberta e procurando algo definitivo invés de algo indefinido. O irmão de sua mãe, que era um jornalista por conta própria e diretor de um jornal diário em alemão na cidade de São Paulo, queria que Purim se tornasse um jornalista como ele. A princípio o rapaz sentiu alguma atração para aquela carreira. Ele começou a escrever descrições de eventos sociais, de costumes etc. e o enviou para Riga, Letônia, para publicação. Ele teve grande alegria quando viu algum de seus escritos publicados no jornal da Letônia “Avots” (que quer dizer ‘fonte’), e ele pensou em ser mesmo um jornalista. Mas depois de algumas reflexões, Purim não gostou muito da vida de jornalista como a de seu tio. Ele não gostou das muitas discussões e assuntos polêmicos acerca da política nacional e internacional na qual seu tio estava engajado. Em 1914, quando a Grande Guerra começou, os jornais alemães eram publicados com muita dificuldade e debaixo de severo controle do governo. Todas estas coisas levaram Purim a desistir da idéia de se tornar um jornalista.

Naquele tempo a Igreja Batista de Rio Novo chamou um novo pastor, um homem procedente do Colégio e Seminário Batista do Rio de Janeiro. Ele sugeriu que Purim deveria ir para a escola de onde ele tinha vindo. O jovem ficou muito interessado neste novo plano. O pastor falou com o pai de Purim acerca deste assunto. Ele apresentou algumas objeções por razões financeiras e que o filho não tinha idade suficiente para cuidar de si mesmo em um novo meio ambiente. Mas finalmente ele disse que cada idéia poderia ser colocada em prática algum tempo mais tarde. Esperando pela possibilidade de ir à escola, Purim estava com cerca de 17 anos de idade. Sua memória não era tão boa como tinha aos 12 anos. Ele fez todos os esforços possíveis para adquirir mais conhecimento do português. Ele estudou cerca de um ano e adquiriu um bom conhecimento de leitura daquela língua.

Assim chegou a mudança na vida da igreja, a qual Purim sentiu mais que algum outro. O pastor foi chamado para outro Estado e Purim ficou sozinho sem alguma ajuda para os seus estudos. Ele nunca tinha tido muitos amigos porque suas aspirações eram diferentes daquelas dos outros rapazes. Assim é que ele relembra que tinha somente dois amigos entre os jovens da comunidade com os quais ele podia manter amizade, porque eles tinham mais ou menos os mesmos interesses intelectuais. Os outros não eram inimigos nem amigos, porém especialmente como estrangeiros porque seus interesses eram por coisas que não apelavam muito para ele. Todavia Purim sentia a separação do pastor mais que qualquer outro na comunidade, porque ele era o único amigo interessado na sua melhor formação.

Depois de um tempo de considerações, Purim decidiu assumir por si mesmo que devia realizar seu ideal de obter melhor formação. Ele tinha já decidido sua carreira na vida: sua vida deveria ser gasta no trabalho pastoral. Ele queria mais preparo para um definido propósito. Ele apelou para sua mãe e pai por permissão e meios para que pudesse ir ao Colégio e Seminário Batista do Rio de Janeiro. Os pais de Purim viam que seu filho tinha um definido propósito em sua vida, por isso deram-lhe permissão para ir à escola e prometeram sustentá-lo financeiramente. Purim ficou muito feliz quando alcançou esta vitória. Não foi muito fácil tomar esta resolução porque significava separação de seu lar por um longo tempo, porém ele não hesitou em ir em frente para a realização de seu propósito. Em 20 de fevereiro de 1917, Purim deixou seu lar e a vida na roça e foi para o Colégio e Seminário do Rio de Janeiro.
R. Purim – 9 de dezembro de 1927.

Meu Pai Karlis Andermann | por Júlio Andermann

O MEU PAI CARLOS ANDERMANN
Por Emilio Andermann
Traduzido do leto por Júlio Andermann
Comentários e revisão por Viganth Arvido Purim
Digitado por Lauriza Maria Corrêa
Material gentilmente cedido por Alice Gulbis Anderman

A atividade missionária de Carlos Andermann no Brasil está intimamente ligada ao trabalho na Igreja Batista Leta em Rio Novo – SC – onde a sua peregrinação, neste país, teve início.
Esta Igreja foi fundada por diligentes Letões oriundos da cidade de Riga, que curtiram a falta de sorte por se estabelecerem num terreno bastante montanhoso e pedregoso. Este fato explica o motivo por que, hoje em dia, esta Colônia, está quase abandonada, embora esta região goze de um clima excelente.
Qual foi o motivo que animou os habitantes de Riga a viajarem para o Brasil? Os operários daquela cidade originários de todas as regiões da Letônia e de algumas “gubernhas” da Rússia – que conseguiram ganham algum dinheiro aproveitando os tempos floridos da industrialização moderna – foram dolorosamente atingidos pela crise mundial de 1889 – 1890.
O historiador da Comunidade Batista Leta de Rio Novo, Júris Frischenbruder, assim descreve este período:
“As fábricas pararam de funcionar, havia muito pouca produção e a maioria dos empregados estava sem trabalho. Também a construção civil diminuiu o ritmo e o povo perambulava pelas ruas procurando emprego.
P. Salit e B. Balodis, que já haviam pesquisado as possibilidades da emigração, faziam conferências elogiosas sobre o Brasil e também foi editado um livro sobre este tema. Aruns e outros patrícios, aqui já estabelecidos, escreviam cartas dando notícias animadoras sobre a nova Terra, que eram lidas com muito agrado. As dificuldades da Terra Natal nos esgotavam e as benesses os convidavam, isto posto, a caminho, embora com tristeza e lágrimas de despedida dos entes queridos.
Não se pode negar a grande significação do pioneirismo da emigração letã para a Colônia de Rio Novo. Estes homens que vieram fortes, decididos e de muita coragem; quando lentamente se dispersaram fundaram novos pontos de imigração“.

Sobre o ensino escolar, as palavras do historiador são as seguintes:
“Desde o início a Congregação Batista se preocupou com o ensino e para a construção da escola foi adquirido um terreno. O primeiro professor a estabelecer uma pequena escola – alguns dias por semana – foi Ansis Elbert, que durou algum tempo.
Mas o principal entusiasmado divulgador do ensino foi o pregador João Inke (que permaneceu um ano em Rio Novo).
Embora a primeira escola tenha sido fundada por iniciativa particular e que convidou o professor Wiliam Butler, pagando-lhe as despesas de passagem; depois de um ano de funcionamento, o empreendimento ficou sob a responsabilidade da Congregação Batista.
Este mestre iniciou a escola em junho do ano de 1900. Ele empregou todo o seu esforço para que esta iniciativa desse bons frutos, pois até fundou uma classe noturna da qual participavam até os irmãos mais idosos.
Wiliam Butler também elaborou um pequeno compêndio de ensino da língua portuguesa acompanhado de vocabulário.
Os alunos diligentes tiveram muito êxito, mas ele mesmo, sentindo a necessidade de ampliar os próprios conhecimentos, em julho de 1903, despediu-se e viajou para a América do Norte. Outra vez, durante dois anos, a escola ficou sem professor.
Mas a Congregação não desanimava e, novamente, juntou dinheiro para pagar a passagem de imigração para um novo professor, dando assim prioridade absoluta para a instrução dos filhos.
O professor Carlos Andermann chegou em 1905 e no mês de agosto teve início à atividade escolar. Naquela ocasião o número de crianças era maior e a sua esposa Emilia foi solicitada para ajudar a dar aulas. Tudo isto foi muito agradável e trouxe um bom resultado. Habitualmente ele dizia: “quando se afaga a cabeça de uma criança a língua se solta e o cérebro assimila melhor”.
Ele exerceu aquela função durante quase 5 anos, até que resolveram mudar-se para Mãe Luzia”.

“Ans Elbert deu continuidade a este trabalho de junho de 1910 até junho de 1913. Pegou os alunos já mais crescidos e por isto desobedientes, e o número deles aumentou, mas a sua atividade deu bastante resultado”.
“Carlos Leiman foi professor desta escola no ano seguinte, mas teve que deixar o cargo por que assumiu o trabalho de missionário itinerante. Ansis Albert foi o continuador desta obra, mas não conseguiu lecionar por muito tempo por causa da debilidade da sua saúde. Outra vez passou um período sem escola por falta de professor, até que os pais que tinham filhos na idade escolar, convidaram João Frischenbruder, que para reiniciar o trabalho, que recebeu uma pequena ajuda financeira da Congregação, e trabalhou no período de janeiro de 1917 até 1918, com bons resultados. Nova interrupção de meio ano até junho de 1918 quando a Congregação convidou Wiliam Butler, junto com a sua esposa Marta (nascida Anderman) para ser professor e ela sua substituta eventual. Ele também conseguiu uma verba do Governo para apoiar esta Escola. A Congregação estava satisfeita, mas esta felicidade não durou por muito tempo por que foi convidado para ocupar o cargo de professor do idioma Inglês em Curitiba para onde viajou em julho de 1920 causando grande desilusão. Emilio Anderman exerceu o cargo durante um ano com bons resultados, mas com uma despedida festiva ele viajou para estudar nos Estados Unidos. Em continuação F. Freiman trabalhou durante um ano e fez o que pode.
A Congregação continuou procurando um bom mestre, até que em junho de 1924 chegou Carlos Stroberg e durante meio ano ocupou o cargo de pastor. Depois teve licença de dois anos para completar os próprios estudos, em Curitiba, para exercer legalmente a profissão e novamente reiniciou a escola em 1927 lecionando com muito êxito. Ele trouxe a esperança de que a colônia italiana também mandaria os seus filhos para estudar; mas em vão… depois de festejar o término do ano letivo em 1928, esgotaram-se as esperanças – o mestre deixou Rio Novo”.
“A cada ano que passava a Congregação ficava menor em número de membros e possibilidades financeiras, mas não ficou totalmente sem a escola; em 1931,

através do empenho de Oscar Karp, sob a direção da professora Zichman as crianças foram bem assistidas”.
O desempenho do trabalho de Carlos Andermann em Rio Novo, o historiador Júris Frischenbruder ainda apresenta com mais detalhes e é interessante anotar as suas observações; embora o escritor, ele mesmo, na infância tenha chegado como imigrante junto com os seus pais; tenha dado mais ênfase as considerações sobre a vida da Congregação Batista, mas que também abrangem a vida da Escola. A principal preocupação de Carlos Andermann foi à vida espiritual. Frischenbruder assim descreve este período de sua existência:
“Na reunião extraordinária da Congregação no dia 24 de abril de 1904, o irmão Janson foi encarregado de escrever uma carta ao professor e pastor Carlos Andermann, para a Letônia, a fim de convidá-lo a ocupar os cargos, Na Congregação Batista e Escola Primária, em Rio Novo. Este convite ele aceitou com entusiasmo. Então foram enviados 505 mil reis para pagar as despesas de mudança, ao que ele respondeu que esta oferta foi para ele uma surpresa agradável.
A família Andermann foi recebida numa reunião cordial e festiva, em agosto de 1905. Aos domingos ele dirigia os Cultos e nas quartas-feiras à noite – reuniões de oração; que foram as suas principais preocupações e que trouxeram muitas bênçãos.
Nos dias da semana ele lecionava como professor da escola primária. Sendo um homem de uma índole mansa e introspectiva, em outros trabalhos da Igreja ele teve um desempenho modesto. A sua principal preocupação foi o trabalho missionário nos logradouros vizinhos, ação na qual foi estimulado por vários irmãos e apoiado pelo coral da Igreja, que muitas vezes se deslocava junto com o pastor para abrilhantar os cultos. Neste trabalho os principais cooperadores foram W. Lieknin, W. Leiman, G. Auras e principalmente Artur Leiman.
Eles saíram para pregar a palavra de Deus em Pedras Grandes, Brusque do Sul e nos povoados do alto da Serra. Vários brasileiros se converteram, foram batizados e se tornaram membros estáveis da Congregação.

No alto da Serra foi realizada uma festa de batismo, a qual compareceram 20 irmãos e irmãs, ocasião na qual foi batizado Emanuel Bessa e senhora. Este trabalho missionário corria pleno de bênçãos; os ouvintes se comportavam com educação e respeito. Foi pena que com a saída do Pastor este trabalho não tivesse continuidade. Na Congregação de Rio Novo também eram realizadas festas de batismo.
A irmã Emilia Andermann (nascida Kantzberg), tomava participação ativa na direção da Escola Dominical. De acordo com a opinião de W. Karklin, ela foi uma líder e sob a sua orientação a escola muito se desenvolveu. Tinha uma boa voz e gostava de cantar e com este dom servia no coro da Igreja, na parte musical da Escola Dominical e nos cultos de oração. Lentamente a Congregação foi se desenvolvendo satisfatoriamente.
Em um domingo por mês, com a participação da Junta das Missões, a Congregação realizava um culto onde se divulgavam noticias missionárias da China, Índia e outras partes do Mundo, quando no jornal doutrinário mensal “A Fonte” apareceram as primeiras notícias sobre o movimento pentecostalista de Los Angeles, dos Estados Unidos; movimento sobre o qual J. A Frey líder dos Batistas tradicionais da Letônia assinalou; “Se isto é verdade então esse movimento espiritual suplanta aquele dos Atos dos Apóstolos”. Nesta doutrina o pregador Andermann acreditou e aderiu, esperando obter estes dons espirituais de falar línguas estranhas, profetizar e curar os enfermos.
Assim pouco a pouco surgiu o desentendimento na interpretação doutrinária entre a Congregação e o Pastor. Por várias vezes os membros da direção da Igreja dialogaram com Carlos Andermann, solicitando para que ele continuasse a dirigir os trabalhos da Igreja como já vinha fazendo, mas em 29 de novembro de 1908 ele propôs a Igreja para convidar o Pastor Wiliam Butler para substituí-lo. Depois de uma despedida na qual foram apresentados cânticos e pequenas falas… nossos corações estão tristes por causa desta separação… o Pastor deixou o cargo, em boa situação econômica”.
Ainda transcrevendo as observações do historiador:

“Carlos Andermann tinha o diploma de ginásio do regime escolar do Tzar Russo. Antes de vir para o Brasil havia trabalhado na livraria de J. A Frey e também como Colportor (vendedor ambulante de livros). Enquanto viajou pela Rússia como missionário ele havia observado o extremo estado de miséria dos lavradores; mas o que mais nos impressionou como crianças era uma fotografia na qual ele aparece montando num cavalo árabe branco, vestido de “xeique”, com uma espingarda de cano longo nos ombros, que era uma lembrança da sua estadia na Palestina. A Junta Missionária Leta o havia mandado para lá, durante vários anos, a fim de converter os peregrinos russos que visitavam a Palestina por que era proibido fazê-lo na Rússia, mas ali na Terra Santa esta determinação era inútil. Lá ele adoeceu com uma febre tropical e a sua vida foi salva da morte graças aos cuidados de um centro missionário alemão. Esta enfermidade interrompeu o seu empreendimento na Palestina”.
“Emilia Andermann (nascida Kantzberg) na sua juventude trabalhou numa Fábrica de Tecidos. Uma senhora da nobreza alemã, Firsten Liven, deu-lhe a oportunidade de estudar numa escola de economia doméstica, para depois empregá-la na sua mansão da fazenda como administradora feminina. Ao mesmo tempo exercia a função de professora primária, mas sem receber salário, proibido pelas Leis do Tzar, por isto sendo recompensada em forma de presentes. Quando já no Brasil, recebeu a notícia de que um dos seus ex-alunos fora fuzilado pelos Kossakos, pelo crime de ter sido surpreendido hasteando uma bandeira vermelha na passagem do ano para 1905”.
Carlos Andermann quando emigrou para o Brasil, trouxe em sua bagagem uma vasta biblioteca sobre vários assuntos, nos idiomas letão, russo, alemão e inglês, incluindo enciclopédias, dicionários, tratados de teologia e pedagógicos.
Dominando vários idiomas foi fácil para ele assimilar a língua portuguesa que ele aprendeu através de um método de ensino moderno alemão. Então ele usou estes livros de ensino em alemão, incluindo o dicionário, para aprender o português, por que não os havia em letão.

Este sistema de ensino ele também usou na sua escola primária, ensinar primeiro o idioma alemão aos descendentes de letões e a partir daí, a língua portuguesa simultaneamente. Os alunos mais diligentes acabaram dominando os dois idiomas, mas os menos dotados e aqueles que ajudaram os pais, na parte da tarde, nos trabalhos da lavoura, ficaram no meio do caminho, também por que, naquela época, a língua alemã era mundialmente muito considerada, devido à expansão do Imperialismo germânico; mas não me consta que aqui a sua literatura tenha resolvido algum problema técnico ou estabelecido intercambio cultural com aqueles alemães que imigraram para Santa Catarina e que tinha pouca escolaridade.
Aqueles alunos que dominaram os idiomas podiam conversar com os alemães e os brasileiros e usá-las na prática como: comerciantes, construtores e artesãos de outras profissões.
A forte corrente de nacionalismo letão, no meio dos Batistas, se apresentou como um avivamento religioso. Nas aulas de Carlos Andermann também se aprendia o idioma letão, mas não com tanta insistência que conseguisse, a nacionalidade dos antepassados, imprimir no seu caráter.
A não ser a religiosa, não havia literatura accessível para praticar a leitura da linguagem escrita. O que se fazia e que na ocasião era o suficiente é que toda a mocidade conseguia se comunicar no idioma letão falado. Agora, as novas gerações evitam falar o idioma, por que não tiveram a oportunidade de aprende-la.
A influência da escola da Congregação Batista do Rio Novo deixou uma impressão forte em toda da redondeza. As famílias alemãs que habitavam o local, mandavam os seus filhos estudar naquela escola – embora por pouco tempo – por que eles não eram persistentes e muitas vezes mudavam de lugar. Entre os alunos havia um tal M. Cruz, de nacionalidade brasileira que adotou os costumes, o modo de vida dos letões e a religião Batista, aprendeu o idioma e os seus filhos, hoje encanecidos, ainda não esqueceram esta língua.
Uma menina de cor preta, oriunda de uma antiga família de escravos, por muito tempo trabalhou para uma família leta. Aprendeu a falar o idioma, adotou os

costumes. Depois casou e foi morar em outra localidade, mas apesar o isolamento ensinou aos 6 filhos a falar o letão.
Continuando a avaliação do trabalho do professor Carlos Andermann, devemos adotar como exemplo de que falou Cristo: “a árvore se avalia pelos seus frutos”. A juventude daquele tempo teve poucas oportunidades de estudar. O seu trabalho era derrubar florestas e arrancar raízes e tocos; mas apesar disto, muitos alunos do meu Pai progrediram como profissionais artesãos, comerciantes, professores, pastores entre os quais destaco o W. Leiman.
Mas o expoente máximo foi Charles Salit que exerceu o professorado em Nova York e alcançou o grau de professor de Filosofia e ficou amplamente conhecido como pensador e conferencista. Descrevendo a própria biografia, em várias páginas, ele lembra o “profundo caráter” de Carlos Andermann.
Então surge a pergunta – por que ele não se contentou em Rio Novo? A sua principal preocupação sempre foi à espiritualidade que lá não foi correspondida, mas apesar disto ele conseguiu realizar muita coisa, talvez mais do que os seus sucessores; mas certamente também lhe interessavam as várzeas marginais do Rio Mãe Luzia – aquelas planícies que prometiam poder ser cultivadas com técnica agrícola mais avançada. No entanto quando ele chegou, as melhores terras já estavam ocupadas e o que sobrou para ele, era plana, sim, mas também tinha charcos. Num país como Brasil onde a agricultura se caracteriza como seminômades (os lavradores cultivam a terra em sua superfície, mas esquecem as camadas mais profundas, por isto ela se esgota, eles se mudam e reiniciam o ciclo), o agricultor letão é uma exceção, por que se firma, constroem casas confortáveis cercadas de pomares e horta. Comentando o último período de sua vida no Estado do Rio Grande do Sul, pode-se dizer que ele alcançou o seu objetivo perseguido durante toda a sua vida – incluindo a idade bastante avançada.
Até o fim permanece o fiel cooperador dos Pentecostalistas (Assembléia de Deus), contribuindo na tradução de sua literatura dos idiomas inglês e alemão para o português.

Estes trabalhos que incluem hinos podem ser contados em milhares. Eles nunca foram colecionados e a maioria não traz o nome do tradutor.
Jaz no cemitério protestante da cidade do Rio Grande, numa sepultura perpetuada pelos filhos na intenção da colocação de uma lápide.

Traduzido do Letão em agosto de 1991 por Julio Anderman

Despedida do Pastor Karlis Anderman | Autor desconecido

A034-1910

DE RIO NOVO NO BRASIL

Traduzido do “AVOTS” ( A Fonte) n° 36 – 1910 – pág. 42.8 por V.A.Purim
Autor desconhecido

Em paciência nós Rionovenses temos conseguido deles grande lição, e cremos ter aprendido bastante. Especialmente, quando eles tinham se desligado da igreja e ainda assim durante meio ano se serviram dos espaços do templo e usaram também da área de terra, não dando satisfação aos reclamos da igreja.
Como já informado, no momento mais critico o grande Deus nos mandou o missionário e pastor Ir. Fr. Leiman, que trabalhou com os melhores resultados. Aqueles foram tempos de novo alentos vindos do Senhor.
Aconteceu que a igreja voltou a saúde, deduzindo um, que poder ser que por amizade juntou-se ao Anderman. O Anderman se preparou devagar e finalmente em 17 de julho mudou-se com toda a família para Mãe Luzia, como ouvimos dos colonos que foi a melhor opção.
A sociedade de senhoras organizou um ágape fraternal para as despedidas, no templo, da família do E. Anderman, com hinos, pronunciamentos. Estavam juntos batistas, adventistas e pentecostais. Ouvindo os pronunciamentos lembrei da lenda de Krilou sobre o caranguejo, o peixe e o cisne. Assim aqui também todos tem o mesmo objetivo – o céu. Mas cada um quer chegar lá pelo seu caminho particular. Então o idoso irmão adventista M. Indrikson convidou o caminho para a nova terra, que Deus prometeu ao seu povo. Por último, com convicção assegurou, que os mentirosos lá não entrarão (por si mesmo pois quem não guarda o “sabat”, isto é transgressor dos mandamentos e mentiroso). No pronunciamento seguinte convidou para ir com ele conversar sobre as Escrituras Sagradas e procurar os seguintes temas: os batistas pensam que a vida eterna será no céu e o milênio aqui na terra; ele porem pensa exatamente o contrario e por isso é necessário tirar o assunto a limpo.
Um participante da reunião protestou contra tal proposta. Para quem sabe, que Jesus é o único caminho! Em seguida falou o irmão Anderman, incentivou os irmãos e irmãs, se temos a verdadeira convicção da vinda de Cristo, para ele, especialmente “nos últimos tempos” possui grande convicção, e finalmente apontou: “a vocês batistas tem uma falsa convicção.”
Finalmente E. Anderman falou outra vez (a primeira foi para as crianças) falou a sociedade das senhoras e aos demais.
No inicio só lisonjas, antigamente todas unânimes oravam por alguns, que fora da igreja, mais tarde a sociedade esfriou. Assim mesmo Deus ouviu, pois aqueles se uniram à igreja. Daí passou para o seu tema verdadeiro. Que já passaram uns vinte anos de crença, mas nunca se dedicaram plenamente ao Senhor Jesus. Sempre tiveram que lutar com o pecado e não tiveram segurança.
Cada dia uma voz lembrava: “não esta bem, não está bem” até que enfim (no movimento pentecostal) se entregou totalmente a Jesus e tem paz, segurança, que se revestiu no seu sangue. Não está pecando mais e aquela voz esta a dizer: “tudo bem, tudo bem”. Então convidou a nós (batistas) a fazer como ela (?) pois nós não sabemos quanto é bom, quando nós no entregamos plenamente a Jesus, etc, etc.
Convenhamos, deste longo pronunciamento estamos apenas escrevendo o esboço.
Quem ler a oração do fariseu, quando ambos estavam no templo com o publicano então teremos o mais claro retrato a nossa frente.
Entre os presentes alguns protestaram, com as palavras e também com os trabalhos, cujos estão tão longe uns dos outros como a manhã do anoitecer.
Os batistas falavam, que esta noite de despedida é costumeiro uns incentivando a outros. Assim mesmo seria desejável um linguajar mais elegante.
Enquanto termino, peço aos amáveis leitores para mais um quadro dos resultados deste movimento. Após o desligamento da igreja K. Anderman se associou com alguns ex-batistas e adventistas e nas proximidades pregavam suas idéias. Eles conquistaram alguns adeptos brasileiros, que queriam ser batizados.
Após uma averiguação eles foram aceitos foi designado o dia para os batismos. No dia aprazado reuniu-se um bom numero de pessoas, esperaram até ao anoitecer, mas – sem batismos! A desculpa foi, que “o Espírito” naquele dia não permitiu a Anderman a fazê-lo, embora que ele como um pastor a tantos anos tinha preferência.
Daí, uns interrogavam a outros, que fazer, mas ninguém fez nada. Até que enfim chegaram a conclusão, que seria melhor não demonstrar aos presentes a sua falta de coordenação, e pedir a Deus que mostre uma nova ocasião para o evento.
Passou um longo tempo, mas de batismos não ouvimos nada. Também da igreja “aliança” ninguém mais falou sobre sua fundação com o lava-pés não foi adiante.
Mais adiante a estes adeptos do movimento pentecostal conseguiram arrebanhar um jovem brasileiro, ate que em uma assembléia desligou-se voluntariamente da igreja com atitudes de grande triunfo. Estavam presentes também os dirigentes do movimento pentecostal para testemunharem tão importante acontecimento.
O jovem ainda afirmou que em nossa igreja ele se portou como hipócrita e que agora ele é um verdadeiro crente. Pobre jovem, poucas semanas depois, na citada “aliança” sentiu-se logrado, que decidiu voltar aos católicos. Sim, pelos frutos conhecemos a arvore.
Autor??????

Organização da Igreja Batista Leta de Ijui | Autor desconhecido

A008-1995

O Trabalho
Batista Leto no Sul do Brasil.

Autor Desconhecido
Publicado “Kristiga Draugs” Nº 04/95.
Traduzido por V.A. Purim

Este ano assinalou a passagem do Centenário, de uma das primeiras e agora mais antiga Igreja Batista Leta do Brasil. – A Igreja Batista Leta de Ijuí situada na chamada Linha 11 no Município de Ijuí é sem dúvida a mais meridional de outros centros letos ficando a 120 km da Argentina e a 500 km do Uruguay.

As primeiras famílias que chegaram em Ijuí foram as Akeldans, Kudis, Krombergs, Ulrikis, Mikelson e Priedes quais vieram da Argentina e se instalaram entre as Linhas 4, 5 e 6 do lado oeste do centro da pequena vila de Ijuí, mas o “Lielais “Zakis’ (Grande Coelho) e o Janis Zakis e o Indrikis Paise se instalaram entre as Linha 7 e 8 no lado leste do centro da cidade. Isso aconteceu no ano de 1892. E eles eram todos luteranos.

Um ano depois, no final de 1893 vieram mais, as seguintes famílias: Zjanis Alecsandrs e Lina Keidam, pais do Pastor Rudolf Keidans e avós do William, Benjamim e Karlis Keidan; André Keidans e os filhos Janis, Frizis e Albert; Toms Ukstins com a esposa Emilija e a mãe dela, estes eram os pais do Pastor Karlis Ukstins; estes todos vindos da recém fundada colônia Leta de Rio Oratório. Esta ficava aproximadamente 10 km da primeira colônia leta do Brasil a de Rio Novo no Município de Orleans. Quase nesta mesma época chegaram ( De onde?) as famílias de Ans Vitins, Janis Grims, Jekabs Udrs, Janis Daniels, Indrika Folks, ”Maza”Hartmann (Pequena Hartmann), “Vetza”Samiesha, (Velha). Jekabs e Juris Nazaroffs, Jukum Makevics, Jekabs Gebaurs, Janis Arrais e Mikej Soluns. Do Município de Dom Feliciano vieram as famílias de Juris Links, André Krievins e Lorenc Stekers. – Ainda de Rio Oratório vieram as famílias de Ans Gailis e Fricis Garozs com os filhos. Todas estas famílias se instalaram entre as Linhas 10, 11,12 e 13 do lado Leste. A maioria destas famílias era Batista.

No começo os cultos eram realizados nas casas de Zjanis Keidam, André Keidans e Jukum Makevics e no dia 23 de março de 1895 com 30 membros era fundada a Igreja Batista Leta de Ijuí e durante os primeiros 4 anos foi dirigida pelo Irmão Jukum Makevics (? -1930). Esta era a terceira Igreja Batista Leta no Brasil e a primeira e única no Estado do Rio Grande do Sul. (Depois de Rio Novo e Rio Oratório). Quando em 1898 na inauguração do seu primeiro templo o número de membros era 70. Construíram um prédio para a escola de seus filhos mas o problema, nestas circunstâncias era conseguir um professor.

Um dos grandes acontecimentos na vida das Igrejas Letas no Brasil foi a visita do Pastor Janis Inkis. De 1897 até 1899 visitou todas Igrejas Letas existentes no Brasil em resumo nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em Ijuí ele chegou em janeiro de 1899. Como a maioria dos membros tinham vindo das mais diversas Igrejas e com variados costumes tinham aparecido desavenças e alguns grupos prestavam os seus cultos em separado. Então o primeiro trabalho do Pastor Inkis foi eliminar as aparas e unificar a Igreja. Ele chegou ao extremo de sugerir a inutilização dos Livros de Atas anteriores para que nenhuma desavença fosse levantada baseada em casos antigos que alguém tenha dito ou feito. Demonstrou um grande interesse pela solução do problema da escola e do Professor. Em conjunto com os letos luteranos e vizinhos alemães foi organizado um comitê. Para o problema do professor surgiu uma solução inesperada, pois chegou da Argentina o Sr. André Gailis para visitar o seu pai do qual ele tinha se separado em Rio Oratório. Lá na Argentina ele tinha trabalhado de professor. O Pastor J. Inkis incentivou para que ele ficasse em Ijuí. O pastor Inkis também resolveu o problema do cemitério e estabeleceu um sistema de Correio(?). – Durante o período que ele ficou, foram batizados 12 novos membros.

Ele escreveu para os seus parentes em Lubini, perto de Nowgorods na Russia onde moravam em uma colônia leta sobre as possibilidades da terra brasileira e 1899 antes mesmo de voltar para a Europa recepcionou seus pais irmãos e irmãs que se instalaram na recém fundada colônia de Jacu assu próxima da atual Massaranduba em Santa Catarina.

No ano de 1900 a Associação Missionária Batista Alemã da América enviou para o Brasil o Missionário Heirich Svendener que também visitou a Igreja Leta de Ijuí. Vendo três Igrejas Batistas no Estado de Rio Grande do Sul: duas Alemãs uma em Porto Alegre e uma em Formoza e uma Leta em Ijuí e ainda mais 4 Igrejas Letas no vizinho Estado de Santa Catarina ele reconheceu que seria um bom início para um trabalho da Missão Alemã no Sul do Brasil. Voltando para a América, ele conseguiu que já no próximo ano o Missionário Karlis Roth já estava no Brasil. Visitou Ijuí onde encontrou muita reciprocidade por parte desta Igreja. Em 1902 mais uma vez esteve nesta Igreja onde realizou um trabalho missionário, batizou diversos novos convertidos e fez muitos planos. No ano de 1903 ele abriu um Seminário em Porto Alegre e os primeiros 4 alunos eram letos: Alexandre Klavin, Fricis Leimanis e Janis Netembergs da Igreja Batista Leta de Rio Novo e Richards Jekabs Inkis da Colônia de Jacuassú.

No ano de 1904 Karlis Roots recomendou para pastor da Igreja de Ijuí o recém formado Alexandre Klavin (1865-1905) e prometendo ajuda da Associação Alemã da América. Depois do pastorado de J. Maskevits passaram pela função nesta Igreja os irmãos M. Ansons, Janis Arais(1853-1932) e Toms Ukstins (1872-1929). E também outro aluno de Karlis Roth: Fricis Leimanns de Rio Novo (1861- 1961), durante os anos que ele estudava 1904 e 1905 ele passava as férias ele visitava Ijuí e desenvolvia um grande trabalho de Evangelização entre os letos, alemães e brasileiros. Ele também visitava a Congregação de Neu-Württenberg – agora Panambi onde em 1902 K. Roots já tinha batizado 2 pessoas e em janeiro de 1905 F. Leimanis batizou 8 pessoas. Quando em 1906 organizou-se em Igreja dos 11 membros, 8 tinham sido batizados por F. Leiman.

Na Igreja de Ijuí surgiram desavenças chegando haver grupos que faziam os seus cultos em separado, a maior crise foi a morte do pastor A.. Klavin em 18 de julho de 1905 depois de 16 meses de pastorado. No princípio de 1907 assumiu outro da Igreja de Rio Novo o Janis Netembergs, outro aluno do Karlis Roots, mas ficou somente até o fim do ano mas fazendo um intensivo trabalho entre os brasileiros. Depois da saída do J. Netembergs assumiu o trabalho Fricis Leimanis e foi naquela época que se juntaram os irmãos de Ramadas. Em agosto de 1908 antes de voltar para os Estados Unidos o Mis. Karlis Rots visitou mais uma vez Ijuí e nesta mesma ocasião foi ordenado como pastor Villis Leimanis, (1888-1962) outro irmão do Fricis Leiman também de Rio Novo, qual assumiu a direção do pastorado mais longo desta Igreja. Ele assumiu a Igreja em 1º de setembro de 1908 e ficaram até 1923, 15 longos e abençoados anos. Naquela mesma época os irmãos Fricis e Villis visitavam Ramada ou Linha 1, onde moravam 4 batistas e recomeçaram a obra de evangelismo. Teve bons resultados e 1917 foi organizada em Igreja e assumiu o pastorado V. Leiman até 1919, quando passou para a responsabilidade dos irmãos suecos.

Em 27 de setembro de 1909 a igreja de Ijuí organizou a Congregação de Santo Angelo frutos do trabalho de F. Leiman. Ele fazia viagens mais longas a cavalo e as vezes mais de 500 km e encontrou 3 famílias batistas alemãs na Colônia Guarani que tinha imigrado da Rússia. Como ele não tinha condições de dar assistência regular a esses irmãos recomendou que procurassem o seu irmão Villis. Quando ele começou dar assistência a esta Congregação e ela se associou a Igreja de Ijuí. Deste trabalho no dia 11 de abril de 1911 foi organizada a Igreja com 48 membros que por longos anos continuou sendo visitada por V. Leimanis e deste trabalho surgiram 4 outras Igrejas. –

Continua no próximo número.

Breve histórico dos Batistas da Letônia | Por Ilgonis Janait

A003-1992

Breve Histórico dos Batistas
Da Letônia

Coligido e apresentado pelo Pastor Ilgonis Janait no dia 11 de julho de 1992 em Varpa por ocasião dos festejos do Jubileu do Cente¬nário da organização do Trabalho Batista Leto no Brasil.

Publicado na Revista “Kristiga Draugs”( O Amigo Cristão) número 03 de 1992.

Traduzido por V.A.Purim.

(Fontes históricas do autor: Janis Riss, Adolfs Klaupics, Osvald Ronis, Andrejs Ceruks, Janis Inkis, Arvids Eichmanis, Janis Eisans, Karlis Grubers, Yolanda Krievin e outros)

A Letônia, os Letos e suas Crenças.

A Letônia é um pequeno país situado entre a Estônia e a Lituânia e com uma área aproximada de 66 mil metros quadrados. O clima é temperado frio e a temperatura média anual fica entre os 6 a 11 graus centígrados positivos. A população atual situa-se aproximadamente aos três milhões de habitantes. As raízes históricas são encontradas na Idade da Pedra, isto é, mais ou menos 2 mil anos antes de Cristo e pertencem ao tronco Indo-Europeu. O termo Leto ou Letoniano vem do “lett” que significa cavar a terra ou arar, deduzindo-se assim ser agricultor. A língua leta é mais antiga que o Latim ou o Grego e suas bases não são encontradas nas línguas germânicas ou eslavas, mas, sim no Sânscrito. Até o nome da moeda no passado era, e agora novamente se chama, “latt”.

Durante sua História o povo Leto foi dominado pelos alemães, poloneses e russos.

A religião dos antigos Letos era o panteísmo naturalista. Era mais crença e tradição do que propriamente adoração. Não tinham nenhum ídolo fabricado pela mão humana nem sacrifício de sangue. Viam nas forças da natureza algum mais forte poder. A mais alta divindade era o “Velho” Pai dos Céus e todo poderoso sobre todas as coisas, doador da vida. O qual sempre tinha um bom conselho, que ajudava o agricultor nas suas dificuldades e não esquecia das viúvas e dos órfãos. Esta entidade era cantada em verso e prosa como dum homem curtido pela vida e estava em toda parte e em derredor, ora a pé, ora montado em seu cavalo branco ou ainda arando a terra…

Criam também estes na “Laima” que pode ser traduzida por felicidade ou sorte, a qual trazia alegria e felicidade. Os seus deuses os antigos Letos veneravam em plena natureza, e, para estas havia algumas árvores que tinham um caráter sagrado (carvalho e Liepa (tília cordata) e, segundo o historiador Janis Riss, a última destas teria sido derrubada em 1.875. Os antigos Letos criam na vida além túmulo, refletindo o mito do sol dos antigos Indo Europeus, que no fim do dia se põe, mas ressurge esplendoroso no dia seguinte. (Berzis=bétula -Svetberzis verif. tradução)

As primeiras tentativas de levar o Cristianismo ao povo Leto foram feitas sob a ameaça da espada. Quando o Monge católico alemão Meihard chegou à Letônia, ele obrigou os primeiros Letos ao batismo pela força. Depois dele veio o Bispo Bertholds, com a bênção do Papa e um exército de legionários cruzados pagos pelos príncipes e pelo Papa, para obrigar os Letos se tornarem cristãos à força. Na batalha contra os lívios, perto de Riga o Bispo Bertholds foi morto, o que ainda mais acentuou a ira dos cruzados obrigando mais ainda o povo a aceitar o batismo. Mas uma vez que os cruzados foram embora, os Letos foram “lavar “o batismo nas águas do Rio Daugava. O período do Catolicismo dura aproximadamente 300 anos e os Letos aos poucos vão perdendo as suas crenças e sua terra…

Com a chegada da Reforma de Lutero, pouca coisa muda. As mudanças são mais evidentes na área política e econômica. Na área religiosa pouca coisa mudou. O que estava escrito nos livros de uma igreja foi copiado pela outra.

Do ano de 1.562 até 1.795 a igreja é luterana, mas sob domínio da católica Polônia. Em 1.689 os Letos ganham a Bíblia Sagrada em sua própria língua, traduzida por Ernesto Glück.

Durante o século 18, ainda que pudessem ser encontrados Letos que nunca iam a Igreja, e zombavam do Cristianismo e ainda cultivavam as crenças de seus antepassados, já se podia ser considerada completa a “cristianização” da Letônia.

Sob o domínio da Rússia, os grandes proprietários de terras são os barões alemães. Os Letos tornam-se uma categoria de “servos”, mais para escravos, pois os barões tem poder sobre o seu corpo e alma. Podiam carregar de taxas e obrigações e muito mais Na parte pessoal chegava ao cúmulo da primeira noite da noiva leta pertencer ao barão alemão ou, também, poder obrigar ao rapaz leto a casar com a empregada leta que o barão tinha engravidado.

O barão e o pastor sempre estão de mãos dadas. Do púlpito o pastor ensina obedecer o barão. Pouca era a influência do pastor leto. A principal recomendação dos opressores é: “Esqueça que em suas veias corre sangue leto. Esqueça seu povo, seus irmãos, comporte-se como estivesse entre estranhos e não como entre os seus amigos e em sua pátria”. E a recomendação em relação à Igreja: “Esqueça que este é teu conterrâneo, não pense que ele veio à igreja para cultivar algum sentimento nacionalista, mas con-sidere-o um estranho que tem uma alma pela qual deves zelar. Teme-o e honre-o como a cada um de nós”. (A. Klaupics-“Dzivibas Cels”) (O Caminho da Vida).

As principais conquistas da época foram a Bíblia Sagrada em língua leta e a música coral, ainda até hoje muito em evidência.

No ano de 1.729 vieram da Alemanha um grupo denominado “Congregação dos Irmãos ou Irmãos Morávios” movimento pietista que pregava o arrependimento, mudança de vida e abandono das crendices familiares tão ao gosto do povo.
Seus lugares de encontros também chamadas “Despensas de encontros”, chegam a ser mais de 140 e alcançam mais de 30 mil seguidores, mas, já no ano de 1.743, todo este trabalho foi terminantemente proibido. Desta época ficaram de muito importante o conjunto de Hinos sacros (Garigas Dziesmas) ou “Hinos Espirituais”, sobressaindo os de autoria de Loskiel que são cantados até o dia de hoje.

Os Começos dos Batistas na Letônia

Para muitos é completamente desconhecido como se deu o início do trabalho batista na Letônia, se bem que nós somos os seus descendentes. Por isso vou dar a conhecer.

Durante o século 19 foi dada muita importância para a abertura e desenvolvimento das escolas nas propriedades dos barões.
No ano de 1.841 o Barão de Drächenfell fundou uma escola em sua propriedade e para dirigi-la, convidou um professor chamado Hamburgers, que era pessoa muito culta e religiosa. Devido as distâncias da sede da escola e do local onde os alunos moravam, os mesmos compareciam a escola às segundas feiras com o farnel, isto é, com a comida para a semana inteira, e retornavam para as suas casas somente ao fim da semana. O professor Hamburgers tinha por hábito, antes de dispensar as crianças nos finais dos períodos, ler textos das Sagradas Escrituras e orar de joelhos pelos alunos, pela escola. Nas segundas feiras ele conversava com os pais das crianças. Assim, um e outro deixava da bebida e deixava de trabalhar aos domingos.
Mais tarde o Barão dispensou este professor.

O movimento espiritual iniciado pelo professor Hamburgers é continuado pelo seu ex- aluno, chamado Ernests Eglites. Os interessados pela melhora de sua vida espiritual reuniam-se aos domingos. Liam a Bíblia, oravam e conversavam entre si sobre o melhor modo de livrarem-se de seus erros e pecados. Nestes encontros comparecia Adams Gertners, o qual mais tarde seria o primeiro pastor batista leto.
Adams Gertners foi visitar o pastor luterano Grött e pedir esclarecimentos porque a Igreja nem sempre seguia as Escrituras Sagradas, principalmente em relação ao pecado (Mateus 18:5). Então, o Pastor Grött, que até aí tinha elogiado a Adams Gertners, no domingo seguinte advertiu a igreja contra o “falso profeta”chegando a dizer que o mesmo tinha perdido o juízo.

No ano de 1.855 na cidade de Liepaja moravam 9 batistas, todos alemães, membros da Igreja Batista de Memel, que naquela época pertencia a Prússia Oriental. O Pastor Nímecs desta Igreja visitava regularmente estes irmãos, até que o número deles chegou a 14. Entre eles havia um chamado Brandmanis, que na vida profissional era fabricante de cordas.

Durante este período ainda não conformado, o Adams Gertners com a resposta do Pastor Grött, foi a procura de outros pastores, os quais nada puderam ajudar na sua busca de respostas para a sua vida espiritual. Então Adams resolve passar os domingos lendo a Bíblia e orando. Aos poucos foram se chegando curiosos para conhecer o “falso profeta ” Estes encontros foram se transformando em conversas sobre assuntos espirituais e terminando em cultos.
Um dia Adams vai ao culto dos Batistas alemães e é recebido pelo Brandmanis e por Grobins. Após o trabalho da noite, uma conversa que durou até o amanhecer. Depois desta ficou claro o que ele devia fazer. Retornou para partilhar do culto com os irmãos alemães, agora acompanhado com Dravnieks e com Jankovskis. Este foi o primeiro culto batista na Letônia onde os irmãos letos participaram mesmo ainda não sendo Batistas.
Um dia, Brandmanis, do grupo dos alemães, foi convidado a visitar a localidade de Uzav onde moravam aqueles letos interessados e ficou várias semanas. Durante o dia trabalhava na sua profissão, confeccionando cordas, e a noite realizando estudos e cultos. Convencidos na fé, demonstraram vivo desejo de serem biblicamente batizados por imersão e para tanto solicitaram que Brandmanis assim o fizesse. Brandmanis esclareceu que para tanto a pessoa teria que ter a plena autorização da Igreja em Memel-Klapeida, pois não havia nenhuma outra no Báltico. Começaram as correspondências e, em seguida o convite para viajar à Prússia Oriental.

No outono de 1.860 mais ou menos 10 homens de Uzav e Zirah saem em viagem. Primeiramente imaginam conseguir autorização para a viagem em Ventspils já que as localidades onde moram fazem parte de sua jurisdição. Lá são grosseiramente atendidos e a permissão para viagem negada por não haver um motivo convincente para ir para o estrangeiro. Chegaram a ameaçá-los com açoites. Assim mesmo, em agosto deste mesmo ano, saíram de Uzav com destino a Memel: Janis Dravnieks, Andrejs Jankovskis, Krists Berzins, Jekabs Jeka, Andreis Kezis e Kaspars Zirnieks. Em Labrag juntaram-se a eles Adams Gertners e Anna Gertner. Em Liepaja aguardam os viajantes o amigo Brandmanis e outros membros da Igreja de Memel residentes nesta cidade. Ao grupo juntam-se batistas alemães entre os quais 3 candidatos ao batismo: Johanns Jansons e duas irmãs: Marija e Karoline Kronberg. Brandmanis era o guia.

Na fronteira os alemães não têm nenhum problema. Os letos sim. Quem resolve é o escrivão da Fazenda Perkons: cada leto pagou a importância de 50 kapeiks, 15 para a Fazenda e 35 para o bolso dele. As licenças foram expedidas em nome de pessoas da localidade… Os viajantes chegaram a Memmel num sábado à tarde. Naquela mesma noite foi convocada uma sessão da igreja.
Os letos, através de intérprete, foram aceitos como membros da igreja.

Em 02 de setembro do ano de 1860, domingo, foram realizados os primeiros batismos de letos batistas e quem realizou foi o co-pastor Albretchs. Após duas semanas, na volta as suas casas, começaram os interrogatórios e a firme proibição de não voltarem a Memel. Os primeiros a serem presos devido à realização de cultos e nova fé foram Adams Gertners e Marija Krombergs. Assim mesmo as viagens para Memel continuaram às escondidas, agora via marítima. Para aqueles viajantes: julgamentos, prisões, castigos corporais e expulsão de casa. Diante de tantas dificuldades para viajar, a Igreja em Memel resolveu ordenar a Adams Gertners ao santo ministério da Palavra e pastor para a Província leta de Kurzeme.

Os primeiros batismos realizados na Letônia foram à noite, isto é, à uma hora da manhã da noite de 9 para 10 de setembro, no rio que corta Zirah. Adams Gertners, postado à margem, pregou um curto, mas eloqüente sermão, após qual foi cantado um hino do hinário luterano e depois de uma oração pelo próprio Adams desceu a água e batizou 72 pessoas. Logo em seguida, ainda na beira do rio, foi celebrado o memorial da Ceia do Senhor.
Naquele mesmo ano, em 14 de outubro, são realizados novos batismos, agora no Lago Klapar.

Adams Gertners- Nascido nos arredores de Kuldiga, no dia 24 de junho de 1.829. Após a sua conversão e ordenação ao santo ministério da Palavra passou muito tempo preso. Falecido em 23 de agosto de 1.876 na localidade de Velda. Desde que foi proibida a vinda do Pastor Nímecs de Memel para visitar os crentes residentes na Letônia o Pastor Adams foi designado como líder e planejador do trabalho.
O historiador Janis Riss diretor do Seminário da Associação das Igrejas Batistas Letas no seu livro “Latviesu Baptistu Drauzu Ieselsanas un vinu talaku atistiba” (O início das Igrejas Batistas Letas e seu desenvolvimento) transcreve trechos de duas Atas de sessões das Igrejas em Kurseme, a primeira de 24 de maio de 1.870: “Iniciando o Bispo Adams Gertners da Igreja Batista de Kur¬zeme…” e o segundo em novembro de 1.870 “Resoluções da Igreja Batista no dia 15 de novembro de 1.870: “Nesta sessão o Bispo A. Gertners das igrejas batistas de Kurseme e Venstpilis e arredores cumpre as suas funções no dia determinado, orientando esta grande conferência, na qual participaram muitos dirigentes, auxiliares, bispos e escrivães… ”
(Do Livro de Atas e Resoluções da Igreja de Zirah ). Outro historia¬dor que descreve e comprova as atividades do Bispo Adams é Adolfs Klaupiks, obreiro da Aliança Batista Mundial, em seu livro “Dzivibas Cels” “Nas Igrejas era muito respeitado e em todas atas das sessões das Igrejas da época é mencionado com Bispo da Igreja de Kurzeme”.

Estes foram os começos. Veio a Primeira Guerra Mundial. Depois da Guerra nos anos 20, deu-se a grande imigração para o Brasil quando os Batistas da Letônia perderam para o Brasil muitos membros de Igreja, dirigentes e os melhores pastores. O trabalho na Letônia ressentiu. Veio a Segunda Guerra Mundial e, em seguida, o regime comunista sob forte pressão, durante 50 anos tentando por todos meios e forças suprimir toda e qualquer demonstração de fé ou as Igrejas…

No final do ano de 1991 havia na Letônia 63 Igrejas Batistas com 4.669 membros ativos, 37 coros onde cantam 868 coristas, 37 Escolas Bíblicas Dominicais onde estavam matriculados 2.026 alunos e orientados por 159 professores. Grupos de jovens eram 22 com 373 participantes.

A Deus toda glória pelos começos na Letônia!