Despedida do Pastor Karlis Anderman | Autor desconecido

A034-1910

DE RIO NOVO NO BRASIL

Traduzido do “AVOTS” ( A Fonte) n° 36 – 1910 – pág. 42.8 por V.A.Purim
Autor desconhecido

Em paciência nós Rionovenses temos conseguido deles grande lição, e cremos ter aprendido bastante. Especialmente, quando eles tinham se desligado da igreja e ainda assim durante meio ano se serviram dos espaços do templo e usaram também da área de terra, não dando satisfação aos reclamos da igreja.
Como já informado, no momento mais critico o grande Deus nos mandou o missionário e pastor Ir. Fr. Leiman, que trabalhou com os melhores resultados. Aqueles foram tempos de novo alentos vindos do Senhor.
Aconteceu que a igreja voltou a saúde, deduzindo um, que poder ser que por amizade juntou-se ao Anderman. O Anderman se preparou devagar e finalmente em 17 de julho mudou-se com toda a família para Mãe Luzia, como ouvimos dos colonos que foi a melhor opção.
A sociedade de senhoras organizou um ágape fraternal para as despedidas, no templo, da família do E. Anderman, com hinos, pronunciamentos. Estavam juntos batistas, adventistas e pentecostais. Ouvindo os pronunciamentos lembrei da lenda de Krilou sobre o caranguejo, o peixe e o cisne. Assim aqui também todos tem o mesmo objetivo – o céu. Mas cada um quer chegar lá pelo seu caminho particular. Então o idoso irmão adventista M. Indrikson convidou o caminho para a nova terra, que Deus prometeu ao seu povo. Por último, com convicção assegurou, que os mentirosos lá não entrarão (por si mesmo pois quem não guarda o “sabat”, isto é transgressor dos mandamentos e mentiroso). No pronunciamento seguinte convidou para ir com ele conversar sobre as Escrituras Sagradas e procurar os seguintes temas: os batistas pensam que a vida eterna será no céu e o milênio aqui na terra; ele porem pensa exatamente o contrario e por isso é necessário tirar o assunto a limpo.
Um participante da reunião protestou contra tal proposta. Para quem sabe, que Jesus é o único caminho! Em seguida falou o irmão Anderman, incentivou os irmãos e irmãs, se temos a verdadeira convicção da vinda de Cristo, para ele, especialmente “nos últimos tempos” possui grande convicção, e finalmente apontou: “a vocês batistas tem uma falsa convicção.”
Finalmente E. Anderman falou outra vez (a primeira foi para as crianças) falou a sociedade das senhoras e aos demais.
No inicio só lisonjas, antigamente todas unânimes oravam por alguns, que fora da igreja, mais tarde a sociedade esfriou. Assim mesmo Deus ouviu, pois aqueles se uniram à igreja. Daí passou para o seu tema verdadeiro. Que já passaram uns vinte anos de crença, mas nunca se dedicaram plenamente ao Senhor Jesus. Sempre tiveram que lutar com o pecado e não tiveram segurança.
Cada dia uma voz lembrava: “não esta bem, não está bem” até que enfim (no movimento pentecostal) se entregou totalmente a Jesus e tem paz, segurança, que se revestiu no seu sangue. Não está pecando mais e aquela voz esta a dizer: “tudo bem, tudo bem”. Então convidou a nós (batistas) a fazer como ela (?) pois nós não sabemos quanto é bom, quando nós no entregamos plenamente a Jesus, etc, etc.
Convenhamos, deste longo pronunciamento estamos apenas escrevendo o esboço.
Quem ler a oração do fariseu, quando ambos estavam no templo com o publicano então teremos o mais claro retrato a nossa frente.
Entre os presentes alguns protestaram, com as palavras e também com os trabalhos, cujos estão tão longe uns dos outros como a manhã do anoitecer.
Os batistas falavam, que esta noite de despedida é costumeiro uns incentivando a outros. Assim mesmo seria desejável um linguajar mais elegante.
Enquanto termino, peço aos amáveis leitores para mais um quadro dos resultados deste movimento. Após o desligamento da igreja K. Anderman se associou com alguns ex-batistas e adventistas e nas proximidades pregavam suas idéias. Eles conquistaram alguns adeptos brasileiros, que queriam ser batizados.
Após uma averiguação eles foram aceitos foi designado o dia para os batismos. No dia aprazado reuniu-se um bom numero de pessoas, esperaram até ao anoitecer, mas – sem batismos! A desculpa foi, que “o Espírito” naquele dia não permitiu a Anderman a fazê-lo, embora que ele como um pastor a tantos anos tinha preferência.
Daí, uns interrogavam a outros, que fazer, mas ninguém fez nada. Até que enfim chegaram a conclusão, que seria melhor não demonstrar aos presentes a sua falta de coordenação, e pedir a Deus que mostre uma nova ocasião para o evento.
Passou um longo tempo, mas de batismos não ouvimos nada. Também da igreja “aliança” ninguém mais falou sobre sua fundação com o lava-pés não foi adiante.
Mais adiante a estes adeptos do movimento pentecostal conseguiram arrebanhar um jovem brasileiro, ate que em uma assembléia desligou-se voluntariamente da igreja com atitudes de grande triunfo. Estavam presentes também os dirigentes do movimento pentecostal para testemunharem tão importante acontecimento.
O jovem ainda afirmou que em nossa igreja ele se portou como hipócrita e que agora ele é um verdadeiro crente. Pobre jovem, poucas semanas depois, na citada “aliança” sentiu-se logrado, que decidiu voltar aos católicos. Sim, pelos frutos conhecemos a arvore.
Autor??????

Organização da Igreja Batista Leta de Ijui | Autor desconhecido

A008-1995

O Trabalho
Batista Leto no Sul do Brasil.

Autor Desconhecido
Publicado “Kristiga Draugs” Nº 04/95.
Traduzido por V.A. Purim

Este ano assinalou a passagem do Centenário, de uma das primeiras e agora mais antiga Igreja Batista Leta do Brasil. – A Igreja Batista Leta de Ijuí situada na chamada Linha 11 no Município de Ijuí é sem dúvida a mais meridional de outros centros letos ficando a 120 km da Argentina e a 500 km do Uruguay.

As primeiras famílias que chegaram em Ijuí foram as Akeldans, Kudis, Krombergs, Ulrikis, Mikelson e Priedes quais vieram da Argentina e se instalaram entre as Linhas 4, 5 e 6 do lado oeste do centro da pequena vila de Ijuí, mas o “Lielais “Zakis’ (Grande Coelho) e o Janis Zakis e o Indrikis Paise se instalaram entre as Linha 7 e 8 no lado leste do centro da cidade. Isso aconteceu no ano de 1892. E eles eram todos luteranos.

Um ano depois, no final de 1893 vieram mais, as seguintes famílias: Zjanis Alecsandrs e Lina Keidam, pais do Pastor Rudolf Keidans e avós do William, Benjamim e Karlis Keidan; André Keidans e os filhos Janis, Frizis e Albert; Toms Ukstins com a esposa Emilija e a mãe dela, estes eram os pais do Pastor Karlis Ukstins; estes todos vindos da recém fundada colônia Leta de Rio Oratório. Esta ficava aproximadamente 10 km da primeira colônia leta do Brasil a de Rio Novo no Município de Orleans. Quase nesta mesma época chegaram ( De onde?) as famílias de Ans Vitins, Janis Grims, Jekabs Udrs, Janis Daniels, Indrika Folks, ”Maza”Hartmann (Pequena Hartmann), “Vetza”Samiesha, (Velha). Jekabs e Juris Nazaroffs, Jukum Makevics, Jekabs Gebaurs, Janis Arrais e Mikej Soluns. Do Município de Dom Feliciano vieram as famílias de Juris Links, André Krievins e Lorenc Stekers. – Ainda de Rio Oratório vieram as famílias de Ans Gailis e Fricis Garozs com os filhos. Todas estas famílias se instalaram entre as Linhas 10, 11,12 e 13 do lado Leste. A maioria destas famílias era Batista.

No começo os cultos eram realizados nas casas de Zjanis Keidam, André Keidans e Jukum Makevics e no dia 23 de março de 1895 com 30 membros era fundada a Igreja Batista Leta de Ijuí e durante os primeiros 4 anos foi dirigida pelo Irmão Jukum Makevics (? -1930). Esta era a terceira Igreja Batista Leta no Brasil e a primeira e única no Estado do Rio Grande do Sul. (Depois de Rio Novo e Rio Oratório). Quando em 1898 na inauguração do seu primeiro templo o número de membros era 70. Construíram um prédio para a escola de seus filhos mas o problema, nestas circunstâncias era conseguir um professor.

Um dos grandes acontecimentos na vida das Igrejas Letas no Brasil foi a visita do Pastor Janis Inkis. De 1897 até 1899 visitou todas Igrejas Letas existentes no Brasil em resumo nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em Ijuí ele chegou em janeiro de 1899. Como a maioria dos membros tinham vindo das mais diversas Igrejas e com variados costumes tinham aparecido desavenças e alguns grupos prestavam os seus cultos em separado. Então o primeiro trabalho do Pastor Inkis foi eliminar as aparas e unificar a Igreja. Ele chegou ao extremo de sugerir a inutilização dos Livros de Atas anteriores para que nenhuma desavença fosse levantada baseada em casos antigos que alguém tenha dito ou feito. Demonstrou um grande interesse pela solução do problema da escola e do Professor. Em conjunto com os letos luteranos e vizinhos alemães foi organizado um comitê. Para o problema do professor surgiu uma solução inesperada, pois chegou da Argentina o Sr. André Gailis para visitar o seu pai do qual ele tinha se separado em Rio Oratório. Lá na Argentina ele tinha trabalhado de professor. O Pastor J. Inkis incentivou para que ele ficasse em Ijuí. O pastor Inkis também resolveu o problema do cemitério e estabeleceu um sistema de Correio(?). – Durante o período que ele ficou, foram batizados 12 novos membros.

Ele escreveu para os seus parentes em Lubini, perto de Nowgorods na Russia onde moravam em uma colônia leta sobre as possibilidades da terra brasileira e 1899 antes mesmo de voltar para a Europa recepcionou seus pais irmãos e irmãs que se instalaram na recém fundada colônia de Jacu assu próxima da atual Massaranduba em Santa Catarina.

No ano de 1900 a Associação Missionária Batista Alemã da América enviou para o Brasil o Missionário Heirich Svendener que também visitou a Igreja Leta de Ijuí. Vendo três Igrejas Batistas no Estado de Rio Grande do Sul: duas Alemãs uma em Porto Alegre e uma em Formoza e uma Leta em Ijuí e ainda mais 4 Igrejas Letas no vizinho Estado de Santa Catarina ele reconheceu que seria um bom início para um trabalho da Missão Alemã no Sul do Brasil. Voltando para a América, ele conseguiu que já no próximo ano o Missionário Karlis Roth já estava no Brasil. Visitou Ijuí onde encontrou muita reciprocidade por parte desta Igreja. Em 1902 mais uma vez esteve nesta Igreja onde realizou um trabalho missionário, batizou diversos novos convertidos e fez muitos planos. No ano de 1903 ele abriu um Seminário em Porto Alegre e os primeiros 4 alunos eram letos: Alexandre Klavin, Fricis Leimanis e Janis Netembergs da Igreja Batista Leta de Rio Novo e Richards Jekabs Inkis da Colônia de Jacuassú.

No ano de 1904 Karlis Roots recomendou para pastor da Igreja de Ijuí o recém formado Alexandre Klavin (1865-1905) e prometendo ajuda da Associação Alemã da América. Depois do pastorado de J. Maskevits passaram pela função nesta Igreja os irmãos M. Ansons, Janis Arais(1853-1932) e Toms Ukstins (1872-1929). E também outro aluno de Karlis Roth: Fricis Leimanns de Rio Novo (1861- 1961), durante os anos que ele estudava 1904 e 1905 ele passava as férias ele visitava Ijuí e desenvolvia um grande trabalho de Evangelização entre os letos, alemães e brasileiros. Ele também visitava a Congregação de Neu-Württenberg – agora Panambi onde em 1902 K. Roots já tinha batizado 2 pessoas e em janeiro de 1905 F. Leimanis batizou 8 pessoas. Quando em 1906 organizou-se em Igreja dos 11 membros, 8 tinham sido batizados por F. Leiman.

Na Igreja de Ijuí surgiram desavenças chegando haver grupos que faziam os seus cultos em separado, a maior crise foi a morte do pastor A.. Klavin em 18 de julho de 1905 depois de 16 meses de pastorado. No princípio de 1907 assumiu outro da Igreja de Rio Novo o Janis Netembergs, outro aluno do Karlis Roots, mas ficou somente até o fim do ano mas fazendo um intensivo trabalho entre os brasileiros. Depois da saída do J. Netembergs assumiu o trabalho Fricis Leimanis e foi naquela época que se juntaram os irmãos de Ramadas. Em agosto de 1908 antes de voltar para os Estados Unidos o Mis. Karlis Rots visitou mais uma vez Ijuí e nesta mesma ocasião foi ordenado como pastor Villis Leimanis, (1888-1962) outro irmão do Fricis Leiman também de Rio Novo, qual assumiu a direção do pastorado mais longo desta Igreja. Ele assumiu a Igreja em 1º de setembro de 1908 e ficaram até 1923, 15 longos e abençoados anos. Naquela mesma época os irmãos Fricis e Villis visitavam Ramada ou Linha 1, onde moravam 4 batistas e recomeçaram a obra de evangelismo. Teve bons resultados e 1917 foi organizada em Igreja e assumiu o pastorado V. Leiman até 1919, quando passou para a responsabilidade dos irmãos suecos.

Em 27 de setembro de 1909 a igreja de Ijuí organizou a Congregação de Santo Angelo frutos do trabalho de F. Leiman. Ele fazia viagens mais longas a cavalo e as vezes mais de 500 km e encontrou 3 famílias batistas alemãs na Colônia Guarani que tinha imigrado da Rússia. Como ele não tinha condições de dar assistência regular a esses irmãos recomendou que procurassem o seu irmão Villis. Quando ele começou dar assistência a esta Congregação e ela se associou a Igreja de Ijuí. Deste trabalho no dia 11 de abril de 1911 foi organizada a Igreja com 48 membros que por longos anos continuou sendo visitada por V. Leimanis e deste trabalho surgiram 4 outras Igrejas. –

Continua no próximo número.

Breve histórico dos Batistas da Letônia | Por Ilgonis Janait

A003-1992

Breve Histórico dos Batistas
Da Letônia

Coligido e apresentado pelo Pastor Ilgonis Janait no dia 11 de julho de 1992 em Varpa por ocasião dos festejos do Jubileu do Cente¬nário da organização do Trabalho Batista Leto no Brasil.

Publicado na Revista “Kristiga Draugs”( O Amigo Cristão) número 03 de 1992.

Traduzido por V.A.Purim.

(Fontes históricas do autor: Janis Riss, Adolfs Klaupics, Osvald Ronis, Andrejs Ceruks, Janis Inkis, Arvids Eichmanis, Janis Eisans, Karlis Grubers, Yolanda Krievin e outros)

A Letônia, os Letos e suas Crenças.

A Letônia é um pequeno país situado entre a Estônia e a Lituânia e com uma área aproximada de 66 mil metros quadrados. O clima é temperado frio e a temperatura média anual fica entre os 6 a 11 graus centígrados positivos. A população atual situa-se aproximadamente aos três milhões de habitantes. As raízes históricas são encontradas na Idade da Pedra, isto é, mais ou menos 2 mil anos antes de Cristo e pertencem ao tronco Indo-Europeu. O termo Leto ou Letoniano vem do “lett” que significa cavar a terra ou arar, deduzindo-se assim ser agricultor. A língua leta é mais antiga que o Latim ou o Grego e suas bases não são encontradas nas línguas germânicas ou eslavas, mas, sim no Sânscrito. Até o nome da moeda no passado era, e agora novamente se chama, “latt”.

Durante sua História o povo Leto foi dominado pelos alemães, poloneses e russos.

A religião dos antigos Letos era o panteísmo naturalista. Era mais crença e tradição do que propriamente adoração. Não tinham nenhum ídolo fabricado pela mão humana nem sacrifício de sangue. Viam nas forças da natureza algum mais forte poder. A mais alta divindade era o “Velho” Pai dos Céus e todo poderoso sobre todas as coisas, doador da vida. O qual sempre tinha um bom conselho, que ajudava o agricultor nas suas dificuldades e não esquecia das viúvas e dos órfãos. Esta entidade era cantada em verso e prosa como dum homem curtido pela vida e estava em toda parte e em derredor, ora a pé, ora montado em seu cavalo branco ou ainda arando a terra…

Criam também estes na “Laima” que pode ser traduzida por felicidade ou sorte, a qual trazia alegria e felicidade. Os seus deuses os antigos Letos veneravam em plena natureza, e, para estas havia algumas árvores que tinham um caráter sagrado (carvalho e Liepa (tília cordata) e, segundo o historiador Janis Riss, a última destas teria sido derrubada em 1.875. Os antigos Letos criam na vida além túmulo, refletindo o mito do sol dos antigos Indo Europeus, que no fim do dia se põe, mas ressurge esplendoroso no dia seguinte. (Berzis=bétula -Svetberzis verif. tradução)

As primeiras tentativas de levar o Cristianismo ao povo Leto foram feitas sob a ameaça da espada. Quando o Monge católico alemão Meihard chegou à Letônia, ele obrigou os primeiros Letos ao batismo pela força. Depois dele veio o Bispo Bertholds, com a bênção do Papa e um exército de legionários cruzados pagos pelos príncipes e pelo Papa, para obrigar os Letos se tornarem cristãos à força. Na batalha contra os lívios, perto de Riga o Bispo Bertholds foi morto, o que ainda mais acentuou a ira dos cruzados obrigando mais ainda o povo a aceitar o batismo. Mas uma vez que os cruzados foram embora, os Letos foram “lavar “o batismo nas águas do Rio Daugava. O período do Catolicismo dura aproximadamente 300 anos e os Letos aos poucos vão perdendo as suas crenças e sua terra…

Com a chegada da Reforma de Lutero, pouca coisa muda. As mudanças são mais evidentes na área política e econômica. Na área religiosa pouca coisa mudou. O que estava escrito nos livros de uma igreja foi copiado pela outra.

Do ano de 1.562 até 1.795 a igreja é luterana, mas sob domínio da católica Polônia. Em 1.689 os Letos ganham a Bíblia Sagrada em sua própria língua, traduzida por Ernesto Glück.

Durante o século 18, ainda que pudessem ser encontrados Letos que nunca iam a Igreja, e zombavam do Cristianismo e ainda cultivavam as crenças de seus antepassados, já se podia ser considerada completa a “cristianização” da Letônia.

Sob o domínio da Rússia, os grandes proprietários de terras são os barões alemães. Os Letos tornam-se uma categoria de “servos”, mais para escravos, pois os barões tem poder sobre o seu corpo e alma. Podiam carregar de taxas e obrigações e muito mais Na parte pessoal chegava ao cúmulo da primeira noite da noiva leta pertencer ao barão alemão ou, também, poder obrigar ao rapaz leto a casar com a empregada leta que o barão tinha engravidado.

O barão e o pastor sempre estão de mãos dadas. Do púlpito o pastor ensina obedecer o barão. Pouca era a influência do pastor leto. A principal recomendação dos opressores é: “Esqueça que em suas veias corre sangue leto. Esqueça seu povo, seus irmãos, comporte-se como estivesse entre estranhos e não como entre os seus amigos e em sua pátria”. E a recomendação em relação à Igreja: “Esqueça que este é teu conterrâneo, não pense que ele veio à igreja para cultivar algum sentimento nacionalista, mas con-sidere-o um estranho que tem uma alma pela qual deves zelar. Teme-o e honre-o como a cada um de nós”. (A. Klaupics-”Dzivibas Cels”) (O Caminho da Vida).

As principais conquistas da época foram a Bíblia Sagrada em língua leta e a música coral, ainda até hoje muito em evidência.

No ano de 1.729 vieram da Alemanha um grupo denominado “Congregação dos Irmãos ou Irmãos Morávios” movimento pietista que pregava o arrependimento, mudança de vida e abandono das crendices familiares tão ao gosto do povo.
Seus lugares de encontros também chamadas “Despensas de encontros”, chegam a ser mais de 140 e alcançam mais de 30 mil seguidores, mas, já no ano de 1.743, todo este trabalho foi terminantemente proibido. Desta época ficaram de muito importante o conjunto de Hinos sacros (Garigas Dziesmas) ou “Hinos Espirituais”, sobressaindo os de autoria de Loskiel que são cantados até o dia de hoje.

Os Começos dos Batistas na Letônia

Para muitos é completamente desconhecido como se deu o início do trabalho batista na Letônia, se bem que nós somos os seus descendentes. Por isso vou dar a conhecer.

Durante o século 19 foi dada muita importância para a abertura e desenvolvimento das escolas nas propriedades dos barões.
No ano de 1.841 o Barão de Drächenfell fundou uma escola em sua propriedade e para dirigi-la, convidou um professor chamado Hamburgers, que era pessoa muito culta e religiosa. Devido as distâncias da sede da escola e do local onde os alunos moravam, os mesmos compareciam a escola às segundas feiras com o farnel, isto é, com a comida para a semana inteira, e retornavam para as suas casas somente ao fim da semana. O professor Hamburgers tinha por hábito, antes de dispensar as crianças nos finais dos períodos, ler textos das Sagradas Escrituras e orar de joelhos pelos alunos, pela escola. Nas segundas feiras ele conversava com os pais das crianças. Assim, um e outro deixava da bebida e deixava de trabalhar aos domingos.
Mais tarde o Barão dispensou este professor.

O movimento espiritual iniciado pelo professor Hamburgers é continuado pelo seu ex- aluno, chamado Ernests Eglites. Os interessados pela melhora de sua vida espiritual reuniam-se aos domingos. Liam a Bíblia, oravam e conversavam entre si sobre o melhor modo de livrarem-se de seus erros e pecados. Nestes encontros comparecia Adams Gertners, o qual mais tarde seria o primeiro pastor batista leto.
Adams Gertners foi visitar o pastor luterano Grött e pedir esclarecimentos porque a Igreja nem sempre seguia as Escrituras Sagradas, principalmente em relação ao pecado (Mateus 18:5). Então, o Pastor Grött, que até aí tinha elogiado a Adams Gertners, no domingo seguinte advertiu a igreja contra o “falso profeta”chegando a dizer que o mesmo tinha perdido o juízo.

No ano de 1.855 na cidade de Liepaja moravam 9 batistas, todos alemães, membros da Igreja Batista de Memel, que naquela época pertencia a Prússia Oriental. O Pastor Nímecs desta Igreja visitava regularmente estes irmãos, até que o número deles chegou a 14. Entre eles havia um chamado Brandmanis, que na vida profissional era fabricante de cordas.

Durante este período ainda não conformado, o Adams Gertners com a resposta do Pastor Grött, foi a procura de outros pastores, os quais nada puderam ajudar na sua busca de respostas para a sua vida espiritual. Então Adams resolve passar os domingos lendo a Bíblia e orando. Aos poucos foram se chegando curiosos para conhecer o “falso profeta ” Estes encontros foram se transformando em conversas sobre assuntos espirituais e terminando em cultos.
Um dia Adams vai ao culto dos Batistas alemães e é recebido pelo Brandmanis e por Grobins. Após o trabalho da noite, uma conversa que durou até o amanhecer. Depois desta ficou claro o que ele devia fazer. Retornou para partilhar do culto com os irmãos alemães, agora acompanhado com Dravnieks e com Jankovskis. Este foi o primeiro culto batista na Letônia onde os irmãos letos participaram mesmo ainda não sendo Batistas.
Um dia, Brandmanis, do grupo dos alemães, foi convidado a visitar a localidade de Uzav onde moravam aqueles letos interessados e ficou várias semanas. Durante o dia trabalhava na sua profissão, confeccionando cordas, e a noite realizando estudos e cultos. Convencidos na fé, demonstraram vivo desejo de serem biblicamente batizados por imersão e para tanto solicitaram que Brandmanis assim o fizesse. Brandmanis esclareceu que para tanto a pessoa teria que ter a plena autorização da Igreja em Memel-Klapeida, pois não havia nenhuma outra no Báltico. Começaram as correspondências e, em seguida o convite para viajar à Prússia Oriental.

No outono de 1.860 mais ou menos 10 homens de Uzav e Zirah saem em viagem. Primeiramente imaginam conseguir autorização para a viagem em Ventspils já que as localidades onde moram fazem parte de sua jurisdição. Lá são grosseiramente atendidos e a permissão para viagem negada por não haver um motivo convincente para ir para o estrangeiro. Chegaram a ameaçá-los com açoites. Assim mesmo, em agosto deste mesmo ano, saíram de Uzav com destino a Memel: Janis Dravnieks, Andrejs Jankovskis, Krists Berzins, Jekabs Jeka, Andreis Kezis e Kaspars Zirnieks. Em Labrag juntaram-se a eles Adams Gertners e Anna Gertner. Em Liepaja aguardam os viajantes o amigo Brandmanis e outros membros da Igreja de Memel residentes nesta cidade. Ao grupo juntam-se batistas alemães entre os quais 3 candidatos ao batismo: Johanns Jansons e duas irmãs: Marija e Karoline Kronberg. Brandmanis era o guia.

Na fronteira os alemães não têm nenhum problema. Os letos sim. Quem resolve é o escrivão da Fazenda Perkons: cada leto pagou a importância de 50 kapeiks, 15 para a Fazenda e 35 para o bolso dele. As licenças foram expedidas em nome de pessoas da localidade… Os viajantes chegaram a Memmel num sábado à tarde. Naquela mesma noite foi convocada uma sessão da igreja.
Os letos, através de intérprete, foram aceitos como membros da igreja.

Em 02 de setembro do ano de 1860, domingo, foram realizados os primeiros batismos de letos batistas e quem realizou foi o co-pastor Albretchs. Após duas semanas, na volta as suas casas, começaram os interrogatórios e a firme proibição de não voltarem a Memel. Os primeiros a serem presos devido à realização de cultos e nova fé foram Adams Gertners e Marija Krombergs. Assim mesmo as viagens para Memel continuaram às escondidas, agora via marítima. Para aqueles viajantes: julgamentos, prisões, castigos corporais e expulsão de casa. Diante de tantas dificuldades para viajar, a Igreja em Memel resolveu ordenar a Adams Gertners ao santo ministério da Palavra e pastor para a Província leta de Kurzeme.

Os primeiros batismos realizados na Letônia foram à noite, isto é, à uma hora da manhã da noite de 9 para 10 de setembro, no rio que corta Zirah. Adams Gertners, postado à margem, pregou um curto, mas eloqüente sermão, após qual foi cantado um hino do hinário luterano e depois de uma oração pelo próprio Adams desceu a água e batizou 72 pessoas. Logo em seguida, ainda na beira do rio, foi celebrado o memorial da Ceia do Senhor.
Naquele mesmo ano, em 14 de outubro, são realizados novos batismos, agora no Lago Klapar.

Adams Gertners- Nascido nos arredores de Kuldiga, no dia 24 de junho de 1.829. Após a sua conversão e ordenação ao santo ministério da Palavra passou muito tempo preso. Falecido em 23 de agosto de 1.876 na localidade de Velda. Desde que foi proibida a vinda do Pastor Nímecs de Memel para visitar os crentes residentes na Letônia o Pastor Adams foi designado como líder e planejador do trabalho.
O historiador Janis Riss diretor do Seminário da Associação das Igrejas Batistas Letas no seu livro “Latviesu Baptistu Drauzu Ieselsanas un vinu talaku atistiba” (O início das Igrejas Batistas Letas e seu desenvolvimento) transcreve trechos de duas Atas de sessões das Igrejas em Kurseme, a primeira de 24 de maio de 1.870: “Iniciando o Bispo Adams Gertners da Igreja Batista de Kur¬zeme…” e o segundo em novembro de 1.870 “Resoluções da Igreja Batista no dia 15 de novembro de 1.870: “Nesta sessão o Bispo A. Gertners das igrejas batistas de Kurseme e Venstpilis e arredores cumpre as suas funções no dia determinado, orientando esta grande conferência, na qual participaram muitos dirigentes, auxiliares, bispos e escrivães… ”
(Do Livro de Atas e Resoluções da Igreja de Zirah ). Outro historia¬dor que descreve e comprova as atividades do Bispo Adams é Adolfs Klaupiks, obreiro da Aliança Batista Mundial, em seu livro “Dzivibas Cels” “Nas Igrejas era muito respeitado e em todas atas das sessões das Igrejas da época é mencionado com Bispo da Igreja de Kurzeme”.

Estes foram os começos. Veio a Primeira Guerra Mundial. Depois da Guerra nos anos 20, deu-se a grande imigração para o Brasil quando os Batistas da Letônia perderam para o Brasil muitos membros de Igreja, dirigentes e os melhores pastores. O trabalho na Letônia ressentiu. Veio a Segunda Guerra Mundial e, em seguida, o regime comunista sob forte pressão, durante 50 anos tentando por todos meios e forças suprimir toda e qualquer demonstração de fé ou as Igrejas…

No final do ano de 1991 havia na Letônia 63 Igrejas Batistas com 4.669 membros ativos, 37 coros onde cantam 868 coristas, 37 Escolas Bíblicas Dominicais onde estavam matriculados 2.026 alunos e orientados por 159 professores. Grupos de jovens eram 22 com 373 participantes.

A Deus toda glória pelos começos na Letônia!