…o nosso tio Ludis faleceu vitimado por um derrame cerebral. De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

(Sem Indicação do ano, mas é 1925)
Rio Novo 11 de novembro
Querido irmãozinho! Saudações!!
Recebi a tua carta escrita no dia 27 eu recebi no dia 6 de novembro e por ela muito obrigada. Estou muito alegre porque estás respondendo todas as minhas cartas e não ficas esperando a segunda para responderes as duas numa vez só. O Arthur também recebeu aqueles jornais e agradece por eles. Você já recebeu a carta que eu mandei no dia 27 de outubro e o Arthur mandou a sua carta na semana passada no dia 6 de novembro. Se você recebeu estas cartas, você já estará sabendo como nós estamos passando por aqui pelo menos pelo que eu sei. Também não tenho nenhuma notícia alegre e o que eu tenho que te escrever não é nada agradável e como a gente vive neste mundo está sujeito a muitas tristezas.

Na quinta feira passada o Arthur foi a Orleans e trouxe a dolorosa notícia que o nosso tio Ludis faleceu no dia 23 de outubro vitimado por um derrame cerebral [Segundo a informação do Gerd Vitor, filho do Sr. Ludis a causa da morte foi meningite.] Dizem que esteve doente poucos dias. Esta notícia saiu no “Der Compass” que a Matilde Balod recebeu da irmã dela Amalija com outras anotações. Pode ser que até tenha algum telegrama em Orleans, mas como ninguém foi lá procurar e para aqui no Rio Novo ninguém manda e pode ter acontecido como no ano passado quando o Fater [Pai do Ludis] morreu o telegrama ficou retido em Orleans por 3 meses.

O Ludis agora em 23 de outubro tinha 45 anos e 4 meses e como rapidamente a vida dele terminou. O Fater viveu mais de 80 anos e ele somente 45 anos. Esta doença ele adquiriu devido aos longos períodos escrevendo e forçando demais a cabeça e a imaginação, não sei como a titia está passando agora, mas a tristeza deve ser muito grande para ela. Ela ficou com dois meninos o Gert Vitor tem oito anos e o Rudolf com 4. Você poderia escrever uma carta para a tia, pois ela te conhece. O endereço dela eu não tenho, mas você pode escrever neste: “Diário Allemão ou “Deutsches Zeitung” Rua Libero Badaró No. 99. A última carta que o tio escreveu ele prometia alguma vez voltar a passear aqui e nos visitar e também convidava para que eu fosse passear lá e conhecer cidades grandes e outras novidades como conhecer os parentes. Eu realmente tinha vontade alguma vez ir até lá, mas até agora ninguém me deixou sair e agora é tarde demais. —-
O tempo já há dias está claro e bom. Está bastante quente. As pessoas estão queimando as roçadas. Hoje estava tão enfumaçado que quase a gente não conseguia respirar, mas ao anoitecer deu um forte vento e choveu um pouco e é provável que chova mais.
Bem tenho que terminar de escrever, pois não vou escrever mais por que não há o que escrever que seja importante e nada relevante aconteceu e sobre pequenos detalhes não valeria a pena escrever e para você não interessa mesmo.
Você promete estenografar as cartas porque se torna mais rápido. Você devia vir e ensinar a ler estenografia e ai poderemos usar esta escrita quanto quiser.
Eu entreguei todas as tuas lembranças e através do August Klavim mandei para o pessoal de Rio Larangeiras e eles carinhosamente retribuíram.
Muitas lembranças de todos de casa. Lúcia.

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…chegamos em casa em Paranaguá eram 2 da madrugada, mortos de cansaço | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim -1922

Paranaguá 28 de agosto de 1922

Querido Reinold

Saudações

Parece que eu nunca tenha escrito para você desta cidade. Você também terá o direito de dizer que não foi possível escrever por absoluta falta de tempo por não ter condições de estabelecer uma escala de prioridades, pois as tarefas e necessidades se sucedem de maneira impressionante.

Estou cheio de trabalho, já tive oportunidade de conhecer todo meu campo de ação que é muito grande. O maior problema é que muito poucas pessoas sabem ler, também a maior parte do meu deslocamento é por água.

Na semana passada saí de Assunguí de canoa em companhia de um negro que era o ajudante, às 10 horas da manhã, tinha chovido muito e o rio estava por fora das margens e para baixo íamos muito bem e ao entramos no mar na força da maré alta surgiu um forte vento contrário então tivemos que esperar a maré baixar e depois na base de remos enfrentando as ondas e o vento até que às 8 horas da noite quando ficamos encalhados numa parte rasa e dai quando chegamos em casa em Paranaguá eram 2 da madrugada mortos de cansaço.

Na Sexta Feira nós saímos às 3 horas da madrugada para chegar de volta em casa há meia noite. Estarei aprendendo lidar com o motor para sair com o barco grande.

O povo aceita o Evangelho, mas o difícil é organizar o trabalho para ele continuar sozinho, pois faltam pessoas capacitadas e com iniciativa. Daí sobra, tudo, pra gente.. Escreva-me como estás passando. Eu mandei para você as conclusões da Convenção.

O novo Inkis ainda continua na escola?

Tens alguma novidade do Rio Novo ou de Nova Odessa?

Saudações

Carlos Leiman