O relógio está marcando 12 horas, já é meia noite e eu preciso ir dormir.| De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1924

Rio Novo 8-10-24.
Querido irmãozinho! Saudações!
Eu recebia tua carta escrita no dia 11 de setembro e por isso muito obrigada. Gostaria de saber se você recebeu a carta que eu escrevi em 24-9-24.
Nós estamos relativamente bem. Com os trabalhos na lavoura também vão bem porque todos os dias dá para trabalhar na roça, pois a chove de vez em quando, mas não chega a atrapalhar.

Naquela noite que eu escrevi a última carta eu mencionei que tinha soprado um forte vento e é este mesmo vento que trouxe a chuva. O vento voltou no dia seguinte e ai começou a chover mesmo. Na Sexta feira continuou nublado e no Sábado de manhã amanheceu escuro, roncava trovoada forte e ai choveu tanto que correntes de água formaram-se por toda parte e lá na casa dos Leiman [Parte da família morava lá] no Rodeio do Assucar nesta mesma manhã, teve uma forte chuva de granizo, com pedras de gelo do tamanho de um ovo de galinha, tanto que todo chão daquela área ficou branco. Prejuízos não houveram porquê a grande parte das plantações não tinham nascido. Choveu ainda no Domingo e na Segunda feira. Na Terça feira, o tempo, limpou e na Quarta feira ainda deu uma geada nas partes baixas, matando o feijão de muitos produtores.
No dia 6 nós queimamos a nossa coivara. Foi uma muito boa queimada porquê estava nublado e logo que terminamos de queimar começou a chover outra vez, mas desta vez não foi muito e até agora está nublado e é provável que ainda chova mais. Agora estamos plantando, mas não está rendendo muito porque a terra ainda está muito dura e chega no fim do dia e achamos que devíamos ter feito mais. A batata inglesa já plantamos e já esta grande e bonita. As ervilhas já estão florescendo, os pepinos já estão brotando e os repolhos já estão formando cabeças. Então você pode vir para cá para comer tudo isso.
Ainda mais! Na semana que vem será comemorada a Festa da Mocidade e quem sabe você e seus amigos já estão se largando na estrada par vir para este evento. Poderão ver a “Grande Ponte” que os fazendeiros do Rio Novo estão construindo lá na barra do Rio Novo.

Também poderá ajudar na colheita do mel e ainda mais comer muito, do mesmo, porque este ano as colméias estão repletas de mel que as tampas estão tão pesadas que fica difícil para serem tiradas. [Naquele tempo lá eram usadas colméias de somente duas partes, embaixo o ninho e na parte de cima a melgueira, mas sem os quadros de cera alveolada usados hoje e então as próprias abelhas tinham que fazer os seus próprios favos. Os favos da melgueira ficavam fixados pelas próprias abelhas na tampa superior e daí porque eram pesadas. Mas já naquela época se sabia que os favos pretos ou escuros do ninho, na primavera tinham ser removidos, porque com as sucessivas reformas durante o ano os habitáculos iam ficando pequenos, influindo no tamanho das operárias.] Também o sabor está muito especial e a consistência bem espessa.

Na Domingo dia 28 de setembro foi o dia da Revisão das Lições do Trimestre. Isso tomou todo o tempo do culto então por isso neste dia não houve. Os alunos, cada um, tinham discorrer sobre alguma lição e eu tive que falar da lição de Jesus e Nicodemos. Mas depois da nossa explicação o Strobergs ainda fazia alguns comentários, perguntas e conclusões. Também nos intervalos eram cantados hinos. Foi muito bom, é pena que devido o charco da chuva tivesse menos gente. De um modo geral a freqüência está bem melhor que antes. O Stroberg durante os cultos fala muito de avivamento. Fala que na Letônia alguns irmãos das Igrejas renovadas obtiveram a bênção de falar outras línguas, que uma irmã foi curada maravilhosamente pela fé, que um irmão leto passou a falar o hebraico e com isso muitos judeus se converteram e este irmão está servindo de pastor para os judeus, mas qual é o nome dele eu não sei. Ele aplaude muito este trabalho, mas eu pessoalmente não posso concordar, ele ainda afirma que ele é Batista, mas de qualquer modo, ele é diferente de outros Batistas e tem um carisma que os outros não tem.
Bem agora vou ter que terminar. Eu sei que não consigo satisfazer, quando eu escrevo uma carta com duas páginas, você quer duas ou três vezes mais longa e por isso esta será mais curta, porque mesmo, eu não tenho novidades para contar, se bem que o progresso está chegando e a medida de que quando irei obtendo as informações eu irei te escrevendo e não vou deixar você vazio das notícias daqui.
O Robert continua nas Serras construindo atafonas.
Onde ficou “O Crisol?” Por acaso já faliu? Porque não mandas mais? O relógio está marcando 12 horas, portanto já é meia noite e eu preciso ir dormir. Os olhos não sararam direito e ainda aparece uma “neblina” na visão e ainda eu estou com a garganta fechada. Escreva bastante e conte também como estás passando.
Muitas lembranças de todos de casa e também da Lucy.

Uma viagem a Urubicy | de Otto Roberto Purim (Artur) para Reynaldo Purim – 1924 –

Rodeio do Assucar, 28 de abril

Querido irmão! Saudações!

Agora desta vez chegou à hora de eu escrever uma carta para ti. A tua faz tempo que a recebi, mas não fiquei conformado, pois ela era muito curta, eu esperava pelo menos duas páginas, mas muito obrigado por ela assim mesmo.

Tu escreves pedindo que eu escreva uma longa carta para você. Mas eu não tenho máquina de escrever, nem material nem tantos assuntos para descrever e nem tempo para tanto. Portanto não espere como pediu aquelas descrições minuciosas [Sihki un smalki] e em ordem cronológica. Vou escrever o que estou fazendo e responder o que você perguntou.

Esta semana batemos [Bater arroz – O arroz era cortado e trazido em feixes para a eira a qual era coberta com um pano grosso (10 x 10 metros). No centro deste lugar era colocada uma caixa com a parte superior gradeada com sarrafos. Apanhando pequenos feixes de hastes do arroz cortado, estes eram batidos nesta grade com a finalidade de despegá-los das hastes. Depois era peneirado para eliminar a palha e outras impurezas e assim estava pronto para ser trazido para o paiol para nos dias subseqüentes ser posto no terreiro para secar. As hastes de arroz serviam para cobrir as ramas de mandioca para proteger da geada] arroz, pois eles já estavam maduros demais. Nós esperávamos você para ajudar-nos. Ainda na semana passada choveu e é por isso que passaram do ponto. Hoje trouxemos duas carradas [Duas viagens de carro de bois] para casa [Desta vez eles bateram o seu arroz no terreiro] e batemos e rendeu 15 quartas [Cada saco de 50 quilos tem 8 quartas ou 2 alqueires] ainda não bem peneirados. O arroz este ano cresceu bem agora no final e os grãos estão muito bonitos. Pena que aquela seca que deu logo que eles foram plantados foi que prejudicou no perfilhamento. Bem devemos aceitar com gratidão, pois muitos nem isso colheram.

Hoje à tarde eu juntei uma quarta [Uma Quarta de alqueire] de pinhões e agora enquanto escrevo esta carta estou comendo pinhões quanto quiser. Lá também tem pinhões? Dizem que nas Serras este ano tem pouco pinhão porquê a geada no tarde, a geada já bem na primavera prejudicou a florada.

Você se interessou muito por tudo sobre as Serras e quer saber como que é por lá. E sobre Urubicy [S 27.59’41,5 “- W 049.38’038”] eu já contei em outra carta. Lá as terras são planas como uma mesa, mas de ambos os lados tem morros bastante altos. O lugar é bastante lindo. As várzeas dos rios estão todas derrubadas, mas por toda parte existem imensas matas fechadas de pinheiros. Campos de pastagens naturais lá não existem. Se derrubar o mato então nasce grama parecida com os dos campos. Os Campos de pastagens naturais estão a 4 horas de viagem.[A pé ou no lombo de mulas]

Dos contrafortes [“Seras kante” –A parte visível da a grande distância mesmo do Rio Novo e outros lugares] da Serras, daqueles que avistamos daqui é caminhada de um dia inteiro até chegar em Urubicy. Explicando melhor logo quando a gente chega no alto dali até o Rio Pelotas são 2 ½ horas de caminhada e lá é considerado o meio do caminho do Rio Novo até Urubicy. [O Arthurs, meu pai contava que devido a viagem ser de 2 dias, eles precisavam pernoitar nas Serras. Como na Serra na beira da trilha não havia fazendas ou qualquer abrigo, eles antes do anoitecer, paravam enquanto havia ainda luz do dia e cada um cortava uma montanha de galhos de vassoura da serra ou vassoura lageana para si e deixava uma condição que pudesse enfiar-se dentro para proteger-se do vento gelado da noite. É claro que para tanto cada um levava o seu facão na cintura. Naturalmente cada um deles levavam também o seu palo ou capa de montaria para se enrolar. O caminho mais usado naquela época era a chamada Serra do Imaruí que passava pela Brusque do Sul- Morro da Palha- Rio Minador- Vaca Moura- Três Barras- não sei se exatamente todas essas localidades e nem se nessa ordem para chegar ao sopé da Serra que para subir levava 2 horas batidas. Eles atravessavam o Rio Pelotas. A chegada em Urubicí era pelo alto rio Urubicí onde hoje o lugar é chamado de “Baiano”. Muito depois no meu tempo, só usávamos para ir Urubicí o caminho chamado Serra do Grão Pará , também com outros nomes como Serra da Forcadinha ou Serra do Morro do Engenheiro, cujo roteiro ficava oeste da atual Serra do Corvo Branco. Mas esta vamos contar em outra ocasião.]

Você quer saber o que faz o Peteris [Peteris Bruvers. Falta confirmar] e o Karlis [Karlis Karkle] e os outros. O Peteris não tem terra própria e ele trabalha em terra arrendada porquê o governo não vende terras para agricultura onde pretende fazer a cidade, mas somente arrenda. Ele está trabalhando em dois lotes, se bem que o governo só arrenda um, mas devido a curva do rio que chegava perto da rua e por isso ele conseguiu os dois. O valor que eles pagam é 2.500 por ano e por cada lote. O Karlis também morava em casa e lote arrendado, mas como ele não fez a vontade do proprietário ele vai ter que sair e ele vai para o lado do Canoas, também em terras arrendadas. Veja você como é a vida de arrendatário.

Onde o Bessa [ Manoel Bessa ] mora eu não sei se é de propriedade dele ou se é arrendada. Ele mora à distância de uma hora de viagem de Urubicy seguindo o rio abaixo. [Rio Canoas] Ele tem uma lavoura muito bonita, a casa dele é de madeira, mas é de dois andares. A esposa dele é costureira. [Schneiderene – Modista] Ele é agente do Ministério da Agricultura, com ele é possível conseguir as mais variadas sementes. Também com ele podem ser encomendadas máquinas e ferramentas e mudas de frutíferas. Ele tem uma trilhadeira muito bonita movida à força manual. O que ele ainda pensa da religião eu não sei porquê naquele tempo que nós tivemos lá ele estava em Desterro. [Ele era conhecido do pessoal da Igreja Batista leta de Rio Novo, pois tinha sido membro tanto ele como a esposa dele a Charlota. Era morador da cidade de Tubarão e muito bem relacionado com os letos. Em uma sessão regular da Igreja em Rio Novo em 24/11/1912 ele chegou a fazer uma comunicação que tinha entrado em contacto com o Seminário Batista do Sul do Brasil no Rio de Janeiro onde faria o treinamento para ser considerado pastor e a Igreja aprovou por unanimidade.] sei porquê naquele tempo que nós tivemos lá ele estava. Era esperado para chegar em casa por aqueles dias, mas não chegou. Para ele ir até Desterro, ele leva 4 dias de viagem.

[Sobre Manoel Bessa ainda persiste uma dúvida: No excelente livro “Urubici e Suas Belezas Naturais” é mencionado como nascido em 08 de janeiro de 1898 como em 1911 ele já casado com Carlota Costa Bessa (13 anos) então se percebe uma não conformidade e não só esta. Em 1912 ele pede Carta de Transferência e passa para a nova Igreja Batista de Pedras Grandes continuando morar em Tubarão. Ele era conhecido e admirado pelo meu pai e outros da Comunidade tanto é que meu pai na primeira viagem a Urubici tentou contacta-lo].

Não muito longe de Urubicy moram ainda outros compatriotas letos. Da família Kusemitsch o Martschus e o Saschu e ainda a família de um tal de Guba. Nenhum destes senhores eu não tive a chance de conhecê-los e nem sei direito para que lado eles moram. O Fritz Feldberg mora bem perto da atafona [Moinho para moer trigo e milho] do Gustis.[Gustavo Gricht] Quando o Gustis vem para o Rio Novo quem fica de moleiro e serrador, é o Fritz. O Gustis esteve na Páscoa em Rio Novo e depois voltou para cima. Na realidade ele mudou para cima já no começo do ano. Na Festa do Verão [Pentecostes] ele vai descer novamente para o Rio Novo com uma tropa de 10 mulas para trazer de lá ferragens e outras coisas. Ele vai pagar de aluguel 15$000 por mula para esta viagem. A terra dele aqui em Rio Novo ele vendeu para um italiano por 7 mil incluindo um arado e uma vaca nova. As demais ferramentas e ferragens ele vendeu em Orleans para o Hammerschmitd por 2:000$.

O Gustis elogia demais Urubicy e a região. Diz que é tão boa que melhor não se pode querer. As lavouras crescem maravilhosas e trabalhando, pode-se ganhar muito. Diz que pode ganhar até 10$ por dia com a moagem. Depois de ter tomado muito rápido a sopa quente, a solução é elogiar.
Desta vez acho que chega e não tem mais nada importante para escrever. Nenhuma outra viagem foi feita por isso não tenho mais nada para escrever. Agora aqui está chovendo bastante, mas não muito forte. Na noite do Domingo passado houve uma tempestade com uma ventania que passou derrubando o mundo inteiro. Aqui perto de nossa fábrica [Engenho de farinha de mandioca] tinha um tronco seco de uma grande canela. O vento derrubou esta árvore com raízes e tudo e caiu em cima da cerca de arame e arrebentou os 4 fios.

Para o feijão a chuva também é demais, em muitos lugares as vagens estão apodrecendo e os grãos pistolando. Na outra casa [no Rio Novo] o novo quintal já faz tempo que está pronto e está quase todo ocupado com o feijão que nos plantamos. Foi 6 ½ litros de feijão preto, 3 ½ de feijão manteiga, 1 ½ quarta de batata inglesa e ainda sobrou uma grande parte para plantar repolhos. No mês de janeiro eu encomendei sementes de repolho e outras de Minas Gerais e faz tempo que já chegaram e algumas já foram semeadas e então vamos ver o que vai dar. Os rabanetes já estão crescidos e no domingo passado nos já fizemos uma salada e estão deliciosos.

Esta carta eu comecei na semana passada e só terminei nesta. Não pode ser antes devido ao muito trabalho. Durante o dia nos cortávamos o arroz e noite nós batíamos e ainda bem que está tudo terminado. Rendeu 12 sacos. Agora nós os estamos peneirando e hoje nós ventilamos 5 ½ sacos. Agora você deve vir para casa comer arroz. Se bem que você não veio ajudar a cortar e bater pelo menos venha para comer.

Bem chega, já foi suficiente escrito. Se você escrevesse cartas longas como eu tenho pedido, então valeria a pena-me procurar e escrever mais alguma coisa. Mas você só escreve meia página e manda para cá. E ainda manuscrita.

Escreva uma carta bem longa com pelo menos 2-3 páginas. Descreva tudo minuciosamente.

Com lembranças Artur

Rodeio do Assúcar 6 de maio [Data do termino da carta]

[Escrito na lateral].
Espero que com esta carta você esteja realmente satisfeito.

..encontrei uma montanha de jornais e cartas inclusive a sua. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923

Paranaguá 23 de outubro de 1923
Querido Purim – Saudações!
Somente na Terça feira dia 16 cheguei em casa de viagem e encontrei uma montanha de jornais e cartas inclusive uma sua. Muito obrigado por tudo.
Passei uma semana no Rio Novo e lá eles vivem a mesma vidinha de sempre. Discordando e encrencando para aturar a vida.
Em Mãe Luzia também estive e batizei 3 pessoas. Fiz as pazes entre os Klavas e os Stekert que não se falavam e agora ficaram bem.
O Onofre está muito cansado e esta se aprontando para mudar para as Serras para morar no mato!
O Pastor Oscar de Oliveira comprou com promessas, agora comanda uma escola perto da grande ponte de Laguna na beira da lagoa. Contou-me que nada melhor ele conseguiu.
Em Joinville batizei 2, em Rio Branco 2, e em Porto União tivemos boas reuniões com auditórios bastante hostis, Sabatistas, pentescostais, presbiterianos etc. – Mas as que venceram foram às verdades bíblicas.
O Cascão está determinado me boicotar. O Deter determinou que eu visitasse as Igrejas no lugar dele e o Cascão me levar a todos estes lugares com a “Lancha Batista”. Quando eu transmiti esta determinação, ele falou que eu fosse com outras pessoas.
De qualquer modo no começo de dezembro estou mudando para Laguna. O trabalho lá exige. Também para fugir, destes grandes comandantes mandões.
Quando vieres para as férias, aproveite bem o tempo. O missionário Shmidt estará em Sta Catarina.
Desta vez chega. Estou um pouco adoentado.
Saudações
Teu Carlos Leimann

Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
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…com tempestades de verão com grandes trovoadas | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de dezembro de 1921

Querido Reini. Saudações!

Esta noite resolvi escrever uma carta para você.

Fiquei pensado que talvez esteja esperando alguma carta porque na última no começo de dezembro, eu prometi que logo escreveria. Este logo ou breve e já se acumularam às novas notícias e já começaram a ficar velhas e ai não vale a pena escrever, mas como você está de férias tudo bem.

Nesta semana no dia 26 de Dezembro no segundo dia de Natal teve festa com pinheirinho na Igreja e foi também quando recebi aquele grande pacote com jornais. Se eles tivessem chegado antes dos dias das Festas teria tempo de ler todos eles e, mas agora que as festas acabaram e os dias de trabalho voltaram quando a gente chega em casa à noite logo vem o sono, porque a gente está muito cansada. Ainda desta vez a quantidade de jornais foi realmente maior que outras vezes.

A fotografia dos seminaristas desta vez ficou realmente bonita e chegou perfeita e não como as outras vezes. Você em que poderia ter escrito de algum modo os nomes dos seus colegas a fim da gente pode saber quem eles são. Você realmente está tão magro como aparece na fotografia? Se tivesse vindo passar as férias em casa poderia ter engordado um pouco, pois laranjas ainda tem muitas nas árvores. Nós, graças a Deus estamos passando bem. O tempo está bom e muito quente, mas chove com as tempestades de verão com grandes trovoadas.

O milho faz tempo que terminamos de plantar, pois este ano com as roçadas e queimadas terminaram tudo muito bem. Plantamos 13 ½ quartas de semente de milho, 8 mil mudas de mandioca, 1 mil mudas de aipim e agora temos cuidar de capinar, pois as ervas daninhas, também crescem rápido.

Na carta passada eu escrevi que a senhora Leiman estava muito doente e a Mamma mora com ela lá, mas agora no sábado do Natal ela veio para casa, pois ela ficou um pouquinho melhor. Mas, muitas vezes, ela esteve perto do fim. No dia 20 chegou o Arthur Leiman, mas ele está assim magro, que eu cheguei à conclusão que vocês todos que querem ser doutores ficam assim. A viagem dele foi muito lenta, pois ele saiu de Buenos Aires no dia 7 de dezembro onde ele passou pelo pente fino da alfândega, na fronteira. Ele está triste que você não está em casa que se estivesse sairiam grandes negócios, pois dos antigos amigos somente dele, só resta o Roberto, [Klavin], mas ele o achou tão mudado que daquelas amizades antigas, pouco ou nada sobrou. Quando ele foi visitá-lo, foi difícil iniciar qualquer conversação. O que teria feito para que o Rubites [Roberto Klavin] tenha mudado tanto. Será que teria esquecido das antigas amizades ou teria começado a tocar na tuba dos Zeeberg. Talvez algumas lendas inventadas pela oposição o tenham abalado, pois as línguas continuam deletérias.

Aqui pela ordem tem chegado à notícia que o Inkis foi para os Estados Unidos estudar para sair doutor de lá. Eu acho que ele quer sair na frente e tem receio que pôr aqui alguém o alcance.

No sábado a noite chegou o Willis Leiman e sua esposa Lucia e mais as crianças. Estes realmente vieram como que apagar incêndio. Há pouco tempo o senhor Leiman escreveu que a mãe está muito doente e que era bem provável que não mais se levantaria. A senhora Leiman sempre dizia para o marido para que escrevesse para a Luzija que viajasse para cá, pois quando ela morrer tudo iria como que a falência e ai não adiantaria mais nada. O senhor Leiman escreveu e no momento que receberam a carta que deixaram tão perturbados que não sabiam o que fazer. Colheram o trigo e guardaram no paiol e pediram que os vizinhos alimentassem os porcos e tirassem o leite das vacas, cuidassem as propriedades em geral e eles saíram em viagem, tão rápido quanto possível. Vieram de trem pelas Serras e não sei de que porto tomaram um navio para Desterro e daí outro para Imbituba e ao todo levaram 5 dias se viagem.[De Ijuí RGS] A pressa toda é que o Willis ainda queria ver a mãe viva e na chegada, quando a mãe estava melhor a alegria foi muito grande. Foi muito bom que eles vieram, pois agora tem mais pessoas para atender, pois a Mamma fazia tempo que estava lá. O Fritz também queria vir com o Arthur, mas não conseguiu passagem.-
Desta vez chega. No Ano Novo vai haver a Festa das Missões então escreverei mais sobre as Festas em geral.

Com lembranças de todos. Olga.

Sobre Roberto Klavin: O Roberto Klavim além de agricultor era carpinteiro construtor de casas, engenhos de açúcar, farinha de mandioca, atafonas que são moinhos de farinha de milho, serrarias etc. Este trabalho exigia cálculos de relação da velocidade x força, para a otimização da energia fornecida pelas primitivas rodas d’água.

…o nosso começou com 5 violinos… | De Roberto Klavin para Reynaldo Purim – 1921

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22-12-21
Invernada

Querido amigo!

A tua última carta já faz algum tempo que recebi. Mas não consegui responder rápido, pois diversos afazeres vieram atrapalhar. Tive que ir para as Serras ver um trabalho lá e quando já estava aqui em baixo, tive que trabalhar em outro lugar. Mas agora esta semana estou em casa e assim posso escrever.

Ontem era esperado o Artur Leiman em Orleans, mas se ele realmente chegou eu não sei. Pode ser que você já saiba que a senhora Leiman estava muito doente, a morte mesmo, mas agora está um pouco melhor. O Carlos Leiman também deverá nos visitar aqui e depois ele vai iniciar um trabalho missionário em Joinville.

Agora aqui na Igreja estamos com dois Grupos Instrumentais. O nosso começou com 5 violinos e já nos apresentamos, tocando em algumas vezes durante as festas da Igreja.

A minha vida vai mais ou menos nem tão mal nem tão bem. Quanto à saúde um tanto preocupado e pôr isso quanto o assunto de estudos está pôr enquanto posto de lado, porque pode acontecer comigo o que aconteceu com o Freymann, que nada pode fazer.

O Augusto [ Klavin] que está servindo o exército agora está em Curityba e parece que vai ao Rio Grande para treinar marchas.

Muitas e sinceras lembranças. Felizes e alegres festas e um Feliz ano Novo são votos meus e todos de casa.
Roberto Klavin