Pois tu sabes que eu não tenho nenhuma máquina de escrever,… | De Olga Purim para Reynaldo Purim 1924

Rodeio de Assucar 26-11-24

Querido Reini: Saudações!
A tua carta recebi junto com os medicamentos já há algum tempo atrás. Por tudo isso muito obrigado. Você naturalmente vai me perdoar porquê já em seguida minutos depois não escrevi a resposta. Pois tu sabes que eu não tenho nenhuma máquina de escrever, que funciona rapidamente. Eu também economizei para esta carta chegar num momento que você esteja de férias para dar tempo de ler.

Você se esforça demais, porquê tem muito que fazer, mas depois poderá ficar como eu que não consigo nem fazer metade do que eu fazia antes. [Ela já estava muito doente] Será que não existem outras pessoas que possam fazer o seu trabalho ou você que sabe não precise mais ir para a escola, pois nunca poderás absorver toda sabedoria e ciência do mundo.
Nós graças a Deus estamos passando mais ou menos bem. O tempo sim está muito seco e muito ventoso. Não sei qual vai ser o resultado das roças, uma coisa é certa, não vai ser tão bom quanto ao ano passado. Para qualquer lado que se olhe tudo está pelado e ressequido por falta de chuvas e se continuar assim não vamos ter nem melancias nem pepinos, apesar de termos plantado muito.
O milho já terminamos de plantar e de um modo geral os trabalhos nas roças estão rendendo bem porquê a chuva não atrapalha e as coivaras que são queimadas, elas ficam realmente limpas e mais fáceis de trabalhar e ainda as ervas daninhas que quando capinadas ela logo estão realmente secas. As ervas daninhas também não crescem tanto se bem que mais que o milho.
Agora esta seca está em toda parte. O Artus Leiman tem escrito para os Osch [Os sogros dele] que onde eles agora estão na nova morada 2 e 1/2 dias de viagem de trem, adiante do Fritz e lá também faz 6 meses que não chove [Na Argentina] e por isso quase não se consegue água boa para beber e pode-se fazer o café quanto forte quiser, o mesmo não fica com sabor aceitável. Nós dos Leimans faz bastante tempo que não temos recebido nada. O Fritz escreveu para o Zeeberg que a senhora mãe dele está começando ter problemas de visão e tem muita dificuldade de enxergar e bons óculos por lá não se conseguem.

O dinheiro que você mandou faz muito tempo que já recebemos. Dos nossos parentes de São Paulo faz muito tempo que não temos recebido nada, apesar de eu ter escrito para eles. Acho que eles estão ficando orgulhosos na sua nova fazenda, pois depois da revolução não recebemos mais nada deles. O Pappa pediu para que nós escrevêssemos para você no caso de não vir para casa nas férias, então fosse até São Paulo para visitar estes nossos parentes e ver quantos eles realmente são.
Recentemente recebemos de S. Petersburgo, uma carta com a fotografia do Tio Reine. [Irmão do Jahnis, Do Jehkabs e do Andreijs. ??????] Você se lembra dele? Ele é um gordo solteirão. [Resns Vetzpuisis em leto]
Bem por hoje chega. Tenho ouvido dizer que no Rio teve uma grande Revolução, nem sei se as cartas estão chegando normalmente e se não chegarem todo este trabalho ao vento. O que fazes agora? Onde moras agora? Lá mesmo na Escola?
Agora a Kate está toda alegre porque a Selminha virá para casa nas férias. Vamos ver se será possível, pois nesta época de revoltas de repente não dá…
Mais uma vez muito obrigado pelos remédios vamos ver se o resultado será satisfatório. Com muitas lembranças Olga.

…e se a seca continuar assim será muito triste. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924 –

Rodeio do Assucar 17 de setembro de 1924

Querido Reini: Saudações!

A tua carta recebi já há bastante tempo atrás. E hoje não estou com ela e eu não me lembro nem metade do que você pergunta nesta carta. Acho que não tenha nada muito importante e se tinha a Luzija já deve ter te escrito. Porquê ela diz que manda cartas quase todas as semanas e o que ela escreve ela não diz e não deixa ninguém ler as cartas que ela escreve.

Aqui nós graças a Deus estamos passando suficientemente bem e nada tem de novo tem acontecido. As chuvas sim que são muito poucas e se continuar assim será muito triste. A seca no ano passado começou em novembro e deste então não houve nenhuma chuva que fizesse o nível dos rios subirem ao normal. Aqui no Rodeio do Assucar o riozinho ainda corre, mas lá no Rio Novo faz tempo que a calha não corre nenhuma gota d’água. A água para o consumo da casa tem que ser trazida da grota funda. As atafonas passam mais tempo paradas [A grande maioria destas atafonas, engenhos e serrarias em tempo de seca, tinham represas ou açudes para acumular água, para serem usadas por um certo período] e nem grãos para serem moídos.[Está se referindo aos danos da seca na colheita anterior].O tempo sempre está bom frio e com muito vento. A semana passada foi um pouco diferente porquê esquentou um pouco, mas ficou tão enfumaçado que não dava para ver o sol. As vezes a gente podia ver o sol como um disco através da fumaça. Sábado ficou nublado e no Domingo choveu um pouquinho e na Segunda e na Terça feira amanhecer nublado e escuro então pensamos que agora iria chover bastante e então ontem a noite choveu até bastante, mas hoje está tudo limpo outra vez e não aparece nenhuma nuvem para qualquer lado do horizonte. Melhorou um pouco porquê a poeira apagou e o pasto está se mostrando um pouco mais verde. Para o gado este ano não foi fácil pois durante o verão o pasto já tinha secado e depois agora no Agosto vieram as grandes geadas. Tudo agravado, pois este ano o restolho [As espigas de milho pequenas eram destinadas para a alimentação do gado e eram chamadas de “restolho”] não temos suficiente.

Na semana passada terminamos de plantar a mandioca. Plantamos de mandioca 18.600 mudas, De aipim plantamos 2.700 mudas. As derrubadas dos capoeirões também já terminamos. [Era hábito entre os agricultores deixar as áreas de terra cultivada “descansando” por um período de até 5 anos e quando já havia crescido uma capoeira ou mais tempo um capoeirão era novamente roçado e queimado e tornado a cultivar.] Já plantamos pepinos e batata inglesa para que até as Festas do Natal quando vieres para casa passear para você se deliciar de tudo isso e mais das grandes melancias que também nós já plantamos.—-

Junto a esta carta estou enviando uma “receita” que o Diretor prescreveu e as quais aqui na farmácia tinha que esperar por um longo tempo e ainda ele cobra 15$000 por vidro e assim eles põem 5$000 de lucro por unidade. Naquela vez eu comprei um vidro e tomei e não observei nenhuma melhora significativa porquê aqueles são aqueles remédios que são necessários tomar aos baldes. Então comecei a tomar aqueles dois vidrinhos de remédios que o Wictor trouxe que agora já estão no fim, mas a perna não melhorou nada. Se você puder comprar maior quantidade, quem sabe uma meia dúzia, então poderia usar mais tempo, aqui o farmacêutico quer encomendar, mas ele quer ter um lucro exorbitante, no Rio custa 6$000 e aqui ele quer 15$000. Melhor seria se alguém que viesse de lá pudesse trazer.

Bem desta vez chega de tanto escrever, pois também eu não tenho a máquina de escrever que facilita escrever mais rápido como você ai. Sobre outras coisas eu pouco sei porquê às noites poucas vezes a Igreja eu vou. Pode ser que a Luzija que vai para todas reuniões de preparação dos professores da Escola Dominical e Estudos Bíblicos possa te contar porquê para mim ela não diz nada. Então escreva diretamente e pergunte a ela.. Vou esperar carta sua. Com lembranças. Olga.

A grande seca trouxe muitos prejuizos para Lavoura e prô gado.| De Juris Frischembruder para Reynaldo Purim -1924 –

Rio Novo 25/5-24
Querido Irmão em Cristo.
Que a Misericórdia e o Amor de Deus esteja convosco.
Alegro-me que você alcançou com a Graça de Deus o seu lugar onde mora e onde trabalha e agora com as forças renovadas e com alegria enfrentar o trabalho na seara do Senhor nosso Deus.
Também fiquei muito feliz e satisfeito porque se dispusestes a colaborar com o “Kristiga Balss” [A Voz do Cristão – Publicação da Convenção Batista Leta da Letônia] e de coração agradeço.
Tinha totalmente olvidado que o R. Inkis também trabalha lá no Seminário. Por favor, cumprimente-o por mim e diga a ele que eu solicito que também colabore com o “Kristiga Balss” com todas as suas energias espirituais.
Nós aqui no Rio Novo, vai tudo como de sempre.
A Mocidade está se aprontando para a grande Festa dos Hinos e da Música que vai acontecer nas Oitavas da Festa do Verão. [Otras Wasaras Swetkus. Segundo dia da Festa do Verão – Oitavas].
Agradeço pelos obséquios que fez por mim.
Nas minhas lides diárias tudo vai mesma coisa nem melhor nem pior. A grande seca trouxe muitos prejuízos para a lavoura e para o gado.
Favor desculpar-me pelo atraso na resposta, a sua carta.
Com amáveis e sinceras lembranças.
Seu menor irmão em Cristo.
J. Frischembruder.[ Júris ]

A água da calha não corre mais | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28-7-1921

Querido irmãozinho!

Primeiramente envio muitas lembranças. Recebi a tua carta escrita em 23-6-21. Muito obrigada.

Nós estamos passando bem. O tempo está bom e quente.

Na segunda e terça passada, choveu muito pouco, o suficiente para molhar as estradas. A água na calha [ Fonte que trazia água da nascente] não corre mais.

O milho terminamos de colher e transportar no dia 19 de julho. Tínhamos começado no dia 13 de junho no dia da festa do Santo Antônio que é dia santo para eles, no Barracão [Barracão é um vale paralelo com o Rio Novo no lado leste]. Teríamos terminado antes se não fora tão frio e chuvoso naqueles dias. Despejamos 206 cargas no paiol principal e como ele estava super cheio tivemos que por mais 35 cargas naquele paiol pequeno e por este tempo todas espigas pequenas que este ano não foram muitas foram dadas direto para o gado. Você bem pode avaliar o duro trabalho de apanhar o milho, de juntar e trazer nas costas até a trilha e dos cavalos trazerem para casa. A grande vantagem deste ano que naqueles dias que nós trazíamos, não havia lama nos caminhos, como fora nos outros anos.

O feijão agora está com bom preço. É provável porque vocês acham que agora começaram a gostar de comer o feijão daqui. Nós também levamos as nossas para vender. O pessoal da vizinhança vendeu por 10$000 a saca e nós quando chegou a 16$000 resolvemos vender duas sacas pensando que não fosse subir mais, mas nesta mesma semana foi para 20$000 então levamos mais 5 e ½ sacas. Agora você mesmo pode calcular quanto deu no total.
Quando começaram a pagar 20$ então o pessoal levava o feijão durante o dia e noite e mesmo durante as grandes geadas, mas agora o barulho cessou e é provável que tenham levado tudo.

Desta vez não vou escrever muito porque você não tem tempo para ler cartas longas.
Mas quero anunciar que logo vai começar a festa da colheita da cana para fazer açúcar. Então não se demore lendo cartas e deixe tudo por lá e caia na estrada.
Logo o nosso meeiro, o Augis [Augusto Feldsberg], vai começar a fazer açúcar em nossa fábrica. A nossa cana ainda não foi cortada. É possível que comecemos dentro de algumas semanas, pois não temos a pressa dos outros pois a nossa cana está num lugar alto e nada sofreu com a geada como as dos outros. Então você terá tempo de chegar até aqui para tomar garapa, lamber o melado e comer o açúcar.

Bem desta vez chega. Agradeço você ter mandado as cordas do violino e os jornais. Agora eu tenho cordas suficiente para o violino, mas quando faltar eu escrevo para você comprar.

O Arthurs hoje não vai escrever porque não atirou em nada e nada de importante não tem o que escrever.

Pois tenho que terminar mesmo, pois tenho que ir dormir, pois os outros todos estão dormindo.

Ainda muitas lembranças de todos. Luzija.

Adeus cartas longas | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 27-12-17

Querido Reini,

Recebemos a tua carta, escrita em 5 de dezembro, no dia 23 de dezembro. Obrigado. Foi uma longa espera e nem sabíamos onde você estava. Tu escreves que mandou uma carta ainda do Rio, mas esta ainda não chegou. Os desenhos recebemos junto com dois rolos de jornais. Os pacotes de desenhos tinham sido abertos pela censura, mas os rolos de jornais não, portanto você pode escrever nos espaços vagos dos jornais que eles não abrem. Dia 22 de dezembro te mandei um cartão escrito em leto, vamos ver se chega. A mulher do correio falou que as cartas escritas em leto não serão mais abertas, mas esta tinha sinais que tinha sido aberta. A censura pelos correios não é uma coisa boa, mas muito mais difícil se as cartas tiverem que ser escritas em brasileiro — se for assim, adeus cartas longas, porque nesta língua a gente não tem facilidade.

Agora tenho tanta coisa para escrever que não sei se vou conseguir fazer pela ordem… Nós estamos passando bem, estamos todos com saúde, e nenhuma calamidade aconteceu depois daquela tempestade de fogo que varreu toda região. Pela minha carta anterior você deve ter percebido que condições precárias nós passamos.

Oh. Foi a situação mais crítica de toda nossa história. Neste ano o 15 de novembro, maior Feriado Nacional, deverá ser gravado com letras de ouro. Quantas famílias perderam tudo! Só abaixo da serra mais de vinte casas de brasileiros ficaram um monte de cinzas. Propriedades inteiras ficaram irreconhecíveis: cercas, árvores, pastagens e plantações viraram uma mancha negra. Até para os Klavin, faltou muito pouco para perderem a casa e as demais dependências. Foi quase sorte: juntaram muita gente e durante o dia inteiro usaram escadas para molhar os telhados, paredes e cercas, isso no meio de uma nuvem de fogo e fumaça.

Este ano foi um ano cheio de tragédias. No começo de ano as enchentes, depois as grandes geadas, a neve, os gafanhotos, um mês e meio de seca imensa e depois, para completar, o fogo.

Você pode imaginar como tudo ficou ressequido depois de tanto tempo que não chovia: os pastos estavam tão secos que o gado nada tinha para comer. Começamos a trazer folhas do mato [grandiuva] até dezembro, mas já estava faltando e tínhamos de ir longe nos matos e capoeiras em busca do pouco verde que restava para os animais. Também dávamos espigas de milho (as pequenas), mas já estavam acabando. Ainda bem que dia 1° de dezembro começou a chover, e choveu sem parar por dois dias e meio: agora está tudo verde.

Este ano as plantas não cresceram o que seria esperado. O milho plantado no cedo, se não continuar a chover, não vai dar nada. Em muitos lugares o milho não tem um metro de altura e já está soltando o pendão. O milho terminamos de plantar no dia 15 de dezembro, e no total plantamos 16 ½ quartas. Nunca tínhamos plantado tanto quanto este ano. A batata inglesa [kartupeles] cresceu um pouco, mas depois secou tudo. Só aqueles plantados no tarde estão verdes.

Perto de Orleans apareceram novamente gafanhotos, também em Rio Laranjeiras, Rio Belo e Braço do Norte. Perto de Orleans tive oportunidade de ver uma nuvem deles, as beiras das estradas tão cheias que chegavam a chiar; ainda bem que não estão em toda a parte. Onde eles estão eles comem tudo e começam pôr ovos. O governo determinou que as pessoas não atingidas fossem trabalhar dois dias, pelos menos, matando os filhotes [NOTA: Abriam-se valetas e espantavam-se os filhotes para dentro, cobrindo-os em seguida com terra]; nas roças tudo fácil, mas nos matos e nas capoeiras nada havia o que fazer. Se os que sobrarem subirem o Rio Novo, vão comer tudo. Esperamos que sigam para o leste, para onde foram os adultos. Para baixo de Orleans falam que tem muito mais, que na estrada de ferro não se consegue enxergar os trilhos. Os filhotes são pouco maiores que moscas, com um risco cinza nas costas; ainda não tem asas
mas são muito espertos para pular.

Semana passada comecei escrever esta carta, mas como durante as festas ninguém foi a Orleans, perdi a pressa de terminar esta. Hoje, dia 30 de dezembro, o Roberto [Klavin] trouxe a sua carta escrita em 10 de dezembro. Muito obrigado. Estou muito feliz porque você está passando bem. Você pergunta se aquelas cartas enviadas do Rio chegaram: não, a última escrita do Rio foi aquela datada 16-11-17.

Como foi o seu exame? Você não recebeu o último boletim da tua escola? Se você mandou, deve ter-se extraviado. Quanto aos desenhos, são os últimos? Eles são lindos e servirão de moldes para as minhas costuras. Você levou a sua caixa de coisas junto? Desta vez vou fazer muitas perguntas e aguardar longas cartas. Você está em férias e tem tempo bastante para escrever.

Bem, preciso escrever sobre as festas de Natal. Este é o primeiro Natal que passamos sem você…… Bem, mas tudo correu muito bem, passamos alegres e fazia muitos dias que o tempo não estava tão lindo. Não está quente demais e havia um luar muito lindo. Naquele domingo antes das festas estava chovendo e estávamos temerosos, pois poderia atrapalhar as programações, mas a chuva logo parou.

No Rio Laranjeiras estava programada a festa com pinheirinho e tudo para o dia 24, mas este dia amanheceu brusco e parecia que logo iria chover; felizmente, lá pela hora do almoço começou soprar um vento seco que dispersou todas nuvens, então alegres pudemos nos aprontar para a viagem.

Saímos às 4 da tarde e chegamos lá antes de escurecer. A estrada estava inteiramente seca mesmo dentro da mata virgem, lá onde na vez passada, na Páscoa, havia aquele lamaçal horrível. Por coincidência, éramos novamente treze pessoas: Arthurs, Arnolds, Juris, Augusts, Ernest Slengman, Ema, Lonija, Isolina, Milda, Schenia, Lusija e eu. O Roberto estava lá desde domingo. O pinheirinho era igual do ano passado e no mesmo lugar. Não tinha tanta gente como no ano passado e o programa não foi tão longo.

A festa foi dirigida pelo Roberto, que é da Escola Dominical daquela Congregação. A escola tem 24 alunos matriculados e as entradas do ano, com o saldo do ano passado, perfazem mais ou menos 30$000; as despesas, 18$000, ficando um saldo de 20$000 para o próximo ano.

Este ano não foram feitos bolos [kukas] porque está tudo muito caro. Foram comprados em Orleans, nas padarias, onde saiu mais barato, bem como os bombons [bombongas] para as crianças. Os presentes foram muitos.

Agora vou contar quais os hinos foram cantados e daí você pode cantar e fazer de conta que participou da festa. Pela E.D. de Rio Laranjeiras, foram cantados dois hinos, os de número 210 e 438 do Cantor Cristão. Todos juntos cantamos 4 hinos: os de números 18, 217, 225 e 242. Dois hinos foram cantados pelos vicitantes que vieram para cima, os de números 248 e 446. Então ainda cantou um trio masculino — Roberts, Arnolds e Arthurs, — o hino 444: “Sejais Corajosos Povo de Deus”. As poesias eu não teria como transcrever. Todo o povo participou com grande reverência.

Depois do término tomamos café e saímos de volta para casa. O cansaço apareceu na subida daquele grande morro, mas de modo geral saiu tudo bem, pois não estava nem quente nem frio. Chegamos em casa a uma e meia da madrugada. Só música não houve; não porque não tivessem sido levados os instrumentos, mas porque não foram levadas cordas de reserva e deu azar de terem arrebentado algumas — e deu no que deu…

Nos Leiman [sede da Igreja de Rodeio do Assucar] o pinheirinho foi aceso dia 26 Dez. Lá houve um programa mais longo do que no ano passado.

A festa foi dirigida pelo Arthurs [Leimans]. Poesias houve vinte e uma: dez em leto e onze em brasileiro. As em brasileiro foram declamadas por Arnolds 1, Juris 1, Augusts 1, Vilis Slengmann 1, Isolina 1, Emma 2, Milda 1, Luzija 1 e eu 1. Não posso te transcrever pois não sei onde foram encontradas. Os professores entregaram, mandaram decorar e pronto. As poesias em leto foram apresentadas pelos mesmos.

Hinos foram cantados doze: sete em leto e cinco em brasileiro. A Escola Dominical cantou os hinos do Hinário Bernu Kokle números 125, 127, 137, 109, e 134. E ainda cantaram em trio Emma, Lonija e Milda o de número 78, enquanto o Arthurs acompanhava com a guitarra. O Ernesto, Emma e Lonija Slengman cantaram o hino 7 do Musu Dsiesma Gramata, seção Ceribas Auseklis. Pela Escola Dominical os alunos cantaram em brasileiro os números 76, 161 e 247. O Arthurs fez solo do hino 220 do Cantor Cristão acompanhando da guitarra e também do violino do Roberts. Ainda a Milda e Isolina cantaram o número 73 do Cantor Cristão. Agora você sabe quais hinos foram cantados. Foram apresentadas duas músicas instrumentais do hinário inglês. O programa ficou um tanto longo.

Nunca tinha havido tanta gente: brasileiros, italianos mas muito mais rionovenses [NOTA: Membros da igreja batista rival, de Rio Novo], a juventude quase toda. Até os velhos Karklim também estavam. Para abrir mais espaço, o Matiss ajeitou lugares atrás das janelas. Assim pudemos bem recepcionar os “inesquecíveis” visitantes rionovenses. Barulho ou qualquer movimento não foi permitido pelo encarregado da ordem, o Juris Klavin, que ficou no lado de fora. Ficaram tão comportadinhos que lembraramvque não estavam em sua Igreja do Rio Novo.

Neste dia tive a oportunidade de ver as beldades do Rio Novo, antigamente não apareciam como agora vão… Pelas estradas sempre estão aos pares, e junto de cada rapaz vai uma mocinha. Ninguém sabe como vai terminar essa grande loucura…

No dia 25 de Dez. os rionovenses comemoraram o seu Natal. No pinheirinho havia somente treze velinhas, e estas eram curtas e acabaram logo. A Escola Dominical é tão grande que quase não se pode enxergar… Mas para o próximo ano o professor Butler vai tomar as rédeas e fazer todos os pequenos e grandes participar da E.D. — se não os novos ficam mal acostumados e ficam por aí.

Nas cartas passadas escrevi que o Oscar ia se casar, mas até hoje não saiu nada. As promessas eram muitas mas até agora nada, e porque também não sei. No domingo passado na casa de “T” houve o noivado de Laura e João. Agora “T” e ”S” são tão parentes que é de se admirar. Antes “T” e “S” não podiam nem se ver, agora se beijam.

Logo parece que vamos ter o casamento do Vilis Paegle com a Erna Auras. Agora saiu uma lei na Justiça que no ano que vem só poderão casar os que tiverem se inscrito este ano, e o motivo é a convocação para servir o Exercito. Por isso os meninos estão correndo para casar. E ainda há um papo de que se por acaso for casado e convocado, passará a receber um soldo muito maior que o solteiro. Não sei se estas novas da justiça tem alguma lógica ou se são só para se ganhar dinheiro com mais casamentos.

Sobre os feitos heróicos dos rionovenses eu teria muito o que escrever, mas deixa prá lá. Não vale a pena escrever.

Agora, o ano no fim, vou descrever o nosso balanço com as entradas e saídas. Neste ano vendemos 70 arrobas de toucinho que renderam 709$590. Banha, 69 quilos por 69$00. Das abelhas mel e cera, 98$000. Manteiga, 21 quilos e 37$500. Ovos, 189 dúzias e 66$300. Feijão, 11 sacos, deram 110$000. Total de entradas, 1:101$890; saídas, 374$320. Saldo: 726$970.

Este ano as entradas foram maiores e as saídas menores do que no ano passado. Agora está tudo mais caro, o feijão já está a 17$000 a saca, o toucinho 13-14$000 a arroba, e o que a gente compra é três vezes mais caro do que antes.

Dias atrás em Orleans saiu uma conversa de que teria chegado um telegrama informando que a guerra tinha terminado e que a Alemanha derrotada havia pedido a paz, pelo que houvera grandes festas em Orleans.

Bem, chega. Vou esperar uma longa carta sua. Tu podes escrever em leto e colocar no rolo com jornais, e assim vão chegar sem ninguém abrir. Aquelas fotografias dos seminaristas você chegou a nos mandar?

Com sinceras lembranças para vocês todos,

Olga