Ludvig Rose com sua segunda esposa

Deve ser de antes de 1925, pois foi ano em que ele faleceu. Ludvig Rose, jornalista do Deutsche Zeitung em São Paulo, era irmão de Lizete Rose.



Anúncios

Sobre aqueles perigos | Ludvig Rose a Reynaldo Purim

São Paulo, 18 de agosto de 1917

Querido Reinhold,

Desculpe por ter feito você esperar alguns dias pela resposta a sua carta. Esta semana tive que trabalhar à noite, e sobrando um tempo é com muita alegria que escrevo cartas particulares.

Aquela roupa de que você precisa só poderei mandar daqui uns dez dias. Terei que mandar lavar primeiro.

Quanto o meu trabalho na imprensa vai como sempre foi. Sobre aqueles perigos ninguém mais fala mais nada; tudo anda nos trilhos.

Se escreverdes para tua mãe, informe a ela de minha parte que recebi a carta da Olga com a fotografia de meu pai e que muito brevemente vou escrever, mas como tenho muito trabalho com o jornal, as respostas das cartas ficam para depois, para…

Amanhã…

Onde pensas passar as tuas férias, junto aos teus pais ou comigo?

Com muitas lembranças do teu tio

Ludwig Rose

A entrada na guerra | Ludvig Rose a Reynaldo Purim

São Paulo, 10 de abril de 1917

Querido Reyhnold,

Só hoje consegui uma oportunidade de escrever-te1. A tua primeira carta não pude responder, pois tinha perdido o teu endereço. Pensei que o número fosse 282, mas assim mesmo fiquei aguardando nova carta, achando que você colocaria o endereço no verso, o que realmente aconteceu.

Tendo recebido a segunda carta, novamente não pude responder, com a entrada dos Estados Unidos na [Primeira] Guerra [Mundial]. Esperávamos que o Brasil não fosse seguir o seu caminho, e ficamos observando diariamente para ver o que aconteceria. Agora tudo realmente indica que o Brasil também entrará nesta guerra, e esse futuro próximo é realmente preocupante.

Não sabemos se o governo será capaz de nos garantir o sossego para continuar editando o nosso jornal [em língua alemã]. Pode acontecer que tenhamos que fechar. Com estes obstáculos e nestas condições eu não receberia o salário. Esse é o grande motivo pelo qual no momento nenhuma ajuda eu posso te prometer. Eu ficaria bem mais tranqüilo se as coisas estivessem calmas, assim poderia te ajudar tranqüilamente. Agora mesmo estou colocando tudo em caixas e me aprontando para mudar para Orleans se as coisas não se mostrarem seguras por aqui.

Você percebe que tudo depende da situação. Se continuar ganhando bem como sempre, terei certeza de poder te ajudar. Se não, você poderá acompanhar a mim e minha esposa até o Rio Novo. Lá esperamos a guerra passar, depois do que eu continuo a escrever e você a estudar.

Muitas lembranças a todos os parentes,

Ludvig [Rose]2

* * *

1. Carta escrita em papel timbrado do Deutsche Zeitung Für S. Paulo. Entre outras informações, o cabeçalho diz:
Diretor: Sr. Rudolf Troppmair
Endereço: Rua Libero Badaró 99, Telefone 4575, Caixa Postal Y
Endereço telegráfico: Zeitung São Paulo.
2. Ludvig Rose, irmão de minha vó Lisete Rose, era leto mas escrevia para um jornal alemão (o Deutsche Zeitung) na cidade de São Paulo. Como seus colegas alemães, era simpatizante da causa alemã na Primeira Guerra Mundial.

Ludvig Rose, 30 de junho de 1910



Ludvig Rose, quando morava em Porto Alegre, 30 de junho de 1910.

Irmão de Lizete Rose Purim (mãe de Reynaldo Purim), o “tio Ludi” mudou-se mais tarde para São Paulo, onde foi redator do jornal em língua alemã Deutsche Zeitung für S. Paulo. Tornou-se em alguns sentidos facilitador da mudança de Reynaldo Purim da Colônia do Rio Novo para o Seminário Batista no Rio de Janeiro.

No verso da foto: “Para minha irmã Lisetta Purim como lembrança. Porto Alegre, 30 de junho de 1910”