Agora conseguimos entrar bastante para dentro do mar.| De Carlos Leiman para Reynaldo Purim 1922

Paranaguá, 18 de setembro 1922

Querido Reinold

Saudações

Recebi a tua carta. Obrigado. Sobre as tuas perguntas não sei se vou responder a todas pois estou assoberbado [“Apkrauts ar darbeem” isto quer dizer literalmente que o trabalho está amontoado em cima dele] e também devido a preguiça de escrever cartas.

Do trabalho eu gosto, só é que é trabalho demais. Agora eu sou Chaufer do barco, a motor. Agora conseguimos entrar bastante para dentro do mar. Você não quer vir andar um pouco de barco?

Agora eu tomo conta de 9 Igrejas só no Campo Paraná/Sta. Catarina.

Estou tentado a voltar a lecionar. São maravilhosas as oportunidades para ensinar esta juventude tão necessitada de cultura e conhecimentos.

O Austrilinis está lecionando na Escola, mas não vai longe porque vai ficar somente até novembro e depois não sei como vai ser.

Os Rionovenses escrevem uma amável carta solicitando ajuda para o meu irmão Wilis. Mas não vai dar certo. Seria melhor apoiar o trabalho de Tubarão com o Oscar de Oliveira.

Estarei viajando para Rio Branco e O Deter vai para o Rio Novo.

Com muitas lembranças. Seu Carlos Leiman

…com as fronhas lindamente bordadas ….| De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 20 de Abril de 1922

Querido Reynold!

Então eu vou ter que escrever novamente, pois já faz bastante tempo que você não tem escrito nada. Ainda que eu esperei e achava por você estar de férias poderias bem escrever e esta era a sua obrigação.

Eu já mandei as roupas de cama com as fronhas lindamente bordadas e ainda mais tudo que foi feito à mão foi meu trabalho pessoal. É possível que estás acostumado viver com roupas mais elegantes, com mais luxo ainda e quem sabe estas que eu te mandei não sirvam ao seu alto nível…

– Só aqueles 3.50 metros de tecido custaram 5$000 então calcule quanto custou a mão de obra para costurar e bordar. Será que lá ficaria mais barato?? Aquele tecido estampado multicolorido das camisas custou 1$200 o metro e foi gasto aproximadamente 3 metros. Estas camisas lá devem custar pelo menos 8$000 e daí você teve um lucro de pelo menos 3$000…. E agora que já sabes de todas tuas dívidas espero que venhas liquidá-las plenamente.
Sabe, que não é dinheiro que nós estamos pedindo, mas no Natal você terá que vir para casa e trazer alguma coisa muito boa. Ainda não pensei o que eu vou querer, mas tão logo que eu resolver eu te escrevo, pois tempo ainda temos bastante até lá.

No primeiro domingo de abril eu fui aceita na Igreja mediante a profissão de fé, mas o batismo ainda não pôde ser efetuado e não sei quando vai ser. O pessoal do Rio Novo está esperando o Deter e ninguém sabe quando ele virá. Mas, já convidado ele já foi.

O tempo está muito instável, na semana passada foi seca a semana inteira e esta semana chove e faz sol sem qualquer ordem. Hoje estivemos cortando arroz, pois os mesmos estão maduros. Este ano o arroz nem do cedo nem do tarde não se desenvolveu bem devido que no verão houve excesso de chuvas. Também muitas espigas de milho estão podres.

Durante a Páscoa o tempo foi razoavelmente bom e durante a primeira Festa [na Sexta feira Maior] a Senhora Leimann veio nos fazer uma visita e é a primeira vez que ela sai, depois do período que esteve doente. A última vez que ela tinha saído de casa foi no enterro da senhora Bankowitz em 12 de outubro passado e agora ela está tão recuperada que já anda a cavalo.

Bem agora eu acho que chega de imprimir, pois você não tem mesmo tempo de ler.
Na semana passada a Olga mandou uma carta qual eu acho que já chegou lá. Na Sexta feira Maior ela recebeu a tua carta escrita no dia 31 de março.

Escreva bastante, pois o Wictors não conta nada.

Aqueles estudantes de Rio Branco também falam o brasileiro? Em que classe ou período eles estão? E como eles se chamam? O Looks também foi?

Este ano ainda você mesmo lava a sua roupa?

Você este ano não está aprendendo violino? No nosso conjunto de violinos daqui do Rio Novo o Rubis [Roberto Klavin] deixou de tocar porque se acha muito velho demais.

Muitas amáveis lembranças dos outros de casa e minhas também.

Lúcia
[Escrito abaixo a lápis]
Hoje recebi a tua carta escrita no dia 14 de abril. Muito obrigada. A resposta escrevo em outra ocasião.

É a terceira vez que estou tentando ir para lá. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim — 1922

Joinville 10 de fevereiro de 1922

Querido Reinhold

Saudações!

Depois de muitas voltas e andanças ante ontem dia 7 cheguei e agora estamos em casa enquanto as obrigações não forçarem ir adiante.

Tenho me esforçado por todos os meios de ir até o Rio Novo, mas até agora não surgiu esta oportunidade. Também nada sei de meus pais se estão vivos ou estão mortos. É a terceira vez que estou tentando ir para lá. Agora penso que talvez em maio dê certo.

Nós tivemos a Convenção Anual. Grandes Programas. Grandes alvos, tudo estaria bem, mas o Lupers foi transferido para Portugal e o trabalho aqui fica sem ninguém no lugar para o comando.

Daqui da região irão 4 estudantes para o Colégio isto é dois pares e por eles espero mandar aquele Hinário “Skanha Rota”. [Um hinário leto chamado de “A Jóia do Som”]

Agora olho e penso o que começar em um lugar totalmente estranho e onde não tenho nenhuma pessoa conhecida para conversar ou trocar alguma experiência ou planejar algum trabalho.

A Igreja em Rio Branco está muito feliz com a minha vinda para cá. Somente não sei o que pensam os Rionovenses.

Por favor, escreva contando como foram as suas férias.

Escreva para Joinville Sta. Catarina

Com um sincero abraço.
Carlos Leiman
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Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
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…muito admirado e pasmo pôr que lá não mais estou. | De Fritz Janowski para Reynaldo Purim

Rio Branco 20 de novembro de 1921
[(Rio Branco era uma das colônias Letas entre Bananal hoje Guaramirim e Massaranduba)].

Querido amigo!

Paz e alegria e a mais completa boa vontade no Senhor seja a Sua parte.

Pode ser que eu tenha sido esquecido ou estranho para você. Terá passado um ano que não tenho escrito para você. O entendimento e o tempo sempre estão tomados de modo que não tive condições de voltar a escrever. Como tu bem sabes que quando um caminho está tomado pelo mato fica mais difícil pôr ele caminhar. Seja como for eu nunca esqueci nos meus pensamentos, aqueles momentos que compartilhei lá no Seminário. E fico muito admirado e pasmo pôr que lá não mais estou.

Na minha vida aconteceram grandes mudanças. Neste ano no dia 24 de março eu selei a minha vida em matrimônio com a jovem irmã Ermínia Liepin, então eu já estou na classe dos maduros ou velhos. Estamos morando em Rio Branco com o pai.

Para o ano que vem estamos aguardando o irmão Carlos Leiman como Missionário para cidade de Joinville e cidades vizinhas. Em 11 a 15 de janeiro de 1922 reunirá aqui em Rio Branco a Assembléia da Convenção Batista Paraná / Sta. Catarina.
Esperamos a sua presença por aqui.

Com muitas lembranças e a certeza de um próximo reencontro.

Teu Fritz Janowski.