Nós estávamos culpando o homem dos Correios . | De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1923

Rio Novo 15 de novembro
Querido irmãozinho!! Saudações!

Hoje a noite estou escrevendo a última carta do ano. Este ano não irei mais escrever para você. Eu tenho escrito muitas cartas, mas respostas não têm vindo. Por que você não responde? Nós estávamos culpando o homem dos correios. As outras cartas, ele, entrega. Vai ver é você que não escreve. Pode ser que você nem queira que nós escrevamos para você. Quem sabe nós estejamos amolando você com tantas cartas.

Há pouco tempo recebemos o chamado “O Crisol” e que este nome significa aqui ninguém sabe e eu também não entendi. O Robert[Klavin] também recebeu.

O Robert não mandou algum número de prova do jornal deles para você. Ele aqui é o redator de uma publicação mensal chamada [ “Menehscha Gaisma” •] [quer dizer; “A luz do Luar”] ela é publicada pelo Grupo de Cordas da Mocidade da Igreja. A “redação” é na casa do nosso vizinho Auggi ] [ Augusto Feldsberg]

Nós aqui estamos passando mais ou menos bem. Trabalho nós temos demais, tanto que nós não estamos dando conta.

Hoje, ou melhor, hoje à noite vocês lá no Rio, estão tendo a grande Festa. Hoje é 15 de Novembro. Muita gente cantam, tocam músicas, ouvem-se discursos, mas a mim estes prazeres não estão ao meu alcance. Por isso eu estou sentada na sala, calmamente. Nem hoje não santificamos este dia.

Passei o dia plantando nabos e limpando a horta e o jardim, as flores estavam sendo ameaçadas pelo mato que cresce rápido. Choveu também um pouco hoje. Também estive na outra nossa casa [em Rodeio do Assucar] e depois voltei para casa aqui [Parjahju = Voltei a cavalo ou voltei montada a cavalo. Do verbo “jath” andar a cavalo ou cavalgar] aqui no Rio Novo porque amanhã eu tenho que ir para a cidade procurar se chegou alguma carta para nós.

Este ano você deve vir passear em casa. E é possível que o Karlis [Leiman] também esteja por aqui. Você está tanto tempo longe daqui. Já era para vir no ano passado e é assim quando o cara estuda e ganha um diploma, então o pessoal de casa ele esquece completamente.

Se bem que antes ainda mandava cartas curtas, mas eram cartas, mas quando passou a redator, parece que só se preocupa em escrever para que as páginas da sua publicação, não saiam em branco e o pessoal de casa fica aqui completamente esquecido.

Se você vier faça o favor de trazer aqueles remédios cuja “receita” faz muito tempo atrás nós mandamos junto com as meias. Também pode comprar aquelas xícaras, porquê tens dinheiro e nós também não queremos de graça. Quando vieres, nós o reembolsaremos.

Bem por hoje chega de escrever. Você quem sabe não tenha tempo de ler.

Quando chegares terás todo tempo para descansar, mas não esqueça de trazer junto o teu violino então assim poderei aperfeiçoar os meus dedos nas cordas e aprender tocar melhor.

Lembranças de todos os de casa e também as minhas. Até a vista em Rio Novo.
Luzija
Escrito na lateral.
O nome do remédio que Olga deixou de mencionar na outra carta é: Oleum Baunscheidth

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar….. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rodeio do Assucar 14 de novembro de 1923

Querido Reini.

Saudações!

Então hoje à noite estou escrevendo outra vez, porquê só cabe a mim mandar cartas, mas receber nenhuma. Eu não consigo entender porquê este ano está assim. Será que você este ano realmente não quer escrever? Ou existe algum outro motivo? A última carta que recebemos em junho tinha sido escrita em maio e para variar não, soubemos nada pelos jornais que este ano também não vieram.

Algumas semanas atrás como por milagre chegou um jornalsinho, qual o outro número você mandou para o Roberto. Então tivemos uma certeza que vivo ainda estás e por cima ainda redator deste jornal.

Você está indo pelo mesmo caminho do Ludis que quando passou a redator de jornal, as cartas acabaram e a correspondência ficou de lado. Nós temos mandado bastantes cartas, eu, a Luzija, o Arturs e até o Karlis quando esteve aqui ele também te escreveu. Não sei o que tudo isso significa, este silêncio todo.

Quando recebemos o jornal procuramos alguma anotação, mas nada, a única certeza é que ainda está vivo. A primeira coisa que eu te escrevo que vás passar as férias aonde realmente quiseres se esta é a tua vontade.

Mas por acaso venhas para casa e por isso estou escrevendo esta “última” carta e ela deve chegar lá antes do fim do mês. Alguns diziam que você não vem porque tens que trazer muita coisa, mas acho que ninguém escreveu pedindo um montão de coisas. O que a Luzija escreveu esta semana eu não sei. Para o Artur os acordoamentos do violino e a ocarina.

Tempos atrás, não sei se foi terremoto ou alguma outra coisa. Uma noite, o armário de louça da Luzija, tombou e quebraram-se as lindas xícaras de porcelana dela. Então ela lembrou de escrever para você para ver se pode comprar lá para ela. Quando você esteve aqui, contou que existem lá muitos estabelecimentos que vendem estas coisas bonitas. Aqui em Orleans já não tem mais como antigamente aquelas louças finas e coloridas. Somente louça branca e pesada e muito cara 3$000 ou 4$000 a peça.

A mamãe precisa de bons óculos, mas estes não podem ser comprados, sem antes de prová-los. O que eu preciso você com dinheiro não pode comprar. Por isso não adianta escrever porquê estas belezas [Smukums] eu não preciso.

Se puderes conseguir um remédio da marca Raziteem chamado [espaço em branco] que é fabricado em Cleveland na América do Norte. Este remédio também é fabricado em outros lugares mas não adianta nada. No ano passado o Wilis Elbert encomendou um vidro para a senhora Grüntall e veio e ela pagou 30$000 pelo vidrinho. Muito caro e dizem que em Riga existe também tem do bom e é mais barato. Parece quer o Willis quer ganhar muito sobre as encomendas que ele faz. Aqui em Orleans ninguém sabe que este remédio existe.

Aqueles remédios à base de alho também podes comprar porquê aqui eles são muito mais caros.

Bem agora chega porque tanto escrever eu nem pensava. Quando tu vieres, toda esta necessidade de escrever vai acabar.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar…….

De novo aqui realmente importante não tem nada.

O tempo hoje aqui está coberto de neblina e de vez em quando chove um pouco. Na semana passada estava bastante quente e o pessoal daqui e das colônias vizinhas aproveitaram para queimar as roçadas e as coivaras. Eram queimadas por todos os lados. Mandiocas nós plantamos 12.000 pés.

Já tiramos o mel, rendeu mais ou menos 18 latas. Vamos vender por 20$000 a lata. Tem gente que não vende e quer esperar chegar a 25$000 a lata porquê o açúcar está a 18$000 a arroba.

O que faz o J. Klava? Existem pessoas que dizem que ele ocupa um alto cargo.

Tens notícias dos nossos parentes? Faz tempo que não temos tido notícias.

Lembranças de todos de casa e da Olga.