Esta veio rápida e por ela muito obrigada. | De Luziha Purim para Reynaldo Purim 1924 –

Rio Novo 14 de maio
Querido Irmãozinho! Saudações!
Recebi a tua carta escrita no dia 28 de abril no dia 9 de maio. Esta veio rápida e por ela muito obrigada. Também aqueles remédios recebemos hoje à noite na Igreja e nem sei quem trouxe da cidade até aqui.

Muito obrigada por eles também, na verdade nem estávamos esperando, inclusive escrevi para você mandar aqueles remédios para “Mal da Terra” [Ancilostomíase]. Quando você estava em casa você disse que não falou nada desta remessa. Não veio nenhuma carta acompanhando. Você mandou estes remédios para a Olga? Ou você mandou para nos entregarmos para os Klavin? Uma vez a Mamma falou que a senhora Klavin tinha também pedido remédios para “Mal da terra” pois ela também estava precisando, pois o Willis estava com 20 anos e o Karlis com 10 anos. E nós aqui também estávamos esperando estes remédios.

Nós graças a Deus estamos bastante bem. Nesta noite nos estivemos na Igreja, pois no Domingo foi anunciado que na Terça feira o Stroberg iria chegar e na Quarta feira seria a noite da recepção, mas não chegou ninguém e nenhuma notícia certa de quando realmente ele deverá chegar. Primeiramente ele era esperado para o dia 3 de maio, mas só chegaram o Sahlits.

O Wilis Slengmann, a senhora Andermann com o filho de sua filha [neto] chamado Artur Abolim foram direto para Mãe Luzia.
O Sahlit não foi até o Acampamento no “Deserto” e sim somente até Nova Odessa. Se ele gostou ou não ainda eu não sei. Quando chegaram o Willis Slengman e o Wilis Ochs eles contaram que lá em Nova Odessa existe um amor fraterno [Silta milestiba – Amor caloroso quente].
O Slengmann já aceitou aquela terra, mas ainda não sei se eles irão embora porquê aqui não tem ninguém que quer comprar a terra deles aqui. Mas eles querem se possível levar mais dinheiro para comprar mais terras e porque lá para tocar a lavoura é bem mais fácil.

Na semana passada eu também recebi cartas das primas e entre outras coisas a Lilija escreve que ela perdoa por você não ter escrito e ter esquecido delas durante as tuas férias. Também escreve que ela gostaria de andar a cavalo. Que somente uma vez ela montou no lombo de um animal. Que sempre ela gosta de ver pessoas cavalgando. Que a Alma e a Lilija trabalham com os patrões e ganham 3$000 por dia cada e mais abrigo e comida e a Vilma trabalha com a família Leeknim e o Tio trabalha numa fábrica de madeira.

A Lilija escreve ainda que quando vier para cá ela vai aprender andar a cavalo.

O tempo aqui estava muito seco, tanto que do dia 27 de abril até 8 de maio fez um tempo tão limpo que não tinha nenhuma nuvem nem no fim do horizonte. Soprava um vento seco e tudo estava seco e estorricado. Até que na Sexta feira passada começou a ficar nublado e no Sábado choveu um pouquinho e no Domingo fez tempo outra vez e na Segunda feira choveu um pouco outra vez e assim continuou bom até hoje 15 de maio amanheceu carregado com nuvens escuras e ainda bastante quente. Roncou trovoada e choveu bastante e continua nublado e ainda bastante quente e é provável que ainda chova. Naquele período de tempo bom fazia bastante frio.

Quanto a Escola Dominical vai muito bem. A Igreja também vai bem e quanto a União de Mocidade vai como sempre. O trabalho do Rio Larangeiras continua. Somente uma vez não foram. O Roberts [Roberts Klavin] ainda não está em casa. Pela Páscoa ele desceu a Serra, mas em seguida voltou junto com o Willis.[Klavin] Ele terminou uma atafona e agora está fazendo outras.
Obrigado pelo convite para participar na Festa de Aniversário do Coro. Sei que deveria ir, mas veja acho que já estaria atrasada e nós aqui a Mocidade terá a sua própria Festa de Música e Cânticos. E se de repente você viesse para a nossa Festa e eu estivesse indo para lá quem levaria o cavalo para eu ir da cidade até lá onde você mora e eu também não saberia o caminho então será muito melhor eu ficar na nossa festa e quem sabe noutra vez eu vá.

Bem desta vez chega de escrever senão você não terá tempo de ler inteira. Quando mandares os jornais outra vez mande também o papel azul para tirar cópias de desenhos. [papel carbono]

Muitas lembranças de todos os de casa, se bem eu disse para que os outros também escrevam, mas parece que eles ficaram são totalmente preguiçosos, pode ser que outra vez eu possa obrigá-los também a escrever.
Fico aguardando longa carta de resposta. Luzija.

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…o trovão que chorava todos os dias lágrimas geladas… | Frederico Leiman – 1906

A006-1966-

A VOLTA PARA CASA

VIAGEM MISSIONÁRIA NO SUL DO BRASIL

Material gentilmente enviado por Brigita Tamuza da Letônia
Traduzido do Leto para o Português por
V.A.Purim
Avots (A Fonte) 1906/17, pág. 202

Neste ano (de 1906) em 16 de outubro a escola de Missões de Porto Alegre terminou seu longo curso. Após o término do ano letivo, estávamos destinados a campos já pré-determinados, decidimos tirar alguns meses junto aos nossos pais para repouso e preparo para as próximas atividades.

Em 17 de outubro o irmão J. Netenberg e eu encetamos uma viagem cujo percurso por terra é de 60 milhas (132 km) a pé, com pesadas malas nas costas. Logo no primeiro dia o trovão, que chorava todos os dias lágrimas geladas, todas as estradas encontravam-se alagadas e que umedecia nossas roupas, pele e também o coração.

De vez em quando tínhamos que prosseguir com lama acima dos joelhos e até mais fundo em planícies alagadas passamos 3 noites na chuva e vento, até que enfim nos alimentamos, 2 ½ dias andamos pela beira mar sem qualquer alimentação; pés inchados e carga pesada aumentou e por duas vezes caí em condições de desmaio.

Com os últimos esforços, após 9 dias de viagem chegamos a “Araranguá”, onde ficamos por alguns dias. Dirigimos alguns cultos. Que alegria – uma alma aceitou a salvação!
No ano de 1898 o irmão Kronberg e sua família vieram morar aqui. No ano de 1901 chegaram mais algumas famílias de letos, com 7 crentes, os quais todos os domingos se reuniam para o culto.
Em 7 de maio de 1905 os crentes se reuniram para um trabalho conjunto e fundaram uma Igreja que agora se compõe de 10 membros.
No que concerne à vida material o povo daqui é bem servido, mas na vida religiosa sofrem grandes dificuldades. Faltam pastores ou dirigentes de igreja e faltam escolas para os jovens.
Irmãos e irmãs devemos interceder por esse pequeno grupo, que no seu primórdio é suscetível de perseguições, devemos lembrar as palavras de Nosso Senhor Jesus “não temais ó pequeno rebanho, porque vosso pai agradou dar-vos o reino” Lucas 12.32

Dia 31 de outubro deixamos os letos de Araranguá e a noite alcançamos Mãe Luzia. Aqui ficamos a semana inteira, cada dia celebramos 2 cultos e o Senhor no recompensou com ricas bênçãos.

A Igreja foi fortalecida, alguns caídos se levantaram e 3 almas herdaram a salvação. A pequena Igreja leta se compõe de 20 membros e com alegria podem dizer: aqui reina o amor fraternal, e um vivo e verdadeiro cristianismo.

Com quem pesar este pequeno grupo sente a falta da liderança de um pastor e professor, mas lembremos a eles “Não temais, crê somente!”

Mais 2 ½ dias de andanças estaremos em casa, mas o nosso coração ouviu algum chamado da Macedônia, e adentramos algumas milhas em um desvio de nosso caminho, a uma grande colônia composta de alemães, [deve ser Criciúma] onde o puro evangelho nunca havia sido pregado.
Conseguimos licença para utilizar um grande salão para realizar as reuniões, o povo compareceu em grande numero de perto e de longe, o espaço foi pequeno para a multidão. Quando tivemos trabalhado durante uma semana, junto a algum ouvinte começou a uma séria atividade do Espírito Santo.

Os recursos não permitiram permanecer por mais tempo: ao separarmos caíram muitas lágrimas dos ouvintes; eles imploraram para que os visitem novamente.

Agora diretamente de Mãe Luzia a Rio Novo – para casa. No último dia nos encontrou o trovão, ou por alegria ou inveja, porque estávamos próximos ao fim da viagem, chorava com suas grossas lágrimas. Os rios alagaram e ficaram intransponíveis e nos ficamos embebidos tão profundamente que só os letos sabem suportar.
Passando a cavalo pela escola do Rio Novo encontramos o irmão Anderman [pastor e professor], que havia dispensado os alunos para o recreio no jardim para exercícios físicos, com a típica ferramenta agrícola brasileira, ou seja, a “enxada.”

Quando finalmente após longa permanência distante, tantas dificuldades no caminho, cansado a morrer, sem ser notado, estava eu parado diante da casa paterna, o coração em pranto, os olhos marejados com lágrimas de alegria e gratidão ao Pai do Céu, que tão misericordiosamente nos conduziu.

No domingo teve um sincero reencontro com a nossa “mamãe” – a Igreja. O irmão Anderman em nome da Igreja discorreu sincero pronunciamento com base em II Timóteo 2.
À noite a mocidade programou um ágape, onde contamos uns aos outros nossas vivencias que o Senhor nos proporcionou de bom.

No que se refere à vida material em Rio Novo tem andado a passos gigantescos para frente, cada um possui sua propriedade, ninguém se queixa por necessidades.

Na parte religiosa com a vinda do irmão Anderman que exerce a função de professor e serve a Igreja com dedicação as responsabilidades da Igreja estão em dia; se os Rio-novenses entendessem, que quanto a sua paz e verdadeira felicidade servem e permitissem que o Espírito Santo introduza seu amor e boa convivência, então Rio Novo seria para si e a redondeza como Betania ou Tabor, onde qualquer um visitaria este lugar com satisfação.
23 de março de 1906
Frederico Leiman
Missionário

Alexandre Klavin | O primeiro Pastor da Igreja Batista Leta de Rio Novo Orleans Santa Catarina

ALEXANDRE KLAVIN, FOI O PRIMEIRO PASTOR DA IGREJA BATISTA LETA DE RIO NOVO – ORLEANS NO BRASIL.
Ano 1900
Notícia publicada no Jornal da Letônia chamado
“Majas Viesis n.12 (O Visitador do Lar) de 21 de março de 1901 “
Matéria gentilmente cedida pela Sra. Brigita Tamuzza de Riga Letônia.
Trad. por V.A.Purim

Informo só, que estou aqui em Rio Novo (Rio Novo a colônia, encontra-se 12 km distante da estação ferroviária de Orleans do Sul, onde se encontra o centro da citada colônia o qual a jusante do rio Tubarão ate o porto de Laguna percorre uma ferrovia). Na colônia pela observação vejo que aqui as coisas andam e andarão… Minha viagem durou quase 2 meses. Orleans do Sul fica na província de Santa Catarina no Brasil..

Ao chegar, fui recebido por amigos, irmãos e irmãs da colônia leta de Rio Novo, cavaleiros e carros de boi vieram me receber na colônia Rio Novo…
Fomos honrados com diversos portais elaborados com palmeiras e guirlandas de flores, bem como um jantar elaborado com muito amor.

Então no primeiro domingo assumi como pastor da igreja. Surgiram dificuldades, onde arranjarei terra? Nas proximidades não há… soubemos que um colono próximo da igreja quer desfazer-se das suas duas propriedades e mudar-se para outro lugar. Então teremos que negociar, mas negociar com a seguinte condição: terei que comprar as duas casas com todos os pertences.
O assunto foi devidamente avaliado, o lugar está à mão, bonito e agradável, com pastagem formada e diversas fruteiras, reconheci que não poderia demorar e comecei a negociar.
No inventário havia 7 animais grandes e alguns pertences, somando tudo no contrato comprei por 600 mil réis (mais ou menos 200 rublos), mas a terra terá que pagar em separado. Pelo conjunto das duas colônias perfazendo 150 “pűrvietas”.[ A purvieta era uma medida agrária da Letônia e correspondia a 0.4 de hectare então ele na realidade comprou 37.5 hectares por 600 mil réis e ainda continuar pagando o saldo devedor na Empresa Colonizadora ] Assim de imediato tornei-me um proprietário com 7 animais grandes. Fui presenteado com mais ou menos 70 galinhas, porcos, gansos, perus, cabras e ovelhas, somando umas 100 cabeças…

Agora como líder espiritual dos letos chegar no (Eberea)??, então a igreja achou por bem doar 100 diárias em regime de mutirão então imediatamente encaramos o trabalho, para que até o Natal a casa esteja pronta. Embora estejamos vivendo na mata virgem, mas, quando o problema é construção, então há grande dor de cabeça, porque a madeira apropriada para construção, não há muitas e temos que transportar por duas ou três (pűrvieta) [novamente a distância que a madeira tinha ser transportada] de distancia e é bastante difícil. Mas, quando há boa vontade e um pouco de dinheiro, é possível construir uma boa residência e pelo visto terei a melhor e mais bonita casa em Rio Novo. Ela está sendo construída com diversas madeiras fortes e valiosas. Aqui as casas são construídas com esteios e entre os esteios são colocados pranchões. A minha casa é construída com a seguinte madeira: esteios de “Louro” e “canela”. [os esteios eram nos cantos da casa e eram parte enterrados no solo]. Nestes esteios eram abertos sulcos onde eram encaixadas as pranchas Os barrotes e linhas são de “peroba” e “pinheiro”, as paredes de “cedro” e forro de “baguaçu”. Diversas madeiras duras e valiosas existem acima de 10 variedades, que devemos conhecê-las bem, antes de construir…

Continua