..encontrei uma montanha de jornais e cartas inclusive a sua. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923

Paranaguá 23 de outubro de 1923
Querido Purim – Saudações!
Somente na Terça feira dia 16 cheguei em casa de viagem e encontrei uma montanha de jornais e cartas inclusive uma sua. Muito obrigado por tudo.
Passei uma semana no Rio Novo e lá eles vivem a mesma vidinha de sempre. Discordando e encrencando para aturar a vida.
Em Mãe Luzia também estive e batizei 3 pessoas. Fiz as pazes entre os Klavas e os Stekert que não se falavam e agora ficaram bem.
O Onofre está muito cansado e esta se aprontando para mudar para as Serras para morar no mato!
O Pastor Oscar de Oliveira comprou com promessas, agora comanda uma escola perto da grande ponte de Laguna na beira da lagoa. Contou-me que nada melhor ele conseguiu.
Em Joinville batizei 2, em Rio Branco 2, e em Porto União tivemos boas reuniões com auditórios bastante hostis, Sabatistas, pentescostais, presbiterianos etc. – Mas as que venceram foram às verdades bíblicas.
O Cascão está determinado me boicotar. O Deter determinou que eu visitasse as Igrejas no lugar dele e o Cascão me levar a todos estes lugares com a “Lancha Batista”. Quando eu transmiti esta determinação, ele falou que eu fosse com outras pessoas.
De qualquer modo no começo de dezembro estou mudando para Laguna. O trabalho lá exige. Também para fugir, destes grandes comandantes mandões.
Quando vieres para as férias, aproveite bem o tempo. O missionário Shmidt estará em Sta Catarina.
Desta vez chega. Estou um pouco adoentado.
Saudações
Teu Carlos Leimann

Cansado de esperar cartas suas, vou escrever eu mesmo. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923 –

Paranaguá 6 de junho 1923

 Querido Reinhold

 Saudações!

 Cansado de esperar cartas, suas, vou escrever eu mesmo.  Pensava e esperava que este ano pudesse te visitar – estava enganado. Mesmo com a melhor boa vontade não teve jeito –

 Vou é para Porto União e Rio Branco. Sobre as novidades daqui deves ter ouvido bastante sobre o trabalho aqui. O Evangelista Dr. Marques já está de volta no Rio e deve ter contado tudo minuciosamente. Eles tinham resolvido me retirar do trabalho forçando uma situação, mas aconteceu tudo ao contrário. Não esperando. – Não querendo. Tudo porquê o Dr. Marques decidido a não ficar aqui, pois não se dava bem com o trabalho evangelístico e não aceitando conselhos meus nem de outras pessoas experientes, pois isso ele achava que o diminuiria. Sem experiência nenhuma e sendo descartado de todas atividades por não ter aptidão resolveu me transformar em bode expiatório. Viajou para Curitiba e explicou ao Deter que não poderia mais trabalhar com Carlos Leiman e por isso ele vai embora. O Abrahão que também não gostava de mim confirmou que era impossível trabalhar comigo. O Deter chegou aqui azul de raiva. Fez para mim um sermão com as maiores ameaças e proibiu visitar uma série de Igrejas onde inclusive tinha cargos. Entregou todas estas Igrejas para o Dr. Marques. Eu já sabia e esperava o que iria acontecer, mas fiquei bem quieto esperando que Deus resolvesse o meu problema. Poucas semanas depois o Deter chamou o Dr. Marques dispensando do serviço e pedindo que ele fosse embora. O motivo que ele não tinha se adaptado com o trabalho e de uma pessoa assim, ele não precisava.

 O Deter tinha baixado meus proventos porquê eu não ia fazer mais uma porção de trabalhos agora voltou tudo, inclusive na escola e espero que o salário também. Tudo está indo para o lado certo e espero que daqui a pouco esteja tudo bem de volta como era antes. Se puderes me, mande alguns hinos novos lá da Chautauqua. Mande notícias de lá.

Lembranças do

Carlos Leiman

 

…estou com a vida de um que vaga pelo mundo. | De Carlos Leiman para Reinaldo Purim

Joinville 10 de abril de 1922

Querido Purim

Saudações!

Hoje cheguei de Porto União e tive a oportunidade de ler a sua carta. Obrigado. Agora eu estou com a vida de um que vaga pelo mundo.

O mês passado passei entre Curitiba, Antonina, Morretes, Paranaguá e Bocuera. E mais duas semanas fui professor substituto.

Como vai o João Henkin? Lembranças à ele sim?

Esta semana passei em Porto União entre os letos dali. Vivemos momentos muito alegres quando batizei jovens letos.

Na sexta feira fiquei em Rio Negro procurando casa para morar, mas não achei. Pensei de mudar para ai, pois é mais central e o clima é mais ameno.

O campo de trabalho é grande demais e maduro para o trabalho intenso. O Deter é um grande colega de trabalho e muito democrático [ A.B.Deter missionário americano na região Paraná – Sta. Catarina].

Pensei de ir até o Rio Novo visitar os meus pais e outros velhos conhecidos. Se Deus permitir viver e der saúde então no mês de Junho pretendo visitar novamente a Sebastianópolis. [Rio de Janeiro]

Para todos vocês uma alegre e feliz Festa da Páscoa.

Com sinceras saudações.

Vosso
Carlos Leiman