Salto do Rio Molha, meados de 1940



Salto do Rio Molha, em foto tirada durante o mesmo piquenique na propriedade de Rodolfo e Anna Maisin. Meados da década de 40, ainda durante a Segunda Guerra.

Na extrema direita, na primeira fila, estão Rodolfo e Anna Maisin.

As pessoas de lá são como nós | Lucia Purim a Reynaldo Purim

[Sem data, mas deve ser 29 de abril de 1920]

Querido irmão!

Primeiramente envio muitas lembranças. Agora estamos passando bem. Esta noite está chovendo uma chuva miúda e está um pouco frio.

Estou com um problema no ouvido; não escuto bem, por isso não vou escrever uma carta muito longa. Tenho que estudar, se não na escola não vou passar bem. Estou começando a fazer divisões e a traduzir do alemão. Agora nos feriados nacionais, que serão no dia 1° e 3 de maio, não haverá aula [comemorava-se o descobrimento do Brasil].

No dia da Ascensão do Senhor haverá piquenique e já foram distribuídas as partes para decorar.

Você quer saber se o pessoal está preocupado e preparando-se para a Convenção [Batista do Paraná e Santa Catarina]. Na casa dos outros não sei, mas nós estamos engordando um peru, um galo e três galinhas; também foi feito um forno novo para os assados, limpamos o jardim, cuidamos das flores e as salas deverão ficar brilhando. Estamos nos aprontando como se fosse para uma guerra.

Foi designado que se vier alguém de Rio Branco esses virão para a nossa casa, pois as pessoas de lá são como nós. Ninguém quer hospedar as figuras importantes das cidades, e os mais espertos já escolheram os seus hóspedes. A maioria prefere ficar com os macacos de 5$000 aqui de Orleans e adjacências do que pegar uns de 50$000; a gente tem medo que tantas pessoas inteligentes juntas fiquem querendo arrancar uma o olho do outra.

Os Klavin e os Leiman também estão prontos para receber hóspedes, mas lá é muito longe e ninguém vai querer ir. A senhora Leiman disse que se a senhora Regis vier ficará lá na casa dela. O Deter e a esposa ficarão na casa do Sr. Frischembruder, e quantos na realidade virão eu não sei.

Bem desta vez chega. Amanhã vai haver matança de porcos, por isso temos que levantar cedo.

Com muita saudade,

Lusija

Só as velhinhas e pessoas de idade cantam no coro | Lucia Purim a Reynaldo Purim

29 de maio de 1919

Querido irmão,

Primeiramente envio muitas lembranças para você. Eu estou passando muito bem. O tempo está lindo e quente. Hoje estivemos na igreja, onde teve um piquenique. Pela manhã teve um programa com poesias pelos alunos, que também cantaram três canções do hinário “Bernu Kokle”. O grande coro também cantou vários hinos, mas este está bem reduzido: só as velhinhas e pessoas de idade cantam no coro, pois o pensamento dos jovens está em outro lugar… Depois foi servido café com mistura [pão branco feito com bastante açúcar e manteiga] e depois fomos para o pasto brincar e correr.

As crianças são poucas e ignorantes. Laura tocava harmônio e Gutis Grikis ajudava cantar, mas ainda assim não ia.

Na sexta-feira passada, dia 23 de maio, houve o casamento da Ana Burmeister com o Alfredo Leepkaln. Este sim foi o par de noivos mais skists que nunca houve e nunca mais haverá.

[NOTA: Falta traduzir “skists”. Se estivesse sido escrito “skaists” a tradução seria “lindos, maravilhosos”]

O casamento foi na igreja, e depois serviram pão caseiro [integral], café e pão branco. Mas se os recém-casados não se portarem direito depois do memorável sermão que o Deter proferiu, aí não sei o que fazer mais. Depois disso não teve nada importante. O casamento começou às 2 horas da tarde e antes do sol se pôr todo mundo já ia para casa.

O Waldis Karklin estava domando uns cavalos para o Bekeris. Ele também estava domando um potro do Hermann Grunzkis, mas quando foi subir num outro potro que pretendia ensinar foi jogado no chão, quebrando o braço esquerdo perto do cotovelo. Achei que foi muito bom, porque ele era muito pretensioso, desfazendo e zombando de todos rapazes daqui por qualquer coisa.

Agora o Waldis e o Jurgis vão embora para São Paulo, e sobre a famosa eletricidade ninguém conseguiu ver nada.

Chega por hoje, outra vez escrevo mais. Ainda muitas lembranças da

Luzija

Uma boa conversa | Lúcia Purim a Reynaldo Purim

[Sem data, mas deve ser abril ou maio de 1917]

Querido Reini,

Tua querida carta recebemos. Agradeço. Agora aqui estamos todos bem. Longa carta não poderei escrever, porque aqui está tudo velho.

Ontem a Marta [Klavin] veio nos visitar e pousou aqui em casa. Hoje fomos à igreja juntas. Hoje de manhã também chegou a Isolina, ela já há mais de um mês que mora com os Leimann. É como se fosse filha.

No dia da Ascensão do Senhor ficou combinado um piquenique na casa dos Frischembruder, mas a chuva estragou. Fazia bom tempo até de manhã quando, na hora de sair, desabou um temporal.Este ano ficou determinado que as crianças que não forem à Escola Dominical deverão pagar uma multa de 300 réis.

Este ano ficou determinado que as crianças que não forem à Escola Dominical deverão pagar uma multa de 300 réis.

Na Escola Primária Básica tem uns 12 a 13 alunos. O professor é o Zeeberg, porquê o [João] Frischembruder assusta as crianças.

Naquele dia do piquenique nós não saímos de casa. Lá pelas 9 da manhã chegou o velho Netemberg e ficou até as duas da tarde. Ele é muito “papudo e pretensioso” e gosta de uma boa conversa.

Semanas atrás levamos um porco gordo para Orleans e rendeu 44$000 réis. Estão pagando 11$500 a arroba. Nós agora temos 15 porcos na engorda no chiqueiro, mas ainda não estão gordos. Agora imagine a quantidade de espigas [de milho] que precisamos para 38 porcos.

Acho que você não consegue pés de porco para comer? Bem, por hoje chega; se não noutra vez o que vou escrever?

Com muitas lembranças

Lúcia