Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo …| De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Ano de 1925

Rodeio do Assucar 3-1-25

Querido Reini! Saudações!

Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo e também muitas felicidades pelo seu aniversário, então pensei que precisava mandar um cartão de felicitações, mas depois refleti e cheguei a conclusão que você sendo um homem tão importante, o que iria fazer com um cartão. Também nos nossos aniversários e dias dos nomes que você nem lembrar, lembra.

A tua carta escrita, melhor datilografada no dia 8 de dezembro recebi na semana anterior as Festas do Natal. Obrigada! Desta vez você foi muito caprichoso e escreveu em seguida. Aqui não dá para responder tão rápido, pois tenho que esperar acumular as notícias para então poder te escrever. Pensava que depois de ter passado todas as Festas teria muita coisa para escrever.

Mas se você se lembrar, foi igual ao Natal do ano passado. A diferença foi que no primeiro dia da Festa [O primeiro dia era sempre o dia 25 de dezembro] depois do meio dia deu um forte temporal de chuva e um pouco de granizo. Mas à tardinha passou e podemos ir para ver o pinheirinho, somente a estrada estava muito mole. [A chuva tornava o barro vermelho mole e pegajoso] Apesar disso tinha muita gente. A festa foi dirigida pelo Strobergs. As crianças [O Natal era uma Festa dirigida pelo pessoal da Escola Dominical e a própria Escola Dominical era considerada uma escola para crianças] apresentaram poesias, hinos e Representações e tudo transcorreu muito bem.

Na Noite do Ano Velho [Noite de Vigília] foi uma noite de apresentações sob responsabilidade dos Jovens e a espera pelo Novo Ano. Já na manhã do Ano Novo houve uma Festa de Missões e esta também foi muito bonita e também tinha muita gente. O tempo estava bom e seco e quente. Muitas poesias, hinos pelo coro e também muitos quartetos e a prédica do Karkle como acontece todo ano. É provável que sobre as Festas a Luzija já tenha escrito mais amiúde, para tanto não vale a pena. No Dia da Estrela [Dia dos Magos – 6 de janeiro] a Escola dominical está organizando um piquenique na casa dos Klavim.

A Selma da Kate [ Selma Klavin ] chegou de viagem[ do Rio de Janeiro ] totalmente abatida e cansada de tanto estudar, nas outras vezes era alegre e extrovertida e agora já não sabe mais ser assim. Eu pensava mesmo que ela fosse a frente em alguma ocasião e pedisse a palavra para contar algo de lá, mas até agora não aconteceu.

Por que vocês não nunca autorizam o João Klava a sair para vir para casa? Eu faz tempo que ouvia dizer que ele viria, mas até agora nada. Ele não pôde vir porquê, porquê ele é o diretor da Escola, ou substituto dele e por isso não pode viajar e ainda no começo de dezembro teve que fazer um curso especial de aperfeiçoamento e assim este ano teve que ficar.

A Sylvia Karklim e o Waldi chegaram de São Paulo de passeio aqui.

No Domingo passado recebi uma pequena carta da Lilija.[Lilija Purens]Eu tinha escrito para ela reclamando por que ela não me escreve e perguntando se eles ficaram orgulhosos morando na nova fazenda então ela respondeu que não tinha recebido as cartas minhas cartas anteriores e nada mais atrapalhou a escrita senão a preguiça e ninguém deles não escreveu para ninguém. Diz que o tempo estava muito seco, mas agora já está chovendo. Também de você eles receberam uma carta e a qual ainda não responderam.

Aqui as chuvas tem sido ainda poucas, Antes das Festas, ai sim chovia, mas desde aqueles dias tem estado muito quente e um vento seco que resseca tudo. Ontem à noite sim, roncou trovoada e formaram-se muitas nuvens, mas logo tudo se desvaneceu. Hoje amanheceu limpo e no meio dia estava marcando 40 graus C. no sol. Pela impressão que as lavouras nos dão são desanimadoras. As roças estão completamente estorricadas e não sei como vai ser com o pão de cada dia. Nós temos a nossa reserva, então com o pão realmente não nos preocupa, mas muitos não tem. Muitos colheram pouco e porquê o preço estava muito bom venderam tudo e agora a fome. Tudo está caro e às vezes nem tem para comprar. Os Letos não tem problema de passar fome, mas os Brasileiros e os Italianos não tem o que comer então andando pelas estradas e roubando. Se alguém tem feijão ou batatas em roças a beira de estradas, elas desaparecem. Trabalhar eles não querem, se não pagarem 3$ por dia e mais a comida, então eles dizem que é melhor morrer de fome, do que fazer os letos ainda mais ricos.

A Arthur diz que se você escrever então ai ele também vai escrever. Ele teria o que escrever a semana inteira. No mês passado foram tantos os acontecimentos que você não poderia imaginar.

Lembranças da Olga.

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…com tempestades de verão com grandes trovoadas | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de dezembro de 1921

Querido Reini. Saudações!

Esta noite resolvi escrever uma carta para você.

Fiquei pensado que talvez esteja esperando alguma carta porque na última no começo de dezembro, eu prometi que logo escreveria. Este logo ou breve e já se acumularam às novas notícias e já começaram a ficar velhas e ai não vale a pena escrever, mas como você está de férias tudo bem.

Nesta semana no dia 26 de Dezembro no segundo dia de Natal teve festa com pinheirinho na Igreja e foi também quando recebi aquele grande pacote com jornais. Se eles tivessem chegado antes dos dias das Festas teria tempo de ler todos eles e, mas agora que as festas acabaram e os dias de trabalho voltaram quando a gente chega em casa à noite logo vem o sono, porque a gente está muito cansada. Ainda desta vez a quantidade de jornais foi realmente maior que outras vezes.

A fotografia dos seminaristas desta vez ficou realmente bonita e chegou perfeita e não como as outras vezes. Você em que poderia ter escrito de algum modo os nomes dos seus colegas a fim da gente pode saber quem eles são. Você realmente está tão magro como aparece na fotografia? Se tivesse vindo passar as férias em casa poderia ter engordado um pouco, pois laranjas ainda tem muitas nas árvores. Nós, graças a Deus estamos passando bem. O tempo está bom e muito quente, mas chove com as tempestades de verão com grandes trovoadas.

O milho faz tempo que terminamos de plantar, pois este ano com as roçadas e queimadas terminaram tudo muito bem. Plantamos 13 ½ quartas de semente de milho, 8 mil mudas de mandioca, 1 mil mudas de aipim e agora temos cuidar de capinar, pois as ervas daninhas, também crescem rápido.

Na carta passada eu escrevi que a senhora Leiman estava muito doente e a Mamma mora com ela lá, mas agora no sábado do Natal ela veio para casa, pois ela ficou um pouquinho melhor. Mas, muitas vezes, ela esteve perto do fim. No dia 20 chegou o Arthur Leiman, mas ele está assim magro, que eu cheguei à conclusão que vocês todos que querem ser doutores ficam assim. A viagem dele foi muito lenta, pois ele saiu de Buenos Aires no dia 7 de dezembro onde ele passou pelo pente fino da alfândega, na fronteira. Ele está triste que você não está em casa que se estivesse sairiam grandes negócios, pois dos antigos amigos somente dele, só resta o Roberto, [Klavin], mas ele o achou tão mudado que daquelas amizades antigas, pouco ou nada sobrou. Quando ele foi visitá-lo, foi difícil iniciar qualquer conversação. O que teria feito para que o Rubites [Roberto Klavin] tenha mudado tanto. Será que teria esquecido das antigas amizades ou teria começado a tocar na tuba dos Zeeberg. Talvez algumas lendas inventadas pela oposição o tenham abalado, pois as línguas continuam deletérias.

Aqui pela ordem tem chegado à notícia que o Inkis foi para os Estados Unidos estudar para sair doutor de lá. Eu acho que ele quer sair na frente e tem receio que pôr aqui alguém o alcance.

No sábado a noite chegou o Willis Leiman e sua esposa Lucia e mais as crianças. Estes realmente vieram como que apagar incêndio. Há pouco tempo o senhor Leiman escreveu que a mãe está muito doente e que era bem provável que não mais se levantaria. A senhora Leiman sempre dizia para o marido para que escrevesse para a Luzija que viajasse para cá, pois quando ela morrer tudo iria como que a falência e ai não adiantaria mais nada. O senhor Leiman escreveu e no momento que receberam a carta que deixaram tão perturbados que não sabiam o que fazer. Colheram o trigo e guardaram no paiol e pediram que os vizinhos alimentassem os porcos e tirassem o leite das vacas, cuidassem as propriedades em geral e eles saíram em viagem, tão rápido quanto possível. Vieram de trem pelas Serras e não sei de que porto tomaram um navio para Desterro e daí outro para Imbituba e ao todo levaram 5 dias se viagem.[De Ijuí RGS] A pressa toda é que o Willis ainda queria ver a mãe viva e na chegada, quando a mãe estava melhor a alegria foi muito grande. Foi muito bom que eles vieram, pois agora tem mais pessoas para atender, pois a Mamma fazia tempo que estava lá. O Fritz também queria vir com o Arthur, mas não conseguiu passagem.-
Desta vez chega. No Ano Novo vai haver a Festa das Missões então escreverei mais sobre as Festas em geral.

Com lembranças de todos. Olga.

Sobre Roberto Klavin: O Roberto Klavim além de agricultor era carpinteiro construtor de casas, engenhos de açúcar, farinha de mandioca, atafonas que são moinhos de farinha de milho, serrarias etc. Este trabalho exigia cálculos de relação da velocidade x força, para a otimização da energia fornecida pelas primitivas rodas d’água.