Agora vou contar alguma coisa sobre o tempo que está por ai. | De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Rodeio do Assucar 4 de novembro de 1925
Querido irmão Reini: Saudações.
A tua carta escrita a 30-8 [Deve haver algum erro nesta data] recebi já há alguma semanas atrás. Por ela um grande muito obrigado. Desta vez a sua carta veio um pouco mais longa do que nas outras vezes. Mas eu gostaria de receber cartas mais extensas suas, porque eu mando 3 folhas de papel escritas nos ambos lados e você me responde com um papelzinho escrito somente de um lado e ainda diz que escreveu mais do que eu. Nisso não acredito.

Agora eu vou contar alguma coisa sobre o tempo que está por aí. O tempo está muito chuvoso, já ha algumas 3 semanas que chove todo o dia que quase não permite trabalhar na lavoura e o que é capinado volta a brotar na mesma hora.

Aqui antes estava bastante seco, mas no dia 14 de outubro começou a ficar escuro e nublado e mais tarde na mesma noite começou a chover e assim continua até hoje e o sol não tem chance de brilhar, na semana retrasada talvez por ½ hora o sol brilhou. Mas os rios não subiram demais, deve ser porque antes estava seco demais. As chuvas não são fortes demais, mas suficiente para que a lama não seque e não permitir que se trabalhe nas roças.
Durante a semana passada nós estivemos fazendo farinha de mandioca, para aproveitar a boa quantidade de água no riozinho [Este pequeno rio é o do Rodeio do Açúcar que vem do beirando a estrada que vai para a Invernada].

Pois ele estava bem cheio e também pela pressa, pois este ano a mandioca está terrivelmente atacada por uma espécie de podridão e assim deixar para o ano que vem não vale a pena.

Quanto aos demais serviços de casa e das lavouras estão indo mais ou menos bem, somente esta temporada de chuva tem atrasado os trabalhos de um modo geral, mas assim mesmo de um jeito ou de outro temos plantado 9 mil pés de mandioca, 1 mil pés de aipim, todos em terra arada. Também 3 quartas de arroz cuja maioria está no limpo, pois nós já capinamos uma vez. Milho é que nós temos plantado pouco, pois com este tempo de chuvas não permitiu a queima da coivara. Se não fosse assim teríamos plantado bastante, mas neste caso paciência.

Sobre aquela Associação Rural eu gostaria mais te explicar, respondendo a tua pergunta se eles dão as sementes de graça. De graça eles não dão, mas o pagamento é quase simbólico e insignificante, por exemplo, semente de arroz: todo sócio pode adquirir 60 quilos de semente e não mais, ao preço de 50 réis o quilo. Este limite é estabelecido, pois se aos não sócios fosse fornecido a Associação não teria sementes suficientes e mesmo com sendo pagas se todo Maneco escrevesse e pedisse as sementes e em elas chegando ele poderia por na panela e é por isso que as sementes são fornecidas a sócios idôneos e estes todas sementes recebidas deverão ser plantadas e durante o ano um fiscal desta sociedade deverá fazer uma visita a fim averiguar o bom uso e o resultado das sementes. Quanto ao pagamento de inscrição, jóia, ou mensalidade nada foi informado, mas eu acho que a única despesa é o custo das sementes. Você recomenda-me conversar com alguma pessoa que já é sócio, mas aqui não sei de nenhuma pessoa e assim não tenho elementos para melhor avaliar a validade de associar-se a esta sociedade.
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Penso que desta vez chega. Noutra vez eu escrevo mais. Escreva uma longa carta para mim. Com saudações. Arthurs

(Escrito na margem)
Hoje é 6 de outubro [Deve ser 6 de Novembro e não 6 de outubro] e eu estou no Correio e recebi a tua carta de 27 de outubro. Não li ainda. O mesmo.

…acho que para o Rio Novo ainda não nasceu um Pastor… | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923 –

Rodeio do Assucar 12 de Setembro de 1923

Querido Reinhold

Saudações!

Estou vagando pelo vales do município de Orleans.

Exatamente como “hóspede e desconhecido”. Entre os crentes existe paz.  Ou aparência de paz. Tudo corre na mesma rotina de sempre. Sábios, orgulhosos e convencidos – duros fariseus.

Ontem eu dirigi um estudo sobre Evangelismo.  Mencionei o Seminário, o velho Karklim levantou e fez um longo enunciado contra o Seminário e os Seminaristas fechando a sua fala dizendo que o Seminário erra ensinando demais os seus alunos e nenhum deles aceita trabalhar no interior e todos ficam nas grandes cidades. Que a Igreja de Rio Novo está cansada de sustentar o Seminário e os seminaristas por 32 anos e não recebeu do Seminário um pregador para a Igreja de Rio Novo. – Eu respondi que a Igreja devia escrever para o Seminário reclamando. – Depois pensei para cá comigo mesmo; acho que para o Rio Novo ainda não nasceu um pastor para esta Igreja.

A mocidade está trabalhando diligentemente – Penso que até Novembro já possa ter mudado para Laguna.

Você não virá nas férias descansar em casa?

Daqui eu irei para Mãe Luzia e daí para Rio Branco, Porto União e então para casa.

O teu pessoal está se queixando que você não tem respondido as cartas no mesmo ritmo que eles escrevem.

O agente dos Correios é o Alfredo Balod, considerado por todos como ladrão que todas cartas escritas em leto ele abra para ler.

Com sinceras saudações

Teu

Carlos Leiman

[Escrito na lateral]

Laguna  – 18/8/23 [está errada a data] Não foi possível deixar no correio em Orleans porquê lá o agente é o Alfreds Balod filho do Germano que segundo as informações ele abre todas cartas escritas em leto  e rouba os selos das cartas, por isso trouxe a esta carta até aqui. Em Rio Novo tudo bem. Espero em Novembro mudar para cá. Todos querem inclusive eu. – Carlos – Escreva-me a Paranaguá.

 

[Nota do Tradutor: Estas acusações precisavam ser comprovadas, para não incorrer que a acusação toda seja intriga da oposição.]