A Nova Sciencia de Curar | Roberto Klavin a Reynaldo Purim

Invernada, 6-5-19

Querido amigo!

Recebi a tua carta escrita no dia 1-4-19 no começo da semana passada, mas como não tinha nenhuma ida programada a Orleans a resposta atrasou. Você menciona que escreveu mais cartas, mas estas devem estar perdidas. Esta última estava com o envelope rasgado e precariamente colado, indicação clara de que há ladrões no sistema de correios.

Hoje até que enfim chegou o tão esperado A. B. Deter. Tinha avisado com telegrama mandado de Paranaguá, então amanhã a noite ele deve chegar ao Rio Novo. Ele vai ficar pouco tempo, mas deverá visitar a Igreja de Mãe Luzia. Quanto ao que acontecer, eu no momento não poderei escrever antes de voltar para casa. Estou trabalhando fora para um tafoneiro (melders) fazendo uma nova engrenagem para o moinho dele, e tratei também com um italiano para construir um novo engenho de farinha de mandioca, que logo terei que começar. Mais outro já me procurou para outro serviço que às vezes tenho de dispensar, pois em casa também temos muito serviço.

[NOTA de V. A. Purim: Roberto Klavim era um grande construtor de atafonas, serrarias e engenhos de farinha de mandioca; sempre tinha junto de si aprendizes, principalmente italianos.]

No começo do ano nossa igreja teve problemas e desavenças devido a coisas antigas que o Match vinha querendo levantar; o resultado foi que ele afastou-se da igreja, e agora as coisas se acalmaram. Ele sempre queria que as coisas acontecessem do jeito que ele pensava e como a maioria não foi na dele, ele se afastou. A Escola Dominical no Rodeio [do Assucar] durante o mês de janeiro parou devido à Milda, que pediu demissão, mas logo em seguida a igreja elegeu a Emma para professora e agora vai tudo bem em frente.

A Escola Dominical no Rio Larangeiras te envia muitas lembranças. A mulher do Caciano está muito adoentada e com a fisionomia decaída, e a Maria também está muito pálida. Muito ao contrário, a Margarida está vermelha como uma beterraba e continua aprendendo a ler e escrever.

Bem, quanto à saúde não há muito o que se queixar e ainda agora eu tenho dois livros sobre saúde em brasileiro. Um é “A Nova Sciencia de Curar”, que ganhei de presente do Dr. W. Butler, e ensina a curar as doenças. O outro encomendei de uma livraria de São Paulo; este ensina reconhecer as doenças pela fisionomia, pelo corpo e pelo rosto da pessoa. Com base nestas informações constatei que tenho problemas no fígado, mas eu vou curar com água [hidroterapia].

Obrigado pelas lembranças do F. Janaujakas: retribuas para mim.

Às vezes quando penso em estudar mergulho em profundas reflexões, mas chego à conclusão de que nas condições em que me encontro não teria a mínima possibilidade de superar e chegar ao ponto em que já estás. De qualquer modo acho que o alvo que buscas é nobre, que é trabalhar na causa de Deus. Mas quanto a mim, acho que não fui escolhido para este ministério.

O Arnolds [Klavin] está muito bem lá nas serras, e está bem mais gordo do que quando morava aqui em baixo. O Juris está lutando com a sua estimada cultura de algodão [em São Paulo]. Acho que a esta altura já deve tê-la colhido, mas não temos notícias dele.

Finalizando, receba muitas lembranças nossas e também minhas, e que Deus te ajude.

Roberto [Klavin]

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Também aos teatros | Lúcia Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 8 de abril de 1918

Querido irmãozinho,

Recebi a tua carta escrita no dia 18 de março no dia 4 de abril, pela qual muito agradeço. Agora você pode escrever cartas mais longas, pois tens agora a tua própria máquina de escrever. Antes você tinha aquelas desculpas de que a gente não conhecia quase nada de lá, mas agora já sabemos bastante — e mais a facilidade da máquina. Você pergunta de que tipo de letra eu gosto mais, da preta ou da vermelha, e eu respondo: pode escrever de qualquer jeito, pois nós sabemos muito bem soletrar…

O tempo é bom e seco, mas na última terça-feira deu uma boa chuva; também outros dias chuviscou bastante, mas no domingo passado começou um forte vento que levou todas as nuvens embora. Agora não está tão quente; principalmente as noites estão bem mais frescas.

Quanto à União de Mocidade, está um tanto devagar. Os jovens realmente parecem ter ficado preguiçosos. No mês passado ninguém foi ao Rio Laranjeiras, e também nos estudos bíblicos está uma dificuldade. A última noite estava clara e o tempo bom, e só onze jovens compareceram. Parece que todos estão cansados.

Na Igreja de Rio Novo há divergências sem fim. Possivelmente o Seeberg já tenha escrito para você [a respeito disso]. O Pastor Stroberg ainda não chegou e nem se sabe se virá mesmo. Ele tem escrito para você?

No dia 1º de abril o Kraul e o Salit viajaram para Nova Odessa, onde foram ver terras para comprar. Antes de partirem passaram rapidamente aqui em casa, quando aproveitei para mandar uma carta e fotografias para os parentes de lá. Pena que não deu quase para conversar, pois estava no horário de ir para a igreja.

Uma coisa não sei direito, se foi o Slengmann ou o Kraul que contaram do Joãozinho do Inkis, que foi trabalhar como tradutor para os fazendeiros de café, onde trabalham em serviço temporário grande número de letos. Dizem que ele foi muito bem recebido e tratado com alta consideração, chegando a participar da mesa dos patrões, mas teria ido junto também aos teatros, passado a beber e a fumar, e o velho Inkis teria dito que preferia ver o filho morto do que vê-lo transformado num malandro e irresponsável no tocante aos princípios nos quais havia sido ensinado. Se tudo isso é verdade não, sei, mas todo mundo fala. Tu sabes algo sobre isso?

Aquele remédio para “Mal da Terra” [Ancilostomíase] você já despachou? Se não, mande mais, porque os Klavin também querem.

Bem, por hoje chega; o papel já está cheio dos dois lados e não vale a pena começar outro.

O pessoal da Igreja de Pilares estava esperando por você ou não? Muitas lembranças de todos os de casa. Aguardamos cartas suas com muitas notícias.

Luzija

[Escrito na lateral]
Hoje durante o dia estive na nossa outra casa. Durante o dia esteve muito quente, e logo depois do almoço começou a ficar nublado. Ao anoitecer começou a trovejar com relâmpagos, e quando voltava a cavalo para casa apanhei nas costas toda essa tempestade. Agora as pessoas estão melhorando as estradas e a grande maioria está muito larga e plana, tanto que você e seu auto poderiam passar tranqüilamente. Venha testar o nosso bom caminho.