Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar….. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rodeio do Assucar 14 de novembro de 1923

Querido Reini.

Saudações!

Então hoje à noite estou escrevendo outra vez, porquê só cabe a mim mandar cartas, mas receber nenhuma. Eu não consigo entender porquê este ano está assim. Será que você este ano realmente não quer escrever? Ou existe algum outro motivo? A última carta que recebemos em junho tinha sido escrita em maio e para variar não, soubemos nada pelos jornais que este ano também não vieram.

Algumas semanas atrás como por milagre chegou um jornalsinho, qual o outro número você mandou para o Roberto. Então tivemos uma certeza que vivo ainda estás e por cima ainda redator deste jornal.

Você está indo pelo mesmo caminho do Ludis que quando passou a redator de jornal, as cartas acabaram e a correspondência ficou de lado. Nós temos mandado bastantes cartas, eu, a Luzija, o Arturs e até o Karlis quando esteve aqui ele também te escreveu. Não sei o que tudo isso significa, este silêncio todo.

Quando recebemos o jornal procuramos alguma anotação, mas nada, a única certeza é que ainda está vivo. A primeira coisa que eu te escrevo que vás passar as férias aonde realmente quiseres se esta é a tua vontade.

Mas por acaso venhas para casa e por isso estou escrevendo esta “última” carta e ela deve chegar lá antes do fim do mês. Alguns diziam que você não vem porque tens que trazer muita coisa, mas acho que ninguém escreveu pedindo um montão de coisas. O que a Luzija escreveu esta semana eu não sei. Para o Artur os acordoamentos do violino e a ocarina.

Tempos atrás, não sei se foi terremoto ou alguma outra coisa. Uma noite, o armário de louça da Luzija, tombou e quebraram-se as lindas xícaras de porcelana dela. Então ela lembrou de escrever para você para ver se pode comprar lá para ela. Quando você esteve aqui, contou que existem lá muitos estabelecimentos que vendem estas coisas bonitas. Aqui em Orleans já não tem mais como antigamente aquelas louças finas e coloridas. Somente louça branca e pesada e muito cara 3$000 ou 4$000 a peça.

A mamãe precisa de bons óculos, mas estes não podem ser comprados, sem antes de prová-los. O que eu preciso você com dinheiro não pode comprar. Por isso não adianta escrever porquê estas belezas [Smukums] eu não preciso.

Se puderes conseguir um remédio da marca Raziteem chamado [espaço em branco] que é fabricado em Cleveland na América do Norte. Este remédio também é fabricado em outros lugares mas não adianta nada. No ano passado o Wilis Elbert encomendou um vidro para a senhora Grüntall e veio e ela pagou 30$000 pelo vidrinho. Muito caro e dizem que em Riga existe também tem do bom e é mais barato. Parece quer o Willis quer ganhar muito sobre as encomendas que ele faz. Aqui em Orleans ninguém sabe que este remédio existe.

Aqueles remédios à base de alho também podes comprar porquê aqui eles são muito mais caros.

Bem agora chega porque tanto escrever eu nem pensava. Quando tu vieres, toda esta necessidade de escrever vai acabar.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar…….

De novo aqui realmente importante não tem nada.

O tempo hoje aqui está coberto de neblina e de vez em quando chove um pouco. Na semana passada estava bastante quente e o pessoal daqui e das colônias vizinhas aproveitaram para queimar as roçadas e as coivaras. Eram queimadas por todos os lados. Mandiocas nós plantamos 12.000 pés.

Já tiramos o mel, rendeu mais ou menos 18 latas. Vamos vender por 20$000 a lata. Tem gente que não vende e quer esperar chegar a 25$000 a lata porquê o açúcar está a 18$000 a arroba.

O que faz o J. Klava? Existem pessoas que dizem que ele ocupa um alto cargo.

Tens notícias dos nossos parentes? Faz tempo que não temos tido notícias.

Lembranças de todos de casa e da Olga.

Se você sabia há tanto tempo por que não escreveu primeiro para nós? |De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1923

Rio Novo 8 de abril de 1923

Querido irmãozinho… Saudações!!

Então esta noite estou escrevendo uma carta para você, porque para a Igreja não preciso ir.

Nós estamos passando bem. Todos com saúde vivendo saudáveis.

Agora nós nos encontramos somente aos domingos; eu com a Mamma moramos aqui e os demais moram lá na casa dos Leimann, pois lá tem muito mais serviço.

Agora eles estão limpando as pastagens e logo vamos ter que fazer farinha de mandioca. Agora que você já sabe podes vir nos ajudar. Não vamos dar nenhum serviço pesado, mas terás que pegar um pequeno facão e pegar as raízes já limpas que saíram do lavador e cortar as pontas duras e tirar as cascas dos buraquinhos onde a máquina não descascou. Você acha este um trabalho duro?

Obrigado pelas lembranças trazidas por aquele senhor que há tempos quando era criança tinha morado com os Andermann. O nome dele eu esqueci.[O nome dele era Celino e vai aparecer mais vezes na história dos Anderman] Ele contou que você está muito bem, que estás bastante gordo, que tens uma grande biblioteca enfim ele contou tudo o que ele sabia sobre você e ainda falando em leto tanto que sabia.

Você recebeu a fotografia do grupo da Mocidade? Nós pedimos para ele levar e entregar para você como lembrança da grande festa. Será que você vai-nos achar? Procure bem que nós estamos lá.

Nós queríamos ter mandado antes, mas estávamos aguardando o “Segundo Aviso”, mas este chegou quando a Festa já tinha passado e assim a nossa viagem não saiu e também não sabíamos que naquele dia seria também a tua ordenação. Se você sabia, há tanto tempo por que não escreveu primeiro para nós? Mas agora tudo é passado e nada mais pôde ser mudado. Desejo para você todo o sucesso no seu trabalho e que o Senhor te ajude.

Aproveito a oportunidade para convidar-te para a Festa do Coro da Mocidade que vai ser nas oitavas do dia de Pentecostes (no segundo dia de Pentecostes) que este ano vai cair no dia 21 de maio. Este Festival será o primeiro no Rio Novo. Você poderá vir, pois estou convidando com bastante antecedência. Apronte um hino ou uma música que possa ser apresentada com o seu violino. Ou então prepare um discurso para nós apresentar. O que trouxeres estará tudo bem. Outra você poderia trazer aqueles jovens de lá que dizem ser grandes cantores.

A entrada será grátis e o lanche este sim, será cobrado. “Venham todos para a Festa”. Nós aqui estamos convidando com um mês de antecedência para que você possa vir, pois não somos tão fechados [Está escrito literalmente “aishlects” quer dizer fechado à chave] como você, que manda um convite para uma festa importante, uma semana antes.
Bem desta vez chega. A tua carta escrita em 24-3-23 recebemos no dia 6 de abril Obrigado. Os outros escreventes desta vez não vão escrever para você porque estão escrevendo para os outros parentes.

Aqueles estudantes de Rio Branco estão este ano na Escola?

Este ano você mesmo lava a sua própria roupa ou não?

O R. Inkis vai voltar para o Brasil ou não? Aqui falam que ele vai ficar por lá mesmo.

Este ano não vais mandar os prospectos?

Se você consegue os acordoamentos de violino, favor, me mandar que os meus estão no fim.

Lembranças de todos de casa.

Fico aguardando longa carta de resposta. Luzija.
Escrito nas laterais:
Não fique olhando para os erros, pois se eu tivesse estudado tanto quanto você e tanto tempo na escola tenho certeza que escreveria melhor.
A lápis:
A tua carta escrita no dia 2 de abril recebemos no dia 13 de abril. Muito obrigado. Aqueles jornais enviados no dia 8 de novembro faz muito tempo que os recebemos. Mande mais outros.