…está bem, o que ninguém esperava que voltasse a sarar… | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

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Rio Novo 15 de março de 1922

Querido Reini – Saudações

Faz já bastante tempo que não temos recebido nenhuma carta. A última eu recebi no dia 6 de fevereiro e depois daquela nenhuma mais. Assim não tenho respostas de 2 cartas. Uma mandei no dia 10 de fevereiro e a outra foi dentro do pacote que a Selma Klavim levou no dia 19 de fevereiro.

Você conseguirá encontrá-la e receber esta encomenda. Também não sei se a Selma já chegou lá no destino.

Bem desta vez não tenho muito que escrever. O tempo continua chuvoso e agora as estradas estão tão destruídas como nunca e os rios tão cheios que como o Rio Novo lá no que a gente passa quando vai a Orleans a água cobre a barriga dos cavalos.

As ervas daninhas nas lavouras também crescem bem. Tormentas nas nossas roças não tivemos, mas tem muita gente que reclama delas. Difícil está para as pessoas que tem que secar o milho para moer e fazer a farinha para comer. O milho está demorando a madurar e sol tem brilhado muito pouco. Todos falam que estas chuvas estão em toda parte este ano.

Então este ano você vai ter muitos colegas letos no Colégio. Pois até aqui do Rio Novo vai o Schanis Sprogis tem escrito contando vantagem que já tinha chegado ao Colégio e assim pode ser que tenham vindo letos de outras partes. Assim me escreva contando como você está passando bem. Se tem muitos colegas novos. Se o João Klava e o Linkites ainda estão lá. Qual é o relacionamento entre os outros descendentes dos letos. Eles ainda sabem falar o leto?

Sobre o Rio Novo nada de novo. Os pastores todos foram embora.

O Willis [Leiman] faz tempo já foi embora e sobre isso eu já escrevi.

O Arthur [Leiman], a Lucija com os meninos e mais a Vitorija Ochs viajaram dia 21 de fevereiro. A Vitorija foi junto com a irmã Lucija. O Arthurs também foi para o Rio Grande visitar o Willis [Leiman] e daí de trem até o Fritz [Leiman] em Corrientes de daí para Buenos Airi e agora todos devem estar no seu devido lugar.

O Karlos [Leiman] e o Fritz não vieram para cá. O Fritz não vem mais e sobre o Karlos a gente não sabe, se ele vem ou não. E como à senhora Leiman está bem, o que ninguém esperava que ela viesse a sarar, mas a quem não está designado a morrer nada acontece. Podem as pessoas pensar o que quiser.

Hoje teve novamente um funeral no Rio Novo. Desta vez foi o velho Butlers. Fazia dois anos que ele tinha dificuldade em caminhar e agora o Butler fica mais sem a preocupação do pai aqui sozinho.

Na próxima segunda feira será a Festa de Aniversário da Igreja, mas o Inkis não vira. Bem por hoje chega.

O Viktors [Victor Stavirski , filho de Etienne Staviarski diretor da Empresa de Colonização Grão Pará, estudava no mesmo Colégio Batista] trouxe os Prospectos e por eles obrigado. O Victors disse que mandasse lembranças, mas arranjamos algumas coisas para mandar por ele. Ele diz que você e ele são grandes amigos.

E que você está muito bem. Aqueles colarinhos acho que deverão servir. Nós, os rematamos num Bazar da Igreja, as cinco peças.

Agora tu sabes deves escrever bastante. Daqui uns tempos teremos que pedir para você compre cordas para os violinos que estão quase no fim.

Não tenho mais tempo para escrever mais nada.

Com lembranças de todos – Olga
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Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
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