…também não gostei de ler estas cartas… | De Olga Purim para Reynaldo Purim

(Cartão Postal faltando o final)
[A remetente no endereço é Olga Purim]

4 de dezembro de 1921

Querido Reini, Saudações.

As tuas cartas recebi, aquela escrita em 9-11-21 eu recebi no domingo e a outra escrita no dia 15-11-21 eu recebi no dia 30-11-21 e também aqueles remédios também chegaram. Muito obrigado pôr, tudo.

Mas também não gostei de ler estas cartas, porque lá está escrito que não vens para casa.

Nós já nos estávamos aprontando para esperar, pois os dias das férias estão chegando e você viria para casa. Mas qual nada. Este ano são esperados para o Natal pessoas importantes.

Um deles e o Butler e todos da família Leiman. O Arthur Leiman pode chegar a qualquer momento, pois já escreveu que vinha. O Fritz Leiman com a esposa Lúcia somente para o Natal.

O Willis [Leiman] virá um pouco mais tarde e o Karlis [Leiman] que virá como missionário em Joinville também vai chegar até antes até aqui. O Luppers vai pagar 400$000 pôr mês para ele trabalhar em Joinville e na região. Mas, não sei se alguma alegria maior vão encontrar aqui só Deus sabe, pois a senhora Leimann está realmente muito doente há mais de um mês e não agüenta mais.
O Paps [Jahnis Purim meu avô] já foi fazer o caixão [Este caixão não foi usado por esta pessoa e a minha mãe Verginia F.Purim não achava apropriado ter uma urna funerária no sótão da casa] e a Mamma [A Mamma – Lisete Rose Purim minha avó paterna tinha uma grande afinidade com a senhora Leiman e ela cuidou com extremo cuidado usando medicamentos baseados em babosa (Aloe Vera), hidroterapia (Compressas), homeopatia e outros recursos disponíveis na época conseguindo assim reverter o problema que ela tinha no estomago ou intestinos que era o mal que ela tinha sofrido] faz muitas semanas que está lá, com ela, porque não tem outras pessoas, que possam tomar conta e não sabemos se ela vai conseguir esperar pôr alguns deles. Pôr ai você pode observar como as coisas vão pôr ai.

Depois mais, deverá vir o Pastor Inkis de São Paulo a convite do Butler para participar da Convenção em Rio Branco no dia 11 de janeiro e depois que virá ao Rio Novo. Se você viesse poderia ser somado a tantas pessoas ilustres. Bem, quem está acima de qualquer rionovense, já chegou.

A grande e ilustre dama do Rio de Janeiro, a Selma Klavim chegou ontem à noite. Vamos ter que agüentar toda aquela sabedoria e inteligência, mais que suficiente. [Parece que ela não era muito querida pelas jovens da comunidade] Se ela vai ficar ou vai voltar para lá eu não sei……
[Sem o final]

Congregação de Rodeio do Assúcar, defronte à casa dos Leimann, 1916

Congregação batista de Rodeio do Assúcar (que se reunia na casa dos Leimann) em 1916. No ano seguinte Reynaldo Purim partiria para o seminário no Rio de Janeiro.

Era desta congregação que participavam os Purins e muitos de seus amigos que assinam as cartas dirigidas a ele — entre eles Robert Klavin e Artur Leimann.

Para ver uma versão maior e com a identificação das pessoas na foto, clique na imagem abaixo.



Em 1916 havia em Orleans duas igrejas batistas: uma, mais antiga, no Rio Novo propriamente dito, junto à escola, e outra na cidade de Orleans, resultado de uma separação da igreja de Rio Novo no tempo que o pastor Carlos Leimann era seu líder. Carlos Leimann seguiu pastoreando a igreja em Orleans, que tinha pelo menos duas congregações filiais: uma em Rio Laranjeiras e outra no Rodeio do Assucar, na casa dos Leimann. A igreja de Orleans (bem como seu ponto de pregação em Rodeio do Assúcar) preocupava-se mais com a evangelização dos brasileiros do que a igreja em Rio Novo; aparentemente havia sido esse o motivo da divisão em primeiro lugar.

Os problemas que você já sabe | Artur Leimann a Reynaldo Purim

Rodeio do Assucar, 01 de maio de 1917

Prezado amigo e irmão em Christo nosso Salvador!

Recebi no domingo passado o teu cartão postal. Obrigado. Estive na Escola Dominical do Rio Laranjeiras no lugar do Roberto [Klavin] que estava tratando os dentes. Agora o trabalho da Escola Dominical já não é mais feito naquele engenho de farinha de mandioca e sim numa casa provisória ali bem perto. O número de participantes se mantém.

A Izolina Mendes mora com nossa família e parece mais tranqüila. Na volta de lá fui antes em Orleans receber o indispensável. Também encontrei o irmão M. Guedes1. Chegado em casa, depois da ceia houve culto de oração e ensaio do coro.

O que você acha das brigas do João Maisin e sua turma lá [na igreja do] do Rio Novo? Eu soube quando estava voltando de Orleans, quando parei lá nos Slengmann. Ontem aqui também contaram que houve uma sessão da igreja com grandes divergências.Agora estamos lendo em brasileiro. Foi dirigida pelo Dr. Butler, que conseguiu excluir o João Maisin, enquadrando-o na irregularidade de que numa das votações ele levantou as duas mãos para votar – além daqueles problemas que você já sabe. Também o H. Elbert2 foi aceito na Igreja. Mais informações você vai saber direto do Juris.

Aqui também na nossa igreja houve alguns problemas, mas tudo foi para o seu lugar. Somente o José Araújo saiu da igreja, com muita classe, enviando uma carta com explicações. A Martha Toppel3 será convidada para a próxima sessão para dar uma posição sobre alguns assuntos que precisam ser esclarecidos. O Macht também, devido a alguns problemas pessoais, solicitou demissão de todos os cargos na igreja, mas parece que são quase sem fundamento. Como não tenho nenhum cargo oficial na igreja, tento avaliar as maiores necessidades e lá por as minhas inaptas mãos vou tentando ajudar.

Estamos esperando o Missionário Rooth, de Porto Alegre, que virá para Orleans do Sul.

***

Você percebe que mudei de tinta. Meu pai comprou um vidro novo por 2$000 réis.

Apesar de na primeira carta já ter contado como estamos trabalhando na construção do engenho, as madeiras e tábuas para o açude estão todos prontos. Depois de muita medição e avaliação concluímos que será possível estabelecer nova rota com valetas e calhas e conduzir a água por cima. O açude vai ficar perto da porteira no lado da estrada.

Na noite de ontem nos tivemos a reunião de preparação dos professores da Escola Dominical. Agora estamos lendo em brasileiro e tomamos ditados, eu como professor. Entre outras atividades procuramos passagens bíblicas, fazemos perguntas,«Pegue a tua espingarda que eu vi um bicho grande.» organizamos debates e terminamos a noite com a sensação muito agradável e de muito proveito, sem aquelas questões que em tempos passados tanto atrapalhavam.

Agora imagine, quando todos já tinham ido embora o Arnold [Klavin] veio me chamar. “Venha, pegue a tua espingarda e o cachorro porque eu vi um bicho grande”. Atravessamos a roça recém-queimada e entramos no mato quase rastejando. Foi quando sentimos o cheiro de gambá e aí vi movimento no alto. Atirei mas não acertei em nada: os cachorros ficaram latindo, mas parece que o bicho tinha subido muito alto no mato escuro. Assim voltamos pateticamente para casa.

Bem, chega de contar coisas daqui. Estou passando muito bem. Que Deus te abençoe e te ajude, é o que deseja o teu irmão na fé e companheiro,

A. Leimann

* * *

1. M. Guedes. Guedes Ribeiro era uma família de “serranos” que tinha sido evangelizada pelos Leimann, Klavin, Purins e outros. Moravam provavelmente na região de Bom Jardim da Serra, mas não pode ser devidamente comprovado.
2. H. Elbert. Willis Elbert, funcionário da Companhia Colonizadora Grão Pará e sucessor do famoso Etiene Staviarski.
3. Marta Topell. Mãe da Fania Paegle (esposa de Karlos Paegle) e da Leontina Sandrine (esposa de Alexandre Sandrini) . Os problemas mencionados eram o envolvimento com doutrinas pentecostais.