O João está levando um “Kringgell” que é o nosso presente de aniversário. | De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1925 –

Rio Novo 5-2-25
Querido irmãozinho!

Saudações!

Eu nada tenho recebido de você, mas tenho que escrever, porquê senão o envelope vai um pouco mais cheio e atender a tua grande curiosidade e assim às noites você terá que ficar mais tempo ficar acordado, porquê você diz que durante o dia não tem tempo para ler cartas.

Nós, graças ao bom Deus estamos passando suficientemente bem. Nas roças tudo está crescendo muito, bem porque agora está chovendo sempre. Começou no dia 4 de janeiro e de lá para cá tem chovido tanto que até nos riachos a água aumentou de volume. No dia 12 de janeiro deu uma grande tormenta com vento e tudo mais que tinha direito, chegando a derrubar os nossos milharais, mas como eles eram bem novos conseguiram se erguer de pé novamente. [As hastes do milho ainda novo são flexíveis, o que não acontece quando são mais crescidos, porque aí, elas quebram] Em Laguna o Max [Vapor da Hoepcke que fazia a navegação pela costa] foi empurrado pela tempestade para fora do porto e terminou no mar. Também os armazéns da Hoepcke foram totalmente destelhados e ainda muitos outros grandes prejuízos.

Aqueles jornais quais você nos enviou em dezembro, nós já os recebemos e por eles muito obrigado. Mande mais aquele “O Instituto” o qual li com muito interesse. Por que não mandas mais ‘O Crisol “?”.

Agradeço muito as lembranças que você mandou pelo João. [João Klava] Ele chegou aqui sem ser esperado e ninguém tinha anunciado a sua chegada. Ele ficou aqui uma duas semanas e parece que hoje ele está indo embora. Diz que trouxe tecidos para fazer ternos nos alfaiates de Orleans e aproveitou o tempo para visitar o pessoal de Rio Novo.

Aqui ele dirigiu cultos e também em Orleans ele dirigiu 4 cultos na casa da Marta Toppel. Aquela mesma casa, qual no ano passado nós fizemos aqueles cultos agora é cinema. O padre quando soube que haveria culto arranjou um programa extra para que o povo não fosse ouvir a mensagem.

O João também vai levar o irmão dele o Edward para a escola agora no dia 22 vai sair de viagem. O João está levando um “Kringell” [Rosca de receita leta com a massa predominantemente amanteigada] que é o nosso presente de aniversário e é uma pena que não pudéssemos mandar na ocasião certa. Não esqueça de pagar o transporte, porque de nós ele não quis cobrar nada. Se você quiser saber alguma coisa do Rio Novo é só perguntar, pois ele é uma pessoa muito comunicativa, assim ele poderá contar tudo como vão as coisas por aqui. Ele não é nada orgulhoso. Antes sempre a Selma contava tudo. Aliás, a Selminha está sempre agarrada nas saias da mãe e mesmo com este calor forte que tem dado por aqui ele fica reclamando do frio. Não sei se todas as estudantes são assim. Outras vezes quando ela vinha era mais aberta para conversar, agora pode ser que não sejamos mais do gosto dela para se misturar conosco.

Hoje chegou de São Paulo onde ela trabalhava de diarista a sobrinha da Luzija Grikis (filha da irmã). Ela veio da Letônia junto com a grande imigração de 22, mas ela não chegou ficar em Varpa e sempre trabalhou em São Paulo. Ela chama-se Lídia Leiti. Aqui a nossa Zebra [Uma égua de nome Zebra] teve a honra de trazer de Orleans para o Rio Novo. O que ela contar do Acampamento do deserto eu escrevo outra vez, porquê até agora eu não sei nada ainda.
Os nossos parentes de Nova Odessa têm escrito alguma coisa para você. Aqui a Olga escreveu para a Lilija, mas ainda não chegou resposta.

Bem desta vez chega de escrever e ainda não recebi nada de você. Pode ser que em Orleans tenha alguma carta no correio. Então terei que escrever outra vez e ai eu escrevo mais.

Ainda mui amáveis lembranças de todos de casa e também minhas. Luzija.

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Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo …| De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Ano de 1925

Rodeio do Assucar 3-1-25

Querido Reini! Saudações!

Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo e também muitas felicidades pelo seu aniversário, então pensei que precisava mandar um cartão de felicitações, mas depois refleti e cheguei a conclusão que você sendo um homem tão importante, o que iria fazer com um cartão. Também nos nossos aniversários e dias dos nomes que você nem lembrar, lembra.

A tua carta escrita, melhor datilografada no dia 8 de dezembro recebi na semana anterior as Festas do Natal. Obrigada! Desta vez você foi muito caprichoso e escreveu em seguida. Aqui não dá para responder tão rápido, pois tenho que esperar acumular as notícias para então poder te escrever. Pensava que depois de ter passado todas as Festas teria muita coisa para escrever.

Mas se você se lembrar, foi igual ao Natal do ano passado. A diferença foi que no primeiro dia da Festa [O primeiro dia era sempre o dia 25 de dezembro] depois do meio dia deu um forte temporal de chuva e um pouco de granizo. Mas à tardinha passou e podemos ir para ver o pinheirinho, somente a estrada estava muito mole. [A chuva tornava o barro vermelho mole e pegajoso] Apesar disso tinha muita gente. A festa foi dirigida pelo Strobergs. As crianças [O Natal era uma Festa dirigida pelo pessoal da Escola Dominical e a própria Escola Dominical era considerada uma escola para crianças] apresentaram poesias, hinos e Representações e tudo transcorreu muito bem.

Na Noite do Ano Velho [Noite de Vigília] foi uma noite de apresentações sob responsabilidade dos Jovens e a espera pelo Novo Ano. Já na manhã do Ano Novo houve uma Festa de Missões e esta também foi muito bonita e também tinha muita gente. O tempo estava bom e seco e quente. Muitas poesias, hinos pelo coro e também muitos quartetos e a prédica do Karkle como acontece todo ano. É provável que sobre as Festas a Luzija já tenha escrito mais amiúde, para tanto não vale a pena. No Dia da Estrela [Dia dos Magos – 6 de janeiro] a Escola dominical está organizando um piquenique na casa dos Klavim.

A Selma da Kate [ Selma Klavin ] chegou de viagem[ do Rio de Janeiro ] totalmente abatida e cansada de tanto estudar, nas outras vezes era alegre e extrovertida e agora já não sabe mais ser assim. Eu pensava mesmo que ela fosse a frente em alguma ocasião e pedisse a palavra para contar algo de lá, mas até agora não aconteceu.

Por que vocês não nunca autorizam o João Klava a sair para vir para casa? Eu faz tempo que ouvia dizer que ele viria, mas até agora nada. Ele não pôde vir porquê, porquê ele é o diretor da Escola, ou substituto dele e por isso não pode viajar e ainda no começo de dezembro teve que fazer um curso especial de aperfeiçoamento e assim este ano teve que ficar.

A Sylvia Karklim e o Waldi chegaram de São Paulo de passeio aqui.

No Domingo passado recebi uma pequena carta da Lilija.[Lilija Purens]Eu tinha escrito para ela reclamando por que ela não me escreve e perguntando se eles ficaram orgulhosos morando na nova fazenda então ela respondeu que não tinha recebido as cartas minhas cartas anteriores e nada mais atrapalhou a escrita senão a preguiça e ninguém deles não escreveu para ninguém. Diz que o tempo estava muito seco, mas agora já está chovendo. Também de você eles receberam uma carta e a qual ainda não responderam.

Aqui as chuvas tem sido ainda poucas, Antes das Festas, ai sim chovia, mas desde aqueles dias tem estado muito quente e um vento seco que resseca tudo. Ontem à noite sim, roncou trovoada e formaram-se muitas nuvens, mas logo tudo se desvaneceu. Hoje amanheceu limpo e no meio dia estava marcando 40 graus C. no sol. Pela impressão que as lavouras nos dão são desanimadoras. As roças estão completamente estorricadas e não sei como vai ser com o pão de cada dia. Nós temos a nossa reserva, então com o pão realmente não nos preocupa, mas muitos não tem. Muitos colheram pouco e porquê o preço estava muito bom venderam tudo e agora a fome. Tudo está caro e às vezes nem tem para comprar. Os Letos não tem problema de passar fome, mas os Brasileiros e os Italianos não tem o que comer então andando pelas estradas e roubando. Se alguém tem feijão ou batatas em roças a beira de estradas, elas desaparecem. Trabalhar eles não querem, se não pagarem 3$ por dia e mais a comida, então eles dizem que é melhor morrer de fome, do que fazer os letos ainda mais ricos.

A Arthur diz que se você escrever então ai ele também vai escrever. Ele teria o que escrever a semana inteira. No mês passado foram tantos os acontecimentos que você não poderia imaginar.

Lembranças da Olga.