Reunião de Igrejas em Mãe Luzia na década de 40.



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…A febre está passando, mas estou tomando injeções de quinino.| De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1925 –

Paranaguá 12 de fevereiro de 1925

Querido Reynold – Saudações

Nem sei que dia recebi a tua carta. Obrigado. Estes últimos dias, a pressão da quantidade de trabalho foi imensa.

Isso ainda mais, faz mais de um mês, que estou sofrendo de febre, (Febre intermitente). Também passei alguns dias, cuidando de problemas da lancha a motor, até que enfim ficou em perfeita ordem. Ainda tive outros acertos com a Capitania dos Portos, graças a Deus que tudo terminou, quase não conseguia dormir em paz, pensando em tantos problemas.

O Deter determinou por procuração que eu fizesse tudo, pagasse a matrícula e todo resto e agora está tudo em ordem. A febre também está passando, mas ainda estou tomando injeções de quinino.

Amanhã devo sair de lancha para visitar as Igrejas para levantar as estatísticas para apresentar na Convenção Estadoal qual será realizada em maio.

Queria deixar este trabalho aqui, mas até agora não houve possibilidades. O Deter não me larga daqui nem por nada. Honra tem me dado até demais. O que não é bom nem para mim nem para ele. Resumindo ele tem sido um amigo de inteira confiança.

O Cascão foi transferido para Rio Negro. O eu queria para mim, saiu para ele. Agora lá está tudo correndo para baixo. Com a Igreja de Rio Branco aconteceu igual como em Rio Novo. Separou-se. Os que levavam as coisas a sério, saíram, os quem não saíram e não concordam, estão sendo excluídos. Nos cultos, os que se retiraram, estão cooperando com a Igreja de Joinville, a qual recebeu de boa vontade como membros. Já começaram as lamentações, e estão querendo que eles voltem, mas isso será muito difícil.
Dizem que o Butler os tinham enganado, não contando toda a verdade. O Smidts está indo para Florianópolis. Agora aqui está muito quente e chove muito também.
O pastor da Igreja de Rio Novo virá para Curitiba para estudar.[ Karl Stroberg]

Bem por momento chega.

Saudações.

Carlos Leiman

… eu estou com as mesmas dificuldades e os mesmos obstáculos. De Carlos Leiman para Reynaldo Purim -1924 –

Paranaguá, 22 de janeiro 1924
Querido Reinhold
Rio Novo
Saudações!
Recebi a tua carta. Obrigado. Perdoe-me por não ter escrito-
Estava sempre viajando e muito ocupado com o trabalho. E agora por frente está a Convenção e eu vou ter que conseguir acertar a minha situação e me separar deste trabalho aqui. Agora que já estamos em outra etapa e eu estou com as mesmas dificuldades e os mesmos obstáculos.
O Deter tem medo de perder-me como auxiliar e por isso não quer que eu vá para Laguna. A situação que ele me colocou é que se eu realmente não quiser ficar em Paranaguá então que eu escolha entre Joinville ou Rio Negro.
As Igrejas daqui realmente não querem que eu saia. A família também não quer sair daqui. Neste dilema eu agora eu estou metido.
A Igreja de Rio Branco quer pagar todas as despesas de mudanças para lá.
O H. Schmits deverá mudar para Florianópolis. O meu desejo e tentar ir trabalhar com ele. Ele deverá vir para a Convenção em Curitiba, então devemos nos entender. Uma coisa é clara, este ano a minha mudança para Laguna não sairá antes setembro.
Você não virá para Curitiba para a Convenção em Fevereiro?
Seria muito importante para os seus planos futuros.
Saúde os teus familiares e todos amigos que se lembram de mim amigavelmente.
Escreva ainda para cá. Como estão passando? O que vocês precisam por lá? Tá? Carlos Leiman.

Cansado de esperar cartas suas, vou escrever eu mesmo. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923 –

Paranaguá 6 de junho 1923

 Querido Reinhold

 Saudações!

 Cansado de esperar cartas, suas, vou escrever eu mesmo.  Pensava e esperava que este ano pudesse te visitar – estava enganado. Mesmo com a melhor boa vontade não teve jeito –

 Vou é para Porto União e Rio Branco. Sobre as novidades daqui deves ter ouvido bastante sobre o trabalho aqui. O Evangelista Dr. Marques já está de volta no Rio e deve ter contado tudo minuciosamente. Eles tinham resolvido me retirar do trabalho forçando uma situação, mas aconteceu tudo ao contrário. Não esperando. – Não querendo. Tudo porquê o Dr. Marques decidido a não ficar aqui, pois não se dava bem com o trabalho evangelístico e não aceitando conselhos meus nem de outras pessoas experientes, pois isso ele achava que o diminuiria. Sem experiência nenhuma e sendo descartado de todas atividades por não ter aptidão resolveu me transformar em bode expiatório. Viajou para Curitiba e explicou ao Deter que não poderia mais trabalhar com Carlos Leiman e por isso ele vai embora. O Abrahão que também não gostava de mim confirmou que era impossível trabalhar comigo. O Deter chegou aqui azul de raiva. Fez para mim um sermão com as maiores ameaças e proibiu visitar uma série de Igrejas onde inclusive tinha cargos. Entregou todas estas Igrejas para o Dr. Marques. Eu já sabia e esperava o que iria acontecer, mas fiquei bem quieto esperando que Deus resolvesse o meu problema. Poucas semanas depois o Deter chamou o Dr. Marques dispensando do serviço e pedindo que ele fosse embora. O motivo que ele não tinha se adaptado com o trabalho e de uma pessoa assim, ele não precisava.

 O Deter tinha baixado meus proventos porquê eu não ia fazer mais uma porção de trabalhos agora voltou tudo, inclusive na escola e espero que o salário também. Tudo está indo para o lado certo e espero que daqui a pouco esteja tudo bem de volta como era antes. Se puderes me, mande alguns hinos novos lá da Chautauqua. Mande notícias de lá.

Lembranças do

Carlos Leiman

 

…bateu em uma pedra submersa e emborcou. | de Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923 –

Paranaguá 1 de maio de 1923

 Querido Purim

           Sinceras saudações

 Hoje recebi a tua carta. Obrigado!

 Vou tentar responder a tua carta porquê amanhã eu preciso viajar e ai não terei mais tempo para isso.

 Alegro-me pelas tuas atividade e trabalhos e todos os sucessos. Tu dizes que já são 3 anos de trabalho. E são só 3 anos?

Semana passada tivemos um Instituto Bíblico na Igreja de Assungui qual se desenvolveu muito bem. No Sábado saímos de viagem para Itaqui, onde tínhamos mais trabalho e quando quase estávamos chegando o barco que vinha atrás trazendo a bagagem e outras pessoas entre eles o Dr. Marques bateu em uma pedra submersa e emborcou. Houve muita reclamação por parte das pessoas menos acostumadas. Juntamos o que foi possível. Secamos a roupa e às 12 horas da noite (meia noite) chegamos em casa, todos molhados. Amanhã ou depois de amanhã irei viajar para lá outra vez.

Dr. Marques no mês de junho vai embora de volta. Não deu certo para a pessoa. Queria se tornar Diretor da Escola. Mas está ainda na incubadora. O Berry vai ser o Diretor. Nós o elegemos como Secretário Correspondente então ele veio morar aqui. Lá em Curitiba alguém tinha o chamado de negro. Não aceita conselhos e não conhece a vida no mato. Como líder de Igrejas não tem experiência nenhuma. Quer morar aqui com aquele conforto e pose como estivesse no Rio. Ai quis se arvorar como um dirigente ou comandante, mas não tinha ninguém para mandar. Então deu em nada. Esqueceu o seu cargo de Secretário Correspondente. Vai embora. Vamos ver como vai ficar.

O Abrahão está em Ponta Grossa e muito feroz comigo porquê eu teria minimizado a administração dele. [Parece que este Carlos Leimann não era muito afeito à burocracia]. E assim cada um ficando em seu canto e fazendo o que quer.

 Se começar o trabalho em Sta. Catharina seria bem diferente. Se a Junta patrocinar poderíamos fazer um programa que cada um fizesse o seu trabalho  até que se pudesse organizar a Convenção. Se vier alguém para começar e dirigir eu estou pronto para ir em seu auxílio. Sozinho não quero ir – medo.

Com abraço fraternal. Seu como sempre Carlos Leiman

 

A minha inteligência se torna escassa para administrar esta situação, | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim 1923

Paranaguá 15 de março de 1923

Caro Purim

Saudações

Não tenho te escrito mais, também para aos outros não tenho escrito escudando-me na absoluta falta de tempo, na preguiça no ócio e na indolência e também no cansaço total que não me deixa escrever cartas… , pois eu já tenho escrito tantas cartas… Até quando vou ter que escrever mais cartas???.

O tempo aqui está muito quente e chuvoso. Trabalho eu tenho de mãos cheias. 8 Igrejas e uma escola para dirigir e a semana tem só 7 dias. A minha inteligência se torna escassa para administrar esta situação, então como vou tomar conta do demais?

Como você sabe, a minha mudança para Santa Catharina não deu certo. As Igrejas daqui não deixaram sair mesmo. Santa Catharina sem mim. Algumas acho que não me queriam. Faz muito tempo que não recebo nada de lá.

Você já encontrou o Alípio Xavier? [Alípio Xavier Assumpção – Foi pastor, jornalista e escritor no Paraná – A minha sogra Iza Xavier Corrêa era irmã dele. Por parte de minha esposa Edith Xavier Purim, ele era também meu tio.]
Ele conhece a minha vida e a minha luta.

O S. Sprogis e o J.J.Junior ainda estão no Seminário? E o J.Klava? Neste ano há muitos novos seminaristas? Dizem que São Paulo está se enchendo de letos.

Você sabe se seus tios também vieram? Nós aqui ainda estamos vivos graças a Deus.

Almejamos um ano de vitórias em seus estudos e aguardamos notícias destas bandas.
Seu
Carlos Leiman

Agora conseguimos entrar bastante para dentro do mar.| De Carlos Leiman para Reynaldo Purim 1922

Paranaguá, 18 de setembro 1922

Querido Reinold

Saudações

Recebi a tua carta. Obrigado. Sobre as tuas perguntas não sei se vou responder a todas pois estou assoberbado [“Apkrauts ar darbeem” isto quer dizer literalmente que o trabalho está amontoado em cima dele] e também devido a preguiça de escrever cartas.

Do trabalho eu gosto, só é que é trabalho demais. Agora eu sou Chaufer do barco, a motor. Agora conseguimos entrar bastante para dentro do mar. Você não quer vir andar um pouco de barco?

Agora eu tomo conta de 9 Igrejas só no Campo Paraná/Sta. Catarina.

Estou tentado a voltar a lecionar. São maravilhosas as oportunidades para ensinar esta juventude tão necessitada de cultura e conhecimentos.

O Austrilinis está lecionando na Escola, mas não vai longe porque vai ficar somente até novembro e depois não sei como vai ser.

Os Rionovenses escrevem uma amável carta solicitando ajuda para o meu irmão Wilis. Mas não vai dar certo. Seria melhor apoiar o trabalho de Tubarão com o Oscar de Oliveira.

Estarei viajando para Rio Branco e O Deter vai para o Rio Novo.

Com muitas lembranças. Seu Carlos Leiman