…nesta pequena “Letônia além do Atlântico” | Fatos da América do Sul II

DA AMÉRICA DO SUL II
Segunda Parte

Matéria gentilmente enviada por Brigita Tamuza de Riga
Publicado no jornal da Letônia
Majas Viesis Nº 25 (O Visitador) de 17 de junho de 1898 (cont.)
Traduzido para o português por Valfredo Eduardo Purim

De Rio Carlota (Colônia Grã-Pará) – Estado De Santa Catarina, Sul do Brasil) nos escreve:

“Neste ano, 20 de março os letos de Rio Novo e Rio Carlota [aqui instalados em sua quase totalidade são batistas] programaram uma grande festa para comemorar o aniversário de fundação da Igreja… meu desejo seria apresentar aos prezados compatriotas na distante terra natal como os letos daqui trabalham.

Nossos dois corais desde o começo do ano estavam se preparando para a festividade: foram ensaiados novos hinos e convidaram também o coral dos letos de Mãe Luzia. Foi composta uma Comissão especial dos Festejos. Foi anunciado amplamente e, assim como os letos daqui são vistos pelos brasileiros com grande respeito e consideração, são vistos como povo exemplar, então, certamente muitos esperavam com entusiasmo a data da festa.
Até de aproximadamente 100km (80 léguas) da distante Imbituba era esperado o comparecimento do Presidente da Rede Ferroviária. (Estrada de Ferro D. Tereza Cristina)”.

Sexta-feira, 18 de março começamos o aguardo da chegada dos visitantes e coristas de Mãe Luzia.
Diversos Rio-novenses se organizaram para a recepção indo ao encontro dos visitantes aproximadamente 20 km distante estação ferroviária em “Palmeiras” [Deve ter algum problema de logística porque os trens não conseguiam chegar até Orleans – O nome atual de Palmeiras é Pindotiba]
Após a chegada, todos os convidados foram distribuídos pelas casas ou com os parentes, conhecidos e amigos.

Sábado, 19 de março: todos, como podiam reuniram-se junto ao local da festa para ornamentação.

Nossa casa de oração, destinado para o local da festividade, ornamentada com palmeiras, flores e diversas guirlandas de flores… como os convidados de Orleans haviam solicitado montarias, então durante a noite foram pegos os cavalos e mandados para os convidados, para que a ninguém faltasse animal de montaria e conseqüentemente teria que deixar de comparecer.

Domingo, 20 de março: às 11 horas da manhã começaram as festividades.

Participaram, 1 coral masculino, 1 coral masculino duplo, 1 coral composto a cada voz de 1 voz masculina e diversas vozes femininas, 3 coros mistos, de Orleans 1 recém fundado coral alemão.
Diversos discursos foram proferidos e leitura de textos em leto e alemão… Ao evento compareceram muitos de Orleans, também das colônias da redondeza: alemães, letos, brasileiros, italianos e até alguns estonianos. Eram aguardados alguns ingleses, mas conforme mencionados em virtude de falhas técnicas na ferrovia, eles não puderam comparecer.

Segunda-feira, 21 de março: à noite nossos jovens organizaram uma procissão de tochas ou archotes ou ainda, melhor dizendo, procissão de tabocas que são feixes de taquaras secas acesas. Ao escurecer, conforme previamente combinado, reuniram-se os carlotenses na casa de G. e os rio-novenses na casa de D. Para o evento foi confeccionado em um carro de duas juntas de animais foram trazidas taquaras secas, para esse fim, previamente cortadas e secas, as taquaras são de 1 e 2 polegadas de diâmetro e 10 palmos de comprimento. Elas crescem em qualquer terreno e depois de secas oferecem uma maravilhosa combustão. As taquaras são usadas em lugar de lascas de madeira…

Os cortejos dirigiram-se ao ponto de encontro e depois para o local da festa, onde a Sociedade de Jovens organizou uma noite de café e também apresentações de cânticos e respostas a interrogações. [ Esta parte da reunião era mais informal e possibilitava aos participantes desta a liberdade de apresentar questões e perguntas sobre assuntos bíblicos e a vida cristã e assim eram respondidos pelos líderes ou mesmo por outros que pudessem contribuir.]
Ass.

Um Carlotense [Morador do Rio Carlota, localidade adjacente ao Rio Novo]

Eu não teria esta chance | Artur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 9-6-20

Querido irmão!!

A tua carta tenho recebido e desta vez eu quero ser meio parecido com “marginal” e alguma coisa vou imprimir.

Eu estou passando bem. O tempo está magnífico e bastante quente. Frio de verdade este ano ainda não houve. Eu teria muito o que escrever, mas esta noite não vai sair muita coisa.

Recentemente consegui crescer mais um palmo de estatura, porque tive de ir a cavalo à cidade para recepcionar as importantes visitas [da convenção batista]; se você tivesse em casa naturalmente eu não teria esta chance.

Agora vou descrever quantos foram os visitantes que estiveram aqui nesse período de “guerra”. No primeiro dia, logo no começo da tarde, chegou o Fritz, que ficou na maior parte do tempo aqui em casa. Foi o Roberto [Klavin] quem o trouxe. Nesse dia também chegou o Edmundo e depois chegou o Leiman, e nesse dia foi só.

Na outra noite chegou aqui a Valija Steckert. Na quarta-feira o Fritz, o Deter e a esposa e o Watson foram até a casa dos Leiman a fim de conhecer e desfrutar de novas e belas paisagens. Na quinta-feira o Fritz esteve na casa dos Butler, e passaram o dia em nossa casa o Roberto, o Leiman e senhora e ainda a Marta Klavin, e ficaram até a noite. O Roberto e o Leiman dormiram a tarde inteira, pois o Roberto desde sábado tinha todas as noites ido dormir depois da meia-noite e corrido muito, e por isso o sono estava incomodando por demais. Nessa noite estiveram lá em casa o Pedro Looks e a Marta Klavin.

Na sexta-feira antes do culto passou aqui em casa uns 10 minutos o Watsons, e logo foi para a igreja; terminados os trabalhos, depois do almoço, eles e muitos outros foram embora para Orleans. O Fritz também foi junto e chegou de volta depois da meia-noite trazendo o [cavalo] Prinzi dos Leiman, no qual o hóspede dele tinha ido até a cidade. No sábado pela manhã ele foi montado no Prinz até a casa dos Leiman para devolver o animal, e lá ficou até domingo pela manhã.

No domingo depois do culto o Fritz e o Loks foram junto com os Klavin até a casa deles, onde passaram a tarde e logo à noite voltaram à igreja para o programa de apresentações. Nas oitavas de Pentecostes [terceiro dia de Pentecostes] eles programavam ir até Mãe Luzia, mas quando chegaram em Orleans souberam que na quinta-feira sairia um navio de Laguna, assim poderiam viajar logo; além disso o tempo se apresentava nublado com possibilidade de chuva, então voltaram para casa no Rio Novo. Então na quarta-feira tive que levar os hóspedes para Orleans, e eles tomaram o trem do meio-dia, sem que tivessem oportunidade de conhecer Mãe Luzia. [embora] todas as [demais] partes já tivessem vasculhado.

Na semana passada recebi uma carta do Fritz, escrita no sábado, que conta que o navio não tinha chegado antes como era esperado, e eles tiveram que ficar esperando e pagando hotel em Laguna. Poderiam muito bem ter ido conhecer Mãe Luzia e teria sobrado tempo.

Bem por hoje chega. Você pode me enviar mais “cantores” [hinários], pois aqueles já foram vendidos e tenho outros encomendados.

Escreva bastante. Você tem bastante laranjas para chupar? Você poderia mandar sementes de “mamonas” [talvez “mamões”] pois lá no alto do morro não devem ser prejudicados pelas geadas.

Ainda lembranças do Papa, Mama, Luzija e do

Arthur

A cidade do pão | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 7 de junho de 1920

Querido Reinold!

Já são passadas várias semanas que não temos recebido cartas suas. A última foi aquela escrita no dia 6 de maio, que chegou aqui dia 22 de maio, e logo mandei a resposta àquela no dia 25 de maio. Agora ao todo você está devendo respostas a três cartas.

Bem, hoje devo imaginar uma maneira e tentar descrever com mais detalhes os grandes acontecimentos do Rio Novo. Nas minhas últimas duas cartas tenho contado alguma coisa, mas isso deve ser uma insignificância para a sua imensa curiosidade.

Bem, agora que todos os mensageiros que vieram a Convenção já devem estar tranquilamente em suas casas, pois já fazem três semanas desde este grande movimento — que até mais parecia um esforço de guerra, considerando-se as múltiplas providências que tiveram que ser tomadas, — «Está tudo nítido na minha memória.»mas não se preocupe: está tudo nítido na minha memória como se fosse hoje que tivesse tudo acontecido.

Preciso começar bem do princípio, para ver até onde consigo chegar agora. Que os mensageiros da convenção não chegaram na data prevista, isso você já sabe; chegaram só no dia 17 de maio. Havia um esquema organizado, que quando chegava algum dos convidados esperados na estação da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina era imediatamente levado à casa dos Stekert para um lauto lanche; em seguida era determinado um guia para acompanhar o recém-cavaleiro para a viagem ao Rio Novo.

O S. L. Watson estava pesaroso porque não iria se sair bem lá em Rio Novo: ele achava que não haveria ninguém tão alto quanto ele e que teria de ir montado numa “girafa” — mas quando viu o Conrado e o João Frischembruder, disse que não era ele só que estava nas alturas, quase alcançando as nuvens. O Butlers afirmou que no Rio Novo ele iria ver pessoas ainda mais altas. Na realidade nenhum dos nossos era tão alto quanto ele, pois ele podia olhar todos por cima.

[NOTA: Stephen Lawton Watson (1880-1966) era missionário norte-americano da Junta de Richmond. Foi diretor Geral da Casa Publicadora Batista e Secretário-Tesoureiro da Junta Patrimonial do Sul do Brasil]

Lá na saída [de Orleans para Rio Novo], quando o Butlers já tinha designado e dividido os grupos, e ao começar a viagem, o Butler disse que quem quisesse uma viagem de verdade, mais longa, poderia optar por se hospedar nos Leiman ou nos Klavin, que moravam bem mais longe, e neste momento os jovens senhores alemães de Curitiba a uma só voz se candidataram para essas vagas, pois queriam ter este prazer. Porém eles logo perceberam que não era tão agradável andar a cavalo para pessoas como eles, que não estavam habituados. E levantou-se ainda o problema de ter de ir e depois voltar em tempo para a igreja, onde iriam começar as conferências.

O Roberto [Klavin], diante deste contratempo, e vendo que já eram três horas da tarde, deixou os hóspedes dos Leiman na casa dos Osch e os dele na nossa casa. Os demais tinham ficado longe para trás desses heroicos cavaleiros. O Roberto sim, foi a cavalo até em casa na Invernada para trocar de roupa, pois não tinha vindo com traje apropriado. Pela manhã, quando ele saiu de casa, estava nublado e parecia que iria chover de novo o dia inteiro, como tinha acontecido na véspera, em que deu um grande temporal. Mas nesse dia não demorou para que as nuvens se dispersassem, e lá pelo meio-dia já estava um sol muito bonito.

Assim continuou com tempo bom todo o período dos trabalhos, apesar de alguns dias ameaçar a ficar nublado — mas em seguida limpava tudo outra vez.

O Watson foi o hóspede de honra do Oscar Karp, pois [o Oscar] tinha sido aluno dele. Os Karp estavam propensos a não hospedar ninguém, mas quando souberam que o Watson viria candidataram-se imediatamente, pois se o Watson chegasse em alguma outra casa e perguntasse por que o Oscar não havia voltado para a escola, poderia ouvir algumas explicações que talvez não ficassem bem. Pelo sim ou pelo não, «Alguns letos pensam que são os mais inteligentes do mundo.»acharam melhor que o Watson ficasse na casa deles, assim poderiam dourar a versão sob o prisma que mais convinha, e ainda acompanhá-la de todas as explicações necessárias.

Andar a cavalo não era o forte do Watson, pois na volta dos trabalhos da noite ele veio a pé; quando passou por frente de nossa casa ele teria perguntado “como se chamava esse lugar”, pois “não eram nem prassas nem avenidas” [NOTA: em português no original].

Na primeira noite o templo estava repleto de gente. O primeiro hino a ser entoado foi o 96 do Cantor Cristão. O Onofre nesta primeira noite não estava presente, portanto a parte devocional foi dirigida pelo pastor Manuel Verginio de Souza, que é um eloquente orador e nem por isso orgulhoso; pelo contrário, é muito humilde.

Nesta primeira noite foi eleita a diretoria: o Presidente foi o Butler e o Secretário o Manoel. Na mensagem de boas vindas o Butlers falou que o Rio Novo era como Belém da Judéia, “a cidade do pão”, e que aqui o pão também é muito abundante. No final o Deter recomendou que nem por isso deveriam tentar comer tudo. Ele já tinha estado outras vezes aqui e sempre fora muito bem tratado, e assim gostaria que acontecesse quando viesse em outra ocasião.

Os trabalhos da noite não foram longos, pois todos visitantes estavam exaustos da viagem e sonolentos, e para muita gente chegar em casa à meia-noite não estaria perto.

Foi quando o Leiman levou os seus hóspedes até o Rodeio do Assucar e o Roberto os dele até a Invernada. Foi uma longa viagem a cavalo, mas só tiveram de fazê-la uma vez, pois para lá não mais voltaram. Na segunda noite eles dormiram na casa dos Osch e passaram a tarde na casa do Butler, e nas noites seguintes nas casas dos Frischembruder e dos Slengman.

Sobrava muito tempo para passear pelas casas, pois os trabalhos na parte da manhã começavam as dez horas e terminavam à uma da tarde, e a noite novamente na igreja. Aqui não deram certo as três reuniões por dia, como estava previsto no programa, devido às consideráveis distâncias.

No segundo dia, dia 18, quem abriu o programa foi o Edmundo Assenheimer de Curitiba, contando que os pais dele eram de Criciúma e tinham mais tarde morado em Tubarão. Tinham conhecido o Fritz Leiman, que pregava e dirigia cultos em Laguna. Logo em seguida falou o Watson, sobre a Grande Campanha e sobre o texto que aparece sempre no Jornal [Batista] (aliás ultimamente o Jornal quase só fala nessa Campanha).

Bem, os rionovenses ouviram em alto e bom som que a nenhum crente será permitido ficar cochilando enquanto tudo mundo trabalha. [O Watson] de fato tem uma voz tão forte que partia os ouvidos das pessoas; ninguém conseguia falar tão alto que nem ele.

Sobre a Grande Campanha também falou o Fritz Jankowski, e disse que a Convenção das igrejas de Santa Catarina e Paraná estava desafiada a, com esforço vitorioso, conseguir os 45 mil, sendo nove mil por ano. Disse ainda que seria desejável que fosse na média 11 mil por ano, o que daria para cada membro 22$ por ano (e o que são 2$000 por mês?) — assim haveria dinheiro para os obreiros em Laguna, Desterro e ainda em outros lugares mais.

O pastor Manuel disse que deve ser adotado o “dízimo”, que foi aceito como regra nesta convenção, mas vamos ver se aqui no Rio Novo isso vai funcionar. Como disse o Butler, uma pequena corrente, como que de água, não queria que houvesse a convenção aqui, dizendo “o que querem essas pessoas importantes de fora, só querem é dinheiro para viver e se vestir bem” — mas agora esses têm a oportunidade de saber que essas pessoas que diziam ser orgulhosas e prepotentes são obreiros honestos e ativos que não medem sacrifícios em prol da Causa. Por isso ninguém deve falar sobre o que não tem certeza; ele sabe como cada um aqui vive e se veste, e quando se fala em Missões são muito poucos que contribuem.

Nesta corrente não são muitos: os Seeberg, os Karklim, os Bruver, o Guilherme Balod e os Match foram os abertamente contra a realização da convenção aqui. Chegaram a dizer que quisesse as conferências aqui no Rio Novo que se preocupasse com hospedagem e alimentação. Ainda bem que muitos dos que não tinham hóspedes fixos com muita boa vontade procuravam convidar os visitantes para as suas respectivas casas para servir refeições. Mesmo se tivesse vindo outro tanto mais gente não teria faltado alimento para ninguém. Isto apesar do bloqueio dos acima mencionados.

Alguns letos pensam que são os mais inteligentes do mundo, e por isso não querem ouvir nada, demonstrando por este comportamento que são na verdade uns grandes bobos.

A reunião da noite foi iniciada pelo Fritz Jankowski; em seguida o Watson discorreu sobre a importância da Escola Dominical, dizendo que os professores devem se preparar bem para poder ensinar os outros.

Não passou uma reunião onde ele deixasse de falar. Mesmo onde no programa estava determinado para o Butler falar era o Watson que falava. Naquela noite o Abraão de Oliveira apresentou o sermão que preparara durante o ano inteiro.

No dia 19 pela manhã foi dada a abertura dos trabalhos com um culto devocional dirigido pelo Klava e em seguida o Frischembruder e o Leimanis conseguiram convencer o plenário da necessidade da participação também das igrejas brasileiras na campanha em prol dos Refugiados da Guerra da Região do Báltico; será determinada uma data para uma oferta especial neste sentido.

Em seguida falou o Onofre sobre a premente necessidade de obreiros brasileiros em Sta. Catarina. Disse que pelas características do povo é muito mais eficiente o trabalho de um pastor ou pregador brasileiro do que um de origem estrangeira. Falou também que a igreja de Rio Novo estava deixando o pastor Butler ir embora devido ao baixo salário que ele vinha percebendo. Que queria, quando viesse um obreiro para Laguna ou Tubarão, que a igreja de Rio Novo desse apoio com a música e cantos.

Naquela noite quem deu início aos trabalhos foi o Roberto [Klavin]. A esposa do Deter tocava harmônio e os visitantes de Curitiba cantaram. Ela é uma excelente musicista e grande cantora.

Na quarta-feira quem deu início aos trabalhos foi o pastor João Henke de Curitiba. Também nesse dia o Watson falou que as igrejas devem se preocupar com os seus templos, e que agora no Rio de Janeiro existe um banco que paga juros para as igrejas que tem algum dinheiro sobrando e depois empresta às igrejas que precisam de dinheiro para construir, para que possam o mais breve possível sair do aluguel — pois esse, por mais que se pague, [a propriedade] nunca passa a ser da igreja, e é melhor um pequeno cantinho que é seu do que um grande palácio que pertence a outrem. É claro que essas pessoas têm uma visão mais ampla do que certos “sábios” daqui do Rio Novo.

Nesta noite também teve a ceia do Senhor. A esposa do Dr. Deter falou sobre o trabalho da Sociedade de Senhoras das igrejas, e o que elas podem fazer para arranjar dinheiro para as missões. E novamente falou o Watson, agora sobre o Seminário.

Na sexta-feira só houve trabalho pela manhã, pois foi a última da convenção. A esposa do Deter tocou novamente o harmônio e o Abraão cantou um solo o N. 41 do Cantor. Ele é um excepcional cantor com uma potente voz e também é um grande músico; ele disse que não imaginava que os letos soubessem cantar em brasileiro. Ainda bem que o Butler ensinou uma grande quantidade de hinos novos em brasileiro, então por aí você vê que agora neste ponto está muito melhor que antigamente. A esposa do Dr. Deter também cantou um solo. O coro da Igreja de Rio Novo também cantou os seus longos hinos. e os músicos com suas cordas e sopro tocavam todo dia.

Os outros detalhes pela ordem eu não conseguiria escrever e nem valeria a pena, pois você vai ficar sabendo de um jeito ou outro. O último hino que todos cantaram juntos foi o 75 do Cantor.

Você imagina uma festa desse tamanho no Rio Novo? Não. No Rio Novo com tanta gente nunca houve. E com tantos pastores de uma só vez e ainda um negro que fez um dos mais importantes sermões!

Ano que vem a Convenção será em Curitiba a começar do dia 8 de maio, e o orador oficial será o Butler, que agora tem quase um ano para se aprontar. O Butler fica somente este mês como professor e pastor, porque ele em breve embarca para Curitiba para ficar no lugar do Deter, que vai embarcar em setembro para América. Vamos ver quem será que vai ser o novo professor, porque agora a escola é do governo. Sem ninguém ela não vai ficar. A terra o Butler não vai vender porque a Kate vem morar aqui e vai cuidar do velho; tudo vai ficar como está até o ano que vem, quando ele vai embora mesmo.

Bem, devo terminar porque você não vai ter tempo para ler esta carta, e a tua curiosidade estará sobrecarregada de tanta novidade. Se quiser mais escreva mencionando o que queres saber que eu tento responder, pois não sei mais o que possa te interessar.

Quero que você escreva bastante. Que sempre esteja passando bem. Com uma sincera saudação,

Olga

Os mais doces sonhos | Fritz Jankowoski a Reynaldo Purim

Laguna, 26 de maio de 1920

Querido amigo Reinold!

Que a presença de Deus seja a sua Força!

Agora me encontro em viagem do Rio Novo para a minha casa. Deixei Rio Branco [Guaramirim] dia 10 de maio com destino à Convenção em Rio Novo. Em 17 de maio, depois de muitas dificuldades e desconforto, desembarcamos em Orleans, onde fomos recebidos em meio a honras e atenções. Depois de um lauto lanche na casa dos Stekert fomos apadrinhados cada visitante por um dos hospedeiros locais que tinham vindo ao nosso encontro buscar-nos na Estação da Estrada de Ferro, e que deveria praticamente permanecer responsável por nós até o final do congresso.

Ao meu lado foi colocado o teu irmão Arthur, e ficou determinado que nos mantivéssemos juntos. Ele foi o meu guia de inteira confiança durante toda a minha estada ali, e ainda hoje pela manhã me trouxe até Orleans. Também o meu ponto principal de hospedagem foi na casa de teu pai.

O congresso teve início no dia 17 de maio e se prolongou até 21 de maio. Todas atividades se desenvolveram na mais perfeita ordem e no melhor espírito cristão, deixando uma sensação de alegria e revigoramento em todos os corações que participaram, os quais em espírito de serviço e gratidão servem diligentemente ao Senhor e estão prontos para a voz d’Ele ouvir e obedecer.

Eu nesses dias passados aprendi bastante tanto nas atividades normais da Convenção como também significativo percentual com pessoas individualmente, pois na minha estada em Rio Novo me sentia como estivesse em minha própria casa. Fosse onde fosse era recebido com uma verdadeira hospitalidade cristã. Em alguns lugares foi tão clara essa demonstração que sou forçado a reconhecer que fico eterno devedor destas infindas mostras de atenção e carinho a mim dirigidas.

Foi com o coração oprimido por obstáculos outros que não pude ficar neste berço tão confortável, nesta localidade onde as paisagens são tão fantásticas, carregadas de uma luminosidade e cor que despertam em nosso coração o desejo de voar pelas alturas e sonhar sonhos, os mais doces sonhos…

Mas a vida é áspera e dura e requer uma determinação, uma postura enérgica e constante perseverança. Portanto uma vida sem um ideal é como somente uma parte de uma casa, como também da vida…

Quanto aos rionovenses tenho que admitir que são um povo enérgico. Alguns até mais que eu podia esperar. Um deles me receitou e aplicou uma ducha com grande quantidade de água fria. E como aquilo veio para o bem de minha saúde.

Já escrevi uma carta de Rio Branco e gostaria de saber se já recebestes. Peço que no mesmo endereço não mais menciones: Rio Branco, pois isto dificulta o recebimento das cartas. Simplesmente suprima esta palavra e o resto deixe tudo mesma coisa.

Vou esperar sua uma carta como nunca. Com muitas e sinceras lembranças,

Fritz Jankowoski

Essa carta subiu o Rio Novo de mão em mão | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 24 de maio de 1920

Querido Reinold!

Recebi tua carta escrita em 5 de maio no dia 22 de maio. Muito obrigada!

Eu teria muito o que escrever, mas esta noite não vale à pena começar, pois esta noite não poderei pela ordem e minuciosamente escrever tudo por falta de tempo, pois amanhã cedo vamos cavalgar até Orleans para o enterro do velho Felipe, que morreu esta manhã — e também porque amanhã são as terceiras Oitavas da Festa do Verão [Treschu Wasaras Svehtki]. Então não leve por mal, que só vou descrever como foi a Festa do Verão e como os mensageiros da Convenção foram embora.

A verdade é que a temporada desta grande batalha não terminou totalmente, pois dois ainda continuam aqui: os dois mensageiros de Rio Branco, o Fritzis e o Loks. Eles tudo querem conhecer. Todos os letos por nome eles têm que visitar. Esta noite o Fritz foi para a casa dos Leimann, onde já esteve várias vezes. E amanhã de manhã cedo, montados no Prinzi e no Lapu, irão para Mãe Luzia.

Eles querem se demorar em todos lugares. Todos morros altos querem escalar e até a Serra eles falaram em conhecer. O plano deles seria sair bem cedo pela manhã, chegar ao meio-dia lá em cima só para ver aquelas maravilhosas montanhas, então sem muita preocupação estar à noite em casa. Isto naturalmente seria possível para pessoas acostumadas a subir montanhas como o Roberto Klavin, cujo passo quase ninguém consegue acompanhar, mas esses heróis que não estão acostumados acho que não conseguiriam.

Os demais convencionais desceram para Orleans na sexta-feira, então na igreja do velho Karlos fizeram um grande culto, mas lá eu não estive. O Watson dormiu na casa do Diretor [Staviarski, da Companhia de Colonização], e os demais espalhados pelas casas dos letos. No sábado de manhã embarcaram no trem para Imbituba e não sei se conseguiram o navio como era esperado ou não.

Neste mesmo dia o Jahnis Klava viajou para Nova Odessa, onde pretende acumular dinheiro para depois viajar para a América do Norte para estudar; ao Rio [de Janeiro] ele não pôde ir pois o próprio Satanás lhe pôs obstáculos. Já quanto eu sei [o motivo] é que ninguém e nenhuma igreja daria uma carta de recomendação, pois todo mundo conhece que pássaro ele é. Segundo escreveram de Mãe Luzia ele estaria envolvido com aqueles “homens de espírito” [pentecostais], pois uma carta veio aberta ou teria sido aberta para o Wileams Slegmann, e nela descreviam certas barbaridades praticadas por eles; um outro Slengmann tirou do correio e essa carta subiu o Rio Novo de mão em mão até chegar ao Butler, que apesar de não achar correto abrir ou ler correspondências dos outros também leu e ficou sabendo de tudo. Como esperar carta de recomendação?

Ontem à noite a União da Mocidade da igreja teve uma das noites de treinamento com apresentações. Foram boas apresentações e parecem que de agora em diante serão mais frequentes. A bronca do Kirils [Carlos Karkle] deu resultado.

[NOTA: Apresentações. Em leto “preeschnessumu” — literalmente algo que foi levado à frente, apresentado: opinião, fato, peça, poesia ou música. Era basicamente e intencionalmente usado para que a mocidade aprendesse a enfrentar o público e perdesse a inibição, e com bons resultados.]

O João de Riga Frischembruder apresentou trechos do Jaunibas Drauga/O amigo da juventude que realmente foram muito proveitosos. Outros apresentaram contéudos às vezes maiores ou outras apresentações menores, mas desta vez todas foram consistentes, cada uma com mensagens muito claras e definidas.

Os dirigentes desta vez foram o Fritz Jankowski e o Looks de Rio Branco. Aqui na semana passada correu a notícia de que o Fritz recebeu do seminário o “passe do lobo” e não mais pôde voltar este ano para lá. Também há aqui alguns que se admiram que ao Reine foi permitido voltar para a escola. Eles parece que esqueceram ou não ouviram o Watson dizer que de ouvir falar do Rio Novo ele já conhecia bem e agora teve a satisfação de conhecer pessoalmente. Ele transmitiu à igreja as tuas saudações e lembranças e contou que tinha insistido para que você viesse junto, mas que você tinha declinado do convite alegando a necessidade de dar continuidade aos estudos. Se tivesse sido possível teria sido uma grande satisfação, mas havia sido numa data conflitante. Ele também disse que você é um dos melhores alunos e que dirige uma Escola Dominical em Pilares, onde ele espera muito no futuro. E ainda disse que o Rio Novo tinha roubado um professor dele ou da escola e ele agora o recapturou. Ele em cada conversa ele sai com alguma brincadeira. Ele provavelmente já terá contado tudo isso para você quando esta carta chegar. Ele levou o S.S.S. [dinheiro?] e uma carta minha.

Não receba dinheiro por aquele livro do Leiman. Mande para ele logo que for possível o cantor [hinário] de qualquer modelo que conseguir. Ou então escreva perguntando em que acabamento ele quer e se não tiver que espere.

O que de bom ele te escreve? Ele menciona o Rio Novo nessas cartas? O velho Leiman tem perguntado por que esperam o Artur em casa, pois já estariam desanimados de esperar o que não seria verdade.

Hoje chega. Nunca consigo escrever suficiente para satisfazer a sua curiosidade de todas as notícias daqui. Faça o favor de fazer uma lista de perguntas por prioridade e eu tentarei te responder. Sobre a Convenção ainda vou descrever do começo ao fim.

Viva feliz e saudável. Com sinceras e amáveis lembranças,

Olga

Cavalos encilhados esperando na estação | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 19 de maio de 1920

Querido Reinold! Sweiki/Saudações

Agora tem-se passado várias semanas sem que eu tenha recebido alguma notícia sua. A última carta foi a escrita no dia 9 de abril, a qual recebi no dia 21 de abril.

Desta vez não poderei escrever muito, apesar de que novidades têm bastante, mas esta noite (ou esta manhã) quero escrever alguma coisa. Você pode imaginar no relógio já é meia-noite passada — então posso dizer que é de manhã porque já passou de meia-noite. Ou não?

Imagino que você esteja pensando em nós, pois estamos em festas — mas como esta passou depressa! Hoje vai ser o dia de encerramento da Convenção; alguns mensageiros já amanhã depois do almoço vão começar a viagem de volta, deixando deixar o Rio Novo para trás.

Tu já sabes que o S. L. Watson está aqui também. Hoje à noite ele disse que amanhã viria aqui em casa, e quer saber se não tem alguma coisa para ele levar para você. Disse também que a Kate [Klavin] tinha mandado um pacotinho para a Selma, então amanhã vamos dar S.S.S. [dinheiro?], que temos certeza que vai chegar bem, e também esta minha carta.

Sei que você quer saber detalhadamente como foi e o que aconteceu na Convenção, mas desta vez não vai dar. Deixa passar esta época de apuros e correrias, que mais parecia uma guerra, todos fazendo o possível para que tudo saísse de acordo e todas as pessoas saíssem daqui com a melhor impressão. Hoje também a cabeça da gente está tão cheia de coisas que acho melhor deixar a poeira assentar e deixar para depois contar os detalhes.

Acho que você leu n“O Batista” o programa da Convenção e das Conferências; pois é, saiu mais ou menos como estava previsto ali, com algumas modificações sobre as quais vou escrever noutra vez.

O início, que estava previsto para o domingo à noite, teve que ser adiado para a segunda à noite devido ao atraso de muitos mensageiros. Os mensageiros que compareceram foram bem mais do que os esperados. Só de navio vieram mais de dez. O Onofre Regis veio de Pedras Grandes, e de Mãe Luzia veio bastante gente. No dia 11 o Deter telegrafou de Paranaguá que iria embarcar no paquete “Anna” com seis pessoas: o Deter com a esposa e a filhinha, o pastor João Henke, o Edmundo Assenheimer e o pastor Abraão de Oliveira de Curitiba; vieram mais o pastor Manoel Verginio de Souza de Antonina e o colportor Carlos Donavante como mensageiro de Paranaguá. Este chegou bem antes: dia 13 já estava em Orleans.

De Rio Branco vieram o Fritz Janowski e o Rudolfo Loks. Os do Rio de Janeiro, com o S .L. W., quando chegaram a Florianópolis o “Max” já fazia horas que tinha saído para Laguna. Então esperaram vários dias, e quando chegou domingo de manhã saiu um navio com destino a Imbituba. Aqui ninguém sabia quando realmente eles iriam chegar, por isso desde o dia 13, dia 14 e 15 de maio tinha gente com cavalos encilhados esperando na estação. Sempre ia bastante gente: inclusive o nosso Arthurs levou a Marsa encilhada diversas vezes e o trem chegando, mas nada e assim voltavam sem os convidados.

Então, domingo de manhã depois do culto, o Butlers recebeu um telegrama dizendo que o pessoal do Rio já estava em Imbituba e deveriam chegar no trem da tarde de terça-feira, então na segunda ele não estaria. No culto da noite outra notícia: eles já estariam em Tubarão, e deviam ser buscados em Orleans na segunda-feira às 10 horas da manhã. Então novamente os emissários foram em busca dos convidados.

Essa antecipação foi conseguida com a Administração da Estrada de Ferro, para que eles pudessem vir no retorno de um dos trens de carvão de pedra. Então imagine você aqueles doutores vindo num trem de serviço: ficaram mais pretos do que aquele negro de Paranaguá.

Então: chegados a Orleans foram para a casa do Stekert, onde tomaram um lanche e depois juntos tiraram fotografias em grupo. Depois, montados nos cavalos, saíram em direção do longínquo Rio Novo.

Havia três pessoas com máquinas de tirar fotografias.

Então lá pelas três da tarde — oh, como ficaram enrijecidos depois de tanto tempo a cavalo, — chegaram enfim ao seu destino, depois de gozarem da grande oportunidade de cavalgar uma distância tão grande.

Determinaram que na mesma noite deveria haver a solenidade de abertura dos trabalhos da Convenção. Na casa do W. Slengmann ficou o Carlos, na casa dos Frischembruder ficou a Família Deter. João, um negro mas exímio músico, ficou na casa dos Osch. Na casa do Butlers ficou o R. Loks e na nossa casa ficou o pastor Manoel. O Fritz Janowski ficou na casa do Oscar Karp, o Dr. L. S. Watson na casa dos Leimann e o João Henke e o Edmundo na casa dos Klavin.

Poderia ter havido mais gente, mas parece que alguns não vieram ou não conseguiram chegar. Na terça-feira houve duas reuniões, uma de manhã e outra à noite. Na quarta-feira a mesma coisa, e hoje depois de todos os trabalhos foi servido um café com acompanhamento a título de confraternização. Amanhã pela manhã será o encerramento e daí fim: é só ir embora.

Teve muita gente que queria que as pessoas importantes ficassem pelo menos até o fim do mês. O Deter disse que se chegar a Laguna ou Imbituba e não conseguir navio voltará num trem de carvão.

Bem, agora chega, noutra vez eu descrevo as miudezas. O evento foi muito proveitoso, pois os rionovenses agora ficaram sabendo muitas coisas de que não tinham a mínima idéia. Oxalá Deus permita que a igreja entenda todos os planos e consiga por os mesmos em ação e conseguir a vitória.

Nós todos estamos bem, todos com saúde. O tempo está começando a esfriar. Lembranças de todos.

Noutra vez minha carta vai ser léguas mais comprida, assim você poderá ler a semana inteira.

Também fico no aguardo de cartas longas.

Olga

As pessoas de lá são como nós | Lucia Purim a Reynaldo Purim

[Sem data, mas deve ser 29 de abril de 1920]

Querido irmão!

Primeiramente envio muitas lembranças. Agora estamos passando bem. Esta noite está chovendo uma chuva miúda e está um pouco frio.

Estou com um problema no ouvido; não escuto bem, por isso não vou escrever uma carta muito longa. Tenho que estudar, se não na escola não vou passar bem. Estou começando a fazer divisões e a traduzir do alemão. Agora nos feriados nacionais, que serão no dia 1° e 3 de maio, não haverá aula [comemorava-se o descobrimento do Brasil].

No dia da Ascensão do Senhor haverá piquenique e já foram distribuídas as partes para decorar.

Você quer saber se o pessoal está preocupado e preparando-se para a Convenção [Batista do Paraná e Santa Catarina]. Na casa dos outros não sei, mas nós estamos engordando um peru, um galo e três galinhas; também foi feito um forno novo para os assados, limpamos o jardim, cuidamos das flores e as salas deverão ficar brilhando. Estamos nos aprontando como se fosse para uma guerra.

Foi designado que se vier alguém de Rio Branco esses virão para a nossa casa, pois as pessoas de lá são como nós. Ninguém quer hospedar as figuras importantes das cidades, e os mais espertos já escolheram os seus hóspedes. A maioria prefere ficar com os macacos de 5$000 aqui de Orleans e adjacências do que pegar uns de 50$000; a gente tem medo que tantas pessoas inteligentes juntas fiquem querendo arrancar uma o olho do outra.

Os Klavin e os Leiman também estão prontos para receber hóspedes, mas lá é muito longe e ninguém vai querer ir. A senhora Leiman disse que se a senhora Regis vier ficará lá na casa dela. O Deter e a esposa ficarão na casa do Sr. Frischembruder, e quantos na realidade virão eu não sei.

Bem desta vez chega. Amanhã vai haver matança de porcos, por isso temos que levantar cedo.

Com muita saudade,

Lusija