DR. REYNALDO PURIM – DADOS BIOGRÁFICOS | POR JOÃO REINALDO PURIN – 5ª PARTE

DR. REYNALDO PURIM – DADOS BIOGRÁFICOS POR JOÃO REINALDO PURIN – 5ª PARTE
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REYNALDO PURIM
Memórias de seu sobrinho João Reinaldo Purin

5ª. Parte
Em Curitiba
Voltando um pouco no tempo, preciso colocar que no mês de janeiro de 1954, por ocasião de uma Assembléia da Convenção Batista Catarinense em Urubici, uma vez que há tempos, me considerava vocacionado para o Ministério da Palavra, atendi ao apelo. Depois de tornar pública a minha decisão, procurei o missionário Adriano Blanckenchip que se prontificou a conseguir bolsa de Estudos em Curitiba, na então Escola Batista de Treinamento, hoje Faculdade Teológica Batista do Paraná. Ali permaneci como aluno interno 4 anos. Pelas manhãs aulas bíblicas e trabalhava na horta, rachava lenha para a cozinha. À noite fazia o Ginásio.
Logo que cheguei escrevi carta ao Titio, comunicando que estava em Curitiba estudando para o Ministério Pastoral. Creio que no ano seguinte ele veio a Curitiba. Gostou demais da cidade. Ficou surpreso ao ver como o curitibano se trajava bem. Ficou por alguns dias na pensão da irmã Maria Túlio, na Rua Duque de Caxias onde meus irmãos, Valfredo e Viganth Arvido moravam.
Quando ele chegou, eu estava fazendo trabalho como pré-seminarista pelas Igrejas do Norte do Paraná. Quando nos encontramos, ele olhou para mim de alto a baixo e acho que ficou decepcionado com a minha altura e disse em leto: “tu ês mass noo augum” = tu és pequeno de (crescimento) altura.
Tive a oportunidade de levá-lo para visitar a Escola onde estudava e também para uma visita ao diretor, o missionário Lester Bell.
Neste ínterim, o Valfredo, falando com o irmão Mizael Cardona de Aguiar aventaram a possibilidade de se adquirir uma propriedade. O tio ficou também entusiasmado com a idéia e ao voltar para o Rio, limpou as suas reservas nos bancos e foi adquirida a propriedade da Rua Jacob Bertinato, que se tornou o centro dos Purins até agora.

Eu no Seminário
No ano de 1961 ingressei no Seminário do sul. Lá chegando, os colegas, maldosos, brincando, começaram a fazer hora comigo, pois sabiam que eu era sobrinho dele, diziam: “como é que pode…, agora aparece aqui um filho do Dr. Purim?” Tudo não passou de uma brincadeira. Ele sempre gostava de me receber em seu gabinete. Nas primeiras vezes já foi me dizendo que a Igreja de Bangu já tinha um seminarista e que não teria como ter dois. Mas por Deus, o Pr. Benilton Carlos Bezerra, da Igreja Batista em Laranjeiras já havia pedido um seminarista ao reitor, Dr. Oliver, que logo me deu carta de recomendação e para lá fui, onde passei meus quatro anos de seminário. Nos últimos meses, antes de minha formatura, o Tio me convidou para pregar em Bangu. Foi uma experiência muito boa. No final do culto alguém interpelou o pastor: “Mas, Dr. Purim, o senhor com um sobrinho no Seminário e ninguém aqui ficou sabendo?” Ele deu aquela risada característica. Ele já tinha me dito, no começo do meu curso que tinha por norma não apresentar parentes em parte alguma. Isto já era coisa antiga. Nunca procurou ajudar seus irmãos, especialmente as irmãs que tanto pediram que isto acontecesse. Mas era uma das normas dele e ninguém poderia convencê-lo de outra forma.

Uma de suas esquisitices notada pela família foi o fato de não participar de meu casamento, pois naquela mesma hora estaria acontecendo o aniversário da Sociedade Feminina de sua igreja. Horas antes do casamento, passou na casa dos meus sogros, justificou-se e preferiu a sua igreja. E lá se foi. Todos “compreenderam” e perdoaram.
Conceituadíssimo
Em que pese estas esquisitices ele era conceituadíssimo por todos que o conheciam e que ouviam falar dele.
Na igreja era muito querido. Todos o tinham na mais alta consideração, apreço e respeito. Solteirão que era, entretanto, freqüentemente casais iam tomar conselhos com ele, acatavam suas orientações e acertavam-se em seus relacionamentos.
Seus estudos bíblicos e sermões eram apreciadíssimos. Todos recebiam a palavra dele como vinda de Deus e faziam questão de não perder uma palavra ou o raciocínio dele que levava o auditório a ponto de perder o fôlego. Apenas, quando terminava, o povo se mexia, como que dizendo: que coisa maravilhosa! Sempre tinha algo novo que extraía da Bíblia que é realmente inesgotável. Ele mesmo dizia com certo orgulho que não repetia sermões. De fato, isto pode ser verificado pelos sermonários que deixou.
Para o púlpito levava a Bíblia e o seu sermonário. Era um livro grosso e pautado. Para cada mensagem usava uma página. Escrito em letras bem pequenas, porém, legíveis. Começava com o título, data, hora e local em que iria pregar: Bangu, Universidade Rural (Seropédica), Padre Miguel, 2ª de Magalhães Bastos, Vila Realengo (essas eram filhas da Igreja de Bangu), Ricardo de Albuquerque que era pastoreada pelo Pr. Arnaldo Gertner e em outros lugares, como Orleans, Rio Novo, Cajuru. Temos sermões desde os anos 1918 até 1969.
Estes sermonários estão sendo disponibilizados aos interessados, sob o título: Idéias Bíblicas para seus Sermões.
Assim era também no Seminário. Ninguém queria perder suas aulas. Lá ele era o catedrático. Ministrou as seguintes matérias: Filosofia, Filosofia da Religião Cristã, Religiões Comparadas, Apologética Cristã, Teologia Sistemática, Teologia do Novo Testamento, Teologia do Antigo Testamento, Epistemologia, Metafísica, Metodologia Teológica, Lógica, Hebraico, e anteriormente, Grego e História da Igreja.
Suas provas eram corrigidas com muito cuidado, pois qualquer palavra mal colocada prejudicava a resposta e a nota.

Sempre alguém o procurava para tirar suas dúvidas. Lembro-me de um grupo de alunos do Colégio Batista que o procurou dizendo que alguém iria fazer uma semente, um grão de feijão. Ao que ele foi logo dizendo. “Mas, fazer um feijão é uma coisa, vamos ver se este feijão vai nascer! Colocar vida em um feijão é outra coisa”.

O Conferencista
Era freqüentemente convidado para institutos nas igrejas. Nem sempre podia ir, mas temos registros e escritos de suas palestras em retiros de pastores no Estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e outros. Em todos esses encontros deixava sempre as melhores impressões.

O Escritor
Em que pese ter deixado poucos livros, houve um período de janeiro de 1936 a dezembro de 1942, em que foi o redator da Revista da Mocidade Batista Brasileira. Essas lições eram estudadas pelos jovens nas então Uniões de Mocidade que funcionavam aos domingos à tarde, antes dos cultos. Através destas lições procurava orientar a juventude batista brasileira em aspectos bíblicos, doutrinários, missionários, morais e culturais. Este material também estará à disposição com o título geral: “Eu vos escrevi, jovens…”.
Os livros, nos quais deixou o seu pensamento registrado, são os seguintes:
As matérias disponíveis, por enquanto são:
* APOLOGÉTICA CRISTÃ, 73p;
* CRISTIANISMO E CULTURA CONTEMPORÂNEA, 63p.
* ELEMENTOS DE METAFÍSICA COM VISTAS À TEOLOGIA CRISTÃ, 70 p.
* FILOSOFIA DA RELIGIÃO CRISTÃ, 104 p.;
* HISTÓRIA DA FILOSOFIA, 100 p.
* INTRODUÇÃO À FILOSOFIA, 42 p.
* LÓGICA, APLICADA AO PENSAMENTO TEOLÓGICO, 68 p.
* METODOLOGIA TEOLÓGICA CRISTÃ, 42 p;
* TEOLOGIA BÍBLICA DO NOVO TESTAMENTO, 100 p.
Outro material que não foi produzido para uso em aula:
* A ESSÊNCIA DA OBRA DE CRISTO – Sua Tese de Ph. D, Com o título original “Um Introdução à Morte e Ressurreição de Cristo.”
* A EXULTAÇÃO DE CRISTO NO ESPÍRITO SANTO, 8p;
* A IGREJA DE CRISTO E SUA MISSÃO EVANGELIZADORA, 24 p;
* A IGREJA DE CRISTO, 52 p;
* A PREEMINÊNCIA DO INDIVÍDUO SOBRE AS CLASSES ORGANIZADAS, 10 p.
* ALGUNS PRINCÍPIOS EXCLUSIVAMENTE BATISTAS, 16 p.;
* AUTORIDADE NA RELIGIÃO CRISTÃ, 67 p.;
* DEMOCRACIA CRISTÃ (entrevista), 8 p.;
* IDÉIAS BÍBLICAS PARA SEUS SERMÕES (Esboços) Vol. II, 98 p.
* IDÉIAS BÍBLICAS PARA SEUS SERMÕES (Esboços) Vol. I, 98 p.
* IDÉIAS BÍBLICAS PARA SEUS SERMÕES (Esboços) Vol. III, 99 p.
* JESUS CRISTO NO PANORAMA DA HISTÓRIA, 59p.
* JESUS CRISTO, O RECONCILIADOR, 76 p;
* O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO, 8 p.;
* O ENSINO DE JESUS SOBRE O ESPÍRITO SANTO, 10p.;
* O PODER DO ALTO, 20 p;
* ORIENTAÇÃO PARA OS NOVOS CRENTES, 24 p.;
* PREDESTINAÇÃO E APOSTASIA ou A PERSEVERANÇA DOS SALVOS, 70 p.;
* PRINCÍPIOS BATISTAS (tese para os pastores do Estado do Rio), 38 p.
Como já foi colocado acima, o Dr. Reynaldo Purim tinha uma cultura e um conhecimento geral de todas ou quase todas as áreas do saber humano.
Entretanto, para não incorrer em algum erro que alguém, algum dia pudesse incriminá-lo, ele era muito cioso aos expor suas idéias e pensamento. Esta, talvez, tenha sido uma das razões de ter produzido pouco. Antes de chegar à conclusão que o texto estava bom, ele corrigia e datilografava várias vezes (naquele tempo nem se falava em computador). Também ele perguntava, quem é que vai ler? Com isso dizia que, se ele expusesse o seu pensamento em sua profundidade, poucos iriam se interessar e ler.
O material que estou expondo, é o que encontrei em seus guardados em forma de apostilas e rascunhos datilografados. Como o que importa é o conteúdo estou colocando à disposição em forma de apostilas, sem muitas alterações.
Se o leitor estiver interessado, é só fazer o pedido.
Vem aí a 6ª Parte. Seus últimos anos – Morando no Seminário. Aguarde.

Tudo que foi plantado na roça vem bonito. | De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

[Carta escrita em várias etapas por Otto Roberto Purim mais conhecido por “Arthur” agora com quase 20 anos de idade].
Também uma parte escrita por outra irmã, a Lucia para aproveitar bem o papel.]

Rodeio do Assucar 12-8-25

Querido Irmão! Saudações.

Já recebi as tuas cartas escritas em 2-6 e 2-7, já há bom tempo. Por elas muito obrigado. Agora chegou a hora de eu pegar a caneta e a pena e começar a escrever. Na semana passada a Luzija também recebeu a tua carta escrita no dia 23/8. Naquelas cartas que eu recebi você faz tantas perguntas e apresenta tantas questões que realmente não sei como atender todas os casos ao teu gosto. Você solicita que eu escreva minuciosamente e detalhadamente [Sihki un smalki – Não considero a minha tradução adequada] Você sabe que eu não tenho as condições para uma apresentação elaborada pelos motivos que você bem sabe.

Você diz que não tem muito tempo para gastar com a resposta de cartas. Se você não tem tempo, então calcule eu que não tenho tempo para escrever muito, pois eu tenho serviço demais que nem sei o que fazer primeiro e quando me ponho a escrever tenho que pegar a pena, mergulhar no tinteiro e tenta acertar os pensamentos para então começar a desenhar as letras e palavras. Para você é tudo diferente, você se senta à frente da máquina e momentos depois a carta está pronta e só colocar no envelope e enviar. Aqui não sei que hora posso escrever, de dia tenho trabalho demais, à noite também tenho serviços e às vezes tento ainda ler alguma coisa.

Continua depois.

30 de agosto de 1925

Continuação da parte anterior.

Hoje é domingo, tive que ficar em casa de plantão e cuidar os animais porquê todos foram para a Igreja festejar a Festa da Colheita e como esta Festa se desenrolou ainda não sei.
Agora eu tenho me agarrar a esta carrada de perguntas e tentar responder e para algumas perguntas a resposta pode ser em poucas palavras, pois não vale a pena fazer um sermão para cada uma. Você reclama que eu não convidei a tempo para ajudar a farinha de mandioca. Não concordo, pois até semana passada estávamos fazendo farinha. Se você quisesse daria tempo para vir, pois não pudemos fazer antes porque não tinha água suficiente para mover o engenho. Ainda temos mais mandioca para fazer farinha. Pode vir que tem bastante. Sobre a relação de variedades das mudas de mandioca já mandei faz mais de duas semanas e já estou aguardando as sementes e mudas para em tempo próprio possa plantar.. Você pergunta o que nós fazemos em casa, Agora nós estamos capinando e roçando com foice, mas encurtado a conversa fazemos tudo o que aparece na frente. Sobre a boa colheita de milho e outras já sei que a Luzija já escreve para você. Onde nós iremos fazer a coivara no terreno do Rio Novo ainda não foi suficiente discutido. Aqui no terreno do Leimann começamos a roçar e derrubar um pequeno pedaço que deverá dar um pouco mais de uma quarta de semente. A casa onde moravam os Leiman não mudou nada, está igual à antes. Que a Senhora Leiman morreu nós já há muito tempo estamos sabendo. O Fritz não nós escreveu nada, mas a Mama Osch nos conta tudo. Que ela descanse, pois o descanso é necessário para a sua vida foi trabalhosa e difícil e assim ela foi. A sua vida ela viveu, o seu caminho ela palmilhou, sua peregrinação ela findou, Que suas boas obras a acompanhem.

Sobre o Arthur Leiman eu pelo menos não sei de nada, não o que ele faz nem onde ele mora.

Na segunda feira passada o Roberto Klavin em companhia do Rabino judeu Indriks foi para Mãe Luzia construir uma atafona. O Rubis [Mesmo que Roberto] desde o começo de abril trabalhava para os italianos e construía um engenho de farinha. Agora depois de uma semana em casa já foi embora outra vez. Dos italianos ele ganhava 6$500 mil réis por dia e estava muito insatisfeito com este baixo salário porquê acha muito pouco, mas agüentou com paciência 5 longos meses, mas nem assim conseguiu suficiente para comprar um relógio.

Como vai o Zeeberg não teria nada de especial para mencionar. Ele é o dirigente da Escola Dominical e as vezes dirige a Escola Dominical. Também ele traduz [Traduz do alemão] as notícias de Missões de outras partes do mundo e quando chega o dia dele dirigir o Culto ele as lê.

Quanto de modo geral o Pessoal de Rio Novo está um tanto inquieto, pois muitas pessoas querem ir embora daqui. Faz duas semanas que o W.Slegmann com toda família foram morar em Nova Odessa. Naquela mesma semana o Grikis mudou para Urubicy. Para a mudança foram necessárias 20 mulas com as bruacas carregadas. O velho Grikis juntamente com a esposa Senhora Late foram levados para Mãe Luzia porque para as Serras eles não quiseram ir e também porque ela esta muito fraca.

O João Oschs vai mudar para perto de Tubarão e os terrenos aqui ele já vendeu. A esposa dele ainda mora aqui no Rio Novo, mas ele já foi para Tubarão fazer as roças. O Ernesto Slegmann já vendeu todos terrenos por 10 ½ mil e vai morar junto da Atafona lá em baixo que é do W. Slegman.

Ontem foi o casamento da Ema Slengmann
com Dolphi Buris [Adolfo Burmeister]. Eu fui à cerimônia que foi na Igreja e onde também foi a recepção. O próximo casamento será do João Zeeberg com a Hilda Auras. A data se não estiver errada será no dia 1o. de outubro. O Pastor Stroberg virá de Kuritiba para fazer o casamento para depois dar tudo certo. O Zeebergs em companhia do Auras vão pagar todas as despesas de viagem. Agora depois destas você mais ou menos está sabendo como estão as coisas por aqui e as demais miudezas você pode mesmo deduzir.

Quando o Stroberg vai terminar o curso na realidade não sei. Há pessoas que dizem que isso deverá ocorrer somente no ano que vem, porque ele foi um mês atrasado e tem viajado muito. Agora ele vai gastar mais um mês para fazer o casamento do João Zeeberg e por ai os estudos vão ficando para frente. Eu penso que ele quando vier para fazer o casamento, então este ano ele não voltaria mais. Ainda é possível que apareça mais algum casamento e o resto do ano se foi.

Este ano o dirigente [Vice Moderador] da Igreja é o Oscar Karp. Quanto a Escola Dominical cada vez ficando menor devido a saída de muitas famílias e dos homens que vão para a Escola Dominical é somente o velho Karkle. Ele se assenta junto, na classe dos rapazes, duro como um vaso.

Na semana passada recebemos uma carta de nossos parentes de São Paulo. Fazia bastante tempo que não tínhamos recebido nada deles. Mas quando o Alfredo Leepkaln foi de mudança para São Paulo, nós enviamos cartas e uma lata de mel para eles. Lá ele entregou a carta dizendo que o nosso mel tinha se extraviado na viagem. Nós não acreditamos nesta história, pois como todas caixas e mercadorias da mudança chegaram e logo foi extraviar uma lata de mel. Achamos que ele deixou ficar para ele mesmo, pois o mel está muito caro agora.. Estes nossos parentes de São Paulo não te escrevem? Nunca fostes passear lá na casa deles? Você poderia viajar até Nova Odessa em Setembro quando o Jurka Klavin vai casar e aproveitar conhecer os nossos parentes e ver como eles vivem por lá.

A não ser que você já tenha ido e conhecido esta “Leijputrija” [El Dorado ou Shangrillá – Lugar lendário](Escrit. Ontem eu ouvi dizer que o Willis Klavin que já na próxima segunda feira vai viajar para São Paulo para o casamento do Jurka.

Então como é, este ano você vem ou não para casa? Eu gostaria muito que você viesse para casa, pois assim nós poderíamos conversar bastante. Muita coisa poderia contar destas que não vale a pena escrever. Mas eu gostaria que você antes visitasse os nossos parente em Nova Odessa e ai sim você teria bastantes coisas para contar.

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Agora uma semana é passada e nunca mais vai voltar e também há algo de novo. Na segunda feira passada a Luzija foi a Orleans trazendo a resposta para a minha encomenda de sementes, mas não trouxe as sementes devido aqueles obstáculos como : a) Por não ser V.S. inscripto no Registro de Lavradores do Ministério de Agricultura
b) Por não estar o Pedido feito de acordo com o nosso Regulamento
Também as mudas eles não mandam em qualquer época do ano. Somente de 1o. de janeiro até 25 de abril. Quando as sementes eles mandar quando se faz necessário, mas somente uma vez no ano. Eles oferecem muitas variedades de árvores frutíferas, sementes de capins, arados e cultivadores, todos com excelente preço, mas somente para os sócios. Eles mandam formulários para serem preenchidos para entrar na sociedade. Também enviaram formulários de pedidos. Mas para tudo eles querem uma espécie de cadastro. Se for agricultor querem saber qual a área de terra, quanto de mata e quanto cultivada. Se existe estrada de acesso. Se for pecuarista ai saber quantas cabeças de cada animal. Quantos animais são vendidos por ano. Que raças são os animais. Se você é fabricante de algum artigo ou produto, quando foi inaugurada a sua fábrica e qual é o lucro anual etc. O que você pensa disso tudo?
Eu penso que desta vez chega. Se a resposta viesse tão longa como esta até que valeria escrever mais,

Com lembranças de todos
Arthurs.

[Escrito no mesmo papel]

7 de Setembro
Querido irmãozinho! Saudações.
A tua carta escrita no dia 29 de julho faz tempo que já a recebi. Por ela muito obrigada. Eu faz tempo que eu queria responder mas tinha que ficar esperando o Arthur terminar de imprimir a carta dele. Ele ia adiante muito devagar e por isso você teve que esperar tanto, mas em compensação saiu bem longa. A minha carta enviada em 23 de julho você recebeu? Nós estamos passando como sempre. O tempo está bem quente e chove bastante em grandes aguaceiros que fazia tempo que nesta época não ocorriam. Os pastos estão verdes com a grama crescendo bem.

Tudo que é plantado na roça vem bonito. A nossa horta está tomada de couve-flores, nabos, rabanetes, os pepinos estão com os baraços bem crescidos e ainda vamos plantar muitas outras coisas. Pode vir para comer que estou certa que nós não vamos dar conta sozinhos de comer tudo isso. Bem tenho que terminar ,pois este papel está no fim. Noutra vez eu escrevo mais. De modo geral como estás passado? Porque não mandas mais jornais para mim? Como é o seu novo jornal e se possível mandar os números atrasados do (Zelhmallas Ziedi”[ As flores da beira do caminho]
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Muitas lembranças de todos
Luzija

Nós estávamos culpando o homem dos Correios . | De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1923

Rio Novo 15 de novembro
Querido irmãozinho!! Saudações!

Hoje a noite estou escrevendo a última carta do ano. Este ano não irei mais escrever para você. Eu tenho escrito muitas cartas, mas respostas não têm vindo. Por que você não responde? Nós estávamos culpando o homem dos correios. As outras cartas, ele, entrega. Vai ver é você que não escreve. Pode ser que você nem queira que nós escrevamos para você. Quem sabe nós estejamos amolando você com tantas cartas.

Há pouco tempo recebemos o chamado “O Crisol” e que este nome significa aqui ninguém sabe e eu também não entendi. O Robert[Klavin] também recebeu.

O Robert não mandou algum número de prova do jornal deles para você. Ele aqui é o redator de uma publicação mensal chamada [ “Menehscha Gaisma” •] [quer dizer; “A luz do Luar”] ela é publicada pelo Grupo de Cordas da Mocidade da Igreja. A “redação” é na casa do nosso vizinho Auggi ] [ Augusto Feldsberg]

Nós aqui estamos passando mais ou menos bem. Trabalho nós temos demais, tanto que nós não estamos dando conta.

Hoje, ou melhor, hoje à noite vocês lá no Rio, estão tendo a grande Festa. Hoje é 15 de Novembro. Muita gente cantam, tocam músicas, ouvem-se discursos, mas a mim estes prazeres não estão ao meu alcance. Por isso eu estou sentada na sala, calmamente. Nem hoje não santificamos este dia.

Passei o dia plantando nabos e limpando a horta e o jardim, as flores estavam sendo ameaçadas pelo mato que cresce rápido. Choveu também um pouco hoje. Também estive na outra nossa casa [em Rodeio do Assucar] e depois voltei para casa aqui [Parjahju = Voltei a cavalo ou voltei montada a cavalo. Do verbo “jath” andar a cavalo ou cavalgar] aqui no Rio Novo porque amanhã eu tenho que ir para a cidade procurar se chegou alguma carta para nós.

Este ano você deve vir passear em casa. E é possível que o Karlis [Leiman] também esteja por aqui. Você está tanto tempo longe daqui. Já era para vir no ano passado e é assim quando o cara estuda e ganha um diploma, então o pessoal de casa ele esquece completamente.

Se bem que antes ainda mandava cartas curtas, mas eram cartas, mas quando passou a redator, parece que só se preocupa em escrever para que as páginas da sua publicação, não saiam em branco e o pessoal de casa fica aqui completamente esquecido.

Se você vier faça o favor de trazer aqueles remédios cuja “receita” faz muito tempo atrás nós mandamos junto com as meias. Também pode comprar aquelas xícaras, porquê tens dinheiro e nós também não queremos de graça. Quando vieres, nós o reembolsaremos.

Bem por hoje chega de escrever. Você quem sabe não tenha tempo de ler.

Quando chegares terás todo tempo para descansar, mas não esqueça de trazer junto o teu violino então assim poderei aperfeiçoar os meus dedos nas cordas e aprender tocar melhor.

Lembranças de todos os de casa e também as minhas. Até a vista em Rio Novo.
Luzija
Escrito na lateral.
O nome do remédio que Olga deixou de mencionar na outra carta é: Oleum Baunscheidth