Dados biográficos de Lisete Rose Purim, mãe de Reynaldo Purim

Dados Biográficos de Lisete Rose Purim
Por V.A.Purim

Antes de falar de Lisete Rose vamos contar o que sabemos do seu pai e de sua mãe:

Jekabs Rose o pai:

Nasceu em Wirtzawa próximo à fronteira da Lituânia, mas a data não sabemos e também não sabemos o nome de seus pais.
Casou-se em primeiras núpcias com Magriet Kleber Rose também não temos a data.
Em segundas núpcias casou-se com a cunhada Lavise Kleber Rose e também não temos a data já em Rio Novo.
Nas terceiras núpcias casou com uma viúva com muitos filhos chamada Wilhemine (Minna) Kujmanne (e era conhecida como Kujmanieta) de Rio Novo.
Os filhos foram Lizete e Ludwig (ambos da 1ª esposa)
Morreu em 03 de março de 1925 na região de Rio Branco ou Jacu Assu
A religião era Batista e depois passou a ser sabatista
A instrução a gente só sabe que era alfabetizado
A profissão definida não pode ser conferida e aqui no Brasil ele trabalhou como agricultor
Dados históricos:
• Morou em Daugava Griva (foz do Daugawa); Dünamünde em alemão, antes de emigrar para o Brasil
• Pertenceu a Igreja Batista deste bairro da cidade de Riga.
• A primeira esposa morreu ainda na Letônia
• O Sr Jekabs aqui no Brasil casou com uma cunhada (irmã da Margriet) chamada Lawise, que tinha vindo já cuidando das crianças, isto é, os sobrinhos Lizete e Ludovico (Ludvig).
• Ela parece que não era para vir junto para o Brasil, mas devido à insistência dos sobrinhos ela terminou vindo. Esta era costureira e mais tarde também veio a falecer.
• Mais tarde o Sr. Jehkabs casou pela terceira vez, e desta feita foi com uma viúva chamada Wilhemnne (Minna) Kusjmane (Kusjmamnieta) qual tinha muitos filhos. A vovó Lisete não se relacionava bem com esta madrasta por ter um gênio muito belicoso e tiveram uma desavença devido à posse de um famoso Lenço de seda.
• Uma característica do mesmo (Jehkabs) era não gostar dos netos, o Reinaldo, Artur, Lúcia e Olga não eram muito benquistas.
• O Sr. Jehkabs morava no Rio Carlota no mesmo lugar em que depois morou o Felipe Karkle
• Mas a primeira colônia (gleba) de terra dele adquirida nos primeiros tempos era no vale do Rio Laranjeiras, que ficava em direção oeste em relação ao vale do Rio Novo, numa região conhecida por nos como Bukovina. Uma vez, após passar o dia nos Purins, na caminhada pela mata o Sr. Jehkabs em direção ao seu terreno, que era muito acidentado, aproveitou para levar um rebolo de pedra [Rebolo é uma ferramenta feita de um pedaço chato de arenito deixando rendondo com um furo no centro onde era encaixado um eixo e numa das extremidades uma manivela para ser instalada em forquilhas ou cavaletes para uso] para ser usado na afiação de ferramentas. Mas começou a ficar tarde, o que levou a se perder na mata Atlântica extremamente fechada. Então ele teve a idéia de aliviar o peso deixando guardado o dito rebolo entre as lages de uma cascata de um riacho. Quando voltou para procurar, não encontrou mais. Talvez tenha sido encoberto pelo musgo ou outra vegetação. Bem mais tarde, aquele terreno onde ele tinha passado continuava mata virgem, pois pertencia ao Tio Reynaldo e nós íamos colher jabuticabas nas árvores nativas e, às vezes, passávamos perto destas cascatas em busca do rebolo desaparecido. Junto desta cascata havia muitos xaxins sem espinhos entre eles alguns imensos que devia ter mais de 1½ metro de diâmetro.

• Bem depois ele já morando em Timbó, próximo a Blumenau, voltou para junto da filha Lisete quando trouxe algumas lembranças como o famoso Lenço de Seda histórico, pois durante a guerra dos Prussianos, [Prusch karsch?] este lenço ficou enterrado para não ser levado, uma Balança em £ e as alianças dos pais dele e ainda se mostrou arrependido de ter casado com a referida senhora
• .
• O Sr. Jekabs quando chegou ao Brasil era Batista, mas depois passou para a denominação Sabatista.

Agora a Mãe
Magriet Kleber Rose

Não temos a data de nascimento nem o nome de seus pais
Casou-se com Jekabs Rose, mas não sabemos a data.
Os filhos foram Lizete e Ludwig
A irmã Lavise Kleber
Morreu ainda na Letônia antes da família emigrar para o Brasil
A religião dela era Luterana.

Dados históricos:
• Morreu quando a filha Lizete tinha 12 anos.
• Quando morreu na Letônia era hábito de fazer o funeral que durava uma semana, depois para dar tempo de todos parentes se reunirem para um encontro quase social. A Senhora Magriet era Luterana e o marido era Batista e, no dia que foi o último dela antes de morrer, ela reclamou por que todos estavam tristes e pareciam estar em um velório na presença de uma pessoa falecida. Que não era para eles estarem assim e sim que cantassem hinos e, enquanto cantavam, ela faleceu. Foi o Ludwig que foi o primeiro a perceber.

Lizete Rose Purim

. Nasceu em 16/02/1878 em Daugava Griva ou em alemão Dünnaminnde
. Pais: Jekabs Rose e Magriet Rose
. Casou-se em 10/03/1895 – Na Igreja Batista Leta de Rio Novo com Jahnis Purim
. Filhos: Reynaldo, Olga, Lúcia, Otto e Alvina.
Irmãos: Ludwig.
Morreu em 08/ 04 /1953 em Rio Novo Orleans Santa Catarina
Religião: Batista.
Instrução: Primária.
Histórico:
• Daugava Griva (foz do Rio Daugava) é Dünnamünde em alemão. Fica perto de Riga.
• Ela tinha sido Babá dos filhos do casal Freijs que foi editor e proprietário de uma gráfica onde eram produzidos muitos livros e literatura cristã.
• Lisete era alta e muito bonita. Era muito culta e atualizada porque lia muito. Falava russo, alemão, leto e português. Tinha uma memória prodigiosa, lembrando de aniversários de uma infinidade de pessoas.
• Na Letônia ela ia prá escola com o seu irmão Ludwig, mas o mesmo não era de estudar então saindo de casa iam recapitulando as matérias e antes de passar a ponte prá chegar à escola o esperto sabia tudo e tirava ótimas notas na escola.
• Ainda sobre o Ludwig aqui em São Paulo as pessoas contam que quando iam visitá-lo na redação do Jornal alemão ele estava escrevendo em alemão e continuava mesmo conversando sobre um monte de assuntos como isso fosse normal.
• O vapor em que vieram os Rose era o “ Santos” da “Hamburg-Südamerikanishe Dampfschifffahrt” e saiu de Hamburg no dia 12 de novembro de 1891.
• Ela chegou ao Brasil com 13 anos de idade.
• O navio que trouxe os Rose também trouxe até Recife locomotivas para uma estrada de ferro. Como não havia cais, estas foram descarregadas em barcaças, no largo, fazendo com que o vapor adernasse muito, quase virando e causando muito temor entre os imigrantes.

• Veio via Hamburg Alemanha e chegou em xx/11/1891 em companhia do irmão, da tia e do pai e muitos outros letos. Ficou de quarentena 2 semanas em Ilha das Flores no Rio de Janeiro. Ela viu os primeiros negros em Salvador. E também bananas. [deve haver erro no tempo da quarentena, pois no dia 25 de Dezembro eles já estavam em Rio Novo.]
• Tinha o espírito aventureiro e não reclamou de ter que entrar na bruta selva da Mata Atlântica, só nos contava que no Natal anterior 1890 na Letônia eles fizeram uma ceia onde comeram bolos, doces e tomaram café com leite e esperando no outro ano estar no Brasil fazendo o mesmo. Mas nesta data estavam morando no Rancho comunitário e comendo pirão de farinha de mandioca com carne seca cozida.
• Ela sempre mostrava onde era o Rancho Comunitário que ficava onde era a nossa horta, isto é bem perto da casa onde eu nasci.
• Os inícios não são fáceis era a teoria dela.
• Ela tratava muito bem dos netos e nunca se esquecia dos aniversários. Em cada aniversário de cada neto, ela dava uma moeda de prata de 2 mil réis que nós guardávamos numa lata. Sempre conferíamos os dizeres escrito na moeda e sempre pesava “XX Gramas”, quando era 2$000,00 e somente X Gramas quando era 1 mil réis.
• Ficava de tocaia na gente éramos pequenos quando íamos para a roça ela ia avisando que não saísse prá dentro da mata ou capoeira onde poderia ter algum bicho [kads bichs]. Quando entravamos no chuchual para colher chuchu ou colher frutas na beira da estrada da roça como amoras pretas e brancas, araçás, goiabas, laranjas, maracujás roxos, cocos de palmeira tucum, cortiças (agora chamadas de frutas de conde) nativas ela ficava monitorando o tempo todo.
• Quando saia pra Igreja ou algum lugar para algum evento social se vestia apropriadamente. Nós notávamos que não usava soutiem e sim enleava umas longas faixas nos seios para deixá-los mais firmes.
• Ela tinha uma farmácia onde tinha uma infinidade de vidrinhos de medicamentos homeopáticos e também algumas infusões como para mal estar estomacal era uma garrafa com losna e outras com um monte de plantas dentro cobertas de aguardente. Se estivesse nervosa a garrafa era de Valeriana também na cachaça.
• Ela na roca fazia o fio de lã, mas antes de torcer era necessário lavar muito bem a lã, depois desfiar deixando totalmente solta e volumosa, depois ir prá carda que são conjuntos pentes de dentes de arame móveis quando era penteada até deixar em forma de bisnagas. Para nós que éramos crianças ficava a tarefa de desfiar que era feito em horas de chuva ou de noite a luz de uma lamparina.
• Depois de feito o fio ficava pronto era hora de inverter isto é torcer dois fios em um só tendo o cuidado para que a torção dos mesmos se encontrasse e os dois fios agora num só, ficassem se apertando e não se soltando serviço este feito na própria roca com cruzamento dos fios que fazem girar a roda maior para o carretel..
• Depois era passado na doubadeira e feito conjuntos de fios que iam para a lavagem final em água quente e daí já podiam ir prô tingimento.
• Muitos destes fios eram enrolados e novelos daqueles que os gatos gostam de rolar.
• Acima já falei sobre o tear uma verdadeira obra de arte e engenhosidade que foi construído inteiramente pelo meu avô Jahnis Purim e minha avó que manobrava este aparelho.
• Mas o forte era fazer coisas de lã era o tricô como blusas, gorros, luvas e meias. As meias ela fazia até na cama de noite no escuro quando acordava e perdia o sono, Quando chegava ao momento de aumentar o diâmetro ou coisa assim ela parava e contava as casas com os dedos em plena escuridão. Quando errava desmanchava a fila e isto era feito reclamando baixinho, Às vezes ela falava sozinha, Depois decidia a modificação e continuava.
• Gostava de trabalhar na roça com todo mundo, mas a horta era o lugar que ela plantava pepinos, repolhos, couves, alface, beterrabas, cenouras, rabanetes, nabos, batata salsa, ervilhas, carás, taiovas e outras especiarias como o endro, erva doce etc.
• Na administração dela na horta a função dos netos onde eu era incluído era carregar água para regar as plantas recém transplantadas e seguir os caminhos da formigas carregadeiras que sempre atacavam a horta. Uma vez encontrado o formigueiro o mesmo era eliminado com latas e latas de água fervente.
• Também os tatus vinham de noite mexer na terra molhada para catar coisas para comer, mas para estes não tinha nada para ser feito senão xingar.
• Para nós ajudar a cuidar da horta tudo bem, o que eu não gostava mesmo era de panelas e panelas de repolho, couves, batata salsa que ela fazia e insistia que a gente comesse.
• Além da fiação de lã (desde a tosa do carneiro até a roupa pronta), costurava, bordava e fazia crochê. Fazia muitas meias de lã para vender. Sabia muitos pontos para confecção de artigos de lã e se preocupava com o fato que quando ela morresse ninguém mais no mundo saberia.
• Tinha um tear onde ela era confeccionava cobertores de lã e também tecidos rústicos para confecção de roupas para inverno.
• Lembro dos preparativos quando muitas porções de fios de lã prontas eram colocadas para tingir em vazilhas de água quente com anilinas importadas da Alemanha, pois os cobertores eram feitos com faixas coloridas. E uma cor que eu lembro bem era a cor rubi e na embalagem em caracteres góticos estava escrito “Rubin Root”.
• Eu ficava muito admirado de como ela jogava rápido as lançadeiras alternando as cores, puxando os pentes e pedalando o cruzamento do tapume com o ordume.
• Também em bordados e tricô ela tinha caixas cheias de jornais e revistas com moldes e “receitas” de trabalhos roupas e moda para todas as ocasiões.
• As comidas que mais usava eram baseadas em produtos da lavoura, frutas e hortaliças cultivadas por eles próprios. De frutas fazia o tchissel (uma espécie de gelatina de frutas onde se usava polvilho ou farinha de trigo para dar a consistência de gelatina) e o tchilltchann (massa que era jogada em colheradas dentro de uma sopa de frutas, doce quente e que tomava as mais variadas formas e depois servida fria. Também o mesmo tchiltchan feito com leite e tomado frio ou quente). Do leite, além do requeijão, nata, queijo e outros, fazia a biezzu putru que é uma sopa grossa de leite azedo com canjica de milho [quirera]. Da carne de porco era feito o salame tipo Blumenau, os salames feitos com a fressura, a morsilha, a carne cozida e guardada em latas na banha, o toucinho pendurado no fumeiro. Também era feita uma geléia de carne [galet] onde os ossos e a cartilagem eram cozidos até derreter e depois de coada numa peneira grossa ao esfriar virava uma gelatina que era por demais apreciadas pelos letos que simplesmente adicionavam pimenta. Também era feita uma super sopa com a cabeça do porco inteira que elês chamavam de “Bullion”. Dos italianos aprenderam fazer a polenta que era um prato muito apreciado. A carne de galinha depois de ficar uma noite no tempero em vinha d´alhos era cozida numa panela de ferro com um pouco de banha e quando começava estalar era adicionado um pouco de água quente e dada uma mexida com uma colher de pau [os alemães chamavam para este processo de “schmoret”] que praticamente assava a carne na panela e o molho super escuro que sobrava era uma delicia.
• A carne predominante era a de porco do qual era derretida a banha para as frituras e saladas e ainda usada para a conservação de carnes já cozidas, pois não havia outros meios para conservá-la. Também eram feitas lingüiças que também ficavam no fumeiro junto com os ossos salgados e as mantas de toucinho. Quando era feita a “schlackfest” ou o porco era carneado que era feito praticamente todos os meses a Dª Lisete junto com a Dª Verginia minha mãe comandavam o bom andamento das tarefas.
• A Dª Lisete foi premiada com uma nora brasileira e era esperado que houvesse muito conflito entre as representantes de etnias diferentes, mas que na realidade raramente ocorria. Qualquer contratempo não chegava a durar quase nada, mas isto não quer dizer que não havia nenhum ressentimento diante da superioridade e certa arrogância em relação aos brasileiros por parte dos letos.
• O pão de cada dia era feito de farinha de milho e merece uma página especial.
• Casou no dia 10 de março do ano de 1895 com Jahnis Purim
• A Dª Lisete quando era nova e recém-casada, o marido foi trabalhar na região de Lages, deixando-a sozinha com um nenê pequeno. Neste período um temporal muito violento numa noite de verão pôs a rancho deles abaixo ao lado da mata virgem que uivava com a tempestade, relâmpagos e chuva e neste completo caos ela teve que passar a noite com o nenê (Reinaldo) no galinheiro, com as galinhas.
• Ludwig Rose, seu irmão, foi importante jornalista e redator do jornal Deustch Zeitung, publicado em idioma alemão, editado na época da 1ª Guerra Mundial em São Paulo, vindo a falecer em 1925 tanto que merece um capítulo especial à parte.
• Outra grande qualidade de Dª Lisete era atender a enfermos, muitas pessoas da comunidade foram atendidas por ela.
• Em minha opinião a minha vovó Lisete foi uma lutadora com qualidades e defeitos que todas as pessoas eventualmente têm, mas sempre foi muito honesta em seus propósitos e eu senti muito não estar presente no dia que ela faleceu principalmente que dizem que ela pedia prá chamar-me, pois ela queria falar alguma coisa, mas nesta ocasião eu já estava morando e trabalhando em Urubici e nada pode ser feito.
• O tio Reynaldo Purim devia muito a ela e bem como a família toda pelos imensos esforços em sustentar este filho estudando no Colégio, no Seminário inclusive nos Estados Unidos.

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Alegro-me por você estar passando bem e espero que assim continue. | De Reynaldo Purim para Artur Purim – 1925 –

[Trecho de rascunho de parte de uma carta datilografada do Reynaldo Purim para o seu irmão Arthur em Rio Novo]

Rio de Janeiro, 2 de Julho de 1925.
Querido Arthur!

Saudações. Recebi a tua carta escrita no dia 8 de junho. Obrigado. Faz tempo que estava aguardando notícias suas e finalmente chegou. Aquele grande documento parece que tenha se extraviado ou pelo menos não chegou até agora. Certamente teria sido grande demais e os correios não conseguiram trazer. Pode ser que ainda chegue.

Alegro-me por você estar passando bem e espero que assim continue. Quanto ao que refere comigo estou suficientemente bem, apesar que muitas vezes sinto-me exausto porquê o trabalho é demais. Quanto ao resto, estou indo bem e nada a reclamar. O tempo aqui agora está bom e algumas vezes um pouco frio. Até eu acho um pouco frio quando sopra forte o vento sul, mas não significa que possa ficar congelado. Por causa disso não precisa se preocupar. Durante as noites me cubro com os dois cobertores e por isso não precisas te admirar, pois nós aqui dormimos no segundo andar sempre com as janelas abertas. Isso tudo faz parte do cuidado com o corpo. Dormir em quarto fechado não é saudável. Se você não sabia podes aprender agora. Tem gente por aqui que reclama muito do frio, mas, isso é, porque eles nunca sentiram frio em sua vida e nunca realmente ficaram congelados.

Você me escreve pedindo mudas de mandioca. Ainda não fui ao Ministério da Agricultura procurar mudas e sementes. Esta semana não poderei porque tenho ir aos cultos toda noite em Pilares e durante o dia estou por demais ocupado. Mas na semana eu tentarei ir buscar alguma coisa porque o tempo de plantar está próximo. O Ministério da Agricultura é longe daqui, pelo menos uma hora de bonde, perto do Pão de Assucar e lá pelo menos até agora para aqueles lados nunca fui ainda. Você me chama para ajudar a fazer a farinha de mandioca. Obrigado pelo convite. Você me convida quase no momento que já está fazendo e se eu fosse agora, estaria tudo pronto e não teria mais nada para fazer. Noutra vez você deve fazer o convite com mais antecedência e não deixar para o último momento.
Agora recentemente faleceu o maior pregador presbiteriano do Brasil, Dr. Álvaro Reis. Ele era um grande orador e também grande escritor. Morreu a noite deu aula em uma classe eu não sei aonde até as 10 horas da noite e depois foi para casa dormir. Acordou às 2 horas da manhã doente. Despediu-se da esposa (que é surda-muda) e outros familiares e as 4horas da manhã veio a falecer. Antes de morrer começou a cantar o seu hino mais querido (512 do Cantor Christão) e cantou até a penúltima estrofe e dai ele parou e morreu… Começou a cantar nesta vida e terminou na verdadeira morada. Esplêndido! Estive no culto de despedida qual foi realizado no grande templo onde o falecido serviu por longos anos como pastor. Gente tinha demais. Mais de mil pessoas de perto e de longe, muitos oradores muitas coroas lindas e elaboradas, enchendo todas galerias, calculo que sejam mais de cem com muitas mensagens variadas. Entre outras coisas a grande congregação cantou aquele hino que ele não conseguiu terminar estando ainda nesta vida. Tudo isso causou profunda impressão. O cortejo do funeral também foi grande e impressionante, centenas de carros seguiam o carro fúnebre. por onde passava toda atividade cessava. Não pude ir ao cemitério. Lá também houve um grande programa nestes últimos anos tem morrido muitos pregadores…

…está bem, o que ninguém esperava que voltasse a sarar… | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

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Rio Novo 15 de março de 1922

Querido Reini – Saudações

Faz já bastante tempo que não temos recebido nenhuma carta. A última eu recebi no dia 6 de fevereiro e depois daquela nenhuma mais. Assim não tenho respostas de 2 cartas. Uma mandei no dia 10 de fevereiro e a outra foi dentro do pacote que a Selma Klavim levou no dia 19 de fevereiro.

Você conseguirá encontrá-la e receber esta encomenda. Também não sei se a Selma já chegou lá no destino.

Bem desta vez não tenho muito que escrever. O tempo continua chuvoso e agora as estradas estão tão destruídas como nunca e os rios tão cheios que como o Rio Novo lá no que a gente passa quando vai a Orleans a água cobre a barriga dos cavalos.

As ervas daninhas nas lavouras também crescem bem. Tormentas nas nossas roças não tivemos, mas tem muita gente que reclama delas. Difícil está para as pessoas que tem que secar o milho para moer e fazer a farinha para comer. O milho está demorando a madurar e sol tem brilhado muito pouco. Todos falam que estas chuvas estão em toda parte este ano.

Então este ano você vai ter muitos colegas letos no Colégio. Pois até aqui do Rio Novo vai o Schanis Sprogis tem escrito contando vantagem que já tinha chegado ao Colégio e assim pode ser que tenham vindo letos de outras partes. Assim me escreva contando como você está passando bem. Se tem muitos colegas novos. Se o João Klava e o Linkites ainda estão lá. Qual é o relacionamento entre os outros descendentes dos letos. Eles ainda sabem falar o leto?

Sobre o Rio Novo nada de novo. Os pastores todos foram embora.

O Willis [Leiman] faz tempo já foi embora e sobre isso eu já escrevi.

O Arthur [Leiman], a Lucija com os meninos e mais a Vitorija Ochs viajaram dia 21 de fevereiro. A Vitorija foi junto com a irmã Lucija. O Arthurs também foi para o Rio Grande visitar o Willis [Leiman] e daí de trem até o Fritz [Leiman] em Corrientes de daí para Buenos Airi e agora todos devem estar no seu devido lugar.

O Karlos [Leiman] e o Fritz não vieram para cá. O Fritz não vem mais e sobre o Karlos a gente não sabe, se ele vem ou não. E como à senhora Leiman está bem, o que ninguém esperava que ela viesse a sarar, mas a quem não está designado a morrer nada acontece. Podem as pessoas pensar o que quiser.

Hoje teve novamente um funeral no Rio Novo. Desta vez foi o velho Butlers. Fazia dois anos que ele tinha dificuldade em caminhar e agora o Butler fica mais sem a preocupação do pai aqui sozinho.

Na próxima segunda feira será a Festa de Aniversário da Igreja, mas o Inkis não vira. Bem por hoje chega.

O Viktors [Victor Stavirski , filho de Etienne Staviarski diretor da Empresa de Colonização Grão Pará, estudava no mesmo Colégio Batista] trouxe os Prospectos e por eles obrigado. O Victors disse que mandasse lembranças, mas arranjamos algumas coisas para mandar por ele. Ele diz que você e ele são grandes amigos.

E que você está muito bem. Aqueles colarinhos acho que deverão servir. Nós, os rematamos num Bazar da Igreja, as cinco peças.

Agora tu sabes deves escrever bastante. Daqui uns tempos teremos que pedir para você compre cordas para os violinos que estão quase no fim.

Não tenho mais tempo para escrever mais nada.

Com lembranças de todos – Olga
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…não terás tempo nem para comer…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rio Novo 3 de novembro do ano de 1921

Querido Reini – Saudações!

Eu recebi a tua carta escrita em 7-10-21 na semana passada. Obrigada. Faz muito tempo, quase 2 meses que não recebi nada, comecei a ficar preocupada pensando que não estivesses passando bem ou minhas cartas não chegam mais lá ou ainda tivesse ficado tão doente que não pudesse mais escrever.

Mas quando em Orleans recebi a tua carta me apressei em ler e procurar os motivos mas não encontrei nada de novo a não ser a tão propalada falta de tempo para não me escrever alguma carta. Mas pelos teus planos, logo não vais ter tempo nem para dormir e se continuares a estudar até o fim do ano estarás tão sábio [ladino, esperto] que não terás tempo nem para comer, ou dormir nem tão pouco escrever cartas. ….

Já faz mais de um mês que eu mandei a última carta e no dia que recebi a tua na semana passada mandei um cartão postal e neste tempo todo aconteceram isto e aquilo que eu vou tentar descrever: O primeiro acontecimento foi que logo depois que mandei a última carta que foi no dia 26 de setembro o Burmeister faleceu e no dia 27 foi o funeral. Ele há muito estava doente e sofreu muito e nos últimas semanas não podia ficar deitado na cama então ele ficava o tempo todo sentado na cadeira de balanço [espreguiçadeira]. É uma situação muito triste porque os filhos ficaram sozinhos, que apesar dos jovens serem de estatura já crescidos nenhum deles tem muita vocação ainda para liderança e tomar conta da propriedade. Tem mais propensão para fazer artes e vadiar mesmo. Por isso não sei como será daqui para frente.

Já no dia 12 de outubro foi novamente o funeral da velha senhora Bankovitz o qual tinha falecido no dia anterior. Ela fazia mais de dois meses que estava incapaz de qualquer coisa tinha que ser carregada, banhada e alimentada, como uma criança pequena. Parece que aqui na nossa comunidade nunca antes tinha acontecido que em 3 meses houve 5 funerais …

No dia 15 de outubro foi a festa de Aniversário da União dos Jovens da Igreja [Festa da Mocidade] que na realidade deveria ser no dia 16, mas como este ano caiu no domingo e o Grupo de Músicos queria fazer um Bazar e isso não fica bem aos domingos. A organização de bazares agora é moda pôr aqui. Na Festa da Colheita [Pentecostes] também teve bazar que a Igreja organizou e cuja finalidade era uma contribuição para os irmãos carentes das Igrejas da Letônia. Desta vez não foi mandado simplesmente para os refugiados da guerra como nas outras vezes, mas sim em nome das Igrejas para que elas façam a distribuição, entre os mais necessitados.

Há poucos dias mandaram 1.700$000 e neste valor havia ofertas privadas e designadas diretamente para parentes dos mesmos. A maior parte do dinheiro saiu mesmo da Igreja, pois o Bazar rendeu 330$000 e ainda havia as coletas especiais da Mocidade.
Agora o Bazar do Grupo de Músicos rendeu mais de 200$000 e quando se precisa de dinheiro e só fazer um bazar. As pessoas levam as prendas ou coisas e outras pagam caro por elas. A Luzija Grikis levou uma galinha assada e ela foi vendida pôr 16$800. Cara, mas deliciosa.

No dia da Festa o tempo estava ótimo, que melhor não poderia ser nesta época de tanta chuva. Se bem que naquele tempo nós estávamos todos com tosse e fomos todos assim mesmo. A Festa foi dirigida pelo Oskar Karp.

Cantaram o Coro da Mocidade e também o Coro da Igreja. Também o grupo de Músicos apresentou muitas lindas peças. Também muitas saudações, poesias e outras partes e tudo transcorreu muito bem.

No domingo a noite teve a segunda parte da Festa. E esta parte quem dirigiu foi o Roberto Klavin. Nesta noite foram apresentados números de violino e outros instrumentos de corda.

Fizeram apresentações de Hinos curtos [Corinhos] o Roberto Klavin, o João Seeberg e o Wilhem Slengman. Quem ensinou esta modalidade foi o Professor Treimanis, mas agora todo mundo, já quer ser professor. Teriam ficado com medo de apresentar durante o dia na festa mesmo então à noite dizem ser mais fácil.

Também cantou muito bem um duplo quarteto masculino formado pôr Osvaldo Auras e o Augge [Augusto Feldberg] no soprano, o nosso Arthur e o Aji [Eugenio Elbert] no alto, o Condis [Conrado Auras] e o Attis [Otto Slengman] no tenor e o João Seeberg e o Rubis [Roberto Klavin] no baixo e se o volume do som fosse tão alto ou tão grande como eles, teria sido melhor ainda [Percebe-se que ela se refere a novatos que tem medo de soltar a voz]..

Bem pôr hoje chega, é provável que tenha que escrever logo outra vez.

Sobre o demais das festas você mesmo pode complementar com a imaginação.

Com lembranças. Olga.

O dia do enterro dele, lembrou o dia do casamento dele… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 5-9-21
Querido Reynold!

Saúde! Recebi a tua carta escrita no dia 14-8-21 no 26 de agosto. Muito obrigada. Você sempre pede que eu escreva bastante e hoje até que teria, mas tem um grilo que está me atrapalhando a escrita com o seu irritante e insistente canto e se escutar melhor também as rãs estão com o coaxar prevendo chuva.

Semana passada choveu muito, quase demais e fez muito frio. Mas agora está quente outra vez.. Este ano excepcionalmente a primavera chegou bem mais cedo, pois todo mês de agosto já estava quente e mesmo abafado e a última geada foi em 20 de julho. O pessoal está capinando e queimando as roças e está tudo coberto de tanta fumaça como em outros anos acontecia bem mais tarde no mês seguinte. Aqui nas roças estamos terminando de colher o milho e já em seguida estamos a plantar novamente.

Aqui no Rio Novo no mês de agosto foi época de Festas. No dia 17 de agosto uma quarta feira, à noite, foi a Festa da Colheita [Festa de Ação de Graças pela safra colhida]. O tempo estava bom e somente nublado, mas um pouco antes deu uma forte chuva que como foi rápida não chegou a fazer lama nas estradas pois a terra absorveu. Não podia chover mesmo, pois dias antes tinham chegado as grandes e esperadas visitas da grande cidade, o Dr. Luppers e outros não menos importantes como o José Casscão [Cascão] de Paranaguá e o Antônio Ernesto da Silva de São Paulo. Estes tinham estado em Curitiba nas Conferências e o Luppers tinha conseguido que eles viessem junto. Eles fazem tempo que queriam conhecer o Rio Novo. O Onofre que sabia de tudo, também viajou e veio para acompanhar, pois ele sabia quando eles viriam, mas o Antônio Ernesto não ficou muitos dias aqui, isto é somente nas Festas e logo desceu de volta para Orleans e lá organizou diversos cultos e reuniões, todas as noites e no sábado foi embora no sábado, porque não tinha planejado ficar tanto tempo fora de casa e vir tão longe.. O Dr. Lupper e seu companheiro ficaram até o domingo pela manhã, mas a noite já estava em Orleans e ai nós também fomos. Nas noites anteriores nós não fomos, mas os músicos e o coro foram quase todas as noites. Estas reuniões foram muito concorridas tanto é que o sacerdote católico determinou missas extraordinárias e tocava o sino alertando ao povo que não fosse, mas pouco adiantou pois na última reunião tinha mais de 400 pessoas. As reuniões eram feitas no prédio onde era o antigo cinema. O prédio está vazio e parece que faz tempo que não tinha sido usado. Dentro somente as poltronas pois faz tempo que não são feitas apresentações de filmes.

Também tivemos a oportunidade de ouvir o tão afamado solista acompanhado do harmônio, mas não agradou tanto quanto era esperado e é provável que nossos ouvidos não sejam acostumados com apresentações tão artísticas. Na primeira noite o Onofre trouxe ele [o Lupers] aqui em casa e ai ele contou para o Pappa que te conhece da cabeça aos pés e que sabes falar francês, alemão, inglês tanto quanto ele e ainda outras coisas como álgebra etc.

Bem os tempos passaram e depois de uma semana ele viajou até a casa do Onofre e dai para Imbituba.[O Onofre morava na localidade de Braço do Norte também chamada de Barra do Norte, uma Estação da Estrada de Ferro que ia pra Tubarão- Não confundir com a cidade de Braço do Norte hoje que naquele tempo chamava-se Quadro do Norte]

Há pessoas que dizem que depois de muita alegria e festas também vem a tristeza e funerais e agora isso aqui no Rio Novo aconteceu. Eu não gosto nada de escrever sobre funerais, porque as minhas cartas trazendo notícias tristes podem deixar você perturbado.

Bem agora isto aconteceu depois de festas, o funeral. O Oscar Karp voltando da cidade montado em seu cavalo chamou-nos da porteira e informou que noutro dia depois do almoço seria o enterro do Willis Paegle. Que ele tinha morrido às 3 horas da tarde… Parecia incrível, pois ninguém sabia que ele estava doente ou se foi um acidente.

Somente outro dia no cemitério ficamos sabendo que dias antes que ao levantar um peso excessivo de ter havido rompimento nalgum órgão interno. Chamaram o médico, mas este disse que não havia mais esperança e ele não viveria mais. Agora os Auras e os Paegles estão numa tristeza profunda, pois o que a Erna vai fazer com um filho com 2 anos somente, já sozinha.

Nos derradeiros momentos estavam juntos todos os parentes e ele pediu que ninguém chorasse, mas sim que levassem uma vida tal, que permitisse que no céu voltassem a se encontrar.

O dia do enterro dele lembrou o dia do casamento dele que também foi numa tarde de sábado que foi um lindo dia, também após uma semana de chuva. Agora chega, pois o papel acabou. Com saudações Olga
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…toda natureza estava lúgubre chorando…. | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de julho de 1921

Querido Reini! Saudações!

Eu desta vez não teria direito de escrever. A tua carta logo que recebi em seguida já respondi. Naquela vez os outros não escreveram, então como a Luzija esta noite está escrevendo então você não vai levar a mal, pois eu já estou escrevendo, mesmo que você não as possa ler no momento pode deixar para quando os dias forem mais longos. Desta vez não tenho notícias alegres e sim bem tristes.

– Nestes dias passados, aconteceu um desastre que há tempo não tinha acontecido…. Agora a nossa mais querida amiga Marija Sommer,[os pais desta moça tinham falecido e os parentes moravam distante] já não caminha pelas estradas do Rio Novo e está onde não há preocupações nem dor e seu corpo repousa no cemitério, no alto da colina.
Era uma fria manhã de domingo, dia 17 de julho. Ambos, os velhos Leiman, devido a este frio, resolveram ficar em casa. Mas a Marija montada no Prinze veio para o culto na Igreja. A senhora Leimann não imaginava que aquela foi à última vez que abriu a porteira, para esta pessoa tão querida que nos últimos dois anos morava com eles e eles a consideravam como fosse própria filha e que não voltaria mais para casa.
Nós neste domingo a convidamos para almoçar aqui em casa e que passasse a tarde conosco, mas ela muito responsável só queria ir para casa. Logo após a casa dos Karklim o cavalo se assustou e desembestou numa corrida maluca [a distância que o cavalo correu devia ser um pouco mais de um quilometro]. Quem viu foi o Limors, depois os Salit que estavam também voltando da Igreja e logo que atravessou a ponte do Rio Carlota já perto da casa dos Karp, ela parece que não conseguiu mais se segurar e caiu. Correram os vizinhos como os Match e os Salit que vinham da Igreja por perto, mas a jovem parecia desmaiada e depois de muitos esforços ela voltou a respirar. Então levaram para a casa dos Karp que era bem próxima. Logo que soubemos desta trágica notícia, a Mamma (Lisete Rose Purim minha avó) foi voando até para ver o que poderia ser feito. Aquele acontecimento agitou a tranqüilidade dominical da comunidade. A Maria não retornou os sentidos. Nos Karps, ela ficou até quarta feira, mas porque na casa dos Karp tinha pouca gente para cuidar a Mamma ficou lá duas noites direto [distante 3 quilômetros]. Os Leimann e os Grikis queriam levá-la cada um para a sua casa, mas ficou decidido trouxeram para a casa dos Grikis. Ficou todo este tempo respirando, mas sem comer ou falar nada. Ela resistiu desacordada 8 dias e assim no dia 25 ela morreu e no dia seguinte foi o enterro. Neste dia do enterro estava um dia nublado, cinza e soturno como eu não me lembro ter visto igual….. Parecia que toda natureza estava lúgubre chorando por ela… Agora o casal Leiman, ambos velhinhos sós, outra vez. Agora uma de nós duas vai ter que ir morar com eles. Quem será ainda não foi decidido. — Tempos atrás também morreu a senhora Elbert.

Hoje não vou escrever mais nada, porque logo que receber sua carta, eu terei que escrever outra vez e sobre os assuntos diversos a Luzija está escrevendo.

Quanto a nós graças a Deus estamos todos bem e esperamos que também estejas também.
Com sinceras lembranças. Olga.

[Este acidente foi causado pela corrida desenfreada do cavalo e agravado pelo uso da sela de banda usada pelas senhoras e moças que somente o pé esquerdo apoiava-se no estribo.].

…ela ficou esperando por mim o mês inteiro. | De Roberto Klavin para Reynaldo Purim – 1921

Invernada, 23-7-1921
Caro amigo!

Recebi a carta enviada em 15/6/21 pela qual agradeço. Só que ela ficou esperando por mim um mês inteiro, pois eu tenho ficado fora por tempo indeterminado e quando volto a correspondência, está toda acumulada como aconteceu agora.

Agora foi interrompido temporariamente o trabalho da Escola Dominical no Rio Larangeiras[o nome deste lugar era escrito assim]. Um motivo que estou trabalhando em Grão Pará e para sair de lá e ir até o Rio Larangeiras é muito longe e outro que ultimamente pouca gente colaborava e tinha pouco interesse no trabalho. Como será daqui para frente lá ainda não sei.

No domingo passado foi o funeral da senhora Elbert.

Também a Marija Sommer quando voltava da Igreja teve uma queda do cavalo e se machucou muito e está sem esperanças de recuperação. Ontem a noite, ainda estava viva, mas todos estes dias ela não fala nem conhece ninguém e cada vez fica pior.

Agora no Rio Novo temos aulas nos dias úteis, durante os dias e também as noites e o professor é o F.Treimanis que também mora nas dependências da Igreja.

Também o velho Lövenstein [Limors] está de volta no Rio Novo, mas se ele veio para ficar, eu não sei.

Quanto ao trabalho da Igreja eu sei pelo que me contaram, pois estive muito tempo fora e desde janeiro não tenho tido oportunidade para comparecer as reuniões. Nem nas Reuniões da União da Mocidade não tenho participado e farei o possível para ir amanhã à noite.

Até agora de modo geral não tem acontecido nada de importante que mereça ser escrito e sobre muitos detalhes, não vale a pena.

Terminando receba muitas lembranças minhas e dos meus. Teu amigo Robert Klavin.
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