Pois, segundo os jornais alemães o Pão de Açucar está derretendo |De Olga Purim para Reynaldo Purim 1922

Rio Novo 23 de março de 1922

Querido Reynohold.

Saudações!

Recebi a tua carta escrita no dia 1 de março ontem. Obrigado por ela.

Você sempre foi bastante detalhista e agora na costura o que é muito raro eu fazer, mas agora que você já é Doutor eu tenho que me aperfeiçoar mais.

Os Prospectos já faz bastante tempo que os recebemos. Se soubesse que o Victor tinha prometido contar tudo acerca você teria explorado mais. O que ele contou que estás com saúde, que estás bem e que trabalhas em uma boa oficina. Que vocês são grandes amigos e é isso tudo que a senhora mãe dele contou para a Mamma. [Mamma é a Lisete Rose Purim mãe de Reynaldo, de Olga, de Lúcia, e de Otto Roberto Purim que foi o meu pai] Também contou que tu não gastas tanto quanto o Victor [Staviarski] que precisa muito dinheiro quando na viagem para casa.

Nós entregamos para o Victor levar para você as lembranças e se quiseres saber quanto custou depois me escrevas que eu te conto.

Foi a própria Selma [Klavin] que entregou o pacote prá você ou mandou através de outra pessoa? Eu perguntei se ela poderia entrar no Colégio Masculino e ela disse que ela podia entrar onde quisesse.

Quais são os nome daqueles rapazes letos lá de Rio Branco e gostaria de saber se há mais letos de outros lugares. Do Rio Novo ninguém quer ir porque lá tem falar em brasileiro.

E agora está bastante perigoso viajar ao Rio de Janeiro. Pois segundo jornais alemães o Pão de Açúcar está derretendo. Dizem que apareceram dois imensos buracos do lado do mar e que durante o dia se consegue ver a fumaça e a noite vêem-se claramente chamas e que se torna perigosa a navegação pela baía pelo risco de incendiar algum navio. O que você sabe sobre isso? Tu não tens medo? Dizem que a fumaça sulfurosa poderá sufocar a todos. Dizem que chega a chiar quando está queimando. [Devia ser alguma brincadeira de 1º de Abril antecipada deste jornais]

Você que é grande artista na oficina poderia fazer um cocho para alimentar as vaquinhas. Vocês têm alguma vaca ou é de alguma outra pessoa?

Agora você trabalha na confecção de caixas. Aqui você não sobreviveria com a fábrica de caixas, pois ninguém iria comprar e lá você pode até ficar rico com esta indústria.

Agora não poderei escrever muito porque as suas férias terminaram e assim você não terá tempo de ler.

Aqui no Rio Novo nada de importante aconteceu.

Na segunda feira foi a Festa de Aniversário da Igreja e choveu o dia inteiro. O Inkis não veio e não havia visitas de outros lugares. A Festa foi dirigida pelo Frischimbruder [Júris Frischembruder grande líder da comunidade] e até que foi muito boa. Quando as pessoas chegaram de volta em casa, estavam molhadas devido à chuva que não parou.

A chuva parecia que como fosse em janeiro. Nesta época em março já não devia estar chovendo tanto.

As ervas daninhas este ano crescem como nunca. O feijão parece que não vai dar grande coisa devido ao excesso de umidade. Também apareceram lagartas de tamanhos diferentes das do ano passado.

O milho este sim está com as espigas muito bonitas.

– Bem agora chega, tenho que ir dormir. Começou uma dor de dentes. Você não poderia mandar aquele pó para dores de dente que você tinha trazido quando esteve aqui?

Ainda mui amáveis lembranças de todos daqui. Escreva bastante agora.

A carta que mandei através do Victor acho que não tinha chegado. – Olga.

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…não terás tempo nem para comer…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rio Novo 3 de novembro do ano de 1921

Querido Reini – Saudações!

Eu recebi a tua carta escrita em 7-10-21 na semana passada. Obrigada. Faz muito tempo, quase 2 meses que não recebi nada, comecei a ficar preocupada pensando que não estivesses passando bem ou minhas cartas não chegam mais lá ou ainda tivesse ficado tão doente que não pudesse mais escrever.

Mas quando em Orleans recebi a tua carta me apressei em ler e procurar os motivos mas não encontrei nada de novo a não ser a tão propalada falta de tempo para não me escrever alguma carta. Mas pelos teus planos, logo não vais ter tempo nem para dormir e se continuares a estudar até o fim do ano estarás tão sábio [ladino, esperto] que não terás tempo nem para comer, ou dormir nem tão pouco escrever cartas. ….

Já faz mais de um mês que eu mandei a última carta e no dia que recebi a tua na semana passada mandei um cartão postal e neste tempo todo aconteceram isto e aquilo que eu vou tentar descrever: O primeiro acontecimento foi que logo depois que mandei a última carta que foi no dia 26 de setembro o Burmeister faleceu e no dia 27 foi o funeral. Ele há muito estava doente e sofreu muito e nos últimas semanas não podia ficar deitado na cama então ele ficava o tempo todo sentado na cadeira de balanço [espreguiçadeira]. É uma situação muito triste porque os filhos ficaram sozinhos, que apesar dos jovens serem de estatura já crescidos nenhum deles tem muita vocação ainda para liderança e tomar conta da propriedade. Tem mais propensão para fazer artes e vadiar mesmo. Por isso não sei como será daqui para frente.

Já no dia 12 de outubro foi novamente o funeral da velha senhora Bankovitz o qual tinha falecido no dia anterior. Ela fazia mais de dois meses que estava incapaz de qualquer coisa tinha que ser carregada, banhada e alimentada, como uma criança pequena. Parece que aqui na nossa comunidade nunca antes tinha acontecido que em 3 meses houve 5 funerais …

No dia 15 de outubro foi a festa de Aniversário da União dos Jovens da Igreja [Festa da Mocidade] que na realidade deveria ser no dia 16, mas como este ano caiu no domingo e o Grupo de Músicos queria fazer um Bazar e isso não fica bem aos domingos. A organização de bazares agora é moda pôr aqui. Na Festa da Colheita [Pentecostes] também teve bazar que a Igreja organizou e cuja finalidade era uma contribuição para os irmãos carentes das Igrejas da Letônia. Desta vez não foi mandado simplesmente para os refugiados da guerra como nas outras vezes, mas sim em nome das Igrejas para que elas façam a distribuição, entre os mais necessitados.

Há poucos dias mandaram 1.700$000 e neste valor havia ofertas privadas e designadas diretamente para parentes dos mesmos. A maior parte do dinheiro saiu mesmo da Igreja, pois o Bazar rendeu 330$000 e ainda havia as coletas especiais da Mocidade.
Agora o Bazar do Grupo de Músicos rendeu mais de 200$000 e quando se precisa de dinheiro e só fazer um bazar. As pessoas levam as prendas ou coisas e outras pagam caro por elas. A Luzija Grikis levou uma galinha assada e ela foi vendida pôr 16$800. Cara, mas deliciosa.

No dia da Festa o tempo estava ótimo, que melhor não poderia ser nesta época de tanta chuva. Se bem que naquele tempo nós estávamos todos com tosse e fomos todos assim mesmo. A Festa foi dirigida pelo Oskar Karp.

Cantaram o Coro da Mocidade e também o Coro da Igreja. Também o grupo de Músicos apresentou muitas lindas peças. Também muitas saudações, poesias e outras partes e tudo transcorreu muito bem.

No domingo a noite teve a segunda parte da Festa. E esta parte quem dirigiu foi o Roberto Klavin. Nesta noite foram apresentados números de violino e outros instrumentos de corda.

Fizeram apresentações de Hinos curtos [Corinhos] o Roberto Klavin, o João Seeberg e o Wilhem Slengman. Quem ensinou esta modalidade foi o Professor Treimanis, mas agora todo mundo, já quer ser professor. Teriam ficado com medo de apresentar durante o dia na festa mesmo então à noite dizem ser mais fácil.

Também cantou muito bem um duplo quarteto masculino formado pôr Osvaldo Auras e o Augge [Augusto Feldberg] no soprano, o nosso Arthur e o Aji [Eugenio Elbert] no alto, o Condis [Conrado Auras] e o Attis [Otto Slengman] no tenor e o João Seeberg e o Rubis [Roberto Klavin] no baixo e se o volume do som fosse tão alto ou tão grande como eles, teria sido melhor ainda [Percebe-se que ela se refere a novatos que tem medo de soltar a voz]..

Bem pôr hoje chega, é provável que tenha que escrever logo outra vez.

Sobre o demais das festas você mesmo pode complementar com a imaginação.

Com lembranças. Olga.

…nesta pequena “Letônia além do Atlântico” | Fatos da América do Sul II

DA AMÉRICA DO SUL II
Segunda Parte

Matéria gentilmente enviada por Brigita Tamuza de Riga
Publicado no jornal da Letônia
Majas Viesis Nº 25 (O Visitador) de 17 de junho de 1898 (cont.)
Traduzido para o português por Valfredo Eduardo Purim

De Rio Carlota (Colônia Grã-Pará) – Estado De Santa Catarina, Sul do Brasil) nos escreve:

“Neste ano, 20 de março os letos de Rio Novo e Rio Carlota [aqui instalados em sua quase totalidade são batistas] programaram uma grande festa para comemorar o aniversário de fundação da Igreja… meu desejo seria apresentar aos prezados compatriotas na distante terra natal como os letos daqui trabalham.

Nossos dois corais desde o começo do ano estavam se preparando para a festividade: foram ensaiados novos hinos e convidaram também o coral dos letos de Mãe Luzia. Foi composta uma Comissão especial dos Festejos. Foi anunciado amplamente e, assim como os letos daqui são vistos pelos brasileiros com grande respeito e consideração, são vistos como povo exemplar, então, certamente muitos esperavam com entusiasmo a data da festa.
Até de aproximadamente 100km (80 léguas) da distante Imbituba era esperado o comparecimento do Presidente da Rede Ferroviária. (Estrada de Ferro D. Tereza Cristina)”.

Sexta-feira, 18 de março começamos o aguardo da chegada dos visitantes e coristas de Mãe Luzia.
Diversos Rio-novenses se organizaram para a recepção indo ao encontro dos visitantes aproximadamente 20 km distante estação ferroviária em “Palmeiras” [Deve ter algum problema de logística porque os trens não conseguiam chegar até Orleans – O nome atual de Palmeiras é Pindotiba]
Após a chegada, todos os convidados foram distribuídos pelas casas ou com os parentes, conhecidos e amigos.

Sábado, 19 de março: todos, como podiam reuniram-se junto ao local da festa para ornamentação.

Nossa casa de oração, destinado para o local da festividade, ornamentada com palmeiras, flores e diversas guirlandas de flores… como os convidados de Orleans haviam solicitado montarias, então durante a noite foram pegos os cavalos e mandados para os convidados, para que a ninguém faltasse animal de montaria e conseqüentemente teria que deixar de comparecer.

Domingo, 20 de março: às 11 horas da manhã começaram as festividades.

Participaram, 1 coral masculino, 1 coral masculino duplo, 1 coral composto a cada voz de 1 voz masculina e diversas vozes femininas, 3 coros mistos, de Orleans 1 recém fundado coral alemão.
Diversos discursos foram proferidos e leitura de textos em leto e alemão… Ao evento compareceram muitos de Orleans, também das colônias da redondeza: alemães, letos, brasileiros, italianos e até alguns estonianos. Eram aguardados alguns ingleses, mas conforme mencionados em virtude de falhas técnicas na ferrovia, eles não puderam comparecer.

Segunda-feira, 21 de março: à noite nossos jovens organizaram uma procissão de tochas ou archotes ou ainda, melhor dizendo, procissão de tabocas que são feixes de taquaras secas acesas. Ao escurecer, conforme previamente combinado, reuniram-se os carlotenses na casa de G. e os rio-novenses na casa de D. Para o evento foi confeccionado em um carro de duas juntas de animais foram trazidas taquaras secas, para esse fim, previamente cortadas e secas, as taquaras são de 1 e 2 polegadas de diâmetro e 10 palmos de comprimento. Elas crescem em qualquer terreno e depois de secas oferecem uma maravilhosa combustão. As taquaras são usadas em lugar de lascas de madeira…

Os cortejos dirigiram-se ao ponto de encontro e depois para o local da festa, onde a Sociedade de Jovens organizou uma noite de café e também apresentações de cânticos e respostas a interrogações. [ Esta parte da reunião era mais informal e possibilitava aos participantes desta a liberdade de apresentar questões e perguntas sobre assuntos bíblicos e a vida cristã e assim eram respondidos pelos líderes ou mesmo por outros que pudessem contribuir.]
Ass.

Um Carlotense [Morador do Rio Carlota, localidade adjacente ao Rio Novo]